Notas da autora

Yuugi fica...

No almoço...

Capítulo 68 – Estábulos

Ao entrarem na área que compunha o enorme e imponente complexo dos estábulos, Yuugi exibia surpresa em seu semblante, pois, além de ser imenso, era formado por várias baias uma de frente para a outra. O interior nas construções que compunham esse complexo eram frescos mesmo com o sol quente no exterior, além de serem arejados, sendo que as paredes exibiam afrescos e conforme olhava para os lados, ele observou que vários cavalos foram levados ao rio para se refrescarem, com os servos e escravos aproveitando o ensejo para lavá-los enquanto o jovem observava outros escovando com esmero os animais após os banharem. As baias eram limpas e sempre abastecidas com água fresca, além de sempre manterem limpos os leitos para os cavalos e o chão onde os seus cascos repousavam.

De fato, aquele povo se esmerava em fornecer acomodações limpas, com boa comida e água fresca para os animais.

Inclusive, conforme refletia sobre isso, ele se recorda de que não viu nenhum animal maltratado ou em precárias condições na área do palácio. Todos os animais exibiam boa saúde e aparentemente, eram bem tratados, fazendo ele se recordar de que os animais eram muito importantes para os keméticos e os domésticos eram igualmente estimados.

Conforme passavam pelas divisões daquele complexo, o jovem continuava olhando para as baias enquanto afagava alguns gatos que passavam pelo local, sendo que eles eram presença marcante em vários locais e considerando a importância deles naquela cultura, ele não fica surpreso, pois seria o esperado enquanto se recordava da surpresa que teve ao ver um felino pequeno pela primeira vez, pois, só tinha visto felinos grandes.

O ex-sacerdote confessava que todos os animais eram bonitos e bem tratados, embora tivesse percebido que os Guardiões sagrados e aqueles usados por membros das suas famílias eram mais bonitos e elegantes, sendo que o do monarca se destacava. O garanhão dele era imponente, feroz e tinha um porte nobre.

De fato, era o melhor garanhão que os seus olhos já viram e era condizente com a montaria daquele que era visto não somente como um monarca e sim, como um Deus dentre os homens.

Ao se aproximar da baia do corcel do rei, ele passa a olhá-lo com um semblante maravilhado, concordando com Mana em relação à imponência do garanhão. Era lindo como o sol, com o seu manto todo branco esticado sobre seus músculos poderosos e pernas fortes enquanto erguia-se alto e orgulhoso. A crina acinzentada cintilava e repousava ao redor do seu pescoço poderoso. Havia uma espécie de orgulho em sua cabeça angular ao mesmo tempo em que os seus olhos brilhavam com arrogância merecida e quando ele balançava a cauda acinzentada, os fios pareciam brilhar.

Yuugi descobriu através da sua nova amiga que somente o monarca conseguia montar nele, pois o animal não aceitava mais ninguém em cima dele e conforme o observou, havia lógica no fato de recusar qualquer outro.

Afinal, era um orgulhoso e imponente garanhão que era digno de ser montado apenas por um Deus.

Portanto, somente Atemu podia montar nele. Um mortal tentar montá-lo podia ser considerado um sacrilégio.

O ex-sacerdote se concentra e usa o seu Kiei para enviar ondas calmantes ao animal que para de escoicear o casco na terra e após acalmá-lo, o jovem leva a mão até o focinho do animal, conseguindo afagá-lo sobre a face embasbacada de Mana e dos servos que cuidavam dos estábulos.

- Como você... – a bronzeada pergunta estupefata.

- O Kiei pode ser usado dessa forma. Eu estou acalmando ele.

- Uau! Esse poder pode ser usado dessa forma?

- Sim. Quando algum animal selvagem acabava invadindo a vila, eu ou o meu pai usávamos o Kiei para acalmá-lo e depois, nós o conduzíamos de volta para a mata.

- Por que vocês não aproveitavam para abatê-lo?

- Não havia motivo. Nós tínhamos criações para abate e aqueles que forneciam leite, lã e ovos, além dos animais que auxiliavam em vários serviços como no arado e outros. Quando nós caçávamos era por necessidade e buscávamos apenas o essencial. Ou seja, somente tirávamos a vida de um animal se fosse estritamente necessário. Se pudéssemos resolver a situação sem precisar abater, assim fazíamos. Matar era o último recurso a ser empregado.

