Notas da Autora

Em uma câmara...

Atemu e os seus amigos começam a...

Yuugi, Nuru e Kisara ficam...

No amanhecer, Yukiko...

Yo!

Eu quero avisar que alterei alguns trechos do capítulo quarenta e seis.

O motivo da alteração foi porque descobri em pesquisas recentes que somente nobres e pessoas com essa linhagem podiam tocar na pele do Faraó, fazendo com que filhas de nobres escolhidas a dedo fossem responsáveis por banhar o Faraó, por exemplo, pois, era proibido que escravos e servos o tocassem.

Claro que a única exceção será em relação ao sexo.

Porém, durante o dia, eu quero preservar isso, assim como descobri outras coisas interessantes.

Foi uma pena que não encontrei essa informação, antes.

Eu também peço desculpas pela demora.

Tenham uma boa leitura.

Capítulo 62 - Reunião de amigos

Algumas horas depois, em uma enorme câmara com as portas fechadas, Atemu e os seus amigos, dentre eles, Mahaado, Mana, Shimon e o seu primo, conversavam, assim como Kisara, Nuru e Yuugi, sendo que os três últimos ficaram surpresos ao verem a interação entre eles que era de forma despojada e sem uso de títulos. Seto também relaxava um pouco, embora continuasse um pouco sério e ao ver a interação deles, eles acreditaram que de fato eram amigos, com o ex-sacerdote concordando que foi um dia agradável, sendo que ele podia sentir a felicidade da sua amiga que ainda estava voando e que somente voltaria perto da manhã para poder aproveitar o frio do deserto, à noite.

Kesi surgiu depois, trazendo o príncipe em seu colo e eles começaram a brincar com o bebê que sorria para todos e mexia os bracinhos, balbuciando para o seu genitor alguns momentos depois, com Atemu o pegando com maestria no colo e após algum tempo, ao ver Yuugi, pediu pelo colo dele ao estender os bracinhos, com o jovem de orbes ametistas o pegando gentilmente, para depois, mimar o bebê que se divertia, sendo que não viu o Faraó exibir um olhar que era um misto de satisfação e de amor pelo fato do seu amado ser excelente com crianças, enquanto que todos os demais ficaram surpresos ao ver a interação do iry-pat (príncipe herdeiro) com o jovem.

Então, Honda comenta:

- É incrível o quanto o Ramesses (Ramessés) confia em você, Yuugi.

- Como assim? – ele para de fazer sons que divertiam a criança para levantar a cabeça, passando a arquear a sobrancelha ao olhar para o moreno, enquanto inclinava a cabeça levemente para o lado fofamente, ao ver de Atemu.

- Mesmo que sejamos amigos do pai dele, ele não demonstra tanta confiança e amor quando é com você. Somente Atemu consegue esse feito.

O ex-sacerdote demonstra surpresa em seu semblante, para em seguida, voltar a dar atenção ao bebê.

A reunião dura até a noite e ao anoitecer, servos e escravos entram na câmara para arrumar a mesa imensa para o jantar.

Enquanto eles arrumavam o local, todos os amigos do Faraó procuravam se portar como se portavam em público, com Atemu dispensando os servos e escravos para que pudessem relaxar e graças à insistência do grupo, o jovem de orbes ametistas estava ficando mais relaxado, chegando ao ponto de conversar animadamente.

Mais tarde, foram organizados jogos tradicionais e dentre eles o Senet, com o adolescente de orbes ametistas derrotando todos, inclusive o monarca, fazendo-os ficar surpresos com a sua perícia e domínio, pois, não era somente no Senet. Qualquer jogo que ele jogasse mesmo um que tivesse que aprender as regras enquanto jogava, Yuugi vencia, com todos percebendo que quando o ex-sacerdote jogava, não agia de forma tímida ao mesmo tempo em que demonstrava uma autoconfiança inabalável e inigualável concentração, encarando todos os adversários como oponentes em potencial.

- Você é incrível, Yuugi! – Jounouchi exclama empolgado, após ver Mana sendo derrotada, novamente.

- Obrigado. – ele fala timidamente, enquanto suspirava, após o jogo terminar.

- Com certeza. Saiba que eu nunca perdi até jogar contra você. – Atemu comenta com um sorriso no rosto, exibindo orgulho em seu olhar, além de estar extremamente feliz por aquele que amava ser uma pessoa que adorava jogar, tanto quanto ele.

