Notas da autora
Yukiko conseguiu...
Yuugi acaba...
Yukiko fica...
Capítulo 7 - O desespero de Yukiko
Assim que ergue a espada, segurando o cabo com as duas mãos para afundá-la o mais profundamente possível no corpo dela, a albina procura ascender para o céu de forma brusca e igualmente violenta em um ângulo próximo de noventa graus em direção as nuvens, voando quase que em sentido vertical, batendo vigorosamente as suas asas possantes apesar de sentir uma dor considerável em uma delas pelo golpe que sofreu na junção de uma das asas, além da dor da espada curva que se encontrava cravada no corpo dela.
Mesmo sentindo dor na articulação de uma das asas, ela se concentra em ascender o quanto antes para o céu, com o general parando de atacá-la por ter perdido a espada, que caiu durante a ascensão abrupta e inesperada, sendo que naquele instante, ele lutava desesperadamente para se segurar na dragoa alva e peluda através da sua espada fincada profundamente na carne dela.
Conforme ela ascendia para o alto, o general enfrentava ventos cortantes e igualmente gélidos enquanto se tornava cada vez mais difícil para ele respirar, fazendo o mesmo ficar arfante ao ponto de começar a sentir os efeitos da hipóxia em seu cérebro.
Após alguns segundos, ele começa a sofrer danos gravíssimos em virtude da hipotermia enquanto que várias partes do seu corpo eram congeladas.
Por se encontrar em uma altura que possuía condições adversas para vida humana, ele fica inconsciente, com as suas mãos soltando a espada enquanto caía das costas da dragoa que sorria imensamente apesar das dores intensas que tomavam o seu corpo pelos golpes que havia sofrido, exibindo intensa satisfação no olhar ao ver o corpo do general caindo rumo ao solo com as funções vitais dele cessando gradativamente.
Quando ela leva as suas mandíbulas até o objeto cravado em sua carne visando retirá-lo, surge o conhecimento de que seria arriscado fazer isso, pois o objeto podia estar impedindo que alguma hemorragia severa acontecesse. Se o tirasse, poderia provocar uma hemorragia violenta.
Afinal, a albina não sabia qual a extensão do dano dentro dela que a arma proporcionou.
Portanto, ela deixa a espada cravada nela, por mais que a incomodasse e a fizesse sentir dor, enquanto começava a descida em direção ao solo.
Visando chegar o mais rápido possível até os soldados, Yukiko faz um mergulho na posição vertical retraindo as suas asas, fazendo com que se tornasse um projétil, pois, precisava chegar o quanto antes até os soldados remanescentes para neutralizá-los eficazmente, permitindo assim que os aldeões e o seu amigo pudessem fugir com uma boa margem de segurança.
No chão, os soldados julgaram erroneamente que a dragoa foi morta pelo general deles e após comemorarem a façanha, pois, um humano havia derrotado um dragão, eles começam o seu avanço em direção à vila, conforme conseguiam neutralizar as criaturas de gelo, embora as mesmas tenham conseguido matar inúmeros soldados, sendo que havia alguns pássaros de gelo remanescentes que voavam, atacando o máximo de soldados possíveis, antes que fossem destruídos.
Os soldados remanescentes que haviam se aproximado da vila, exibem estupefação em suas faces ao verem um menino de cabelos espetados e tricolores, murmurando de olhos fechados palavras desconhecidas a eles enquanto se encontrava parado na entrada da vila e por ser demasiadamente menor do que um garoto da sua idade, os soldados julgam erroneamente que era uma criança e não um garoto de catorze anos.
Após passar a estupefação, um deles fala com visível descrença em sua voz:
- Depois de um dragão é uma criança?! Avancem! – o comandante ordena.
Os soldados não sabiam que o garoto havia se desvencilhado de sua família para ficar próximo da dragoa, após entregar a sua amiga Yoru aos cuidados dos pais dele sobre promessas sagradas do pai dele ao se prontificar a cuidar dela, fazendo ela se afastar sobre muita reticência, além de assumir a responsabilidade de ajudar a albina a detê-los.
O pai dele queria ficar, mas com a iminência da mãe de Yuugi dar a luz, o jovem queria que o seu irmão nascesse com a presença do pai que o ensinaria tudo sobre os Deuses para que o conhecimento da família fosse passado para a geração futura.
Ademais, o jovem não podia abandonar a primeira amiga que teve e que sempre esteve com ele, pois, havia jurado a si mesmo, antes de conhecer Yukiko, que se tivesse um amigo, nunca o abandonaria, não importando a situação e que seria leal a ele.
Portanto, se ela arriscava a sua vida por ele e pela sua aldeia, o jovem faria o mesmo, visando ajudá-la de alguma forma enquanto se amaldiçoava por não ser mais poderoso.
