Notas da autora

Atemu surpreende os visitantes quando...

Eles ficam...

Ele escolhe...

No dia seguinte...

Capítulo 18 - O poder de um império

Os representantes dos demais reinos ainda se encontravam estarrecidos com a exibição de poder dos monstros que obedeciam cegamente ao seu invocador.

Portanto, foram retirados de seu estado embasbacado pelos seus respectivos servos pessoais e após todos saírem, eles observam o monarca caminhando em linha reta, com todos eles abrindo passagem e ao se posicionar na frente deles, se virando para olha-los, o monarca começa a se concentrar, com o seu Sennen Pazuru brilhando intensamente enquanto ele invocava os três Deuses egípcios:

- Netjer (Deus) Ré (Raa no Yokushinryuu), Netjer Wsỉr (Osíris - Oshirisu no Tenkuuryuu) e Tekhenu (Oberisuku no Kyoshinhei)! Apareçam!

Todos observam três brilhos intensos que vinham da parte de trás do palácio com eles vendo em seguida o surgimento de três monstros colossais.

Um era da cor azul e surge atrás do monarca ao surgir do solo em toda a sua altivez, com a sua sombra opressora sendo projetada nos demais que assistiam estupefatos a exibição de poder. Outro que era vermelho e esguio que surge dos céus cujas nuvens ficaram tenebrosas abruptamente antes dele surgir ao mesmo tempo em que foram fustigadas por relâmpagos violentos que se propagavam pelas nuvens. O dragão colossal desce dos céus com todo o seu porte imponente, com o seu corpo comprido circundando o rei de Kemet, com as suas patas possantes pousando com intrépido na areia. Um terceiro na cor dourado irrompe das nuvens em forma de esfera, para depois, desfazer a forma de esfera ao assumir a sua forma verdadeira, dissipando eficazmente as nuvens enquanto interrompia os relâmpagos ao emitir um fulgor intenso semelhante ao brilho do sol e que era irradiado dele e que após cessar, revela a abóboda celeste.

Ele desce majestosamente dos céus e pousa obedientemente ao lado do governante daquele império ao retrair as suas asas. Todos eles mostravam submissão ao a Atemu, deixando todos os visitantes estarrecidos porque eles eram colossais e no caso do que era vermelho, eles não sabiam para qual das bocas deviam olhar.

Tudo o que eles testemunharam até aquele instante demonstrava o poder e a soberania indiscutível daquele império.

De fato, somente um suicida ou um louco ousaria invadir Kemet com eles possuindo monstros tão poderosos e igualmente submissos.

Ao olharem para os três Deuses e o seu tamanho colossal, os representantes e muitos dos keméticos caem de joelhos com os seus olhos esbugalhados, ficando surpresos por ainda terem alguma linha racional de pensamento.

Após alguns minutos, alguns deles conseguem recuperar a forças nas pernas e correm do local, profundamente aterrorizados, desejando ficar o mais distante possível das criaturas imensas e Atemu não os condenava porque qualquer um agiria assim se ficasse na frente de um dos Deuses.

Portanto, ele era plenamente ciente que a visão de três deles ao mesmo tempo, apenas elevava o terror e em decorrência desse fato, o jovem monarca havia decidido tomar algumas medidas preventivas para evitar ferimentos ocasionados por uma fuga desenfreada de uma multidão aterrorizada.

Seguindo fielmente as ordens do seu Faraó, os guardas haviam bloqueado previamente as saídas, fazendo muitos se amontoarem em frente às portas duplas imensas e firmemente fechadas.

Ao olharem para os três monstros novamente, eles foram tomados por um terror irracional e ao olharem para trás, eles testemunharam os seres imensos inclinarem docemente a cabeça para o soberano daquele império, os fazendo questionarem a si mesmos se o soberano daquele império era de fato, um Deus na terra porque não conseguiam conceber a ideia de um simples mortal conseguir fazer seres tão poderosos, vistos como Deuses, ficarem tão submissos e dóceis em suas mãos. Somente uma divindade conseguiria tal feito.

Em relação aos keméticos que já compartilhavam a visão do Per'a'ah como um Deus, apenas tiveram uma confirmação inequívoca da divindade de Atemu ao testemunharem o controle e submissão que ele detinha de seres tão poderosos.

Enquanto isso, os Guardiões Sagrados haviam demonstrado um sorriso imenso em seus rostos porque as exibições de poder disfarçados na forma de comemorações serviram para dar um recado a todos os reinos adjacentes a Kemet. Um recado imbuído da revelação das consequências de tentarem invadir o império.