- Verdade? – o jovem de cabelos tricolores fica surpreso.

- Sim. Eu também nunca consegui derrotar o meu primo, mesmo em jogos de simulação de guerra, além dos outros jogos. – Seto fala pensativo.

- "Jogos de guerra"? – Kisara pergunta exibindo um semblante curioso, sendo esta curiosidade compartilhada por Yuugi e Nuru, também.

- Sim. Por mais que Kemet esteja em paz, temos tribos nômades, além de outros povos, assim como os kushitas (núbios) no sul. Mesmo com o meu pai expulsando os hekau khasut (hicsos) e reconquistando todos os territórios ao sul que eles haviam tomaram de Kemet, conseguindo de volta o Tsakhit (Baixo Egito), para depois, subjugá-los ao tomar o Delta superior quando conquistou a capital deles, Hut-waret (Avaris), com Kemet passando a administrar essa nação derrotada, pode acontecer algum levante ou invasão. Após tantos anos em guerra, eu não posso permitir o surgimento de outro conflito. Porém, eu sei que esse desejo é um sonho pueril. Não tem como vivemos em paz, ignorando as possibilidades de um conflito em algum lugar e se isso ocorrer, o império tem que ter o exército e as barcas de prontidão, assim como os responsáveis por eles. Inclusive, aqueles que ordenam tem que ter sempre a mente afiada, por assim dizer. Eu evitarei a guerra sempre que for possível, mas, se não for me dado escolha ou a mesma ser inevitável, eu devo demonstrar pleno conhecimento, aptidão e mente treinada para lidar com qualquer situação, mesmo uma guerra inesperada. Por isso, os jogos de guerra. Eles são ótimos para exercitar a mente. Eu sei que não é como a realidade, mas, permite um excelente exercício mental. – o monarca explica, fazendo Yuugi, Kisara e Nuru consentirem, sendo que os outros já sabiam disso.

- Normalmente, eu sou o responsável por ser o inimigo do meu primo e saibam que eu ataco seriamente e com a intenção de derrotá-lo. Isso é necessário, pois, podemos ter uma visão ampla dos pontos fortes e fracos das nossas tropas e barcas, podendo explorar melhorias, enquanto somos obrigados a nos superar, jogo após jogo. – Seto fala, enquanto sorria – Claro que Rishido também participa, pois, é o general e superintendente do exército, assim como todos os que lideram os exércitos e as barcas, sendo que o responsável por este último é o Superintendente das barcas.

- Incrível... – Yuugi murmura fascinado.

- Mudando de assunto... Bem, eu acredito que seja uma curiosidade de todos nós e não somente a minha. Quem o ensinou a jogar? – Atemu pergunta, olhando atentamente para o macho menor que corava com o olhar carmesim sobre si, enquanto o governante o achava fofo, sendo que resistia a vontade imensa que tinha de passar o dorso da mão naquelas bochechas coradas.

- O meu pai. Era uma tradição na minha vila natal. O meu antigo mestre descobriu a minha vocação para os jogos, fazendo com que pudesse ganhar muito dinheiro. Portanto, passei a jogar contra várias pessoas, inclusive nobres e derrotei todos. Eu sei que no final acabava enriquecendo o meu mestre, mas, eu amo jogar e era a única forma de fazer o que eu amava, além do fato de poder ser superior mesmo contra um nobre, uma vez que sou um escravo. A face deles ao serem derrotados era impagável. Com o tempo, ganhei o apelido de Rei dos duelistas devido a minha invencibilidade. Em compensação, enquanto fazia o que amava, passei a ser bem tratado, pois, eu era uma importante fonte de renda para o meu antigo mestre.

- Como você veio parar em Kemet? Afinal, não vejo o seu antigo mestre o vendendo. – Ryou pergunta curioso.

- Ele foi obrigado a dar-me para um homem rico para que não morresse. Porém, no momento da transação, a vila foi invadida e nos caos, eles morreram. Yukiko sempre conseguia tomar o controle do meu corpo para usar os seus poderes, sendo que somente fazia isso quando era necessário. Ela não me libertou antes, pois, eu tinha uma vida razoavelmente boa, além do fato dela reclamar de eu sempre acabar sendo capturado por mais que ela me libertasse. Porém, frente ao ataque a vila, ela decidiu lidar com a situação, a sua maneira. Uma maneira que desaprovo totalmente, pois, não acho certo matar alguém. Mas, compreendo que era o melhor curso de ação. Claro que compreender não é o mesmo que aceitar ou achar certo. Então, em um determinado momento, ela decidiu cruzar o deserto para aproveitar o frio ao invocar as suas asas em meu corpo e acabamos parando aqui, em Kemet. O resto vocês já sabem. – ele termina o relato, com todos ouvindo atentamente.

