Notas da autora

Yukiko consegue...

Oshirisu no Tenkuuryuu consegue...

Raa no Yokushinryuu surge e...

Yo!

Ré (Rá no egípcio antigo).

Tenham uma boa leitura XDDDD

Capítulo 32 - O último Deus

Ela consegue virar o seu corpo e dá um chute potente com as suas garras, acertando o focinho do Ka, fazendo-a soltá-la apesar dele ter conseguido lançar o ataque enquanto gerenciava a dor do impacto do chute dela juntamente com os cortes em seu focinho ocasionados pelas garras afiadas que possuíam a aparência de diamantes.

Porém, Yukiko consegue desviar apesar de demonstrar um pouco de dificuldade com a manobra que executou para desviar do ataque direto e por se encontrar ocupada, desviando da esfera elétrica, não percebeu que o dragão resolveu usar a sua cauda como um chicote e como tinha cristas pontiagudas e afiadas, eles provocavam um dano considerável ao atingi-la no dorso como se fosse um chicote, cortando a sua pelagem e proporcionando ferimentos severos.

O seu ataque atinge parte das asas dela, fazendo-a perder altura, tanto pelo impacto, quanto pelos danos. Uma asa havia sofrido grandes lesões e a outra estava machucada, acabando por prejudicar o seu voo, com a albina sendo plenamente ciente de que não conseguiria ter a mesma capacidade de voo anterior ao mesmo tempo em que sentia dores intensas nas asas cada vez que as batia no ar juntamente com a dor pungente que sentia próximo da ponta de sua cauda enquanto que o ataque do dragão vermelho continuava de forma implacável.

Ela concentra os seus poderes e cria, a partir de uma nevasca, alguns dragões com espinhos de gelo juntamente com várias aves de bicos, garras e bordas de asas afiadas que avançam impiedosamente contra o seu oponente, com todos ficando surpresos com as habilidades que a dragoa demonstrava.

O ataque surpreende o dragão enquanto provocava alguns danos nele, com ela decidindo aproveitar o fato do seu oponente estar surpreso pelo seu ataque para avançar contra o Ka.

Quando o Deus termina de destruir os seres após ascender para o alto, Yukiko invoca duas espadas de gelo afiadas ao fazê-las surgir em suas patas e começa a desferir golpes contra o pescoço do seu adversário enquanto girava o corpo, desviando das garras, das esferas elétricas e das chicotadas.

Porém, na última cessão de golpes consecutivos, as patas dianteiras do dragão vermelho conseguem agarrar os braços de Yukiko, os esmagando ao ponto de quebrar os ossos e como último ato antes de desaparecer, sobre ordens do seu invocador, ele decide aproveitar a dor lacerante que ela sentia nos braços, para usar as escamas afiadas de sua cauda que eram como navalhas, brandindo-a vigorosamente, lesionando as patas traseiras dela para dificultar qualquer movimento deles, sobre gritos de dor da albina e para desespero de Yuugi e de Kisara.

Mesmo com a mente imersa em dor, a albina consegue gritar na mente do seu amigo para ele não intervir, conseguindo assim, encerrar qualquer pensamento que envolvesse alguma reação dele contra o seu captor, visando ajudá-la de alguma forma.

Agora, a sua cauda estava inutilizada e ela sentia uma intensa dificuldade em mexer os seus membros, acabando por sentir dores lacerantes cada vez que tentava movimentá-los porque sentia que alguns dos seus ossos haviam trincado enquanto que outros haviam sido quebrados ao mesmo tempo em que sentia demasiada dificuldade em manter o seu nível de voo em decorrência das dores pungentes oriundas de suas asas. Ela era plenamente ciente de que as suas manobras aéreas haviam sido prejudicadas. Mesmo assim, sustentava o seu olhar enquanto o seu oponente desaparecia do céu.

Mesmo que o seu Ka tivesse sido derrotado, esse fato não o abalou porque o seu plano estava transcorrendo como o esperado.

Afinal, conforme prosseguia na estratégia que planejou usar contra a sua adversária, ele havia conseguido inutilizar as principais armas dela, além de descobrir, gradativamente, os seus poderes e habilidades durante o embate.

- Essa besta derrotou dois Deuses?! – Akhenaden exclama estarrecido.

- Ela é incrível! – Seto exclama maravilhado ao mesmo tempo em que havia compreendido o plano do seu primo e o motivo de não ter invocado o Deus mais poderoso como primeira opção – Tanto poder! Esse poder será de grande utilidade para a proteção de Kemet.

Todos exibiam estupefação ao verem as batalhas enquanto perceberam que mesmo sofrendo danos e se encontrando enfraquecida, a dragoa mostrava a sua altivez, sem titubear.

