Notas da autora

Atemu se encontra...

Seto decide...

O futuro Guardião Sagrado fica...

Capítulo 16 - O desafio de Seto

Algumas semanas depois, em Kemet (Egito), mais precisamente em Men-nefer (Menphis), capital do império onde ficava o complexo do palácio, Atemu se encontrava em uma parte usada para treinos.

Na parte da manhã ele havia treinado luta sobre a supervisão do seu professor enquanto enfrentava múltiplos oponentes ao mesmo tempo.

Após o almoço, na parte da tarde, o príncipe realizaria treinos com escudo e manipulação de várias armas desde arco e flecha, lança, adaga e espada porque o futuro Faraó precisava ser mestre na arte de manejar qualquer arma que tivesse em suas mãos, com os professores de armas, de luta, de magia e outros, sempre elogiando o príncipe pela sua perícia, sagacidade e inteligência.

Além de treinos de luta e de armas, ele também tinha aulas de economia, política, de estratégia militar, de escrita e várias outras que o preparavam para herdar o vasto império que era Kemet, atualmente.

Afinal, como ele será um futuro governante, Atemu precisava ser sempre o melhor dos melhores, se destacando perante todos, fazendo com que também se tornasse um exímio cavaleiro, guerreiro, espadachim, lanceiro, arqueiro, falcoeiro e estrategista. Também precisava ser excelente em jogos, além de dominar a magia, com ele sendo considerado um magnifico duelista de Ka.

Ademais, ele estava treinando arduamente o uso da "máscara do Faraó" para usar no salão real e em público enquanto que o seu tjaty (Vizir) e Conselheiro real, Shimon, o auxiliava nesse treinamento.

O Iry-pat (príncipe herdeiro) usava apenas um chanti com faixas de ouro na cintura enquanto que uma faixa azul pendia na sua frente contendo pedras preciosas, além dos enfeites de ouro presos em seus tornozelos, punhos e antebraços, com o olho de Hórus esculpido em ouro repousando em sua testa.

O futuro monarca havia acabado de treinar o manuseio de várias armas e estava se preparando para enfrentar cinco soldados ao mesmo tempo enquanto manejava uma lança, procurando girá-lo habilmente na sua frente e lateralmente, demonstrando o seu pleno domínio sobre aquela arma ao mesmo tempo em que se encontrava sobre supervisão do seu professor que estava atento para interceder, caso ocorresse algum golpe demasiadamente grave.

Os soldados haviam recebido a instrução de atacar o príncipe herdeiro e era isso o que iriam fazer, tomando o devido cuidado de não darem golpes que podiam ser mortais. Era o mesmo para Atemu, que evitaria usar golpes que pudessem provocar a morte ou ferimentos gravíssimos nos soldados.

Afinal, era um treinamento e não uma batalha de vida ou morte.

Eles recebem um sinal e o embate começa, com o som do impacto das hastes de madeira revibrando no ambiente enquanto que muitos servos e escravos pararam para observar, com cortesãs e escravas suspirando ao verem os músculos do corpo do príncipe trabalhando para bloquear, esquivar, contra-atacar e atacar habilmente os seus oponentes, fazendo com que essa visão se tornasse um deleite para elas que suspiravam após morderem os lábios.

Então todos ofegam ao verem o futuro Faraó desamar os soldados quase que simultaneamente após alguns minutos de batalha, dando-se por encerrado o duelo.

Contra a perícia formidável de Atemu, os soldados não podiam fazer nada e isso apenas fez o frenesi entre as mulheres aumentarem enquanto o professor de armas dele consentia com orgulho ao observar o seu aluno.

O instrutor decide dar um intervalo e enquanto Atemu descansava, várias servas e escravas se aproximando com espécies de tolhas de linho estendidas em seus antebraços, com o príncipe herdeiro escolhendo um, fazendo a serva que trazia aquele tecido suspirar de emoção, com ele esperando tal reação enquanto que Shimon observava com diversão o frenesi das mulheres ao se aglomerarem respeitosamente em volta dele ao mesmo tempo em que exibiam ansiedade em seu olhar, com aquela cena sendo considerada cotidiana, uma vez que isso sempre ocorria quando Atemu treinava e se estivesse com o torso e tórax a mostra, elas ficavam ainda mais excitadas.

Então, sem olhar para os olhos do príncipe, elas se afastam, retornando aos seus lugares para continuarem assistindo ao espetáculo na visão delas enquanto que a serva, cujo tolha de linho o futuro Faraó escolheu, ignorava estoicamente o olhar de inveja das outras.