Desconhecendo o fato do garoto se encontrar concentrando o seu Kiei para que pudesse usar os seus poderes, eles se aproximam inadvertidamente de Yuugi e não usam as flechas por julgarem que seria desnecessário, uma vez que era apenas uma criança na visão deles.
Desconhecendo o fato do garoto se encontrar concentrando o seu Kiei para que pudesse usar os seus poderes, eles se aproximam inadvertidamente de Yuugi e não usam as flechas por julgarem que seria desnecessário, uma vez que era apenas uma criança na visão deles.
O jovem Sacerdote abre os olhos com um brilho envolvendo o corpo dele.
Então, os soldados ficam embasbacados quando observam os galhos das árvores crescendo para depois, atacá-los ao se portarem como chicotes, os golpeando e cujos golpes não eram fatais, pois o jovem não conseguiria tirar uma vida e queria, apenas, deixa-los incapazes de prosseguirem em seu intento.
Inclusive, foi esse o motivo que o levou a não invocar os animais ao orar para a Deusa da natureza, limitando-se as árvores.
Afinal, havia grandes chances de haver mortes entre os humanos e os animais, algo que ele não queria que ocorresse.
O problema do seu ataque é que ao verem os galhos ganhando vida e descendo contra eles, o terror neles se intensificou e com a maioria esmagadora dos seus comandantes e general se encontrando mortos ou incapacitados de andarem, alguns soldados começaram a atear fogo nos galhos ao serem tomados pelo mais puro desespero e por causa do tempo seco, um incêndio intenso se instaurou naquela parte da floresta envolvendo todos em uma tormenta de chamas com Yuugi tentando escapar enquanto se encontrava rodeado por labaredas vorazes.
Após conseguir se acalmar parcamente, ele se concentra, usando o seu Kiei juntamente com uma oração ao Deus do fogo para controlar as chamas porque não queria queimar as pessoas.
Enquanto se concentrava para usar o seu poder, muitos soldados foram tomados pelo desespero, desejando sair das chamas o quanto antes e em virtude de se encontrarem aterrorizados, eles correram na pior direção possível, fazendo com que acabassem envoltos em chamas intensas que os queimavam vivos, sendo possível ver pessoas se tornando bolas de fogo humanas ao correrem com o corpo repleto de chamas até caírem no chão enquanto imperava os gritos de desespero e de dor conforme o fogo se alastrava vorazmente por causa do vento que soprara naquele instante, juntamente com o fato da mata estar seca, facilitando a propagação das chamas.
O jovem ficou surpreso ao ver que ainda conseguia manipular as chamas apesar de ter solicitado, anteriormente, a ajuda das árvores e quando ia invocar a água dos lagos para apagar o fogo ao começar uma oração à Deusa da água enquanto concentrava seu Kiei, uma fecha lançada por um arqueiro em direção ao jovem, acaba atingindo o tórax dele, fazendo-o cair no chão, com a sua concentração sendo encerrada enquanto ele mergulhava na escuridão, com as chamas implacáveis cercando o seu corpo.
Quando Yukiko sentiu o medo do seu amigo alguns minutos atrás, através da pulseira que deu para ele, ela ficou desesperada para salvá-lo e seu desespero apenas aumentou ao sentir que Yuugi estava inconsciente e em perigo, conforme avistava a floresta sendo tomada por chamas que se elevavam a vários metros de altura, tornando o lugar uma verdadeira fornalha.
Mesmo temendo as chamas, uma vez que era uma dragoa das neves, ela avança dentre a tormenta flamejante enquanto matava todos os sobreviventes que haviam conseguido sair da tormenta e que tentavam se afastar dela.
Afinal, a albina jurou que não deixaria nenhum dos soldados vivos.
Enfrentando as chamas que queimavam a sua pelagem, provocando novos danos nela, assim como dores intensas juntando-se aos seus ferimentos ocasionados pelos golpes de espada do general, a albina prossegue em seu avanço, desviando das árvores em chamas. A albina havia assumido a sua forma semelhante à humana para poder voar dentre as árvores flamejantes, desviando de galhos envoltos em chamas que caiam na sua frente, além de atravessar labaredas de vários metros de altura, cerrando os dentes pela dor intensa que sentia quando o fogo fazia contato com a sua pele enquanto lidava com as dores intensas dos ferimentos que sofreu nas mãos do general, procurando manter o seu foco, apenas, em Yuugi, sendo que ela se encontrava em um misto de aborrecimento e tristeza ao constatar que ele não fugiu junto dos outros.
