Notas da Autora

Mana surpreende Shimon quando...

Mahaado decide...

O Líder da Corte dos magos e também Guardião Sagrado do Faraó decide...

Capítulo 11 - Mahaado e Mana

A menina grita de medo porque havia se assustado, fazendo alguns guardas se aproximarem do local, sendo que são dispensados com um breve aceno de mão de Shimon. Eles se curvam em respeito perante o Conselheiro real e grão vizir antes de desaparecerem no corredor.

- Vovô Shimon, o senhor me assustou! – a jovem exclama, pondo a mão no tórax, enquanto o seu coração batia acelerado pelo susto que tomou.

- Peço desculpas. Eu não resisti. Você estava tão entretida se escondendo no vaso. Mas respondendo a minha pergunta, você fugiu das suas aulas, de novo, certo?

- Aquela mágica era chata. Queria aprender mágicas divertidas.

Ele arqueia o cenho, sendo visível apenas os seus olhos por causa da máscara de pano que usava cobrindo parcialmente o seu rosto enquanto indagava:

- "Mágicas divertidas"?

- Sim! – ela exclama animada.

Ele afagava paternalmente a cabeça dela, pois apesar de ser considerada uma moça, tinha a mesma aura infantil de quando era pequena, sendo esta uma fonte de preocupação constante para Mahaado, que havia confessado que precisava ter dois pares de olhos adicionais atrás da cabeça para poder vigiar a sua aprendiza peralta e igualmente fugitiva.

- Todas as magias são importantes. Têm mágicas que eu não gosto e nem por isso, deixei de aprender, Mana. Não podemos ter nessa vida, apenas o que gostamos.

Ela salta de onde estava ao ouvir a voz de seu sensei que apareceu magicamente atrás dela exibindo um olhar severo, com a jovem virando lentamente a cabeça, exibindo uma gota enquanto falava sem graça, coçando o queixo:

- Oi.

Ele suspira, colocando os dedos na testa enquanto Shimon sorria com a cena porque sempre via a interação deles como sendo de pai e filha.

O mago cruza os braços na frente do corpo, exibindo uma face severa para Mana que fala sem graça, batendo os dedos indicadores um no outro:

- Acho que vou voltar aos estudos.

- Eu acho uma boa ideia se você quiser comer a sobremesa no jantar. Aliais, enquanto não dominar o básico daquele feitiço, não terá a sobremesa. Já faz dias que você está estudando essa magia e senão vivesse fugindo, já teria dominado. Afinal, não é uma magia complexa.

Shimon exibe uma gota na testa ao ver a face da jovem úmida pelas lágrimas que caiam copiosamente, sendo que ela faz biquinho enquanto falava:

- O professor Mahaado é malvado... Eu quero Quem é que me faz parar com as minhas funções para persegui-la pelo complexo do palácio que é gigantesco junto com o fato de que há muitos vasos para eu procurar a sua áurea mágica. Aliais, ocultar a sua áurea mágica foi a única magia que você se dedicou a aprender com afinco e agora compreendo o motivo de tanta determinação.

Então, ela sai chorando dali, com o líder de todos os magos da corte do monarca suspirando cansado enquanto massageava as têmporas, comentando:

- Ela só se dedica nas técnicas mágicas que fornecem algum benefício imediato.

- A Mana é jovem e não ajuda o fato dela ser muito infantil, ainda. Quando for mais velha, ela vai ficar mais responsável e com certeza, vai retribuir tudo o que você ensinou ao se tornar uma magnifica maga, assumindo no futuro o seu título como líder dos magos da corte do Per'a'ah. Ela tem um incrível poder mágico latente. Você mesmo disse isso, além de uma habilidade nata com a magia. Inclusive, foi isso que o fez ir para aquele lado do mercado, a encontrando e de quebra, fazendo com que o Per'a'ah se inteirasse de decisões ilícitas que ocorriam em seu império, conseguindo suprimi-los eficazmente. Foi a forte magia dela que garantiu que a encontrasse.

Ao ouvir isso, o mago acaba se recordando do dia que a encontrou.

Era um dia comum e ele havia ido ao Mercado próximo do palácio porque haviam confiscado no dia anterior alguns itens mágicos que eram perigosos. Foi um dos seus colegas aprendizes que levou o superior deles até o local após sentir uma concentração mágica incomum, sendo que Mahaado fazia parte do grupo que foi até o local.

O problema dos itens mágicos é que se a magia não fosse feita da forma correta e usado os materiais indicados, poderiam acarretar graves consequências, fazendo com que as pessoas não mágicas ou sem conhecimento de magia, estivessem em risco ao comprar esses objetos. Dominar a arte de imbuir magia em objetos era muito difícil e havia substâncias incompatíveis que traziam graves consequências, dependendo da magia utilizada.

Ademais, havia certas mágicas que eram proibidas de serem imbuídas em itens. A criação dos objetos com as mágicas listadas como proibidas, ocasionava punições extremamente severas.

