Notas da autora

No palácio, o Faraó...

No sepet (distrito)...

Yuugi acaba...

Capítulo 23 - Kisara

Deixando o seu servo dormindo na cama após cobri-lo, Atemu vai até o seu espaçoso e luxuoso quarto de banho. Ele havia pedido para que os outros servos enchessem a imensa banheira de contornos dourados antes do seu ato sexual.

Ele usa a sua magia para aquecer a água, relaxando em seguida ao encostar as suas costas conforme ministrava a dor em seu abdômen provocada pelo ato dele reter o seu prazer porque sempre era mais prazeroso quando ele o retinha o máximo possível.

Afinal, esse ato gerava um prazer imensurável quando se permitia liberar.

Claro que havia a dor abdominal, mas era algo pequeno se fosse considerar o prazer imensurável que sentia sempre que fazia isso.

Então, Atemu seca o seu corpo e põe um Shendyt simples enquanto que o seu Sennensui sempre ficava junto dele por precaução e enquanto se preparava para deitar no outro lado da cama, ele ouve um choro.

Rapidamente, o monarca sai do seu quarto e corre até um dos quartos ao lado do dele e ao entrar, observa Kesi se levantando da cama que ficava ao lado do berço real que era dourado, visando embalar o bebê que chorava a plenos pulmões.

Conforme ele havia decidido, há um ano, atrás, ela foi removida do seu harém e passou a ser a babá do príncipe, que naquele momento estava mexendo os seus bracinhos enquanto abria os seus pequenos lábios, mostrando plenamente o céu da sua boca conforme chorava.

A bronzeada não estava surpresa com a presença dele porque bastava o bebê chorar e Atemu era o primeiro a vir por causa do seu sono leve.

Rapidamente, ele pega o seu filho nos braços, ficando satisfeito ao ver que havia herdado os seus traços ao mesmo tempo em que pensava no fato dele não exibir nenhum traço da genitora e ao se lembra da sua esposa menor, se recorda do dia que ela morreu ao dar a luz. Os swnw (médicos) fizeram todo o possível para salvá-la junto do filho, mas somente puderam salvar o príncipe.

Por tradição, ele declarou um luto de dois dias pela morte dela enquanto segurava o seu filho nos braços, para depois, apresentá-lo ao seu povo no dia seguinte ao termino do ritual funerário.

Após ela ser mumificada, foi colocada em uma tumba ricamente adornada com todos os seus pertences pessoais, seda e joias para a sua vida após a morte, com o monarca percebendo que os servos e escravos exibiam uma imensa felisepet pela morte dela e não os condenava.

Ele havia descoberto após o início do boato dela possuindo relações com outros homens, que ela era uma megera e cruel com os servos e escravos, os maltratando quando estava mal-humorado ao descontar o seu humor neles, chegando ao ponto de ordenar punições injustas e cruéis, com o Faraó conseguindo parar essas punições ao retirar dela o direito de punir servos e escravos. Toda e qualquer punição devia passar pelo seu julgamento e ele determinaria se o servo ou escravo seria punido ou não, com ele fazendo questão que todos os soldados do palácio soubessem da sua decisão.

O soberano sai das suas recordações e começa a embalar gentilmente o bebê em seus braços, com a criança olhando atentamente para ele que sorria paternalmente, passando uma das suas mãos nos cabelinhos dele, com o pequeno começando a sorrir e a fazer sons inaudíveis, esticando os bracinhos para tentar pegar as suas franjas douradas e após alguns minutos, as pálpebras começaram a cair conforme se encolhia contra o seu genitor como se fosse a sua concha favorita.

Kesi se aproxima de ambos, sorrindo gentilmente enquanto Atemu se certificava de que o seu filho estava dormindo.

Então, eles viram para o lado, observando a ama de leite que havia acordado e que ao entrar no quarto e avistar o seu monarca, ela se prostra, para depois, perguntar humildemente:

- O Iry-pat (príncipe herdeiro) está com fome?

- Não. Pode dormir. – Atemu fala com a sua voz barítono e sem demonstrar emoção por causa da máscara do Faraó.

A mulher se ergue e curva em respeito, novamente, antes de se retirar para o quarto que ficava anexo ao quarto do bebê.

