Notas da Autora

Nuru se encontra...

Jounouchi, Honda, Mariku e Ryou descobrem...

Alguns Sepetas...

Capítulo 55 - Inflexível

- Eu não acredito!

Nisso, o loiro e os demais se entreolham, para depois, seguirem o seu olhar, avistando Kisara ao lado de Yuugi.

- Você conhece a Kisara? – Ryo pergunta curioso.

- É a minha meia irmã! Pensei que nunca mais a veria, novamente.

Nisso, eles se recordam dela contando sobre a meia irmã, sendo que não haviam associado a história que a bronzeada contou com a prateada, fazendo com que ficassem surpresos.

- Depois, vamos nos encontrar com o Per'a'ah e os outros. Aí, você poderá conversar com ela. – Jounouchi fala sorrindo, próximo da orelha de Nuru, fazendo-a corar.

- Você acha que o mestre dela me deixará conversar com a minha imouto? Vocês me contaram que ela foi comprada pelo shinkan e se tornou serva pessoal dele.

- Seto pode ter essa postura séria e intransigente em público como a que demonstra atualmente, mas, em particular, ele relaxa um pouco, além de ser nosso amigo. Não vejo motivos para ele proibir você de conversar com a Kisara e vice-versa. – Ryou fala de forma confiante, enquanto sorria.

- Com certeza. – Honda fala consentindo.

- Portanto, relaxe, que você poderá conversar com a sua irmã. – Mariku fala, enquanto sorria.

Nuru notou a sinceridade no olhar de todos, assim como a confiança que o quarteto passava de que ela poderia conversar com Kisara, fazendo com que relaxasse, para depois, ficar ansiosa para poder abraçá-la e conversar com ela sobre o que ocorreu, após a família da bronzeada deixar a vila natal.

Enquanto isso, ao lado do trono, a prateada não havia visto a sua meia irmã dentre a multidão, sendo que a sua atenção estava dividida entre olhar discretamente para Seto, corando intensamente ao fazer isso e entre conversar com o seu amigo em forma de sussurro, sendo que havia cessado as conversas sussurradas perante o link mental entre ela, Yuugi e Yukiko, graças às habilidades da albina, permitindo assim uma maior liberdade nas conversas, pois, ninguém iria ouvir o que conversavam, fazendo com que pudessem conversar livremente, mesmo que houvesse outras pessoas em frente ao trono, aguardando do Faraó o seu parecer ou decisões a cada problema levado ao Qenbet.

Naquele instante, o breve intervalo havia cessado e o Qenbet retornou, com alguns auxiliares de Shimon coordenando a ordem daqueles que solicitaram uma audiência com o soberano do império de Kemet.

Yuugi e Kisara são tirados da conversa mental com Yukiko quando observam um grupo de Sepetas se aproximando, sendo que quatro superintendentes se afastaram do grupo e se aproximaram do soberano, prostrando-se.

Prontamente, Shimon solicita a identificação deles, os reconhecendo como sendo do leste, para depois, o monarca fazer um gesto para eles falarem.

Um deles explicou que em quatro cidades, vizinhas entre si, os impostos não foram pagos e que após tentarem de todas as formas receberem do povo, eles vieram ao Qenbet para solicitar que o Faraó forçasse o povo a pagar através de um decreto, usando a força do Medjay, caso fosse necessário.

Então, Shimon se aproxima do imperador e estende um pergaminho, com Atemu o lendo, para depois consentir e após recolhê-lo, o Grão Vizir o entrega a um servo que aguardava o documento, enquanto que o Faraó perguntava em tom de confirmação:

- São os impostos mensais, correto?

- Sim. – outro fala hesitante.

- Diiva, quando os impostos foram cobrados pela última vez?

O Tesoureiro real solicita um pergaminho de um dos servos e após abrir, ele lê rapidamente, para depois fechar, falando:

- Segundo os relatórios que foram entregues para mim, os impostos sobre essas áreas já foram coletados para este mês, embora a arrecadação tenha sido bem inferior ao período anterior, sendo que não há relatos de dificuldades dos camponeses com a lavoura, criação ou produção. Ademais, em contradição com os números, eu notei que houve uma emissão maior dessas áreas em particular.

Atemu olha novamente para os Sepetas que controlavam a muito custo o seu nervosismo, tentando arduamente não transparecer em seu semblante, sendo que havia um movimento de deglutição na garganta deles, enquanto o rei falava, exibindo uma face impassível:

- Como desejam que o povo pague os impostos, se não permitem o tempo necessário para que eles possam conseguir arrecadar dinheiro para pagar os tributos e para poderem suprir as suas próprias necessidades?