O Faraó afaga cada um dos Deuses, mostrando o seu domínio para todos, com os representantes engolindo em seco enquanto que os seus olhos continuavam esbugalhados, fazendo-os perceberem que eles deviam informar os seus governantes da insanidade que seria tentarem invadir Kemet porque alguns chegaram a cogitar essa hipótese.

Portanto, eles sentiram que precisavam remover essa ideia o quanto antes ao falarem do poder daquele império e que não era mensurado apenas pelo seu poder militar.

Atemu faz os Deuses retornarem as tábuas de pedras ao fazer todos avistarem os seres colossais e igualmente imponentes se retirando do local ao voarem para o céu.

Os servos e escravos que aguardavam as ordens, observam o gesto do imi-r pr wr (Grande superintendente da casa) que orientava eles a se preparem para ajudar os convidados e guiá-los pelos corredores suntuosos enquanto que os visitantes estrangeiros terminavam de assimilar o que viam.

Após voltarem a se acalmar, as portas duplas são abertas com um aceno de cabeça do monarca ao ver que a multidão havia se acalmado, embora muitos ainda tremessem pela visão que tiveram enquanto ficavam surpresos ao verem que a maioria dos keméticos tratavam com casualidade os monstros, fazendo-os ficarem estarrecidos por alguém ver com naturalidade seres tão poderosos, levando-os a acreditar que isso era algo usual, fazendo com que este fosse mais um motivo para alertar aos seus soberanos. Os príncipes que vieram para a coroação também iriam informar aos seus genitores do suicídio que era invadir Kemet.

Atemu conseguiu disfarçar perfeitamente o seu cansaço de invocar os três Deuses de uma só vez conforme se dirigia ao seu trono para se sentar, buscando ocultando com perfeição o seu esgotamento espiritual pela invocação tripla.

Afinal, a invocação de monstros de alto nível consumia demasiadamente o Ba do invocador e os três Deuses possuíam um poder acima de qualquer outro Ka.

O monarca teve que treinar arduamente para aumentar o seu Ba ao longo dos anos e era plenamente ciente que precisava redobrar os seus esforços para invocar os três sem sentir cansaço, para que pudesse invocar um quarto ou quinto Ka, caso fosse necessário, além de ter o seu Ka pessoal que foi criado por ele.

Shimon havia ficado satisfeito e igualmente orgulhoso ao ver como ele ocultou perfeitamente o cansaço para que nenhum visitante visse o custo que era invocá-los, visando dar ainda mais temor em seus corações ao fazer com que eles pensassem erroneamente de que era algo simples e sem qualquer esforço invocar seres titânicos.

Inclusive, nenhum dos convidados notou que a Hemt-netjr Isis, uma das Guardiões sagradas da corte de Atemu, invocou discretamente um dos seus Ka, a Hourii Erufu (Mystical Elf), que estava oculta atrás das cortinas que ficavam atrás do trono e que usava discretamente os seus poderes para restaurar o Ba de Atemu porque essa era a habilidade desse Ka.

O rei recém-coroado havia se esforçado em cumprir com o plano de Shimon, visando viver em paz porque ele não queria que o seu povo sofresse com uma guerra, caso algum reino resolvesse invadir o império, obrigando Kemet a enfrentar o exército invasor em um confronto. Para Atemu, a guerra somente trazia sofrimento, doença, morte e destruição para ambos os lados.

Por isso, concordou e aprovou o plano de exibição de poder orquestrado por Shimon para mostrar a soberania e o poder do império, sem ser através de um confronto, visando evitar um ao mesmo tempo.

Afinal, tal como o seu genitor, ele desejava manter ardentemente a paz por mais que soubesse que era quase que impossível porque sempre haveria um governante que desejaria o poder, não se importando de jogar homens inocentes para a morte em batalhas egoístas movidas por arrogância, ganância ou pela sede de poder. Para o monarca, já bastava as longas guerras do passado, com a última campanha sendo continuada no reinado do seu genitor para expulsar os hekau khasut (Hicsos) de Kemet, terminando por subjugá-los na capital deles em Hut-waret no Delta do Nilo após uma intensa campanha militar.

Claro que ele sabia que o seu desejo do povo de viver em paz podia ser considerado quase como uma utopia, mesmo após essa exibição de poder.

Depois de algumas apresentações envolvendo dançarinas, surgiu uma procissão das primas distantes dele, com elas sendo de segundo ou terceiro grau e até além, que se prostraram ao soberano daquele império. Era evidente para todos os presentes o quanto elas estavam expectantes para serem escolhidas, com cada uma delas se achando melhor que a outra enquanto trajavam as suas mais belas roupas e joias ao mesmo tempo em que buscavam chamar a atenção do monarca.

