Notas da Autora
Yuugi se encontra...
Yukiko decide...
Os amigos de Atemu...
Nuru se encontra...
Capítulo 54 - A preocupação de Jounouchi
O jovem suspira novamente e observa os outros membros da corte que iam desde Shimon Muran que tomava notas e coordenava as solicitações, assim como o escriba real que anotava impecavelmente tudo que era falado e decidido, sendo que portava uma tabuleta e panfletos reais, além de haver shinkans posicionados ao lado do Faraó.
Havia dançarinas esperando atrás das pilastras até serem convocadas, sendo que eram coordenadas e lideradas pela superintendente de canto e de recreação do rei que também coordenava os músicos da corte, que se encontravam próximos do local e após terminar os julgamentos, com alguns deles sendo intensos, embora fossem ocasionais, o Faraó, seus sacerdotes, Shimon e os amigos de Atemu iriam a um local atrás do trono para relaxar.
Havia servos e escravos que andavam entre eles os servindo, sendo que o imperador havia dado ordens de oferecerem ao seu servo pessoal os mesmos pratos e bebidas que ofereciam para ele, para Shimon, para o Escriba real e os shinkans.
Yuugi olha para o salão e observa as várias perucas utilizadas por aquele povo e que chamava a atenção, pois, sempre os via usar esses objetos na cabeça, sendo que havia descoberto de que muitos homens raspavam a cabeça e usavam peruca, também. Havia aqueles que continham cabelos encaracolados e outros mais longos, sendo que os das mulheres costumavam ser sempre longos, além de ornamentarem as perucas com espécies de contas, contendo joias encrustadas em sua maioria ou tiaras de ouro encrustadas com pedras preciosas. Quanto mais abastado ou nobre, maior era a exibição de joias e adornos.
O adolescente observava também o Medjay, que contemplava os militares de Kemet que formavam o exército, sendo que atuavam também na segurança pública e como guarda-costas do Faraó, além de atuarem como guardas na preservação da ordem nas cidades. Eles também faziam parte das guarnições e das fortificações do império, além de patrulharem o deserto. Eles compreendiam soldados de infantaria, além de exploradores para espionar estrangeiros nas fronteiras, sendo que havia o Medjay de alto escalão que contemplava comandantes e general.
O jovem confessava que havia ficado surpreso ao saber das funções e da importância do Medjay.
Enquanto olhava para os soldados que mantinham suas posições sem hesitar, ele sentia pena deles, pois, imaginava o quanto era cansativo ficar em uma posição, ainda mais de pé, acreditando que era o treinamento exigente deles que o faziam suportar tal posição.
Inclusive, havia escutado que o general Rishido (Odion) havia reforçado o treinamento devido aos confrontos com o Rei dos ladrões que trazia problemas ao império e o fato dele controlar um Ka poderoso, juntamente com um novo comparsa, um albino com cicatriz no rosto, invocando outro Ka que nada devia ao rei dos ladrões, além da maioria do seu séquito ser capaz de invocar Ka, ampliou ainda mais os problemas que provocavam, juntamente com os saques. Notícias de pilhagem das pirâmides e tumbas eram recorrentes.
Inclusive, houve um aumento na intensidade dos saques e de algumas confusões em vilas provocadas pelo séquito do Rei dos ladrões durante a festa da Coroação de Atemu, sendo que Yuugi havia ficado surpreso de que não era apenas um evento e sim, um processo de longa duração, incluindo vários festivais, ritos e cerimônias que duravam até um ano inteiro, sendo chamado simplesmente de khaj-Nisut (coroação). Somente após passar por todos os festivais, ritos e cerimônias, o rei era autorizado a usar a coroa e que era colocado em uma comemoração final especial onde também ocorria, normalmente, a escolha da esposa do Faraó e embora o povo fosse monogâmico pelo que o jovem descobriu, o imperador podia ter várias esposas e concubinas, sendo algo importante para acordos diplomáticos ou tratados e ao pensar nesse aspecto, ele sente uma pontada em seu peito, principalmente quando a sua mente traidora passa a imaginar mulheres juntas ao imperador, fazendo o jovem sentir uma imensa tristeza, para depois, lutar arduamente para dissipar tais pensamentos, enquanto tentava compreender o motivo de se sentir daquela forma.
Afinal, era apenas um servo pessoal.
Conforme pensava nos problemas que Atemu enfrentou no seu ano de coroação, Yuugi se recordou de que isso era o esperado, assim como as invasões, pois, muitos viam esse momento como uma oportunidade perfeita para atacar o império.
