Notas da autora

Atemu fica surpreso quando...

O Per'a'ah fica...

Seto se encontra...

Capítulo 26 - Presente

Então, surge Yuugi que estava cabisbaixo.

Era visível a sua coleira dourada e os cabelos tricolores que lembravam o do monarca. As franjas douradas emolduravam o seu rosto em formato de coração com traços suaves, não possuindo fios dourados esperados, com as pontas espetadas do cabelo sendo mais suaves, possuindo a cor ametista nas bordas em vez do carmesim do rei juntamente com o fato da pele ser da cor do marfim, quase alva, além de ter uma estatura bem menor que a do soberano ao ponto de parecer uma criança enquanto que os seus olhos de ametista grandes e expressivos não eram completamente visíveis por ele estar com o rosto abaixado.

O escravo se curva de joelhos e abaixa a fronte, ponto as duas mãos espalmadas na frente enquanto que as dores pungentes tomavam o seu corpo, com Yukiko rosnando dentro dele, demonstrando uma fúria intensa enquanto desejava rasgar o bastardo que havia disciplinado o seu amigo.

Atemu não pode conter a surpresa com a semelhança entre eles embora tivessem algumas diferenças. As demais pessoas no Salão real também estavam surpresas, mas ao contrário do monarca, podiam demonstrar abertamente o seu espanto.

Jounouchi, Honda, Ryo e Mariki se entreolham e comentam entre si:

- Outro Atemu?

- É incrível a semelhança.

- Ele tem algumas diferenças. Vejam. – Ryo fala enquanto apontava.

O quarteto olha atentamente para o jovem e Mariki comenta, acenando afirmativamente:

- De fato, eu vejo melhor a diferença entre ambos. Ele é mais baixo, tem uma constituição muito mais delicada, a pele é igual ao de vocês e quanto ao cabelo, ele só possui uma franja dourada emoldurando o seu rosto, não possuindo mechar douradas espetadas que se irradiam espetados para as suas pontas como o nosso amigo de infância. A borda dos cabelos espetados é bem suave e na cor ametista. Ademais, os olhos dele são da mesma cor da ametista e não carmesins como o de Atemu.

Mahaado está surpreso, assim como os outros enquanto que o monarca chegou a se levantar por alguns centímetros, para depois, deter a sua ação, voltando a assumir a mesma postura anterior ao mesmo tempo em que Seto havia visto este gesto sutil que o deixou satisfeito, demonstrando assim a reação do seu primo perante o seu presente.

Depois de Yuugi, entra Kisara exibindo as mesmas feições e um olhar quebrado enquanto sentia dores intensas, para depois se prostrar, após se curvar ao Faraó.

Todos os outros ficaram surpresos ao vê-la porque ela era exótica, também.

Enquanto estavam ali, Seto olha discretamente para a prateada enquanto sentia que a conhecia de algum lugar, embora não se recordasse de onde e apesar de não ter a absoluta certeza de que a conhecia, ele ficou forçando a sua mente a tarde inteira para tentar se recordar dela.

Então, ao se concentrar em seu rosto, o Hem-netjr ficou preocupado ao ver que o olhar dela estava diferente de antes porque os orbes azuis, que envergonhavam a mais bela safira, se tornaram opacos.

Afinal, ela não estava assim da última vez que a viu e ao olhar para o outro escravo, notou o mesmo olhar, o fazendo exibir confusão em seu semblante porque eles não estavam naquele estado quando comprou ambos.

Ele é tirado dos seus pensamentos pela voz do o tjaty (Vizir) e Conselheiro Real, Shimon, que pergunta para Seto ao olhar para ele:

- E essa jovem?

- Ela é minha. O presente do Per'a'ah é esse rapaz.

Atemu ficou demasiadamente preocupado com o olhar que o escravo exibia ao ver que os orbes ametistas não exibiam qualquer sinal de vida neles por estarem opacos, como se fosse uma vela apagada, o fazendo ter a estranha sensação de que aconteceu algo gravíssimo com ele e com a garota.

Ademais, ao vê-lo, sentiu um leve pulsar do seu Sennensui e conforme se concentrava na sensação, o seu coração falha uma batida porque ao olhar para o garoto, acreditando que se tratava de uma criança pela sua baixa estatura, olhos expressivos e semblante com curvas suaves, ele percebeu que aquele jovem era o que permeava os seus sonhos desde que era criança e que vinha buscando avidamente por anos.

De repente, o olho de Wadjet brilha, surpreendendo todos os presentes conforme clareava as visões do monarca, fazendo o vulto até então quase que irreconhecível, ser inundado pela luz, tornando-o visível embora que nas suas visões, os orbes ametistas expressivos, que envergonhavam a mais bela ametista, brilhavam de felicidade. A reação do Sennen Aitemu apenas confirmava o que o seu coração já sabia e sentia pelo jovem.