- Por que ela disse que você vivia sendo capturado? – Mana pergunta curiosa.

Nisso, o jovem conta todas as vezes em que foi libertado e depois, capturado novamente em pouco tempo, fazendo todos ficarem surpresos com o relato, para depois, rirem levemente quando ele termina de contar, fazendo-o corar, sendo que Shimon comenta:

- Creio que todos nós concordamos com a opinião dela e isso explica perfeitamente o motivo de não ter buscado libertá-lo desse mestre que usava a sua paixão e habilidade nata para os jogos para lucrar.

Então, Mariku pergunta, tentando ser o mais gentil possível por não saber o que as memórias suscitariam no jovem:

- E quanto a sua vila? Por que você saiu dela?

- Não saí – ele fala, negando com a cabeça – Foi consequência de um ataque. A Yukiko teve uma visão, enquanto dormia e graças a isso, juntamente com a capacidade de voo, ela avistou os atacantes com antecedência, dando a chance de fuga ao meu povo e a minha família. Porém, era necessário ganhar tempo para que todos pudessem fugir, levando o necessário para reconstruírem a sua vida em outro lugar. O meu pai queria ficar, mas, a minha mãe estava grávida. Consegui fazer com que ele a acompanhasse, uma vez que eu ainda não havia dominado todo o conhecimento como Hem-netjr (sumo sacerdote e chefe de templo). Eu ainda estava aprendendo. Faltava um ano para concluir os meus estudos, enquanto eu cuidava de vários afazeres, pois, o meu pai queria que eu me familiarizasse com todos os procedimentos e deveres. Portanto, para preservar a cultura e garantir uma melhor educação para a minha irmã ou irmão, ele precisava ir junto deles. Mesmo não alcançado o final do meu aprendizado como Hem-netjr, eu era capaz de manipular o kiei. Yukiko ficou para trás para me ajudar. Ela atacava do alto, enquanto eu atacava em terra. Não para matar, mas, para neutralizar. Eu não conseguia tirar uma vida. Já, Yukiko, tirava tranquilamente a vida deles e foi a responsável por muitas baixas, pois, passou a matá-los.

Ele havia decidido usar o termo egípcio para sumo sacerdote, visando que pudessem compreender qual era a função dele em sua vila natal.

- Vocês conseguiram vencer os invasores? – Jounouchi pergunta, exibindo curiosidade em seu semblante, assim como os outros.

- Mais ou menos. Não sei se pode ser chamado de vitória.

- Como assim? – Honda pergunta, arqueando o cenho, exibindo confusão em seu semblante.

- Eles usavam armas superiores ao que o meu povo usava e outras que nós desconhecíamos, além de fazerem uma combinação com o fogo em forma de flechas flamejantes. Como o clima se encontrava quente desde alguns dias, atrás, o mato estava seco, fazendo com que essas flechas acabassem incendiando a floresta no entorno da minha vila natal. Claro, quando ocorreu isso, o meu povo já havia evacuado as casas e Yukiko tratou de destruir o caminho que eles usaram para fugir. As chamas ficaram incontroláveis, pois, naquele momento, houve rajadas de vento que as alimentaram, fazendo com que muitos fossem queimados vivos. Eu usei o meu Kiei para que pudesse me proteger das chamas, enquanto tudo era incinerado a minha volta. Mesmo com ferimentos em seu corpo, Yukiko continuou atacando para garantir a morte de todos eles. Porém, um deles, antes de morrer, por ódio, atirou uma flecha em mim e foi fatal. Yukiko viu isso e mergulhou nas chamas, se queimando no processo, pois, vocês sabem que as chamas provocam danos nela. Mesmo sentindo dores intensas, ela mergulhou no fogo para me tirar do local, enquanto tudo era consumido pelas chamas vorazes e igualmente incontroláveis.

- Você disse que foi mortal... Como pode estar vivo? – Kisara pergunta com evidente curiosidade em seu semblante.

