Notas da autora

Yuugi se torna conhecido como...

Yukiko decide...

Ela acaba voando rumo ao...

Capítulo 21 - Rei dos jogos

Sete meses depois, há dezenas de quilômetros de Kemet (Egito), uma vila em chamas ardia sem ninguém para cessar as labaredas vorazes e junto às chamas, havia somente os gritos de dor e de desespero, além de homens que eram mais bestas do que qualquer outra coisa e que atingiam com armas pontudas qualquer um que passasse perto deles enquanto capturavam os que eram saudáveis.

Nas sombras da destruição onde era possível ver apenas os vultos, havia vários homens em torno de mulheres, cujos gritos ecoavam pelo ar em desespero apenas para se silenciarem após vários minutos.

Os mais jovens e crianças estavam aterrorizados e eram capturados com violência, para depois, serem jogados em jaulas puxadas por animais.

Yuugi observava as chamas consumindo tudo o que tocava enquanto ouvia os gritos de dor e de desespero. Os seus olhos estavam focados na cabana que ardia intensamente e onde era possível ver os corpos caídos no entorno, com o jovem se fixando no de um homem com noventa por cento do corpo queimado.

Havia lágrimas nos olhos do jovem que usava uma coleira, cujos grilhões estavam acorrentados em um poste e aquele era o corpo sem vida do seu ex-dono e por mais áspero que ele tenha sido, o jovem de cabelos tricolores não podia odiá-lo ou desejar o seu mal. Simplesmente, ele não conseguia porque a sua bondade e gentileza eram uma marca inerente nele.

Conforme observava o corpo morto do seu ex-dono, se permite recordar de quando ele havia descoberto o seu talento para jogos por acidente quando o fez jogar um jogo enquanto se embriagava no bar e havia feito isso, sem esperar qualquer vitória. Quando o viu ganhar todas as partidas, ficou empolgado e decidiu lucrar com as habilidades recém-descobertas do seu escravo.

Desde aquele dia, ele passou a participar de jogatinas clandestinas sobre ordens do seu mestre que lucrava cada vez mais enquanto se recusava a vender o jovem que não havia notado os olhares de cobiça sobre ele por causa de seus olhos, cor de pele incomum e baixa estatura, que se destacava dentre a cor morena escura daquele povo. O ar exótico estimulava muitos a adquiri-lo, mas o seu proprietário falava que não era burro de vender aquele que lhe dava dinheiro.

Os castigos que sofreu no passado eram ocasionados porque o seu mestre vivia bebendo e quando ficava bêbado, ficava violento, acabando por agredi-lo, mesmo que ele seguisse exemplarmente as ordens dadas.

Ademais, Yuugi nunca soube que apanhava porque a albina sempre o protegeu, tomando a consciência dele para sofrer em seu lugar, para depois, curar o corpo e somente quando estava curado, ele recuperava a consciência.

Alguns dias antes dela por o seu plano de libertar o seu amigo em prática, o dono de Yuugi descobriu que o seu escravo era excepcional no jogo, ganhando dinheiro para ele.

Para evitar de feri-lo, o homem começou a beber fora de casa para não descontar em Yuugi porque precisava que ele jogasse bem para que pudesse lucrar e poupá-lo das surras ocasionadas pela sua bebedeira era algo que ele não se importava de evitar.

No submundo dos jogos clandestinos, eles se referiam a ele como Rei dos jogos porque dominava qualquer jogo, decifrando-o facilmente enquanto aprendia as regras em uma velocidade inacreditável, com a sua postura mudando enquanto jogava, fazendo-o esquecer do que era.

Portanto, o fato dele ter proporcionado algo que fazia Yuugi muito feliz junto do fato de nunca mais agredi-lo ou gritar com ele, a fez ponderar se compensava libertá-lo.

Afinal, nunca o vira tão feliz quanto ele era quando jogava e o dono dele proporcionava essa felicidade enquanto que se ausentava de puni-lo, além de ofertar regalias quando ganhava muito dinheiro.

Em virtude disso tudo, o seu plano inicial de libertá-lo no período que o seu amigo apanhava por causa da bebedeira do mestre deles foi desfeito porque os castigos cessaram e ele passou a jogar sempre que podia, fazendo o seu dono feliz e consequentemente, ganhando recompensas.

No final, a meia dragoa decidiu que enquanto a vida do seu amigo permanecesse assim, sem punições e recebendo regalias, com ele fazendo o que mais amava, não iria libertá-lo.

