Notas da Autora
Yuugi fica...
Atemu o leva...
Em uma ala...
Yo!
Ramessés ou Ramsés é usado nos tempos atuais. Na pronúncia no Egito antigo, Ramessés era pronunciado como Ramesses.
Como os personagens estão situados no Egito Antigo, usarei entre eles o Ramesses.
Tenham uma boa leitura ^ ^
Capítulo 48 - Ramesses
Pelo canto dos olhos, o Faraó percebeu que o seu amado estava se contendo arduamente para não correr até o bebê visando paparicá-lo, sendo que tal reação o deixava feliz, pois, o adolescente demonstrava que amava Ramesses (Ramessés), tanto quanto o Faraó amava o seu filho, mesmo que o jovem não o conhecesse pessoalmente, ainda.
Inclusive, sabia que os sentimentos de Yuugi eram sinceros.
Afinal, os seus olhos eram grandes e expressivos, revelando a sua alma gentil, amável e pura, assim como os seus sentimentos.
O soberano de Kemet volta a olhar para a mulher que percebe a sua presença e sorri, para depois, dedicar um olhar especial ao jovem, sendo implícito em seus olhos o questionamento sobre o adolescente de orbes ametistas e quando o imperador consente com a cabeça, o semblante de Kesi demonstra agradável surpresa, compreendendo que o seu amigo encontrou aquele que povoava os seus sonhos, com a morena acreditando que os Deuses os uniram, pois, acreditava piamente que eles eram predestinados e conforme pensava nisso, os seus olhos descem para o item dourado pendurado no pescoço do monarca, se recordando das suposições que o mesmo tinha sobre os sonhos envolvendo o jovem misterioso e os sentimentos que o tomavam ao vê-lo.
O Sennensui era composto de várias peças que eram como um quebra-cabeça e era dotado de uma magia imensa. Atemu havia comentando com os seus amigos, inclusive com a morena, que por ter esta característica, sendo distinto dos demais itens, ele mostrou o jovem que era o seu predestinado, juntamente com a influência dos Deuses, como uma peça que precisava ser encaixada.
Era o que o Faraó acreditava, pois, explicaria os seus sonhos, juntamente com o fato do Sennen aitemu resplandecer cada vez que os tinha.
Nesse ínterim, Yuugi observava o quarto que era imenso, luxuoso e arejado, adornado nas paredes com gravuras retratando Deuses e animais sagrados.
Conforme percorria o ambiente com os olhos, mantendo-se cabisbaixo, ele avista um berço dourado e ricamente adornado com entalhes em relevo, contendo um mosquiteiro para proteger o bebê. Ele também avistou uma mesa e cadeira, além de armários com relevos de animais contendo detalhes dourados e puxadores de ouro em forma de cabeça de gato com rubis no lugar dos olhos.
Havia duas camas de solteiro contendo lençóis alvos, com o adolescente acreditando que um dos leitos era para a babá e o outro para a ama de leite para que pudessem prestar, rapidamente, qualquer auxílio e cuidado para com o infante.
Ele avistou, também, um quarto de banho pelo que o jovem pode detectar de uma porta entreaberta, sendo visível um suporte de calcário coberto com panos macios, fazendo o jovem ponderar sobre a utilidade dele, pois, não se lembrava de ver algo similar a isso.
Enquanto Yuugi observava o ambiente pelo canto dos olhos, mantendo a postura servil, Kesi caminhava até ambos, sem fazer qualquer reverência, além de não exibir uma postura subserviente, enquanto o príncipe dormia em seus braços, com o Faraó perguntando em tom de confirmação:
- A ama de leite foi comer na cozinha, certo?
- Sim. Estamos sozinhos. Eu fico feliz por você, Atemu.
Então, ela vira o rosto e sorri gentilmente para o ex-sacerdote que corava, enquanto sorria timidamente, para depois, voltar a olhar amavelmente para o bebê nos braços dela.
