Notas da autora

Yuugi assimila o fato de...

Após conversarem, ele pede...

Yukiko promete...

Yuugi fica surpreso quando...

Capítulo 15 - A promessa de Yukiko

Yuugi se encontrava assimilando a descoberta estarrecedora sobre a capacidade da sua amiga de tomar o controle do seu corpo enquanto absorvia as explicações dadas por ela e o quanto estas revelações se encaixavam nas lacunas da sua mente e nos questionamentos do motivo dele se sentir fraco, somente se sentindo melhor do dia seguinte porque Yukiko havia decidido treinar o uso dos seus próprios poderes no corpo dele e que isso não demandava o Kiei dele, fazendo com que ele se recuperasse gradativamente.

Enquanto gerenciava as informações, passando da confusão ao assombro e depois para o medo porque era demasiadamente perturbador o fato de você perder o controle do seu corpo com outro ser o tomando, o jovem viu a face dela que demonstrava vergonha e tristeza, com a mesma encolhendo as asas e evitando o seu olhar a todo o custo ao manter os orbes fixados no chão nevado enquanto suspirava pesadamente. Era visível a umidade nos orbes azuis, fazendo-os brilhar com as lágrimas não derrubadas. Era fato de que ela se sentia culpada e igualmente envergonhada pelas suas atitudes.

Yukiko era a sua primeira e melhor amiga também a única verdadeira porque quando ele era criança, a sua aparência exótica e baixa estatura fez as outras crianças e jovens menosprezarem ele. Somente quando passou a assumir as funções de sacerdote junto com o fato de ter amizade com a filha da Deusa da Lua, fez com que os outros jovens mudassem de atitude ao se aproximarem dele, exibindo grandes sorrisos ao mesmo tempo em que desejavam conhecer o escolhido da filha da Deusa da Lua, com Yuugi sendo plenamente ciente da falsidade deles enquanto que a albina fora a sua primeira e única amiga verdadeira.

Então, conforme refletia tudo o que ocorreu e os sacrifícios que ela fez para salvá-lo, chegando ao ponto de ficar confinada dentro dele para salvar a sua vida, passou a absorver o motivo da albina de ter tomado o controle do seu corpo ao considerar a situação em que ambos se encontravam nas mãos dos seus captores aliado ao instinto de proteção em relação a ele, além de compreender o treinamento oculto dela porque todas as suas ações visavam salvá-lo de um destino cruel. Um destino que ela nunca permitiria que acontecesse se dependesse de sua vontade e que chegaria a qualquer extremo para protegê-lo, não medindo qualquer esforço para salvá-lo.

O jovem sacerdote era plenamente ciente desse fato porque podia sentir a intensidade da proteção de sua amiga e que era de cunho maternal em relação a ele ao contrário do fraternal que esperava sentir, fazendo-o ficar surpreso conforme eles passavam a ter acesso aos sentimentos um do outro pelo que compreendeu da bizarra situação em que se encontravam.

Afinal, Yuugi não havia conseguido conceber nenhum plano para se libertar da escravidão juntamente com os outros, sem envolver algum conflito enquanto duvidava piamente que conseguiria contê-los sem matá-los, algo que ele seria incapaz de fazer, assim como não era capaz de feri-los ao mesmo tempo em que era visível o fato de que ela se sentia muito mal pelo que fez.

Além disso, o jovem se recorda que a sua amiga está dentro dele e em decorrência desse fato, não consegue fazer muitas coisas que gostaria de fazer, uma vez que não possui um corpo próprio, fazendo com que se recordasse do comentário dela de desejar comer e depois da albina falando que não tinha fome e que o comentário foi motivado pelo desejo de comer, em si.

O jovem sentia pena de Yukiko porque a sua amiga de infância havia executado uma magia em seu desespero para salvá-lo e não sabia como desfazer enquanto que ambos não compreendiam até onde isso iria ou se um dia, ela conseguiria sair dele em um novo corpo.

Yuugi suspira e fala, sorrindo gentilmente ao aproximar o seu rosto do dela, ajoelhando-se para que ela olhasse para ele porque estava com a ponta do focinho encostado no chão, fazendo-a exibir estupefação no seu semblante em virtude da face amável dele enquanto o mesmo falava de forma gentil, afagando-a em seus pelos macios como seda:

- Tudo bem. Eu compreendo os seus motivos e sou plenamente ciente que não conseguiria ferir ninguém e muito menos matar. Também acredito que eles não nos permitiriam fugir sem que precisássemos agir de forma extrema. Porém, não me agrada o fato de saber que eles foram mortos, mesmo que eu não tenha sido o assassino deles.

