Notas da Autora

A pequena Mana descobre...

Ela decide...

Mahaado comenta...

Atemu se encontra...

Kesi decide...

Capítulo 12 - Kesi e a escolha de Mana

- Sim. O seu heika (magia) é latente. Por isso, para fazê-lo aflorar é preciso muito treino e estudos. O seu nível de magia é superior aos dos meus colegas.

- O senhor é mago?! – ela pergunta extasiada.

- Não precisa me chamar de senhor. Eu me chamo Mahaado.

- Então, o senh... quer dizer, Mahaado é mágico?

- Eu sou um aprendiz, ainda.

Nisso, ele mexe os dedos e faz algumas frutas flutuarem no ar, para depois, fazê-las voarem em círculo em volta de Mana que tinha os olhos brilhando, exibindo fascínio neles, com o jovem sorrindo ao ver a animação genuína da menina e considerando que havia conhecido ela chorona e apavorada havia sido uma grande mudança.

Então, ele faz as frutas voltarem obedientemente a cesta com a criança perguntando ansiosamente:

- Eu posso fazer essa mágica?

- É uma das mais simples. Com treino e estudo, poderá fazer mágicas ainda mais elaboradas. Veja.

Ele concentra os seus poderes e faz surgir uma névoa mágica iridescente que dança ao redor dele e depois, ao redor de Mana que bate as mãozinhas, se encontrando extasiada.

- Então, eu poderei fazer essas mágicas legais?

- Sim. Inclusive, meu professor deseja incluí-la como aprendiza. O que acha? Quer aprender a dominar os seus poderes mágicos latentes?

- Eu posso mesmo? – ela pergunta com as mãozinhas juntas enquanto exibia olhos expectantes.

- Claro.

- Ebâ! – ela estende as mãos para o alto, comemorando enquanto Mahaado sorria gentilmente.

Então, um servo entra e se prostra ao jovem, falando:

- O Faraó deseja ver ambos no salão.

- Obrigado. Vamos Mana – ele fala estendendo a mão para ela.

Ela estava nervosa e ao olhar para a face gentil do jovem que lhe salvou, ela relaxa e pega a mão dele que a conduz pelos corredores imponentes com colunas em forma de lótus com imagens elaboradas em sua extensão assim como nas paredes enquanto andavam pelo chão de arenito.

Então, eles chegam em frente as grandes e imponentes portas duplas do salão real que são abertas pelos guardas, sendo que ela estava um pouco atrás dele, praticamente grudada nele, tremendo, com o mesmo procurando confortá-la com palavras gentis.

Ambos entram no majestoso e imponente salão real com a menina demonstrando nervosismo frente a visão de ver o rei de Kemet (Egito).

O Faraó estava em seu trono e os guardas se encontravam no entorno, sendo que o jovem se prostra com a fronte voltada para o chão, com o seu gesto sendo repetido pela criança.

Então, Akhenamkhanen fala com uma voz profunda e igualmente repleta de autoridade que ecoava pelo salão enquanto exibia uma face austera:

- Graças a vocês, Mahaado e Mana, pudermos descobrir sobre os atos desonrosos dos Juízes que deturpavam as leis por vaidade ou em busca de quaisquer benesses. Conseguimos libertar muitas pessoas de escravidões indevidas assim como prendemos muitos compradores que eram cientes da lei e mesmo assim, não somente as ignoraram como adquiriram escravos ilegais. Para cada um deles foi dada uma sentença. Essa menina se enquadra em escravidão ilegal e automaticamente, terá a sua liberdade assegurada. Pode erguer o seu rosto, pequena? – ele pergunta o final em um tom menos autoritário e quase que gentil ao ver que a pequena tremia.

Ela ergue timidamente o rosto, vendo um olhar gentil no Faraó, com o mesmo falando:

- És livre. É uma cidadã egípcia com todos os seus direitos. O seu padrasto será punido apropriadamente. Está livre para sair do palácio.

A menina se recupera da surpresa e olha para Mahaado, tomando uma decisão, sendo que ela queria pedir algo ao Faraó que percebe a intenção dela.

- Pode falar.

Mana fica surpresa pela autorização que recebeu e após engolir em seco juntando coragem para poder fazer o pedido ao Deus que estava em seu trono, ela pede humildemente:

- Eu gostaria de ficar com o Mahaado para aprender magia. Eu quero ser uma aprendiza de mago, Per'a'ah. Eu não tenho ninguém nesse mundo.

Akhenamkhanen fica surpreso com o pedido e comenta:

- Para ser uma aprendiza de maga é preciso ter poderes mágicos e não são todos que nascem com esse poder – ele olha para o jovem aprendiz de mago – Ela tem Heika (magia), Mahaado?

O jovem ergue a cabeça e fala respeitosamente:

- Ela tem um incrível poder mágico latente que está acima de todos os meus colegas. É um nível que nunca vi antes e o meu mentor concorda com isso.

- Eu farei tudo o que puder para que isso seja concretizado. Ademais, eu estou cuidando pessoalmente da pirâmide de Atemu e estou colocando as melhores e mais poderosas armadilhas para deter os ladrões de tumba. – ele fala pondo a mão na frente da boca enquanto ria satisfeito consigo mesmo.

