Notas do Autor

Atemu se encontra...

Yuugi decide...

Yukiko fica...

Yoru e Kiara se encontram...

Capítulo 56 - Conforto

Kisara estava assustada, sendo que Seto se aproximou dela ao mesmo tempo em que Yuugi a puxou para trás dele.

O adolescente sabia que tal visão deveria ser demasiadamente assustadora, porém, por algum motivo desconhecido ao mesmo, por mais estranho que fosse o sentimento que o tomava naquele instante, ele se sentia estranhamente seguro e confessava que não o temia como seria o esperado, considerando a reação dos demais, sendo que a prateada sentia a sua dragoa se agitar em seu interior, embora não tentasse sair.

Dentre a multidão, era o mesmo com Nuru que sentia a sua dragoa reagir ao poder, assim como todos que possuíam conscientemente um Ka dentro de si.

Yukiko não se intimidou com o poder mágico que sentiu se expandir em todo o local e cuja origem do mesmo era o objeto no pescoço do Faraó, sendo que não estava surpresa com o nível de poder que o monarca exibia, pois, chegou a sentir o poder mágico do mesmo, assim como dos objetos dourados quando foi forçada a sair de dentro de Yuugi.

Portanto, reconheceria aquele poder em qualquer lugar.

Inclusive, ela podia ver e sentir a pirâmide invertida insuflando uma reação nos outros itens, enquanto sentia em sua pelagem a magia revibrando em ondas.

A albina percebeu pelo canto dos seus olhos que as pessoas que ficaram junto do seu amigo no banquete do dia anterior, assim como um dos Shinkans que usava um anel dourado exibiam semblantes que denotava incômodo.

Então, ela decide usar a sua visão especial ao fazer os seus orbes ficarem azuis, aproveitando o fato de muitos estarem encolhidos pelo terror que os tomava e ao fazer isso, avistou os seres que habitavam dentro deles, ficando surpresa ao ver que a bronzeada parecia ter um dragão, assim como a sua amiga Kisara, cujo semblante também mostrava incômodo, embora houvesse um misto de medo, sendo que não a condenava, pois, a prateada estava próxima do Faraó, enquanto sorria com satisfação ao perceber e também sentir, através do link que possuía com o jovem, que o seu amigo não demonstrava medo frente a uma visão considerada atemorizante para os demais.

Yukiko podia ver os Ka ficando gradativamente mais agitados conforme o poder mágico se expandia do Sennensui. Quanto a escuridão e as sombras, sentia que eram provenientes da pirâmide dourada invertida, levando-a a questionar que tipo de poderes o Faraó controlava, além de possuir o seu próprio poder mágico.

Ademais, ela percebeu que mesmo em um estado visivelmente alterado, as sombras e a escuridão pareciam servi-lo de forma subserviente.

Yuugi se afasta de Kisara e se aproxima do seu mestre, erguendo uma das mãos para segurar a mão esquerda dele, para depois, apertá-la levemente em forma de conforto e instantaneamente, como se estivesse galvanizado pelo toque, a fúria de Atemu se retraiu, juntamente com as sombras que se acalmaram, voltando a serem meras sombras ao mesmo tempo em que o Sennensui deixou de resplandecer, assim como os demais itens, enquanto que os Ka´s se aquietavam, novamente.

Os seus olhos rubros cansados caem em direção ao seu amado que estava ajoelhado, com ele avistando as belas ametistas imersas em compaixão e gentileza. Apesar do seu rosto não demonstrar emoção, seus olhos refletiam um misto de cansaço e de tristeza, com ele fechando os olhos, enquanto suspirava.

Quando os reabriu, ele voltou a ocultar o seu cansaço e tristeza ao mesmo tempo em que se tornavam impassíveis, novamente, enquanto que a sua expressão voltava a ficar fria, com ele sentando no trono, enquanto entrelaçava os seus dedos nos de Yuugi que olha para a mão com evidente surpresa, para depois, se aproximar do trono, voltando a olhar para baixo ao perceber que manteve o seu olhar.

Kisara e os shinkans, assim como Shimon, juntamente com os amigos de Yuugi, estavam surpresos pela influência do jovem sobre o Faraó, pois, bastou um toque dele para aplacar a aparente fúria divina que estava prestes a se estender pela câmara. Muitos ficaram aliviados por saberem que alguém era capaz de controlar a sua fúria, enquanto que o resto das pessoas das câmaras, indo desde sepetas a aldeões, assim como servos e escravos, não haviam percebido o gesto do pequeno servo por estarem demasiadamente aterrorizados com o ambiente que os fez se encolherem no chão, sendo que haviam virado o rosto para qualquer lugar, menos para o soberano de todo o Kemet.

