Notas da Autora
Akhenaden conversa com...
No Qenbet semanal...
Capítulo 53 - Qenbet semanal
No Ueju no Shinden, Akhenaden, o sumo sacerdote reconhece o homem cujo manto o cobria como sendo Geberuku, o guardião das masmorras do Faraó e que era fiel a Akhenaden, não escondendo o fato de que o preferia como Faraó em vez de Atemu.
Afinal, o Hem-netjr havia conquistado a sua lealdade ao falar que quando fosse Faraó, além de aumentar o valor que recebia, aumentaria o seu status, juntamente com o fato de dar vários brinquedos para ele torturar e que poderia fazer o que desejasse com qualquer prisioneiro, trazendo imensa satisfação para o guardião das masmorras e consequentemente, conseguindo outros fieis a ele, consistindo de alguns guardas que amavam torturar e que se ressentiam, assim como o superior deles com as limitações que o Faraó impôs no trato dos prisioneiros, deixando demasiadamente restritos aqueles que podiam ser torturados. As torturas somente podiam ser reservadas aos piores criminosos, após a comprovação da sua culpa.
- Imagino que tenha notícias.
- Sim. Nós temos ambos os planos do senhor em plena ação.
- Ótimo. Não devemos nos ater a apenas um. Precisamos ter sempre um segundo. Afinal, conheço a capacidade dos outros Hem-netjr e do bastardo do meu sobrinho.
- O colar da Hemt-netjr Isis é o nosso maior problema.
- Estou pesquisando uma forma de contornar o poder desse item. Encontrei algumas informações adicionais no livro que usei para criar os itens. Eu encontrei uma sessão que fala sobre esse poder, em específico. Ainda preciso terminar de decifrar a página, mas, acredito que irei encontrar o que eu almejo.
- Mal vejo a hora dele cair, para que o senhor assuma o seu lugar de direito. – Geberuku fala respeitosamente.
- Eu também. O meu sobrinho é inadequado para ser o Per'a'ah (Faraó). Ele é como o imbecil do meu irmão. Kemet precisa de um per aa a altura do grandioso império e somente eu poderei trazer a verdadeira glória. Irei conquistar os outros reinos e intensificar o poder que possuímos. Todos terão que se submeter a nossa superioridade! – ele exclama com fervor, para depois gargalhar, com o guardião das masmorras sorrindo, enquanto se deleitava com as visões de torturas indescritíveis.
Algumas horas depois, era realizado o Qenbet que consistia de um tribunal onde era realizada a resolução de disputas e tomada de decisões políticas, além do julgamento de casos de roubo, crimes violentos e disputas de propriedade.
Havia aqueles realizados em cada cidade, sendo julgado por juízes e o semanal em Men-nefer (Mênfis), capital do império, cujo juiz era o Faraó e ao contrário dos outros realizados por juízes, este não cabia recurso.
Afinal, como era filho dos Deuses e agia com justiça divina, a sua decisão era final e igualmente incontestável.
Na Câmara de audiência pública onde estava sendo realizado o Qenbet semanal, Atemu estava em seu trono ouvindo as pessoas que haviam ido até a capital para terem uma audiência com o Faraó.
Ao lado do governante de todo o Kemet, se encontrava Shimon, Grã Vizir e Conselheiro real, juntamente com o Escriba real que segurava um papiro e caneta de cana, juntamente do seu servo que segurava outros papiros, enquanto que outro tinha o recipiente contendo a tinta preta usada na escrita.
Ademais, os membros do Rokkushinkan se encontravam no recinto também, além de ter juízes assistindo, assim como o chefe dos exércitos e mensageiros, sendo este último utilizado para eventuais envios de mensagens que surgissem durante as audiências.
Yuugi estava sentado em uma almofada macia ao lado do trono, sendo que o governante disse que poderia sentar da forma que apreciasse e que se desejasse falar, teria que esperar autorização quando estivessem em público e que não deveria olhá-lo nos olhos, com o jovem seguindo restritamente essa regra e as outras que foram passadas para ele.
