Notas da Autora

Atemu decide...

Shimon se encontra...

Capítulo 10 - O desejo de Akhenamkhanen

- Sim. O Per'a'ah Akhenamkhanen ordenou que fosse realizado o início do khaj-Nisut (Aparência do rei) e a escolha da sua futura esposa até o final da cerimônia de coroação. Afinal, o Nswt deseja segurar um neto em seus braços antes que ele morra. Após a cerimônia de coroação para que possa se tornar o novo Per'a'ah, teremos a cerimônia de casamento, uma vez que o seu honorável genitor se encontrará incapaz de se levantar da cama sem receber ajuda ao considerar o seu estado atual, segundo os curandeiros reais. Será um casamento e coroação.

Atemu suspira, sendo que seu pai havia comentado sobre isso há alguns dias atrás e não era nenhum segredo que ele desejava segurar um neto em seus braços antes de ser levado pelos Deuses.

O Iry-pat (príncipe herdeiro) fecha os seus olhos e fica pensativo, se recordando do amor que o seu pai sentia por ele e do sacrifício que fez aquele dia ao se prostrar como um escravo, implorando aos Deuses e aos ancestrais que poupassem o filho dele enquanto suplantava em silêncio e em completa humildade a fúria divina que havia sido descarregado em volta deles, embora fosse direcionado ao seu genitor, com ele testemunhando pessoalmente o quanto o seu pai o amava e que por ele, era capaz de encarar a fúria divina.

Afinal, aquele gesto, mesmo que tivesse sido por algumas horas e por apenas um dia, foi o suficiente para que o príncipe percebesse o quanto o seu pai o amava ao se sacrificar e se humilhar apenas para salvar o seu filho, não medindo esforços para protegê-lo, inclusive dos próprios Deuses.

Ao pensar no seu genitor enfermo, sendo ciente que era ocasionado pelo pedido dele aos Deuses e ancestrais para que arcasse com as consequências de um crime imperdoável praticado por ele para que pudessem poupar o seu amado filho do estigma da culpa, Atemu percebeu que não mediria esforços para retribuir ao sacrifício do seu genitor e que faria tudo ao seu alcance para fazê-lo feliz pelo tempo de vida que lhe restava e que não era muito, segundo os curandeiros reais, com eles comentando que o Faraó lutava arduamente para ficar vivo, com o príncipe acreditando que essa batalha ferrenha era para que pudesse assegurar a continuação da sua linhagem sanguínea através de um neto.

Ao tomar a sua decisão, ele abre os seus orbes carmesins e olha com determinação em direção ao horizonte porque havia decidido dar um neto para o seu genitor, não se importando de desposar alguma prima para torná-la uma esposa menor, visando fazer o seu amado pai ver o seu neto, mesmo a distância, antes que fosse tarde demais.

Enquanto tomava a sua decisão, o príncipe ignorava a sensação de culpa ao se casar com outra conforme se recordava do seu sonho porque se sentia unido a aquele garoto, sendo que não possuía essa sensação de culpa ao se deitar com as escravas sexuais do seu próprio harém, pois, era apenas sexo ao contrário de casamento.

Afinal, quando se casasse, uniria a sua vida com outra pessoa, não se limitando a ser apenas algo carnal e sem qualquer importância a não ser a gratificação sexual como eram as relações sexuais com escravas sexuais e qualquer amante que desejava ter um momento de prazer com o príncipe.

O casamento era algo completamente diferente, mesmo que ele nunca amasse a sua futura esposa que seria uma esposa menor sem qualquer tipo de influência porque sentia que o seu coração pertencia ao jovem misterioso que habitava os seus sonhos e que se fosse para ter uma ḥmt nswt wrt (Grande esposa real) com influência e poder, seria o misterioso rapaz caso os seus sentimentos fossem correspondidos.

Ao pensar nisso, decidiu que deveria escolher uma de suas primas que apreciasse o título de esposa menor e a riqueza, com ambos devendo ser o suficiente porque sentia que não poderia amá-la.

Portanto, ele sentia que devia ter a decência de revelar que nunca a amaria ao mesmo tempo em que deveria perguntar se só a riqueza seria suficiente.

Quanto a continuar se deitando com escravas sexuais e amantes, isso era algo que não precisava ser dito porque era de conhecimento público.

Inclusive, o Faraó podia ter várias esposas, sendo que somente uma deteria poder e influência se assim desejasse enquanto que o povo praticava a monogamia.

Afinal, era necessário haver casamentos pela diplomacia ou acordos, fazendo necessário o monarca ser poligâmico e era notório que o Faraó e o príncipe mantinham os seus próprios haréns em locais distintas do palácio e que era composto de mulheres, sendo que no caso de Atemu havia homens, também.

