Notas do Autor

Yuugi descobre...

Atemu explica sobre...

Kisara se encontra...

Jounouchi e Nuru se encontram...

Yo!

Eu peço desculpas pela demora.

Desejo a todos uma boa leitura. ^ ^

Capítulo 47 - Conversas - final

O imperador inspira profundamente e depois, fala, exibindo um sorriso triste:

- Não tem nada para se desculpar. É normal a sua curiosidade. O meu pai está vivo, mas, muito doente. Ele adoeceu alguns anos, atrás e a sua saúde decai a cada ano. Os curandeiros reais não sabem mais o que fazer. Atualmente, buscam aplacar os seus sintomas para que ele não sofra. Eu destaquei uma equipe imensa de curandeiros, servos e escravos para cuidarem dele, alternando em turnos, além de dispor de guardas. Afinal, mesmo não sendo mais Faraó, não muda o fato do meu genitor ter inimigos, assim como eu possuo os meus.

- Eu confesso que queria conhecer o seu filho. Você não o levou a festa da noite passada por ele ser muito novo? – Yuugi pergunta o final em tom de confirmação.

- Sim. Eu quero que ele tenha uma boa noite de sono. Porém, quando ele estiver andando, eu terei que levá-lo, pois, o povo poderá vê-lo.

- Entendo.

Então, ocorrem batidas nas portas duplas e o jovem assume uma postura submissa com o rosto abaixado, enquanto Atemu falava com a sua voz barítono:

- Entre.

Nisso, servos e escravos entram com diversas comidas e jarras contendo de sucos à bebida alcóolica, além de sobremesas e passam a arrumá-los na mesa imensa que ficava em um cômodo anexo ao quarto do Faraó, juntamente com os pratos e talheres.

Então, depois que arrumam a mesa para o farto café da manhã, eles se retiram, após se curvarem.

Quando as portas duplas são fechadas, o jovem de orbes ametistas ergue o rosto e Atemu sorri para ele, falando:

- Vamos tomar o café da manhã. Depois, vou levá-lo até o quarto do meu filho. Eu vou ter que cuidar de alguns assuntos na parte da manhã, enquanto que Mahaado irá lhe apresentar o palácio, após você ter uma consulta com a líder dos curandeiros reais. Depois, iremos almoçar aqui.

Então, o governante de todo o Kemet pega na mão do jovem que sente calafrios prazerosos a partir da mão que foi pega pelo monarca e após olhar para a mesma, erguendo o rosto em seguida, sentiu borboletas no estômago ao observar o olhar intenso que recebia do Faraó, sendo que os orbes carmesins apreciavam as reações do macho menor, como o leve tremor e as bochechas enrubescidas.

O adolescente sente novos calafrios quando o monarca afaga com as costas dos dedos, uma das bochechas carmesins do adolescente, enquanto murmurava:

- É uma cor linda em seu rosto, considerando a sua pele alva e igualmente sedosa ao toque. – ele falava em um tom barítono rouco que enviava calafrios prazerosos pela coluna de Yuugi.

O ex-sacerdote sentia o seu coração martelando no peito, quase como se fosse sair pela boca, sendo que ficava ainda mais intenso, conforme sentia os dedos bronzeados percorrerem as suas bochechas para roçarem os lábios rosados e igualmente delicados.

Então, o Faraó afasta a mão e o jovem contém um gemido que queria sair dos seus lábios, enquanto ficava confuso por não compreender as reações do seu corpo perante o toque e olhar do soberano daquele império.

Yuugi pisca várias vezes, enquanto se refazia, conforme era conduzido gentilmente pelo imperador até a mesa farta, se esquecendo, momentaneamente, do que ocorreu anteriormente ao ver a fartura e diversidade dos alimentos que o deixava embasbacado, enquanto que Atemu sorria com satisfação ao ver a reação do menor.

Ele oferece uma cadeira, a afastando, com o jovem aceitando, enquanto corava com o gesto, para depois, ver o Faraó se sentar ao lado dele, na ponta.

