Notas da Autora

Mana está...

Seto decide...

Kisara se encontra...

Yo!

Eu peço desculpas pela demora.

Enfim, consegui terminar a revisão para postar e já estou adiantando a revisão do próximo.

Tenham uma boa leitura XDDDD

Capítulo 35 - A confusão de Kisara

Então, ela salta no pescoço de Yukiko, esfregando o rosto nos pelos sedosos, enquanto murmurava com um imenso sorriso no rosto:

- São tão macios... Parecem que são feitos de seda. Yuugi é tão sortudo de deitar nesses pelos. – ela fala os acarinhando, enquanto continuava esfregando a cabeça.

- Mana, comporte-se. – Mahaado fala em tom de censura a tirando da dragoa, com a jovem fazendo beicinho, enquanto Isis dá uma leve risada, pois o via como um pai responsável com uma filha arteira.

Yukiko ouve miados e olha em volta, reparando nos gatos e seus olhos brilham, achando eles lindo, sendo que nunca havia visto tal ser e inclusive, aproxima seu focinho para avistar alguns, embora tivesse dentro dela, a sensação de que já havia visto aquele animal em algum momento por mais que não conseguisse se lembrar de quando e onde avistou um deles, sendo que inclusive, parecia querer surgir uma lembrança, com ela vendo as bordas dessa recordação, pelo menos, era a sensação que tinha, para depois essa recordação se esvanecer por completo.

Mana percebe o olhar da dragoa e comenta, fazendo-a sair de seus pensamentos:

- Você nunca viu um gato antes, né? Eles somente existem aqui em Kemet (Egito). Qualquer um que tente tirar um gato do império é punido com a morte. Afinal, são animais sagrados para a nossa cultura e igualmente vitais para a manutenção de nossos alimentos ao protegê-los das pragas que atacam nossos silos e plantações em busca dos grãos, sendo que tais pragas também podem causar inúmeras enfermidades. Nós raramente termos enfermidades provocadas pelas pragas graças a nossa população de gatos. Temos duas Deusas. Sekhmet, a Deusa da guerra com cabeça de leoa e Bastet, com cabeça de gato que protege o lar.

- Interessante...

Então, ela continua a falar, só que para si mesma, em pensamento:

"Isso quer dizer que eles têm Deuses antropozoomórficos... Eu acredito que eles tenham aqueles que são antropomórficos, também. Bem, seria o esperado. Será que eles têm Deuses zoomórficos? Sério, eu queria saber de onde vem o meu conhecimento..." – ela murmura o final, enquanto suspirava, pois bastava pensar em algo e o conhecimento surgia em sua mente, nítido como a água cristalina.

De repente, um jovem gatinho acaba se desequilibrando do muro e cai do alto, com a dragoa vendo a queda pelo canto dos olhos.

Rapidamente, ela estende a pata felpuda, impedindo que o filhote se machucasse, para depois trazê-lo junto de si, afagando-o gentilmente com a ponta do seu focinho, o devolvendo onde se encontrava, anteriormente, apreciando o som que ele fez, sendo que tal ato não passou despercebido para a maioria que ficou surpresa com a gentileza e igual delicadeza que ela podia demonstrar, quando desejava.

Eles retornam ao palácio e o Faraó indica um canto onde Yukiko podia se deitar e conforme se dirigia para o local destinado à ela, com ele observando a beleza angelical do menor deitado sobre a pelagem dela, para depois, registrar mentalmente a necessidade de encontrar um local grande o suficiente para acomodá-la e que fosse fresco, pois o calor a incomodava, o monarca se torna plenamente ciente de que o seu primeiro ato na manhã seguinte, seria encontrar o local para acomodar os presentes, assim como, uma dragoa imensa.

Após Atemu sentar no seu trono, dando sinal para que as festividades recomeçassem, Seto vai até Kisara, que havia ficado junto da dragoa, com o ser imenso controlando a todo o custo os seus rosnados ao se lembrar do fato dele ter mantido Yuugi preso em seus braços, usando a ponta afiada do objeto dourado em suas mãos para ameaçar a vida de seu amigo ao apontar para o pescoço dele.