A bela bronzeada o viu fazendo alguns movimentos com as mãos, para depois, perceber que surgiu uma barreira translúcida que contornava todo o perímetro do quarto, com ela acreditando que era a prova de som para que ambos pudessem conversar normalmente, sem que a outra ouvisse o que eles conversavam.

- Agora podemos conversar normalmente, Kesi.

Ela consente sorrindo enquanto o soberano daquele império observava o bebê que ressonava tranquilamente em seus braços e conforme olhava para o seu filho, o monarca acaba se recordando do que se sucedeu quando ele nasceu.

Após cuidar pessoalmente dos procedimentos de mumificação da sua esposa, deixando para Shimon a organização da ida do corpo mumificado dela até a tumba destinada a ela, o Faraó se dirigiu com o seu filho em seus braços para que o seu genitor o conhecesse.

Mahaado, Seto, Jounouchi, Honda, Ryo e Mariku haviam decidido que iriam conversar com o amigo depois porque ele estaria ocupado cuidando de vários assuntos. Kesi o seguia por ser a babá do príncipe herdeiro enquanto que estava sendo escolhida uma mulher para amamentá-lo, uma vez que a mãe dele faleceu.

Após entrar no quarto, ele ouve as condolências de Akhenamkhanen pela perda da esposa menor do seu filho por desconhecer as atitudes que ela teve em vida porque desejava evitar qualquer desgosto ou pesar para não agravar o seu estado de saúde.

Afinal, as emoções e a mente tinham um grande efeito no corpo e o seu pai precisava ser poupado a todo o custo.

Então, Atemu apresenta o neto ao avô que o pega nos braços, chorando de felisepet enquanto tinha a ajuda do seu filho para erguê-lo, olhando com admiração para o pequeno ao mesmo tempo em que comentava do fato dele ter herdado muitas características de Atemu, o fazendo lembrar-se de quando ele era um bebê.

Após alguns minutos, embalando o príncipe em seus braços, o antigo monarca o entrega ao genitor, para depois, fechar os olhos enquanto caía na cama.

O monarca ia chorar quando se contém ao se recordar que ele não podia demonstrar emoção em público e apesar de fazer o possível para ocultar a dor e a tristeza em seu semblante, quem olhasse atentamente para os seus olhos, veria a dor e a tristeza profunda por baixo do seu semblante aparentemente implacável.

Atemu agradecia o fato de que os outros só podiam olhar para o rosto do soberano desde que fosse autorizado, fazendo com que precisasse apenas se concentrar em ocultar no seu rosto sobre um semblante impassível, a dor lacerante e a tristeza avassaladora que o tomava ao ver o estado convalescido e frágil do seu pai.

O bebê chora no colo do monarca ao mesmo tempo em que observava os médicos preparando medicamentos enquanto Akhenamkhanen tossia fortemente, o fazendo abrir lentamente os olhos e ao perceber que ele estava vivo, uma onda de alívio surge no corpo do soberano conforme via o seu genitor sendo colocado confortavelmente na cama, com as costas apoiadas no encosto da cama.

O ex-monarca olha para o seu filho e exibe orgulho em seu semblante porque notou que mesmo que os olhos traíssem a sua expressão, essa traição era quase invisível, a menos que olhasse atentamente para os olhos dele enquanto que o rosto nada demonstrava.

O soberano compreende o motivo do olhar de orgulho do seu genitor para ele e consente ao mesmo tempo em que evitava que o seu rosto demonstrasse surpresa.

Atualmente, conforme se recordava do seu pai quase morrendo, Atemu se recordou da fúria divina que infligiu à Akhenaden, o seu tio, por ele ter ocultado os detalhes do ritual para criar os Sete Tesouros, acabando por fazer o seu genitor clamar aos Deuses pela punição visando salvar o seu filho da fúria deles enquanto que deveria ter sido o seu tio a implorar pelo perdão aos Deuses, encarando a sua fúria divina e não o seu pai, que era uma vitima, como foram os moradores de Kul Elna.

O ardor da sua fúria que foi desabada no portador do Sennengan ocorreu na noite seguinte a sua coroação ao se dirigir até a câmara ocupada pelo Hem-netjr após Mahaado lhe contar tudo o que ele precisava saber. A fúria em suas palavras não era apenas pelo estado debilitado do seu genitor. Era ocasionado também pelas pobres vitimas de Kul Elna que tiveram mortes cruéis e igualmente hediondas.