- Fique a vontade, Yuugi.

Ele se refaz do estupor e comenta, esticando os braços ao apontar os alimentos, frisando o que falava:

- É muita comida! É sempre um banquete?

- Sim. É um banquete para um rei. – Atemu sorri, sendo que o jovem confessava que adorava ver o sorriso do imperador.

- De fato, tem lógica. É que eu sempre fui bem simples e nunca vi um banquete tão farto e diversificado, a não ser quando a minha vila fazia uma homenagem aos nossos Deuses. Havia boa música, danças tradicionais e uma mesa farta para todos se servirem. O meu pai fazia um prece e entoava um cântico de homenagem aos nossos Deuses, antes de começar a se servir e depois dele, eu me servia. O Chefe da tribo começava a se servir, após a minha vez. Então, todas as outras pessoas começavam a se banquetear.

Atemu fica curioso e pergunta:

- Por que o Chefe da sua tribo comia depois de vocês?

- Meu pai era o sacerdote supremo. Eu estava sendo treinado para sucedê-lo. Era um ofício passado de pai para filho, pois, nossos ancestrais possuíam uma linhagem direta com os Deuses. Inclusive, mesmo que o Chefe tribal detivesse a autoridade e a administração, meu pai sempre era consultado e podia alterar algo, desde que os Deuses assim desejassem.

- Interessante... Então, a sua família é descendente dos Deuses?

- Bem, era o que o meu pai falava. Quando a Yukiko-chan apareceu na vila, todos acharam que ela era filha da Deusa da Lua por causa do símbolo de lua crescente na sua testa. Portanto, passaram a tratá-la como se fosse uma divindade na Terra ao ponto que somente eu ou o meu pai, tínhamos contato com ela. Se bem, que o principal contato era comigo.

- A Yukiko não é descendente dessa Deusa? – ele arqueia o cenho e pergunta com visível surpresa em seu semblante ao se recordar do imenso poder que ela detinha, conforme se lembrava da batalha dela contra os Deuses egípcios.

- Eu acho que não. Se bem, que ela não possui quaisquer memórias antes de me encontrar. Só sabia o seu nome.

- Eu espero que ela recupere as suas memórias, algum dia. Eu imagino o sofrimento por não se lembrar de nada, com exceção do próprio nome.

- Eu sempre via a dor e tristeza nos orbes dela quando ela ficava olhando para o horizonte, sendo que sentia que tinha relação com a sua ausência de memórias. Com certeza, ela deve ter tido uma família, além de amigos, em algum lugar. Bem, eu a vi despencar do céu, após surgir um brilho intenso dentre algumas nuvens.

- Como ela foi parar dentro de você? Pelo que eu compreendi com o seu relato, ela surgiu, de repente e estava fora de você. De fato, isso explica o motivo dos Sennen Aitemu não conseguirem selá-la em uma pedra. Ela nunca foi um Ka, pois, não surgiu dos seus sentimentos e âmago.

O jovem de orbes ametistas explica sobre a invasão e quando foi ferido mortalmente, para depois, explicar o máximo que conseguia se recordar sobre o ato dela de entrar dentro dele para garantir a sua vida e que depois, ela não conseguia sair por si mesma.

- Interessante. – Atemu comenta com um olhar pensativo.

- Ela nunca soube como fez isso e eu acredito nisso. Afinal, estava desesperada ao ver o meu estado debilitado, pois, sentiu que eu iria morrer.

- Por ter salvado a sua vida, eu sou eternamente grato a ela. Se Yukiko não tivesse usado essa técnica, você teria falecido em decorrência dos ferimentos mortais que sofreu e esse é um pensamento demasiadamente assustador para mim. Sou grato aos Deuses por colocarem ela em seu caminho. – Yuugi cora intensamente sobre o olhar do monarca, enquanto pensava no fato dele não ser um desconhecido.

Afinal, tinha a estranha sensação de que o conhecia de algum lugar.

- Mesmo que sejam outros Deuses?

