Notas da Autora
Yuugi fica pensativo sobre...
Atemu decide...
Yuugi se encontra...
Capítulo 42 - A máscara do Faraó
Yuugi fica pensativo sobre contar ou não sobre Atemu, pois, ele havia falado uma coisa que o fez rever a sua ideia de contar para a sua amiga. Yukiko estava com muita raiva e não tinha absoluta certeza que ela iria repensar a sua atitude, sendo que não suportaria vê-la sofrer como foi no salão, quando a coleira ativou a sua punição, pois, sabia o quanto era dolorido. Era uma dor indescritível e ele não queria que ela passasse por isso, novamente, sabendo que o Faraó não teria escolha, além de aplicar a punição em público.
- A ameaça que eu fiz em relação a você, a fez me obedecer. Se a sua amiga descobrir que sou incapaz de fazer isso, que garantia você me dará que ela vai fazer, exatamente, o que eu ordenar na frente do povo? Você pode garantir que ela não me obrigará a usar o comando da coleira? Eu fiz uma ameaça falsa a você para conseguir a obediência dela, fazendo com que não precisasse apelar para a coleira. Foi a única solução que eu encontrei.
O jovem percebeu naquele instante que o monarca tomava muitas decisões que o machucavam ao vestir a máscara do Faraó, sendo a mesma máscara passada pelos seus ancestrais. Se Yukiko não obedecesse, ele ativaria a coleira por mais que sofresse no processo. A ameaça que Atemu tinha sobre Yuugi a faria obedecê-lo.
- Mas, se o senhor...
- Você, por favor. Já basta o tratamento formal que eu recebo em público.
- Sim. Se você me tornou servo pessoal e não escravo, ela não vai desconfiar?
- O Per'a'ah pode matar um servo, se desejar. Servo, escravo, plebeu ou nobre. Todos podem ser executados. Ademais, a minha máscara é bem opressora quando desejo e com a punição em público que eu demonstrei, eu reforcei essa visão.
- Punição?
- A pena que dei ao Mercador de escravos.
- Eu não sabia.
- Provavelmente, você estava "dentro de você", por assim dizer, por estar aterrorizado e deprimido. Por isso, você ficou surdo e cego a tudo a sua volta.
- Ele vai ser punido? Por quê? – o jovem perguntou com evidente surpresa em seu semblante, tentando compreender quais crimes o mercador havia cometido.
- Vejamos... Transformou pessoas em escravas sem ter um motivo condizente com as leis que permitem a escravidão e tocou em propriedade de terceiros, além de ter falado e olhado para o Deus vivo de todo o Kemet, sem ter qualquer autorização. O Hem-netjr Seto terá a oportunidade de puni-lo, também, mais do que já fez na cerimônia.
- Ele fez pela Kisara? – Yuugi percebeu que havia se esquecido da amiga – Então, a Kisara...
- Acredite, Seto despreza a violação tanto quanto eu. A sua amiga está segura. Ademais, dava para ver a forma especial que ele olhava para ela. Para o meu primo, Kisara é muito mais.
Ele nota que Yuugi não está muito confiante e apoia a mão no ombro dele, enquanto falava gentilmente, exibindo a sua autoconfiança inabalável no olhar:
- Eu disse a verdade. Eu conheço os ideais de Seto. Acredite, ele é um homem com princípios e nunca machucaria uma mulher inocente ou a violaria.
Yuugi consente, desejando ardentemente acreditar nas palavras do Faraó, enquanto corava com a proximidade, além de sentir um calafrio de prazer pelo toque de Atemu em seu ombro ao mesmo tempo em que podia ver a confiança inabalável nos olhos dele e confessava que tal confiança o fazia acreditar ardentemente em suas palavras, permitindo que surgisse um suspiro de alívio.
- Você ficará no quarto ao meu lado. Lá tem roupas e você pode tomar um banho, pois, eu ordenei que fosse preparado um banho para você. Amanhã, voltaremos a conversar como Atemu e Yuugi e não como Per'a'ah e servo. Eu gosto desses momentos que eu posso ser eu mesmo. O meu pai também apreciava esses momentos e atualmente, pode ser ele mesmo em período integral.
- Obrigado. – ele agradece, timidamente.
O Faraó tira a sua mão do ombro dele, com Yuugi tocando o ombro onde o soberano tocou, sorrindo consigo mesmo, enquanto corava, para depois, sacudir a cabeça com o rumo dos seus pensamentos.
