Notas da Autora

Yuugi se encontra...

Atemu decide...

Yuugi descobre...

Capítulo 46 - Conversas - parte I

Ele sai dessa visão em sua mente com a voz barítono profunda ressoando no ambiente:

- Elas fizeram exemplarmente o seu trabalho. Eu preciso recompensá-las pelo exímio trabalho. Você está tão lindo e... comestível. – ele fala o final em um tom que o jovem não compreendia, embora tenha enviado calafrios prazerosos em sua espinha.

O Faraó observa a confusão no semblante fofo, confessando que apreciava o tom carmesim nas bochechas, enquanto desejava passar os dedos naquelas bochechas coradas.

A usual voz gentil do jovem o desperta de sua contemplação, observando-o virar a cabeça para o lado de forma fofa, enquanto perguntava, com o imperador confessando que adorava ver aquela face curiosa:

- Como assim, "comestível"? É um canibal?

O governante observa os olhos se arregalarem no final, enquanto o jovem se afastava, com o soberano arqueando as sobrancelhas frente a reação inusitada e a voz repleta de puro medo no final, sendo que os olhos grandes e expressivos revelavam com clareza essas reações.

Atemu ri levemente, sendo que havia ficado maravilhado e igualmente surpreso com o nível de inocência do seu amado, chegando a questionar a si mesmo se ele sabia o que era sexo, sendo que acreditava piamente de que Yuugi não conhecia quase nenhum termo relacionado a intimidade entre duas pessoas.

O monarca para de rir ao vê-lo fazer beicinho, que em sua opinião era fofo, enquanto controlava o desejo intenso de tocar aquelas lábios que deviam ser mais doces do que o mais puro mel.

Então, ele pigarreia, para depois falar, enquanto não conseguia deixar de sorrir com a linha de pensamento do jovem a sua frente:

- Não sou canibal. Portanto, não é no sentido que você está imaginando, Yuugi. Pode ficar tranqüilo.

O jovem suspira aliviado, para depois, perguntar com visível curiosidade em seu semblante:

- Então, o que você quis dizer com "comestível"?

- Um dia desses, eu explico. Mas, pode ficar aliviado que não é canibalismo.

O jovem dobra os braços na frente do tórax e vira a cabeça de lado, com as bochechas infladas, enquanto fazia biquinho por estar emburrado com a resposta do Faraó. Ou melhor, a ausência de resposta do mesmo, pois, havia ficado curioso, enquanto que Atemu havia ficado maravilhado com aquela expressão, achando-a fofa, para depois, chegar a agradável conclusão que Yuugi era belo e igualmente fofo como um gatinho, além de apreciar a inocência dele. Por isso, não explicou o que ele quis dizer com "comestível".

Então, o rosto do jovem fica ainda mais carmesim, se era possível, enquanto seu coração batia freneticamente em seu tórax ao observar o Faraó despertando como veio ao mundo e em toda a sua glória, assim como imponência, com movimentos dignos de um tigre majestoso, fazendo a boca do ex-sacerdote ficar aberta como um peixinho fora d'água, conforme observava o corpo do imperador que era exibido como veio ao mundo, passando os olhos pelos músculos e abdômen definido, para depois, corar intensamente, conforme os olhos baixavam para a virilha, com o adolescente fechando momentaneamente os olhos ao sentir um intenso calor em todo o seu corpo, procurando desviar o olhar daquela parte em específico, se recordando do quanto era grande e grosso, mesmo em um estado relaxado e frente a esta recordação, ele esbofeteia a sua mente traidora e igualmente inoportuna por lembrar-se disso.

Com um olhar indolente e igualmente faminto que fazia o jovem tremer de desejo, embora Yuugi não compreendesse o que eram esses sentimentos e os outros que o tomavam, o imperador pergunta:

- Gosta do que vê?

Gaguejando, enquanto controlava os tremores prazerosos em seu corpo e as borboletas esvoaçando em seu estômago, juntamente com o calafrio prazeroso na espinha, ele fala, sendo que estava surpreso consigo mesmo por não ter tapado os olhos, uma vez que era o esperado:

- Sim... Você não tem vergonha de andar nu?

- Os Deuses me fizeram assim, por que eu deveria me envergonhar? É o mesmo pensamento para os habitantes de Kemet. Nós não temos vergonha dos nossos corpos. – ele responde em um barítono profundo e rouco, fazendo surgir novos calafrios de prazer no jovem, apreciando a timidez do adolescente que apenas o tornava mais delicioso.

Atemu agradecia mentalmente por ter um intenso autocontrole para não avançar no jovem, apesar de o quão adorável e comestível Yuugi se encontrava, confessando que sentia vontade de tomá-lo ao mesmo tempo em que apreciaria descobrir todos os contornos e toda a extensão da pele oculta pelas vestes. A seu ver, somente ele teria o direito de desbravar aquele belo corpo. Suas mãos e lábios ansiavam para provar a epiderme, enquanto acreditava que adolescente teria um sabor tão requintado quanto o dos lábios.