Ao lado do imperador, havia um trono vazio destinado à futura Grande esposa real, sendo que a mãe do filho dele não havia recebido o título de Grande esposa real e sim, de esposa real menor. A Grande esposa real, também conhecida como Esposa de Hórus, servia em altos cargos no governo e na administração do império, assim como na administração religiosa e de propriedades, além de exercer muitas funções oficiais, acabando por possuir grande influência.
Por isso, Atemu não quis dar esse poder a ela e a nomeou como esposa real menor, fazendo com que não tivesse nenhuma influência em seu reino. Somente a mãe dele recebeu o título de Grande esposa real através do seu marido, Akhenamkhanen, possuindo também o título de Esposa de Hórus, sendo que os Faraós eram referenciados como filhos de Hórus e outros títulos.
Yuugi confessava que se divertiu conforme todos entravam e avistavam a enorme dragoa alva e peluda que repousava em um canto à margem de um lago, sendo que a sua amiga aproveitava esses momentos para encarar e fazer pequenos sons com as presas, simulando que não era intencionalmente, apenas para as pessoas que passassem por ela, ficassem assustadas ao ponto de quase saltarem no ar com os estalos dos dentes, sendo que todos procuravam ficar o mais longe possível dela, fazendo com que Yukiko tivesse um bom espaço para relaxar.
Não foi fácil para ela se locomover nos corredores. Foi preciso recolher bem as asas e abaixar a cabeça, andando quase de quatro por mais difícil que fosse, pois ela era bípede e não um quadrupede, além de tomar cuidado com a cauda, principalmente o porrete potente na ponta para não acertar os pilares conforme andava pelos corredores mais largos e maiores, obrigando-a a dar uma volta considerável pelo palácio, antes que chegasse a Câmara de audiência pública.
O jovem de olhos ametistas saiu dos seus pensamentos quando uma serva ofereceu para encher a sua taça dourada, com ele aceitando, para depois agradecê-la com um sorriso gentil no rosto, sendo que havia percebido os olhares estranhos que recebeu daqueles que vieram em busca de uma audiência com o Faraó.
Decidindo perguntar a Atemu mais tarde o motivo dos olhares, uma vez que notou que muitos olharam surpresos para os seus pés, para depois, ficarem estupefatos quando o avistaram sendo servido, embora este último ele desconfiasse que fosse por ser um servo, pois, mesmo sendo um servo pessoal, devia ser demasiadamente incomum ser servido.
Afinal, eram eles que deviam servir os seus mestres e de fato, conforme olhava pela Câmara Pública com as suas colunas e pilares, sendo o coração do palácio central, observou que os servos e escravos pessoais serviam aos seus mestres.
O jovem olha pelo canto dos olhos para o governante, se recordando do fato dele não ter dado qualquer ordem ou solicitado algo para ele, juntamente com o fato de ter ordenado aos demais criados que o servissem junto dele, fazendo com que muitos no entorno olhassem com espanto para a decisão do imperador, fazendo surgir murmúrios abafados que eram silenciados eficazmente com um olhar severo de Atemu.
Após agradecer a serva por completar a taça, ele passa a refletir no posicionamento dos pontos principais do palácio. A sala de banquete público, usada para eventos, comemorações e rituais se localizava ao lado do Salão do Trono, sendo que os dois ambientes eram divididos, apenas, por pilastras ricamente adornadas, com os capitéis para colunas em formato de lótus branco, sendo que esta forma era encontrada em ornamentos grandes e pequenos, também.
Ademais, em uma câmara reservada, anexa a Sala do trono, havia o salão dedicado a banquetes de convidados ou de outros nobres advindos das cidades que compõem o império, dos reinos vizinhos ou distantes.
Inclusive, ele havia visto no altar da câmara de oração exclusiva do Faraó, um lótus repousando em uma espécie de altar e quando questionou Mahaado, algum tempo depois, pois, notou a forma de lótus não somente nas colunas e sim, em diversos ornamentos de tamanhos diversificados, o mago explicou ao jovem que o lótus branco era considerado sagrado e por isso, era encontrado em abundância nos jardins do palácio.
