Notas da Autora
Yukiko começa a...
Yuugi e Kisara se encontram...
Yukiko faz um pedido e...
Capítulo 34 - O pedido de Yukiko
- Eu não me arrependo e faria de novo por você e Kisara.
- Não faça mais isso! – ele grita, ainda chorando – Não quero ver os meus amigos sofrendo e se machucando por minha causa!
Ela olha bondosamente para ele e procura afagá-lo na medida do possível, tentando confortá-lo, enquanto falava:
- Minha dor é insignificante perante outra dor, bem pior e que corta o meu coração.
Yuugi olha com confusão para ela que fala, sorrindo tristemente:
- Eu perdi e por causa disso, não poderei libertá-los. Aconteceu como o bastardo previu. Eu caí perante o terceiro por causa daquela forma em chamas que o Ka possuía. Ele me enfraqueceu com os dois primeiros para me derrotar de forma magnifica. Eu reconheço isso, por mais amargo que seja esse pensamento.
- Como assim?
Yuugi é puxado para dentro da sua mente, vendo a figura translúcida da sua amiga em forma de dragão, na espécie de local em que ela outrora residia, com a mesma inclinando o seu focinho em direção ao seu amigo.
- Ele me fez mostrar os meus poderes, juntamente com o fato de ter derrotado em público o dragão oriundo de outras terras e que derrotou dois Deuses. No final, ele conseguiu descobrir muitos dos meus poderes, além de demonstrar a superioridade de Kemet em todos os níveis e que mesmo um ser tão poderoso quanto eu, pode ser subjugada. O bastardo teve sucesso com o seu plano. A minha vitória sobre os dois primeiros e a queda perante o terceiro, entusiasmaram demasiadamente o povo e com um discurso certeiro, contendo o bom uso das palavras e da oratória, ele criou uma grande comoção e igual idolatria em sua figura, consagrando-se entre o povo. Saber que fui usada para um show em glorificação a ele e a este império, me enoja. Mas, acordo é acordo. Ele não precisava dar essa chance e por mais que eu soubesse desde o início que eu não passaria por algo feito de chamas, de certa forma, aplacou a minha ira, mas a dor de não poder salvá-los, marca a minha alma. Eu também sei que as batalhas serviram para ele saber todas as minhas habilidades e poderes. Claro que ele não conhece alguns, já que não servem para as batalhas e não há motivo para eu revelar.
O pranto de Yuugi diminui um pouco, mas continuava brotando dos seus orbes que eram como duas gemas preciosas, com Yukiko erguendo o rosto dele ao usar delicadamente uma de suas garras, olhando nos olhos expressivos e que envergonhavam a mais bela ametista, enquanto acessava a mente dele para poderem conversar mentalmente, sendo que fazia o mesmo com Kisara ao dividir a sua mente, após encontrar um plano alternativo para a situação em que se encontravam.
- Eu sei que a sua parte quebrada vai obedecê-lo irrestritamente, se encontrando sempre atento a qualquer capricho e se ele for estuprá-lo, irei fazer de tudo para preservar a única parte de sua mente que consegui poupar, pois eu desejo preservá-la para ver o meu amigo e mesmo não podendo manter você a salvo como antes, farei de tudo para protegê-lo. Se sentir medo, pense em mim, que eu irei fazer você adormecer, deixando a sua outra parte quebrada para ele. Fique sempre atento. Você terá que cuidar dessa parte para mim, uma vez que não tenho certeza se poderei sentir quando você estiver em perigo. Você promete?
Ele seca o rosto e consente, falando:
- Sim.
Então, os olhos dela brilham e ela cria uma pulseira de cristal com a cabeça de um dragão e que se projeta para o exterior, enquanto o jovem olhava o objeto que tinha dois olhos azuis em um focinho de dragão e tal como a pulseira anterior, era invisível aos olhos de todos.
- Isso é para o caso de não ouvir o seu pedido por estar exausta de tanto lutar ou por qualquer outra situação. Afinal, eu não quero que isso me impeça de salvá-lo.
- E a Kisara-chan?
- Eu estou conversando com ela nesse momento e fiz o mesmo pedido. O caso dela é mais desafiador, pois a conhecemos há pouco tempo e ao contrário de você, não habitei dentro do seu corpo por anos. Mas procurei dar as mesmas chances de poupá-la, graças ao fato de você ter dado a pulseira para ela.
- Obrigada, Yukiko-chan.
