Notas da autora

Isis revela...

Seto encontra...

Yuugi e Kisara acabam...

Na cerimônia de aniversário de Atemu...

Yo!

Eu quero explicar que para essa fanfiction usei o conceito de escravidão de outros países e não do Egito antigo, sendo o mesmo para o harém.

No Egito Antigo, a escravidão não era em termos de propriedade ou servidão forçada.

Inclusive, é difícil pesquisar sobre isso em decorrência do fato das palavras escravos e servos serem semelhantes.

Inclusive, a palavra Hem é usada para servos, escravos, trabalhadores e até sacerdotes, como a palavra Hemt–netjr (sumo sacerdote e chefe do templo), tradzido como "servo/escravo dos Deuses". O feminino de Hem era Hemt.

No Egito antigo não havia mercados de escravos como eram em outros reinos onde escravos eram vendidos nas ruas, fosse de forma direta ou por leilão. A escravidão por dívida compreendia relações privadas e igualmente documentadas com a dívida e os serviços que seriam prestados como pagamento e que eram realizadas entre os clientes, conselhos locais ou escritórios de funcionários. Todos os homens, mulheres e crianças precisavam estar documentados com o seu nome, talentos especiais e etc. Após o pagamento da dívida, a escravidão/servidão era encerrada, com a liberdade sendo devolvida de acordo com os documentos.

Portanto, a escravidão que não era regulamentada ou aquela oriunda de sequestro era ilegal e passível de punição, além de serem desaprovadas pela sociedade egípcia.

Inclusive, nesses casos, as famílias dos que foram escravizados podiam exigir o retorno dos seus familiares escravizados como forma de compensação.

Quanto a escravidão infantil, as crianças eram proibidas de realizar trabalhos manuais.

No tocante abuso sexual em escravos, estes casos eram muito raros e o estupro era considerado um crime hediondo, fosse a vitima um egípcio livre ou um escravo, além de ser condenado pela sociedade e igualmente desaprovado porque se a mulher engravidasse, perturbaria a paz na casa. Para os egipicios, a casa era considerada sagrada.

Quanto as concubinas, mesmo sendo frequentemente negociadas como presentes entre governantes, todas as mulheres e homens que compreendiam esse grupo escolheram por si mesmos essa vida, fazendo com que fossem treinados de forma semelhante a prostituição moderna, além de não possuírem a estigma associada a essa função ao contrário de outros países, além de serem em melhores ambientes.

No Egito antigo havia três tipos de escravidão:

— Escravos por dívidas compreendiam homens e mulheres que vendiam a si mesmos e a família à escravidão para pagar a dívida e eram libertados, assim que o trabalho fosse concluído. Essa escravidão compreendia relações privadas e igualmente documentadas com a dívida e os serviços que seriam prestados como pagamento eeram realizadas entre os clientes, conselhos locais ou escritórios de funcionários. Todos os homens, mulheres e crianças precisavam estar documentados com o seu nome, talentos especiais e etc. Após o pagamento da dívida, a escravidão/servidão era encerrada e a liberdade era devolvida de acordo com os documentos.

— Prisioneiros/cativos de guerra não se encontravam em melhor situação do que os servos pessoais comuns. Eles eram integrados em grupos menores e colônias, fazendo com que se tornassem parte do império, além de poderem ser dados aos templos, como recompensas aos soldados por um bom serviço prestado ou criados como servos no palácio. Quanto às condições de vida e direitos, eles eram muito semelhantes aos das pessoas livres e comuns.

Inclusive, podiam possuir propriedade, além de deterem direitos como os civis, trabalhando em varias posições que iam desde empregados domésticos até assistentes do governo.

Ademais, muitos destes que compreendiam cativos estrangeiros, se fossem empregados ou pertencessem a famílias influentes e/ou de elite mais ricas ou até mesmo ao próprio Faraó, conseguiam ascender facilmente em seu status, acabando por serem frequentemente melhores do que a maioria das pessoas comuns em decorrência do fato de viverem dos bens dos seus mestres juntamente com o acesso a todos os benefícios de acordo com o seu trabalho e posição.

Ademais, contrariando a visão de outros povos e contraditório às crenças populares adotadas em vários países, estes escravos eram demasiadamente apreciados em virtude da cor da pele ser diferente, com eles sendo vistos como parte da sociedade egípcia.

— Escravos criminais: esse grupo compreendia egípcios livres que cometeram um crime e como punição, foram transformados em escravos . Ao contrário dos escravos dos templos, escravos de dívida e dos prisioneiros de guerra, eles eram tratados muito mal pela sociedade porque todos estavam cientes da condição de criminosos deles.

Quanto ao harém no Egito antigo, ao contrário da visão ocidental, ele era um espaço no palácio destinado as mulheres que compreendiam esposas, além da Grande esposa real, compreendendo também as esposas de funcionários e crianças. Era chamado de Ipet-nswt.

Inclusive, no final da tarde, elas iam para casa junto dos seus maridos com os seus filhos.

Ou seja, não era um local destinado a escravas sexuais e prostituas como era em outras culturas.

Como podem ver, no conceito escravidão e harém, acabei usando o ocidental e não o egípcio. Mas, na próxima fanfiction, usarei a visão da escravidão/servidão e do Ipet-nswt.

Eu tive motivos para adotar a visão de outras culturas.

Tenham uma boa leitura. XDDD

Capítulo 25 - Presente ideal

- Como era essa visão?

- Foi difusa. Eu vi dois dragões. Um era branco e peludo. O outro não era peludo e era prateado. Ambos tinham olhos azuis. Também vi alguém que lembrava o Per'a'ah, mas não era o Per'a'ah. Havia uma jovem de cabelos prateados também. Acho que esses dois eram escravos. Não consegui ver nitidamente a visão e a última coisa que eu vi foi o Per'a'ah se levantando e depois, os três Deuses egípcios.

- Isso vai acontecer durante a cerimônia de aniversário?

- Eu acho que sim. – ela fala preocupada – Nós devemos avisar o Per'a'ah.