Afinal, o destino os uniu, ainda mais considerando a distância que se encontravam, com o Faraó acreditando que o jovem era um presente dos Deuses, explicando também o motivo do seu Senennsui mostrá-lo em seus sonhos.

Inclusive, o imperador sentia que iria trucidar qualquer um que ousasse ferir alguém tão precioso e igualmente especial. Sua fúria divina iria recair no tolo ou suicida que ousasse tomar o que era dele de direito, sendo que o monarca confessava que a possessividade que sentia era desconcertante e em um nível nunca experimentado por ele.

Ao se lembrar de suas funções, o adolescente se prepara para ir até o espaçoso e luxuoso, quarto de banho.

Porém, Atemu se aproxima dele e toca o seu ombro, detendo o seu avanço, fazendo o jovem sentir calafrios prazerosos que irradiavam no local em que foi tocado, com o nobre falando em sua voz barítono:

- Amanhã, você começará as suas funções. Hoje, você vai observá-las para aprender como fazer.

Ele consente, enquanto exibia as faces coradas, evitando olhar para o corpo bronzeado e nu ao seu lado, sentindo que o seu coração batia freneticamente pelo calor que irradiava do corpo ao seu lado.

Então, ele ouve os passos do governante se afastando dele para caminhar até a espécie de gongo e prontamente, Yuugi assume uma postura servil com os olhos abaixados, observando as escravas entrando no recinto, enquanto que o monarca decidiu que iria provocar o seu amado em alguns momentos para se deliciar com o rubor na face do jovem, assim como as reações do mesmo que eram aprazíveis, a seu ver.

O adolescente as observa preparando o banho, após os escravos entrarem com vasos enormes contendo água quente, derrubando o conteúdo na banheira imensa, para depois, se retirarem.

O adolescente fica surpreso ao ver que antes das servas entrarem, algumas mulheres com vestes e perucas, que ele só viu nobres usarem, entraram no aposento, passando a preparar o banho, deixando-o estarrecido, pois, as servas que entraram depois e algumas escravas, passaram a separar as vestes e joias, enquanto que algumas trocavam os lençóis da cama e levavam a roupa suja, assim como o que tiraram da cama.

Atemu ordena que uma delas ensine para o jovem que é conduzido gentilmente para o local do banho, com uma das mulheres explicando sobre as essências e qual era a favorita do Faraó, com Yuugi percebendo que foi a mesma essência usada em seu banho, fazendo-o corar intensamente ao imaginar que o estavam preparando para Atemu e ele estava tão corado, que as suas orelhas também estavam carmesins.

Depois, ele observa o soberano entrando na água, nu e em toda a sua glória, com o jovem de orbes ametistas evitando ver uma parte específica do corpo bronzeado, no caso, a sua virilha, para depois, ver as escravas o banhando, com uma delas fazendo uma massagem em suas costas, enquanto que a outra tirava a roupa, entrando na água para banhá-lo melhor, tocando inclusive abaixo da sua cintura, enquanto Atemu se encontrava com os antebraços apoiados na borda da banheira, fazendo o jovem questionar, ainda ruborizado, se teria que ficar nu na frente do Faraó, tal como a escrava que se despiu tranquilamente, como se fizesse isso a sua vida inteira, com o adolescente acreditando que, de fato, ela já fizera inúmeras vezes.

Conforme pensava em ficar nu na frente do monarca daquele império, ele corava ainda mais intensamente, pois, mesmo sabendo que era outro homem, não conseguia impedir de sentir muita vergonha em ficar como veio ao mundo na frente dele, sendo que nunca havia ficado nu na sua vida, mesmo quando aquele comerciante o instruiu, brutalmente, na arte do sexo oral, segundo ele e quando sentiu a sua mente voltar para aqueles momentos infernais, o jovem dispersou os seus pensamentos o quanto antes, odiando a linha do seu pensamento inicial, pois, repudiava ardentemente qualquer recordação daquele momento.

Discretamente, Atemu estava observando as reações do seu amado, enquanto ignorava as escravas que o banhavam e aquela que havia ficado nua na frente dele, pois, estava acostumado.

Afinal, desde pequeno era banhado daquela forma, fazendo com que fosse algo usual.

Inicialmente, ficou satisfeito ao notar os olhares do seu amado, percebendo o quanto o seu corpo mexia com o jovem, achando-o fofo e igualmente lindo quando corava e mesmo que não corasse, ainda era lindo.

Afinal, era pequeno e delicado, inspirando no Faraó o desejo ardente de protegê-lo com todas as suas forças.