Atemu desceu do seu trono e trocou algumas palavras com cada uma delas, procurando analisar atentamente as suas expressões e olhar enquanto suprimia a culpa que sentia por ter que se casar, mesmo que o seu coração pertencesse ao jovem misterioso que povoava os seus sonhos.

No final, ele escolheu uma delas que demonstrou não se importar de não ser amada enquanto que desejava apenas a riqueza e o título de esposa menor não a incomodava. Ela também demonstrou que não se incomodaria em dar um herdeiro ao monarca ao mesmo tempo em que não abrigava qualquer desejo ou esperança de romance em sua união, com o recém-nomeado rei percebendo a sinceridade de suas palavras em seu olhar e feições ao permitir que ela olhasse para ele, sendo que havia dado essa mesma permissão temporária para as outras.

Após escolhê-la, as outras são dispensadas, exibindo tristeza por não terem sido escolhidas enquanto ele pegava na mão da que escolheu para levá-la até o lado do seu trono, onde ela ficou de pé.

Um servo trouxe em uma almofada um diadema dourada com um discreto rubi no centro, com o monarca retirando-a da almofada para depois, colocar na cabeça da jovem após ela se prostrar.

Esse diadema era usado por uma esposa menor.

Depois, ele iria até uma das varandas luxuosas, de frente para a multidão que o aguardava fora do salão para conhecerem o novo Per'a'ah e tomarem ciência da sua esposa menor, que ficaria atrás dele.

A jovem exibia um sorriso imenso por ter sido escolhida e não se importava de cumprir com a sua obrigação de gerar um herdeiro para o trono.

Afinal, ela havia analisado minunciosamente o corpo do seu marido enquanto que era plenamente ciente da fama deste, fazendo assim com que ela mordiscasse o lábio por se encontrar demasiadamente ansiosa para estar nos braços dele porque pelo que ouviu, não havia sequer uma pessoa que se arrependeu de compartilhar a cama com Atemu, mesmo por uma noite, com os seus dotes de amante se espalhando por toda a corte.

Visando compensar o sentimento de culpa dentro de si, o monarca jurou a si mesmo que procuraria dar uma vida luxuosa a sua prima de terceiro grau e que iria satisfazê-la na cama para compensar a relação ausente de amor ao notar o quanto era demonstrava estar ansiosa para estar a sós com ele e que isso não seria nenhum problema porque ele apreciava que os seus amantes, não importando o seu status, sentissem tanto prazer quanto ele em relações consensuais.

Após a escolha da esposa menor, ocorre uma nova comemoração e como foi realizado duas cerimônias, a festa iria longe.

No dia seguinte, ele foi até a veranda que ficava de frente para a entrada principal do palácio e cujas portas foram abertas para o povo.

Shimon pigarreou e o anunciou:

- Administrador máximo, Chefe do Medjay, Primeiro magistrado, Hem-netjr (sumo sacerdote) supremo de Kemet, Nsw (rei) de Kemet (Terras negras) e de Deshret (Terra Vermelha), de Ta-Shemu (Alto Egito) e Ta-Menhu (Baixo Egito) e filho dos Netjer (Deuses). Nós o saudamos e nos prostramos como nosso Netjer encarnado, dotado de toda a autoridade divina imbuída pelo seu glorioso pai, o Netjer Amon Ré. Prostrem-se diante da sua santidade, o filho do glorioso Netjer Ré e Deus encarnado! Kanekht Merimaat Wasermaar-ré Nyuserre Medjed Sa-Ré Atem (O touro poderoso amado de Maat. Poderosa é a justiça de Ré. Possuidor do poder de Ré. Aquele que esmaga os inimigos. Filho de Ré, Atem)! Nsw-bity (Rei do Alto e Baixo Egito) Atem!

Então, ele avança e acena para os mesmos após fazer um discurso que inflou de esperança e entusiasmo os seus súditos, com eles se prostrando com a fronte no chão, para depois, Shimon apresentar a esposa menor, com o povo fazendo a mesma reverência que fazia para os outros nobres.

Após a comoção pública com a sua primeira aparição como Per'a'ah, ele retornou para dentro do castelo para verificar as dezenas de relatórios que o aguardavam enquanto o povo retornava aos seus afazeres enquanto que o imi-r pr wr (Grande superintendente da casa) guiava a esposa menor para os aposentos que ela ocuparia, explicando também sobre alguns aspectos do palácio e que eram necessários que ela conhecesse, assim como para ela tomar um banho e repousar.