O Faraó sentiu um prazer imenso ao se lembrar do semblante aterrorizado do seu tio que se encolhia apavorado contra a parede atrás dele, como se estivesse na presença de um leão feroz e brutal, temendo pela sua vida enquanto se encontrava encurralado, para depois, Akhenaden ter que lidar com a entrada abrupta do seu filho, Seto, na câmara por ter ouvido do corredor o que ele fez ao mesmo tempo em que descobriu que o homem a sua frente era o seu genitor e que Atemu era seu primo, com o portador do Sennen Shakujou percebendo que o monarca também havia ficado surpreso com a revelação dele ser o seu primo.

O soberano do império de Kemet se recordava do desespero suplicante na face do seu tio quando implorou ao seu filho que não o odiasse pelos seus atos em Kul Elna ao ver o jovem Hem-netjr demonstrando a mais pura repugnância e traição em seu semblante ao descobrir os requisitos para a criação dos Sete Tesouros e que o seu pai havia traído o seu irmão, Akhenamkhanen, ao ocultar a verdade, além de condenar noventa e nove inocentes a uma morte brutal e igualmente horrível ao atirá-los vivos no ouro derretido.

Após passar a surpresa estarrecedora pela revelação de Akhenaden sendo pai de Seto e sobre como se sucedeu a criação dos Sete tesouros, o portador do Sennen Shakujou fala friamente que o seu pai morreu na guerra e que não era nada para ele, além de um homem velho e hipócrita porque ensinava sobre as leis e justiça de Maa´t após ter praticado um crime tão abominável.

Então, sentindo prazer com as recordações do terror que o seu tio demonstrou ao encarar a sua fúria e posterior desolação pela fúria do seu filho que passou a olhar com repulsa para o mesmo, Atemu sai dos seus pensamentos quando Kesi fala:

- Creio que agora, podemos colocá-lo no berço.

O monarca olha para o seu amado filho que dormia placidamente e sorrindo, consente, depositando-o gentilmente no berço, para depois, cobri-lo com a manta enquanto a afofava, beijando gentilmente a testa do pequeno príncipe, para em seguida, se afastar do berço dourado.

- Eu compreendo que você queria se divertir, Atemu – Kesi havia sido autorizada por ele para usar o seu nome de nascença em vez de Atem, o seu nome público, em particular - Mas esse homem gritou bem alto pelo prazer que sentia. Ele ainda é um bebê, mas acho que seria bom começar a aplicar a sua magia para abafar os sons do seu quarto.

Ele suspira, para depois, acenar afirmativamente porque havia se esquecido desse detalhe em relação aos quartos. Se a pessoa gritasse muito alto, a voz chegaria até aquele quarto, mesmo com as paredes robustas.

De fato, o seu filho ainda era um bebê.

Porém, isso não justificava deixar que ele ouvisse sons inadequados a sua idade e ao pensar nisso, resolve que usaria uma magia para envolver todo o seu quarto para abafar os gritos.

- O seu filho é tão fofinho... Quero que saiba que quando ele crescer, eu quero ser aquela que irá ensiná-lo sobre os prazeres do sexo como eu fiz com você. – ela fala sensualmente juntamente com o seu tom brincalhão.

- Bem, isso seria complicado porque você é a babá dele e ele sempre a verá assim.

Ela coloca uma das mexas dos seus cabelos atrás das costas e fala, usando movimentos lânguidos:

- Isso não será um obstáculo porque o que importa é a diversão – a bronzeada fala sensualmente no ouvido dele, com as suas mãos vagando preguiçosamente em seu tórax.

- Você é impossível, Kesi. – ele fala, revirando os olhos, para depois, massagear as têmporas enquanto suspirava, arrancando um riso dela, com a mulher vendo um leve sorriso de divertimento nos lábios aristocráticos.

Então, ela o abraça sem segundas intenções ao mesmo tempo em que depositava um beijo no rosto dele, rindo baixinho para não despertar o bebê que ressonava tranquilamente enquanto Atemu abanava a cabeça para os lados após olhar para ela, com o seu sorriso aumentando, para depois, ele rir baixo com a sua voz barítono conforme falava:

- Só você mesmo...

- Você sabe o quanto eu adoro brincar.

- Sim, eu sei.

Então, eles conversam mais um pouco, antes de Atemu se afastar, afagando carinhosamente uma das bochechas do seu filho com o dorso dos dedos ao mesmo tempo em que murmurava para o seu filho:

- Boa noite.