- Já falou disso para o Iry-pat (príncipe herdeiro)?

- Vou avisá-lo na sua coroação do andamento da construção da sua pirâmide. Eu acho um assunto pertinente para quando começar os anos de reinado dele após a conclusão do khaj-nisut (coroação)

"Eu acho um assunto um tanto mórbido para um dia de festividade", ele pensa consigo mesmo, após suspirar e abanar a cabeça para os lados, imaginando a cara que o seu amigo de infância faria frente a um assunto não indicado para um dia que deveria ser de festividade.

Então, a face de Shimon muda e mesmo com um pano que cobria metade do seu rosto, deixando apenas os seus olhos expostos, era visível essa mudança com Mahaado correspondendo a essa alteração em seu semblante.

- O Iry-pat desejará saber a verdade sobre os Sennen Aitemu e a criação deles. Considerando o adoecimento Per'a'ah (Faraó) Aknamkanon, será o esperado. Há anos ele espera por uma explicação do motivo de irem até aquela tumba.

- Eu sei. A minha promessa ao Nsw (rei) Aknamkanon terminará quando Iry-pat Atemu ascender como novo Per'a'ah. Nesse dia em diante, terei que responder a todas as dúvidas que ele tiver sobre os itens. Só espero não ser o arauto de um novo sofrimento – ele comenta o final tristemente – O coração dele é tão nobre quanto o do genitor dele. É uma história repulsiva e igualmente hedionda. Não há qualquer maneira de contar de forma suave.

- Sim. Mas ao contrário de Per'a'ah Aknamkanon, Atemu era apenas um bebê quando ocorreram os acontecimentos. Foi diferente do caso do pai dele que autorizou pessoalmente a criação dos itens sem saber o custo e a forma como seriam criados junto do fato de ter fornecido todos os meios necessários, inclusive soldados e tudo o que Hem-netjr (sumo sacerdote) Akhenaden necessitava para a sua missão. Porém, eu vejo o Nsw Akhenamkhanen como uma vitima assim como os moradores de Kul Elna. Eu acredito em Iry-pat Atemu. Ele saberá lidar com a verdade repulsiva sobre os itens.

- Eu espero que ele saiba lidar com esse conhecimento abominável. Acredito que devo ter esperança, certo?

- Sim.

- Eu acredito no nosso futuro Per'a'ah. Por isso, terei a esperança que ele saberá lidar com a forma abominável como foram criados os itens.

- Eu também. Sabia que o único que deveria se preocupar com uma eventual fúria divina seria o Hem-netjr Akhenaden?

- Por quê? – o mago fica curioso enquanto arqueia o cenho.

- O iry-pat Atemu, ao contrário de Per'a'ah Akhenamkhanen, não carrega qualquer culpa em seus ombros sobre a criação dos itens mágicos. No passado, Akhenaden não sofreu a fúria divina porque Akhenamkhanen se sentia culpado pela criação dos itens apesar de ser inocente pelo fato do seu irmão mais novo ter ocultado propositalmente como seria realizada a criação dos itens por saber que ele nunca aceitaria sacrificar pessoas. Eu acredito que após o término do khaj-nisut, Hem-netjr Akhenaden irá testemunhar em primeira mão a fúria de um Faraó, algo que ele não testemunhou com o seu irmão mais velho. – Shimon não pode deixar de sorrir intensamente ao imaginar a cena enquanto se deleitava ao visualizar a expressão do tio de Atemu, frente à fúria do sobrinho.

Mahaado ri levemente e fala:

- Eu também adoraria vê-lo se entender com a fúria do Per'a'ah que é um Deus vivo. – o mago sorri imensamente enquanto imaginava a cena.

Afinal, ele sentia muita raiva de Akhenaden porque o Guardião Sagrado e Hem-netjr era o culpado indireto pelo adoecimento de Akhenamkhanen ao mentir para o seu irmão mais velho.

Porém, como era jovem e por questão de hierarquia could not say everything he wished. Por isso, havia ficado feliz por ter alguém que poderia desabar uma fúria divina sobre Akhenaden. No caso, o seu amigo de infância e colega de magia, Atemu, quando ele ascendesse ao trono do Kemet.

Eles passam a andar pelos corredores enquanto riam ao imaginarem a cena de um Hem-netjr aterrorizado perante a fúria intensa do Faraó.

Após cessar o riso, ambos conversarem sobre outros assuntos enquanto andavam pelos corredores de arenito.

Então, a noite cai, com Atemu se encontrando na imensa veranda do seu quarto luxuoso e espaçoso observando a lua cheia e as estrelas que salpicavam o céu após ver os seus amigos retornando as suas casas luxuosas, sendo que elas ficavam em suas próprias vilas dentro do complexo do palácio com exceção de Mariki que era irmão mais novo de Isis e Rishido que eram filhos da Heri-tep a'a (Governante) do Sepet (distrito) e capital Men-nefer (Menphis) onde ficava o complexo do palácio.