Então, ela sorri e afaga a cabeça dele com a ponta de seu focinho, para depois a figura dela esmaecer em uma névoa, com essa mesma névoa se condensando, fazendo surgir naquele local uma pequena estátua de cristal contendo o formato do corpo dela, com Yuugi acreditando que era uma parte dela que estava com ele e que ela usaria como uma espécie de link, sendo que a conversa deles durou apenas alguns minutos no mundo de fora.
No lado de fora, a dragoa fica de pé, demonstrando dor em seu focinho, enquanto Hourii Erufu (Mystical Elf) retornava para a sua Placa de pedra que desaparece do local, enquanto retornava ao seu respectivo Ueju no Shinden.
Atemu se encontrava próximo dela, junto dos seus sacerdotes e Shimon, sendo que Diiva e Rishidi se encontravam próximos dele. Jounouchi, Honda, Shizuka, Ryou e os pais deles, estavam mais afastados, assim como Mariku e Mana.
Quanto aos soldados, povo, servos e escravos, eles se encontravam mais atrás dos amigos de infância do Faraó.
Yukiko se aproxima do soberano daquele império, ignorando o semblante tenso dos demais que o rodeavam e que se preparavam para defender o seu monarca ao menor sinal de perigo, fazendo-a revirar os olhos, pois não iria atacá-lo.
Afinal, a dragoa tinha a sua honra e por isso, honraria os termos do acordo entre ambos, juntamente com o fato de não desejar que a fúria dele desabasse sobre os seus amigos, enquanto planejava uma forma de libertar todos eles, além de buscar arduamente alguma falha no acordo feito entre ambos, pois aceitar os termos do acordo, não implicava dela desistir de encontrar alguma forma de retirar seus amigos da escravidão.
Portanto, Yukiko continuaria planejando uma forma de fazer isso.
Enquanto ela se aproximava, os dois gatos com símbolo de lua crescente na testa e que se encontravam longe do local, assistiam com pesar a subjugação dela.
- Eu gostaria de tê-la ajudado. – Kiara fala, após suspirar.
- Nós não podemos fazer isso. Afinal, sequer podíamos vir para cá. Nós precisamos ficar invisíveis para cumprir com a nossa missão. Infelizmente, teremos que observar ocultos dentre os gatos desse local para analisarmos o melhor momento para cumprir com o nosso propósito. – Yoru comenta, enquanto afagava gentilmente as costas dela com a sua patinha.
- Pelo visto, teremos que ocultar as nossas marcas. É a única forma de passarmos despercebidos.
- Sim. Precisamos nos misturar, enquanto devemos evitar contato humano.
- Você notou a forma como ela interage com aquele humano de cabeça em forma de estrela?
- Sim. Se bem, que não deveríamos estar surpresos.
- Com certeza. Mas nunca imaginei que ocorreria esse reflexo, por assim dizer, aqui neste mundo.
- De fato. Acho que se prestarmos atenção nele, poderemos perceber elementos que a fazem agir maternalmente em relação a ele.
- Com certeza, Yoru-kun. Eu confesso que estou curiosa. Creio que podemos aproveitar para observá-lo de perto para comprovarmos nossa teoria.
- Eu também estou curioso. Bem... Devemos nos infiltrar, agora.
O casal se entreolha e consente com um aceno da cabeça, passando a exibirem concentração em seus focinhos e após fecharem os olhos, o símbolo de lua crescente desaparece, com ambos abrindo os olhos, em seguida e depois de confirmarem a ausência do símbolo um no outro, eles se infiltram dentre os gatos daquele império.
De volta ao local onde o Faraó e seus súditos se encontravam, a dragoa se posicionava na frente dele e fala de forma respeitosa, por mais que as palavras tivessem um sabor amargo como fel para a mesma:
- Foi um plano demasiadamente engenhoso, por mais que eu deteste admitir isso, mestre.
- Do que está falando, besta? – Akhenaden pergunta, estarrecido.