Ignorando estoicamente os rosnados ensurdecedores, mesmo em um timbre baixo, ele puxa Kisara de perto de Yukiko, com a adolescente demonstrando alguma emoção ao ser pega pela mão e após afastá-la, o shinkan pergunta, enquanto ficava aliviado internamente, pois a bela prateada parecia se recuperar em um ritmo mais rápido do que o outro jovem:

- Você tem poderes mágicos?

- Não, mestre. – ela fala de forma submissa para desânimo dele.

Após ouvir a sua resposta, ele fica confuso e depois, pergunta:

- Você sabe o motivo daquele desgraçado ter colocado essa coleira?

Ela força as suas memórias e conta sobre o incidente do mercado, quando Yuugi usou a sua magia para salvá-los do apedrejamento ao abrir caminho entre os aldeões e depois, dele criando neve, com ele a derretendo para se tornar água, pois eles estavam com sede e não haviam conseguido água dos aldeões, que inclusive os apedrejavam sempre que se aproximavam, fazendo com que o portador do Sennen Shakujou ficasse com raiva no final do relato pelos moradores da vila terem tido a ousadia de agredir alguém com uma beleza angelical, como a jovem a sua frente.

Seto confessava que queria torturar pessoalmente alguns plebeus naquele momento e após se acalmar, percebeu que o mercador de escravos julgou erroneamente que ela tinha magia, quanto na verdade, a jovem não possuía qualquer magia.

Mesmo assim, precisava se certificar e vira o seu rosto na direção do líder da corte de magos, que por sua vez, olha para o shinkan que pergunta:

- Mahaado, você poderia confirmar se ela tem magia ou não?

- Claro.

Ele se aproxima, fechando os olhos e após se concentrar por alguns minutos, o mago abre os olhos e fala:

- Essa jovem não possui qualquer magia.

Então, o estômago dela ronca, fazendo-a demonstrar um rubor intenso em suas bochechas, com Seto a levando até as mesas imensas que continham o farto banquete, falando, enquanto apreciava o carmesim em suas bochechas:

- Sinta-se a vontade. Coma e beba o que desejar.

Kisara fica estupefata ao ouvi-lo, pois havia percebido que vários nobres e pessoas de alta classe se serviam, sendo algo inusitado para a jovem, pois ela era uma escrava e em tese, sequer poderia se aproximar de tal banquete senão fosse para repor a comida e bebida das mesas ou servir aos outros de hierarquia superior a ela.

Após se refazer da estupefação, notando que havia recebido autorização para se servir, ela consente, com o shinkan ficando satisfeito ao perceber que a prateada demonstrava algo em seu olhar e que os seus orbes estavam menos "mortos" por assim dizer, do que do outro escravo que estava dormindo profundamente dentre a pelagem de Yukiko, procurando abraça-la em seu sono, enquanto a mesma agia como um feroz cão de guarda, pelo menos, até se distrair com alguns dos gatos que habitavam o palácio, com a mesma dando carinho neles delicadamente com a ponta de suas garras.

Quando ela cessa, temporariamente, os seus rosnados ensurdecedores, as pessoas no entorno voltam a relaxar, embora olhassem ocasionalmente, com um nítido receio em seus olhares para a grande dragoa alva, que por sua vez, se divertia ao dar alguns rosnados esporádicos sempre que algum curioso se aproximava demasiadamente, os fazendo correrem apavorados, enquanto um imenso sorriso surgia em suas mandíbulas ao encontrar uma fonte de diversão naquela festa.

Após se certificar de que ela não era uma ameaça e que apenas estava assustando os curiosos que se aproximavam dela, Atemu suspira discretamente e bate as mãos.

Ao fazer isso, surge um servo que se prostra na sua frente.

- Deem comida para a dragoa. – ele fala em um barítono profundo e autoritário.

O servo consente e se afasta, enquanto outro trazia a bandeja para o soberano se servir.