- Sim. Afinal, tudo o que importa é que esteja vivo e bem, sendo que ela sempre procurou protegê-lo, mesmo que estivesse limitada dentro de você. Minha dívida com Yukiko é incomensurável.

O ex-sacerdote cora intensamente com o olhar e sorriso do Faraó direcionado para ele até que o homem de pele bronzeada fala, enquanto se servia de uma bebida:

- É melhor comemos antes que esfrie.

- Verdade.

- Fique a vontade para provar o que desejar.

- Muito obrigado, Atemu.

Então, eles passam a se servir, sendo que o jovem de orbes ametistas decide provar uma das bebidas alcóolicas, fazendo uma careta de desagrado, após sorver um gole, com o monarca rindo levemente.

- Pelo visto, é a primeira vez que prova esse tipo de bebida.

- Sim. É muito amargo.

- Se preferir, temos alguns sucos e leite. Leite é considerado uma iguaria.

- Sério? Onde eu morava, era bem comum.

- Como era o local?

O jovem a descreve, com o Faraó comentando:

- É compreensível ser um alimento comum onde vivia. Aqui, mesmo que tenhamos as cheias do Nilo, calculando quando elas irão ocorrer, pois, fornecem a fertilidade para a terra, juntamente com a nossa capacidade de gerenciamento e armazenamento de grãos, manter criações de animais é algo desafiador. Principalmente animais de grande porte.

- Pelo visto, faz-se necessário uma excelente administração de recursos.

- Sim. Como vivemos nessa região, estamos acostumados a ela. Por isso, sabemos como gerenciar os recursos para aproveitarmos ao máximo.

Eles continuam conversando outros assuntos, com Atemu demonstrando interesse na tribo de Yuugi, assim como o jovem de orbes ametistas mostrava interesse em Kemet, cuja geografia e ambiente eram opostos a terra natal do adolescente, desconsiderando as culturas distintas, sendo que percebe a existência de animais que lembravam alguns felinos de onde ele vivia, embora fossem menores e domésticos ao verem os mesmos andando tranquilamente pelas ruas e inclusive, dentro do palácio, além de perceber que o povo parecia reverenciá-los com o olhar.

Ao questioná-lo, o monarca responde que eles são gatos e que foram domesticados dos gatos selvagens pelos seus ancestrais, assim como explica a importância vital deles no controle de pragas, principalmente nos grandes silos onde armazenavam vários tipos de grãos, além de comentar sobre Sekhmet e Bastet, as duas Deuses com aparência felina, citando os status de cada uma, com o ex-sacerdote ficando surpreso ao saber que a Deusa da guerra era Sekhmet, que possuía uma cabeça de leoa, enquanto que a Deusa Bastet tinha a cabeça de um gato e zelava pelo lar.

Inclusive, passou a compreender alguns dos entalhes da sua cama, após a explicação dele sobre a importância vital dos gatos naquele império.

De fato, eram eles que mantinham os estoques vitais de grãos a salvo dos ratos e outras pragas.

Após terminarem o café da manhã, o Faraó instrui o seu amado como se portar em público, dando uma aula básica para ele, antes de se retirarem para irem até o quarto do príncipe.

Enquanto isso, na mansão do shinkan Seto, Kisara aprendeu como deveria proceder de manhã, cuidando do banho dele e roupas, além da colocação de joias, conforme observava as escravas responsáveis por essa parte.

Ela havia adquirido uma cor carmesim permanente, principalmente quando viu o sacerdote como veio ao mundo, sem qualquer pudor, com os seus olhos viajando sem controle pelo seu corpo até que corou ainda mais, se era possível, ao ver a virilha dele, sentindo que o seu coração queria sair do seu peito em decorrência dos seus batimentos cardíacos frenéticos, além dos calafrios de prazer que percorriam o seu corpo em virtude dos orbes azuis intensos que a fitavam.