A dragoa bufa e revira os olhos, falando:
- O plano de me usar para realizar um show ao julgar que a minha fraqueza era o fogo, deixando aquele ser que podia assumir a forma de chamas por último, sendo que antes de enfrentá-lo, você me fez batalhar contra outros que eu conseguiria derrotar, mas que iria inutilizar meu porrete, além de neutralizar meus braços e asas. De fato, eu perdi as minhas principais armas, restando apenas as minhas presas. Depois, invocou outro que exigiria o uso das minhas asas e se focou em neutralizá-las ao deixa-las debilitadas, juntamente com os meus braços e pernas, além de terminar de inutilizar minha cauda ao aproveitar a capacidade de manobra do corpo esguio daquele ser vermelho para escapar dos meus ataques, enquanto usava a cauda comprida dele, juntamente com o uso acertado das cristas afiadas e da segunda mandíbula, adicionando o fato dele ser capaz de usar rajadas de eletricidade. Eu descobri a estratégia pouco antes de derrotar aquele que parece uma enguia. Depois, com as minhas asas, cauda e patas debilitadas, usou o que tinha vantagem contra mim pelo uso das chamas ao reserva-lo para o final, pois, precisava terminar de me enfraquecer e após cumprir essa parte do seu plano, tentou me finalizar com um ataque super efetivo. O motivo de usar aqueles dois primeiros, não foi somente para me enfraquecer. O senhor desejava descobrir as minhas habilidades e mostrar o meu poder ao seu povo, para depois, demonstrar o ser dourado derrubando um invasor poderoso de outras terras que derrotou dois, apenas para cair nas mãos do terceiro, mostrando a invencibilidade de Kemet e que juntamente com discursos pontuais, principalmente o último, fez o povo entrar em um frenesi de admiração e de servidão. Ademais, você também queria passar a mensagem aos outros povos para desencorajar invasões e guerras. Uma demonstração de poder imenso e posterior, subjugação desse poder é um método bem efetivo – ela vira o seu enorme focinho na direção de Akhenaden, estreitando os olhos para o mesmo, enquanto rosnava levemente - Como você pode ver e ouvir, velho caolho, eu não sou uma besta.
Então, ela termina de falar, sendo que falava em um tom baixo, fazendo todos ficarem surpresos pela compreensão dela, inclusive Atemu, embora ele mantivesse a mesma posse de superioridade, inclusive em seu olhar e atos, sendo que ela havia acertado em tudo, menos no outro motivo que o levou a fazer isso e que era para evitar o uso da coleira.
Yukiko abaixa a cabeça em sinal de submissão e fala em um tom claro:
- Mestre.
- Pode erguer a cabeça. – ele ordena e ela ergue, revirando os olhos ao ver o novo frenesi entre a multidão.
- Velho caolho? – uma veia salta na testa de Akhenaden – Meu Faraó, essa best...
Atemu ergue uma mão e ele fica em silêncio, para depois, o Faraó falar em um tom de voz que não aceitava contestação, enquanto mantinha o semblante sério:
- Eu vou ordenar que ela não ofenda os membros da minha corte ou qualquer outra pessoa. Você ofendeu a minha escrava e por isso, não a condeno de devolver a ofensa. Que fique registrado que não aceito qualquer conotação pejorativa sobre a dragoa e a palavra besta entra nessa categoria. Afinal, ela deu provas que possuí inteligência, raciocínio e o dom da fala humana. Uma besta não teria alguns ou todos esses aspectos.
O tio dele se cala, não ousando desafiar o seu soberano, enquanto torcia os punhos, deixando-se levar pelas trevas que o seu coração cultivou pelos sentimentos negativos que fomentaram dentro dele.
Yuugi, que andava junto da sua amiga, acaba sendo engolfado pela inconsciência ao se sentir cansado, com Yukiko usando gentilmente a sua pata com garras para segurá-lo delicadamente, uma vez que ele estava ao lado dela.
Após se aproximar do jovem e analisá-lo, Shimon comenta pensativo:
- Provavelmente, foi por causa da extração e dos últimos acontecimentos. É incrível o fato que ele não tenha ficado inconsciente, antes.
- O seu nome é Yukiko, certo? Eu o ouvi chamar desse nome. – Atemu fala irradiando superioridade e seriedade, sendo o esperado do governante de um império.
- Sim, mestre.
- Leve-o no seu lombo. Devemos voltar a cerimônia, cuja tradição manda celebrar até os primeiros raios de sol. Quando ele acordar, será dada comida para ele.
- Sim, mestre.
Ela fala e o pega delicadamente com o seu focinho, o deitando na área que não tinha queimadura e que ficava na junção de seu pescoço, enquanto procurava andar de quatro, algo que não a agradava, pois as suas patas dianteiras eram menores do que as traseiras, fazendo com que o seu andar fosse estranho. Mesmo assim, se sujeitaria por aquele que amava como um filho querido para que este pudesse descansar.