O príncipe herdeiro observava os olhares destinados a ele à distância e abana a cabeça para os lados, sorrindo de canto porque estava acostumado com a atenção demasiada do público feminino enquanto dispensava os soldados sobre um sorriso de satisfação do seu professor.

Então, ocorrem novos murmúrios do público que assistia o treinamento, fazendo o futuro Faraó arquear o cenho ao olhar na direção dos murmúrios, observando os escravos e servos abrindo caminho para alguém que surgia com olhos que exibiam determinação e desafio.

O futuro Guardião Sagrado Seto se aproximava usando roupas para treinamento e não as vestes habituais que utilizava diariamente. Para o treino, ele usava apenas um chanti com faixas de ouro na cintura enquanto mantinha seus ornamentos dourados, exibindo um olhar de desafio, apesar de mantê-lo parcialmente baixo porque estava na presença do futuro Faraó.

Tal como Atemu, Seto era desejado por várias mulheres que gemiam de deleite conforme observavam o corpo dele, desejando estarem em seus braços, nem que fosse por apenas uma noite, fazendo muitas delas morderem os lábios ao apreciarem a vista, uma vez que ele sempre estava coberto.

Ao se aproximar do seu primo, o futuro Guardião Sagrado da corte do próximo Faraó ao herdar o Sennen Shakujou se curva levemente enquanto falava humildemente:

- Gostaria que concedesse a honra de uma batalha contra o senhor usando armas cegas, Iry-pat.

Todos ficam surpresos enquanto que o príncipe sorri de canto, uma vez que esperava esse desafio.

- Assim a teremos, Seto. O autorizo a escolher a arma e neste combate, tem a minha autorização para olhar o meu rosto. – ele o autoriza a olhá-lo porque somente aqueles que eram autorizados podiam olhar para o rosto do príncipe, com exceção dos parentes sanguíneos que detinham a autorização pelo sangue, a menos que fosse revogado.

Inclusive, após a sua coroação como novo Per'a'ah, os eleitos pelos Sennen Aitemu irão receber essa autorização ao serem empossados oficialmente como seus Guardiões Sagrados, com o seu tio mantendo o título por causa do requisito do Sennengan.

O motivo de Atemu fornecer essa autorização especial era para que a batalha fosse a mais justa possível ao permitir que o seu oponente lesse livremente a sua postura e semblante, visando descobrir o seu próximo movimento.

O príncipe herdeiro também havia feito isso porque Seto era muito rígido e inflexível. Como primo dele, ele tinha o direito de chamá-lo pelo seu nome de nascença e não o nome público que ele escolheria ao se tornar o Faraó, além de poder olhar para o seu rosto.

Porém, mesmo com a autorização dada pelo parentesco sanguíneo, Seto se recusava a usar o seu nome de nascimento em público e a erguer o seu olhar ao agir como qualquer outro membro do palácio.

O seu primo bate palmas, fazendo surgir dois servos com almofadas que exibiam quatro espadas cegas com pontas cobertas por um material de metal redondo que cobria a ponta afiada e mortal, impedindo que a ponta perfurasse o corpo do oponente enquanto que as mesmas se encontravam com as suas lâminas cegas, permitindo a ampliação dos golpes que podiam ser executados, uma vez que não haveria ferimentos mortais, com exceção de alguns arranhões e hematomas, com ambos iriam manusear duas armas ao mesmo tempo.

Então, de posse das armas trabalhadas para tornar a batalha o mais seguro possível e sobre o olhar atento do professor de armas, eles se posicionam um na frente do outro, deixando um espaço entre eles e quem observava ambos, tinha a ilusão de que eles pareciam dois tigres ferozes que desejavam estraçalhar um ao outro, fazendo os espectadores daquele embate prenderem a respiração até que um sinal é dado, com ambos avançando um no outro, com as presas e garras a mostra, fazendo os espectadores ofegarem.

Ambos começam a batalhar ferozmente pelo domínio da batalha com o som das lâminas revibrando pelo ambiente, fazendo surgir faíscas quando as lâminas de metal colidiam abruptamente, conforme os mestres de ambas as espadas procuravam avidamente brechas na defesa ou no ataque do oponente.

Todos os olhares estavam focados no embate que acontecia na frente deles, com eles percebendo que Atemu ainda tinha a vantagem e mesmo quando parecia que Seto a havia tomado, o príncipe a recuperava prontamente.

