Notas da Autora

Yuugi fica surpreso quando...

O jovem começa a...

Atemu explica...

Yuugi se encontra...

Capítulo 41 - Atemu

Yuugi fica mais confuso ainda, pois, o tom era gentil. Não era uma ordem e sim, um pedido, além de registrar o uso do "por favor", outro tema que o deixou desorientado e mesmo estando confuso, ele cumpre prontamente com a ordem dada e ergue o rosto, com o medo ainda visível em seu semblante, enquanto os seus olhos estavam sem vida.

O adolescente de orbes ametistas nota a face preocupada de Atemu, que tinha o rosto limpo e sem cosméticos, sendo que estava sem a coroa, enquanto portava o seu Sennensui, que repousava em seu tórax.

O jovem percebe que o seu mestre parecia relaxado e que os olhos carmesins emanavam uma gentileza sem precedentes, deixando-o atônito pelo contraste entre aquele olhar e o que ele demonstrou no Salão real, nas parcas vezes que ergueu, fugazmente, os olhos quando estava junto do quarteto.

Como se lesse os pensamentos dele, o soberano sorri gentilmente e fala:

- Aquele no trono era o Deus de Kemet. Eu sou Atemu, agora. Um homem e não, um Deus.

Ele nota o semblante confuso e fala, suspirando:

- Eu desejei que você ficasse na presença dos meus amigos de infância na esperança que saísse dos grilhões do terror em que se encontrava e fico satisfeito em ver que saiu deles. Pelo menos, um pouco. Agora, eu preciso fazer a minha parte.

O soberano surpreende Yuugi quando se levanta em direção a ele que fecha os olhos, passando a tremer intensamente, enquanto se encolhia, pois, imaginava que o seu mestre iria tomá-lo naquele instante.

Então, após alguns segundos torturantes, o jovem não sente nenhuma mão em seu corpo ou o seu chanti simples sendo removido e enquanto se encontrava demasiadamente aterrorizado para abrir os olhos, ele sente um leve roçar da pele bronzeada do monarca em sua pele, na altura do pescoço e depois, um clique suave, sentindo que o metal frio não se encontrava mais junto da sua pele, enquanto ouvia o som dele caindo no chão.

O som o faz abrir os olhos e ele olha automaticamente para o chão, vendo a sua coleira caída, para depois, afagar o pescoço, como se desejasse comprovar que o metal foi removido.

Então, ao comprovar que a coleira não estava mais no seu pescoço, o jovem exibe em seu rosto um misto de surpresa e de confusão, erguendo os orbes ametistas para o seu mestre que sorria gentilmente, para depois se virar, pegando uma caixa dourada com hieróglifos entalhados em sua superfície.

Atemu estende a caixa na frente do adolescente e o destampa, revelando um colar dourado com uma ametista no centro, contornada por uma faixa de prata, sendo que Yuugi acreditava que era mágico, pois, tinha a impressão de ter visto um leve brilho percorrer o objeto quando a caixa foi destampada.

Ele nota que o Faraó pega o colar e o coloca gentilmente em seu pescoço, fechando o fecho na parte de trás, falando com a sua voz barítono que enviava arrepios de prazer pela coluna do jovem de orbes ametistas:

- Não é mais uma coleira e sim, um colar mágico. A prata é o metal mais raro do meu reino, uma vez que não é abundante como o ouro, juntamente com a ametista que é a joia mais preciosa do meu império, pois, é raro encontrá-lo nas minas. Há uma forte magia nessa joia graças ao poder mágico de Mahaado que a criou em virtude do meu pedido. Seto também encomendou um colar mágico. Tanto eu, quanto o meu primo, entregamos colares normais para que ele pudesse imbuir ambos com uma magia poderosa para poder mantê-los a salvo. Afinal, eu ainda não possuo um controle da magia tão preciso como Mahaado para poder imbuir magia em um objeto. Eu ainda estou aprimorando a minha magia. O motivo de desejar tomar essa precaução é pelo fato de você ser exótico, fazendo com que seja um alvo cobiçado, juntamente com o fato de se encontrar próximo ao Faraó. Eu vi o olhar de cobiça que muitos exibiam para você na festa. Mas, nunca se aproximaram de você graças a Yukiko e depois, aos meus amigos. Você não é meu escravo pessoal e sim, um servo pessoal. Eu não me sinto bem possuindo um escravo. Eu compreendo que preciso manter a escravidão no jogo de política que vivencio, mas, não quer dizer que eu aceito e para tentar ajudar na vida sofrida de um escravo, limitei os motivos para alguém ser escravizado ao mesmo tempo em que implementei leis para tentar tornar a vida menos sofrida, dando a chance do escravo se libertar ao preservar o direito dele ter a sua propriedade assegurada, com ele podendo comprar a sua liberdade.

