Notas da Autora
Yuugi fica...
Kisara comenta...
Yuugi se encontra...
Atemu decide...
Yukiko fica...
Capítulo 49 - A aceitação de Yuugi
Afinal, olhando para a aparente adolescente, ele acreditava que ela devia ter, apenas, dezessete anos. O ex-sacerdote esperava alguém mais velho para o cargo que ocupava, pois, seria o esperado.
A morena entra no local, segurando alguns objetos em uma bandeja de barro, enquanto exibia um sorriso gentil para eles.
A Curandeira chefe possuía longos cabelos castanhos escuros e olhos castanhos claros. Usava uma espécie de tiara dourada na cabeça, juntamente com alguns prendedores tubulares de ouro que eram anexados em algumas mexas e era visível o conjunto de cinco anéis dourados em torno do pescoço dela, formando um oskh discreto. A líder dos Curandeiros reais trajava um kalasiris na cor rosa-vinho com bordados elaborados com fios dourados e joias, além de muitos drapeados, simbolizando o seu status, pois, quanto mais bordados e drapeados tivesse o kalasiris, maior a riqueza do usuário, sendo que na altura do seu tórax, por cima da roupa, repousava um Ankh dourado contendo hieróglifos entalhados em sua superfície. Também usava pulseiras e braceletes dourados e em seus pés, jazia um sapato branco com detalhes dourados.
Após pousar o que segurava em uma mesa próxima de onde estava, ela se aproxima, sorrindo, enquanto falava:
- Bom dia, Atemu.
- Pode agir normalmente, Yuugi. Ela é outra dos meus amigos. – o monarca fala gentilmente com a sua voz barítono ao ver que o seu amado havia voltado a ter uma pose subserviente.
O jovem ergue o rosto ao mesmo tempo em que a adolescente estava na sua frente, falando, enquanto o cumprimentava com um aceno de cabeça:
- Prazer em conhecê-lo, Yuugi. Eu me chamo Sera. Sou irmã mais nova do Administrador geral, Diiva.
Ele responde ao cumprimento, sorrindo, enquanto falava:
- O prazer é meu. Eu nunca vi uma Curandeira chefe tão jovem. – ele fala com admiração.
Sera cora levemente, para depois, falar:
- Eu imagino. De fato, dificilmente encontrará alguém com a minha idade liderando a equipe de curandeiros, ainda mais os curandeiros reais. Venha, vamos fazer alguns exames.
Atemu fala, olhando intensamente para o seu amado, fazendo o jovem ficar corado, com o soberano erguendo uma das mãos, passando o dorso da mão nas bochechas coradas do adolescente, sentindo a maciez da pele acetinada ao toque, sendo que Yuugi fica ainda mais enrubescido ao ver que a morena os observava com um sorriso gentil:
- Você estará em boas mãos, Yuugi. Mahaado irá aparecer mais tarde. Ele é um dos meus melhores amigos. Pode agir informalmente com ele em particular.
Então, o Faraó se retira com a sua capa esvoaçante atrás dele, se dirigindo ao escritório para se encontrar com Shimon, sendo que Seto iria se juntar a eles para auxiliar na acomodação e organização de todos os presentes que ele recebeu e após se retirar do cômodo, decide passar em um local, antes de se encontrar com os outros.
Conforme caminhava pelo corredor, ele encontra o seu primo que era seguido de perto por Kisara que assumira a esperada pose subserviente, andando atrás do seu senhor. O shinkan curva a cabeça em respeito, pois, estavam em público e espera o monarca passar, antes de retornar para a sua caminhada.
Então, ele entra na ala médica real e avista Yuugi, assim como Sera, que sorri para ele, o cumprimentando, com Seto fazendo o mesmo, enquanto que o jovem de olhos ametistas ficava cabisbaixo, pois, não sabia se podia agir livremente com o sacerdote.
- Pode agir livremente comigo. – ele fala, para depois, pegar gentilmente a mão da prateada, a puxando para o seu lado, enquanto a adolescente corava intensamente – Kisara, esta é Sera. É a chefe dos curandeiros reais. Ela irá fazer alguns exames em você. Depois, você irá acompanhar o seu amigo Yuugi em seu passeio para que possam conhecer o palácio. Pode agir informalmente dentro da ala médica com ela, assim como em particular, quando estiver com Mahaado.
O shinkan falava em um tom gentil para a sua amada que sentia o seu coração bater acelerado, para depois, consentir com a cabeça para a morena, sendo correspondida com um aceno, enquanto observava o semblante surpreso da prateada ao olhá-la, sendo algo esperado.
Inclusive, ela iria estranhar se a pessoa não exibisse surpresa ao conhecê-la pela primeira vez.