Ademais, havia o fato de que seria questão de tempo até ele acabar escravo novamente e na conjectura atual era melhor mantê-lo escravo daquele homem, desde que o mesmo não mudasse o tratamento para o seu amigo.

Para o jovem de orbes ametistas, jogar era o que mais amava fazer porque enquanto jogava, se concentrando em seu adversário, ele se esquecia da sua vida miserável, além do fato de que não importava se o seu adversário era um homem livre, nobre ou alguém rico. No jogo, ele os derrotava e pelo menos, naquele instante, um escravo se tornava superior, mesmo que fosse por alguns minutos de glória.

Yuugi se referia ao homem morto como seu ex-mestre, pois em uma das bebedeiras dele, com o cérebro empapado em álcool, se regorjeando de mais uma vitória do seu escravo, acabou provocando uma briga com as pessoas erradas e dentre elas, havia um nobre.

Para impedir que fosse morto por ter golpeado o nobre no ombro, ele contou sobre o seu escravo e suas habilidades excepcionais nos jogos, além de falar que ele era virgem e exótico, para que ele se interessasse pelo jovem e ao mostra-lo, o nobre geme de felicidade ao comprovar que era exótico e decide aceita-lo em troca de não matá-lo por tê-lo agredido.

Por precaução, Yuugi havia sido preso, visando impedi-lo de fugir ao ver o olhar lascivo que o novo mestre dele estava exibindo para o jovem de cabelos tricolores enquanto era oficializada a entrega da propriedade para este nobre.

Frente a esta mudança, Yukiko decidiu que colocaria o seu plano em prática para libertá-lo porque notou o olhar pervertido que o homem decidou ao seu amigo.

Naquele instante, o jovem de cabelos tricolores suspira novamente enquanto lágrimas caíam de seus olhos porque ele era incapaz de odiar alguém, mesmo o seu ex-mestre e senão estivesse atado naquele poste, o teria salvado das chamas, assim como teria salvado todos aqueles que ele pudesse salvar, independentemente do status da pessoa.

Como a invasão havia sido abrupta, a casa foi atingida por uma espécie de bola flamejante que os fez queimar vivos, com os orbes ametistas vendo com horror a casa ser tomada pelas chamas em questão de segundos, com Yuugi fechando os olhos conforme ouvia os gritos de dor e de desespero ao mesmo tempo em que se sentia impotente ao não conseguir se libertar do poste para ajudar.

Enquanto isso, dentro dele, Yukiko sorria ao ver o homem caído, assim como o outro que havia olhado com luxúria para o seu amigo porque havia se deleitado ao verem eles em forma de bolas de fogo, antes de caírem mortos.

Claro que ela havia subjugado, um pouco, a mente do seu amigo para que não visse a cena para não deixá-lo traumatizado.

O ar daquela vila se encontrava impregnado de carne queimada, das cinzas e da morte que pairava no ar juntamente com as fumaças que ascendiam aos céus em um tom fúnebre e cujas estrelas pareciam querer se ocultar, tal como a lua, com as nuvens as cobrindo como se quisessem impedi-las de continuar vendo o espetáculo grotesco da perversidade humana a um nível inimaginável para muitos.

Os sobreviventes não sabiam que a maior sorte deles teria sido morrer no ataque porque viver significaria o inferno em vida em toda a sua plenitude, ranger de dentes, dor e tormentos inimagináveis. Para muitos, a morte seria uma amiga desejada e querida que os libertaria dos tormentos.

Enquanto Yukiko se encontrava sorrindo pela morte horrível do ex-dono e do novo dono, alguns homens viram Yuugi e ela percebeu que começaram a vir na direção dele, ouvindo sobre ele ser belo e exótico, percebendo que eles desejavam tomar o seu amigo e frente a este pensamento, ela passou a sentir um ódio intenso.

Então, sorrindo sadicamente, a meia dragoa faz o seu amigo adormecer e passa a controlar o seu corpo ao sentir que a resistência dele caiu gradativamente, com ela decidindo alterar as memórias dele para impedir que se lembrasse do horror que os seus olhos, ouvidos e olfato vivenciaram.

A dragoa surpreende os homens que olhavam com lascívia para Yuugi quando o observam se erguer, com eles jurando que os olhos dele não eram azuis e que a íris não era estreita, fazendo com que dessem um passo para trás ao verem surgir caninos em sua boca, além das unhas se alongarem, se tornando garras.

A albina podia sentir o odor de medo que exalava deles, fazendo-a se deleitar enquanto surgia um sorriso extremamente sádico em seu semblante.