Então, ele deposita mais um beijo paternal na testa do pequeno, enquanto sorria gentilmente, se afastando do berço, com a bronzeada sorrindo ao ver a bela cena na sua frente porque Atemu era um pai maravilhoso e levava muito jeito com as crianças. Era evidente o quanto amava o seu filho e que por ele, seria capaz de fazer qualquer coisa.

O monarca fala ao mesmo tempo em que observava a bela morena que estava deitando na cama:

- Boa noite, Kesi.

- Boa noite, Atemu.

Após se despedir dela, o Faraó desfaz a magia que envolveu o espaçoso e luxuoso cômodo, para depois, sair sem fazer qualquer barulho.

Depois que ele fecha as portas duplas, se dirige até o seu quarto.

O monarca era ciente que a parte da manhã do dia seguinte seria destinada a um ritual especial após o ritual diário que executava todas as manhãs em um dos templos e que a parte da tarde seria reservada para a preparação dele para a sua cerimônia de aniversário, fazendo-o suspirar enquanto se recordava que demoraria algumas horas para ele estar preparado para o evento que seria realizado a noite.

Desde o dia anterior, o rei havia sentido o dia inteiro, uma inquietação oriunda do seu Sennensui e que não era ruim e sim, o contrário, sentindo que era uma sensação maravilhosa de uma forma desconcertante e incompreensível.

Inclusive, ele estava tão imerso nessas sensações quando não estava cuidando dos assuntos inerentes ao seu império, que não havia visto o sorriso gentil de Isis após ela tocar o seu Colar das visões (Sennen Tauku) porque a Hemt–netjr havia tido a visão do seu monarca feliz e com alguém muito especial ao seu lado. Todos os Guardiões Sagrados, com exceção de Akhenaden, desejavam a felisepet de Atemu e que ele conhecesse o amor.

Algumas horas depois, ao pousar um pouco afastado da sepet, Yukiko cobre o corpo do seu amigo com um manto, o prendendo na cintura com uma corda, ela devolve a consciência à Yuugi ao despertá-lo enquanto se retirava para dentro dele, visando repousar, questionando a si mesma em desalento, quanto tempo iria demorar em ser capturado, de novo, como sempre ocorria e frente a esse pensamento, a meia dragoa bufa novamente.

Quando o adolescente despertou, passou a assimilar os acontecimentos através do fluxo de recordações dela para ele, desconhecendo o fato de que a sua amiga filtrava muitas coisas que ela fazia nesses momentos, somente fornecendo o básico para o jovem e que era modificado para se adequar a visão dele.

Após terminar a assimilação, compreendendo como foi parar naquele local e o que aconteceu a vila enquanto ficava feliz pela sua amiga ter salvado as pessoas, além de curar muitas outras com a sua magia, ele percebeu que trajava por cima da sua veste simples, uma espécie de manto comprido que a albina subtraiu da vila incendiada e que o cobria por completo, com a voz da sua amiga surgindo em sua mente, explicando o motivo dela ter pegado aquele manto, para depois, voltar a dormir.

Conforme refletia sobre as memórias que recebeu da dragoa, o jovem desconfiava que estas lembranças não eram totalmente fieis aos acontecimentos.

Quando Yuugi questionou Yukiko sobre essas memórias, percebeu a sinceridade nos orbes azuis quando ela falou que estava cumprindo a sua promessa e frente a esta constatação, o adolescente suspira aliviado, sabendo que não conseguiria questioná-la sobre os outros detalhes que ocultou dele porque ele já havia tentado e tinha fracassado miseravelmente em seu intento.

Agora, longe de onde estava originalmente, o adolescente de cabelos tricolores se encontrava triste porque não poderia mais jogar.

Afinal, o jovem amava jogar e adorava a sensação de derrotar o seu oponente, principalmente os nobres arrogantes que perdiam, não importando qual jogo propusessem a ele.

Então, conforme se aproximava das construções, o adolescente observa alguém pelo canto de olho.

Era uma jovem de cabelos prateados e olhos azuis com uma pele de marfim como a dele e que usava um tecido simples que era amarrado na cintura por uma corda fina, assim como ele utilizava por baixo daquele manto, com o dela se assemelhando a um vestido, fazendo-o questionar a si mesmo, se ela era uma escrava fugitiva.