Sem resistir ao ver as bochechas coradas de Kisara, Seto passa gentilmente o dorso das mãos no rosto dela, sentindo a maciez da pele acetinada ao toque, enquanto ela corava ainda mais intensamente por se encontrarem em público, com a morena sorrindo gentilmente para a cena, enquanto que Yuugi ficava sem graça, corando levemente as bochechas por ser tímido.
- Nós encontraremos mais tarde. Mahaado sabe onde deve entregá-los, após terminarem o passeio.
Então, ele se retira, com a sua capa esvoaçando atrás dele e após o shinkan sair, Yuugi fica maravilhado com as roupas da sua amiga.
- Você está linda!
- Obrigada. Você também está lindo, Yuugi. Sabia que eu nunca imaginei, nem em meus sonhos mais surreais, que um dia estaria trajando vestes tão macias e usando joias?
- Bem, quanto a vestes macias, eu já cheguei a usar. Inclusive, utilizava algumas joias, mas, nunca nessa quantidade.
- O nível das vestes e joias que usam e que é acima do que muitos servos pessoais utilizam é o esperado, considerando que Seto e Atemu são meus amigos. Eu acharia estranho se vocês não usassem tal nível de roupas e joias. Kisara – ela olha para a prateada – Eu vou examinar Yuugi primeiro, pois, ele chegou antes e depois...
- Por favor, a examine primeiro. Eu posso esperar. – o adolescente fala, enquanto sorria, conforme se sentava em uma cadeira ali perto.
- Você é gentil, Yuugi. – Sera sorri e puxa a prateada consigo para uma sala, fechando a porta em seguida.
Enquanto aguardava os exames, o jovem de cabelos tricolores olha pela imensa janela para a cidade próxima ao palácio, percebendo que desde cedo, ela estava bem movimentada. Também conseguia observar o jardim real dentro das intimidantes muralhas, além de impressionantes estátuas dispostas pelo ambiente, acreditando que havia um motivo para a existência de cada um deles e pelo que compreendeu, havia muitas divindades naquela cultura e confessava que queria aprender mais sobre o império, pois, acreditava que ficaria o resto da vida ali e conforme pensava em sua situação atual, não achava ruim.
Afinal, era muito bem tratado, tinha refeições decentes e em abundância, usava vestes discretas e de excelente qualidade, além de usar ornamentos invejáveis e a partir de suas observações do povo, somente os de classes mais altas usavam muitas joias. Claro que a quantidade de joias parece definir o status e mesmo os de classe baixa usavam, ao menos, uma argola dourada, embora que os de classe bem baixa não conseguiam usar joias.
Ademais, ele percebeu que a maioria dos escravos tinha a cabeça raspada, no caso, os homens e usavam braceletes de bronze nos punhos com um símbolo em relevo, além de usarem espécies de aros de bronze no pescoço, além das roupas deles consistirem de um chanti simples para os homens e um haik de corte reto e simples para as mulheres.
O motivo dele se acomodar com a sua situação atual, além do fato dos benefícios que ele usufruía, apesar de ter que servir o Faraó como servo pessoal e não escravo, sendo que possuía uma pequena diferença entre ambos, era por ser plenamente ciente de que nunca iria rever o seu pai, a sua mãe e o seu povo, além de nunca poder conhecer o seu irmão ou irmã que ainda estava no ventre de sua genitora e que iria continuar com a tradição da família, mesmo se fosse uma garota, pois, não havia distinção de gênero.
Inclusive, por anos, havia aceitado gradativamente esse fato incontestável, fazendo com que aceitasse mais facilmente a sua servidão, além do modo como era tratado e das benesses que colhia, mesmo que não tivesse a liberdade de se afastar, sem autorização do seu mestre.
Ademais, Yuugi sabia que tinha uma personalidade bem passiva e que essa personalidade sempre havia preocupado o seu genitor pelo status que ele, futuramente, iria assumir, caso não tivesse ocorrido aquele ataque a sua amada vila.
Afinal, a passividade não era indicada para alguém com o status dele no passado e mesmo que o seu pai ficasse preocupado, assim como a sua genitora, eles o tratavam com amor, pois, o amavam.
Além disso, havia também a sua estatura demasiadamente baixa para alguém da sua idade e esse era outro fator de preocupação para os seus genitores, mas, não mudava o amor que sentiam por ele.
Conforme pensava em sua família, lágrimas brotam de seus orbes ametistas, para depois, secar os seus olhos com as suas mãos, enquanto buscava se recompor novamente.
Então, o jovem olha para os lados e fica aliviado ao ver que ninguém viu as suas lágrimas, sendo que ele desconhecia o fato de que alguém havia visto seu olhar saudoso e as lágrimas que haviam brotado desenfreadamente pela sua pele de alabastro.
