Notas da Autora

Nuru fica...

Jounouchi decide...

Capítulo 44 - Jounouchi e Nuru

Então, o loiro se concentra e faz surgir o seu Ka que criou com os seus poderes, deixando-a estarrecida.

Era um guerreiro moreno com uma armadura de metal e uma espada imponente que repousava em suas costas, sendo que usava uma capa rasgada nas pontas, assim como, usava uma espécie de elmo, além de manoplas e tornozereiras de metal.

Ele a prende entre os seus braços, com o loiro falando:

- É o meu Ka, Girufoudo Za Raitoningu (Gilford the Lightning). Eu o criei. Portanto, posso controlá-lo. Apenas quero evitar que você faça algo que irá repercutir em algo ruim para você, como inocentes sendo feridos durante a sua fuga, por exemplo, além de outros problemas que podem levá-la a presença do Faraó. Além disso...

Ela sente um forte medo tomá-la, conforme ele se aproximava dela, pois, apesar de saber como invocar a sua dragoa, o homem a sua frente também tinha um ser dentro dele e que o mesmo, a retinha em seus braços ao contrário das outras vezes que eram apenas homens sem seres poderosos os protegendo.

O loiro leva as suas mãos ao pescoço dela e tira a coleira, deixando-a estupefata, assim como o mercador e os outros, sendo que ocorre um murmúrio generalizado, pois ver alguém controlando perfeitamente um Ka, sem ser um portador de Sennen Aitemu era algo inacreditável e mais incrível ainda era a pessoa manter o Ka consigo, uma vez que todos os Ka eram selados pelos shinkan e os únicos que podiam ter um Ka consigo, desde que o controlassem, eram os que foram autorizados, pessoalmente, pelo próprio Faraó.

Então, Jounouchi fornece o nome da mansão onde vivia, deixando todos estupefatos, pois, o reconhecem como sendo filho de um Grão Vizir, tornando-o um, também, sendo que os Grãos Vizires eram as pessoas mais próximas ao Faraó.

A jovem ergue o rosto e fica surpresa ao reconhecer quem a comprou em virtude do fato de tê-lo avistado a distância, brincando com outros nobres, quando o seu pai levava produtos ao palácio, sendo que se lembrava dele pelo fato de ser exótico para os padrões egípcios, assim como os amigos nobres que brincavam com ele, com exceção de um que tinha a pele bronzeada como os egípcios.

Ademais, ao olhar para o homem a sua frente, sentiu o seu coração falhar uma batida, além de corar intensamente, sentindo que as suas pernas eram tomadas por uma fraqueza momentânea, com o rubi dos seus olhos se encontrando com os olhos cor de mel de Jounouchi, com ela percebendo que eles exalavam gentileza e bondade. Por algum motivo, incompreensível para a bronzeada, ela sentia que podia confiar nele, sendo que agora, mais calma, percebia que se tivesse invocado a dragoa dentro dela, iria provocar grande destruição e a punição seria a morte.

De fato, ela traria graves consequências, para si mesma, somando-se ao fato de estar próxima do palácio, sendo plenamente ciente de que a sua dragoa não poderia enfrentar o Rokushinkan do Faraó e o mesmo, que poderiam chegar rapidamente ao local.

Claro que se ela tivesse que enfrentar uma vida como escrava sexual preferia a morte e preferencialmente, levando o seu dono e o máximo que conseguisse junto dela.

Afinal, a garota sentia que se extraíssem sua dragoa, ela morreria.

De fato, a jovem estava certa em sua suposição, pois a Reddoaizu Burakku Doragon (Dragoa negra de olhos vermelhos) em seu corpo era o seu Ka e Ba. Ela morreria, assim que a dragoa fosse extraída.

Ao olhar para o loiro, vendo que os olhos dele eram diferentes dos outros, sendo que era visível a sinceridade nos orbes cor de mel, a morena decide dar uma chance ao seu destino ao mesmo tempo em que o pensamento de se afastar dele, a fazia sentir um estranho vazio dentro dela, sendo algo que a confundia demasiadamente, pois, a liberdade era um desejo genuíno de qualquer escravo e não compreendia o motivo do pensamento dela longe dele, a deprimir daquela forma.

Então, conforme olhava para ele, sente as suas bochechas se aquecerem, conforme surgiam borboletas em seu estômago, fazendo-a ficar surpresa pelas suas reações perante o olhar do loiro a sua frente, enquanto sorria gentilmente para a jovem que sentia o Ka a segurando com firmeza, mas, não ao ponto de machucá-la.

Espanando vigorosamente esses sentimentos incompreensíveis da sua mente, ela decidiu que deveria deixar a sua dragoa atenta para intervir, caso fosse necessário.