- Os Deuses me deram um presente maravilhoso. – o monarca comenta com um enorme sorriso no rosto, enquanto olhava para o seu amado.
O jovem não havia percebido o olhar do bronzeado sobre si por se encontrar observando o bebê e em decorrência desse fato, achou, erroneamente, que o Faraó se referia ao filho, sendo que na verdade, estava se referindo a ele.
- Você é tão fofo. Nunca vi alguém com olhos tão expressivos e que chegam a revelar a alma de alguém. Seus olhos envergonham a mais bela ametista, sabia? – ela comenta, enquanto sorria, achando-o fofo, principalmente ao vê-lo corar com a aproximação, julgando que ele era demasiadamente tímido.
Conforme observava o corpo dele, mesmo oculto nas roupas, ela havia percebido que apesar do seu corpo ser aparentemente andrógeno, tinha curvas sutis e que se usasse uma roupa feminina ao mesmo tempo em que tivesse os seus cabelos assentados, poderia se passar facilmente por uma garota, sendo auxiliado pelo seu tamanho e aparência delicada.
Ademais, o tom da sua voz era em um timbre bem suave, deixando Kesi fascinada.
Yuugi fica ruborizado pelos elogios, pois, era tímido, sendo que o soberano de todo o Kemet estava apreciando, imensamente, a timidez e rubor na pele alabastro do seu amado, enquanto o macho menor falava timidamente:
- Muito obrigado pelos elogios. Eu percebi que não está seguindo a etiqueta.
- Só estamos nós três. Eu não preciso seguir formalidades com Atemu, a menos, que estejamos em público.
- Então, eu posso falar livremente?
- Claro. Estamos em um local particular e sem testemunhas. – a morena falava, enquanto sorria gentilmente ao mesmo tempo em que controlava a vontade imensa de apertar o jovem em seus braços, pois, ele era demasiadamente fofo.
Claro que conforme ambos consolidassem a sua amizade, ela iria apertá-lo em seus braços em algum momento, pois a tentação seria demasiadamente intensa para ser ignorada.
- Eu me esqueci de apresentá-la – Atemu se virou para o seu amado, apontando a mão para a bela morena de atributos estonteantes – Ela se chama Kesi e me conhece desde que eu era pequeno. Atualmente, ela é a babá do meu filho. Kesi, este é o Yuugi. Ele veio do além-mar.
- Você parece bem jovem. Para mim, você tem doze anos, se julgarmos a sua aparência. – ela fala em um tom gentil.
Yuugi cora intensamente, para depois falar, enquanto gaguejava:
- Na verdade, eu tenho dezessete anos e em breve farei dezoito anos. Saiba que não é a primeira pessoa que julga, erroneamente, a minha idade.
A bela morena exclama estupefata:
- Dezessete?! Isso é incrível. Com certeza, muitos irão invejá-lo, principalmente as mulheres, pois, vai demorar muito para aparentar a idade quando ficar mais velho. Afinal, muitos desejam ter a juventude por mais tempo. É de família? - ela pergunta o final com evidente curiosidade em seu semblante, após se recuperar da surpresa inesperada.
- Eu não sei. Inclusive, eles ficaram preocupados comigo por eu ter uma estatura tão baixa, assim como, a minha aparência infantil, mesmo após ter entrado na adolescência. Eles acharam que eu iria me desenvolver. Se bem, que não era, apenas, a minha aparência que os preocupava, sendo que eu também não aprecio o fato de eu ser baixinho e ter uma aparência infantil, principalmente pelos meus grandes olhos e traços delicados. – ele fala o final em um murmúrio, enquanto permanecia corado e cabisbaixo.
O seu queixo é erguido delicadamente por uma mão máscula, com os dedos contendo anéis, assim como uma pulseira dourada em seu pulso, fazendo-o reconhecer como sendo o Faraó, juntamente com o odor picante de especiarias.