Depois que os servos trocaram as roupas dele por vestes mais confortáveis, mas que demonstravam o seu status, trocando a coroa de Nemes pela coroa que usaria diariamente, Atemu chega ao seu luxuoso escritório e começa a ler atentamente os vários relatórios que chegaram de todos os lugares do seu reino. O imi-r pr wr (Grande superintendente da casa), Leon era filho de um homem de Hellas (Grécia) e uma mãe Kemética, além de neto do imi-r pr wr anterior e que se juntaria a eles mais tarde.

Ele havia herdado a pele de alabastro do seu pai e os olhos azuis dele enquanto que o cabelo rosado era proveniente do avô de Hellas.

Apesar de ser jovem para o cargo, ele demonstrava pleno conhecimento do ofício e era um excelente administrador porque foi ensinado desde que era criança. Ele tinha um ka pessoal criada pelo seu coração e que foi autorizado a manter consigo.

O rei usava as suas roupas habituais formadas por uma túnica de linho composto de um chanti com costuras elaboradas, preso por uma faixa dourada na cintura. Havia tornozeleiras de ouro que envolvia os tornozelos e a parte da perna.

O olho de Ré confeccionado em ouro puro se encontrava repousando em sua testa, indicando que ele era filho do Deus Sol Ré e a grossa linha de Kohl embaixo de cada olho dava a impressão de alonga-los em direção as orelhas para depois se curvar para baixo em direção ao rosto e completando a sua maquiagem, a sua pele bronzeada foi adornada com poeira de ouro cintilante espalhado em sua pele enquanto que os seus brincos de ouro puro tinham a forma de uma placa com o símbolo de Ankah em relevo, contendo pequenas joias preciosas adornadas em seu interior.

No seu pescoço tinha um Oskh composto de anéis dourados que envolviam o pescoço e parte do tórax enquanto os seus brincos de ouro puro tinham a forma de uma placa com o símbolo de Ankah em relevo, contendo pequenas joias preciosas adornadas em seu interior. O olho de Wadjet se encontrava em sua testa e era confeccionado em ouro puro, indicando que ele era filho do Deus Sol Re, com o seu sennensui repousando em cima do seu tórax ao mesmo tempo em que se encontrava preso por uma corda rústica. Nos seus braços e tornozelos reluziam braceletes de ouro, além de portar anéis dourados na maioria dos seus dedos e acima de cada ombro jazia espécies de ombreiras douradas compostas por camadas e com joias incrustadas em formato de asas, fazendo uma alusão ao Deus Ré.

Por cima dos ombros jazia um manto ametista que se estendia para as costas após contornar o pescoço do príncipe e cobrir o início das ombreiras e era tão comprido que chegava próximo do chão.

Em seu pescoço jaziam colares dourados,

Os seus sapatos eram elaborados com fios de ouro em suas bordas.

Shimon estava ao seu lado, o auxiliando sempre que era necessário, inclusive com sugestões e conselhos enquanto que vários servos surgiam com novos relatórios ao mesmo tempo em que ele despachava algumas decisões que precisavam do seu parecer em papiros, colocando em seguida o seu selo, antes de entregar a um servo para que fosse entregue ao destinatário.

Então, eles ouvem algumas batidas nas portas duplas, fazendo Atemu arquear o cenho, julgando que talvez fosse a sua esposa embora duvidasse piamente que ela acordaria porque os festejos de comemoração da união deles duraram a noite toda e ela devia estar cansada. A consumação seria naquela noite.

Afinal, ele havia informado para ela da necessidade urgente de um herdeiro e a sua prima se mostrou mais do que disposta de compartilhar a cama em todos os momentos possíveis, visando engravidar o quanto antes para cumprir com as suas obrigações de dar um herdeiro ao seu esposo.

Claro que Atemu iria dar a impressão que eles se amavam para o filho ou filha, para que a criança fosse criado no mesmo ambiente de amor que ele foi criado com a genitora, antes que ela falecesse ao ser picada por uma aranha mortal.

Ele sai de suas recordações, falando com a sua profunda voz barítono e igualmente implacável, sendo esta a voz de um governante:

- Entre.

Atemu retira a sua máscara de Faraó ao ver quem era, com Shimon indo discretamente até a porta após a passagem dos amigos do monarca, visando que mais ninguém entrasse ao anunciar aos guardas que estavam mais a frente nos corredores, para não deixassem nenhum servo passar, informando a eles que deviam esperar para entregar algo ao monarca.

- E aí, Atemu? – Jounouchi entra e bagunça os cabelos espetados do seu amigo.

- Eu estou bem.