Inclusive, os haréns eram compostos de pessoas que eram presentes de outros reinos ou de nobres locais, com estes últimos desejando algum favorecimento ao mesmo tempo em que havia casos de mulheres que desejavam um lugar no harém, pois, não tinham condições de se manterem por si mesmas, sendo cientes de que teriam roupas finas, joias, um teto sobre a cabeça e comida, tendo apenas que se sujeitar a fazer sexo com o seu senhor quando fosse ordenado enquanto que muitas delas encaravam como se fosse uma honra fazer parte do harém do iry-pat (príncipe herdeiro), uma vez que ele seria o próximo Per'a'ah.

Para evitar que tivessem filhos fora do casamento, no caso das mulheres, existia uma restrição mágica em forma de uma marca em cima do ventre e que era temporário se fosse uma amante esporádica, somente durando até sete dias após a relação carnal e no caso daquelas que faziam parte do Harém, permaneciam com elas até serem dispensadas ou no caso das escravas sexuais quando elas fossem libertadas. Era uma condição imposta para terem relações com o príncipe ou o Faraó.

Quando as mulheres do harém do seu genitor foram dispensadas, o selo de restrição foi retirado delas para que elas pudessem ter filhos com outros homens, com as escravas recebendo a sua liberdade, além de todas terem recebido suporte financeiro para buscarem uma nova vida.

Essa espécie de selo mágico era algo que Atemu aprendeu a fazer quando era jovem, antes que tivesse a sua primeira experiência sexual.

Ademais, ele nunca obrigaria ninguém a se deitar com ele e inclusive, havia alguns membros do seu harém que nunca foram tocados porque não queriam e ele respeitou a vontade deles.

Inclusive, estes foram dispensados ao mesmo tempo em que receberam uma quantia de ouro para reconstruírem as suas vidas, sendo que aconteceu o mesmo com algumas escravas sexuais que conseguiram algum ouro junto da sua liberdade.

Com o agravamento gradual da saúde do seu pai, o harém dele havia sido dispersado, com ele dando um valor em dinheiro para elas recomeçarem as suas próprias vidas junto com a liberdade enquanto Atemu mantinha o seu próprio harém.

Apenas uma das mulheres do seu genitor permanecia no palácio por causa de Atemu porque havia recusado o dinheiro quando solicitou ao príncipe para ficar junto dele por causa do passado entre eles, passando a fazer parte do seu harém, sendo que eles também mantinham relações sexuais, com o príncipe se orgulhando de todas serem consensuais porque nunca forçou nenhuma mulher ou homem a se deitar com ele, não importando se era alguém livre ou um membro do seu harém ou escravo.

Ele havia concordado com o pedido dela e esta mulher passou a fazer parte do grupo seleto do príncipe que detinha a sua plena confiança, sendo que foi a primeira parceira dele e aquela que ensinou os prazeres do sexo porque era a mais experiente do harém de Akhenamkhanen.

Inclusive, o príncipe havia comentando que pensaria em outra função para ela quando assumisse como Per'a'ah para que não ficasse no seu harém, fazendo-a sorrir, sendo que a bronzeada tinha muitas liberdades assim como os amigos de infância dele tinham para com Atemu, o tratando como uma pessoa comum em particular porque em público deviam trata-lo com o devido respeito e humildade por ele ser visto como descendente dos Deuses. O nome dela era Kessi.

Quando ele se recorda do casamento e que era apenas para gerar um herdeiro para que o seu genitor pudesse ter a alegria de presenciar um neto em seus braços, Atemu havia jurado a si mesmo que iria amar essa criança com todo o seu coração, confessando que o desejo de paternidade surgiu em sua mente ao imaginar uma criança e que tal visão o fazia se sentir feliz e se fosse uma menina, receberia o nome da sua mãe que faleceu quando era muito pequeno para se lembrar dela embora o seu pai sempre lhe contasse sobre ela e que a sua genitora o fez desistir do seu harém, o obrigando a fechá-lo porque não desejava dividi-lo com ninguém a não ser com o futuro filho deles e por amá-la demais, desistiu do seu harém e libertou todas, dando condições de buscarem uma nova vida.

Em relação as suas esposas menores oriundas de tratados e acordos, elas foram enviadas a palácios longe da capital. Atemu havia ficado feliz ao saber que o seu genitor afastou elas da capital para que a sua mãe não precisasse suportar a companhia delas porque todas elas eram frívolas e irritantes.

Akhenamkhanen somente reconstruiu o seu harém alguns anos depois que ela faleceu.