Yuugi ouvia tudo em silêncio, sendo que estava estarrecido pela mudança e pelo modo como Atemu agia e que não era condizente com o que estava esperando, considerando a postura dele no salão real e o treinamento que teve naquela tarde, sendo que a voz do mercado de escravos soava cada vez mais distante, embora ainda se fizesse ouvir, com o monarca notando o leve brilho que surgia nos olhos daquele que amava, decidindo que deveria aumentar ainda mais aquele brilho, pois, odiava ver a tristeza naquelas belas joias que envergonhavam a mais bela ametista e que sempre deviam brilhar de felicidade:

- Eu só tenho relações de forma consensual. Nunca violei alguém e não pretendo começar. Portanto, não há o que temer. Inclusive, muitos se jogam em meus braços, sejam homens ou mulheres, suplicando para serem tomados, nem que seja por uma noite. Mesmo que eu não tivesse essa demanda de pessoas, nunca faria algo tão deplorável e covarde.

A confusão se instaura novamente em Yuugi, enquanto os olhos readquiriam mais algum brilho, com ele olhando para os olhos gentis de Atemu que eram tão distintos dos olhos que testemunhou no salão real.

Inclusive, o adolescente de orbes ametistas percebeu que não havia qualquer mentira nos olhos do nobre e que a promessa era verdadeira, sendo que havia notado a repulsa no olhar do governante de todo o Kemet quando citou a palavra violar. De fato, a repulsa era genuína e isso o deixou estarrecido, fazendo os seus olhos readquirirem vida, embora mantivesse o seu receio natural, decidindo deixá-lo escondido, sem descartá-lo por completo.

- Amanhã, você poderá explorar o palácio. As suas funções começaram no dia seguinte. Vou pedir para Mahaado ser o seu guia, após, você passar na curandeira real.

- Que funções? – ele pergunta em um fio de voz, tampando a boca com as suas mãos, enquanto exibia medo em seu semblante, pois, não deveria ter falado sem receber autorização.

Porém, fica estarrecido ao ver um sorriso nos lábios do Faraó, que fala:

- Fique a vontade para falar comigo. Longe do público, sou apenas Atemu. Mas, quando estivermos em público, você deverá seguir as regras de etiqueta de um servo para um Faraó. Mesmo os meus amigos de infância, inclusive Mahaado, Mana, Shimon, Jounouchi, Honda, Mariku, Ryou, juntamente com o meu primo, Seto, devem seguir uma etiqueta restrita em público. Afinal, para todos, eu sou o Deus que governa o Kemet, possuindo autoridade e julgamento divino, sendo que é crime tocar ou olhar nos olhos de um Deus. Eu ajo daquela forma em público, pois, uma mão divina autoritária é necessária para manter o império. Mas, quando estivermos em locais longe do público ou dos guardas, posso ser apenas Atemu.

Yuugi fica boquiaberto e vê o mais velho sorrir de canto, falando:

- Eu imagino a opinião que você tinha sobre mim quando eu estava usando a máscara do Faraó. Como você pode ver, agora, aquele não sou eu, de verdade e sim, o Deus vivo, filho do Deus Rá. Esse na sua frente é o homem por trás do Deus. O homem chamado Atemu. Por isso, pode me chamar de Atemu em particular, assim como os meus amigos fazem.

Ele consente, sendo que os seus olhos não estão tão opacos, com o mais velho sorrindo, pois, o seu plano estava sendo um sucesso.

Então, o monarca fala, mantendo o tom gentil em sua voz barítono:

- O seu serviço como servo pessoal é me acompanhar e fornecer o que eu necessito. Ademais, você vai cumprir o papel delas, me trocando e me auxiliando no banho. Durante o banho, os servos ou escravos podem tocar a pele do Faraó, sem temerem qualquer punição. Como sou visto como um Deus, um mortal tocar em um Deus é um crime terrível. Claro que as servas acabam me tocando por acidente, algumas vezes, quando me trocam, pois, muitas ficam fascinadas com a minha beleza. O certo seria puni-las, mas, eu relevo, assim como o meu pai fazia e se tornar algo repetitivo, basta eu ameaçá-las, que elas param. Ademais, o homem Atemu, este que você vê na sua frente, só é conhecido por meus amigos de infância e pessoas próximas. Mahaado, Mana, Seto, Shimon, Mariku, Jounouchi, Honda, Ryou, os pais desses três últimos e agora, você. Como pode ver, é um grupo bem seleto.