Então, ele afasta a mão e o garanhão continuava calmo, com o adolescente falando:

- O efeito persiste por alguns minutos, antes de se dissipar... Confesso que tenho vontade de montar um cavalo. É verdade que posso escolher uma montaria?

Yuugi pergunta ao virar o rosto para a aprendiza de mago enquanto exibia um semblante expectante, pois, adorava cavalgar, sendo que costumava cavalgar com Yoru quando não estava com Yukiko que ficava na floresta sagrada para que fosse fortalecida a visão de divindade dela. As únicas vezes que ela saiu daquele local foi para levá-lo em seu lombo para um passeio e antes da vila ser atacada, os avisando da invasão ao mesmo tempo em que atacava o exército invasor.

Ele resolve cessar as suas recordações antes que a tristeza e saudade o tomassem.

- Sim! Venha.

Mana pega na sua mão e o puxa, com o adolescente ficando aliviado ao ver que ela não percebeu a tristeza e saudade que surgiu em seu olhar e semblante por alguns instantes.

Então, eles chegam a uma parte mais retirada dos estábulos com o jovem vendo cavalos em baias, sendo que a jovem fala apontando para eles:

- São montarias usadas por funcionários. Eles não têm um dono especifico. Você pode escolher um deles. O que você escolher será movido para junto dos outros. Você poderá montar nele sempre que desejar. Basta pedir a um dos servos para prepará-lo. Saiba que é uma grande honra ter um animal para montar. Somente nobres e pessoas de alto escalão podem ter um para uso próprio e pessoal. Tem os cavalos de guerra, mas, eles não pertencem aos soldados. São somente emprestados temporariamente e montados pelos melhores.

- Obrigado, Mana. – Yuugi confessava que estava surpreso por descobrir isso e de fato, conforme se recordava do que viu ao sair naquela manhã, ele raramente testemunhou pessoas com cavalos, sendo que os poucos que viu eram montados por nobres abastados.

Inclusive, conforme refletia sobre esse fato e a fala da jovem aprendiza, o ex-sacerdote não conseguia compreender porque o Faraó iria conceder um animal para ele, com o mesmo se tornando para uso pessoal dele, apesar de ser um escravo que foi elevado à condição de servo pessoal.

Ele passa a olhar para as baias até que avista um corcel com manto negro e olhos amendoados.

Ele se aproxima e fala gentilmente, enquanto o afagava:

- Eu me chamo Yuugi e você será a minha montaria. – nisso, ele se vira para um servo que estava próximo – Qual o nome dele?

- É Shakir.

- Posso ficar com ele?

- Claro, Nib-i (meu senhor).

Graças aos poderes de Yukiko, o ex-sacerdote conseguia falar e escrever no idioma que aquele povo usava e ao ouvir o servo o chamando de "meu senhor", o jovem arqueia o cenho, pois, era um servo pessoal, sendo que anteriormente era um escravo e antes que pudesse questionar o uso daquele tratamento, Mana aparece ao seu lado, comentando:

- É um belo animal. É um dos melhores. Você soube escolher bem! – ela se vira para um dos servos - Prepare o cavalo, nos vamos cavalgar! Este animal será o cavalo dele. Portanto, o mova para uma das baias principais. Venha, eu quero mostrar a minha égua!

A bronzeada pega a mão dele e o arrasta novamente até a parte da frente onde tinha os cavalos usados pelos membros da família dos nobres, com Mana mostrando a sua égua. Ela tinha um manto castanho sangue e olhos negros, sendo que parecia bem dócil.

A aprendiza pega um legume de uma cesta e oferta a sua égua que come gentilmente em suas mãos enquanto afagava o pescoço do animal com a outra mão.

- Ela se chama Mandisa.

- É uma bela égua. Parece que é bem dócil. – ele comenta, afagando a crina do animal que relincha suavemente.

- Sim.

Então, um servo aparece e tira a égua, sendo que Mana o puxa novamente pela mão e o leva para frente onde um servo segurava Sadiki, com o ex-sacerdote percebendo o fato de usarem apenas uma manta presa ao lombo, enquanto que na cabeça havia a cabeçada, focinheira, bridão e rédeas.