Portanto, era algo usual e igualmente esperado, não se convertendo em nenhuma surpresa.
O jovem de cabelos tricolores sai dos seus pensamentos quando uma jovem escrava estende uma travessa com comida, com ele se servindo, enquanto tinha um copo com bebida, sendo que apenas tomava alguns goles esporádicos.
O adolescente fica surpreso quando Kisara senta ao seu lado, falando em sussurros, aproveitando a pausa em que o Faraó e os outros estavam comendo ou bebendo e que duravam apenas alguns minutos:
- O meu mestre disse que eu poderia sentar ao seu lado. Eu não sei como ele consegue ficar tanto tempo de pé. Os outros shinkan sentaram, mas, ele não sentou uma única vez.
O jovem olha para Seto que estava absorto lendo um pergaminho e passa a concordar com a amiga:
- Até parece que ele treinou como os Medjay.
- Bem, eu ouvi que ele e o Per'a'ah (Faraó) treinaram com os Medjay e que por isso, são hábeis em batalha corpo a corpo e com armas. Acredito que com o senhor Karimu (Karim) foi a mesma coisa.
Ela aponta discretamente para o Guardião do Sennenbakari, que possuía o corpo mais musculoso dentre os membros do Rokkushinkan.
De fato, havia lógica nele ser tão musculoso, com ambos não duvidando dessa afirmação, pois, muitos soldados exibiam físicos parecidos, principalmente os que guardavam os lugares mais importantes, sendo que somente os mais hábeis dos Medjay guardavam esses lugares vitais.
- Ele mandou que você o servisse, Kisara? – ele pergunta com evidente curiosidade em seu semblante.
- Não. Ao contrário, ele mandou que me servissem quando viessem servi-lo. Além disso, ele pediu para que eu ficasse sentada em sua cadeira para descansar as pernas, pois, não a estava usando e não havia motivo para que eu ficasse de pé. E você?
- O mesmo. Inclusive, ele pediu que trouxessem essas almofadas macias para que as minhas pernas não ficassem em contato com o chão de arenito, além de eu poder sentar como quisesse.
- Por que será que não nos ordenaram? Não que eu quisesse ser ordenada, mas, é estranho. Afinal, somos servos pessoais.
- Concordo com você. É estranho.
- Bem, não podemos reclamar.
- Com certeza. Nunca imaginei que seria assim, quando fui transformado em escravo.
- O mesmo para mim e confesso que ainda estou surpresa.
- Eu também estou surpreso.
"Eu devo confessar que também estou surpresa em ver que eles não ordenaram a ambos que os servissem." – a voz de Yukiko irrompe na mente dos dois ao mesmo tempo, sendo que havia ouvido a conversa entre ambos graças a sua audição apurada, mesmo que falassem em sussurros e dentre as várias vozes naquela câmara.
Após se refazerem da surpresa, principalmente por parte de Kisara que ainda não estava acostumada com as conversas mentais, o jovem fala através da sua mente para que a prateada o acompanhasse, sabendo que a albina estava cuidando da conexão mental entre os três:
"Como você está?"
"Bem. Confesso que é divertido aterrorizá-los, enquanto banco a inocente." – ela gargalha mentalmente, deixando que ambos sentissem a felicidade dela, enquanto ficavam com gotas na cabeça com o conceito de diversão da dragoa.
"Eu soube que você precisou dar uma volta por todo o palácio." – a prateada comenta.
"Sim. Foi um passeio interessante, embora eu tenha odiado, também."
"Por quê?" – Kisara pergunta, sendo evidente a sua curiosidade e confusão sobre a contradição.
"Bem, eu tive que andar de quatro, sendo que não sou uma quadrúpede e sim, uma bípede. Foi demasiadamente cansativo."
"Eu imagino, amiga." – Yuugi comenta, sendo ciente do quanto era difícil para ela andar de quatro.
"O pior é que eu terei que fazer outro caminho para a apresentação pública de domínio que o desgraçado deseja que eu faça. Com certeza, terei que fazer outro tour nesses corredores pequenos. Afinal, ele vai querer aproveitar a chance de que há muitos nobres e governantes de várias cidades para fazer essa demonstração. Não há momento mais oportuno do que este."
"Pequenos?" – o jovem de cabelos tricolores pergunta estupefato, assim como a prateada.
