Notas da autora
Todos ficam surpresos, quando...
Atemu decide...
Yukiko fica...
Capítulo 29 - Proposta
Afinal, além da quantidade de Ka´s invocados influenciarem na quantidade de energia espiritual dos invocadores, havia o poder dos monstros. Quanto mais poderosos, maior era o consumo do Bah, a energia espiritual dos seres vivos. O invocador podia aumentar o seu reservatório mediante treinamento espiritual. Quanto mais poderoso o invocador, menos consumo de energia gerava a invocação dos monstros, mesmo os mais poderosos ao fazê-los se materializarem após libertá-los temporariamente das pedras que o confinavam para que obedecessem as ordens do seu invocador.
Haviam pessoas que podiam manipular os seus monstros pessoais sem precisar de um Sennen Aitemu ao mesmo tempo em que ficavam debilitados se os seus respectivos Ka´s fossem derrotados, com os mesmos voltando para dentro deles, não podendo ser invocados até que se recuperassem.
Eles eram chamados de Ka´s pessoais e obedeciam a aquele que os abrigavam em seus corpos, uma vez que foram criados pelo coração do seu portador e que podiam ser usados em batalhas após os usuários possuírem um controle consciente sobre eles para poder invocá-los e fazer os mesmos obedecerem as suas ordens, não precisando verbalizá-las, caso tivessem um domínio intrínseco com o Ka depois de um treinamento intenso.
Os amigos de infância de Atemu, além de Rishido e Diiva, possuíam Ka dentro dos seus corpos e somente os mantinham mediante autorização do soberano ao demonstrarem o seu domínio sobre os mesmos, além do fato de usarem para a própria segurança, assim como, para protegerem o monarca e o império.
Inclusive, com exceção de Jounouchi, Honda, Ryo, Mariki, Leon, os pais de Leon, Seto, Mahaado, Isis, Shada, Karim, Rishido e Shimon, mais ninguém sabia que Atemu possuía o seu próprio Ka pessoal, criado com o seu coração e que obedecia as suas ordens, com este Ka possuindo a sua própria habilidade especial, assim como era com alguns outros Ka que possuíam habilidades especiais.
Os demais desconheciam a existência dele porque o soberano nunca o usou em público.
O motivo de poucos saberem sobre isso era para fornecer uma surpresa inusitada aos agressores, caso estivesse sobre ataque e longe dos seus guardas, assim como para o caso de não ter tempo hábil de pegar uma arma ou de terminar o cântico de invocação. O seu Ka pessoal forneceria o tempo necessário para invocar algum Ka auxiliar, além de ajudá-lo a se livrar dos seus agressores ao mesmo tempo.
Enquanto os outros se preparavam para invocar os seus Ka pessoais, os Guardiões sagrados se encontravam estarrecidos ao verem o Ka que o rei deles escolheu para invocar quando a pedra do monstro escolhido surgiu atrás dele.
Afinal, era uma escolha inusitada, com todos ficando surpresos pelo fato do Per'a'ah manter esse monstro em seu arsenal de Ka´s.
Somente Seto não ficou surpreso com a escolha porque ele havia tido uma batalha amigável com o seu primo e na época, o Hem-netjr pensava que tudo o que importava era o poder enquanto que Atemu havia falado que o poder era apenas uma ilusão, com o portador do Sennen Shakujou se encontrando oscilando em sua visão sobre o poder desde o embate entre eles usando armas, antes do casamento e coroação de Atemu. O embate com Ka´s foi realizado após a coroação e casamento.
Ele havia invocado um Ka de poder considerável, o Dyuosu (Dios) e o monarca o surpreendeu ao invocar a pedra do Karibou, o deixando desconcertado com a escolha inusitada dele.
Inicialmente, Seto se sentiu ofendido pela escolha de monstro, julgando erroneamente que o seu primo não o estava levando a sério ao não invocar um monstro mais poderoso porque o Karibou era considerado um dos monstros mais patéticos e fracos a serem usados em batalha.
Indignado, ele ordenou que Dyuosu quebrasse a placa de pedra Wedju do Karibou, com o Ka obedecendo a sua ordem, fazendo-o acreditar que havia ganhado ao sorrir imensamente por ter destruído a tábua de pedra que continha o monstro, antes do mesmo ser libertado.
Porém, o seu semblante de vitória foi substituído por um semblante estarrecido quando as dezenas de pedaços se tornaram Karibou´s e atacaram o seu Ka, o imobilizando, para depois, derrotá-lo pelo poder da quantidade que superou o do seu Ka, com o seu primo reafirmando que o poder não passava de ilusão e que havia demonstrado isso com o seu monstro, considerado como o mais fraco de todos e que havia derrotado um Ka de poder considerável com o poder da união.
Depois dessa demonstração, as suas ideias sobre o poder foram revistas enquanto que ele sabia que todos ficariam estarrecidos com o que um monstro considerado como um dos mais fracos de todos, podia fazer se fosse usado sabiamente.