- Ela é magnifica em todos os aspectos. Eu fico satisfeito dela ser um ser vivo e não um Ka.

- Por que fala isso, Hem-netjr Karimu? – Shada pergunta com evidente curiosidade em sua face.

- Um Ka pode ser destruído se a sua placa de pedra for destruída com exceção do Kuribou. Mas, ela somente será destruída se for mortalmente ferida. Portanto, não possuí a fraqueza de um Ka. Aquele Karibou consegue retornar indefinidamente porque o nosso grandiosíssimo Heru usou o poder do seu Tesouro para quebrar a pedra dele como se fosse um grande quebra-cabeça, utilizando o mesmo poder para restaurá-la, garantindo que ele pudesse ser invocado várias vezes. Qualquer outro Ka que tivesse a sua tábua quebrada após a invocação, não poderia ser invocado, novamente.

- Hemt-netjr Isis, você conseguiria invocar o seu Ka de cura novamente, para poder curar alguém?

- Bem, eu acho que posso fazer isso. Ela descansou bastante. Por que pergunta, Hem-netjr Mahaado? - a Guardiã Sagrada cora ao olhar para ele.

- Ela sofrerá mais danos contra o último Deus e seria crueldade fazê-la continuar com dor após ser derrotada. Nosso Per'a'ah desejará que ela seja curada dos danos que está sofrendo durantes os embates.

- Concordo. Seria demasiada crueldade. Se este for o desejo do Nsw, invocarei a minha Ka.

Todos os outros Guardiões Sagrados concordam que seria perversidade deixa-la com dor, com exceção de Akhenaden que comenta em um tom gélido:

- Eu acho que ela merecia sentir dor por algumas horas pela sua ousadia de derrotar os nossos Netjer (Deuses) e de ter ameaçado o Per'a'ah Atem. - Ele falava enquanto ignorava o olhar de repúdio dos demais Guardiões Sagrados perante a sugestão dele.

Nesse interim, após a derrota de Oshirisu no Tenkuuryuu, surge um murmúrio crescente dentre os keméticos até que Atemu ergue a mão e todos se calam, passando a ouvir a voz extremamente confiante e de autoridade incontestável que exalava em cada palavra proferida em um barítono profundo enquanto que em seu semblante, havia uma face impássivel:

- Não temam! Eu sou o filho dos Netjer e falo que os inimigos do nosso império podem resistir, além de lutarem para nos subjugar. Mas no final, os seus esforços serão em vão e a justiça divina na forma dos Deuses descerá sobre eles como um látego e os subjugará!

Yukiko gerenciava a dor em seu corpo enquanto concordava que ele conseguia controlar o povo facilmente, além de levá-los da forma que desejava apenas usando as palavras e a entonação correta ao mesmo tempo em que encarnava um Deus vivo.

Afinal, bastou fazer o seu usual discurso usando o tom certo e palavras certeiras para dissipar qualquer receio nos olhos do povo dele que volta a sentir uma confiança e admiração extrema pelo monarca, deixando a albina desconcertada pela forma como ele conseguia fazer eles o idolatrarem através da entonação das palavras, postura e discurso acertado.

- Ó poderoso Ré (Raa no Yokushinryuu)! Apareça perante mim!

Ele ergue o braço enquanto o Sennensui resplandecia, mais especificamente, o olho de Wadjet, conforme um feixe de luz dourada surgia do Ueju no Shinden que continha às placas dos Deuses e de outros monstros pertencentes à linhagem do Faraó.

Então, este feixe ascende para o céu, passando dentre as nuvens, as dissipando, para depois, o Deus se revelar, surgindo em toda a sua imponência, glória e poder ao resplandecer na mesma intensidade do Sol enquanto descia gradativamente dos céus, para ficar no mesmo nível de voo de Yukiko, passando a olhar atentamente para a sua adversária.

"Por que todos esses seres são grandes?! O tamanho é anormal!" – a albina comenta consigo mesmo com uma carranca.

Atemu se concentra e começa a controlar o Deus, iniciando assim o confronto aéreo e em nome da amizade que sentia por Yuugi e Kisara, a albina ignora estoicamente as dores pungentes em seu corpo enquanto se concentrava em derrotar aquele ser porque era o último dos seus oponentes, com ela sendo ciente de que ele devia ser o mais poderoso de todos.

Afinal, a seu ver, seria lógico enfraquecê-la, para depois, usar o mais poderoso para derrotá-la.

A albina invoca os seus poderes e cria uma nevasca violenta, com Raa no Yokushinryuu abrindo as suas mandíbulas para liberar o seu poder em forma de rajadas de luz que irradiavam um calor intenso, a obrigando a desviar enquanto a dragoa criava adagas de gelo, lançando-as em seguida contra o Ka, com algumas delas acertando o seu oponente e aproveitando a confusão do mesmo, cria uma lâmina de gelo, segurando-a entre as mandíbulas, uma vez que os seus braços e patas traseiras estavam inutilizados.