Nesse interim, Kisara estava incerta sobre pegar um prato como as outras pessoas, pois era uma escrava e ao ver o receio dela de estender as mãos para pegar um prato, Seto pega o objeto e o coloca em suas mãos, falando:

- Eu disse que podia se servir. Fique a vontade.

- Obrigada, mestre. – ela fala servilmente.

A albina nota a mesa farta e fica em uma perda de palavras com a diversidade de alimentos ofertados e que muitos deles eram desconhecidos para ela, sendo que ela demonstrava fascínio em seus orbes azuis que eram como duas safiras que adornavam o rosto angelical da jovem ao seu lado.

Então, de forma tímida, ela começa a se servir, até que ganha confiança, começando a pegar mais alimentos, um de cada tipo para que pudesse provar as iguarias requintadas, para depois começar a saboreá-los ao se sentar de joelhos no chão, se deliciando ao sentir a maciez e o sabor indescritível em seu paladar e que transcendia os seus sonhos mais surreais.

Ao ver onde ela se sentou, Seto suspira, pegando-a delicadamente pelo antebraço, fazendo-a se levantar, falando, fazendo a prateada olhá-lo, exibindo surpresa em seu semblante, conforme era erguida de forma gentil, enquanto evitava olhar para os seus olhos, uma vez que era uma escrava, acabando por tremer levemente ao julgar, erroneamente, que havia irritado o seu mestre, apesar dele não demonstrar irritação em seu rosto:

- Olhe para mim – ele pede com uma voz gentil, fazendo-a ficar estupefata pelo tom e com um vestígio de confusão em seus orbes, enquanto cessava o seu temor, ela olha para os olhos azuis dele que demonstravam gentileza e outro sentimento que a jovem não conseguia discernir – Eu não quero que desvie os olhos. Eu a autorizo a olhar em meus olhos. O meu nome é Seto.

Kisara consente, para depois, ser levada gentilmente até uma cadeira, onde a jovem sentou, falando em um tom gentil, fazendo as bochechas dela se aquecerem, pois com exceção de Yuugi, ele era a segunda pessoa a tratá-la com gentileza, com a prateada ficando surpresa ao perceber que apesar dos status dele, ele não parecia ser um mestre cruel pela forma como a tratava e pelo olhar gentil que dedicava para ela, embora percebesse outro tipo de sentimento que não conseguia compreender e que era amor, enquanto que a adolescente se sentia atraída de uma forma incompreensível para o homem de pele ocre profundo á sua frente, ao mesmo tempo em que possuía a estranha sensação de que o conhecia de algum lugar:

- Não coma no chão. Sente nessa cadeira e volte a comer.

Nisso, o shinkan se afasta e Kisara olha para o sacerdote, com os seus olhos retornando, gradativamente, a terem vida, enquanto estava confusa, pois ele estava agindo de forma diferente do que foi ensinado durante a disciplina, com a prateada sentindo o seu coração aquecer pelo seu mestre, fazendo-a a corar ao se recordar do olhar que ele dedicou a ela, enquanto persistia a sensação de que não era a primeira vez que se viam, com esse sentimento persistindo em seu ser, sem saber que era o mesmo para Seto, pois o portador do Sennen Shakujou também tinha essa sensação inquietante em seu ser.

Conforme se afastava, ele olhava para a túnica simples que ela usava em forma de vestido, presa na cintura por uma corda fina e rústica, enquanto tinha os pés descalços.

Ademais, o shinkan havia notado que ela estava desnutrida e desidratada, além de ter bolsas sob seus olhos, sendo evidente o fato de que ela não estava bem, com ele decidindo levá-la à curandeira real para que passasse por uma avaliação médica, pois desejava saber a orientação médica de como proceder com ela, acreditando que o seu primo também levaria Yuugi para a Curandeira real, assim que Ra surgisse em sua carruagem no céu.

Por enquanto, faria o que podia para ajudar, fornecendo comida e bebida a vontade.