Yuugi fica aflito ao ver que ela ia cair no chão de areia e rapidamente, corre até a jovem, a pegando gentilmente pelos seus ombros por ser menor do que era, fazendo com que apenas os joelhos dela tocassem o chão e não o seu torso e cabeça que haviam sido apoiados em um dos seus ombros, fazendo-a olhar para ele após se recuperar da súbita tontura que a acometeu. Era evidente a surpresa em seus olhos enquanto o adolescente a ajudava a sentar em uma das sombras que se projetava de um muro parcialmente destruído na periferia da sepet.

Então, ele fala sem jeito ao mesmo tempo em que corava ao vê-la olhando atentamente para ele por vários minutos, com a boca entreaberta:

- Bem, eu sou exótico. Mas você também é exótica, considerando as pessoas no nosso entorno.

A adolescente põe a mão na boca, corando levemente, para depois, falar envergonhada ao perceber que o havia encarado o tempo inteiro com a boca aberta:

- Eu peço desculpas por ter olhado para você dessa forma. É que eu nunca tinha visto alguém com uma pele como a minha. Por isso, fiquei surpresa.

- Eu também confesso que fiquei surpreso ao ver que a sua pele era como a minha. Qual é o seu nome?

- Kisara. E o seu?

- Yuugi.

- É um nome bem diferente.

- Na minha vila, em decorrência de certos fatos que aconteceram perante o meu nascimento, meus pais resolveram dar um nome distinto. Meu nome era estranho até entre o meu povo. – ele fala sem graça, coçando sem jeito a nuca.

- Oh! Mas eu acho legal. Quer dizer, é diferente. Pelo menos, não é como os outros.

- Bem, isso é verdade. Eu não tinha olhado por esse ângulo... Eu era sacerdote da minha vila, assim como os meus ancestrais. Eu somente me tornaria sumo sacerdote quando sucedesse o meu pai. E você?

A prateada estava incerta se deveria contar sobre a sua ascendência ser dos hekau khasut (hicsos), quando decide contar uma verdade parcial, omitindo o fato de ser filha da ex-princesa do seu povo que havia se fixado no Delta do Nilo e que após invadir Kemet, conquistando vários Sepet (distritos), foi derrotado e subjugado pelos keméticos que conseguiram reaver as suas terras de volta das mãos dos hekau khasut, considerados estrangeiros pelos Kemet juntando o fato de adicionar as terras do seu povo ao império de Kemet.

Os seus pais conseguiram fugir do palácio em Hut-waret, antes que fosse tomado pelas forças de Kemet. Com a ajuda de alguns soldados, eles conseguiram fugir com êxito do cerco a capital. O seu avô, o rei, ficou no palácio e foi morto em um duelo contra Aknamkanon enquanto que a sua avó havia falecido alguns anos antes da conquista do reino dos hekau khasut pelos keméticos.

- Minha aldeia foi destruída e eu fui uma das poucas sobreviventes. Eu tenho uma meia irmã chamada Nuru. Nós éramos grandes amigas. Um dia, os pais dela se mudaram da vila, alguns meses antes de sermos atacados por bandidos. Eu sinto a falta dela. Meu pai, Khyan, seduzia muitas mulheres e a minha mãe, Yanassi, assim como a de Nuru, foram algumas das conquistas dele. Ficamos apenas eu e a minha mãe quando ele abandonou a vila com a mãe de Nuru. A minha genitora foi morta no ataque enquanto que eu acabei escravizada. Porém, não fiquei muito tempo como escrava porque um jovem me libertou. Porém, a sua vila foi atacada por causa disso e eu tentei ir até ele ao ver a direção que havia tomado e ao constatar que era o das chamas, eu me desesperei. Então, eu me distraí e caí do cavalo, ficando inconsciente ao cair no chão. Eu acordei quando as chamas, ao longe, haviam diminuído de intensidade enquanto que o cavalo estava pastando em um Oásis não muito longe de onde eu estava. Rapidamente, galopei até a sepet e só encontrei a morte. Eu fiz um enterro simbólico e parti dali, sem rumo enquanto ficava triste pela morte daquele que me libertou. Aconteceram algumas coisas, como o roubo do meu cavalo. Eu passei a sobreviver buscando comida e água. Ás vezes, eu me aproximava das sepets em busca de água.