Inclusive, senão soubesse a idade dele, pensaria que era uma criança por causa da sua estatura e fisionomia delicada, chegando ao ponto de ser quase andrógeno.

Então, o sorriso prazeroso cai do seu rosto ao ver que Yuugi ficou triste, de repente, com um olhar perdido em um ponto qualquer na sua frente e pelas reações de medo do corpo do jovem que era acometido por um leve tremor, com as suas pupilas se dilatando momentaneamente, acreditava que era por causa dos atos do mercador que o enchiam da mais pura fúria, para depois, se recordar de que o mesmo estava nas masmorras e que ele poderia vingar o que fez ao seu amado, deixando a vingança por Kisara para o seu primo.

De fato, após eles cuidarem dos seus assuntos durante o dia, iriam até o homem que seria preparado para as chicotadas de ambos e frente a este pensamento, sentiu a sua fúria diminuir, pois, teria a chance de fazê-lo pagar amargamente pelo que fez e ao vê-lo sair dos seus pensamentos, Atemu fica aliviado, para depois, ficar satisfeito quando o adolescente voltou a corar intensamente, conforme o observava.

Então, o banho termina e o Faraó se levanta, sendo secado pelas escravas, deitando em seguida na cama, de bruços, com uma das mulheres de vestes nobres o massageando para desfazer pontos de tensão, conforme aplicava óleos perfumados, para depois, ele se erguer, com as escravas o vestindo com as suas vestes usuais, enquanto outra fazia a usual maquiagem egípcia, deixando para o final a linha de Kohl, abaixo de cada um dos olhos, feitos por um pincel.

Conforme observava ele sendo vestido ao mesmo tempo em que era aplicada a maquiagem, Yuugi notou que ele não usava aquela espécie de cocar estranho na cabeça e sim, uma espécie de coroa com o olho no centro e asas em ambos os lados da cabeça em uma ilusão à Ra, com uma safira encrustada em cada lado, além de serem visíveis os brincos dourados de tamanho considerável, contendo o relevo de um Akh em cada um deles e uma pedra de safira no centro.

Ademais, percebeu que usava menos apetrechos do que o dia anterior.

O Faraó trajava um kalasiris masculino e um chanti elaborado na cor azul com detalhes dourados, intercalados com pedras preciosas, sendo que usava um oskh composto de anéis de ouro que cobriam do pescoço até a parte de cima do tórax. Havia ombreiras de ouro com relevos que se assemelhavam a uma asa, circundando ambos os ombros na parte de cima e que se elevavam. O oskh era coberto, parcialmente, por uma capa cor de ametista com detalhes prateados e dourados. Em seus pés havia um sapato de linho com detalhes dourados na parte de cima e um pequeno rubi na parte da frente.

Ele usava pulseiras douradas e anéis com joias em alguns dedos, além de braceletes nos bíceps feitos na cor dourada, juntamente com anéis de ouro que cobriam do tornozelo à panturrilha, sendo que a maior parte da extensão dos antebraços era coberta com braceletes de ouro.

Após terminarem, elas se curvam e se retiram, sem virar as costas, enquanto buscavam deixar o pé esquerdo na frente delas, para depois, fecharem as portas duplas.

- Atemu, eu notei que ninguém lhe vira as costas e que as pessoas sempre estão colocando o pé esquerdo na frente do corpo. Por que eles fazem isso?

- É proibido virar as costas para o Faraó e o ato de colocar o pé esquerdo na frente do corpo, é um sinal de respeito e que está entregando a sua vida ao Faraó.

- Isso parece um tratamento que dariam a uma divindade.

O imperador sorri gentilmente e fala:

- O Faraó é considerado um Deus vivo na terra, filho de Rá, possuindo toda a autoridade e julgamento divino. Inclusive, eu acumulo os cargos de administrador máximo, chefe do exército, primeiro magistrado e sacerdote supremo de Kemet.

Yuugi fica estarrecido com os cargos, sendo que Atemu sorri, enquanto falava:

- Por isso, recebo um tratamento de divindade. Para me auxiliar, eu tenho o Tjati (Vizir) Shimon Muran como o meu Conselheiro Real. Após o meu pai passar a coroa para mim, ele continuou no cargo. Antes, acumulava também o cargo de membro do Rokkushinkan. Então, sentindo que a idade o alcançava, decidiu que ser um Conselheiro real era o suficiente. Portanto, passou o Sennenjou para o seu sucessor, escolhido pessoalmente por ele. O nome dele é Shadi.

- Sennenjou?

- É um dos Sennen Aitemu que tem a forma do símbolo kemético de alma, tal como os meus brincos – ele aponta com o dedo para as suas orelhas - É o Shinkan careca que usa um capuz e tem desenhos intricados em seu rosto.