Ao sair dos seus pensamentos, o shinkan nota que ela se engasgou e corta o espaço entre eles em uma velocidade surpreendente, dando batidinhas nas costas dela e após ela se desengasgar, ele estende um corpo de água, com a prateada solvendo o conteúdo, para depois, suspirar profundamente, demonstrando alívio.

Então, a jovem processa o gesto do seu mestre e fica boquiaberta, olhando para ele, fazendo os seus olhos ficarem "mais vivos" do que antes, por assim dizer, enquanto corava, para depois ouvir a voz profunda dele e no mesmo tom gentil de antes:

- Coma devagar e mastigue bem a comida. Você pode pegar mais, se desejar.

Kisara fica surpresa pelo cuidado que ele ofertava e conforme observava o seu dono se afastando, a adolescente tentava compreender a consideração e gentileza dele para com uma escrava, agindo de forma contrária ao que ela esperava, considerando o treinamento intensivo que teve para servi-lo adequadamente e pelos seus atos para com o seu amigo.

Então, a jovem passa a sentir um tremor involuntário que surgiu abruptamente nela ao se recordar do fato de que deveria servi-lo na cama, segundo o que aprendeu, sendo um pensamento que a aterrorizava profundamente.

Afinal, tratá-la com gentileza, não afastava a ameaça de tomá-la, a seu ver, uma vez que era propriedade dele, com ele tendo todo o direito de possuí-la como desejava, com o adicional de que não deveria reagir e muito menos, negar ao seu mestre sobre pena de punições piores do que eles sofreram aquela tarde nas mãos do mercador.

Então, a adolescente olha para o seu prato e suprime uma lágrima que ousou formar em seus olhos, enquanto suspirava, decidindo que deveria voltar a comer para aproveitar o sabor e que não deveria pensar nisso, pelo menos, até que fosse inevitável, pois sofrer antecipadamente, nada faria para tornar a situação melhor, sendo que somente iria estender o seu sofrimento antes do ato inevitável, a seu ver.

Suspirando profundamente, de novo, ela volta a comer, decidindo que deveria sobreviver um dia de cada vez, como sempre fazia, nunca pensando no futuro, decidindo seguir isso mais a risca do que o usual, considerando a sua situação atual.

Kisara olha instintivamente para a pulseira que Yuugi lhe deu e que mais ninguém via, sendo que não podiam senti-la, mesmo que a tocassem, fazendo a jovem se recordar da conversa com Yukiko em sua mente e a oferta dela ficar inconsciente no momento do estupro. Ela saberia o que ocorreu, mas não se lembraria, pois ficaria em uma espécie de estupor, inerte o que acontecia ao seu corpo, embora pudesse cumprir com qualquer exigência que o seu dono fizesse, pois haveria uma parte temporária no controle que iria reter a memória dos acontecimentos. A adolescente somente despertaria, recobrando o seu corpo, quando estivesse longe dele.

Ao pensar que tinha um meio de sobreviver a essa provação, pelo menos parcialmente, ela se sente mais aliviada, embora o medo e a tristeza ainda persistissem em seu íntimo, enquanto percebia que havia preservado por muito tempo sua virgindade e que isso podia ser considerado um verdadeiro milagre, uma vez que vivia sem rumo e que havia sido atacada algumas vezes quando foi capturada, apenas para se encontrar sozinha quando despertava, observando que havia destruição a sua volta e ausência de corpos, com exceção de esporádicas cinzas no entorno, com ela sabendo, agora, que essa destruição era proveniente do ser que vivia dentro dela e que a protegia, além de não ser um monstro maligno pelo que foi apontado por Yukiko, que a descreveu como uma protetora pessoal dela e que somente agia quando ela estava em perigo.

Próximo dela, Seto havia notado a névoa de tristeza e medo nos orbes azuis que envergonhavam a mais bela safira e que demonstravam ter alguma vida ao longo das horas, percebendo também que o entusiasmo dela pela comida diminuiu, como se estivesse preocupada com algo, fazendo o shinkan desejar descobrir o que parecia atormentá-la.