O desconforto dela de andar sobre as quatro patas não passou despercebido no olhar atento do Faraó que não se encontrava surpreso pela dragoa se propor a andar em uma posição incômoda, visando permitir que Yuugi descansasse, percebendo que mesmo que não ordenasse, ela iria fazer de bom grado.
O motivo de não ficar surpreso é que eles tinham a mesma relação que ele possuía com os seus amigos, Jounouchi, Honda, Mariku, Ryou, Mahaado e Mana, embora soubesse que havia um adicional. No caso dela, era o olhar maternal que ela exibia para o jovem.
Inclusive, foi este sentimento, juntamente com a amizade, que fez Yukiko dar o seu sangue para tentar derrotar Raa no Yokushinryuu, chegando ao ponto de ter graves ferimentos pelas batalhas anteriores e depois, contra o último oponente, fazendo com que a areia em volta e embaixo dela fosse tingida de carmesim e em virtude dos danos imensos que havia sofrido, a magia da Ka invocada por um dos seus shinkan havia apenas fechado as feridas mais profundas para conter o sangramento, além de tratar das queimaduras que eram mais severas, sendo necessário uma segunda invocação deste mesmo Ka no dia seguinte, para terminar o tratamento das lesões e queimaduras.
De fato, a albina era muito super protetora e amava Yuugi, sendo que poderia ter fugido deles e mesmo com a dor proporcionada pela coleira, a dragoa a teria destruído, eventualmente.
Porém, pelo vínculo que tinha com o seu escravo pessoal, ela não podia abandoná-lo, acreditando que era o mesmo em relação à Yuugi e ao constatar isso, sorri internamente.
- O que era a coisa branca que você criou? – Mana pergunta curiosa.
- Aquilo se chama neve. As espadas eram de gelo. Há os cristais de gelo, também.
- Neve? Gelo?
- A água pode evaporar ou condensar, sendo que pode se tornar gelo ou neve, dependendo de como ela é gerada. Há também a geada, além do granizo que é uma gota de chuva que é congelada ao ascender acima das nuvens pelo vento, para depois descer, sendo ascendida novamente para ser congelada de novo e assim por diante, adicionando várias camadas de gelo e somente quando fica demasiadamente pesada, ela cai em direção a terra, possuindo a forma de uma pedra.
- E como são criados os outros que você citou?
Yukiko explica e após terminar a explicação, observa pelo canto dos olhos que a aprendiza de mago se encontrava maravilhada pelo conhecimento que adquiriu, com a dragoa percebendo que os outros em volta estavam admirados com o seu conhecimento, fazendo-a sorrir de canto, para em seguida, a jovem morena perguntar:
- Você disse que a chuva congela ao subir para o céu. Por que isso ocorre?
- Conforme você se aproxima das nuvens, a temperatura cai, gerando condições adversas para a vida. Acima delas, a temperatura é congelante. Foi assim que eu detive, temporariamente, aquele ser que era dourado. Ademais, cada vez que você ascende para o alto, o ar se torna rarefeito, dificultando a sua respiração ao ponto de não ter mais oxigênio.
Todos eles estavam estupefatos com o conhecimento que ela demonstrava. Atemu também estava, mas mantinha a face neutra, como se soubesse o que ela falava.
Afinal, como era visto como um Deus vivo pelo seu povo, ele devia ter a sabedoria e conhecimento divino.
Portanto, deveria conhecer esses aspectos e agradecia mentalmente por Mana ser tão curiosa, sendo que os sacerdotes concordavam que chamá-la de besta era demasiadamente inapropriado, com exceção de Akhenaden.
A jovem de pele ocre profundo estava simplesmente maravilhada e após, tentar imaginar tudo o que Yukiko havia explicado, ela comenta:
- Então, você é uma dragoa das neves, né? Você disse que era um.
- Sim. E como deve ter desconfiado, o meu habitat ideal é lugares frios. A temperatura desse deserto, agora, é muito boa. Quanto mais frio, melhor. O calor me incomoda e por causa disso, as chamas são a minha fraqueza. Por isso, eu não consegui lutar contra aquele que era dourado.
- O Deus Raa no Yokushinryuu?
- Sim.
Então, ela nota o olhar de admiração de Mana e arqueia o cenho, perguntando:
- Por que está olhando dessa forma para mim?