- Depois que me afastou do perigo, ela pousou em um local longe da floresta e em virtude do seu desespero para salvar a minha vida, usou uma magia que ela mesma desconhecia. No final, meu ferimento foi curado e ela acabou dentro de mim, sendo que não conseguia sair por si mesma e teve que aprender tudo o que podia fazer naquela situação, visando me proteger. Afinal, a Yukiko sempre me protegeu.

- E eu fico feliz por você tê-la em sua vida. Eu tenho uma grande divida com ela pelo gesto dela. – Atemu sorri ao ver Yuugi corar ainda mais, se era possível.

Então, o jovem de orbes ametistas se lembra de algo que queria perguntar para ele:

- Por que as pessoas no Qenbet, quando se referiam ao seu nome, usavam Atem e não Atemu. Inclusive, nos seus títulos, você usa Atem.

O monarca sorri, para depois, falar:

- Atemu é o meu nome de nascimento. Atem é o meu nome público. Quando um iry-pat ascende ao trono como o novo Per'a'ah, após o khaj-nisut (aparência do rei), que envolve cerimônias, ritos e festas para a minha coroação como novo Per'a'ah, eu devo criar a minha titularia, juntamente com o fato de criar um nome para ser usado em público. O meu nome de nascença passa a ser usado somente entre os familiares ou aqueles que eu permito tal uso, sendo que somente membros da família mais próximos podem usar o meu nome em público. Por isso, os meus amigos em público me chamam de Atem e não de Atemu.

- Há algum significado no seu nome? – Yuugi pergunta curioso.

- O meu nome de nascença é baseado no Netjer (Deus) Atoum (Atum), que também pode ser pronunciado como Atem. Os meus pais me chamaram de Atemu e quando me tornei governante, resolvi usar Atem.

- Que Netjer é esse?

Nisso, Atemu explica, fazendo Yuugi ficar fascinado.

Então, o soberano de todo o Kemet pergunta:

- Em relação aos Netjer (Deuses) da sua vila natal? Quem são eles?

Nisso, o jovem de orbes ametista explica cada uma das suas divindades, citando o fato de que a sua vila julgava que Yukiko era filha da Deusa da lua em virtude do símbolo em sua testa, sendo que o monarca comenta, sorrindo:

- De fato, você estava estudando para ser um Hem-netjr para o seu povo. Com certeza, teria sido um excelente Hem-netjr.

- Obrigado. – Yuugi agradece, enquanto corava novamente, com o jovem acreditando que o seu rubor seria permanecente.

Então, eles voltam a conversar outros assuntos, para depois, se retirarem, com cada um deles indo para a sua morada, sendo que Mahaado e Seto possuíam acomodações dentro do complexo do palácio, assim como todos os Hem-netj, juntamente com Shimon, enquanto que Mana dormia na ala destinada aos aprendizes de magos. Os superintendentes que se encontravam no palácio também tinham acomodações nesse complexo, assim como vários funcionários.

Kisara saiu junto com Seto e Yuugi foi com Atemu. Na parte da manhã, a prateada e o jovem de orbes ametistas iriam cuidar do banho dos mestres deles e ao pensarem nisso, ambos coram intensamente, com o rubor dela rivalizando com o do ex-sacerdote, sendo que era o mesmo para Nuru em relação ao Jounouchi, fazendo com que a bronzeada assumisse um rubor intenso nas bochechas.

Perto do amanhecer, os guardas observam a dragoa voltando, sendo que ela pousa com cuidado em frente às portas duplas, enquanto algumas pessoas a observavam com fascínio e outras com receio.

Então, as portas são abertas e a albina entra, sendo que é orientada até o local escolhido para descanso dela e que consistia de uma espécie de salão imenso com portas duplas. Yukiko havia notado que ela tinha muito espaço para se mexer.

Os soldados se retiram, deixando-a sozinha, fechando as portas em seguida, sendo que ela percebeu que as portas não estavam trancadas, fazendo com que pudesse abri-las se assim desejasse e quando deitou em um canto que considerou como sendo o mais fresco, repousando a cabeça ao lado do seu corpo, se preparando para fechar as pálpebras e conversar mentalmente com os seus amigos, um som chama a sua atenção, fazendo as suas orelhas felpudas se mexerem, com ela erguendo o focinho ao mesmo tempo em que assumia uma pose defensiva e ao olhar na direção da origem dos sons, demonstra estupefação em seu olhar.