- Depois. Primeiro, devemos avisar os outros Guardiões Sagrados. Seto já voltou do mercado? Afinal, ele é o braço esquerdo do Per'a'ah.

- Ainda não. Ele disse algo sobre comprar um presente ao Per'a'ah como manda a tradição, uma vez que receberá vários presentes. Eu tenho um presente para o nosso soberano.

- Eu também tenho o meu. Estou curioso sobre o presente dele.

- Acho que todos os outros estão curiosos também. Ele disse que queria um presente exótico.

- "Exótico"?

- Sim.

Longe dali, mais precisamente em um leilão no mercado da capital do império, o Guardião Sagrado Seto estava sentado na área própria para nobres, com os seus soldados junto dele. Ele havia decidido dar um escravo pessoal para o seu primo, uma vez que todos os outros dariam objetos. O Hem-netjr quis ser original no sentido de conseguir algum escravo exótico e após vários minutos, começou a se arrepender da sua decisão porque todos que haviam sido mostrados estavam em mal estado e não eram distintos. Era o mesmo em outros leilões que havia frequentado anteriormente, levando-o a questionar se devia ter pensado em um presente reserva, caso não conseguisse o que desejava.

Assim, ele não teria ficado exasperado ao ver que não conseguia achar nenhum que se enquadrava na sua concepção de exótico.

Na área atrás do palco, Yuugi e Kisara haviam recobrado a consciência e o jovem estava preocupado com a sua amiga Yukiko porque conseguia, apenas, sentir a consciência dela ou mais precisamente os seus pensamentoss. A única coisa que havia compreendido era que o objeto em seu pescoço estava bloqueando ela e de uma forma incompreensível para ele.

O adolescente de cabelos tricolores podia sentir a fúria e o desespero dela, tanto por ele, quanto pela prateada, com o ex-sacerdote acreditando que a sua amiga estava fazendo de tudo para tentar driblar a coleira ou transpassá-la.

Enquanto isso, os olhos ametistas olhavam para os orbes azuis da prateada de forma encorajadora enquanto dava a sua mão a ela que correspondia. Era visível o leve tremor que a acometia, com o jovem forçando um sorriso gentil para a garota, conseguindo acalmá-la gradativamente.

Alguns minutos depois, após Kisara ter se acalmado, a calma entre eles foi quebrada abruptamente quando o captor deles apareceu na frente deles, aterrorizando os dois, para depois, explicar sobre a coleira mágica que utilizavam. Ele usou como exemplo a punição dada pelo objeto ao ordenar algo impossível a ambos, fazendo-os ser eletrocutados por alguns segundos até a punição cessar, com ele cancelando a ordem enquanto gargalhava de deleite ao ver o semblante de dor e terror deles que se encolhiam contra as barras de trás de suas gaiolas ao mesmo tempo em que Yukiko rugia de fúria, pois havia sentido a dor do seu amigo.

- Senhor?

O líder para de gargalhar e arqueia o cenho para um dos seus subordinados.

- O que é?

- Temos um dos Guardiões Sagrados do Nsw-bity (Rei do Alto e Baixo Egito) na plateia.

- O quê?! É serio?!

Rapidamente, ele sobe na ponta do palco e dirige o seu olhar para onde o dedo do seu empregado apontava, percebendo de imediato que o Hem-netjr estava aborrecido e que parecia estar prestes a se levantar.

Prontamente, o homem agarra a gola do seu subordinado, o arrastando até a altura do seu rosto, demonstrando um semblante furioso ao ponto de quase rosnar.

- Quem mandou mostrar os nossos produtos medianos e inferiores para alguém como ele? Devemos mostrar os nossos melhores produtos! Os nossos melhores são eles – ele aponta para Yuugi e Kisara que estavam aterrorizados – Comece oferecendo a prateada e pelo maior valor! Depois, oferte o garoto! Para pessoas como ele, devemos mostrar os nossos melhores produtos, seu idiota!

Ele o solta no chão bruscamente, fazendo-o cair, para depois o mesmo consentir freneticamente ao olhar a carranca de profunda ira do seu chefe.

Rapidamente, ele vai até a jaula da prateada, amarrando uma corrente na coleira dela, além de prender os seus punhos e tornozelos com argolas de ferro, puxando-a em seguida com força sobre indignação do amigo dela ao vê-la tropeçar e cair no chão com o puxão violento que recebeu.

- Ei! Pare com isso!

O grito do jovem chamou a atenção do líder que viu a garota caindo no chão, para depois, se levantar com dificuldade, fazendo-o bufar de raiva e caminhar até o seu empregado, que por sua vez, se encolhia ao ouvir o seu chefe esbravejando com ele:

- Ela é uma mercadoria de excelente qualidade, seu imbecil! Tome cuidado! Ela não pode ter qualquer dano!

Ele pede perdão ao seu líder e a puxa para o palco após ser vendido o escravo que estava sendo anunciado anteriormente, com o leiloeiro indo até o homem que trazia a jovem e que transmite as ordens do chefe deles.

Nas arquibancadas, mais necessariamente na parte da frente, Seto estava se preparando para se levantar, visando se dirigir a outra tenda para procurar algum escravo exótico, quando detém o seu passo ao olhar para o palco onde era trazido um novo escravo.

Ele fica em uma perda de palavras ao ver a bela mulher que subia ao palco possuindo algemas em seus punhos e pés, além de usar uma espécie de coleira bem estranha na cor dourada e com hierógrifos e sua superfície, com ele não conseguindo ler as inscrições porque precisaria se aproximar para lê-las.

Seto percebeu que a jovem estava desnutrida e desidratada, além de exibir cansaço extremo e tinha absoluta certeza de que teria desmaiado se não a estivessem puxando pela sua coleira. Mesmo com a cabeça abaixada, ele podia perceber o medo dela e não a condenava.