Os sepetas que tentaram insistir, anteriormente, no assunto se encontravam demasiadamente aterrorizados para se moverem do local, enquanto tremiam incontrolavelmente, sendo o mesmo para a maioria esmagadora dos que estavam na câmara, cujos temores ainda não haviam cessado ao mesmo tempo em que viam Atemu ainda mais como um Deus e que não devia ser provocado.

Yukiko confessava que havia se divertido ao ver as faces petrificadas de terror da maioria esmagadora das pessoas, principalmente de Akhenaden (Aknadin). A feição deste último foi demasiadamente divertida aos olhos da albina que com muito custo, conseguiu impedir o abano de sua cauda pela intensa diversão que havia sentido.

De volta ao trono, Shimon se recupera da visão e se posiciona ao lado do seu rei e conforme ele falava, era evidente o fato de que demonstrava uma paciência forçada em seu tom de voz:

- A solicitação de vocês foi negada. Portanto, não podem trazer esse assunto novamente. Esse é o veredito sobre anuência dos Deuses de todo o Kemet, através do julgamento divino do filho do Deus Ra, Per'a'ah Atemu. Portanto, não cabe nenhum recurso. – enquanto ele falava, o Escriba real anotava tudo exemplarmente em um rolo de papiro.

Agindo sabiamente, após recuperarem precariamente as suas forças nas pernas, enquanto que os seus tremores haviam sido reduzidos parcamente, eles se prostram novamente em respeito, para depois, retornarem para as sombras de uma das pilastras, tropeçando um pouco no caminho.

Após alguns minutos, Yuugi observou que o rei continuava com os seus dedos entrelaçados ao dele ao mesmo tempo em que mantinha uma face impassível e apesar de não demonstrar qualquer emoção em seu semblante e olhar ao manter a máscara do Faraó, o aperto era firme, enquanto o monarca buscava conforto, com o ex-sacerdote não negando esse conforto, enquanto sentia pena dele.

Atemu confessava que estava surpreso pela capacidade do seu amado de aplacá-lo, pois, bastava apenas um toque, assim como a visão dos orbes expressivos e inocentes, cuja cor envergonhava a mais bela ametista, para suprimir instantaneamente a sua fúria e frente a esse sentimento acalentador provocado pelo contato, decidiu continuar buscando esse conforto, enquanto mantinha um aperto firme que era mais no sentido de proteção do que de possessão.

Afinal, a seu ver, o seu amado era uma joia inestimável e ele faria de tudo para protegê-lo.

Após alguns minutos, a mão do adolescente de orbes ametistas foi liberada, fazendo com que conseguisse controlar o rubor intenso em suas bochechas, enquanto aplacava o seu coração ao mesmo tempo em que as borboletas esvoaçantes em seu estômago cessavam, fazendo-o ficar pensativo sobre o que eram aqueles sentimentos, assim como o motivo de não ter sentido em nenhum momento medo de Atemu, mesmo quando estava exalando a sua magia, juntamente com a do objeto dourado em seu pescoço.

Claro, a fúria dele o surpreendeu, mas, enquanto podia sentir Kisara tremer de medo frente à visão assustadora, considerando a reação de todos os demais, ele não conseguiu achar tão assustador por mais estranho que fosse esse pensamento. Não obstante, sentia-se estranhamente seguro, mesmo com o seu mestre exibindo a mais pura fúria em sua postura e olhar, juntamente com o uso massivo e igualmente opressor de sua própria magia em conjunto com a do Sennensui.

Afinal, conforme se recordava dos acontecimentos, ele se lembrava de ter sentido uma magia esmagadora e igualmente intensa no ar que se propagava como uma névoa maciça e opressora que parecia agitar as sombras, por assim dizer, sendo ciente de que a magia havia se espalhado de tal modo que obscureceu a claridade do recinto, indicando que era uma magia oriunda das sombras, fazendo-o questionar que tipo de poderes mágicos o governante daquele império possuía, assim como o do item, pois, mesmo sentindo esse poder concentrado em outros itens, embora fossem em um nível inferior ao do objeto no pescoço do Faraó, eles compartilhavam esse tipo de poder e uma ligação profunda que chegava a ser desconcertante e igualmente inexplicável, a seu ver.

Suspirando, ele cessa os seus pensamentos, decidindo que iria solicitar a Yukiko o link mental, novamente, em busca de uma explicação ao comentar com a sua amiga sobre os poderes que testemunhou e a estranha ligação entre os itens.