O ouro era uma das melhores substâncias para se imbuir com magia enquanto que em relação as joias, dependia do material que a compunham.

Afinal, nem todas podiam ser impregnadas com magia e um bom mago saberia quais substâncias podia manipular e quais ele não podia.

Infelizmente, havia alguns falsos magos com conhecimentos demasiadamente básicos que faziam magia além da sua capacidade, colocando em risco as vidas das pessoas apenas por dinheiro porque estes objetos eram mais caros que o usual.

Eles haviam descoberto através de técnicas mágicas juntamente com o acesso dos parcos documentos das mercadorias, descobrindo quem eram os compradores, assim como descobriram os que haviam criado os itens, fazendo com que os culpados fossem presos e punidos adequadamente.

Mesmo assim, o superior dele que era Líder da Corte dos Magos e Hem-netjr (sumo-sacerdote), possuindo em seu pescoço o Sennen Ringu por fazer parte dos Guardiões sagrados do monarca Akhenamkhanen, decidiu que tinha a obrigação de verificar todos os mercados.

Portanto, enviou os seus melhores magos e magas de confiança com escolta até os mercados mais distantes enquanto que Mahaado ficou responsável por fiscalizar os mercados próximos ao palácio.

Apesar de ser apenas um aprendiz, ele foi enviado ao Mercado próximo do palácio por ser o mais poderoso e hábil deles juntamente com o fato de que estava cotado para ser o seu sucessor na corte dos mágicos e futuro portador do Sennen Ringu.

Naquele instante, o jovem aprendiz de mago se encontrava escoltado por guardas do palácio quando entrou em uma loja e começou a verificar os pergaminhos de aquisição de produtos, confirmando a sua procedência juntamente com um exame minucioso da magia impregnada nos itens e os mesmos, confirmando a regularidade da magia usada e dos itens imbuídos com poder mágico para depois, sair daquela loja para buscar outra tenda que vendia joias mágicas.

Então, ele sentiu uma fonte mágica poderosa, mas, latente em virtude do padrão de emanação mágica, indicando que não havia sido desenvolvida, ainda.

Claro, não rivalizava com os seus poderes, mas o nível que exibia estava acima de quaisquer um dos outros magos que treinavam magia há anos, junto dele.

Prontamente, ele corre pelas ruas em direção à fonte mágica e ao virar uma esquina, avista uma criança de quatro anos de idade presa a correntes e que chorava em silêncio enquanto havia uma placa indicando que estava a venda e que era virgem.

Ele nota um homem se aproximando dela, exclamando com fúria:

- Pare de chorar!

Ele ergue a mão para golpeá-la, com a criança se encolhendo, sendo visível o hematoma em um dos lados do seu rosto.

Porém, antes que a mão do homem descesse até o rosto da criança para estapeá-la, o agressor sente o seu corpo ser paralisado e ao olhar para frente, avista um jovem com feições furiosas que havia erguido o seu braço, usando magia para imobilizá-lo enquanto os guardas responsáveis por sua escolta surgiam atrás dele, a espera das suas ordens.

Então, com um movimento lateral, Mahaado o arremessa para o lado, pois, ao vê-lo se preparando para golpear a pequena, sentiu uma fúria sem precedentes.

Após fazer isso, o aprendiz vai até a menina que se encolhe contra a parede, com ele vendo o valor dela, para depois, pegar o saco de dinheiro que trazia com ele, contando as moedas de ouro e após separar o valor em cima de uma espécie de mesa, retira magicamente as algemas dela.

Ele dobrar um dos joelhos, apoiando os seus braços cruzados no joelho que estava flexionado, perguntando gentilmente:

- Onde estão os seus pais?

Enquanto isso, o vendedor se levanta e ia esbravejar quando observa as moedas de ouro que o fazem reprimir qualquer reclamação enquanto exibia uma carranca em seu rosto, decidindo responder ao comprador da sua escrava ao ver que ela não responderia a pergunta dele:

- A mãe dela morreu em virtude de uma doença, sendo que eu era o padrasto dela. Eu amava a sua mãe dela e fiz de tudo para curá-la, chegando ao ponto de contrair dividas para os medicamentos. Com o valor que recebi pela venda dela, eu poderei pagar as dívidas e de quebra, lucrarei um pouco com isso.

- Os Juízes autorizaram essa venda? - Mahaado pergunta ao estreitar os olhos na direção do vendedor.

- Sim. Não estou fazendo nada ilegal.

O aprendiz de mago sabia que sobre certas condições, egípcios podiam ser escravizados enquanto que escravos trazidos de outros lugares podiam ser vendidos livremente.

Aquela menina era uma egípcia e para ser transformada em escrava, precisava ser enquadrada em uma das regras criadas por Akhenamkhanen, sendo o máximo que ele conseguiu fazer para conter ao máximo a escravidão em seu império porque anteriormente, não havia qualquer restrição para escravizar egípcios e uma das condições aceitas era a dívida adquirida pela própria pessoa.

Porém, nesse caso, não havia sido aquela criança que contraiu a dívida e sim, aquele homem. Quem deveria ser escravo era ele e não a menina.