A adolescente sabia que o seu povo não tinha problema com nudez, pois, viam os corpos como sendo algo natural, sendo que essa era a visão tanto dos homens quanto das mulheres em Kemet. Mesmo assim, ela se sentia extremamente corada a simples menção de revelar o seu corpo e acreditava que isso era em decorrência do fato dela ter vivido grande parte de sua vida, distante da sua própria cultura.

Claro, sabia sobre os Deuses e templos, além dos costumes.

Porém, não conseguia encarar a nudez com a mesma naturalidade que os demais, fazendo com que se sentisse um pouco deslocada dentre os seus conterrâneos.

Naquele instante, estavam terminando de tomar o café da manhã no espaçoso e luxuoso quarto do shinkan, enquanto conversavam assuntos amenos.

A prateada vestia uma haik que era uma túnica longa e que ia até o tornozelo dela, sendo que na cintura tinha faixas douradas intercaladas com um tom prateado. Usava um oskh, que era uma gola larga confeccionada com anéis dourados e que cobriam o pescoço e clavículas. Nos braços e tornozelos jaziam alguns anéis dourados. Em seus pais havia sandálias feitas de papiro com uma safira encrustada em uma das tiras que ficava na parte de cima.

A jovem também exibia uma maquiagem kemética, incluindo a linha de kohl, abaixo dos seus olhos.

A adolescente confessava que nunca havia imaginado que usaria uma veste tão macia, assim como não conseguia visualizar, nem em seus sonhos mais bizarros, usando joias, sendo que as sandálias eram extremamente confortáveis e bonitas.

Inclusive, antes que fosse encontrá-lo naquela manhã, a prateada ficou vários minutos se olhando no espelho, pois, custava a acreditar que ela era mesma naquelas vestes lindas e impecáveis.

Após terminarem o café da manhã, Seto dá as devidas instruções de como se portar em público, sendo que iriam até a líder dos curandeiros reais para uma avaliação da saúde dela, antes de fazerem compras, deixando-a surpresa.

- Mas, não precisa gastar tanto com uma serva pessoal.

- Eu quero mimá-la, um pouco. Além disso, com certeza, quer escolher algumas vestes.

- Não vai atrapalhar o senhor? – ela pergunta preocupada.

Ele sorri gentilmente com a preocupação dela, para depois, falar:

- Me chame pelo nome quando estivermos em particular, por favor.

A prateada se surpreende pelo uso do "por favor" e cora, enquanto falava timidamente:

- Senhor Seto – ela olha a careta que ele fez e depois, se corrige, falando em um tom baixo por estar nervosa ao se referir informalmente a um sacerdote – Seto.

- Assim está melhor. Vamos.

Ela consente e sai com ele, com ambos se dirigindo para a saída.

Nesse ínterim, Jounouchi e Nuru estavam andando pela cidade, acompanhados dos guardas do loiro. Sobre insistência dele, Nuru havia escolhido algumas roupas, com o nobre frisando para ela não reparar no valor, enquanto que devia se focar, apenas, naqueles que havia apreciado, comentando que depois, iriam comprar calçados e em seguida, escolheriam joias.

A bronzeada sorria o tempo todo e exibia bochechas coradas, enquanto ficava surpresa com o seu destino, pois, inicialmente havia ficado apavorada com o seu futuro e agora, podia vê-lo com esperança, enquanto agradecia aos Deuses por colocarem aquele nobre em seu caminho.

De volta ao palácio, Atemu e Yuugi entram no quarto do príncipe e o jovem observa uma mulher bronzeada trajando um haik que ia até o tornozelo, sendo que tinha faixas douradas na cintura.

Ela também usava um oskh confeccionado com detalhes dourados e algumas joias que cobria apenas o pescoço e parava acima da clavícula, além de ter pulseiras e tornozereiras com argolas douradas, sendo que nos pés havia sandálias feitas de papiro. Os cabelos negros estavam soltos e caídos em cascata atrás das costas, passando um pouco da cintura, enquanto que os orbes ônix demonstravam amor maternal, conforme olhava para o pequeno que ressonava tranquilamente em seus braços, sendo que estava envolto em mantas macias e igualmente confortáveis.