Notas da autora
Chega o dia da coroação de Atemu.
Atemu se encontra...
Na cerimônia...
Capítulo 17 - A ascensão do novo Faraó
Completando um ano desde o início do khaj-Nisut (Aparência do rei) que terminaria naquela noite após o Iry-pat (príncipe herdeiro) comemorar várias cerimônias e festas assim como os ritos necessários nesse período de um ano.
No final da tarde daquele dia, horas antes da cerimônia enquanto os servos, escravos e cortesões corriam de um lado para o outro cuidando dos preparativos, sendo supervisionados por Shimon, Atemu se encontrava em seu amplo e luxuoso quarto rodeado de filhas de nobres que haviam cuidado de sua aparência ao darem um banho com essências na água que foi recolhida do Nilo, fazendo uma massagem com óleos em sua pele bronzeada ao mesmo tempo em que suspiravam de deleite ao ver o corpo nu do príncipe que não se incomodava com olhar porque estava acostumado. Afinal, desde criança havia servas o banhando e o vestindo, além de colocarem todas as suas joias, fazendo com que fosse algo natural para o jovem monarca.
A sua coroa antiga se encontrava em cima de um móvel porque ao ser coroado como Per'a'ah ao mesmo tempo em que iria ser proclamado com os títulos que escolheu, assim como o seu nome público, reservando o seu nome de nascença apenas para os familiares e outros que ele desse o direito, Atemu receberia uma nova coroa que usaria diariamente, assim como receberia outra coroa para usar em algumas ocasiões especiais, como a coroa Pschent, além do Coroa Nemes, assim como as coroas Khat, Atef, Hemhem and Khepresh. A coroa Khepresh era usada em batalhas.
Para a primeira parte da cerimônia ele usaria o cocar Nemes junto do heka (cajado de pastor) e do nekhakha (mangal), com o cajado do pastor significando a realeza e o mangual representava a fertilidade da terra. Na segunda parte, no seu casamento que seria celebrado após a sua coroação, ele usaria a coroa Pschent que era a coroa dupla formada pela união da Hedjet (Coroa Branca) que simbolizava o Ta-Shemu (Alto Kemet) e pela Decheret, a Coroa Vermelha que representava o Ta-Menhu (Baixo Kemet) pelo fato de Kemet ter sido unificado.
Após elas vestirem ele com a roupa cerimonial para a sua coroação juntamente com todas as joias, ele se encontrava inclinado em uma confortável poltrona de almofadas macias enquanto que uma senhora de idade que servia a família real há décadas, estava cuidando com esmero da sua maquiagem.
Ao seu lado se encontrava uma mesa contendo pinceis, recipiente com Kohl, além de outros recipientes contendo cosméticos retirados de raízes e de minerais, com um deles contendo pó dourado.
Havia outra jovem de origem nobre que se encontrava responsável pelos cabelos espetados tricolores do príncipe, os penteando enquanto usava óleos perfumados, visando abaixar as pontas para prender em um rabo de cavalo curto juntamente com a franja para que fosse colocado o toucado Nemes em sua cabeça. Ela não disfarçava o prazer que sentia ao passar as mãos nos fios sobre a desculpa de ajeitá-los melhor ao mesmo tempo em que ignorava as outras nobres que a fuzilavam com os olhos.
A senhora que cuidava da maquiagem revirava os olhos com o frenesi feminino que o príncipe causava entre as mulheres por não se encontrar surpresa porque já esperava tais reações.
Afinal, era de conhecimento geral que o príncipe arrancava suspiros de várias garotas quando andava pelos corredores do palácio.
A responsável pela maquiagem estava aplicando um pó dourado na pele de Atemu enquanto a espalhava sobre a pele com uma espécie de pincel ao fazer o seu trabalho atentamente.
Tanto a mulher da maquiagem de ascendência nobre, quanto a que cuidava dos cabelos, possuía autorização especial para olhar para o Faraó diretamente, uma vez que cuidavam da aparência dele.
Porém, essa autorização era apenas para os momentos onde eram necessários os serviços delas.
Após pulverizar o pó dourado em toda a sua pele, ela estava fazendo cuidadosamente uma linha grossa de Kohl abaixo dos olhos de Atemu e que se estendida até ficar próximo das orelhas dele, para depois, fazer no final um contorno em direção às bochechas, mas sem chegar nelas.