- Bem... – eles ficam sem fala, por não conseguirem encontrar qualquer argumento contra um questionamento inusitado.

- Não se preocupem. Diiva irá cuidar pessoalmente do problema que vocês estão tendo com as arrecadações. Para auxiliar em sua missão, ele irá examinar cuidadosamente os pergaminhos contábeis. Até que ele termine de resolver a situação, eu os convido a ficarem no meu palácio.

Yuugi e Kisara ficam surpresos ao verem que os Sepetas pareciam preocupados, enquanto que os superintendentes pareciam nervosos, embora tentassem ocultar, sendo que as suas máscaras de indiferença haviam começado a cair aos pés deles.

- Grandioso Nsw (rei), nós ficamos honrados pela oferta, mas, não vemos necessidade de...

O Faraó demonstra um falso sorriso amistoso em seu semblante, enquanto falava, após fazer um gesto firme, cortando o que um dos superintendentes estava falando:

- Claro que há necessidade. Afinal, seria inútil voltarem para as suas casas sem uma resolução para o problema que enfrentam, atualmente. Não há motivo para fazerem uma viagem tão longa e cansativa, apenas para retornar novamente, daqui a alguns dias. Eu insisto que fiquem e que aproveitem a estadia. – ele bate palmas e um servo aparece ao seu lado, com o Faraó orientando onde eles deveriam ficar instalados.

O Senpet se entreolha, enquanto os guardas apareciam, os ladeando, conforme eram guiados pelo servo através dos suntuosos e imponentes corredores.

Yukiko podia sentir os odores deles que consistiam de um medo intenso e igual preocupação. A seu ver, só haveria um motivo para eles exalarem esses odores, apesar de não transparecerem visualmente em seus semblantes. Havia algo bem podre e provavelmente, seria descoberto pelos auxiliares do Tesoureiro real Diiva, isso se já não foi descoberto.

Afinal, pelo que pôde observar da postura do Faraó, apesar de não transparecer em seu semblante, os olhos rubros pareciam demonstrar uma raiva oculta dirigida aos superintendentes, embora disfarçasse perfeitamente, sendo que de onde estava e com a sua visão aprimorada, ela notou o comportamento de Diiva, Seto, Mahaado e de Shimon que olhavam com raiva velada para o grupo, apesar de disfarçarem exemplarmente.

Ela sorri consigo mesmo, acreditando que eles sabiam o que estava ocorrendo, explicando assim a raiva que exalavam e conforme pensava nisso, se recorda de que dentre as várias funções e atribuições do Medjay, havia o serviço de espionagem. A albina acreditava que o Faraó ou Diiva deve ter ordenado a eles que investigassem a arrecadação daquela região por desconfiarem de algo, justificando assim o falso sorriso que o monarca demonstrou e que cujos olhos rubros não condiziam com o seu aparente semblante.

Afinal, um deles ou ambos devem ter visto a discrepância de alguns dados, com a dragoa acreditando que as suspeitas começaram com o Tesoureiro real e que por sua vez, este comunicou ao soberano as suas suspeitas, fazendo-o ordenar a investigação.

Ademais, a única explicação que ela encontrava para que Atemu insistisse deles ficarem no palácio era para evitar algum conflito que poderia surgir, ocasionando ferimentos ou mortes dentre os inocentes, além de terem muitas pessoas que eles poderiam usar como reféns para escaparem, pois, a dragoa havia notado que parecia ter um grupo considerável junto dos Superintendentes e pela postura deles, não parecia ser como os demais membros de outros Senpet. Havia algo neles que os destoava dos demais, juntamente com a postura e a compreensão muscular.

Além disso, podia sentir, por mais estranho que fosse tal pensamento, uma aura estranha, por assim dizer, sendo quase como uma sensação ruim, algo que somente sentiu em mercadores de escravos e outras pessoas notoriamente ruins, como se fosse uma podridão ou algo assim, fazendo-a questionar se isso era algum instinto nato dela.

Afinal, ela não sabia quase nada sobre si, além de ser um dragão, o seu nome, os seus poderes e a magia que tinha, embora não a conhecesse profundamente, usando-a quase que inconscientemente, sendo que o seu passado, antes de conhecer Yuugi, estava envolto em mistério, com a albina possuindo alguns sonhos que estavam mais para memórias perdidas do que simples sonhos, além daqueles que eram de caráter premonitório como o que ela teve quando a vila natal do seu amigo foi atacada.

Yukiko sai dos seus pensamentos quando lhe servem algumas frutas, fazendo-a ficar feliz por ter outros alimentos, além da carne.