- Você consegue montar dessa forma? – a jovem pergunta, pois, era ciente de que ele vinha de outra cultura.

- Sim. Eu montava a Yoru sem sela e sem cabeçada, focinheira, bridão e rédeas. Eu a orientava pela crina.

- Como era essa Yoru?

- Era uma potranca negra de olhos azuis. Como se passaram anos, ela deve ser uma égua agora. – ele fala enquanto controlava a tristeza que queria surgir nele com a lembrança da sua amiga.

Yuugi sai dos seus pensamentos conforme caminhava até o corcel e ao ficar no lado dele, apeia com maestria, vendo Mana fazendo o mesmo, para depois os servos entregarem as rédeas das respectivas montarias, com o adolescente de cabelos tricolores afagando o pescoço do belo animal enquanto perguntava:

- Onde vamos cavalgar?

- Tem uma área aberta que dá para realizarmos uma pequena corrida. É usada para exercitar os cavalos. Vamos!

- Sim!

Nisso, ambos dão um leve toque nas rédeas e os animais partem a galope, com o jovem seguindo as instruções de Mana enquanto sorria imensamente, confessando que sentia falta de sentir o vento em seu rosto, sendo que se tivesse Yoru junto dele seria perfeito e conforme se recordava dos momentos que passou com a sua amiga, ele orava aos Deuses para que ela estivesse bem, assim como a sua família e aldeões da sua vila natal.

Yuugi e Mana riam, enquanto cavalgavam, sendo que o ex-sacerdote havia ficado surpreso com a extensão da área destinada aos exercícios dos cavalos e que permitiu a ambos se divertirem.

Após cavalgarem, eles retornaram aos estábulos onde os servos recolheram os animais para tratá-los enquanto que Mana segurava na mão de Yuugi, o conduzindo para dentro do palácio, pois, ao olhar para o céu, ela comentou que eles deviam se dirigir a câmara onde estava sendo servido o almoço.

O jovem de cabelos tricolores olhava fascinado para os lados em virtude das gravuras nas paredes, além da construção imponente e o formato de lótus das colunas, sendo que passaram por algumas áreas que continham jardins com ele avistando ao longe as várias oficinas e vilas, com Mana explicando o que eram quando o adolescente apontava o dedo perguntando o que era.

Conforme assimilava a grandiosidade da área do palácio, ele confessava que desejava, um dia, olhar do alto para ter uma noção maior da área como um todo.

Então, eles ficam de frente a um portão duplo ladeado por guardas que se curvam, antes de um deles abrir a porta, permitindo a passagem de Mana que no seu entusiasmo, praticamente, arrastava Yuugi.

A mesa já estava repleta de alimentos e todos estavam sentados em seus respetivos lugares. Ao ver Mana puxando Yuugi, Mahaado balança a cabeça para os lados e suspira, percebendo que a sua discípula e filha adotiva deve tê-lo arrastado pelos corredores enquanto Isis sorria gentilmente, olhando maternalmente para a jovem aprendiza, sendo que ambos esperavam que ela fizesse algo assim e considerando o fato do adolescente ser gentil e amável, ele iria permitir ser arrastado pelos corredores.

Atemu também notou e depois, suspirou discretamente, pois, devia ter esperado tal gesto da sua amiga de infância.

Yuugi se aproximou e quando ia se curvar, o Faraó falou gentilmente:

- Não se curve. Venha, você vai sentar ao meu lado.

O ex-sacerdote não compreendeu o fato de não se curvar aos Guardiões sagrados e ao Grão Vizir e Conselheiro real Shimon, juntamente com o fato de estar confuso por sentar ao lado do monarca em vez de ficar de pé como qualquer servo.

Decidindo que devia deixar tais questionamentos para mais tarde, ele caminha e senta ao lado do soberano de todo o Kemet, com o adolescente de orbes ametistas percebendo que a cadeira dele era um pouco mais elaborada que a dos Guardiões, do Grão Vizir, da aprendiza de Mahaado e da sua amiga Kisara que estava sentada ao lado de Seto e cuja cadeira ficava ao lado da dele, uma vez que o Guardião sagrado se sentava no lado direito do seu primo.