- Verdade. – os olhos dele voltam a ter vida e ele nota um imenso e genuíno sorriso vindo de Atemu, fazendo o seu coração se aquecer e falhar uma batida, enquanto corava.

O imperador de todo o Kemet confessava que amava ver aquela cor vermelha na pele de marfim do jovem a sua frente.

Quando o brilho volta aos seus orbes que envergonhavam a mais bela ametista, os olhos do jovem passam a olhar com atenção o homem a sua frente, se dedicando a uma observação meticulosa, algo que não fez antes, porque estava aterrorizado.

Os seus olhos eram carmesins escuros, sendo profundos e igualmente penetrantes, mesmo em seu estado de relaxamento e conforme a luz de uma lamparina próxima incidia próxima dele, os olhos vermelhos se assemelhavam a chamas ardentes que faziam o macho menor corar intensamente, conforme era tomado por calafrios prazerosos que o deixaram estarrecido, sendo que os orbes rubros como sangue se encontravam cobertos por cílios grossos e o rosto era esculpido em ângulos agudos com bordas afiadas, formando uma mandíbula forte que fornecia uma apresentação ainda mais intimidadora, apesar de exibir um sorriso gentil.

Seus cabelos eram espetados e negros em uma coroa selvagem de mechas pretas e carmesins, que cravava e balançava como fogo negro em chamas, com as pontas demonstrando um tom sombreado flamejante nas bordas, como uma coroa selvagem de mechas ônix, cujas pontas eram carmesins, com algumas mechas douradas de cabelo se encontrando caídas na frente do seu rosto e outras o contornando, sendo que se encontravam espetados para baixo, enquanto que as outras mechas se encontravam erguidas em direção ao cabelo ônix que era espetado em forma de estrela.

Seus olhos descem, percebendo que a sua constituição era tonificada ao deparar-se com um peito forte e esculpido pelo mais habilidoso dos artistas, contendo vales de músculos e cicatrizes de batalhas anteriores e dos treinos, sendo que o Sennensui jazia em cima do seu tórax, preso por uma corda rústica, sendo algo que se encontrava deslocado do luxo que ele exibia.

O tórax trabalho pelos próprios Deuses se moldava em um amplo conjunto de ombros, com braços musculosos e fortes, ostentando a constituição de um guerreiro, possuindo braceletes dourados, assim como, algumas pulseiras de ouro nos pulsos, enquanto que alguns anéis dourados e prateados com joias incrustradas adornavam os dedos de suas mãos másculas, embora fossem em quantidade bem menor do que quando estava em público.

A pele nua era da cor do bronze e apesar de ter poucas joias, ele continuava exalando magnificência e igual imponência, aumentando as perfeições que eram naturais em seu corpo, fazendo surgir a elegância dos felinos e que juntamente com a sua constituição, exalava a força e ferocidade de um tigre.

Inclusive, o jovem de orbes ametistas tinha certeza que os seus movimentos eram fluídos como de um tigre, possuindo a elegância e a ferocidade do mesmo, juntamente com a postura de um predador, que apesar de parecer relaxada, parecia atento a tudo a sua volta, com ele acreditando que como Faraó, ele devia ser alvo de ataques furtivos, tal como havia notado no salão real.

Ademais, mesmo em uma postura relaxada, embora Yuugi duvidasse, piamente, de que ele estivesse, de fato, relaxado, o monarca denotava o seu pleno domínio do império, mesmo sem usar seu status de Deus vivo. Era claro como o dia de que Atemu era um homem que exalava autoridade e que possuía uma mente afiada que se refletia em seu comportamento, sendo que não restava qualquer dúvida de como ele dominava um império, uma vez que todas as respostas eram dadas através de um único olhar.

De fato, era um Deus dentre os homens.

Conforme seus olhos percorriam o corpo de Atemu, a boca do adolescente de orbes ametistas secou e as suas bochechas coraram em um rubor intenso, similar a coloração dos orbes carmesins, com o jovem sendo ciente que estava corando intensamente.

Tentando, inutilmente, controlar o seu rubor, seus olhos continuavam descendo em direção a cintura, com ele percebendo que o material caro contornando a cintura e parte das coxas musculosas, composto de um chanti branco com costuras elaboradas, preso por uma faixa dourada na cintura, contendo joias encrustadas, juntamente com um rubi no centro e que presa a esta faixa da cintura, além do saio curto, se encontrava uma faixa de seda que ultrapassava em três dedos a bainha do chanti, na cor vermelha com fios dourados e ornamentados com bordados de escaravelhos, cujos olhos e patas continham joias encrustadas na seda, não escondia as suas poderosas pernas e coxas torneadas por músculos e pés bem cuidados, onde jazia tornozeleiras de ouro que envolviam os tornozelos e a parte da perna, enquanto calçava uma espécie de sandália com detalhes dourados.