Nisso, os outros o cumprimentam e Mariki se aproxima, observando os vários papiros, notando que o seu amigo estava escrevendo em alguns, identificando um deles como sendo o do seu irmão mais velho Rishido contendo relatórios sobre a situação do exército nas fronteiras e internamente, avistando outro que era de Diiva (Aigami) sobre taxação e impostos, além de relatos de egípcios que estavam devendo impostos e taxas que aguardavam o parecer do Faraó.

Ryou havia se aproximado e observou os vários pergaminhos, passando a sentir pena do seu amigo porque eram muitos relatórios para ele ler.

Honda suspirou ao ver a quantidade porque nunca imaginou tendo paciência para ficar sentado por várias horas, lendo vários relatórios e respondendo a aqueles que precisavam de uma resposta do soberano do império.

Após soltar Atemu, Jounouchi engasga ao ver a quantidade de papiros e quando o monarca percebe o olhar estarrecido dos seus amigos, olhando dele para a mesa.

- Acreditem, tinha mais papiros. Eu despachei vários deles antes que vocês entrassem. Não se preocupem. Eu apenas estou lendo uma quantidade um pouco maior de papiros de quando eu era Iry-pat (príncipe herdeiro). Como Per'a'ah, seria inevitável o aumento da quantidade de papiros. – ele fala enquanto sorria.

- Mesmo assim, são muitos amigo... Eu sequer consigo me imaginar lendo alguns desses papiros. Olhe a grossura deste. - Jounouchi fala enquanto pegava um deles em suas mãos, procurando não tirá-lo da ordem em que se encontrava.

- Bem, nem todos tem esse tamanho, amigo. Os papiros que envolvem relatórios dos exércitos, tanto nas fronteiras quanto internamente, assim como aqueles que envolvem taxação e tributos são consideravelmente grandes. Mas a maioria esmagadora, não. Não se esqueçam de que eu fui treinado para isso a minha vida inteira.

- Eu sei, mas... – Ryo comenta olhando com pena para o seu amigo.

- Eu imagino que não vieram aqui fiscalizar os meus papiros. – o soberano fala enquanto ria levemente, dobrando os braços em frente ao tórax ao mesmo tempo em que encostava o seu corpo na mesa atrás dele, passando a relaxar ainda mais.

- Nós viemos para saber o que fará com os seus presentes. Quer dizer, é evidente o fato de que você havia fingido o interesse em vários.

- Oh! Isso é verdade. Bem, eu tenho um papiro contendo o inventário do que eu recebi, esperando o meu parecer – ele fala, se dirigindo até a mesa contendo os vários rolos e começa a revirá-los sem tirá-los da ordem, para depois, sorrir ao pegar um papiro consideravelmente grosso em suas mãos – Esse é o papiro do inventário. Eu preciso determinar o destino deles. Quanto à maioria esmagadora dos objetos, eles serão guardados na Câmara do tesouro. Eu também preciso deixar alguns deles em locais estratégicos, caso algum representante do reino que enviou o presente apareça para uma visita política. Seria demasiada falta de diplomacia e educação não ter um dos presentes deles a vista. Mas será apenas um. Tenho presentes de vários reinos para definir. Os itens de prata sempre são bem vindos. Ouro não é um problema para nós ao contrário da prata. A ametista é uma pedra preciosa para nós e símbolo dos Per'a'ah, como vocês sabem. Eu até gostei desses presentes que envolvem algo que não temos aqui em Kemet.

- Assim como aquelas peles de animais exóticos. Eles eram bem interessantes. – Honda comenta pensativo.

- Eu também achei. Eu vou escolher o mais exótico para por em meus aposentos. Vou ver se a minha esposa deseja alguns presentes.

Afinal, a esposa menor tinha outros aposentos e só comparecia aos do monarca sobre convite.

- E quanto aos animais vivos? Tinha alguns bonitos.

- Bem, eu recebi sugestões de locais e vou decidir quais serão os melhores. Eu só espero que eles não me enviem mais animais.

- Você até que recebeu pouco, Atemu. – Shimon comenta, sorrindo.

- Isso é verdade. Ainda bem que animais são raros e normalmente, não são ferozes. Animais ferozes dão mais trabalho porque precisamos ser cuidadosos em seu manejo. Ainda bem que enviar animais é algo raro.

- Verdade. E quanto às novas garotas para o seu harém?

- Quanto a elas...

Então, eles param de falar ao ouvirem batidas na porta, fazendo eles se entreolham porque Shimon havia ordenado que ninguém os incomodasse.

Rapidamente, os amigos dele assumem uma posição humilde enquanto Atemu colocava a máscara novamente, falando em uma profunda voz barítono implacável e autoritária:

- Entre.