Enquanto isso, a jovem nobre responsável pelos cabelos do príncipe havia conseguido abaixá-los, temporariamente, para poder amarrá-los em um rabo de cavalo curto para que ele pudesse usar a coroa Nemes na cerimônia.
Então, a noite cai e os portões duplos imensos são abertos para a entrada dos cortejos trazendo os representantes de vários reinos, com alguns deles sendo príncipes que apareceram representando a sua nação, com todos eles trazendo presentes para comemorar a coroação do novo Faraó ao mesmo tempo em que nobres egípcios entravam no palácio com as suas devidas procissões. O povo sabia que a primeira aparição pública de Atemu como novo Per'a'ah seria feita na manhã do dia seguinte quando os enormes portões duplos serão abertos ao público.
Enquanto as procissões aguardavam no pátio imenso do palácio, ocorria uma apresentação de domínio de armas envolvendo as tropas de Kemet que se movimentavam uniformemente. Era algo que chamou a atenção dos estrangeiros porque era visível a coordenação e disciplina deles juntamente com o exímio controle de suas armas ao simularem pequenos confrontos como parte da apresentação, para depois, se curvarem, saindo em seguida do local.
Após o término dessa apresentação, os portões internos do palácio são abertos.
Conforme entravam na construção imponente e luxuosa, eles percebem uma longa fila de servos do palácio que se encontravam parados próximos às portas duplas, com eles se encontrando curvados para os nobres e representantes, para depois os auxiliarem na condução até o Salão Real.
A sala do trono onde seria realizada a cerimônia era imensa, luxuosa e opulenta. Ela havia sido decorada com flores frescas, além de haver o cheiro de incenso porque havia sido feita a purificação do local pelos Hem-netjr de cada templo, antes da abertura dos portões duplos da sala. Havia tapeçarias erguidas pelo salão juntamente com algumas mesas posicionadas estrategicamente, além de arranjos de vários tipos com objetos de ouro com contornos de prata, além de adornos contendo joias incrustradas.
No local iria ocorrer a finalização da cerimônia de coroação, havia lugares para os representantes dos reinos vizinhos e todos os nobres que estavam presentes para a ascensão do novo Faraó, assim como para os demais membros da corte juntamente com os Heri-tep a'a (Governante) de cada Sepet (distrito) que compunham o império.
Antes da chegada do futuro Faraó, foi formando um meio círculo em torno do trono imponente com apoios em forma de cabeça de leão incrustado em joias.
De um lado do meio círculo havia os antigos Guardiões Sagrados e no outro lado, havia os novos Hem-netjr e uma Hemt-netjr a serem empossados pessoalmente como novos Guardiões Sagrados pelo novo Per'a'ah, que também lhes concederia o direito de olhá-los em seus olhos, além de reconhecê-los publicamente como membros de sua corte e parte integrante do seu Rokushinkan. Akhenaden seria o único que continuaria com o seu posto, fazendo apenas a transição para o novo reinado do seu sobrinho juntamente com a cerimônia de reconhecimento e autorização para olhar no rosto de Atemu.
O direito de família de Akhenaden de se referir ao seu sobrinho pelo seu nome de nascimento foi revogado por Atemu e por isso, o tio dele deveria apenas se referir a ele pelo seu nome público junto do título após descobrir a verdade sobre a criação dos Itens sagrados apesar do título ser indevido na visão de Atemu pela forma como foram criados.
Logo abaixo do trono, o local era preenchido por nobres egípcios, aristocratas de outras nações e dentre eles, alguns príncipes, além de representantes de alguns reinos. Havia também vários Hem-netjr (Sumo Sacerdote e chefe de templo) que representavam os ḥwt-nṯr (Templo - significado mansão ou recinto de um deus) de Kemet e cuja presença simbolizava a ciência deles de um descendente dos Deuses ascender ao trono, além de Mana se encontrar dentre os nobres e figuras políticas usando roupas belíssimas para a ocasião.
Afinal, além de rei e filho dos Deuses, o Per'a'ah (Faraó) também era o administrador máximo, o chefe do Medjay, o primeiro magistrado e o Hem-netjr (sumo sacerdote) supremo de Kemet.