Após tomar essa decisão, o príncipe herdeiro fala:

- Eu devo dar ao meu pai um neto antes que seja tarde demais. Portanto, realizaremos o casamento após a minha coroação porque desejo providenciar um filho o quanto antes. Porém, eu desejo dedicar algumas atrações dentre as festividades. Precisamos mostrar o poder que o império possuí tanto militar quanto em poder e habilidades mágicas para silenciar quaisquer planos de ataque e invasão. O meu povo merece viver em paz. Eu sei que é um desejo impossível. Mas posso tentar garantir o máximo de paz possível após os conflitos contra os hekau khasut (Hicsos), finalizado com a vitória do meu honorável pai.

Shimon não estava surpreso com o fato do príncipe ter aceitado o desejo de Akhenamkhanen e consente porque sabia que ele cumpriria com o desejo do seu genitor.

Então, o tjaty (Vizir) e Conselheiro real curva a cabeça novamente, para depois falar:

- Sim, Iry-pat (príncipe herdeiro) Atemu. Irei cuidar pessoalmente dos preparativos.

- Obrigado, Shimon.

Ele curva novamente a cabeça antes de se retirar, com o príncipe voltando a dar atenção ao seu falcão fêmea alva e conforme se afastava do local, o Conselheiro Real olhava para trás, sentindo pena dele porque a seu ver, ele ainda era jovem para assumir as responsabilidades e o peso da coroa quando ascendesse ao trono como novo Per'a'ah.

Afinal, apesar de Atemu ter sido treinado desde que era criança para susceder o pai no futuro, ele só tinha dezessete anos enquanto que o pai dele assumiu o trono quando era bem mais velho do que a idade atual do seu filho, além de se recordar do desejo do atual Faraó por um neto em virtude do agravamento da doença e que esse desejo apenas despejou um novo fardo nos ombros do filho que precisava assegurar um herdeiro o mais breve possível.

Mesmo sabendo que o seu melhor amigo, primo e soberano não estava em seu juízo regular para fazer o pedido adicional de ter um neto nessas condições, o Grão Vizir não conseguia deixar de condená-lo pelo seu desejo egoísta porque já bastava o fardo do peso da coroa em Atemu.

Apesar de condenar veemente o egoísmo de Akhenamkhanen, ele também compreendia que isso foi ocasionado pelo fato da sua saúde estar se deteriorando gradativamente, acabando por ser natural ao soberano pensar na continuidade do seu sangue para as próximas gerações e uma das formas dele testemunhar isso, seria com um neto o quanto antes.

Mesmo considerando tudo isso, ele não deixava de culpar o seu primo ao mesmo tempo em que sentia pena de Atemu porque a vida de um Faraó era diferente da vida de um príncipe.

Um príncipe desfrutava de algumas liberdades que um Faraó não possuía porque atrelado ao título vinha muitas obrigações e deveres.

Um príncipe desfrutava de algumas liberdades que um Faraó não possuía porque atrelado ao título vinha muitas obrigações e deveres.

Ele sai de seus pensamentos ao avistar alguns dos amigos do príncipe que compreendia filhos de nobres, com a cor da pele deles destacando-se dentre os keméticos porque as mães possuíam um tom de pele tida como exótica por causa da ascendência oriental deles. No caso, ele reconheceu os jovens como sendo Jounouchi, Honda e Ryo, que cumprimentam respeitosamente o tjaty (Vizir) e Conselheiro real antes de irem até o amigo de infância, Atemu, com ele sabendo que faltava um quarto amigo de Atemu chamado Mariki, com Shimon acreditando que ele estaria junto deles mais tarde.

Com um último suspiro, ele se afasta por completo, pois precisava organizar em trinta luas uma festa para apresentar todas as primas ao príncipe, visando que ele escolhesse uma delas para desposar, uma vez que para garantir a pureza do sangue era costume se casar com uma prima, tendo em seguida, a coroação dele como Faraó e depois, uma festa de casamento, sendo que seria um grande evento, aparecendo nobres de várias províncias, descontando a visita de outros príncipes de reinos vizinhos ao Kemet (Egito), que por sua vez, deveria aproveitar o momento para demonstrar aos visitantes toda a imponência e poder daquele império em forma de uma mensagem silenciosa aos reinos que faziam fronteira com o império, visando alertá-los das drásticas consequências e de como era um ato minimamente suicida tentar algo contra o império egípcio.

Portanto, para transmitir essa mensagem silenciosa, Atemu iria programar demonstrações públicas de poder e domínio de exércitos juntamente com as artes mágicas que eles dominavam e conforme pensava nisso, Shimon sorria de canto ao ter imaginado as "atrações" para aquele dia especial.

Após entrar no interior do palácio, ele se dirige para um corredor contendo alguns vasos, onde ele encontra uma jovem que estava se preparando para se esconder em um deles e sorri consigo mesmo, se aproximando lentamente dela e quando a mesma estava entrando no objeto, ele pergunta próximo dela em tom de confirmação:

- Fugindo das aulas, novamente, Mana?