Os seus orbes ametistas umedecidos pelas lágrimas não derrubadas se encontraram com os orbes carmesins que pareciam brilhar sobre a luz que incidia no ambiente a partir de uma espaçosa janela, sendo que Yuugi cora ainda mais, se era possível, além de sentir calafrios prazerosos, juntamente com a fraqueza momentânea que acometeu os seus joelhos ao ver o olhar intenso sobre ele, com um estranho e incompreensível brilho, a seu ver, nos orbes rubros do soberano que se assemelhavam, naquele momento, a lava incandescente.
Seus rostos se encontravam tão próximos, que poucos centímetros quebrariam o espaço entre os seus lábios.
- Para mim, você é perfeito como é. Os Deuses o fizeram assim por algum motivo. Ademais, o que importa é como você é por dentro. Ou seja, o seu coração. Saiba que você é lindo tanto por fora, quanto por dentro. Eu o acho perfeito. – ele fala com a sua voz barítono rouca, arrancando mais calafrios prazerosos no jovem, que sentia borboletas esvoaçando em seu estômago.
Então, o bebê abre os orbes carmesins, enquanto bocejava de forma fofa ao abrir a boquinha, sorrindo em seguida ao notar o seu pai, passando a esticar os bracinhos para ele, pedindo colo, enquanto balbuciava palavras incompreensíveis.
Os sons do infante fazem o jovem e o Faraó se separarem, com as bochechas do adolescente se encontrando carmesins, enquanto procurava acalmar os batimentos cardíacos do seu coração ao mesmo tempo em que tentava compreender o que eram os sentimentos e sensações que o tomavam, sempre que Atemu olhava para ele ou o tocava. Não que fossem ruis, eram estranhamente aprazíveis.
O monarca do império de Kemet fica admirando o rubor intenso no rosto e nas orelhas do macho menor por alguns segundos, para depois, virar o rosto na direção do seu filho, sorrindo ternamente, conforme o pegava gentilmente em seu colo, com o pequeno se encolhendo contra o genitor como se fosse a sua concha favorita, passando a chupar um dos dedos, para depois, olhar em volta, exibindo curiosidade em sua face com a presença do jovem de orbes ametistas.
Os olhos de Yuugi brilhavam de emoção ao ver o bebê e era evidente o quanto ele sentia vontade de pegar a criança nos braços, sendo algo que não passou despercebido pelo soberano de Kemet, que ficava imensamente feliz por ver tal emoção dirigida ao seu filho.
Após embalá-lo em seus braços por alguns minutos, ele se virou para o seu amado e perguntou:
- Gostaria de segurá-lo?
- Eu posso segurar o príncipe? – o jovem pergunta com evidente surpresa em seu semblante.
- Claro.
O monarca passa o seu filho ao adolescente, lhe mostrando a forma correta de pegar o bebê, com o infante começando a fazer sons com a boca, enquanto era embalado em seus braços gentis, sendo que no início, a criança olhou curiosa para o ex-sacerdote, para depois, abrir um imenso sorriso, chegando a rir levemente ao se divertir com as caretas que o jovem de orbes ametistas fazia, sendo que Kesi comentava com evidente surpresa em seu rosto:
- É incrível como Ramessessu se apegou ao Yuugi. Ele dificilmente aceita estranhos tão facilmente.
- Também estou surpreso. Eu fico feliz em saber que ambos aceitaram um ao outro. – ele comenta com evidente satisfação em seu semblante.
- Eu imagino.
Os três passam a conversar animadamente, sendo que a bela morena estava curiosa sobre o local em que o jovem de orbes ametistas nasceu.
A bela morena contou um pouco sobre o seu passado, evitando falar qualquer coisa que retirasse a inocência do ex-sacerdote, pois, achou muito fofo a áurea de inocência que ele possuía, ficando aliviada pelo fato do mercador não ter destruído a ingenuidade dele, enquanto sorria gentilmente ao ver o sorriso e olhar gentil do adolescente para o bebê, fazendo o infante sorrir o tempo todo, enquanto agitava os bracinhos em sua direção, balbuciando palavras incompreensíveis, alternada com risos pueris.