Inclusive, conforme os seus olhos passavam pelo tecido caro, ele não conseguiu impedir a sua mente de se recordar do membro do soberano daquele império, mesmo em um estado relaxado e o parco rubor que ele havia conseguido reduzir em suas bochechas, retornou de forma mais intensa, enquanto ele tentava, inutilmente, controlar a sua mente traidora.

Atemu observou atentamente com olhos de falcão o exame minucioso que o macho menor a sua frente fazia dele, assim como o seu rubor, olhar e respiração, ficando satisfeito por ver que mesmo com o que o mercador bastardo fez, ele ainda conseguia despertar tais reações no adolescente.

Tal como Yuugi fazia, ele decidiu observá-lo de forma detalhada, percorrendo os seus orbes flamejantes pelo corpo criado pelo mais habilidoso dos artistas, percebendo o quanto o rosto do jovem era angelical e igualmente delicado em forma de coração, com franjas douradas contornando o rosto que era contemplado com lábios pequenos e delicados, cujos olhos eram expressivos por serem grandes, refletindo a sua alma gentil e pura, sendo que os orbes eram lindos e envergonhavam a mais bela ametista.

O corpo era pequeno e tinha uma constituição delicada, sendo visível alguma musculatura, embora fosse demasiadamente suave e coberto por uma camada de gordura, sendo que a pele era da cor do marfim.

As mãos e pés eram pequenos e delicados, sendo visível o fato de que estavam descuidados.

Atemu havia decidido levá-lo a curandeira real e depois, solicitar a algumas servas que o banhassem como um nobre, além da tratar da pele de Yuugi, para que pudesse usar as novas vestes que iriam selecionar para ele, juntamente com as joias que usaria, antes de fazer um tour com Mahaado.

Então, após se divertir ao notar que o mais jovem estava extremamente corado, com as suas pupilas se encontrando parcialmente dilatadas por se encontrar, parcamente, imerso em uma névoa de luxúria, ele pigarreia, observando com diversão o adolescente sacudir a cabeça para os lados como se tentasse clarear a sua mente, para depois, erguer o rosto que se encontrava intensamente corado, sendo que Atemu fazia um esforço descomunal para não passar os nós dos dedos na linda cor carmesim das bochechas do menor, pois, não queria assustá-lo.

Então, ele fala, vendo que o rubor do menor, diminuía:

- Eu fico feliz em ver os seus olhos com vida em vez daqueles olhos mortos. Meu plano foi um sucesso. Bem, eu tinha certeza que ele seria um sucesso. – o monarca fala em um tom de gracejo, exibindo a sua usual autoconfiança inabalável.

Conforme Yuugi observava o comportamento do soberano longe do público, o jovem percebeu que a extrema autoconfiança que ele demonstrou durante a batalha contra Yukiko e no Salão real, não mudava, mesmo em particular, pois, fazia parte da sua natureza e era indiferente a máscara do Faraó.

Então, o jovem pergunta, timidamente:

- E a Yukiko-chan? Ela tem a visão de você como Faraó.

Ele suspira profundamente e se levanta, indo até a varanda que era imensa, ornamentada com pilastras douradas e fala, olhando para as estrelas, sendo que Yuugi o segue:

- Aquela dragoa é muita protetora com você e vocês se adoram. Mas, ela é poderosa demais. Afinal, derrotou dois Deuses Egípcios e foi capaz de enfrentar o terceiro e mais poderoso dos três. Mesmo que eu não oferecesse aquela batalha, todos a viram. Infelizmente, sou obrigado a usar a máscara do Faraó com ela. O povo precisa saber e ver que o Deus deles subjugou um ser poderoso e estrangeiro, sendo que o seu poder é um aviso a qualquer um que esteja pensando em atacar o Kemet e a demonstração de poder dos meus Deuses intensificou isso. Ademais, se ela estiver sem uma coleira, causará um pânico generalizado e tudo o que eu não preciso é ter os meus súditos apavorados. Se um humano assustado se torna perigoso, uma turba é ainda pior. A única coisa que os mantém tranquilos é a coleira no pescoço dela. Eu lamento Yuugi, mas, não posso remover, por mais que eu me sinta mal em mantê-lo. Mesmo que me garanta que ela não se voltará contra o meu povo, eu preciso pensar neles. Eu peço desculpas, pois, sei o quanto a Yukiko é importante para você, sendo que vi o amor maternal que ela sente por você.