Ela fica aliviada ao ver que ele não estava com raiva dela pelos seus atos, para depois, falar ao recuperar a voz conforme erguia levemente o olhar e focinho:

- Eu fui obrigada a detê-los de forma eficaz, visando impedi-los de caçarem os escravos que fugiram para aprisiona-los novamente... Lembra-se do dia do ataque à sua vila por soldados e que você procurou atingi-los com os galhos da forma mais suave possível para não feri-los demasiadamente, fazendo com que tivessem forças para se levantar, acabando por provocarem um grande incêndio em decorrência do seu desespero embora eles não tivessem intenção de morrerem queimados – ela ergue os olhos, olhando atentamente para o seu amigo que consente lentamente com a cabeça - Isso ocorreu por não terem sido detidos da forma correta quando dosou demasiadamente a força dos galhos, fazendo com que muitos conseguissem se erguer. Em situações desse tipo, um coração como o seu apenas o prejudica embora eu admire a sua nobreza, amabilidade, bondade e gentileza. Foi por esse motivo que eu assumi o controle.

Yuugi suspira e fala:

- Eu compreendo. Eu disse que compreendia. Mas não quer dizer que eu aceito a morte de pessoas e me sinto mal em saber disso.

A dragoa albina e felpuda suspira, para depois, falar:

- Eu sei...

- Posso pedir um favor?

- Qual favor, Yuugi-kun? – ela pergunta embora soubesse qual era o pedido.

- Por favor, não mate ninguém se um dia precisar do meu corpo. Apenas os detenha. Por favor.

Ela consente ao mesmo tempo em que sabia que Yuugi faria este pedido, para depois, falar:

- Eu vou cumprir esse pedido, meu amigo. Eu compreendo os seus motivos.

- Obrigado.

Então, ele se recorda de um dos pontos da explicação dela e pergunta:

- É verdade que você conseguiu manipular os galhos sem orar para a Deusa da Floresta? – ele pergunta incrédulo.

Ela suspira e fala:

- Sim. Bastou eu usar o seu Kiei. Não se faz necessário orar para usá-los. – ela se ausentou de falar de que não acreditava que os Deuses dele existissem porque seria chocante para ele.

Após ficarem vários minutos em silêncio, com Yuugi digerindo sobre a descoberta estarrecedora e igualmente inquietante, ele fala cabisbaixo:

- Eu imagino a reação do meu pai e ancestrais se descobrissem sobre isso...

- Você está bem quanto a essa revelação? – ela pergunta com evidente preocupação em seu semblante.

- Sim. Só estou chocado porque confesso que é algo estarrecedor.

Após vinte minutos de silêncio, ele comenta preocupado:

- Será que os meus pais e os outros estão bem?

- Eu não sei. Mas saiba que se eles mantiveram o ritmo de fuga, eles tiveram sucesso com a sua fuga. Eu os observava, ás vezes, com a minha visão para verificar a fuga deles e constatei que eles haviam percorrido uma distância considerável, além de terem inutilizado com sucesso o único acesso ao local para onde fugiram.

Yuugi passa a imaginar como estariam os seus familiares e o povo de sua vila ao mesmo tempo em que orava aos Deuses para que eles estivessem bem enquanto saía do local, montado em seu cavalo.

Algumas horas depois, com o jovem apreciando a liberdade ao mesmo tempo em que contemplava a natureza em seu entorno, ele ouve a voz de sua amiga na sua mente:

"Sobre os seus Deuses..." – Yukiko começa a murmurar, mas, depois se silencia, se amaldiçoando por ter começado esse assunto, uma vez que os Deuses davam esperança ao seu amigo.

Yuugi arqueia o cenho para o que ela murmurou em sua mente e exibindo curiosidade sobre o que a sua amiga desejava falar sobre os Deuses, ele passa a conversar mentalmente:

"O que tem os Deuses?"

Nisso, o jovem nota o seu silêncio e depois, fala exasperado:

"Pode falar... Por que se silenciou, amiga?"

A dragoa suspira profundamente e fala em um murmúrio repleto de culpa:

"Como eu consegui usar o seu Kiei sem orar e considerando que nunca fui a Deusa da Lua juntamente com o fato de eu nunca ter avistado nenhuma divindade enquanto morava naquele local, eu não acredito que os seus Deuses existam, Yuugi-kun."

O jovem fica em silêncio por alguns minutos, sendo estes expectantes para a albina, para depois, murmurar mentalmente:

"Eu estava refletindo no fato de você ter conseguido usar o meu Kiei sem conhecer as orações próprias para cada um dos Deuses. Quando ficávamos juntos, nós falávamos de tudo, menos isso. Se você conseguiu executar o Kiei sem as orações, eu tenho que aceitar como verdadeiro o fato de que não se faz necessário orar para eles. Mas não quer dizer que os Deuses não existam. Eles podem existir...".

"Yuugi-kun..."