Inclusive, ao olhar para a platéia, percebeu o olhar faminto e extremamente luxurioso deles para ela, fazendo-o cerrar os punhos enquanto lutava arduamente contra o desejo de escorraçá-los do local por ficarem olhando daquela forma para a bela mulher no palco ao mesmo tempo em que estranhava a possessividade que surgia nele.

- Vejam que belíssima escrava! Ela tem uma pele exótica e lindos olhos azuis. Ela é virgem também. Os senhores devem ter notado essa coleira distinta. O motivo dela usar esse objeto mágico é por causa da magia que ela possuí. Essa coleira impede que a magia seja utilizada contra o mestre ou contra quem mais ele ordenar, além de obrigá-la a obedecer à ordem do seu proprietário sobre risco de punição. Atualmente, eu bloqueei a sua magia. Mas quem quiser ver, basta definir como e onde pode ser usado os seus poderes.

Então um murmúrio se instaura entre eles enquanto que Seto estava fascinado.

Afinal, havia achado era linda e com certeza iria comprá-la. Saber que a garota tinha magia, com isso sendo algo raro, a tornava mais especial ainda juntamente com a aparência exótica. Ele sentia que precisava tê-la para si e a sua possessividade perante a bela prateada lhe deixava desconcertado.

Então, os lances começam e o Hem-netjr cobre todos eles até que ela é vendida para ele.

Enquanto isso, Kisara, ainda estava apavorada, temendo pelo seu destino e do seu amigo. Mesmo não compreendendo o que eram os olhares luxuriosos direcionados para ela, a jovem sentia um forte pavor tomá-la frente a aqueles olhares desconhecidos devido a sua inocência.

Mesmo no final do leilão, a garota não ousou erguer os seus olhos porque temia ver o mesmo tipo de olhar desconhecido que a aterrorizava nos olhos do seu dono, além de não ter pressa em saber quem seria o seu proprietário enquanto orava aos Netjer (Deuses) em pensamento que não fosse alguém cruel e que não tivesse a intenção de estuprá-la. Quanto a este último pensamento, não lhe restava tanta esperança porque a sua aparência era a sua perdição, na sua visão e enquanto era levada do palco, ela olha para Yuugi que era o próximo e derruba uma lágrima.

Afinal, acreditava que nunca mais o veria ao mesmo tempo em que temia pelo destino do seu amigo.

A prateada fecha os olhos e contém as lágrimas que desejavam brotar dos seus orbes azuis ao imaginar perdendo o jovem, assim como havia perdido a sua meia irmã, Nuru. Ela não queria perder os seus queridos amigos ao ser levada para longe deles ou por eles serem levados para longe dela.

Um dos encarregados do leilão vai até o sacerdote e após se curvar, pergunta:

- Deseja que a levemos ao palácio?

Ele ia falar que a levaria naquele momento, mas decide que gostaria de mostrar a todos a beleza exótica que adquiriu, com ele conhecendo o momento ideal e ao comunicar a sua decisão, o homem consente.

Afinal, Seto precisava voltar ao palácio para organizar alguns itens e por isso, não teria tempo para acomodar a sua nova aquisição, somente tendo algum tempo para ela durante a cerimônia.

Então, o Hem-netjr pensa consigo mesmo enquanto Kisara era levada para ser separada, visando ser entregue mais tarde.

"Será que eu conseguirei encontrar outra escrava exótica? Não quero entregá-la ao meu primo. Eu a quero para mim."

Então, Yuugi é puxado para o palco através das correntes presas a sua coleira dourada, com Seto notando que era igual ao da escrava e arqueia o cenho direito ao vê-lo melhor, percebendo o quanto era exótico, além do fato de se assemelhar ao seu primo, no quesito cabelos pontudos e tricolores, deixando-o estupefato.

Claro, havia algumas diferenças, como as cores das bordas dos cabelos espetados serem ser da cor roxa e de contorno suave junto do fato de possuir menos tufos de cabelos espetados adicionais enquanto que a sua franja dourada não era espetada porque a dele emoldurava o seu rosto em forma de coração e de traços suaves. Havia também a diferença cor da pele, com a dele sendo de marfim, nos olhos que eram grandes e expressivos possuindo a cor de uma ametista junto dos traços suaves que junto da sua baixa estatura, davam uma beleza angelical e uma aparência delicada, além de fazê-lo julgar erroneamente que aquele escravo devia ser uma criança, ainda, pelos olhos expressivos e estatura pequena, juntamente com o físico aparentemente delicado.

Ademais, além da cor exótica da pele, os olhos dele eram como duas ametistas. Os olhos de gema preciosa o tornavam ainda mais exótico, ainda mais pelo fato da ametista ser considerada uma joia preciosa em Kemet (Egito), além de ser uma joia associada aos Per'a'ah e conforme analisava o escravo a sua frente, percebia que havia encontrado o presente perfeito para o seu primo.

O Hem-netjr exibe um sorriso jubiloso por ter encontrado o que veio procurar, digerindo a surpresa por ter encontrado escravos exóticos considerando o nível daquele leilão, pelo menos, até o surgimento da prateada que parecia atraí-lo intensamente.

Ademais, os olhos dele descansaram na coleira dourada com hieróglifos egípcios, fazendo-o questionar a si mesmo se ele tinha magia porque era algo demasiadamente surpreendente, embora ele preferisse ouvir o leiloeiro para confirmar se de fato, era a mesma coleira.

Enquanto Yuugi estava no palco, a meia dragoa estava furiosa porque não havia conseguido trocar de consciência por ser repelida pelo item ao mesmo tempo em que havia percebido que poderia subjugar aquela coleira desde que usasse uma força violenta e o motivo de não ter feito isso, foi porque temia as consequências ao seu amigo caso forçasse a destruição da mesma.

Afinal, Yukiko não queria arriscar a vida dele.

Claro, havia como driblar o item, mas a albina sentia que demoraria algum tempo para subjugar o objeto o suficiente para trocar de mente com ele sem arriscar a vida dele.

Inclusive, com este pensamento em mente, ela vinha trabalhando freneticamente nisso enquanto rosnava furiosa, desejando destroçar aquele que os capturaram.