Guardas posicionados estrategicamente no enorme e opulento salão impediram a obstrução das portas duplas enquanto que um magnífico tapete vermelho estreito confeccionado na ponta por fios dourados havia sido estendido até os degraus abaixo do trono para que o príncipe herdeiro andasse sobre ele, assim que entrasse no salão.
Ao lado de cada porta do Salão do trono havia uma fileira de guardas usando belíssimas e lustrosas armaduras cerimoniais ao mesmo tempo em que exibiam uma postura altiva, mantendo as suas lanças lustrosas ao seu lado, com a ponta delas exibindo ornamentos em tons de vermelho, prateado e dourado porque aconteceria uma pequena cerimônia envolvendo os soldados para demonstrarem a lealdade e submissão do Medjay ao soberano daquele império que detinha status de divindade.
Shimon se encontrava ao lado do trono e continuava fiscalizando silenciosamente e atentamente todos os detalhes da cerimônia para ascensão do futuro governante que iria suceder o antigo Faraó, que se encontrava acamado naquele momento, com todos percebendo um servo se aproximando dele, sussurrando algo em seu ouvido, para depois, ser dispensado gentilmente.
Após pigarrear, o tjaty (Vizir) e Conselheiro real, Shimon Muran, levanta o seu braço direito, sendo um sinal ensaiado que faz as trombetas feitas com chifres de boi ressoar para anunciar o início da cerimônia, com todo o murmúrio na Sala real cessando imediatamente, passando a imperar um silêncio absoluto no salão ao mesmo tempo em que muitos procuravam esticar os pescoços para observar atentamente as portas duplas do Salão do trono.
Então, quando as portas são abertas, Atemu surge seguido por guardas responsáveis por sua escolta, enquanto que no seu lado esquerdo se encontrava Diiva que era o seu Tesoureiro Real e Supervisor de tributos, responsável por fiscalizar todos os envolvidos na tributação e cobrança de impostos. No seu lado direito se encontrava Rishido (Orion), irmão mais velho de Isis, portadora do Sennen Tauku e de Mariku, irmão mais novo de ambos, cujo pai era o Heri-tep a'a (Governante) do Sepet (distrito) e capital Men-nefer (Menphis). Rishido era o General e superintendente do Medjay e membro do grupo seleto de amigos de Atemu.
Então, Shimon exclama audivelmente:
- Curvem-se para o Iry-pat (príncipe herdeiro) Atem, descendente dos Deuses e futuro governante do Egito. Filho do Mekemetuef-hasety Sekhemkhepeshder Kherouef Userkhepesh Hedhefenu Aaneru Aknamkanon Meri-rá (Protetor do Egito, temido pelos estrangeiros (inimigos). A força poderosa que impele os inimigos. Aquele cujo golpes são poderoso e incontáveis. Aquele que inspira grande medo. Aknamkanon o amado de Re) – O nome de nascença de Atem, Atemu, somente seria pronunciado por membros da família e aqueles que detinham autorização para o seu uso, assim como o nome de nascença do seu genitor Akhenamkhanen.
O príncipe adentra o Salão com uma face impassível, com o toucado Nemes contornando o seu rosto, com a cabeça da cobra Uraeus em guarda, pronta para cuspir fogo nos inimigos do Per'a'ah.
O olho de Ré confeccionado em ouro puro se encontrava repousando em sua testa, indicando que ele era filho do Deus Sol Ré e a grossa linha de Kohl embaixo de cada olho dava a impressão de alonga-los em direção as orelhas para depois se curvar para baixo em direção ao rosto e completando a sua maquiagem, a sua pele bronzeada foi adornada com poeira de ouro cintilante espalhado em sua pele, dando a impressão dele ter a áurea dourada do Deus Ré quando a claridade incidia em sua pele, fortalecendo assim a ilusão dele ser uma divindade dentre meros mortais.
Atemu segurava o heqa (cajado) e o nekhakha (mangal), um em cada mão, com eles se encontrando cruzados na frente do seu peitoral, com a maioria dos seus dedos ornamentos com anéis dourados enquanto caminhava lentamente pelo tapete em direção ao seu trono.