Então, o olho para de brilhar, de repente, fazendo surgir um murmúrio no salão real, com os seus amigos se entreolhando enquanto tentavam compreender a reação do item.

Mesmo com as emoções intensas que o tomavam, como o de júbilo pela sua busca ter chegado ao fim porque aquele que buscava com toda a força do seu coração, estava na sua frente, ele conseguiu manter uma face austera e que exibia autoridade, assim como, superioridade.

Apenas aqueles que o conheciam desde jovem e que tinham autorização para olhar em seus orbes carmesins, conseguiam identificar a intensa felicidade que emanava deles ao mesmo tempo em que para um olhar mais desatento ou que não fosse um dos seus amigos mais íntimos, eles pareciam implacáveis.

Então, o monarca pergunta em um tom de voz firme e barítono, ocultando a preocupação que sentia ao ver o olhar quebrado do menor que cortava o seu coração, com o soberano desejando ardentemente ver nada menos que o brilho naqueles belos orbes que eram como a gema mais preciosa:

- Qual o seu nome e quantas colheitas você tem?

- O meu nome é Yuugi e tenho dezessete anos, Per'a'ah. – ele fala com a voz vazia, sem qualquer emoção, assim como os seus olhos, sem sair da sua posição.

- "Dezessete anos"? Esse termo é desconhecido para mim.

Ryou percebe primeiro e rapidamente, se curva na frente do seu amigo de infância que odiava ver os seus amigos precisando se curvar.

Porém, ele oculta o seu desprazer e curiosidade.

- O que deseja?

- Per'a'ah, eu acredito que é o equivalente a dezessete colheitas. Dezesseis colheitas do reinado de vosso genitor, o Per'a'ah Akhenamkhanen - ele fala o nome verdadeiro do pai do monarca porque recebeu autorização, assim como o seu pai e os demais - e uma colheita do vosso reinado, Per'a'ah.

Ryou usou como base o método de datação usado pelo reino de onde veio a sua genitora, considerando um ano como uma colheita para equiparação.

Yukiko, que se encontrava tomada pela ira enquanto rosnava furiosamente, passa a questionar a si mesmo, o motivo do homem desejar saber a idade do seu amigo até que surge a única explicação plausível em sua mente e que era dele ser um escravo sexual e ao cogitar essa hipótese, a sua fúria aumentou exacerbadamente, com ela odiando os keméticos pelo que aconteceu ao Yuugi.

Inclusive, a albina queria destroçar impiedosamente todos eles e depois, destruir todos os templos e pirâmides, erradicando-os da existência porque nunca havia odiado um povo como os odiava naquele instante enquanto se encontrava preocupada das consequências de um estupro.

Afinal, isso iria aprofundar o trauma do seu amigo cujo espirito se encontrava parcialmente destruído, com ela tendo dificuldade em articular conversas com o seu amigo após a disciplina enquanto ainda buscava algum meio de selar as memórias dele e de Kisara.

A albina precisou insistir consecutivamente e demasiadamente para conseguir fazê-lo responder, ficando um pouco aliviada ao ver que havia conseguido salvar um bom pedaço da mente dele da punição e que era o mesmo para Kisara em decorrência do fato do adolescente de cabelos tricolores ter dado a sua pulseira para a jovem, fazendo com que ela conseguisse salvar uma parte dela e que era maior por influência do dragão dentro da prateada, ou melhor, dragoa, que era a sua alma e essência.

Afinal, não era fácil quebrar um dragão e não seria parte da manhã e uma tarde inteira que iria destruir a mente de um.

Mesmo assim, a jovem tinha algumas sequelas porque haviam ocorrido ferimentos emocionais e consequentemente, mentais, além dos físicos em seus músculos, embora fossem em menor quantidade se comparado aos de Yuugi que era, apenas, um humano.

Claro, ela desconfiava de um meio de selar essas memórias, mas precisava ter certeza que funcionaria porque temia que houvesse consequências caso falhasse em seu intento.

Após alguns minutos, o soberano fala, se dirigindo ao macho menor:

- Você será o meu servo pessoal.

O jovem nada fala e curva a cabeça, com a testa tocando o chão, demonstrando que entendeu, com Atemu suspirando discretamente, para depois, se voltar para a albina que exibia o mesmo olhar quebrado que o jovem.

- E quanto a você, garota. Qual o seu nome e quantas colheitas?

- Eu me chamo Kisara e não sei com exatidão a minha idade. Eu acho que tenho dezoito colheitas do reinado do Per'a'ah Aknamkanon e uma colheita do vosso reinado, Per'a'ah Atem. Porém, não sei estimar. Lamento. – ela fala sem emoção em sua voz.