Enquanto isso, Yuugi se sentia mal pela sua amiga, que por sua vez, suspirava ao sentir os pensamentos dele, com Yukiko conseguindo, apenas, transmitir o seu pensamento ao seu amigo:

"Procure seguir todas as ordens para não ser punido. Enquanto isso, eu vou trabalhar para subjugar esse objeto. Eu acredito que irei conseguir subjugá-lo - ela fala, demonstrando determinação em seu semblante e voz - Mas vai demorar algum tempo. Portanto, evite ser punido. Sentir o seu sofrimento é o pior tipo de tormento para mim."

"Eu prometo, Yukiko-chan."

Desde que eles despertaram e descobriram a limitação imposta pelo objeto, o jovem lutava para acalmá-la embora estivesse nervoso também enquanto agradecia o fato de ainda poder conversar com ela.

Após ser puxado, ele fica cabisbaixo enquanto Yukiko estava furiosa e igualmente apavorada, rosnando furiosamente conforme mostrava as suas presas alvas e afiadas ao mesmo tempo em que as suas garras, que lembravam diamantes, rasgavam o chão, com ela brandindo o seu porrete na ponta da cauda como um chicote junto do ato de esticar ao máximo a envergadura das suas asas, para depois, flexioná-las rente ao seu corpo massivo e peludo.

A meia dragoa odiava com todas as suas forças a limitação imposta pelo item mágico porque temia não ser capaz de protegê-lo, assim como odiava a incapacidade de proteger Kisara, de alguma forma porque que havia jurado a si mesmo que na pior das hipóteses, caso o novo proprietário do seu amigo fosse cruel ou tentasse estuprá-lo, Yukiko iria forçar a sua saída e se Yuugi acabasse morto no processo, ela mataria todos os envolvidos enquanto procuraria libertar a prateada, caso a jovem estivesse por perto, para depois, destruir o local, arrasando tudo em seu caminho ao despejar a sua dor e fúria.

Então, depois de se vingar de todos e despejar a sua fúria, caso a prateada não estivesse próxima, ela caçaria quem a havia comprado e o mataria, a libertando, para em seguida se matar porque não suportaria viver com a morte do seu amigo, uma vez que teria ocasionado a sua morte ao forçar a sua saída.

Enquanto estava no palco, muitos olhavam com cobiça para Yuugi que não viu tais olhares por achar mais interessante olhar para os seus pés enquanto se sentia mal por sempre acabar como um escravo após a sua amiga libertá-lo, fazendo com que concordasse com as reclamações dela em relação a tendência que ele tinha de acabar escravizado.

- Esse escravo é intocado e distinto! Devemos concordar que ele é demasiadamente exótico e usa a mesma coleira da outra escrava em decorrência da sua magia e prefiro não lidar com isso. Tal como o outro item homólogo a este, o dono poderá definir se deseja ou não que ele use magia e como porque são coleiras mágicas. Os princípios para ambos são os mesmos!

O fato de ter magia também deixou Seto curioso porque possuir magia era algo raro.

Inclusive, muitos estudavam e treinavam arduamente para conseguir usar alguma magia e eram poucos os que conseguiam essa proeza.

Portanto, ver dois escravos terem tanta magia que era preciso uma coleira mágica para contê-los era no mínimo surpreendente e chegava a ser impossível.

Assim como foi com Kisara, ele cobre todos os lances e vence o leilão, ordenando que ambos fossem entregues ao palácio na parte da noite, para depois, se retirar do local seguido pelos seus soldados porque precisava cuidar de algumas coisas para a cerimônia à noite enquanto se vangloriava de ter conseguido um presente distinto para o seu primo ao mesmo tempo em que mimava a si mesmo com uma escrava exótica, possuindo a absoluta certeza que despertaria a inveja em muitos e mal via a hora de exibi-la.

Após Seto sair, o leiloeiro ainda estava maravilhado pelo valor que recebeu por ambos e ficou ainda mais surpreso ao ver que a jovem ia para o Hem-netjr Seto e o escravo para o próprio Per'a'ah como presente, fazendo com que comunicasse esse fato ao seu chefe que fica maravilhado com o valor que conseguiram com cada um deles.

Então, conforme ele olhava para ambos que estavam separados dos outros que ainda iriam para a venda, decidiu que queria impressionar o próprio Hem-netjr e o Per'a'ah.

Portanto, para conseguir cumprir com o seu intento, ele não podia dar escravos que não sabiam como se portar e com esse pensamento em mente juntamente com o fato de que somente iria entrega-los à noite, decidiu que iria educa-los para serem escravos obedientes e submissos, ou seja, escravos exemplares ao mesmo tempo em que era ciente de que precisaria ser bem ríspido para discipliná-los em um curto período de tempo.

Após ordenar que não fosse incomodado pelo resto do dia, ele puxa Kisara e Yuugi pelas correntes para discipliná-los, tomando o devido cuidado de separar um chicote diferente que provocava grande dor, mas que não deixava marcas visíveis porque o maior dano era nos músculos.

Afinal, como eles não pertenciam mais a ele, o homem não podia entregar uma mercadoria danificada, uma vez que estavam intactos no momento da compra.

Enquanto era puxado, o adolescente de cabelos tricolores ameaçou olhar para cima e ao fazer isso, ficou apavorado com o olhar cruel que viu no semblante do homem que exibia um sorriso quase que demente. Era o mesmo para Kisara que arregalou os olhos enquanto tremia. Yukiko também ficou apavorada ao ver através dos olhos do seu amigo, o olhar e sorriso, para depois, ficar furiosa em decorrência do fato de não poder trocar de lugar porque ela era mais resistente do que o seu amigo e por isso, temia o estado que ele ficaria após a disciplina.

Inclusive, a albina sentia que o seu ódio estava chegando a um nível inimaginável ao mesmo tempo em que temia pela prateada também, sentindo o forte terror dela através da pulseira e que possuía a mesma intensidade do terror do jovem de cabelos tricolores.