- Os seus serviços como servo vão começar depois de amanhã. Amanhã, você irá passar na curandeira real para verificar a sua saúde e depois, conhecerá o palácio, sendo que Mahaado irá acompanha-lo. Originalmente seria a Mana, mas, ela está atrasada em seus estudos e por isso, não pode ser o seu guia. Você poderá visitar Yukiko e Kisara. Inclusive, acredito que encontrará Kisara na curandeira real, pois, com certeza, meu primo irá levá-la para verificar a sua saúde. Eu vou verificar se ela pode acompanhá-lo durante o seu tour.
Yuugi agradece com um sorriso radiante no rosto que faz as suas bochechas se curvarem em forma de coração, enquanto os seus olhos brilhavam, fazendo com que o coração de Atemu vibrasse de emoção, com o soberano desejando ver mais daquele sorriso radiante, jurando a si mesmo que faria tudo ao seu alcance para que aqueles belos olhos que envergonham a mais bela ametista, não exibissem nada mais do que a mais pura felicidade:
- Obrigado... Atemu.
- Amanhã, você conhecerá o meu filho, também. Ele é um bebê e está dormindo no quarto ao lado do meu, com a sua babá e a ama de leite.
O jovem de orbes ametistas fica surpreso em saber que ele era pai, sendo que amava crianças, com o monarca ficando feliz ao notar a felicidade dos olhos do seu amado a menção de um bebê, sendo evidente e o fato de que o adolescente a sua frente amava crianças e que seria uma mãe maravilhosa para o príncipe, fazendo-o ficar imensamente feliz ao descobrir isso.
Então, Yuugi pergunta, enquanto sentia uma pontada de tristeza em seu coração ao saber que o homem a sua frente era casado, pois, tinha um herdeiro:
- E quanto a sua esposa? A mãe do Iry-pat (príncipe herdeiro)?
O soberano de todo o Kemet observa a leve tristeza nos orbes expressivos do jovem à menção dele possuindo uma esposa, fazendo o coração de Atemu se encher de esperança e de felicidade, pois, era mais uma confirmação que o adolescente sentia algo por ele, enquanto ficava triste pelas recordações amargas como o fel que surgiram em sua mente à menção de sua falecida esposa.
- Ela faleceu no final do primeiro ano do meu reinado.
Ao ouvir o tom que era uma mistura de tristeza e de raiva, Yuugi julga, erroneamente, que fez uma pergunta dolorosa e fala, ficando cabisbaixo:
- Meus pêsames. Eu também sinto muito por fazer essa pergunta impertinente.
Atemu percebe a linha de raciocínio equivocada do seu amado e trata de afastar as deduções errôneas:
- Não foi impertinente. É uma pergunta esperada quando eu comentei que tinha um filho. Ademais, ela quase causou danos irremediáveis ao nosso filho, enquanto estava viva. Eu tive que usar o meu intelecto e influência para evitar problemas futuros, pois, ele não merecia sofrer as consequências pelos atos da genitora.
Yuugi fica boquiaberto e pergunta, timidamente:
- Como assim, "danos irremediáveis"?
Atemu suspira e conta sobre o quanto ela foi descuidada com os casos extraconjugais que teve, gerando boatos que tinham origens verdadeiras e como ele teve que batalhar arduamente e nas sombras para torná-los infundados, visando proteger o filho de qualquer estigma futuro ou dúvidas sobre a sua ascendência.
- Ainda bem que você conseguiu salvar o seu filho.
- Sim. Ninguém duvida da sua ascendência, ainda mais pelo fato dele ser uma cópia minha. Mas, como não sabia como ele seria, uma vez que ainda estava no ventre da sua genitora, eu precisava tomar todas as medidas possíveis para que não houvesse qualquer dúvida.
- Você agiu rapidamente e eficazmente. Eu estou ansioso para conhecer o príncipe. Ele deve ser tão fofinho.
O soberano de todo o Kemet sorri feliz ao ver o quanto o seu amado adorava crianças e após, alguns minutos, ele fala:
- Você irá conhecê-lo amanhã.
- E quanto ao seu genitor? Pelo que eu compreendi, ele ainda está vivo. Eu não me lembro de vê-lo nas comemorações.
Atemu suspira e fala:
- Ele está acamado. Os curandeiros reais não conseguem encontrar a causa física do seu adoecimento. – o monarca decide ocultar que a doença do seu genitor era ocasionada pelos Deuses, pois, assim justificaria o fato de não encontrarem uma causa física, a seu ver.
O motivo de ocultar essa parte daquele que amava é que ele teria que explicar sobre a punição dos Deuses e o motivo deles fazerem isso, com o soberano não desejando falar sobre os acontecimentos no vilarejo de Kul Elna.
- A barca de Ré (Rá) começou a navegar para o leste, lutando contra Apophis (Apep), há algum tempo. Portanto, eu imagino que esteja desejando um banho e uma boa noite de sono. Eu vou chamar um escravo. Portanto, terei que vestir a minha máscara de Faraó e você terá que agir como servo.