Claro, era apreciava a carne. É que a albina também gostava de outros alimentos e conforme havia retornado as conversas mentais com Yuugi e Kisara, a dragoa descobriu que o seu amigo havia explicado ao Faraó que ela comia outros alimentos, além da carne, fazendo com que agradecesse ao seu amigo por intervir.

De fato, a albina estava correta em suas deduções. Atemu, Diiva e Shimon, assim como Seto e Mahaado sabiam o que estava ocorrendo naquela região, graças a alguns membros do Medjay que se disfarçaram como pessoas do povo, se infiltrando dentre eles, conseguindo relatos do que estava ocorrendo, chegando ao ponto de testemunharem, corroborando assim o que ouviram dos aldeões em relação aos superintendes, assim como aos Senpet em cada uma das cidades.

Enquanto ocorria essa investigação, com eles coletando os dados para comprovarem parte dos crimes, Diiva estava vasculhando os pergaminhos de arrecadação, fazendo com que descobrisse, também, o lançamento de impostos que não existiam, enquanto enviavam cada vez menos ao império nas arrecadações mensais. Não era que as pessoas se recusavam a pagar. Elas simplesmente não conseguiam lidar com impostos que não existiam para o império e que eram cobrados pelo Senpet, juntamente com os impostos existentes, enquanto que os superintendentes desviavam parte dos tributos pagos para benefício deles.

No trono, Atemu fala a Shimon:

- Reforce a guarda em torno das acomodações deles.

- Sim, Nsw.

- Diiva – o Tesoureiro real se aproxima, se curvando ao seu imperador – Quanto tempo resta de investigação?

- Irei terminar em alguns dias, Per'a'ah.

- Ótimo. Estou ansioso para mostrar a estes bastardos que eu não sou indulgente. – o tesoureiro real estremeceu com o prazer sombrio por trás daquelas palavras.

Quando a Shimon, Mahaado e Seto que se encontravam próximos e que ouviram a conversa, não estavam surpresos com o desejo do Faraó de puni-los exemplarmente, pois, conheciam a fúria divina dele e confessavam que não sentiam qualquer pena dos Sepet.

Afinal, ao ver deles, eles mereciam conhecer a fúria de um Deus, pessoalmente.

Inclusive, Shimon e Mahaado sabiam do que ocorria nas masmorras, quando Atemu e Seto desciam até uma cela especifica onde se encontrava o mercador que torturou Yuugi e Kisara, com ambos o punindo, sendo que seria um ritual matutino que eles adotariam, enquanto que a magia impedia o mercador de se suicidar e de alguém matá-lo, com ambos se revezando no chicote e após terminar as chicotadas, ele iria trabalhar como escravo nas minas pelo resto de sua vida.

Outro grupo de Sepetas se aproximou, com todos se prostrando para Atemu, para depois, um deles se pronunciar com uma voz respeitosa e igualmente subserviente, fazendo questão de falar todos os títulos do seu rei:

- Kanekht Merimaat Wasermaar-rá Nyuserre Medjed Sa-Ré Atem (O touro poderoso amado de Maat. Poderosa é a justiça de Ré. Possuidor do poder de Ra. Aquele que esmaga os inimigos. Filho de Ré, Atem). Nós temos um problema referente às terras que fazem fronteira com as cidades do sul.

Yuugi achou estranho ouvir Atem e não Atemu, sendo que decidiu perguntar para o seu mestre depois.

O monarca franziu a testa, sendo que Shimon falou em nome do seu rei:

- Que problema é esse?

- Após a expulsão dos hekau khasut (Hicsos) pelo seu honorável e poderoso genitor, existem várias terras desocupadas a leste das cidades do sul. Nós notamos uma movimentação estranha nesse território. Inicialmente, elas foram ocupadas por moradores das areias e bandidos. Porém, há boatos de que o Rei dos ladrões esteve nesse local e não obstante há outros rumores de pessoas de fora, ou seja, estrangeiros provenientes de além da fronteira e que estão entrando por essas terras. São rumores, mas, acreditamos que não são apenas boatos, pois também detectamos essas movimentações estranhas.

Sombras cintilaram no rosto de Atemu, por mais surreal que fosse esse pensamento a Yuugi que o observava atentamente pelo canto dos olhos, enquanto percebia que o Faraó buscava manter uma face impassível, conforme o Sepeta falava.

O imperador lançou um olhar a Shimon, o seu tjaty (Vizir) e Conselheiro real, que assentiu, perguntando ao se virar para o homem prostrado em frente ao trono:

- Vocês têm provas?