"Para vocês é imenso. Para o meu tamanho, eles são pequenos. Além disso, mesmo andando de quatro, por pior que seja para mim em decorrência do meu corpo, eu preciso curvar a minha cabeça e pescoço, além de colocar as minhas asas o mais rente possível do meu corpo, juntamente com o fato de eu ser obrigada a tomar um cuidado imenso com a minha cauda para que eu não acerte nenhuma coluna durante o trajeto." – ela fala indignada, sendo evidente o aborrecimento que passava através da espécie de link mental que estavam compartilhando, com a albina agindo como mediadora entre os três.
"Eu não tinha pensado sobre o seu ângulo. Agora que você comentou, de fato, eles são pequenos se comparados ao seu tamanho." – o jovem de orbes ametistas comenta pensativo.
"Pense que após essa exibição, você poderá voar. Eu acredito que sente muita falta de esticar as suas asas." – a prateada comenta, enquanto sorria.
"Sim. De fato, o que é um pouco de humilhação, se eu puder esticar as minhas asas? Por falar em asas... Quanto a dragoa dentro de si, o que acha de eu ajudá-la a conhecê-la?"
Kisara fica surpresa, para depois ficar pensativa, sendo evidente a preocupação dela, sendo que Yuugi fala gentilmente e de maneira confiante:
"Eu acho que você devia aceitar a ajuda de Yukiko. Eu acredito que o ser dentro de você não é maligno, além de ser uma parte sua. Afinal, essa dragoa é o seu âmago. Portanto, não vejo motivos para temê-la. Inclusive, ela somente atacou pessoas malignas nas raras vezes que saiu para o exterior, conforme as situações que você narrou quando perdeu a consciência. A dragoa poupou os inocentes em seu ataque. Portanto, eu acredito que ela tenha um bom coração, assim como você. Bem, ela é a sua alma, também. Afinal, além de ser um Ka é um Ba."
A prateada medita sobre o que Yuugi disse e conforme se recordava das vezes que a dragoa assumiu o seu corpo quando ficou inconsciente, ela somente atacou as pessoas perversas, enquanto poupava inocentes, além de evitar danos desnecessários. Em nenhum momento atacou pessoas inocentes e conforme meditava sobre as palavras do seu amigo, a adolescente passa a ser tomada pela confiança de que o dragão dentro de si tinha, de fato, um bom coração e conforme refletia sobre o fato de ser o seu Ka e Ba, sabia que ambas eram o mesmo ser.
Após meditar, ela toma a sua decisão e fala através da sua mente:
"Eu aceito a sua ajuda."
"Fico feliz em saber disso. Eu irei ajudá-la mais tarde. Vou fazer com que vocês duas se encontrem."
"Obrigada."
"Disponha"
Então, eles passam a conversar outros assuntos, sendo que Kisara pergunta da vida de Yuugi antes de chegar em Kemet, com o jovem ficando feliz em compartilhar algumas de suas histórias, apesar de sentir uma grande tristeza e saudade conforme se recordava da sua vida, antes de se tornar um escravo.
Enquanto isso, dentre alguns nobres que se encontravam no recinto, havia os amigos de Atemu que compreendiam Jonouchi, Honda, Mariku e Ryo, sendo que o quarteto representava as suas famílias e se encontravam juntos, conversando nos breves intervalos, enquanto comiam e bebiam ao mesmo tempo em que sentiam pena do seu amigo que precisava ficar estoico em seu trono, ouvindo atentamente o que as pessoas falavam para ele, além de analisar as reações e tudo o que fosse necessário para julgar da forma mais justa possível, sendo que costumava solicitar o julgamento dos Sennen Aitemu, quando sentia necessidade de julgar o caráter da pessoa na frente dele para evitar que punisse inocentes. Eles também sentiam pena do novo amigo deles, Yuugi, que ao contrário do amigo de infância deles, demonstrava sonolência em seu semblante e não o culpavam.
Afinal, com exceção de eventuais contendas que saíam do usual, as demais eram demasiadamente maçantes.
Eles sorriram levemente ao verem que Mana estava junta de Seiginoyami, que era o primo do nobre Maahes. Era evidente o fato de que o rapaz estava fretando com a bronzeada que agia inocentemente, com eles sabendo que a amiga deles era demasiadamente inocente e que nunca iria perceber qualquer cortejo masculino e conforme olhavam para os sacerdotes ao lado do Faraó, o grupo de amigos percebeu que Mahaado observava atentamente a interação entre ambos, a distância, sendo que eles sabiam o quanto ele era protetor com a jovem, pois, agia mais vezes como se fosse um pai em relação a ela, do que como um professor de magia.