Após entrarem em uma das tendas, começou o treinamento brutal e era possível ouvir os gritos de dor deles e que eram estarrecedores enquanto Yukiko chorava em pura fúria. A meia dragoa estava irada não somente pelo que o homem fazia com os seus amigos. Ela se encontrava furiosa consigo mesmo em virtude de sua incapacidade de protegê-lo ao mesmo tempo em que chorava pelo sofrimento que ele estava passando porque não sabia até quando iria a resistência dele, antes que quebrasse e temia não ser capaz de juntar os pedacinhos depois. A labina também se deprimia pela prateada que não estava em melhores condições.

Dentre o seu desespero, ela consegue emanar um pouco de sua magia por uma das fissuras do bloqueio após várias tentativas desesperadas e com esse pequeno poder, a albina torcia para que conseguisse resguardar um pouco da mente de Yuugi e de Kisara embora ela acreditasse que se conseguisse algo assim, seria um verdadeiro milagre enquanto tentava criar desesperadamente mais fissuras conforme sentia as ondas de dor que eram oriundas de ambos.

Dentre a sua fúria, ela esperava conseguir algum meio mais tarde de selar as lembranças de ambos embora não soubesse como poderia fazer isso e se conseguiria fazer algo assim.

Mesmo assim, a albina sabia que precisava encontrar alguma forma de selar por completo estas lembranças para permitir uma vida normal a eles quando conseguisse quebrar ambas as coleiras usando a sua feroz determinação.

Várias horas depois, a noite cai em Kemet e começa a cerimônia de aniversário de Atemu após cumprir o ritual na parte da manhã enquanto que os outros Guardiões Sagrados estavam curiosos para saber qual presente Seto comprou para o monarca porque ele apenas havia comentando que era distinto, fazendo-os se entreolharem.

Então, com todos os convidados no salão, os portões duplos que davam acesso ao interior do palácio são abertos, revelando os Guardiões sagrados com os seus respectivos Sennen Aitemu (itens do milênio), com guardas os escoltando, para depois, se dividirem a direita e a esquerda do trono do Faraó, seguidos pelo imi-r ḫtmt (superintendente do selo) Diiva, que era o tesoureiro real. Ao lado dele, se encontrava o General dos exércitos e Superintendente do Medjay, Rishido.

O Conselheiro real e o tjaty (Vizir), Shimon Muran, estava no lado direito do trono, com o Escriba real próximo dali, sentado em uma mesa com uma cadeira, começando a escrever efusivamente, com o suave som da caneta de junco percorrendo a superfície do papiro conforme o Escriba real escrevia em sekh - shat, que era a escrita demótica usada para escrever em documentos, junto dos seus servos que iriam auxiliá-lo no fornecimento de papiro, guardando os que forem escritos e abastecendo o seu tinteiro.

Após os Guardiões sagrados se posicionarem em forma de leque em torno do trono que ficava elevado, com o tesoureiro real e general tomando os seus respectivos lugares, os guardas do salão batendo a ponta de baixo das suas lanças no chão, fazendo ecoar um som seco e alto, anunciando a entrada eminente do Deus deles.

- Ajoelhem-se diante de sua santidade e governante supremo de Kemet, descendente dos Netjer (Deuses) e o próprio Netjer na terra. Kanakht Merimaat Wasermaar-ré Setepenré Sa-Ré Atemu Meri-ré (O touro poderoso amado de Maat Poderosa é a justiça de Rá O escolhido de Rá Filho de Ra Atemu. O amado de Rá) Nsw-bity (Rei do Alto e Baixo Egito) Atem! - Shimon exclama ao mesmo tempo em que as imensas e imponentes portas duplas do salão são abertas pelos guardas que se encontravam de prontidão em ambos os lados das portas.

Todos aqueles que se encontravam na festa fazem o que lhes foi dito, com os nobres estrangeiros fazendo uma mesura ao mesmo tempo em que os Hem-netjr e a Hemt-netjr curvaram levemente a cabeça, colocando o pé esquerdo na frente do corpo, demonstrando a sua humildade e respeito perante o soberano de todo o império de Kemet.

A figura majestosa do monarca entra no Salão exibindo uma face impassível, a sombra vermelho-sangue dos seus olhos carmesins penetrantes era o suficiente para enviar qualquer pessoa a um estado de pânico absoluto com apenas uma contração de sua sobrancelha. O seu olhar era onipresente, afiado e calculista, com a sua aparência cumprimentando a aura intimidante e absolutamente poderosa que envolvia e que se projetava assim que ele entrou no local.

O toucado Nemes contornava o seu rosto enquanto que o olho de Rá confeccionado em ouro puro se encontrava repousando em sua testa com uma serpente em posição de bote saindo dele, indicando que ele era filho do Deus Sol ao mesmo tempo em que demonstrava que os Faraós eram protegidos pela Weret-Hekaw Uraeus, a deusa da realeza e da grande magia, confeccionada com a cabeça erguida e pronta para o bote. A grossa linha de Kohl embaixo de cada olho dava a impressão de alonga-los em direção as orelhas para depois se curvar para baixo em direção ao rosto e completando a sua maquiagem, a sua pele dourada era adornada com poeira de ouro cintilante espalhado em sua pele, dando a impressão dele ter a áurea dourada do Deus Amon quando a claridade incidia em sua pele, fortalecendo assim a ilusão dele ser uma divindade dentre meros mortais.

Atemu segurava o heqa-scepter (cajado) e o nekhakha (mangual), um em cada mão, com eles se encontrando cruzados na frente do seu peitoral, com a maioria dos seus dedos sendo ornamentos com anéis dourados junto do seu punho e antebraço que eram cobertos de aneis de ouro enquanto caminhava lentamente pelo tapete em direção ao seu trono.

A suas vestes cerimoniais consistiam de um tecido fino ricamente lavrado.