O embate impetuoso continuava com as lâminas se chocando furiosamente em uma batalha feroz, por uma hora, sem que nenhum dos lados demonstrasse uma redução no ritmo dos seus movimentos ou força do impacto dos golpes contra as lâminas do seu oponente.

Em um determinado momento, o primo de Atemu bloqueia o movimento vertical esquerdo do seu oponente com o cabo da sua arma, para depois, gira-la a outra no sentido horizontal, exibindo um imenso sorriso ao quebrar a defesa do seu adversário, sem saber que fazia parte do plano do futuro Faraó para que Seto abrisse a sua defesa, inconscientemente, ao induzi-lo ao ataque.

Então, quando ele avança ansiosamente em um movimento lateral crescente pelo lado esquerdo do príncipe, ficando a centímetros de atingir lateralmente o abdômen do futuro monarca, o mesmo retira habilmente o seu corpo do caminho da lâmina do seu primo enquanto movimentava o seu braço direto em um ângulo oblíquo ascendente, quebrando o ataque do seu opoente ao mirar a ponta do cabo no antebraço de Seto e mantendo firmemente a sua empunhadura, consegue bloquear um ataque horizontal direito do futuro shinkan como reação a esquiva do seu adversário ao mesmo tempo em que Atemu virava o seu corpo sobre o seu eixo, surpreendendo o seu adversário que havia sido pego de surpresa pela esquiva inicial.

Com esse movimento, o príncipe herdeiro conseguiu encostar uma das lâminas cegas na jugular do seu oponente ao pressioná-la contra a pele em sentido parcialmente transversal enquanto procurava deixar o seu corpo longe do alcance fácil das armas do shinkan em treinamento, dificultando demasiadamente um contra-ataque do mesmo.

Após ser derrotado, Seto percebeu a estratégia usada pelo futuro monarca e se recordou do fato de ter aberto a sua defesa inconscientemente ao avançar para acertá-lo, fazendo-o exibir um pouco de raiva ao mesmo tempo em que cerrava os seus dentes, culpando a si mesmo por não ter visto além dos movimentos do seu oponente.

Ciente de sua derrota e de ter caído na armadilha de Atemu, o futuro sacerdote larga a espada, dando-se por rendido ao cair de joelhos, com o príncipe herdeiro afastando a sua espada da jugular do futuro Guardião Sagrado enquanto falava:

- A sua ansiedade ao achar que havia conseguido quebrar o meu ataque eficazmente, o fez perder. Se não estivesse tão ansioso para me derrotar, teria percebido que tudo isso fazia parte do meu plano. Quando dominar os seus sentimentos, não permitindo que eles o controlem em uma batalha ao mesmo tempo em que clareia a sua mente, fazendo-o ver além do embate, se tornará um oponente mais valoroso do que já é, atualmente.

O futuro Hem-netjr se levanta, sem olhar para o seu príncipe e fala humildemente:

- Obrigado pelo conselho, Iry-pat (príncipe herdeiro).

Servos se aproximavam com toalhas, com Atemu secando o suor na região do seu rosto e ombros, para depois, colocar outra limpa em seu ombro enquanto tomava uma bebida em um copo de ouro esculpido com relevos em sua superfície e que havia sido entregue por uma escrava, com ele usando uma pequena magia para se certificar que não estava envenenada e somente após ter a confirmação que não tinha nada no liquido, ele bebe, com Seto realizando a mesma magia com a sua bebida antes de beber ao mesmo tempo em que as armas cegas eram retiradas do local.

Conforme o esperado ocorreu um intenso frenesi feminino em torno de ambos, com muitas suspirando em deleite ao observar os corpos deles enquanto que as que tinham as toalhas escolhidas por eles eram vistas com demasiada inveja, fazendo-as ignorar estoicamente o olhar das demais que as fuzilavam implacavelmente com os olhos.

Então, o futuro Guardião Sagrado se retira após se curvar e sem virar as costas porque somente às viraria fora da visão de Atemu ao mesmo tempo em que o professor dele se aproximava, falando respeitosamente e em um tom de orgulho, sabendo que Seto era o segundo melhor em batalha enquanto o príncipe ocupava o primeiro lugar:

- O senhor foi magnifico Iry-pat (príncipe herdeiro). Não tenho mais nada para ensina-lhe. A sua perícia no manejo das armas e embate é praticamente divino. Bem, o senhor é descendente dos Deuses e eu não deveria ficar surpreso.