Yuugi consegue se recordar do sacerdote e consente, para depois, perguntar ao se recordar de algo:

- O senhor Shimon é aquele que usava aquele lenço branco que somente deixava os olhos a vista e falava de forma sussurrada com você?

- Sim. Ele é primo do meu pai, assim como a minha falecida esposa era uma das minhas primas.

- Isso explica porque ele lembrava um pouco, você... – Yuugi assimila o que ele disse e exclama surpreso – Se casou com a sua prima?!

- Sim. É um costume real, passado por gerações. Minha falecida mãe era uma das primas do meu pai. É para manter a pureza do sangue.

- Meus pêsames pelo falecimento dela - o jovem acha estranho o fato de Atemu não ficar triste pelo falecimento da sua esposa - Você não parece triste pela morte dela.

- Eu não conseguiria ficar triste pela morte dela, Yuugi.

- Por quê? Foi por não terem se casado por amor?

- Dificilmente um Faraó se casa por amor. Meus pais se amavam. Foi amor à primeira vista. Isso por si só pode ser considerado muita sorte. Mas, não foi por isso.

- Então, por quê... – o adolescente percebe que era um assunto íntimo e começa a agitar as mãos espalmadas na sua frente, enfatizando seu ponto, enquanto falava nervosamente – Não precisa me contar senão quiser! Deve ser um assunto pesaroso e...

Ele para de agitar as mãos, quando Atemu coloca gentilmente a sua mão em seu ombro, apertando-o levemente, enviando calafrios prazerosos para o corpo do jovem a partir do toque, para depois, falar com um sorriso triste:

- Não me importo de contar a você. Não é uma história pesarosa e sim, um tanto quanto enervante.

- "Enervante"?

O Faraó consente e conta todo o ocorrido, vendo o semblante do jovem ficar de chocado à triste e depois, indignado e ao terminar o relato, Yuugi coloca gentilmente uma mão no ombro do imperador, por cima da ombreira, falando:

- Você conseguiu salvar o seu filho, no final. Lamento o quanto você sofreu e o stress que vivenciou para evitar que ele sofresse pelos erros da genitora.

- Obrigado, Yuugi.

Então, ao se lembrar do status divino do Faraó para aquele império, ele se sente envergonhado, pois, o estava tratando de forma informal, sendo que Atemu não era apenas um rei e sim, um Deus vivo, também.

- Me perdoe. – ele fala cabisbaixo, enquanto sentia-se envergonhado, pois, mesmo que não fosse de Kemet, devia respeitar o homem a sua frente por estar em seu império.

O imperador não compreende e pergunta com a sua voz barítono repleta de preocupação ao ver o seu amado cabisbaixo:

- Perdoar o quê?

- Eu o estou tratando de forma informal, sendo que é praticamente um Deus, além de um imperador e...

O nobre de pele bronzeada fica aliviado ao compreender o motivo daquela reação e fala, pondo ambas as mãos nos ombros delicados de Yuugi:

- Eu gosto de ser tratado como uma pessoa normal, mesmo que seja, somente, longe do público. É uma mudança refrescante. Ademais, vindo de você, me deixa muito feliz. Portanto, não há motivo para ficar assim. Claro que quando estivermos em público, você precisará me tratar com o devido respeito e agir de forma submissa.

O jovem de orbes ametistas exibe surpresa em seu semblante, com os seus olhos expressivos e grandes completamente abertos, com Atemu apreciando ver aqueles olhos que envergonhavam a mais bela ametista, que é considerada uma joia preciosa em seu império.

Então, após alguns minutos, o jovem pergunta, desejando a confirmação do que havia ouvido:

- É verdade? Você gosta do meu tratamento informal em particular?

- Sim – ele pisca para o jovem, fazendo com que o macho menor o visse como alguém jovial com esse gesto, enquanto corava – Os meus amigos agem dessa forma também, assim como Shimon, pelo fato de ter me segurado quando eu era um bebê. Inclusive, muitas vezes, eu o vejo como um avô querido. Ele foi um dos meus professores. É um homem exigente, mas, gentil, mesmo com os escravos. Ele possui um coração bom e igualmente nobre.

O adolescente via o carinho nos orbes carmesins, conforme o imperador falava sobre Shimon, demonstrando o quanto sentia afeição e que de fato, o via como um avô querido.

Então, ele comenta, sorrindo:

- De fato, você tem um grande carinho por ele e o vê como um avô.

- Sim. O meu pai confiaria a sua vida nele sem titubear e eu faria o mesmo.

- E quanto ao seu pai?

Yuugi se arrependeu de sua pergunta, encostando o seu punho fechado em seu tórax ao ver o olhar de dor do Faraó quando os seus orbes rubros perderam levemente o brilho, conforme surgia a sombra da tristeza em seu semblante.

- Atemu, desculpe, eu...