Na sua cintura jazia um luxuoso e ricamente adornado shendyt, composto um saio plissado de linho fino, branco e entrelaçado com fios de ouro e prata enquanto que a sua cintura se encontrava entrelaçada com tiras douradas com detalhes prateados e sobre essas tiras, repousava o nome real em hieróglifos prateados em uma faixa azul ricamente ornamentada com ouro e incrustrado com joias.

Em seu tórax jazia um peitoral feito de ouro com tons de turquesas e falcões engastados em sua superfície, emoldurando o olho de Hórus, indicando a sua ascendência ao Deus Sol ao mesmo tempo em que o seu Sennensui (Sennen Pazuru) se encontrava repousando em seu peitoral enquanto que em seus braços e tornozelos reluziam braceletes de ouro com detalhes prateados e incrustrados de pedras preciosas, dentre elas a ametista, a jade e a esmeralda, além de portar anéis dourados em seus dedos e acima de cada ombro jazia espécies de ombreiras douradas compostas por camadas e com joias incrustadas em formato de asas, fazendo uma alusão ao Deus Rá.

Por cima dos ombros jazia um manto da cor da ametista com detalhes prateados, com um falcão bordado com fios dourados que se estendia para as costas após contornar o pescoço do príncipe e cobrir o início das ombreiras e era tão comprido que chegava próximo do chão ao mesmo tempo em que havia bordados de escaravelhos dourados com olhos de rubi.

Em seu pescoço jaziam colares dourados enquanto os seus brincos de ouro puro tinham a forma de uma placa com o símbolo de Ankah em relevo contendo pequenas joias preciosas adornadas em seu interior. O olho de Ra se encontrava em sua testa e era confeccionado em ouro puro, indicando que ele era filho do Deus Sol.

Os seus sapatos eram elaborados com um tecido fino e ornamentado com fios de ouro em suas bordas e em cada sapato havia um escaravelho prateado com joias ametistas em sua cabeça.

Quando ele sentou em seu trono, ele ordenou com uma voz barítono e inflexível profunda como o abismo e que ressoava por todo o salão:

- Levantem-se.

Todos que haviam prostrado se levantavam enquanto que os nobres e representantes de outros povos levantaram a cabeça porque a haviam curvado levemente.

Akhenaden ocultava a ira que sentia por Atemu pelo que ele ouviu há quase dois anos atrás, assim como pelo fato do seu filho ter se afastado dele ao ouvir a fúria divina do monarca, acabando por se aproximar do primo que o tratava como igual longe do público.

- Heru, nós conseguimos suprimir os saqueadores de tumba e por precaução, fortalecemos as proteções nas demais pirâmides. - Shimon murmura ao seu sobrinho neto.

- É uma notícia excelente.

- A Pirâmide do senhor estará pronta em questão de alguns anos e saiba que eu mesmo me certifiquei de colocar várias armadilhas para garantir a sua proteção. Nenhum ladrão conseguirá sair vivo dela – ele termina o final com um risinho, colocando a mão na frente do pano que cobria parcialmente o seu rosto, deixando apenas os seus olhos a mostra.

- Eu agradeço Shimon – ele comenta com uma gota porque aquela cerimonia era um evento festivo e por isso, comentar sobre algo tão mórbido, destoava da ocasião.

Então, Atemu torna a demonstrar uma feição impassível, não mostrando os seus reais sentimentos ao ocultá-los sobre uma máscara que exibia superioridade, seriedade implacabilidade, além de um olhar penetrante, onipresente, afiado e calculista, exalando uma autoconfiança extrema e absoluta, demonstrando dessa forma a sua ligação com os Deuses enquanto que a sua voz barítono deveria soar inflexível, duro e desafiador porque esta a voz de um governante e de uma divindade dentre mortais, assim como ele era o próprio nascer e por do sol.

Afinal, uma mão divina autoritária era essencial para manter o império e a gentileza devia ser reservada a aqueles que a mereciam enquanto que os inimigos de Kemet e do monarca deviam conhecer a fúria de um Deus.

Shimon começa a anunciar cada um dos presentes, com ele os aceitando a título de diplomacia porque desejava manter ardentemente um reinado sem guerras, fosse internamente ou externamente, para que o seu povo pudesse viver em paz e consequentemente, em prosperidade.

O monarca ocultava o seu desinteresse enquanto fingia estar interessado porque a sua mente estava longe dali, mais precisamente nas palavras de Isis sobre a sua visão envolvendo dois dragões e dois escravos, com a descrição dela de um escravo parecido com ele possuindo a sua atenção especial.

Afinal, após tentar por vários anos encontrar o jovem que habitava os seus sonhos, ele chegou ao ponto de achar que nunca o veria pessoalmente enquanto que surgira a hipótese do jovem não ser real, com Atemu recusando veemente esta hipótese.

Portanto, a visão do Sennen Tauku fez o seu coração se encher de expectativa, levando-o a acreditar que o garoto de suas visões era real e que iria aparecer durante a cerimônia, reacendendo assim a esperança em seu coração.

Pelo menos, era o que o soberano ansiava e aguardava pacientemente, orando aos Deuses para que esse jovem fosse o mesmo dos seus sonhos, decidindo que iria prestar a devida atenção na festa, fosse dos seus conterrâneos, dos seus convidados, servos e principalmente dos escravos na comemoração porque a Hemt-netjr disse que seria um escravo.

Ao mesmo tempo, reservava a devida preocupação para a presença de dois dragões porque a Guardiã Sagrada não conseguiu confirmar se eram Ka ou seres vivos, por mais que esse último pensamento fosse absurdo porque os únicos dragões possíveis de existir seriam aqueles criados pelos sentimentos dos corações das pessoas e que se materializavam em forma de Ka.

Inclusive, eles possuíam Ka em forma de dragões selados em pedras com exceção de dois que eram Ka pessoais, com Seto detendo um deles enquanto Leon, filho de um homem de Hellas (Grécia) e de uma mulher nascida em Kemet que era a Superintendente da Grande casa, detinha o outro dragão. Imaginar um ser vivo com a forma de um dragão era um pensamento aterrador.