Então, ela começa a fazer movimentos brutais em sentido longitudinal e transversal, acertando o Ka que ruge em dor.

Atemu se concentra e dá uma ordem especifica ao ser para brandir a sua cauda.

Claro, não era como a cauda de Oshirisu no Tenkuuryuu, mas serviria para o propósito de acertar o focinho dela, provocando ardência em seus olhos, fazendo com que o adversário dela tivesse alguns segundos para agarrar o seu pescoço, para começar a asfixiá-la ao mesmo tempo em que a obrigava a soltar a espécie de espada de gelo das suas mandíbulas.

Mesmo sentindo a pressão intensa em sua garganta, abaixo da sua mandíbula, uma vez que tinha um pescoço comprido, Yukiko consegue planejar uma forma de se libertar do aperto brutal em sua traqueia.

Enquanto todos os expectadores pensavam que a dragoa iria sucumbir ao aperto vigoroso e brutal em seu pescoço que lhe privava de ar, ela os surpreende ao fazer surgir dois pares de asas adicionais feitas de gelo móvel, criadas com o seu poder e mesmo não sendo razoavelmente aptas para fazer grandes esquivas, eram fortes o suficiente para o que ela precisava.

A dragoa os bate fortemente, ascendendo para o alto o mais rápido que conseguia, ultrapassando as nuvens e continuando vigorosamente com a sua ascensão abrupta. O frio extremo não a incomodava enquanto trazia alivio para as dores intensas que a tomavam, com ela sentindo o aperto enfraquecer gradativamente conforme ascendiam, garantindo que mais ar entrasse em suas vias aéreas como um elixir bem-vindo que estimulava o bater vigoroso de suas asas, aumentando o impulso da subida em sentindo vertical e que eram auxiliadas pelas suas asas danificadas.

Inclusive, mesmo o ar sendo rarefeito, como ele era frio, fornecia ao corpo da albina tudo o que ela precisava para sobreviver ao mesmo tempo em que incomodava, demasiadamente, o Ka.

Conforme se elevavam em direção à Mesosfera, Raa no Yokushinryuu começa a sentir dificuldade em voar porque nunca havia voando tão alto onde havia o frio extremo e ar rarefeito enquanto que a temperatura congelante começou a provocar danos consideráveis nele, algo que não passou despercebido para Yukiko.

Satisfeita, ela vê que o seu oponente despenca e de fato, todos observam que o Deus lutando para se equilibrar no ar, conseguindo voltar ao seu voo apenas para eles avistarem algo alvo descendo como um projétil contra o Ka, que não consegue se esquivar enquanto caía em queda livre.

Todos prendem a respiração, temendo ser o fim dele, quando Atemu cruza os braços e começa a entoar um cântico.

Próximo dali, oculto dentre as sombras de um muro, dois gatos observavam atentamente a batalha, exibindo dor e tristeza em seus olhos ao verem os ferimentos da dragoa.

Ambos eram peludos e negros como a pedra ônix e acima do orbes azuis como duas safiras de ambos, havia um símbolo de lua crescente que era idêntico ao que Yukiko possuía em sua testa.

Um deles suspira e fala enquanto era evidente a tristeza em sua voz ao mesmo tempo em que o olhar de ambos se encontrava lacrimoso:

- Com certeza, aquele monstro tem algum movimento ou habilidade oculta. Veja o rei, Kiara-chan. Ele está entoando um cântico.

- Verdade. Eu me sinto tão triste vendo-a nesse estado, Yoru-kun, Justo ela que chegou ao extremo de... – ela não consegue falar mais porque a sua voz se encontrava embargada em dor e desolação.

- Eu também. Se ela tivesse acesso aos seus verdadeiros poderes, Yukiko-sama poderia... – a voz dele também estava imersa em tristeza e pesar ao ponto de não conseguir falar mais enquanto ficava cabisbaixo.

- Infelizmente, ela está usando, apenas, os seus poderes básicos.

- Sim. Acho que devemos...

- Primeiro, precisamos avaliar o ambiente, antes de tomarmos essa decisão. Precisamos nos precaver.

- Com certeza. Nós não podermos nos dar ao capricho de errarmos em nossa suposição. Não haverá uma segunda vez. Precisarmos tomar muito cuidado.

- Sim. Ainda mais, após o esforço de todos. Errar não é uma opção.

Então, eles voltam a olhar tristemente para a batalha que desenrolava na frente deles ao mesmo tempo em que sofriam, demasiadamente ao verem o estado em que a albina se encontrava.