Todos observam o rei pegando o seu Sennensui, para depois, acertar a ponta na placa de pedra que surgiu atrás dele com o símbolo do monstro. O impacto do item que resplandecia fez surgir inúmeras rachaduras douradas que se espalhavam por toda a superfície, fazendo surgir inúmeros pedaços que flutuavam no ar, com o seu Sennen Aitemu brilhando enquanto exclamava ao mesmo tempo em que Yukiko liberava uma rajada de neve congelante na direção deles:
- Karibou!
Cada um dos respectivos pedaços se tornam Karibou´s individuais que se unem em forma de uma parede peluda, formando uma linha defensiva intransponível, bloqueando eficazmente a rajada em forma de nevasca ao mesmo tempo em que eram congelados, para depois, se espatifarem no solo, com todos ficando surpresos ao verem que a placa voltou a ficar inteira com o símbolo de um único Karibou.
O soberano sorri consigo mesmo porque por ser considerado demasiadamente fraco, ninguém se importou em descobrir se aquele Ka possuía alguma habilidade especial. O monarca foi o único a investigar, acabando por descobrir a capacidade de multiplicação do mesmo e que podia ser usado de forma defensiva ou ofensiva porque apesar de ser fraco, se estivesse em grande número, iria se converter em poder pela quantidade.
Todos observam o seu rei olhando com destemor para a dragoa que rosnava enfurecida.
- Você não conseguirá nos congelar. Posso fazer isso com o Karibou várias vezes porque posso remontar a sua pedra quantas vezes eu desejar – com exceção dos amigos de infância, além de Seto, Mahaado e Shimon, todos os outros estavam surpresos por ele falar com a sua adversária - Eu vejo em seus olhos que possuí inteligência. Inclusive, foi por isso que tomou cuidado com as pilastras que sustentam esse teto. Você evitava os atingir quando brandia a sua cauda. Uma besta não pensaria nisso.
Nesse interim, Shimon Muran se aproxima de Mahaado, murmurando algo, com o mago consentindo, para depois, o Hem-netjr falar em sussurro com o seu colega Karimu:
- Invoque a sua aranha do deserto capaz de criar teias (Desert Trapdoor Spider). Mas não o exponha. Apenas quero que assuma o lugar das minhas correntes.
O outro Hem-netjr consente e começa a entoar as palavras de invocação, fazendo surgir uma tábua de pedra atrás dele que fica de pé enquanto surgia o desenho de uma aranha rajada.
Mesmo enfraquecido, ele ainda tinha poder espiritual para invocar o Ka sem arriscar a sua vida.
- Apareça, Ka! – nisso, uma espécie de aranha rajada surge de uma tábua de pedra e ele ordena – Use a sua teia!
Aproveitando o aturdimento de Yukiko pela invocação dos Karibou, a aranha jorra várias camadas de teia pegajosa, fazendo-a se enfurecer com as teias que a imobilizavam, além de incomodá-la demasiadamente por serem pegajosas enquanto Mahaado concentrava o seu poder mágico após examinar à distância a coleira do jovem e após identifica-la, decide replicá-la.
- Yukiko-chan... – Yuugi murmura enquanto ela se encontrava perto dele, com os seus olhos saindo do estupor em que se encontravam.
Ao ouvir o murmúrio dele com a sua audição apurada, Yukiko começa a conversar mentalmente com ele.
"Continue como você estava. Não use os seus poderes. Eu não quero ver você sendo punido, caso eu não consiga nos salvar. Eu fiquei aliviada de você não ter reagido antes por se encontrar em uma espécie de torpor e quero que você permaneça assim. Eu quero ser a única atacando eles porque caso eu perca, serei a única a encarar a punição. Ainda bem que a dragoa que vive dentro da Kisara-chan só surge quando ela está inconsciente. Assim, ela não poderá ser punida porque não reagiu." - A dragoa fala o final com alívio dentro da mente do seu amigo.
"Mas..."
"Sem "mas", estamos entendidos?" – ela pergunta com seriedade e em um tom que não aceitava contestação.
"Sim"
Yukiko sorri discretamente, para depois, voltar a exibir um semblante furioso, fazendo a temperatura cair vários graus e de forma vertiginosa em seu entorno, congelando a teia pegajosa em questão de segundos, para em seguida, quebrá-la como se fosse pó, avançando em seguida com o seu porrete contra a aranha que desvia sobre ordens do seu mestre para frustração dela que acaba por fazer um buraco no piso de granito do palácio que atá aquele instante, estava relativamente incólume apesar das ocasionais marcas de garras no chão, proveniente das garras da dragoa da neve.
Então, ela nota que surge uma coleira igual ao de Yuugi em seu pescoço quando Mahaado terminou de replicá-la após murmurar o encantamento, fazendo-a rugir em pura fúria e imersa na mais pura ira, abre as asas, se preparando para gerar um vento violento, com o Faraó percebendo a coleira e o olhar de Mahaado, que fala:
- Agora pode detê-lo, Heru (Hórus). Ordene que ele pare. Eu repliquei a coleira do jovem.
Então, antes dela usar o seu ataque, Atemu exclama em tom autoritário:
- Pare!