Nesse interim, havia começado a procissão de presentes que eram anunciados por Shimon, que também nomeava o nobre ou reino que havia enviado aquele presente.

O primeiro consistia de dançarinas que vieram de um dos reinos vizinhos e que se apresentaram para o monarca, dividindo-se em grupos e pelo fato de usarem roupas provocantes que revelavam muita coisa, elas se tornaram um deleite para muitos homens que se encontravam no local. Elas eram todas escravas, com Atemu pensando se o seu harém comportava mais jovens apesar dele ter libertado muitas delas para que fossem felizes com quem amavam, constituindo as suas próprias famílias após a remoção do selo mágico que as impedia de engravidarem.

Depois, elas se recolheram, ficando temporariamente próximas do salão porque os servos indicaram um local para que as jovens ficassem enquanto que a Superintendente da recreação e lazer do rei se aproximava delas para as orientarem.

Outros monarcas enviaram presentes através de dignitários ou príncipes enquanto que os nobres das várias províncias entregaram pessoalmente os seus presentes após se prostrarem ao Faraó, no caso os keméticos porque os estrangeiros apenas se curvaram ao mesmo tempo em que mostravam os seus presentes ao soberano após a apresentação de Shimon da figura política aos pés da escadaria de acesso ao trono, com o monarca se encontrando escudado pelos seus Guardiões Sagrados que estavam posicionados em ambos os lados e pelos membros do Medjay em posições estratégicas, assim como os guardas responsáveis pela segurança do complexo do palácio.

Mesmo não gostando da etiqueta, os amigos do soberano a seguiam exemplarmente, com eles conseguindo convencer os seus pais a adquirirem jogos fora dos domínios keméticos, além de desejarem entregar os presentes ao seu amigo ao representarem a sua própria casa.

O pai de Jounouchi conseguiu um Shogi, que era um jogo japonês com o filho dele o apresentando ao monarca ao abri-lo na frente dele para que todos viessem o objeto. Era um tabuleiro de ouro com detalhes prateados e cravejados de joias de jade que o enfeitavam juntamente com as peças eram feitas de jade branco e com entalhes belíssimos.

O loiro viu a intensa felicidade que o seu amigo demonstrou em seus olhos ao ver o jogo enquanto mantinha a face impassível e a cabeça curvada porque os amigos dele foram liberados de se prostrarem quando Atemu fez uma proclamação pública porque não desejava que os seus amigos se prostrassem como mandava as leis e a tradição. Os pais dos seus amigos também detinham esse direito que foi fornecido pelo pai dele.

Era uma autorização especial concedida para poucas pessoas, com os Guardiões Sagrados possuindo esse direito que vinha junto do título e era o mesmo para aqueles que detinham o cargo de Superintendentes.

A reação de Atemu era esperada porque os seus amigos sabiam o quanto ele amava jogar e como ele não havia jogado esse jogo ainda, fez com que ele ficasse fascinado pelo presente embora ocultasse esses sentimentos ao usar a máscara do Faraó, com o loiro sabendo que mesmo que fosse feito de madeira, para o amigo deles seria a mesma coisa. A ideia de fazer um jogo belíssimo foi do pai dele para que não ficasse atrás dos outros nobres e ao ver o olhar de interesse do filho do seu falecido amigo, o homem suspira, agradecendo a si mesmo por ter seguido a dica do filho enquanto que a sua esposa e filha que estavam ao seu lado, sorriam imensamente ao verem que haviam dado um presente que o monarca havia apreciado.

Claro, o soberano não demonstrava publicamente o que sentia ao conseguir manter a sua máscara pública, mas pelo brilho nos olhos dele era visível o fato de que o presente ideal para o soberano eram jogos que ele nunca havia jogado. Somente aqueles que tinham autorização para olhar nos seus olhos e que o conheciam desde que era pequeno, conseguiam ver esse brilho que estava bem oculto.

Em seguida, Honda se curva e faz o mesmo que Jounouchi, apresentando outro jogo feito de ouro e pedras preciosas, além de detalhes de prata. No caso, era o jogo Dou Shou Qi, proveniente da China e feito sobre encomenda. Era tão luxuoso quanto o Shogi, com ele sabendo que mesmo que fosse simples, teria despertado o mesmo interesse em Atemu e que tal como os pais do seu amigo, eles haviam decidido fazer algo bem glamoroso.

Ryou também representou os seus pais e trouxe um jogo ricamente adornado. No caso, era o jogo Xiangqi, feito com detalhes de ouro, rubi e esmeralda, além de madeira envernizada com detalhes prateados.

Depois, foi a vez de Mariki, que apresentou o jogo Go, confeccionado de forma luxuriosa com jade, ametista e placa dourada com detalhes prateados.

Atemu havia ficando imensamente feliz com os jogos porque nunca os havia jogado e estava ansioso para poder jogar todos os que haviam ganhado.

Após esses presentes, vieram outros e nenhum deles eram jogos e sim, itens usuais, como peles, objetos, armas, estátuas e animais, além de mais escravos para desânimo do soberano embora ele continuasse fingindo ter interesse e satisfação com os presentes e um determinado momento, ele teve que ocultar a sua surpresa ao ver um tigre regular enquanto que o outro era branco. Ambos foram trazidos como presentes do rei de um império próximo à Kemet e que haviam sido apresentados pelo dignitário do reino que os enviou, com os animais se encontrando sobre o controle dos seus treinadores que também eram escravos e vinham junto com os tigres para alívio do rei porque eles pareciam ter conhecimento em manejar aqueles animais.

Contendo a surpresa inesperada, ele se limita a fazer o mesmo gesto que fez aos outros e que seria esperado do Per'a'ah enquanto pensava consigo mesmo:

"Bem, agora temos tigres, além de mais escravos. Pelo visto terei que arranjar locais para eles ficarem. Se eles ainda me dessem jogos...".