Ademais, todos sabiam que o chefe dos magos amava Isis e que o sentimento era recíproco.
Afinal, eles notaram a breve troca de olhares entre o portador do Sennen Ringu e a portadora do Sennen Tauku e esperavam ansiosamente que algum dia, ambos confessassem o seu amor, pois, era evidente em seus olhos o amor que sentiam um pelo outro, sendo que Honda, Jounouchi e Mariku não perceberam o fato de Ryo olhar discretamente para Sera, a chefe da Corte dos curandeiros reais, que por sua vez o observava discretamente, com ambos corando intensamente pela troca de olhares.
Inclusive, eles estavam saindo juntos, embora fossem passeios discretos, com o albino sendo ciente de que precisaria conversar com a família dela para demonstrar a seriedade dos seus sentimentos, para que pudessem ser vistos em público. O nobre confessava que estava ansioso para ver a reação dos seus amigos de infância quando descobrirem que ele tinha uma namorada, pois, é o mais reservado, discreto e quieto do grupo.
Afinal, antes de Jounouchi conhecer Nuru, o loiro sempre mostrava interesse em mulheres e não era raro vê-lo dando em cima de qualquer mulher que dedicasse um olhar para ele. Quando a bronzeada surgiu em sua vida, o seu amigo parou com isso. Foi o mesmo com Honda quando ele conversou com os pais e irmão de Shizuka, a irmã mais nova do seu amigo de infância, para mostrar a seriedade dos seus sentimentos, obtendo autorização para namorá-la. Depois disso, nunca mais deu em cima de outra garota.
Quanto a Mariku, ele estava livre e em decorrência desse fato, era comum vê-lo se aproximando de mulheres, visando cortejá-las abertamente.
Os amigos de Jounouchi haviam recebido agradavelmente a serva pessoal de Jounouchi, Nuru, sendo que eles ficaram admirados com a inteligência afiada, as opiniões fortes, a postura decidida e o olhar crítico que ela possuía, fazendo com que não ficassem surpresos por ele não pedir nada para ela, além de ordenar que os servos e escravos a servissem quando vinham servi-lo.
Afinal, era visível o amor nos olhos do amigo deles e que era direcionado para a bronzeada, com eles acreditando que era recíproco.
Eles também descobriram o motivo dela ser tão grata ao amigo deles, quando eles contaram tudo o que se sucedeu no mercado até o encontro deles no Qenbet semanal, além de ficarem surpresos ao saberem do Ka dela que também era o seu Ba, pelo que o loiro desconfiava.
Inclusive, ele havia compartilhado com os seus amigos a sua suspeita sobre o dragão dela ser um Ba também e não somente um Ka.
Mariku fala, após sorver um gole do vinho que era servido somente aos nobres, sendo que Nuru, Kisara e Yuugi eram os únicos, sem serem nobres, que tomavam vinho, além de serem servidos, mesmo sendo servos pessoais, pois, somente nobres e abastados podiam pagar pela bebida agridoce que também era usada em eventos realizados nos templos:
- É melhor solicitar uma audiência formal com o Per'a'ah . Ela precisa ter a autorização dele para continuar portando esse ser, embora que se for, de fato, o Ba dela, não há outra escolha além de permitir que continue portando essa dragoa negra de olhos vermelhos. Se alguém tentar extrai-la, ela irá morrer. – eles se referiam a Atemu com respeito, pois, estavam em público.
O grupo fica preocupado, sendo que Honda fala:
- Acredito que terá que passar pelo julgamento dos itens, também. Porém, antes de solicitarmos a autorização, devemos explicar em particular a situação ao nsw (rei). Ele não merece ser surpreendido. – nisso, todos consentem com a cabeça.
A bronzeada ouviu falar sobre a amizade deles com o Faraó e que vinha desde os pais deles, que eram amigos do antigo Faraó Akhenamkhanen (Aknamkanon). Mesmo assim, ainda ficava surpresa pela forma como se referiam ao imperador de todo o Kemet, em particular.
De repente, a bronzeada demonstra estupefação em seu semblante quando olha para o lado, fazendo todos arquearem o cenho, enquanto ficavam preocupados pela reação da adolescente.
Jounouchi pergunta com evidente preocupação em seu rosto, enquanto olhava para a sua amada, sendo que os amigos dele também compartilhavam da mesma preocupação, pois, a jovem parecia ter visto um fantasma:
- Tudo bem, Nuru?