Então, quando as portas duplas são abertas, Yuugi assume uma postura servil, assim como Kesi, com o Faraó pegando o príncipe dos braços do seu amado e entregando para a bela morena, se retirando em seguida, junto do seu amado, após dar um beijo paternal na testa do seu amado filho, conforme a ama de leite se curvava ao Deus vivo.
O jovem segue o monarca, olhando para os pés do mesmo em uma conduta subserviente e esperada de um servo pessoal, se limitando a olhar no entorno para tentar memorizar o caminho e após virarem por vários corredores, com o adolescente passando a ter sérias dúvidas que conseguiria andar pelo palácio sem se perder, eles chegam a uma ala, cujo acesso se dava através de portas duplas com o entalhe de Deuses que ele não reconhecia, além de alguns animais que deviam ser sagrados para aquela cultura.
Eles passam pelas portas e andam por um corredor largo e extenso de arenito que continha várias portas e vasos com representações gráficas da vida diária do povo de Kemet, enquanto que nos outros, detinham ilustrações de animais sagrados, além de espécies de painéis em hieróglifo, alternados com ilustrações entalhadas nas superfícies de calcário, além de alguns guardas espalhados em toda a sua extensão.
Após chegarem a uma porta que era distinta das demais e localizada no fim do corredor espaçoso, a mesma era guardada por um soldado que se prostrou ao Faraó, para depois, abri-la, com o monarca entrando primeiro, seguido por Yuugi.
Inclusive, considerando o tamanho da sala e tudo o que viu em um primeiro momento, acreditava que devia pertencer a um Curandeiro chefe, pois, aquele quarto amplo se destacava dos demais e ao observar em uma das divisórias que fornecia acesso a um dos cômodos anexos a sala maior, era possível ver um quarto demasiadamente espaçoso e arejado, contendo várias plantas medicinais em vasos, assim como, outros utensílios incompreensíveis ao jovem, embora acreditasse que eram utilizados no preparo de remédios e unguentos. Havia também compartimentos pequenos com tampas, além de jarros de barro cujas larguras e tamanhos variavam entre si e quando uma brisa soprou do cômodo para a sala, o servo pode sentir cheiros diversificados e que não eram enjoativos, sendo possível avistar cadeiras e mesas que se encontravam espalhados de forma estratégica e cujos tampões continham alguns utensílios ininteligíveis.
Em outro cômodo, lateral a este, conseguiu avistar prateleiras de madeira contendo diversos compartimentos, sendo que em muitos constavam rolos de tamanhos diferentes, com ele acreditando que eram ataduras, além de objetos que não conseguia identificar o seu uso e que estavam perfeitamente organizados, assim como tudo que se encontrava naquela ala distinta.
Ao olhar para a esquerda, viu outro quarto, anexo a este e que estava parcialmente aberto, sendo que chamou a sua atenção para o fato de haver, apenas, armários em toda a sua extensão e conforme observava pelo canto dos olhos, pode reconhecer o conteúdo de um deles, pois, uma das portas se encontrava aberta, com o adolescente observando diversos tecidos em forma de lençóis e outros objetos usados nas camas, sendo que se encontravam impecavelmente dobrados e devidamente acomodados de forma organizada.
- Pode erguer o olhar, Yuugi. – o Faraó fala gentilmente ao seu amado que ergue o rosto, passando a olhar o ambiente no entorno com evidente curiosidade em seu semblante.
Além das camas, havia espécies de mesinhas com utensílios e as janelas eram grandes, permitindo uma excelente ventilação, sendo que reparou que havia alguns escravos carregando produtos indistinguíveis ao adolescente.
Após terminarem, eles se prostram para Atemu, que com um gesto de mãos, os faz saírem e conforme observava quem detinha o título de Curandeira real e chefe da equipe de Curandeiros reais que saía de um dos cômodos, o jovem de orbes ametistas demonstra surpresa em seu semblante.