"É difícil para alguém que foi criado para ser o próximo sumo sacerdote não acreditar na existência deles ou discutir se eles existem ou não. Mas não quer dizer que eu vou fechar a minha mente para esse pensamento. Meu pai sim, a fecharia. Já eu, não. Porém, se eu me guiar para a não existência deles, como eu poderia explicar o meu símbolo de lua na nuca? Eu nasci assim e contei sobre a capacidade de alguém nascer com esse símbolo. Ter tal capacidade não é algo leviano. Senão é obra dos Deuses, do que seria?"

"De fato. Essa habilidade pode ser vista como sendo incrível para muitos ao mesmo tempo em que é igualmente pesarosa, caso seja usada. Eu desejo de coração que você nunca use essa habilidade."

"É como eu disse. Se não foram os Deuses porque eu nasci com essa capacidade?"

"Eu não sei... Talvez não seja algo que os Deuses fizeram. Há sempre a hipótese de que você nasceu predestinado a algo sem o intermédio de Deuses. Por exemplo. O Kiei. Um poder misterioso capaz de controlar os elementos e a própria natureza, sendo algo que somente os seus ancestrais e consequentemente, descentes, conseguem realizar. Convenhamos, mesmo que seja apenas um controle temporário e limitado a uma área, o fato de controlar uma pequena parte do grande poder da mãe natureza a sua vontade é algo formidável."

Yuugi fica surpreso e comenta, arqueando o cenho:

"Você não acredita em Deuses, mas acredita em outras forças além deles. Não acha uma contradição?"

"Isso pode soar, inicialmente, como uma contradição, mas um poder acima deles não quer dizer, necessariamente, um poder divino. Ou pode ser de fato um poder divino acima dos outros Deuses. Não temos como saber com exatidão. Ademais, não estou falando de um Deus ou Deuses acima dos outros ou algo similar a isso e sim, de um poder diferente e que foi esse mesmo poder que me trouxe até você. Eu acredito nessa hipótese porque não há outra explicação para o nosso encontro juntamente com o fato de que eu não pertenço a esse mundo. Eu posso sentir isso."

O jovem sabia o quanto a sua amiga ficava contemplativa sempre que tentava se lembrar de quem era e de onde veio, quem ou o que trouxe ela e qual o seu propósito de vida.

Inclusive, a única coisa que Yukiko sabia e não no sentido de conhecer e sim, de sentir, era a sensação inquietante de que não pertencia a aquele mundo e isso era a única certeza em sua vida ao ver que o seu amigo desconhecia o fato de que a albina havia preenchido uma dessas lacunas, no caso, o propósito de vida dela ao decidir proteger o seu amigo a todo o custo, por mais que soubesse ser uma tarefa quase impossível e o motivo dessa escolha, além da intensa amizade que sentia por ele, era o sentimento maternal que a tomava por mais estranho que fosse esse pensamento e que era poderoso o suficiente para impulsioná-la a mover céus e terra por Yuugi.

O jovem comenta após ficar em estado contemplativo por alguns minutos:

"Eu compreendo os seus motivos."

Nisso, ele a ouve bocejar e pergunta enquanto sorria:

"Deseja descansar?"

"Sim. Até mais tarde, Yuugi-kun. Cuide-se."

A albina sentia que o motivo do seu cansaço era por ter usado seu poder para manter o seu amigo dormindo profundamente juntamente com o gerenciamento dos seus poderes e habilidades no corpo dele porque tomar o controle de um corpo e fazê-lo usar seus poderes, causando algumas modificações não era algo leviano, ainda mais que era a primeira vez dela, com a albina esperando que fosse a última vez que precisaria tomar o controle do corpo dele.

Afinal, ela não gostaria de sentir uma virilha masculina novamente, com a dragoa corando três tons carmesins frente a esse pensamento, para depois, exibir um semblante aborrecido ao ver que a sua mente a fez se recordar da sensação, levando-a a bufar, em seguida.

"O que houve amiga?" – ele pergunta com evidente preocupação em seu rosto ao ouvi-la bufar.

"É de uma recordação demasiadamente desagradável."

"Qual?" – ele pergunta curioso.

"Da sua virilha quando eu fui obrigada a tomar o seu corpo para nos libertar. Afinal, eu sou uma fêmea e não um macho."

Yuugi cora intensamente enquanto murmurava:

"Desculpe."

"Não há motivo para pedir desculpas. Você não pode fazer nada em relação a isso. Afinal, é um macho e eu sou uma fêmea. Ademais, foi necessário o meu controle sobre o seu corpo. Mas não quer dizer que sinto apreço por essa diferença anatômica entre nós."

Após alguns minutos de silêncio constrangedor, ele o corta ao se recordar do pedido anterior da sua amiga:

"Pode deixar. Eu vou tomar cuidado."

"Eu espero. Até mais tarde, Yuugi-kun."

"Até mais tarde, Yukiko-chan" Ele fala usando o sufixo "-chan" que ela o ensinou a falar e que se tornou um apelido carinhoso usado somente entre ambos.

Então, ele sai da conversa mental e volta a fazer o cavalo andar enquanto seguia por uma trilha dentre as árvores.