Dentre a tormenta de chamas que se instaurou no local e que avançava nas casas da vila enquanto os gritos de desespero e de dor se silenciavam gradativamente, a albina consegue encontrá-lo dentre as chamas vorazes que queimavam implacavelmente tudo que tocavam ao rastrear a pulseira que deu para ele, com ela agradecendo a si mesmo, mentalmente, por ter dado aquele item há anos, atrás.
Rapidamente, a albina pega o seu amigo e alça voo, se afastando das chamas, ainda na forma humana.
Porém, ela acaba sendo atingida por uma flecha flamejante proveniente de um dos soldados que estava tomado pela fúria de ter os seus amigos mortos e que desejava ardentemente matar, se pudesse, o ser que provocou a derrota deles ao usar as suas forças remanescentes para disparar a flecha na dragoa quando viu ela assumindo aquela forma humana e após passar a sua estupefação, ele preparou o seu arco para o seu penúltimo ataque, pois ainda lhe restava uma flecha em sua aljava.
A ponta ardente da flecha se alojou no tórax da albina e por causa das chamas atravessou a sua pelagem e pele, fincando-se em sua carne, acabando por provocar alguns danos internos. O homem comemora ao ver que o voo dela ficou ainda mais debilitado ao ponto de quase cair, para depois, vê-la se recuperar parcamente, fazendo o soldado ficar irado ao ver que ela ainda conseguia voar.
Tomado pelo desejo de vingança que o deixava cego para as chamas que o rodeava, ele prepara o seu arco enquanto pegava a sua última flecha, ateando fogo na ponta dela e antes que pudesse disparar ao mirar na albina, um galho flamejante caí em cima dele, o matando.
Mesmo se encontrando demasiadamente ferida, sentindo dores intensas enquanto gerenciava a fraqueza intensa que a tomava pela perda de sangue e pelos inúmeros ferimentos em seu corpo, Yukiko assume a forma de um dragão e continua voando, ascendendo para o céu mesmo extremamente debilitada ao ponto de ter que usar todas as suas forças remanescentes para voar, ela olha para trás e usando a sua visão especial, percebe que todos os invasores estão mortos e que os aldeões se afastaram com sucesso rumo a um lugar ainda mais isolado enquanto percebia que eles trabalhavam em uma forma de inutilizar a estrada que usavam para fugir, impedindo assim que qualquer um usasse aquele trecho para alcançá-los.
A albina sobrevoa uma distância considerável e na direção oposta ao vento e as chamas, garantindo assim que quando tivessem que descer, eles não enfrentariam nenhuma tormenta de chamas.
Após alguns minutos, ela acaba perdendo o resto de suas forças e despenca do alto, abraçando o Yuugi para manter o corpo dele rente ao seu tórax felpudo enquanto virava as costas para o chão, decidindo usar o seu corpo para amortecer o impacto.
Ela consegue salvar Yuugi do impacto que seria mortal para ele, fazendo com que o jovem fosse jogado para o lado, não sofrendo nenhum impacto violento porque a grama ajudou a amortecer o parco impacto que o jovem sacerdote sofreu.
Yukiko havia sofrido os maiores danos. Uma das suas asas estava quebrada e a outra deslocada, além de sofrer novos cortes, com muitos ferimentos se abrindo novamente, fazendo a sua pelagem ficar ainda mais encharcada pelo sangue rubro que brotava dos seus inúmeros ferimentos, com ela passando a respirar fracamente ao mesmo tempo que sentia inúmeras dores lacerantes provenientes do impacto do solo e dos ferimentos que sofreu na batalha.
A albina havia ficado inconsciente por um minuto até que recobra parcamente a consciência, ficando alarmada ao sentir que a vida do seu amigo estava por um fio e que se ela não fizesse algo, ele não tardaria a morrer.
A dragoa levanta debilmente o seu corpo, ignorando as dores lacerantes que a tomavam ao mesmo tempo em que lutava arduamente para não entrar na inconsciência, conforme se arrastava em direção a ele, usando toda a sua determinação para se aproximar do seu amigo enquanto procurava desesperadamente uma forma de salvá-lo, com a visão debilitada dela conseguindo avistar a poça carmesim que se formava embaixo do corpo de Yuugi e que a fazia ficar alarmada.
Ao se aproximar dele, ela chora copiosamente, sendo tomada pelo desespero por não saber como impedir a morte do seu amigo, com o seu clamor se vertendo em lágrimas de dor enquanto que albina não sentia nenhuma de suas dores, pois, o sofrimento de ouvir o coração de Yuugi batendo cada vez mais fraco, indicando que em breve ele partiria daquele mundo, havia anestesiado ela para a dor e para o estado em que se encontrava o seu próprio corpo.