Então, conforme tomava essa decisão, a Reddoaizu Burakku Doragon que estava deitada dentro dela, se remexe e abre os seus orbes rubros, assumindo uma posição de guarda, pronta para entrar em ação, assim que fosse necessária.

Jounouchi quebra o contato visual em que se encontravam e fala, gentilmente:

- Vamos conversar longe desse local.

Nisso, com Girufoudo Za Raitoningu a mantendo presa em seus braços musculosos, eles saem do local, sendo que o Ka dele chama a atenção de todos, enquanto passavam, com o loiro os ignorando.

Após se afastarem do local, ele pigarreia e fala, com ela notando que o nobre parecia estar sem graça, enquanto começava a coçar a ponta do seu queixo com o dedo indicador:

- Bem... qual o seu nome?

- Nuru.

Ela nota que ele sorri, enquanto pronunciava o nome da morena, achando o nome dela lindo e com uma sonoridade perfeita:

- Nuru-chan...

- Nuru-chan? – ela arqueia o cenho.

- O "chan" é proveniente da língua da minha mãe. Eu aprendi a falar em Kemético e em japonês.

- E o que significa esse "chan"?

- Um diminutivo carinhoso e normalmente, usado para as garotas, mulheres e crianças.

A morena percebeu que o seu dono a deixou olhar para os olhos dele, sendo que não procurou corrigi-la, fazendo-a arquear o cenho, com os seus olhos carmesins exibindo receio, enquanto controlava o rubor em suas bochechas.

Então, Jounouchi fala:

- Ainda vejo o medo no fundo dos seus olhos, mas, não está tremendo como no palco.

- Foram as cordas. Eu estava presa e isso me fez ficar com medo, pois, não conseguiria reagir por estar com essa restrição em meus braços... – ela vira o rosto e olha para Girufoudo Za Raitoningu que a mantinha presa em seus braços, para depois, olhar para o loiro - Eu estou surpresa por vê-lo com um Ka. Só os autorizados pelo Nsw podem manter um Ka consigo, caso o criem. Mesmo que seja filho de um nobre, ainda é uma grande surpresa.

- O Per'a'ah é o meu amigo de infância.

Ela fica estupefata e ele fala, coçando a nuca, sem jeito:

- Todos ficam surpresos com isso... Bem, mudando de assunto, eu quero fazer uma proposta para você.

- Proposta?

- De ser a minha serva pessoal. Você não é mais escrava. Aliais, você é livre para sair correndo daqui. Mas se quer saber a minha opinião, seria loucura. A menos que você tenha algum familiar. Foram eles que te venderam? – ele pergunta o final, demonstrando ira em seu semblante, a surpreendendo.

- Não! Meus pais faleceram. Bem, eu tenho uma meia irmã em algum lugar.

- Meia irmã?

- Somos filhas do mesmo pai, mas com mães diferentes. Ele tinha várias mulheres.

- Um mulherengo pervertido... Eu lamento por você ter essa escória como genitor. – ele fala de forma pesarosa.

Ela fica surpresa e consente, falando:

- Obrigada, senhor. Mas não o reconheço como pai. Meu pai foi aquele que me amou como filha, mesmo não sendo a sua filha de sangue.

- E faz bem de considerar este como pai e não aquele canalha. Por falar nisso, como você acabou como escrava?

Girufoudo Za Raitoningu a solta e desvanece gradativamente, retornando para o seu mestre, enquanto a bronzeada abraçava a si mesma, começando a tremer pelas recordações ao mesmo tempo em que brotava lágrimas peroladas dos seus orbes rubros:

- Meus pais ficaram doentes e morreram. Nós vivíamos em um pedaço de terra e pagávamos por ela em forma de tributos sobre o que vendíamos. Mas, por causa da doença, o meu pai não conseguiu pagar os devidos tributos ao homem que detinha a terra e ele veio me cobrar, após os meus pais falecerem. Eu não tinha como pagar. Então, ele tomou a terra, os animais e tudo o que podia pegar além de me fazer escrava. Eu não pude nem me despedir dos meus pais. Eu não sei o que ele fez com os corpos... Eu...

A adolescente fica surpresa quando é abraçada gentilmente pelo loiro, sendo um abraço confortador, sem segundas intenções, com as lágrimas dela caindo nas vestes nobres, umedecendo-as, sendo que ficam assim por alguns minutos até que se separam, enquanto a jovem ficava embasbacada ao ver que um nobre havia confortado alguém inferior como ela, permitindo que as suas roupas ficassem úmidas no tórax.

Então, quando a jovem vira o rosto para o lado, exibe surpresa em seus olhos e depois, chora novamente.

O loiro fica preocupado ao ver surgir novas lágrimas e segue o olhar dela, avistando uma égua negra como a noite que lutava selvagemente contra aquele que detinha o seu cabresto. Ao ver a reação dela, ele pergunta em tom de confirmação:

- Nuru-chan, aquela égua era sua?