O monarca suspira novamente porque era visível a qualquer um que ambos estavam quebrados, fazendo-o suspirar internamente ao imaginar como se sucedeu os danos mentais e emocionais que sofreram enquanto que desejava ardentemente encontrar uma forma de revertê-los porque ansiava ver o belo brilho naqueles orbes ametistas que era como duas joias preciosas.

Ao olhar para o seu primo, notou que este exibia confusão em seu semblante conforme observava ambos e decide perguntar:

- O que houve, Hem-netjr Seto?

- Eu não compreendo o que ocorreu, Per'a'ah. Eles não estavam assim quando eu os comprei. Não cheguei a falar com ambos após a aquisição deles, mas os seus olhares não estavam desse jeito e eles não demonstravam qualquer tremor em seu corpo.

- Tem certeza das suas palavras?

- Sim, Per'a'ah. – ele fala prontamente, curvando a cabeça em respeito ao seu soberano.

Atemu, meramente, bate palmas uma vez e os soldados aparecem na frente dele, se curvando enquanto os convidados assistiam o desenrolar dos acontecimentos com nítido interesse.

- Tragam a minha presença quem vendeu esses escravos para o Guardião Sagrado. Usem os cavalos que forem necessários. – o rei ordena de forma autoritária e em um tom que não aceitava contestação.

Eles consentem e depois se retiram ao mesmo tempo em que todas as pessoas se encontravam em silêncio, não ousando comentar nada porque o Per'a'ah era o homem mais poderoso de Kemet, com o próprio poder oriundo dos Deuses.

Afinal, era o nascer e por do sol.

Portanto, ninguém queria aborrecer um Deus por temerem a sua ira divina.

Jounouchi, Honda, Mariki e Ryou imaginavam que esses eram os pensamentos de todos e por isso, o silêncio imperava sem ter um ínfimo som de fundo enquanto que eles mesmos, assim como os seus pais, não tinham essa visão temerosa em virtude da amizade que possuíam com Atemu ao mesmo tempo em que os seus genitores eram amigos de infância de Akhenamkhanen e conheciam Atemu desde que era um bebê, com as famílias possuindo estreitos laços de amizade.

Era o mesmo para a imi-r pr wr (Superintendente da grande casa), Cynthia, seu marido, Maximillion (Crawford) de Hellas e Leon, o filho dela. Ela havia herdado a aparência da avó dela, fazendo com que tivesse a pele clara enquanto que os seus cabelos loiros cacheados e olhos azuis se destacavam dentre os keméticos. Cynthia era neta do Tjaty (Vizir) e Conselheiro real, Shimon Muran.

Porém, mesmo com essa amizade que eles possuíam, todos tinham que seguir a etiqueta e agir como os demais, com a diferença de não terem qualquer medo em seus olhos e de não precisarem se prostrar. Quanto as suas esposas, elas não conseguiam impedir de sentirem um leve medo e os seus maridos não as condenavam porque na cultura que elas vieram, o imperador era visto como um Deus e quando ele morria, ascendia aos céus nas costas de um dragão.

Portanto, elas tinham essa visão esculpida em suas mentes desde tenra idade e em Kemet, não era diferente. O Per'a'ah era considerado filho dos Deuses e consequentemente, um Deus, com autoridade divina sobre os keméticos.

Dos Guardiões Sagrados, o único que ocultava o seu aborrecimento pelo tempo precioso que o monarca perdia com reles escravos era Akhenaden, que evitava a muito custo fuzilar o seu sobrinho com os olhos.

Inclusive, era necessário todo o seu autocontrole para não exibir o seu mais profundo olhar de asco e de ira porque ele nunca aceitou as palavras e a fúria divina derramada sobre ele há quase dois anos, atrás, quando Atemu descobriu a verdade sobre a criação dos Sennen Aitemu e consequentemente, o motivo do adoecimento de Akhenamkhanen.

Afinal, além das palavras contundentes e igualmente furiosas, ele havia perdido o seu filho que evitava a sua presença, além de dedicar um olhar de repugnância para ele sempre que ousava se aproximar dele ou caso ambos estivessem no mesmo cômodo.

Ademais, por causa da sua experiência de vida, o usuário do Sennengan havia notado que os outros Guardiões Sagrados pareciam manter um olhar silencioso sobre ele, como se o estivessem fiscalizando, sem tornarem público a sua desconfiança.

Akhenaden concordava com o fato deles serem observadores silenciosos.

Após vários minutos, os guardas trazem quem vendeu Yuugi e Kisara, com o comerciante exibindo confusão em seu semblante enquanto se prostrava perante o monarca, abaixando a sua fronte em submissão ao mesmo tempo em que tremia de medo porque o seu soberano podia matar qualquer um e continuar com a sua rotina diária, como senão tivesse acontecido nada.

Inclusive, ele se lembrava de um acontecimento desses com o rei anterior ao ouvir relatos assustadores e quem estava sentado no trono era o filho deste, um Deus dentre os homens, com o vendedor não compreendendo o motivo de estar aterrorizado porque não havia feito nada de errado na sua visão.