Afinal, várias vezes ao longo da sua vida, desde que a conheceu na floresta adjacente ao seu vilarejo natal, ele havia testemunhado a capacidade dela de dar explicações, mesmo sem saber onde conseguia determinado conhecimento, segundo a explanação da albina, pois, a explicação vinha naturalmente para ela, segundo as suas palavras quando a questionou uma vez.

Ele fica aliviado ao ver que Kisara estava mais calma, enquanto sorria de forma confortadora para ela que retribui o gesto, juntamente com um aceno discreto de cabeça.

Atrás de um vaso próximo ao trono e ao mesmo tempo distante das pessoas, surgem dois gatos, sendo que passavam despercebidos dentre as pessoas em decorrência do fato de haver o tráfego intenso de gatos pelas construções e em diversos locais, tornando-se uma cena cotidiana para aquele povo que inclusive os venerava, tanto pela Deusa Bastet, quanto pelo fato deles caçarem as pragas que atacavam os estoques de grãos nos silos e as plantações.

Claro que se não tivessem ocultado o símbolo de lua crescente na testa, teriam chamado demasiada atenção indesejada, que por sua vez, dificultaria o seu objetivo principal.

- Pelo visto, aquele homem tem muita magia em seu corpo e os seus sentimentos influenciam aquele objeto mágico que detém magia sombria. – Kiara comenta pensativa.

- Sim. Eu fico surpreso pelo exímio domínio sobre essa magia mesmo em seu acesso de fúria, pois, as sombras agiam de forma subserviente. Normalmente, esse tipo de magia não costuma ter essa personalidade, por assim dizer. Estou surpreso por alguém, com exceção de um dragão das sombras, ser capaz de dominar esse tipo de magia de forma tão exemplar.

- Mas, você não estranha o fato de que essa assinatura mágica reside em outros itens dourados, apesar daquele item dourado em forma de pirâmide invertida deter o maior nível dentre eles ao mesmo tempo em que parece diferente dos demais? Claro que não estou falando da forma peculiar e distinta que possui.

- Concordo. Ele tem poderes acima dos demais e distintas dos outros ao mesmo tempo. Pergunto-me quais são as suas habilidades. – Yoru comenta.

- Pobre Yukiko hime-sama – a gata felpuda olha para a sua princesa – Pelo visto, ela teve sequelas pelo que fez.

- A vida é injusta. Mas, não podemos mudar o que aconteceu. Apenas podemos devolver um pouco do que ela perdeu.

Kiara levanta a pata e afaga o seu amado, falando, enquanto encostava o seu focinho nele:

- Creio que será o suficiente para ela. Apesar de eu acreditar que será algo bom e igualmente triste.

Yoru olha para a sua companheira, sendo plenamente ciente de que ela estava certa. Seria uma imensa felicidade ao mesmo tempo em que seria igualmente pesaroso. Conforme pensavam nisso, questionavam se não era preferível manter o véu sobre o passado dela.

No final, após ponderarem bastante e se recordando das ordens que receberam em particular, eles suspiram e decidem continuar com a sua missão, por mais que sofressem ao pensar na reação dela.

De volta à área do trono, os plebeus e nobres voltaram a solicitar bênçãos e opiniões do rei, além do seu julgamento sobre alguns conflitos e ocasionais disputas.

Então, quando Yuugi ia solicitar o link mental, os seus pensamentos são interrompidos por um casal de idosos e uma jovem mulher aos prantos. O casal também chorava, mas, a mais jovem parecia inconsolável ao ponto do seu corpo tremer com os seus soluços, enquanto ostentava um pequeno ventre, indicando que estava grávida.

Apesar dos semblantes imersos no mais puro desespero, eles haviam esperado pacientemente a vez deles e mesmo após testemunharam a cena que lhes encheu de pavor, eles continuaram com o seu intento de conseguir falar com o soberano de todo o Kemet.

Afinal, o que eles necessitavam, ou melhor, o que a mulher junto deles necessitava, se encontrava acima de qualquer terror que testemunhassem e as lágrimas que os três exibiam em seus olhos não eram fruto do medo e sim, do mais puro desespero mesclado à esperança que depositavam em seu imperador.

O homem deu um passo à frente e pressionou a testa no chão.

- Nsw – ele disse em um tom alto, mas humilde. - Kanekht Merimaat Wasermaar-rá Nyuserre Medjed Sa-Ré Atem (O touro poderoso amado de Maat. Poderosa é a justiça de Ré. Possuidor do poder de Ra. Aquele que esmaga os inimigos. Filho de Ré, Atem).

Após ele pronunciar os títulos do monarca, o mesmo os reconheceu com um aceno de cabeça, para depois, esse mesmo plebeu virar para Shimon, chamando o seu nome e título, para depois, o Conselheiro real se pronunciar:

- Fale.