Ademais, era considerado um símbolo do nascer do sol. Conforme explicava, apontou para alguns afrescos retratando divindades e cuja explicação era para benefício do jovem de orbes ametistas por ser entrageiro, pois, Kisara era natural de Kemet, mesmo com uma pele alva que destoava na pele dos demais nativos.
Yuugi avistou um lótus branco na cabeça do deus Nefertum e uma imagem de Hórus, cuja flor era representada saindo do seu copo, sendo que o jovem confessava que esse último foi bem estranho, considerando os inúmeros afrescos e pinturas de divindades e animais sagrados.
Conforme o sacerdote explicava sobre os Deuses, também explicou que cada cidade de Kemet era colocada sobre a proteção de uma divindade particular e possuía duas capitais. Um era de cunho religioso, compreendendo os templos e sua influência e a outra era civil, sendo esta a sede do governo. O jovem descobriu que o cargo de governador era hereditário, sendo passado do pai para o neto mais velho do lado da mãe.
Atrás da Câmara de audiência pública, havia um dos pavilhões abertos e igualmente suntuosos que continham jardins encantadores com diversas plantas e flores cuja predominância era lótus de cor branca, juntamente com lagos que continham juncos, papiros e outras plantas, além de terem peixes coloridos e que eram usados para que o Faraó relaxasse junto dos seus convidados.
Havia aqueles que eram privativos ao rei de todo o Kemet, sendo que normalmente, só a Grande esposa do Faraó podia usufruir desses locais tão exclusivos, como o jardim particular na Câmara real e conforme pensava nisso, ficava surpreso pelo fato dele ter acesso a esses lugares privativos, mesmo que não estivesse acompanhado do seu mestre, conforme ele havia dito no almoço em sua câmara real.
Ou seja, quando não estivesse cumprindo com os seus deveres ou quando fosse dispensado dos mesmos durante o dia, o jovem poderia explorar o palácio.
Yuugi confessava que estava ansioso para explorar mais avidamente os vastos jardins e edifícios que formavam o complexo do Palácio, enquanto ficava admirado por aqueles que conseguiam caminhar tranquilamente entre os vários corredores, pavilhões, anexos e câmaras, embora acreditasse que isso se devia ao hábito de sempre andarem pelo palácio e que em decorrência desse fato, não se perdiam.
Pelo que ele compreendeu da explicação de Mahaado no tour proporcionado pelo mago e shinkan, a parte sul do palácio compreendia os alojamentos, inclusive as áreas dedicadas ao lazer, enquanto que o lado norte era destinado aos negócios internos e externos, compondo a parte central do palácio, juntamente com os seus edifícios de enormes escritórios e suntuosos salões, campos de treinamento para soldados e diversas oficinas de artesões, incluindo os têxteis, onde mulheres teciam padrões intricados nos tecidos que confeccionavam.
Inclusive, os membros do Rokkushinkan possuíam oficinas particulares separados e escritórios, além de moradias separadas do Palácio, mas que possuíam vínculo com o mesmo para facilitar o trabalho sacerdotal e outras funções que cumulavam por serem membros do Rokkushinkan, sendo que tal conexão auxiliava na comunicação entre si e o imperador de todo o Kemet juntamente com a demonstração simbólica da integração do poder deles ao Faraó.
Pelo que o jovem percebeu, a maioria esmagadora das Câmaras era suntuosa, contendo afrescos e detalhes dourados que resplandeciam com o brilho do sol, além de serem opulentas e arejadas. Estas compreendiam as que eram de visitação pública, incluindo aquelas usadas por convidados reais e as que eram pessoais do Faraó. Todas possuíam ornamentos, sendo que a maioria era de lótus branco, enquanto que os vasos nos corredores eram feitos de alabastros, assim como as estátuas dispostas em toda a extensão da área do palácio e prédios adjacentes.