Yuugi suspira, ficando triste em virtude da situação da sua amiga, enquanto compreendia a posição de Atemu, que fala:

- Eu recebi relatos de distúrbios nas fronteiras e outros menores em algumas cidades do meu império. A presença dela e a posterior, demonstração do seu poder irá silenciar alguns desses bandidos, sendo que coloquei os meus melhores homens para investigar esses distúrbios. Afinal, estamos em uma época de instabilidade de fronteiras, inviabilizando qualquer oportunidade de libertá-la de sua servidão. Infelizmente, eu preciso do poder dela. Inclusive, o fato dela não ser um Ka e sim, um ser vivo, faz com que não precisemos gastar nosso Ba, além de não ser necessário ter um conjurador próximo dos inimigos. Portanto, com ela, não temos essas duas preocupações. Afinal, quando um Ka é invocado, ele consome Ba. Quanto mais poderoso, maior é o consumo de Ba.

Embora o jovem compreendesse os motivos de Atemu, isso não significava que não ficava triste pela situação de sua amiga.

Após suspirar, o soberano fala, ao se virar para ele:

- Por isso, vou manter você com ela, podendo visitá-la quando desejar, após cumprir com as suas tarefas, sendo que não a prenderei em grilhões, para que ela possa se deslocar dentro de um local determinado, sem estar presa a correntes, além de ofertar todo o conforto que eu puder proporcionar. Vou procurar tornar a estadia dela a mais suave e a melhor possível para ajudá-la a lidar com a sua situação atual. É o mínimo que posso fazer pela situação em que ela se encontra. Eu prometo que irei fornecer o melhor tratamento que puder para a sua amiga.

O jovem olha para a face do monarca e percebe em seu olhar, que a sua promessa era verdadeira, fazendo-o sorri discretamente, enquanto consentia levemente com a cabeça:

- Obrigado.

- Por nada. Além disso, eu sou eternamente grato por ela por ter protegido você. Eu acredito que ela impediu maiores danos.

- A Yukiko-chan sempre me protegeu – ele fala, enquanto corava frente ao sorriso no rosto do Faraó.

- E eu estou grato por isso. Quando ela se recuperar, preciso fazer uma demonstração de domínio. Eu agradeceria se pudesse ocultar a minha verdadeira natureza, dela. Afinal, não quero utilizar aquela coleira, mas, se eu não tiver escolha, vou ter que usar, por mais que eu sofra por dentro, pois, não terei escolha, assim como não possuo real escolha em muitas das minhas decisões como Faraó em virtude do fato de ter que tomar a decisão de acordo com a minha coroa. Por mais que eu não apreciei muitas delas e que algumas delas me machucaram, eu precisei executá-las. Não é questão de desejar e sim, uma questão de fazer. Afinal, será o esperado do Faraó. Foi assim com o meu pai, também. Meu avô era implacável e cruel. Quando o meu pai o sucedeu teve que manter a mesma fachada, embora tenha dosado alguns aspectos pelos anos seguintes, sempre que podia, restando apenas a visão de um governante implacável em suas ações, assim como autoritário, mantendo a manutenção da visão divina do Faraó para silenciar muitos, enquanto amava o seu povo ao demonstrar em pequenos gestos e leis. Há quase dois anos, atrás, eu herdei essa máscara, o de um Deus. O legado do meu avô ainda continua no coração de muitos e que foi perpetuado pelo meu pai e consequentemente, por mim. Mas, foi suavizado na medida do possível.

- Eu entendo... Saiba que a Yukiko-chan não gosta de me ver sofrer. Se eu implorar a ela para obedecê-lo para que não use a coleira nela, ela fará isso. Portanto, eu poderia falar sobre o verdadeiro Atemu. Afinal, ela tem uma opinião muito ruim sobre você por causa da máscara do Faraó e...

Ele põe a mão na boca ao ver que falou demais, com o monarca suspirando, pois, queria que Yuugi falasse normalmente em torno dele:

- Eu imagino. Acredite, eu já sabia dos sentimentos maternais dela em virtude do olhar que dedicava a você Mas, o problema será a punição se ela não cumprir as minhas ordens. Eu sofreria muito, assim como você. De fato, você quer arriscar? Afinal, desejo evitar ao máximo tomar uma decisão que me ferisse internamente, pois, apesar de não gostar da escravidão, se faz necessária a manutenção dela por causa da política.