Então, ele ouve a profunda voz barítono e autoritária, com esta sendo a voz de um governante e que ressoava no Salão real:

- O Hem-netjr Seto percebeu que os escravos estão diferentes de quando ele os comprou no leilão. Confesso que estou curioso para saber o motivo dessa mudança.

Atemu controlava a raiva em sua voz com maestria, se recordando dos ensinamentos do seu pai para fazer com que os culpados não sentissem medo e acabassem confessando o que ele desejava.

Portanto, o monarca completa a farsa ao simular um tom de surpresa embalada em uma falsa e sutil admiração:

- Eles parecem escravos exemplares. Não duvido que muitos iriam apreciar esta conduta e comportamento. Como conseguiu essa proeza?

Então, caindo na armadilha do soberano que o observava atentamente como um predador que esperava pacientemente o momento certo para abater a sua presa, o vendedor estufa o peito, julgando erroneamente que havia agradado o seu soberano com a disciplina que executou neles enquanto que o monarca estava satisfeito ao ver que o homem embaixo das escadas que levavam ao seu trono, havia caído em sua armadilha, fazendo com que condenasse a si mesmo conforme respondia animadamente a pergunta do seu soberano ao se encontrar embebido em sua própria satisfação ao julgar erroneamente que o seu monarca se encontrava satisfeito com as suas ações.

- Após o Hem-netjr Seto-sama comprá-los, eu percebi que estava vendendo escravos sem qualquer treinamento para serem submissos, além de não saberem como proceder na presença dos seus mestres. Porém, eles haviam sido vendidos e eu não podia danificar a mercadoria com um chicote comum, além do fato deles serem virgens. Portanto, não podia ensinar como um escravo sexual agiria porque podiam desejar retirar a virgindade deles por si mesmos. Ao menos, ensinei sobre sexo oral. Logo, usei um chicote especial que não deixa marca, mas faz bastantes danos abaixo da pele e...

Então, ele passou a contar todos os detalhes, achando erroneamente que o soberano estava demonstrando admiração pela sua capacidade de quebrar um escravo em tempo recorde enquanto que era exatamente o contrário. Havia a mais pura fúria e náusea em Atemu, que os ocultava com maestria ao mesmo tempo em que não permitia transparecer em seu semblante e conduta os seus verdadeiros sentimentos conforme havia sido ensinado porque deveria dar a corda para que o culpado se enforcasse por si mesmo ao manter os seus sentimentos e estado emocional em um controle restrito, demonstrando um semblante imparcial e desprovido de qualquer sentimento, com exceção da manipulação de tons de vozes a serem usadas contra aqueles que eram julgados, visando fazer os culpados confessarem os seus crimes, segundo os ensinamentos que havia aprendido com o seu genitor ao acompanha-lo em vários dos seus julgamentos.

Seto estava chocado com o relato e após passar o choque, se sentiu intensamente culpado por ter deixando ambos com o vendedor em vez de trazê-los para o palácio por se encontrar atrasado para se preparar para o ritual antes da cerimônia. Ao mesmo tempo em que ouvia a descrição repugnante, o Guardião Sagrado passa a sentir ira e repulsa pelo homem prostrado a sua frente enquanto torcia os punhos ao compreender o motivo da mudança abrupta deles.

Dentro de Yuugi, Yukiko não compreendia o gesto do rei e como o seu amigo mantinha-se cabisbaixo, não podia ver a reação do monarca.

Apesar disso, ainda sentia muita fúria na forma de rosnados ensurdecedores, com as suas garras se contraindo compulsivamente enquanto as suas presas eram visíveis conforme brandia a sua cauda musculosa com um porrete na ponta, capaz de quebrar ossos de dragões com facilidade como se fossem gravetos ao brandi-lo como se fosse um chicote.

Jounouchi, Honda, Ryou, seus pais, assim como Mariki, Mana, Shimon, Diiva, Rishido, Cynthia, os Guardiões Sagrados, com exceção de Akhenaden, assim como qualquer um minimamente decente ou que não aprovava a escravidão, demonstravam náusea e fúria com o relato embora se controlassem por causa do monarca que mantinha uma face implacável, não demonstrando qualquer emoção enquanto se limitava a olhar atentamente para o homem prostrado aos pés da escadaria.

Porém, quem conhecia o soberano desde tenra idade, detendo o direito de olhar diretamente para os seus olhos, podia detectar a fúria contida em seus orbes carmesins e que era imperceptível a todos os outros e para aqueles que podiam detectar os reais sentimentos que tomavam Atemu naquele instante, não sentiam qualquer pena da fúria divina que iria desabar sobre o mercador, com todos concordando que o homem merecia o pior dos castigos.