- Eu agradeço os seus ensinamentos, professor de armas.

- Somente tenho mais um teste. Faltou uma arma.

Nisso, ele bate palmas e um escravo surge com um arco e um alfanje com flechas enquanto dois servos posicionavam um alvo bem distante, com o príncipe pegando a arma após colocar a alfanje em suas costas.

- O senhor precisa acertar o alvo no mesmo ponto usando três flechas, sem errar uma única vez.

Sorrindo, Atemu estica o arco, arrancando suspiros de cortesãs e servas enquanto mirava no alvo que estava há vários metros dele.

Com a destreza de um falcão e um olhar de águia, ele acerta a primeira flecha no centro do alvo, disparando em seguida outras duas flechas, acertando o mesmo ponto.

- Incrível. Veremos em relação a um alvo móvel. – o professor bate palmas, novamente.

Surge um soldado com seis placas de alvos pequenos, acompanhado de outro soldado. Ambos eram demasiadamente robustos, demonstrando o quanto eram fortes.

Com um aceno do professor de armas enquanto Atemu colocava uma flecha em seu arco, eles começam atirar os alvos no ar, dois de cada vez e tudo o que eles avistam são as flechas cortando o ar como se fossem um zumbido e depois o som de algo sendo fincado nos alvos que caem longe dali, com todos vendo o olhar compenetrado do príncipe herdeiro, fazendo com que muitos deles tivessem a ilusão de verem o próprio Rá em seus olhos de falcão, enquanto o futuro Faraó acertava os alvos sem demonstrar qualquer ansiedade, mantendo-se frio e compenetrado, fazendo jus a sua fama de arqueiro, assim como do manuseio de outras armas.

Com satisfação, o professor de armas volta de onde estavam os alvos após o teste terminar, falando respeitosamente:

- Meus parabéns, Iry-pat (príncipe herdeiro)! Como sempre, magnifico. O senhor tem os olhos de um falcão e considerando que é filho do Netjer Jmn (Deus Amon), seria o esperado.

- Agradeço os elogios. – ele fala, entregando o arco e a alfanje para o servo que os trouxe, com o mesmo se retirando do local após se curvar respeitosamente.

Shimon olhava com orgulho para o príncipe herdeiro porque ele se destacava em tudo que fazia, provando assim o quanto estava apto para ser o futuro governante, embora ele continuasse possuindo a opinião de que ele era jovem demais para herdar o manto do Faraó e que deveria ter tido mais tempo como príncipe sem ter nos ombros o peso de um império.

Afinal, mesmo que o príncipe tivesse dezoito anos, atualmente, não mudava o fato de que o pai de Atemu havia assumido o manto de Per'a'ah quando tinha vinte e cinco anos. Ou seja, ele tivera mais tempo como príncipe do que o seu filho.

Claro, ele sabia que não podia fazer nada porque a saúde do atual monarca estava decaindo e fazia-se necessário uma coroação, assim como casamento, para que Atemu desse o neto que Akhenamkhanen tanto ansiava.

Ele sai de seus pensamentos ao ver o príncipe andando até ele que se curva levemente por causa da idade e pelo seu parentesco sanguíneo, falando:

- Eu solicitei que os escravos preparassem o banho do senhor. As jovens com descendência nobre o aguardam para banhá-lo.

Naquela cultura, o mau cheiro era mal visto e por isso, eles usavam muitos óleos perfumados, assim como se banhavam.

Além disso, somente pessoas com ascendência nobre podiam tocar a pele do príncipe herdeiro que seria o futuro Per'a'ah.

Portanto, somente filhas de nobres escolhidos podiam banhar e massagear a pele dele.

- Eu estou precisando. Depois, irei para o trono. Acredito que tenho algumas reuniões marcadas para mais tarde.

- Sim.

Atemu massageia os ombros e fala:

- Gostaria de uma massagem.

- Eu vou enviar aos seus aposentos a jovem nobre responsável pela massagem – o tjaty (Vizir) e Conselheiro real olha para o céu por alguns segundos para depois falar - Ainda temos tempo. A barca Mandjet ainda está levando o Netjer (Deus) Ré na sua jornada pelo céu

- De fato, temos tempo. Irei encontrá-lo no trono.

- O estarei aguardando, Iry-pat (príncipe herdeiro). – ele fala respeitosamente enquanto o observava se afastando, antes de se retirar do local.