A suas vestes cerimoniais consistiam de um tecido ricamente lavrado, contendo um chanti plissado de linho fino, branco e entrelaçado com fios de ouro e prata, enquanto que a sua cintura se encontrava entrelaçada com tiras douradas com detalhes prateados e incrustrados de pedras preciosas e sobre essas tiras, repousava o nome real em signos prateados.
Em seu tórax jazia um peitoral feito de ouro com tons de turquesas e falcões engastados em sua superfície, emoldurando o olho de Hórus, indicando a sua ascendência ao Deus Sol Ré (Rá). O seu Sennensui (Sennen Pazuru), chamado de Tesouro sagrado, se encontrava repousando em seu peitoral enquanto que em seus braços e tornozelos reluziam braceletes de ouro com detalhes prateados e incrustrados de pedras preciosas, dentre elas a ametista, a jade e a esmeralda, além de portar anéis dourados em seus dedos e acima de cada ombro jazia espécies de ombreiras douradas compostas por camadas e com joias incrustadas em formato de asas, fazendo uma alusão ao Deus Ré.
Por cima dos ombros jazia um manto ametista com detalhes prateados que se estendia para as costas após contornar o pescoço do príncipe e cobrir o início das ombreiras e era tão comprido que chegava próximo do chão, sendo que havia bordados de escaravelhos dourados com olhos de rubi.
Em seu pescoço jazia um oskh composto de colares dourados enquanto os seus brincos de ouro puro tinham a forma de uma placa com o símbolo de Ankah em relevo, contendo pequenas joias preciosas adornadas em seu interior. O olho de Wadjet se encontrava em sua testa e era confeccionado em ouro puro, indicando que ele era filho do Deus Sol Re.
Os seus sapatos eram elaborados com fios de ouro em suas bordas e em cada sapato havia um escaravelho prateado com joias ametistas em sua cabeça.
Os guardas enfileirados em cada lado da porta dupla faziam a saudação cerimonial com as armas, com batidas ritmadas do choque do metal no chão revibravam no silêncio do ambiente, para depois, eles a estenderem sobre o príncipe e em seguida, cada um dos soldados se prostrava com a fronte e as armas no chão.
Quando ele sentou em seu trono, Diiva e Rishido assumiram os seus respectivos lugares no Salão real, com ele ordenando com uma voz barítono e inflexível que ressoava por todo o salão:
- Levantem-se.
Todos que haviam prostrado se levantavam enquanto que os nobres e representantes de outros povos levantaram a cabeça porque a haviam curvado levemente.
Atemu procurava demonstrar a autoridade divina em sua voz e postura, assim como no seu semblante impassível para demonstrar seu julgamento justo, sem ser influenciado por sentimentos, para que pudesse aplicar a justiça divina de acordo com as leis de Maa´t.
Então, o Hem-netjr (sumo sacerdote e chefe dos templos) do ḥwt-nṯr (mansão ou recinto) de um deus) do Netjer Jaˈmaːnuw (Amon) surge nos pés da escada do trono, junto de um jovem sacerdote, com ambos usando vestes cerimoniais. Eles se posicionam na frente de Atemu.
O Hem-netjr traz em suas mãos uma almofada macia onde repousava a nova coroa, com ela sendo semelhante ao modelo da coroa que ele usava quando era príncipe. A almofada é estendida para o alto enquanto ficava com o corpo curvado e os joelhos dobrados.
Esta nova coroa exibia mais detalhes e era mais elaborada, representando as asas de Ra em todo seu resplendor, divindade e glória ao alonga-las além do comprimento da coroa antiga do príncipe, visando destacar as asas que repousavam acima da orelha, além de haver mais detalhes no relevo e nas joias incrustradas na superfície dourada. Ela era definitivamente maior que a anterior e mais imponente para simbolizar a sua divindade como filho do Deus Ré.