A bronzeada se vira e exibe surpresa em seu semblante, para depois, consentir, sendo que ainda chorava, falando com a voz embargada:

- É uma égua selvagem. Ela veio de outro lugar. Eu acredito que ela se afastou do bando quando era uma potra, sendo que eu cuidei dela desde que era filhote. Ela nunca foi domada. Inclusive, nunca usou um cabresto e me seguia por onde eu andava. Eu era a única que conseguia montá-la. Ela é a minha amiga. Eu era criança quando a conheci.

O loiro a surpreende ao pegar a mão dela, para depois, puxá-la, com os guardas dele os seguindo, enquanto Jounouchi se dirigia até os homens que puxavam a égua e ao se aproximar deles, pergunta:

- Por quanto estão vendendo essa égua?

- Ela vai para o leilão, senhor.

- Onde será o leilão e quando?

- Agora. É aquela tenda. – um dos homens mostra com o dedo, enquanto falava.

A bronzeada fica estupefata ao ouvi-lo falar com intensa determinação em seus olhos e voz:

- Vamos até o leilão.

- O senhor vai comprá-la?

A jovem pergunta, preocupada com o destino da sua amiga, embora tivesse em seu íntimo a esperança de que ele fosse um dono bom, apesar de temer o fato da égua não aceitar que ninguém mais a montasse, com exceção dela, fazendo com que o loiro precisasse contratar um domador, fazendo-a temer o destino de sua amiga, pois, com certeza, faria questão de quebrá-la para que não se rebelasse.

- Eu me chamo Jounouchi.

Nuru fica confusa por ele falar o nome dele para ela, para depois, o loiro sorrir:

- Vou comprá-la e dá-la para você. Você já perdeu os seus pais. Não pode perder a sua amiga de infância. Eu juro que vou comprá-la e dá-la para você! É uma promessa!

Ela fica embasbacada pela promessa, para depois, corar intensamente, enquanto consentia, assimilando tudo o que viu e ouviu, sendo que a visão do loiro a sua frente aquecia o seu coração, de uma forma que a deixou desconcertada.

Eles entram na tenda, com a bronzeada sendo escudada por ele e pelos guardas deste, com a adolescente sendo ciente de que a sua aparência e vestes, ainda mais simples do que o de uma camponesa destoava com as vestes e joias que o loiro ostentava.

O leilão começa, com todos ficando estarrecidos ao verem a beleza do animal e sua agressividade, pois, a mesma empinava furiosamente e lutava arduamente contra os que tentavam contê-la, enquanto o leiloeiro frisava o fato dela ser uma égua selvagem.

- Ebonee... – Nuru murmura, enquanto se continha de ir até a sua amiga para afastá-la daquelas pessoas perversas.

"De fato, ela é uma cópia da Nuru-chan. Tal dona, tal animal." – o loiro pensa, enquanto observava o magnífico animal lutando contra os que o continham.

Nuru exibe um misto de surpresa e de felicidade ao ver que Jounouchi cobria a oferta de todos, batalhando arduamente para ser aquele que dava o maior lance até que ele consegue vencer a disputa com um valor impossível de ser coberto pelos demais, finalizando assim, o leilão da égua selvagem.

Ambos se aproximam do palco e ao chegarem perto da égua, o nobre se curva levemente ao lado de Nuru para falar ao pé do ouvido da bronzeada, sendo que a voz do loiro provocou arrepios prazerosos na bela morena, quando a respiração dele se chocou contra a sua pele, fazendo surgir um rubor intenso em suas bochechas e ao perceber isso, ele sorri ainda mais, apreciando a cor carmesim nas bochechas dela:

- Ela é sua e precisa ser acalmada, antes que mate alguém.

Então, após acalmar o seu coração que se agitava freneticamente em seu peito, a bronzeada caminha até a sua amiga que não havia percebido a sua presença, enquanto continuava lutando vigorosamente, empinando-se sobre as patas traseiras, alternando com tentativas de coices e mordidas.

O leiloeiro se preparava para deter a jovem por saber que foi o nobre que havia comprado o animal, ainda mais ao ver a roupa surrada da garota, sendo que Jounouchi fala asperamente ao perceber a intenção do homem:

- De fato, eu comprei o animal. Mas, dei a égua para ela.

O nobre aproveita para informar onde ele deveria buscar o dinheiro, fazendo o homem ficar chocado, pois, o jovem a sua frente não era um simples nobre e sim, filho de um Grão Vizir.

A égua negra como a noite para de se empinar sobre as patas traseiras, quando percebe a presença da bronzeada que tira o cabresto da égua, começando a murmurar palavras gentis, enquanto segurava a cabeça dela, afagando-a em carícias suaves, fazendo com que o animal se acalmasse, deixando todos estupefatos, pois, a égua, que antes era incontrolável, havia ficado mansa como um cordeiro frente aos toques da bronzeada.