Por isso, a existência de egípcios a venda era tão raro, ainda mais crianças pequenas, embora ele confessasse que achava estranho o aumento de escravos egípcios a venda, conforme olhava para os leilões de escravos e as vendas dos mesmos, decidido comunicar ao seu professor e ao Faraó Aknamkanon as suas suspeitas.

Afinal, ele estava desconfiado que aqueles que deveriam zelar pelas leis não estavam cumprindo com as suas obrigações ou estavam ignorando as leis ao interpretar elas da forma que desejavam porque era gritante o fato de que a escravidão da menina nunca poderia ter sido autorizada.

Mahaado usa magia sem que o outro percebesse para acessar a mente dele e após ter a confirmação que desejava ao ler a mente do homem ao seu lado, o aprendiz de mago ordena aos guardas que o escoltavam:

- Prendam esse homem!

- O quê?! Como assim? – o vendedor pergunta exibindo um misto de confusão e indignação em sua face enquanto era contido pelos guardas.

- De acordo com as regras para a escravidão envolvendo egípcios, essa menina nunca deveria ter sido escravizada. Foi você que contraiu a dívida e não ela.

- Os Juízes autorizaram a venda dela! Eu não fiz nada de errado!

- Eu vi em sua mente que você sabia dessa lei e mesmo assim, prosseguiu com o intento de escravizá-la. Portanto, não é nenhum inocente nesse aspecto. Levem esse lixo daqui!

Os guardas consentem e após prendê-lo, dois deles o arrastam pelas ruas para cumprir a ordem dada.

Mahaado pega as suas moedas de ouro, as guardando, para depois, por uma mão gentil no ombro da menina para que ela parasse de tremer, além de perguntar o mais suavemente possível enquanto exibia um sorriso confortador no rosto ao mesmo tempo em que olhava gentilmente para a menina.

- Poderia olhar para mim?

A pequena engole em seco, erguendo timidamente o rosto, para depois, ganhar coragem para olhá-lo, ficando surpresa ao ver a face amável e gentil dele que fala:

- Você está a salvo. Qual o seu nome?

- Mana.

- Prazer em conhecê-la, Mana. Eu sou Mahaado. – ele fala sorrindo gentilmente enquanto a envolvia com a sua áurea mágica confortadora porque ela estava demasiadamente aterrorizada e com razão.

Então, a menina acaba fechando os olhos, relaxando pela aura mágica que a fez adormecer, com ele a pegando gentilmente nos braços, para depois voltar ao palácio, decidindo retornar amanhã com a inspeção.

Mais tarde naquele dia, os Juízes haviam sido presos porque deturpavam as leis em vez de segui-las, fosse por vaidade pessoal, interesse econômico ou para outras benesses.

E Em relação à Mana, ela havia sido um dos casos que eles aprovaram por arrogância, julgando como sendo certo o motivo do mercador de vender a menina em vez de se ater as leis que proibiria a escravidão da criança.

No final, havia sido a arrogância deles que os denunciou, fazendo com que novos Juízes fossem nomeados pelo Per'a'ah para revisarem as decisões deles e ocuparem os seus cargos ao mesmo tempo em que libertavam muitos inocentes ao longo dos dias.

Foi decidido que os antigos Juízes deveriam pagar indenização a quem foi escravizado injustamente e também aos compradores, desde que estes os tenham adquirido sem conhecimento das leis com poucos contemplando esses requisitos porque a maioria conhecia bem as leis. Os que tinham conhecimento dessa lei e que conheciam a procedência dos escravos que adquiriu eram presos e mesmo aqueles que não pesquisaram a procedência, também foram punidos porque deviam se certificar da origem dos escravos egípcios.

Além de pagarem indenização, os que foram condenados tiveram os seus bens apreendidos pelo império e se tivessem títulos, eles os perdiam ao mesmo tempo em que se tornavam escravos por serem considerados criminosos.

A punição severa com a escravidão dos criminosos servia de aviso para todos. As pessoas deviam ficar atentas as leis e se certificar das condições e procedência dos escravos que desejam adquirir, assim como aqueles que os vendiam.

No final da tarde, Mana havia comido uma refeição saborosa trazida por escravos e alguns de seus cortes e escoriações haviam sido tratados por Mahaado, assim como a marca das algemas de seus punhos e tornozelos após eles terem sido removidos.

Ela havia recuperado a sua animação, sendo que foi afagada na cabeça pelo jovem, fazendo-a sorrir, com ele ficando feliz ao ver que a menina havia relaxado na sua companhia ao ponto de surgir um sorriso em seu rosto pueril.

- Você tem grandes poderes mágicos ocultos, Mana. O meu professor viu isso. Quando a trouxe para cá, ele ficou surpreso ao sentir a sua magia oculta.

- Eu tenho poderes mágicos? – ela pergunta sorrindo imensamente após engolir avidamente a sobremesa, sem mastigá-la adequadamente porque nunca havia saboreado algo tão gostoso.