- Eu estou torcendo para que você reencontre a Nuru, algum dia. - ele fala enquanto sorria docemente.

- Muito obrigada. – ela agrade, sorrindo meigamente.

- A minha vila também foi atacada, mas o meu povo conseguiu fugir. Eu fiquei para trás por causa de uma amiga que lutava contra os invasores e...

"Yuugi-kun! Chega de ficar contando sobre a sua vida. Você vai acabar falando o que não devia. Não podemos confiar nela, ainda. Só conte o essencial!" – Yukiko exclama dentro da mente dele, fazendo o jovem gemer porque ela gritou bem alto e era o equivalente a gritar ao lado do seu ouvido.

Instintivamente, ele massageia o ouvido, com Kisara olhando de forma curiosa para o seu ato e quando Yuugi nota isso, o jovem começa a buscar uma desculpa para parar o seu relato porque não pretendia ficar surdo com os gritos regados a rugidos ensurdecedores, provenientes da sua amiga.

- Aconteceram algumas coisas após essa batalha... No final, eu acabei aqui. Eu vim de muito longe. O meu último dono morreu no ataque a uma vila.

- Ele era cruel?

- Não. Era somente áspero. Ele descobriu a minha vocação para os jogos e passou a lucrar, fazendo com que voltasse para a sua casa somente quando estava sóbrio e consequentemente, com ressaca, fazendo com que eu precisasse cuidar da ressaca dele nesses momentos. Contando que eu o obedecesse, não haveria motivo para sofrer uma punição. Eu nunca tive problemas em seguir ordens. Ademais, ele me inscrevia em jogatinas e eu sempre vencia todos os jogos. Fiquei conhecido como o Rei dos Jogos e isso era bom, sabe? - ele termina o final, sorrindo imensamente.

- Bom em que sentido? - ela pergunta arqueando o cenho.

Yuugi estava prestes a consentir quando a voz de Yukiko surge em sua mente:

"Olha, quer mesmo arriscar que ela seja escravizada?"

"Como assim?"

A dragoa revira os olhos, bufando, para depois, falar:

"Ora, você sempre acaba escravo, assim que eu liberto você. Logo, se ela andar com você, quais são as chances dela ser escravizada?"

A jovem vê o seu novo amigo ficar cabisbaixo, para depois, falar:

- Eu sempre acabo escravizado, novamente, após conseguir a minha liberdade. Aí, quando eu me liberto, eu acabo escravizado, de novo. Se ficarmos juntos, você poderá acabar sendo escravizada, também. - Yuugi fala tristemente.

Kisara sorri gentilmente ao ver a preocupação do seu amigo e fala:

- Bem, eu já acabei escrava. Algumas vezes após aquele jovem me libertar na primeira vez – ele olha surpreso para ela – mas, por algum motivo que eu não compreendo, quando eu acordava, o meu dono não estava ali, nem os seus companheiros. Inclusive, tudo o que restava eram crateras. Isso é estranho, né? Você está com medo de mim?

A prateada pergunta o final em um tom de hesitação porque temia que Yuugi se afastasse dela por causa dessa ocorrência.

Portanto, ela fica surpresa ao notar que ele sorria docemente, a surpreendendo, para depois, falar:

- Não estou com medo. Nós podemos ser amigos. O que acha? – ele pergunta, sorrindo gentilmente.

Kisara sorri enquanto consentia.

- Somos exóticos e com certeza, seremos um alvo tentador. Mas, talvez, ficando juntos, tenhamos alguma chance de fugirmos. Ademais, sempre estive sozinha. Você quer ser o meu amigo, mesmo após eu falar sobre as crateras misteriosas?

- Claro! - Yuugi dá o seu usual sorriso radiante e adorável enquanto consentia.

Eles começam a conversar, apreciando a companhia um do outro ao mesmo tempo em que estavam sentados sobre a areia e de baixo de uma sombra quando ele ouve a voz da sua amiga na sua mente:

"Eu sinto que a Kisara-chan tem um ser dentro dela. Talvez, esse ser aja quando ela está inconsciente. Pergunte se isso ocorre quando ela perde a consciência ou dorme."

- Kisara?

A prateada olha para ele, virando a cabeça para o lado enquanto exibia um semblante curioso.

- Isso sempre ocorre quando você dorme ou está inconsciente? - ele pergunta inclinando a cabeça fofamente para o lado.