Ele era o único dos seus amigos que morava fora do complexo e no futuro Mariki iria assumir o título de Heri-tep a'a porque apesar de Rishido ser o mais velho dos três e possuir por nascença o direito de herdar o título de Heri-tep a'a, ele não podia assumir porque era o General e superintendente do Medjay e do exército e em relação a Isis, a segunda irmã mais velha, ela iria assumir o título de Guardiã Sagrada e superintendente dos curandeiros ao assumir o título de sua antecessora Akana, atual Guardiã Sagrada do Sennen Tauku e Hemt–netjr (suma sacerdotisa) da corte do Per'a'ah Akhenamkhanen, fazendo com que Mariki fosse o único que podia herdar o título de Heri-tep a'a da mãe deles.

Atemu se encontrava usando apenas um chanti simples e não tinha joias em seu corpo porque os havia removido. Ele segurava o Sennensui em suas mãos enquanto se recordava do fato de ter visto o objeto brilhar após despertar do sonho com o jovem misterioso, pois, ao abrir os olhos ainda era visível o vestígio de um fulgor dourado.

Claro, podia ser apenas sua impressão pelo fato do objeto reluzir ao ser atingido por alguma fonte de luz.

Afinal, era uma noite de lua cheia com um céu estrelado e a claridade alcançava a sua cama.

Porém, mesmo sendo ciente dessa hipótese, ele tinha a impressão que não era somente isso enquanto questionava qual era o poder do item.

Afinal, mesmo após décadas, o seu poder era um segredo que o seu genitor havia tentado decifrar. Nem mesmo Akhenaden, que havia criado os itens ao usar o ritual que constava no Sennen Majutsu Sho, sabia os poderes do Sennensui. Sabia de todos os outros, menos do que estava no seu pescoço.

Então, ele ouve a sua porta abrindo e arqueia o cenho porque havia guardas posicionados em cada lado do seu corredor, assim como havia segurança reforçada para o seu pai também porque sempre havia o risco de algum assassino tentar matá-los apesar de terem a portadora do Sennen Tauku para avisar dos acontecimentos do futuro, dificultando as ações de assassinos.

Uma das portas é aberta por uma bela mulher de pele bronzeada com cabelos negros compridos e olhos azuis, usando um kalasiris que possua uma fenda que se abria na coxa direita e três faixas de ouro em torno da sua cintura enquanto que nos tornozelos tinha faixas de ouro além de usar braceletes de ouro nos braços e antebraços. Ela usava uma argola de ouro em cada orelha, com uma parte da franja comprida de cada lado sendo presa por presilhas douradas.

Ela se movimentava de forma naturalmente sensual enquanto que um sorriso brotava no rosto do Faraó que murmura:

- Kesi.

- Eu soube que irá começar amanhã a cerimônia do khaj-Nisut (Aparência do rei) e a escolha da sua futura esposa até o final da cerimônia de coroação ao mesmo tempo em que se tornará Per'a'ah, Atemu. - Ela falou sem usar qualquer título honorifico para ele porque era uma das poucas pessoas que tinham liberdade para tratá-lo normalmente em particular, somente usando títulos e se portando de forma humilde em público ou em companhia de outras pessoas fora do círculo de confiança dele.

A bronzeada se aproxima, enquanto olhava desejosa para o corpo dele que parecia esculpido pelos próprios Deuses e que fazia tanto concubinas, quanto cortesãs e inclusive cortesões desejarem ser subjugados pelo corpo perfeito e viril do príncipe herdeiro.

Sem perceber o olhar de desejo dela por se encontrar imerso em seus pensamentos, ele torna a olhar para a lua enquanto se encontrava sentado na varanda com uma das pernas flexionadas, falando:

- Sim. Eu também vou me casar para que o meu pai possa ver o seu futuro neto. Com o tempo de vida restante dele... – um suspiro brota dos lábios aristocráticos – Eu preciso conseguir cumprir com esse objetivo antes que seja tarde para ele. Claro que a minha esposa será uma esposa menor. Ela não receberá o título de ḥmt nswt wrt (Grande esposa real) e muito menos de esposa do Deus Amon. Eu preciso encontrar uma mulher que se contentará apenas com a riqueza e luxo sem ter qualquer poder político ou influência no império.

- Com certeza irá conseguir, Atemu. Afinal, se é por virilidade, você tem de sobra. Engravidar dependerá da prima que escolher. – ela fala sensualmente, abraçando-o, para depois, massagear os seus ombros – Você está muito tenso.

O iry-pat fecha os olhos e relaxa com a massagem que era feita. Kessi havia retirado anteriormente as suas roupas e joias sem que Atemu percebesse porque estava de costas para ela, com a massagem mudando para uma massagem erótica, fazendo-o rosnar levemente enquanto sentia o calor se concentrando em sua virilha.

Então, ele fala sem olhar para ela:

- Se continuar me provocando...

- Eu sentirei o poder do futuro Per'a'ah... Eu adoraria me queimar em suas chamas. – ela fala sensualmente no pé do ouvido dele, sabendo que um bom sexo iria ajudar a relaxá-lo, com ela apreciando também.