Após se acalmar, volta a ficar pensativo, enquanto olhava para fora.
Um pouco longe dali, no Salão Real, Atemu, que havia colocado a sua máscara de Faraó, se encontrava andando até a imensa dragoa que estava repousando no chão de arenito em um canto do espaçoso salão, após comer uma bandeja imensa de carne que foi ofertada a mesma.
O som de passos a faz despertar e rapidamente, um odor conhecido entra por suas narinas, fazendo-a segurar um rosnado que queria surgir no fundo de sua garganta, enquanto se erguia com as suas asas emplumadas dobradas e rentes ao seu corpo felpudo, mantendo-se sentada sobre as patas traseiras, enquanto que os seus braços, mais curtos que as suas patas traseiras estavam cruzados elegantemente na sua frente, conforme elevava o focinho, observando a aproximação daquele que detinha o seu desafeto, assim como o seu ódio e que somente não o atacava para honrar a promessa que fez, caso perdesse e para não prejudicar o seu amigo de infância, Yuugi, embora não pudesse deter em seus orbes que eram como duas safiras, a fúria que sentia com a presença do seu dono, sendo que detestava pensar que era uma escrava.
Porém, a coleira de ouro mágica em seu pescoço e que conseguia sentir dentre a sua pelagem, a fazia se recordar, continuamente, do seu status atual.
Antes que um rosnado escapasse da sua garganta, ela decide interromper a sua linha de pensamentos.
Afinal, nada mudaria a sua situação e apenas a faria ficar ainda mais enfurecida do que já se encontrava, enquanto questionava o motivo dele querer falar com ela, embora acreditasse que um dos tópicos fosse onde iria colocá-la, a não ser que a desejasse manter naquele salão como forma de status e de intimidação, o que seria bem lógico, pois, dentre os vários odores que impregnavam o local, nem todos contemplavam, apenas, os provenientes da festa da noite anterior, indicando que naquele local era realizada a visitação de outras pessoas.
Bem, era a conclusão que havia chegado, conforme observava o ambiente, o trono imponente e igualmente luxuoso, assim como as decorações, após a festa, juntamente com os demais odores, distintos dos que estavam na comemoração da noite passada.
A dragoa também se recorda de que sonhou com um belíssimo e imponente palácio que parecia ser feito de cristais de gelo ou algo similar a isso, além do fato da sua construção ser distinta da que se encontrava atualmente e das demais que havia visto através dos olhos do seu amigo, enquanto estava dentro dele, conforme passavam por vários lugares.
Yukiko também se recorda de estátuas de dragões similares à forma dela, além de outros dragões iguais a ela e que voavam pelo céu, assumindo uma forma humana ao se aproximar do palácio, sendo que havia visto outros tipos de dragões e seres distintos de outras espécies, questionando a si mesmo como poderia identificar tais odores, além de alguns humanos e conforme olhava para o entorno, podia ver campos verdejantes, lindas florestas, uma cidade formidável ao longe e com aparência diferente de tudo o que viu, além de ver ilhas flutuando no céu e cachoeiras que despencavam dessas ilhas flutuantes que possuíam mata densa, montanhas e cristais diferentes, sendo que alguns possuíam vilas em sua superfície.
Conforme voltava a admirar o palácio, sente um turbilhão de sentimentos intensos que surgem abruptamente, consistindo de felicidade, saudades, dor e uma profunda tristeza.
Ademais, quando tentou se aproximar da construção, a sua visão foi interrompida ao mesmo tempo em que revibrava um rugido imponente e igualmente aterrorizante que lhe gelou os ossos, embora fosse associada também a tristeza proveniente daquele que rugia, além da sensação de medo e de perigo que exalava do dono daquele rugido.
Então, o seu sonho foi interrompido e ela despertou no chão de arenito, sendo que havia se encontrado levemente desorientada e conforme se recuperava do que viu, passou a acreditar que eram fragmentos de suas memórias, para em seguida, a sua mente ser tomada pela sua situação atual, enquanto desejava ardentemente descobrir mais do seu passado, antes de conhecer Yuugi.
Afinal, era assustador não saber nada sobre si mesmo, com exceção do seu nome e a que espécie ela pertencia.
Yukiko sai dos seus pensamentos ao ouvir a voz barítono que soava como imperiosa, fazendo-a se surpreender com o que ouvia dos lábios aristocráticos, enquanto tentava compreender o motivo de fazer aquela pergunta, pois, somente havia uma resposta óbvia, considerando as duas alternativas existentes, embora a albina acreditasse que houvesse um adicional ou algo similar.