Ela fica pensativa e depois consente, falando:

- Sim. Da última vez, o meu dono me deu um tapa tão forte que eu fiquei inconsciente. Outra vez, eu fui punida com chicotadas e fiquei inconsciente. Nas outras vezes, ocorreu enquanto eu dormia. Por que pergunta?

- Bem... Eu acho que você deve ter um ser dentro de você e que só assume o controle quando você fica inconsciente.

A prateada fica estarrecida e depois, murmura apavorada:

- Eu tenho um monstro?

- Eu não acho que ele seja um monstro. Eu posso estar falando uma besteira, mas eu tenho a sensação que ele ou ela a protege. Isso é diferente de ser um monstro cruel. Então, eu não acho que ele seja maligno. Ademais, algum inocente foi ferido?

- Não. Todos eles eram malvados e conforme eu me lembro, havia uma sepet perto de onde eu estava uma vez e ela estava intacta quando eu acordei.

- Isso só mostra que não é maligno e que deseja, apenas, protegê-la.

- Bem, o que você disse, tem lógica. Se for assim, por mais que essa ideia me assuste, eu fico aliviada dele não ser cruel.

"Ele não é cruel, né?" – Yuugi pergunta mentalmente a sua amiga, visando alguma confirmação do que ele disse porque havia falado aquilo ao sentir essa sensação vindo dela.

"Eu acho que não. Eu sinto que é como se fosse uma luz. Não acho que um ser maligno teria tanta luz porque se fosse maligno, teria as trevas e não a luz como companhia."

Então, eles se afastam da sombra e passam a andar pelo sepet, com O jovem de cabelos tricolores mentalmente a sua amiga:

"Uma coisa que eu não havia percebido, pelo menos, até agora. Como eu posso compreender o que ela fala? Eu não acredito que a Kisara fale o meu idioma nativo, assim como os outros. Ademais, eu sempre fui capaz de compreender e falar qualquer língua porque acredito que o idioma da minha vila natal não era comum."

Ele ouve um leve riso dela que fala após alguns minutos, com Yuugi dividindo a sua atenção entre a dragoa e o que acontecia no entorno, conforme caminhava.

"É interessante o fato de que você não havia notado, ainda. O motivo de você compreender qualquer idioma é porque eu consigo compreender qualquer língua. Por isso, eu consegui conversar com você quando nós conhecemos. Como estamos habitando o mesmo corpo enquanto que não compreendo, ainda, a técnica que usei inconscientemente em meu desespero para salvar a sua vida, eu notei que consegui compartilhar algumas das minhas habilidades com você. A capasepet de compreender e falar qualquer idioma foram uma das habilidades que você herdou."

"Quais outras habilidades eu herdei?"

"Você tem resistência, velocidade e sentidos sobre-humanos. Nada excessivo, mas é consideravelmente um pouco superior ao que você esperaria de alguém da sua estatura. Há também o processo de cicatrização que é um pouco mais rápido que o usual, não sendo nada extremo. Você apenas se recupera um pouco mais rapidamente que os outros humanos."

"Sentidos? Tal como os nossos cinco sentidos?"

"Mais especificamente, a audição e o olfato."

"Eu não sinto qualquer diferença no meu olfato e audição."

"Não é no mesmo nível do meu. É um pouco mais refinado que o de um humano. Você os selou de forma inconsciente. Eu acredito que quando você tiver uma real necessidade ou intuição para usá-los, você será capaz de acessá-los, inclusive, de forma inconsciente."

"Isso é legal."

"Eu sabia que você ia gostar"

Então, ele sai de sua mente ao ver que se aproximam de uma casa, com ele passando a pedir água junto de sua amiga, com ambos sendo empurrados ou agredidos por causa da pele exótica deles porque o manto deles revelavam um pouco da sua pele e não a sua aparência. Os aldeões atiravam pedras, com o adolescente buscando protegê-la.

Algumas horas depois, ambos estavam fugindo do cerco de vários aldeões que começaram a apedrejá-los, principalmente Kisara. Ele havia pegado ela pelo punho para puxá-la junto dele e ao virarem uma esquina, eles acabam cercados novamente, com as pessoas voltando a apedrejá-los, com Yuugi tentando usar o seu corpo como escudo enquanto Yukiko rugia em seu interior conforme era tomada pela fúria, desejando estraçalhar todos aqueles que os apedrejavam.