A nova coroa é levada embora após ser apresentada ao Faraó enquanto Shimon exclamava audivelmente para todos que estavam no salão, falando a titularidade e nome público do Faraó por último:
- Administrador máximo, Chefe do Medjay, Primeiro magistrado, Hem-netjr (sumo sacerdote) supremo de Kemet, Nsw (rei) de Kemet (Terras negras) e de Deshret (Terra Vermelha), de Ta-Shemu (Alto Egito) e Ta-Menhu (Baixo Egito) e filho dos Netjer (Deuses). Nós o saudamos e nos prostramos como nosso Netjer encarnado, dotado de toda a autoridade divina imbuída pelo seu glorioso pai, o Netjer Amon Ré. Prostrem-se diante da sua santidade, o filho do glorioso Netjer Ré e Deus encarnado! Kanekht Merimaat Wasermaar-ré Nyuserre Medjed Sa-Ré Atem (O touro poderoso amado de Maat. Poderosa é a justiça de Ré. Possuidor do poder de Ré. Aquele que esmaga os inimigos. Filho de Ré, Atem)! Nsw-bity (Rei do Alto e Baixo Egito) Atem!
Todos os keméticos, sem exceção, se prostram rapidamente, com os servos curvando a sua fronte até o chão. Os únicos que não se prostraram, mas, se curvaram em respeito foram os estrangeiros.
O Faraó levanta o seu braço e ordena com a voz barítono ecoando de forma autoritária e impassível:
- Levantem-se!
Todos se levantam, com o jovem sacerdote se levantando, para depois, se curvar levemente, se afastando de costas, desaparecendo dentre as cortinas laterais do trono enquanto que o Hem-netjr do ḥwt-nṯr do Netjer Jaˈmaːnuw (Amon) se afastava de costas, para depois, retornar ao seu lugar na Sala do trono, com ambos procurando deixar o pé esquerdo na frente do corpo, demonstrando simbolicamente que entregavam o seu coração nas mãos do seu soberano.
Então, Shimon dá início à cerimônia de posse dos novos Hem-netjr para que fosse composta os Guardiões Sagrados da nova Corte de Atemu, com Mahaado obtendo o reconhecimento público de um título adicional.
Afinal, além de ser um dos Guardiões Sagrados, ele cumulava também o título de Superintendente dos Magos da Corte do Faraó.
Os antigos Guardiões Sagrados passam os itens aos novos que se curvam ao seu respectivo mestre enquanto eram empossados com os Sennen Aitemu que brilhavam ao serem segurados pelos novos Hem-netjr e a Hemt-netjr Isis e após passarem pelo julgamento dos itens, passavam a portá-los, para em seguida, se prostrarem para o Faraó, recebendo um gesto da mão do monarca para retornarem ao seu lugar de origem.
Enquanto isso, os estrangeiros queriam compreender o que eram os itens estranhos, no caso, os que eles seguravam em suas mãos, com exceção de Isis que usava o seu Sennen Aitemu em volta do seu pescoço enquanto que o monarca usava uma pirâmide invertida dourada pendurada em frente ao seu tórax por uma corda em volta do seu pescoço.
Após eles assumirem o lugar dos seus predecessores, com exceção de Akhenaden que continuava como Guardião Sagrado, eles se prostram ao mesmo tempo na frente do Faraó que fala com uma voz barítono autoritária e profunda:
- Ergam-se.
Após eles se erguerem, Atemu fala:
- Os Guardiões Sagrados da minha corte encontram-se autorizados a olharem para os meus olhos, sem que sofram qualquer consequência. Podem erguer os seus olhos e assumam o lugar ao meu lado. Prosseguiremos com a cerimônia.
Prontamente, eles assumem os seus respectivos lugares enquanto que os seus predecessores se reuniam com a multidão abaixo dos degraus do trono.
Então, o Superintendente da música e da recriação do rei faz um gesto discreto para o seu lado esquerdo, fazendo surgir dançarinas com vestes que revelavam parcialmente os seus corpos, cujos tecidos eram quase transparentes enquanto portavam algumas joias, sendo que começam a dançar ao som dos músicos.
Enquanto isso, não muito longe do trono, os amigos de Atemu se encontravam em um local privilegiado e consequentemente invejado por muitos. Jounouchi, Honda, Ryo e Mariku (Marik) haviam observado a cerimônia e haviam se prostrado sempre que fora ordenado.