Porém, todas essas cadeiras não se comparavam a cadeira dourada ricamente trabalhada do monarca e que era cravejada de joias. O fato de sentar em um lugar inesperado o fez ficar um pouco nervoso, sendo que procurava não demonstrar, embora fosse visível o seu nervosismo em seus olhos grandes e expressivos.

Conforme olhava para a mesa, percebe que eles não se importavam com o local onde ele estava sentado, sendo que ficou surpreso ao ver todos curvarem levemente a cabeça e conforme os observava, notou que o Guardião com barba branca e manto, o reconhecendo como o tio de Atemu, exibia em seu único olho uma raiva dirigida para ele, apesar de tentar ocultar dos outros ao ponto de somente aparecer esse ódio por poucos segundos.

Porém, foi o suficiente para assustar o ex-sacerdote que luta arduamente para se acalmar, decidindo que o ódio era pelo fato dele estar sentado ao lado do seu mestre em vez de ficar de pé ou em um local usual para os servos pessoais.

Seus olhos vagaram até Shimon que exibia um sorriso de orgulho ao olhar para ele e o Faraó, fazendo o adolescente arquear o cenho, tentando compreender o motivo do orgulho nos olhos do Grã Vizir.

Após o Faraó se servir, Yuugi estava esperando que todos os outros se servissem, antes de comer, sendo que não compreendia o motivo deles não tocarem nos seus pratos.

Então, Atemu fala:

- Você deve se servir, também. Somente quando se servir, eles vão começar a comer.

O jovem fica surpreso e exibindo confusão em seu semblante, ele pega um pedaço de carne de avestruz e após colocar em seu prato, o regando com uma mistura de mel e de especiarias, colocando um pedaço de pão de grãos ao lado da carne, os outros se servem, com o adolescente descobrindo que os pedaços de carne nas bandejas de prato eram de gado, cabra, avestruz, cordeiro, ovelha e aves, sendo que foi o monarca que explicou o que cada carne era.

Enquanto comiam, servos apareceram com vinho e depositaram primeiro o liquido rubro na taça dourada cravejada de joias do soberano, para em seguida, colocarem na outra taça dourada com joias para Yuugi que era um pouco mais simples que a do Faraó, para depois, servirem as taças de ouro dos Guardiões Sagrados com o jovem notando que eles evitavam colocar bebida na taça de Mana, se limitando a colocarem água, enquanto a bronzeada fazia beicinho.

Ao notar o semblante questionador do seu amado ao olhar para a situação, Atemu fala, após sorver um pouco do liquido agridoce:

- Mana não pode tomar bebida alcoólica.

- Por quê? – ele pergunta respeitosamente.

- Pode relaxar, Yuugi. – ele fala em um sussurro suave como pétalas de flores e com um sorriso gentil no rosto que fez o calor invadir as bochechas do jovem, para depois, a voz voltar ao tom normal - O motivo de não permitirmos isso, sendo que todos os servos foram avisados dessa proibição é porque a magia dela sai do controle com a bebida. A última vez que provou apenas um gole foi o suficiente para usar uma magia desconhecida por ela mesma. Inclusive, nem mesmo o próprio Mahaado conseguiu descobrir qual magia é para poder lançar um contrafeitiço, visando desfazer essa magia.

- E o que essa magia fez? – Yuugi pergunta preocupado.

- Digamos que uma das nossas estátuas perdeu o nariz e nem mesmo Mahaado consegue restaurar com magia, sendo que é impossível restaurar fisicamente. A magia que ela usou impede qualquer reparo.

O jovem fica boquiaberto, enquanto Atemu se servia de mais alguns gomos de uva, antes de tomar mais um gole da bebida, estendendo a taça para o lado para uma serva que prontamente o enche com mais vinho.

Pelo que o jovem se recordou, somente nobres e ricos conseguiam acesso ao vinho, sendo que o vinho também era usado nos templos. As demais pessoas tinham acesso apenas à cerveja que também era usada como forma de pagamento, pelo que ele compreendeu da breve explicação que teve.