Shimon estava ao lado do monarca e aprovava a forma como Atemu estava agindo porque agia como um verdadeiro governante, demonstrando firmeza e superioridade em seu rosto conforme o esperado de sua posição embora percebesse a sombra no olhar de desânimo, visível apenas a aqueles que o conheciam desde pequeno, como era o caso do seu Conselheiro real.

Além de tigres, houve outros animais exóticos, com o rei pensando o quanto seria difícil para os pobres animais se adequarem ao clima de Kemet, como no caso dos cisnes. Claro, eles eram bonitos, mas ele questionava se conseguiriam sobreviver ao calor, assim como os outros espécimes de aves, igualmente exótico.

Inclusive, com tantas aves exóticas, o monarca decidiu fazer um aviário na parte mais fresca do palácio, visando fornecer o maior conforto possível aos pobres animais em virtude da idiotice humana, no caso, de quem os presentou porque eles não pensarem no clima de Kemet e que o mesmo podia ser impróprio para a maioria daquelas aves.

Depois dos jacarés, dados de presente após os tigres, o monarca acreditava que mais nada o surpreenderia e após alguns minutos, ele descobriu o quanto estava errado ao receber dois casais, um de zebra e um de antílope.

Então, ele pensou consigo mesmo:

"Considerando os animais que conheço através dos papiros, só me falta uma chita."

Então, aparece uma chita e o soberano de Kemet controla a vontade de colocar a mão no rosto porque devia ter silenciado os seus pensamentos.

Enquanto isso, Jounouchi, que se encontrava tão estarrecido quanto Honda, Mariki e Ryou, comenta:

- Não sei onde Atemu vai colocar esses animais.

- Eu também não faço a mínima ideia.

- Idem.

- Não consigo pensar um local satisfatório para eles.

- É uma pena que Leon ainda não voltou de Hellas com o pai dele.

- Eu espero que ele não esteja em perigo. Hellas se encontra imerso em guerras internas.

- Eles tem proteção. O atual líder dos mercenários, Ameruda (Alister), forneceu os seus melhores homens e Leon tem um dragão como Ka e é poderso.

- Verdade.

Enquanto isso, em seu trono, Atemu aguentava a procissão de presentes, ficando aliviado ao ver que os demais se abstiveram de dar animais, limitando a dar tecidos, joias, artefatos e itens diversos. No final da procissão dos presentes dos nobres e dignitários, os únicos que tiveram o seu interesse foram os jogos de Jounouchi, Mariki, Ryou e Honda.

Afinal, como eram amigos dele, eles conheciam o que ele apreciava, conseguindo assim dar presentes que o Faraó havia adorado.

Depois dos nobres, Rishido entregou o seu presente que consistia de um item belíssimo e foi o mesmo para Diiva.

Então, depois deles, foi a vez de Shimon que presenteou o monarca com um novo jogo ricamente adornado com ouro e pedras preciosas. No caso, era o jogo Sugoroku, proveniente da China, fazendo Atemu conter a felicidade que sentia por ter mais um presente que o agradava.

Depois, foi a vez dos Guardiões Sagrados, começando com Mahaado, que conhecendo o gosto do seu amigo, deu outro jogo ricamente adornado, nesse caso, um jogo de tabuleiro, o Chaturaji, ornamentado com ouro e joias preciosas.

O soberano apreciou o presente enquanto que precisava manter a sua face neutra embora tenha surgido um brilho de felicidade ao encarar os novos jogos que tinha para decifrar e jogar com os amigos longe da vista do público, para que pudesse ser simplesmente Atemu e não, um Deus.

Depois, foi a vez de Isis que ficou feliz de ter seguido a dica daquele que amava, dando um jogo de Chaturanga, também ricamente adornado com ouro e joias preciosas para combinar com os outros, com ela ficando feliz ao perceber o quanto o Per'a'ah ficava feliz com os jogos apesar dos outros presentes maravilhosos que recebeu.

O soberano concordava que estava ansioso para jogar e devido às comemorações, ele havia se esquecido, momentaneamente, das visões de Isis e ao recordá-las conforme olhava para ela que retornava ao seu lugar após presenteá-lo enquanto que a Guardiã Sagrada decidiu que deveria ficar atenta para qualquer atentado contra a integridade do monarca.

Os outros Guardiões Sagrados deram presentes belíssimos na forma de itens magníficos, mas nenhum deles contemplava jogos.

Seto havia notado que o olhar do seu primo só ficava animado com jogos, ignorando as belas mulheres exóticas em roupas que revelavam muita coisa e outros presentes caríssimos ou exóticos, com Seto já esperando esta reação.

De fato, ele havia pensando em combinar a compra de algum jogo, uma vez que eles eram excelentes para desenvolver estratégias, algo que era necessário em uma guerra.

Mas ao ver que ele ganharia muitos jogos, decidiu que queria dar algo exótico ao seu primo e que esse pensamento, o levou ao mercado.

Porém, conforme se recordava do amor de Atemu pelos jogos, começou a duvidar se o seu presente chamaria a atenção do seu soberano e essa leve dúvida foi percebida por Mahaado, braço direito do monarca.

- Está preocupado com o seu presente? – o Superintendente dos magos pergunta em tom de confirmação ao braço esquerdo do rei.

- Um pouco... Mas eu acho que estou me preocupando á toa. Não tem como Atemu não gostar do que vou dar para ele.

Então, o poderoso mago arqueia a sobrancelha direita e pergunta:

- Pelo visto, está preocupado. Qual presente você comprou para ele?

Mahaado e Seto falavam em forma de sussurro entre si e por serem respectivamente amigo e primo do monarca, eles se referiam informalmente ao rei.

- Um que vai surpreender o meu primo. – ele responde misteriosamente.

Nisso, um servo se aproxima e fala algo a Seto, fazendo-o sorrir ao mesmo tempo em que chegou a vez dele, com ele se dirigindo até o monarca, se curvando para ele, assim como os outros fizeram, para depois, falar respeitosamente:

- Por favor, aceite esse humilde presente. O da direita pertence ao Per'a'ah.