Como ele queria que ela ficasse imobilizada, a coleira interpretou a ordem e surgiram correntes douradas do objeto que a envolvem, a imobilizando, fazendo-a cair no chão enquanto rosnava, obrigando as suas asas a ficarem encolhidas contra o corpo, com a sua cauda se encontrando imobilizada também.
Ela tentar falar algo, mas as suas mandíbulas estão presas, fazendo-a ficar frustrada.
- Eu vejo que você deseja falar algo. – Atemu percebe e fala em sua voz barítono profundo enquanto se aproximava dela após desfazer a invocação da placa de pedra do Karibou.
- Falar, Per'a'ah? Essa besta? – Akhenaden comenta surpreso.
- Ela não é uma besta. Ela está, apenas, enfurecida e mostrou inteligência ao evitar as colunas. Ademais, esses olhos não são de uma besta. Há inteligência neles.
Mana, que estava perto do local com Kisara, observa que Yuugi havia se mexido e estava abraçando a cabeça da dragoa que exibia uma postura protetora, mesmo aprisionada enquanto os olhos azuis cintilavam de ódio.
Então, eles percebem que o jovem parecia influenciá-la.
Então, Atemu pergunta, ficando aliviado em seu íntimo pelo rapaz ter feito algo por si mesmo, embora fosse discreto, demonstrando com esse ato que ele não foi quebrado de forma irremediável. Ou seja, ainda podia ser reparado, assim como a jovem albina de olhos azuis que pertencia ao seu primo.
- Yuugi, como vocês se conheceram?
Por causa do efeito da disciplina que sofreu enquanto via a sua amiga aprisionada, ele conta a história deles. A sua parte remanescente decide influenciar a narração e o faz omitir sobre a forma humana dela, não sendo considerada uma mentira pela coleira que o puniria se mentisse.
Afinal, o jovem estava, apenas, ocultando uma informação que não era pertinente à pergunta.
Essa parte do Yuugi procurava analisar atentamente as perguntas efetuadas para que não fosse dada uma resposta que prejudicasse ela porque desejava que a sua amiga fosse poupada de servir sexualmente o mestre deles, caso ele descobrisse sobre a forma humana dela. Se ela ficasse na forma de uma dragoa, seria impossível isso ocorrer, na sua visão.
Inclusive, o jovem se lastimava de não poder salvar a sua amiga Kisara de um provável estupro. Por isso, ele tentaria, ao menos, salvar Yukiko que sempre o protegeu e cuidou dele, desse destino ao ocultar que ela tinha uma segunda forma.
Após o fim da breve e resumida história que forneceu ao monarca, o mesmo fala:
- A sua vila julgava que era filha da Deusa da Lua por causa desse símbolo de lua crescente em sua testa e você não sabe de onde ela veio. Interessante...
- Eu não acredito que ela é inteligente... – Akhenaden comenta incrédulo.
- Qualquer um veria que o olhar dela não é de uma besta, Akhenaden. – Seto fala friamente ao olhar para o seu pai que cerra os punhos com o olhar gélido do seu filho para com ele.
Atemu nota que as correntes douradas exibiam alguns trincos, indicando que com o tempo, ela poderia romper o controle da coleira e decide pensar no futuro, uma vez que era demonstrou ter inteligência.
Portanto, ele decide fazer uma proposta para ela.
- O que acha de enfrentar os três Ka mais poderosos que eu possuo? São três porue eles vão representar Yuugi, Kisara e você, uma vez que foram trazidos juntos – Atemu notou que ela parecia ter um sentimento de proteção com a prateada porque havia evitado atingi-la, além dos seus olhos mostrarem preocupação para a jovem – Você precisa derrotar os três. Os derrotando, concederei a liberdade para todos vocês. Está de acordo? Você vai enfrentar um de cada vez.
A dragoa exibe surpresa em seus olhos ao olhar para o monarca enquanto que o portador do Sennengan fica chocado.
- Mas, Per'a'ah... - o tio de Atemu murmura após se recuperar do choque.
Quanto a Seto, após a surpresa inicial, ele consente porque confiava em seu monarca. Ele sabia que o seu primo estava falando dos três Netjer (Deuses) de Kemet, com o Hem-netjr acreditando que o dragão não conseguiria lidar com os três Ka´s mais poderosos enquanto que Exodia era considerado o quarto Ka mais poderoso de todos e que foi selado em cinco partes devido ao seu poder imenso.
Porém, somente Shimon conseguia controlá-lo desde que usasse o seu antigo Sennenjou e a última vez que ele o usou foi em uma guerra. Atualmente, o Sennen Aitemu se encontrava com o seu sucessor, Shada.
Claro que o tjaty (Vizir) e Conselheiro real mostrou a Atemu onde as placas sagradas de Exodia se encontravam, com ambos decidindo fazer um teste.
Afinal, se o monarca conseguia controlar os Deuses, ele conseguiria controlar Exodia e nesse dia, Shimon havia pegado emprestado o Sennenjou por precaução.
No final, foi demonstrado que portá-lo foi desnecessário porque o soberano conseguiu invocar e dominar Exodia facilmente, fazendo com que Shimon sentisse muito orgulho dele. Com este testo foi revelado que o Conselheiro real não era o único capaz de invocar e controlar Exódia.