Yuugi decide provar uma coxa de um pato assado e um pouco de sopa de grão de bico, confessando que o paladar naquela cultura era diferente, mas, gostoso, principalmente ao regar a carne com o mel que continha condimentos enquanto observava pelo canto dos olhos, a sua amiga demonstrando imensa felicidade ao comer a comida, sendo que esperava tal reação considerando o fato dela ter sido obrigada a lutar desde cedo para conseguir comida.

Então, ele percebe que os Guardiões começam a conversar com o Faraó sobre alguns assuntos envolvendo problemas menores no império, além de outros referentes a alguns templos e da caçada que seria realizada dali alguns dias, com o adolescente compreendendo que teriam alguns nobres participando também, sendo que o jovem notou que Akhenaden (Aknadin) parecia o mais silencioso de todos e que quando falava, parecia ser um esforço imenso da parte dele, com Yuugi conseguindo sentir certa tensão na mesa que era oriunda do tio de Atemu em direção ao Faraó enquanto questionava a si mesmo se o seu mestre havia percebido.

Conforme conversava com Kisara, ele descobriu que ela foi levada pelo seu mestre até o complexo dos estábulos para que escolhesse uma montaria só dela, que foi transferido para junto dos cavalos usados pelas famílias dos Guardiões Sagrados, com ambos combinando de fazerem uma corrida amistosa algum dia, sendo que o ex-sacerdote demonstra o seu intenso desejo em ver qual animal a sua amiga escolheu como montaria.

Quando ambos cessam a conversa para se servirem de um gole de vinho, Seto puxa conversa com Kisara e enquanto o jovem sorvia mais um gole da bebida agridoce, Atemu pergunta ao mesmo tempo em que pegava mais um pedaço de carne de avestruz para colocar em seu prato:

- Como foi a sua manhã nos estábulos, Yuugi?

- Muito bom. Os cavalos são lindos. O seu, além de ser o mais lindo, tem um porte bem imponente.

- Sim. O meu garanhão se destaca... E quanto a você? Qual cavalo escolheu?

- Escolhi o Shakir. É um corcel negro de olhos amendoados. Ele é bem manso. Mana me convidou para uma corrida. Confesso que havia sentido muita falta de cavalgar.

- E quem ganhou a corrida?

- Eu ganhei.

- Mas, foi por pouco! – Mana exclama do seu lugar que ficava entre Mahaado e Isis enquanto segurava um pedaço de pão na mão esquerda e uma colher na mão direita contendo um pouco de sopa de grão de bico.

- Eu acho que foi sorte, Mana. Você é uma exímia cavaleira. – ele fala gentilmente visando aplacar a jovem que fazia beicinho.

Ele fica aliado ao ver que ela desfaz a face emburrada e sorri, enquanto falava, olhando para o superintendente dos magos:

- Viu, mestre? Eu disse que melhorei.

- De fato. Mesmo assim, deve tomar as coisas com parcimônia. Isso inclui a magia também.

Então, Akhenaden pigarreia e fala, com Yuugi percebendo pelo canto dos olhos, o olhar irritado de Shimon direcionado para o Guardião sagrado, sendo que os demais Guardiões compartilhavam o mesmo olhar do Conselheiro real:

- Per'a'ah, sobre o assunto anterior, na fronteira...

Ele para de falar quando o soberano ergue uma das mãos, para depois, falar, após engolir o que tinha boca enquanto exibia frieza em seus olhos carmesins ao olhar para o seu tio:

- Eu disse que a minha decisão era definitiva. Eu irei esperar o término da investigação.

- E se... – ele tenta falar de novo quando é silenciado por um olhar severo do soberano.

- Isso será tratado no momento certo e com mais dados. Não vou ameaçar o início de uma guerra sem ter qualquer evidência em minhas mãos. Eu confio em Rishido e concordo com o plano dele.

Akhenaden luta para suprimir a frustração e raiva em seu semblante, sendo que Yuugi acreditava que ele devia estar torcendo os punhos por baixo da mesa pelo breve olhar de raiva que direcionou ao Faraó, fazendo Yuugi questionar a si mesmo se Atemu percebeu tal olhar.

O jovem notou que as conversas haviam cessado assim que o tio do monarca falou e que somente retornaram, após o mesmo se silenciar, fazendo-o acreditar que a reunião deve ter sido demasiadamente tensa.