Para terror dos dois homens, ela pega as correntes com as suas garras que tomaram o lugar das unhas e as arranca de onde estavam, para depois, trazer junto das correntes o pedaço do muro em que estava presa sobre o olhar estupefato deles.

Yukiko termina de romper as correntes em seus punhos como se fossem meros gravetos finos enquanto observava os dois homens fugindo aterrorizados ao ganharem forças em suas pernas para correrem desesperados do local.

Sorrindo, ela faz surgir cristais de gelo duríssimos e os acerta na cervical, no local correto para deixa-los imobilizados do pescoço para baixo, sem paralisar os seus órgãos, agradecendo o fato de surgir conhecimentos em sua mente quando ela precisava para explicar algo ou para agir.

Usando os seus cristais, ela começa a acertar todos os invasores no mesmo ponto da cervical, deixando-os tetraplégicos ao mesmo tempo em que começava a invocar pequenas lanças de gelo, cuja rigidez nada devia ao diamante, com os mesmos quebrando as algemas das pessoas que haviam sido presas em carroças, assim como destruía as travas das gaiolas para que as pessoas fugissem conforme caminhava placidamente pela vila em chamas, usando o ar frio a sua volta para fazer os gases tóxicos caírem ao nível do chão pela baixa pressão que proporcionava enquanto suprimia ferozmente as chamas.

Após serem libertadas, as pessoas fugiram e conforme ela passava pelas construções, encontrava pessoas agonizantes ou presas embaixo de escombros.

Dependendo dos ferimentos, ela os resgatava e curava os ferimentos com a sua neve, deixando-as estarrecidas, para depois, fugirem juntos dos outros. Se elas tivessem ferimentos demasiadamente graves, a albina acabava com o sofrimento deles porque não desejava usar demasiadamente a sua magia através do corpo do seu amigo por não saber se ele conseguiria lidar com a intensidade da sua magia que era necessária para curar estes ferimentos gravissimos.

Portanto, por precaução, a albina havia definido um limite para si mesmo e nunca procurava ultrapassá-lo.

Afinal, ferimentos graves demandavam mais magia e ela não queria extrapolar o limite e por isso, somente curava as pessoas que não tivessem ferimentos demasiadamente graves enquanto poupava as outras do sofrimento ao matá-las rapidamente após criar machados afiados de gelo que as degolavam rapidamente sem elas verem o objeto que as mataria por terem sido postas para dormir.

Em um local, protegido das chamas, ela encontrou um manto simples, mas grande e decide pegá-lo para que o seu amigo o usasse, visando ocultar a sua aparência exótica.

Após verificar que as pessoas fugiram e que haviam restado além dos mortos, os mercadores e captores de escravos que estavam imobilizados, exibindo o mais puro terror em seu semblante, ela invoca correntes de gelo e os arrasta longe porque eles mereciam uma morte muito mais dolorosa e que não fosse rápida.

Então, ela os leva até a parte mais profunda da floresta que cercava a vila e tortura eles por algumas horas, apreciando os gritos lacerantes de dor e o som dos ossos sendo quebrados, para depois, se afastar do local, sabendo que o sangue atrairia predadores.

Após ascender para o céu porque conseguia invocar as suas asas e cauda, ela observa os animais selvagens lambendo os beiços enquanto se aproximavam deles, para depois, ouvir os gritos deles e o som de carne e ossos sendo rasgados, com ela se aproximando para assistir, se divertindo ao observar o modo com as feras os devoravam vivos.

Depois de vários minutos, impera um silêncio mortal, quebrado apenas pelos rosnados das feras e eventuais quebras de ossos pelas presas deles.

Como a diversão havia cessado na visão dela, Yukiko decide voar para longe dali, acabando por rumar para o deserto enquanto esperava que ele não fosse capturado tão cedo, embora soubesse que seria impossível isso não ocorrer.

Claro que não o deixaria no deserto e sim, próximo da cidade que havia avistado ao longe ao mesmo tempo em que gerenciava o frio da noite porque não queria testar o efeito do frio no corpo do seu amigo. Usando a sua visão especial, ela podia ver ao longe uma cidade e o complexo de um palácio, desconhecendo o fato de que Yuugi se tornaria ainda mais exótico para onde ela estava se dirigindo, acabando por agravar a sua situação em vez de melhorar como desejava ao mudar de local.

Há alguns quilômetros de onde se encontravam, em Men-nefer (Menphis), capital do Império de Kemet, mais precisamente no complexo do palácio, Atemu estava em seu quarto, se deleitando com um servo que desejou ser tomado pelo monarca.