Ao ver o domínio que a sua amada demonstrava em um animal tido como selvagem, o loiro sorri, pois isso demonstrava o forte vínculo que a morena tinha com aquela égua selvagem.

Então, Nuru se aproxima de Jounouchi, seguida de Ebonee, que a acompanhava docemente, com o loiro pegando gentilmente a mão dela, fazendo-a corar, para depois, falar:

- Vamos sair desse lugar.

- Sim, Jounouchi-sama.

Após saírem do local, o nobre pergunta com evidente ansiedade em sua voz:

- Sobre a minha proposta. O que me diz? Aceita ser a minha serva pessoal? Como serva pessoal, você terá acesso a muito mais coisas que um simples servo teria além do status ser maior que o dos demais servos. Ademais, irá se vestir bem e possuíra joias, pois, será uma serva pessoal e não uma simples serva, sendo que vou pagar pelo seu serviço. Se você ficar sozinha, corre o risco de acabar escrava. Comigo, estará segura, eu prometo.

Ela fica pensativa, sendo que olha para a sua mão que estava nas mãos do loiro que olhava de lado, enquanto coçava distraidamente o queixo com o dedo indicador.

A morena toca a mão que foi tocada por ele e consente, falando:

- Sim. Eu aceito.

Nisso, Nuru vê um imenso sorriso surgir no semblante do loiro, fazendo-a corar ao mesmo tempo em que o nobre corava levemente, para depois, Jounouchi perceber que estava esquecendo algo.

Então, ele pergunta:

- Onde você morava com os seus pais?

Ela fica surpresa pelo tópico e responde onde era a casa, sendo que o loiro fala com um dos seus guardas que consente, para depois, se afastar, voltando em seguida com alguns cavalos, entregando as rédeas de um deles para o loiro.

- Monte em sua égua e nós leve até onde você morava com os seus pais.

Nisso, a morena nota outro cavalo puxando uma carroça, com um dos guardas subindo na carroça, fazendo-a arquear o cenho, enquanto tentava compreender o motivo do pedido inusitado até que abana a cabeça para os lados e começa a conduzi-los, após montar com maestria em Ebonee, sendo que o loiro fala, se aproximando dela:

- Meus amigos e eu adoramos cavalgar na parte da manhã. Eu ficaria feliz se me fizesse companhia. Poderíamos até disputar uma corrida.

Ela sorri de forma travessa, se sentindo confiante perto dele, vendo o nobre exibir uma face curiosa, sendo que a bronzeada fala, ainda sorrindo de forma arteira:

- Podemos apostar agora. O que acha? Onde eu morava, eu apostava com os outros e sempre ganhava. Aposto que eu ganharia dos seus amigos.

- Eu não acho que você venceria contra o garanhão mais caro e veloz de todo o Kemet e além dessas terras. Além disso, ele é tão selvagem quanto a sua égua. No caso, eu falo do cavalo do Faraó. Acredite. Ademais, temos os guardas e eu não estou com o meu cavalo. Eles são cavalos alugados.

- É uma pena. – ela fala, enquanto fazia biquinho, com o loiro sorrindo, achando-a fofa, sendo que o sorriso dele fica maior ao vê-la corar.

Nisso, eles prosseguem em um meio galope, com a égua relinchando indignada pela falta de velocidade, uma vez que o animal amava correr, com Nuru confortando a sua amiga, para depois, ficar sem graça, enquanto olhava para o loiro:

- A minha amiga está acostumada a imprimir mais velocidade em seu galope, pois, ama correr. Por isso, ela está aborrecida.

O loiro ri levemente e fala:

- Ela tem uma personalidade forte.

- Sim. – ela fala timidamente.

Jounouchi estava fascinado pela personalidade da bronzeada, que podia ser meiga, gentil e doce, mas, também, uma guerreira nata, enfrentando com destemor aqueles que a ameaçavam. O loiro confessava que essa mudança o fascinava e conforme se recordava do momento que ela estava lutando arduamente, ele podia jurar que havia visto o vulto de um dragão negro de olhos vermelhos no fundo dos orbes carmesins dela, embora tenha achado que foi impressão sua.

Após vinte minutos, eles chegam onde se encontrava a terra alugada pelos pais de Nuru, no passado, com o nobre avistando uma casa simples, sendo possível ver uma horta vasta mais a frente e alguns cercados, onde outrora tinham animais e que estavam, atualmente, vazios.

Então, a jovem vira abruptamente para a direita ao usar a crina da sua amiga para conduzi-la, para depois, fazer o animal galopar em uma determinada direção, surpreendendo os demais pela mudança súbita de direção e ação inesperada, com o filho do nobre ficando estarrecido ao ver o semblante dela quando se afastou deles.