Conforme pensava nisso tudo, confessava que havia ficado estupefato com o tamanho total da área pertencente ao Palácio e que ele era demasiadamente complexo em virtude das ramificações constituídas de edifícios que ficavam a parte do complexo, mas, que possuíam conexão com o coração do palácio, juntamente com as riquezas ostentadas, inclusive nas várias estátuas e blocos contendo escritas e afrescos, sendo que se encontravam posicionadas estrategicamente no entorno da construção central e dentro de algumas Câmaras.
Yukiko também ficou estupefata com o tamanho do palácio, conforme eles conversaram mentalmente, sendo que o adolescente mostrou tudo o que viu com Mahaado através da conexão que tinha com a dragoa, que pode ver tudo o que Yuugi viu, após obter a autorização dele para acessar as suas memórias.
A albina prometeu que quando pudesse voar no céu, iria compartilhar a sua visão para que ele pudesse ver tudo como se estivesse montado nela e inclusive, poderia passar as sensações como se estivesse voando junto dela, fazendo o adolescente ficar animado para ver o castelo e a sua área adjacente do alto, sendo que acreditava que seria tão imponente e igualmente majestoso como o interior da construção.
Então, ele sai dos seus pensamentos e suspira discretamente, de novo, por se encontrar entediado, sendo que os assuntos até aquele instante resumiam-se a contendas entre terras e esporádicos julgamentos de criminosos que enfrentavam a fúria de Atemu, que nesses instantes parecia ser oriunda dos Deuses.
Inclusive, ele teve a nítida impressão que nesses momentos, a câmara havia ficado um pouco escurecida em virtude da luz que entrava pelas imensas janelas ter sido reduzida, de repente, embora achasse que fosse impressão sua.
As pessoas pagavam tributos ao império, inclusive pelo uso da terra, sendo que os administradores de cada cidade prestavam relatórios, com cada local tendo o Sepet responsável pelo mesmo, cujos membros eram chamados de sepetas, que também eram responsáveis pela arrecadação dos impostos. Os sepetas prestavam os seus relatórios ao governador de cada cidade e depois ao administrador geral do império e tesoureiro real, nesse caso, Diiva, irmão mais velho da líder da corte dos curandeiros reais, Sera.
Normalmente, contendas eram resolvidas pelos juízes locais ou através do Governador de cada cidade.
Porém, o povo poderia requerer que a disputa fosse resolvida pelo Faraó, desde que apresentasse o problema no Quebet semanal.
Ademais, havia membros do Sepet que também desejavam uma audiência pública, sendo que muitos deles se encontravam junto dos demais que aguardavam julgamento, aconselhamento ou tinham algum pedido ao imperador, juntamente com os vários superintendentes que esperavam a sua vez de falarem ao Faraó.
O jovem havia presenciado outros problemas, com alguns envolvendo tributos, além daqueles referentes às terras, sendo que este era o assunto mais dominante daquela reunião.
O ex-sacerdote suspira discretamente, sentindo sonolência e questionava como o seu mestre conseguia aguentar aquela cessão, pois, quando olhava para ele, o via com o semblante sério e atento, mesmo após ficar tanto tempo ouvindo as pessoas, passando a acreditar que ele havia se acostumado.
O adolescente aproveitava os momentos que o Faraó estava absorto na solicitação da pessoa que se curvava em frente aos degraus para admirar os seus traços másculos, os músculos que podiam ser vistos e seus olhos afiados como se fosse um falcão, sempre atento e observador.
Claro que o jovem corava intensamente e desviava o olhar quando Atemu percebia que estava sendo observado.
Quando percebia que era observado pelo ex-sacerdote, o rei sorria, enquanto olhava para o seu amado com intensos orbes rubros que provocavam calafrios prazerosos no jovem ao mesmo tempo em que demonstravam um sentimento desconhecido, ao ver de Yuugi, enquanto o adolescente corava três tons carmesins.
Então, quando o adolescente desviava o olhar, o Faraó voltava a olhar para a pessoa que lhe fazia um pedido, com Yuugi percebendo que mesmo com Atemu direcionando a sua atenção para ele, o imperador ainda conseguia se concentrar no que a pessoa solicitava para que pudesse fazer o seu julgamento.