- Não temos provas físicas. Porém, temos relatos de avistamentos tanto de camponeses, quanto de alguns soldados e inclusive, de outros nobres. Os relatos não possuem quase que nenhuma divergência entre si. Nós pedimos encarecidamente de que Hórus emita um decreto para que pudéssemos, juntamente com o Medjay, apreendê-los e...

- Não. – o Faraó falou de modo que não permitia espaço para discussão.

Akhenaden (Aknadin) se aproximou, fazendo Atemu arquear o cenho, sendo que ele tinha uma suspeita sobre o que o seu tio iria falar, pois, conhecia o seu passado e caráter, juntamente com o fato dele não ser diplomático como o seu pai, Akhenamkhanen (Aknamkanon), que era o irmão mais novo dentre ambos. O shinkan era puramente bélico, sendo a favor do uso da força e da subjugação.

De fato, o avô de Atemu, ao ver do mesmo, foi muito sábio ao nomear o seu pai como sucessor e não Akhenaden, apesar do último ser mais velho e originalmente, o sucessor por direito de nascença.

Quando o shinkan se pronunciou, o rei conteve um suspiro, pois, suas suspeitas foram confirmadas, assim que as palavras foram proferidas:

- Não vejo motivos para a negação de um decreto e o uso de força, Nsw. Afinal, há relatos do Rei dos ladrões naquele local, além de...

Atemu exclamou em um barítono profundo e igualmente imperioso, enquanto que Yuugi notou que o rosto dele, apesar de se encontrar aparentemente impassível, demonstrava a sua fúria intensa através dos seus orbes carmesins que pareciam lavas incandescentes, pois, se recordou de ter testemunhado um material incandescente saindo do cume de uma montanha, sendo que Yukiko explicou que era um vulcão e que o material pastoso e igualmente ardente se chamava lava, segundo a breve explicação que ela deu a ele:

- Não! A maior parte da infantaria está protegendo o Norte e o Oeste. Após o meu pai ter conseguido expulsar os hekau khasut, ele jurou que os protegeria e eu herdei essa promessa. Portanto, vou manter a proteção. Ademais, não irei incitar uma guerra que atualmente não existe. Nunca irei comprometer a felicidade e a paz que o meu povo merece, após os conflitos do passado. O meu pai lutou arduamente pela paz e pretendo mantê-la.

Akhenaden demonstra raiva em seu semblante, embora tentasse ocultá-lo, enquanto reclamava internamente do quanto o seu sobrinho parecia uma cópia do seu irmão mais novo.

- Mas, Per'a'ah, nós... – o Sepeta que falou anteriormente tentou insistir, apenas para ser silenciado por um olhar severo do Faraó.

- É o suficiente! - Atemu ficou de pé e o Sennensui começou a resplandecer, com o fulgor se concentrando no olho, fazendo todos recuarem, enquanto o local ficava no mais absoluto silêncio - Meu pai, praticamente, entregou a sua vida e saúde para acabar com a guerra e reunir o povo de Kemet, retornando-o a glória do passado, garantindo assim a paz e a felicidade do povo em um novo futuro. Não vou insultar esse sacrifício pessoal que ele fez, iniciando uma guerra até então, inexistente!

Ao ver de Yuugi e dos outros, o ambiente da câmara pareceu escurecer, de repente, com muitos jurando que as sombras pareciam tremer de raiva aos pés do Faraó ao mesmo tempo em que correspondiam ao brilho dourado do Sennen Aitemu, sendo que os outros shinkans sentiam que os seus itens desejavam corresponder ao poder do Sennensui.

Atemu estava se recordando da culpa que o seu genitor sentiu e o pedido clemente aos Deuses para poupar o seu filho dos seus erros ao carregar a culpa, apesar de não ser culpado aos olhos do filho, pois, ele nunca foi informado do custo da criação dos itens e muito menos do processo de criação dos mesmos. Akhenaden nunca compartilhou tal conhecimento e não culpava o seu pai por não insistir na época.

Afinal, eram tempos conflitosos e ele precisava gerenciar as tropas frente à invasão dos Hicsos, enquanto precisava manter o poder e a hegemonia do reino. Esses tempos tão conturbados o obrigaram a postergar a responsabilidade do estudo do lendário livro antigo que foi encontrado em uma construção estranha em ruínas, para o seu irmão mais novo que o decifraria em busca de algum auxílio para a situação que Kemet vivenciava.

No final, o seu genitor foi o único a assumir uma culpa que não era dele perante os Deuses, sendo que era o seu tio que deveria ter implorado o perdão divino, encarando a fúria deles pelos seus atos cruéis. Um inocente sofreu as consequências, enquanto que o culpado permaneceu incólume. Essa injustiça ainda ardia em seu interior.