Todos eles eram filhos de nobres. O pai de Mariku, Isis e Odion era o Heri-tep a'a (Governante) do Sepet (distrito) e capital Men-nefer (Menphis), com os pais deles sendo amigos de infância do Faraó Akhenamkhanen (Aknamkanon), com os seus respectivos filhos se tornando amigos de Atemu. Shizuka (Serenity), irmã mais nova de Jounouchi, não possuía muita amizade com o monarca porque quando era mais nova, tinha uma saúde delicada e por isso, passava a maior parte da infância até os quinze anos na mansão, junto dos seus pais.
Portanto, ela não tinha muito contato com o palácio ao contrário do seu irmão mais velho. Por mais que soubessem que era uma comemoração, os quatro amigos não se encontravam felizes com a coroação do amigo deles, Atemu.
Claro, era uma comemoração e eles eram plenamente cientes que o império precisava de um novo governante, mas, nada mudava o fato de que o amigo deles teria menos liberdade porque precisaria cuidar integralmente de um império. Antes, ele somente assumia alguns compromissos quando o genitor dele estava demasiadamente indisposto.
Agora, ele assumiria integralmente, fazendo com que a sua liberdade fosse cortada drasticamente.
Afinal, com as demandas de um império em suas mãos, tendo que gerir a vida de milhares de pessoas, além de insumos, produção, transporte, segurança interna, cobrança, julgamentos que exigiam o parecer do Faraó e demais assuntos que norteavam a vida diária dos keméticos, ele precisava gerenciar também as políticas externas envolvendo os outros reinos, principalmente os que faziam fronteira com Kemet juntamente com a defesa externa do império.
Claro, havia os responsáveis pelos vários setores juntamente com os seus respectivos superiores.
Porém, mesmo possuindo pessoas para cuidar desses assuntos, ele precisava tomar ciência de tudo o que competia ao seu império, fosse internamente ou externamente junto com o fato dele ter que cuidar de alguns assuntos pessoalmente, como os pedidos de audiência, além de reuniões que ele iria reger.
Portanto, era fato comprovado de que o governante viveria uma vida restrita e dedicada apenas ao cumprimento do dever, sobrando pouco tempo para ele ser Atemu e não o Per'a'ah.
Após as danças terminarem, com as dançarinas se curvando para saírem, começou a costumeira entrega de presentes, com Shimon anunciando quem havia enviado determinado presente.
Conforme o esperado, o governante de Kemet recebeu vários presentes que iam desde peles de animais raros, tecidos confeccionados com seda de várias cores, armas ricamente trabalhadas e incrustradas de joias com cabos ricamente adornados, principalmente as espadas, embora houvesse alguns escudos, além de lanças, sendo que havia outros objetos ornamentados com pedras preciosas, itens exóticos e que eram indecifráveis, além dele receber escravas sexuais para o seu harém, estas oriundas de ofertas de dignitários de outros reinos. Havia também o presente envolvendo belíssimos animais, com o quarteto de amigos sabendo que o amigo deles preferia jogos novos e desafiadores em vez de tudo àquilo que era dado, uma vez que Atemu amava jogos.
Enquanto os representantes dos outros reinos ainda digeriam a exibição de poder militar que foi exibido na frente do palácio, disfarçado de espetáculo, eles ficaram em uma perda de palavras quando os Guardiões sagrados da nova Corte do Faraó Atemu se posicionaram em uma espécie de arena depois da finalização da entrega dos presentes.
Eles começaram a entoar um cântico em linguagem desconhecida colocando os dois dedos do meio e indicador juntos enquanto se concentravam. Os servos haviam preparado em questão de minutos uma espécie de arena de batalha.
Então, eles se dividem em time de três para batalharem uns contra os outros.
Então, todos ficam estarrecidos ao verem monstros sendo invocados de tábuas de pedra após eles murmurarem palavras incompreensíveis para invoca-los, com eles fazendo questão de demonstrarem o poder dos mesmos que fascinavam alguns enquanto aterrorizavam o coração da maioria, com todos ficando embasbacados ao verem monstros poderosos subjugados aos shinkan e que obedeciam todas as ordens dos seus respectivos mestres.
Shimon fala após as batalhas serem encerradas porque avia reservado o melhor para o final:
- Gostaria de solicitar que todos nós saíssemos por alguns minutos para o pátio atrás do palácio. Nossos servos irão conduzir os senhores.