- Oh! Pode deixar.
Ele volta até onde estava e abaixa a cabeça, assumindo uma postura servil, enquanto percebia que Atemu se tornava o Faraó, novamente.
O soberano toca a espécie de gongo pequeno e uma escrava surge, se prostrando, com a fronte próxima do chão.
- Leve o meu servo pessoal ao quarto da direita. Apresente o local em que ele vai ficar. – o monarca fala em um tom autoritário que não aceitava contestação.
- Sim, Per'a'ah.
Nisso, ela se ergue e Yuugi a segue, sem ousar olhar para ele, pois, a escrava podia ver, sendo que naquele momento, não era Atemu e sim, o implacável e autoritário governante de todo o Kemet e Deus na terra. O poderoso e temido Faraó.
Após o seu amado sair, o soberano se dirige até a sua cama e senta, ficando pensativo sobre os boatos de ataques na fronteira leste do seu império, sendo que estava inclinado a enviar o seu Ka pessoal até o local para colher mais informações, para que não arriscasse a vida dos seus soldados.
Então, o monarca suspira, após tomar a decisão de enviá-lo, para depois, deitar na sua cama, pois, na parte da manhã, ele teria que decidir sobre os presentes que recebeu, sendo ciente de que tomaria quase que a manhã inteira para poder organizá-los e acomodá-los, principalmente os animais que ganhou de presente por haver vários fatores a serem considerados, antes de decidir onde colocá-los.
Enquanto isso, o jovem de orbes ametistas é conduzido até o seu quarto e olha fascinado para o luxo do local, com a garota fazendo um tour, mostrando o mecanismo do banho e os armários com roupas.
Claro, o quarto não tinha a imponência e luxo do quarto de Atemu, assim como, as salas, mas, Yuugi acreditava que era um dos melhores quartos, abaixo do quarto do Faraó.
Então, a escrava se curva e se retira, fechando a porta atrás dela, com o jovem olhando com carinho para o espaçoso quarto de banho, cuja água se encontrava quente, passando a olhar para o sabonete, ficando surpreso ao vê-lo, pois, somente os mais abastados o possuíam, olhando em seguida para os vários óleos e essências dispostos em prateleiras, decidindo abrir cada um deles para sentir o perfume e após escolher um para tornar o seu banho perfumado, joga um pouco do conteúdo na água, retirando a roupa para relaxar na espaçosa banheira, adorando a sensação de deitar, parcialmente, enquanto relaxava, para depois, ficar com pena de Yukiko, pois, ela tinha uma forma humana e podia provar a banheira.
Porém, em virtude dos acontecimentos e mesmo com as palavras do Faraó, desejava proteger a sua amiga como ela sempre fez em relação a ele e por isso, decidiu que nunca revelaria sobre a forma humana dela, com a mesma permanecendo na forma de um dragão.
Ademais, quem detinha o direito de falar sobre isso era Yukiko. Era um segredo dela e não, dele e conhecendo a sua amiga, ele duvidava, piamente, que ela revelaria a sua forma humana.
Após alguns minutos, o jovem sai do banho e percebe que havia um chanti simples e branco em cima da cama macia, cuja cabeceira ostentava figuras de gatos entalhadas, com olhos de safira, representando a deusa Bastet.
Após colocar o chanti, desprezando o tecido que usou para se secar, junto da roupa suja que foi depositada em um canto dentro do cômodo espaçoso que tinha a banheira, ele deita na cama e sente o conforto pelo estofamento de penas e pelos lençóis de seda, com o jovem não se recordando de já ter sentido tanta maciez em um tecido, antes.
Sorrindo imensamente e sem conter a felicidade que sentia, ele rola animado na cama, apreciando a sensação da maciez indescritível em sua pele, para depois, ficar triste por Yukiko não poder apreciar essas mordomias por estar na sua forma de dragão.
O adolescente desconhecia o fato de que havia guardas de prontidão na frente da porta do seu quarto, assim como era com o quarto luxuoso e espaçoso do Faraó e do quarto do príncipe.
Nesse interim, na mansão de Seto, uma vez que era um Sumo sacerdote que fazia parte do Rokushinkan, ele conduziu Kisara até um belíssimo quarto que ficava ao lado do seu.
Ela se sentia um pouco mais confiante, mas, ainda temia que o seu mestre a tomasse e por isso, não podia conter o terror que a tomava naquele instante, sendo que a prateada observava os pés dele se aproximando dela por se encontrar cabisbaixa e ao constatar que estava em um quarto, julgou que a aproximação dele era para tomá-la, fazendo-a se encolher, enquanto sentia um forte medo e igual desespero, a tomando.
