Notas da autora
Yuugi fica...
Yukiko concorda em...
Yoru se encontra...
Capítulo 76 – Silêncio aterrador
O homem parece alarmado e fala, erguendo a mão na direção do jovem embora não conseguisse se mexer:
- Por que está chorando?
- Eu não quero ser punido pelo meu mestre. Foi um acidente. Eu vim parar aqui por acidente.
- Se acalme. Eu garanto que você não será punido. O meu filho nunca o puniria. Agora, se acalme. – ele fala enquanto questionava até quando Atemu manteria em segredo o que Yuugi representava para ele e os seus planos de torná-lo uma Grande esposa real, com ele acreditando que o jovem não apreciaria o título apesar de tudo o que viria vinculado a este título.
- "Filho"? – ele pergunta estupefato, com a descoberta cessando as suas lágrimas e desespero.
- Sim. Atemu é o meu amado filho. Eu sou o antigo Per'a'ah Aknamkanon. Mas, você pode me chamar pelo meu nome verdadeiro, Akhenamkhanen. Fique a vontade para usá-lo. O meu filho me contou sobre você.
- Tem certeza que posso chamar o senhor pelo nome? Mesmo não sendo mais o Per'a'ah, ainda é o pai do meu mestre.
- Sim. Eu ficaria agradecido se me chamasse pelo meu nome verdadeiro. Poucos me chamam assim. Portanto, eu gostaria que você passasse a se referir a mim dessa forma.
O jovem consente e decide acreditar nas palavras dele, inclusive pelo fato de saber o quanto Atemu respeitava e admirava o genitor.
Portanto, se o homem pedisse ao seu filho para que não o punisse, ele não seria punido, com Yuugi acreditando que Akhenamkhanen disse aquilo porque iria intervir e isso o fazia agradecê-lo mentalmente enquanto o casal ficava aliviado ao ver que o homem não era uma ameaça.
- Eu peço para você não se aproximar muito porque os swnw (médicos) e mesmo a imy-r swnwt (Grande supervisora médica) Sera, a superintendente dos swnw (médicos) e swnwt (médicas) não sabem o que eu tenho embora eu acredite que é a punição dos Netjer quando a Netjer Shmt (Sekhmet) enviou demônios específicos para mim. Porém, eu não me importo com essa punição desde que poupem o meu filho dos meus pecados.
Yuugi se aproxima e senta na cadeira que estava posicionada não muito longe da cama após um aceno afirmativo do pai de Atemu.
- Eu não acredito que os Netjer fariam isso e não acho justo o senhor responder pelo crime de outra pessoa. O senhor não sabia do custo da criação dos Tesouros sagrados. O seu irmão omitiu propositalmente essa parte do senhor. Portanto, não pode se culpar pelas ações de terceiros.
O homem exibe surpresa em seu semblante, para depois, sorrir:
- Eu vejo que ele contou sobre a criação dos itens... Mesmo não sabendo do custo e que foi o meu irmão que realizou o ritual naquela época, ele era o meu subordinado e como monarca eu devo arcar com o que os meus subordinados fazem. Ademais, os Netjer estavam furiosos. Era necessário aplacá-los ou evitar que a fúria deles desabasse sobre o meu amado filho. A minha vida é um preço pequeno a se pagar pela salvação de Atemu.
Yuugi não consegue aceitar este destino e decide usar a habilidade que Yukiko deu a ele.
Mas, antes de usar, o jovem se concentra para contatá-la e fica alarmado ao sentir o extremo cansaço que era irradiado a partir dela.
"Yukiko-chan, você está bem?"
"Eu estou bem, Yuugi-kun. Só estou relaxando um pouco. Eu voei demais. Eu acredito que o meu cansaço é por ter ficado muito tempo sem voar. Ainda vai demorar uma pouco para que eu volte a ter a resistência do passado em voos longos." – ela mente e ora para que o seu amigo aceite a sua mentira.
Para alívio da meia dragoa, Yuugi aceita a sua mentira ao falar:
"Verdade. Faz muito tempo que não voava. Eu estava preocupado."
"Eu imagino."
"Ah! Antes que eu me esqueça. Eu estava fugindo de dois homens e acabei no quarto do pai de Atemu. Eu estou falando com Akhenamkhanen agora. O nome dele é meio difícil de ser pronunciado. Eu precisei falar um pouco lentamente no início."
"Fugindo? Como assim? Quem são os bastardos?"
Yuugi podia sentir a fúria em cada palavra proferida pela amiga dele, assim como havia ouvido os rosnados repletos de raiva.
"Eu não sei. O que importa é que eu acabei parando no quarto de Akhenamkhanen. Eu gostaria de saber se é de fato uma doença, se possuí causa divina ou se é induzido por algo. Você é capaz de fazer isso? É que eu não quero acreditar que os Deuses seriam tão cruéis em punir um inocente em vez de punir o verdadeiro culpado. Eu não consigo ver os Deuses desse povo sendo tão injustos."
"Sim. Você só vai precisar conceder o controle total do seu corpo. Eu vou ter que usar magia através de você. Se estiver tudo bem para você, eu estou fazendo isso agora."
"Sim, está. Faça, por favor."
A albina não se importava com o homem moribundo e consequentemente, nutria certa raiva por ele ser pai de Atemu. Mas, ela sabia como Yuugi era e pelos sentimentos maternais que tinha pelo jovem, a princesa dos dragões faria o que ele pediu enquanto que o ex-sacerdote orava para que Yukiko pudesse identificar a causa e curar o homem a sua frente.
Longe dali, ainda no deserto, próximo a capital Men-nefer (Menphis), Yukiko fecha os olhos e se concentra, acessando aquele que via como um filho querido.
Após conseguir acessar o seu poder remanescente nele, ela o faz abrir os olhos e observa atentamente o homem que demonstrava cansaço em seus olhos e corpo enquanto usava os seus poderes para analisa-lo ao mesmo tempo em que conjurava discretamente um círculo mágico embaixo da cama dele, deixando-o no centro.
Se fosse usada de forma correta, aquela magia permitiria a princesa dos dragões detectar se algo provocava a doença, se era natural ou até mesmo se era uma manifestação divina porque ela sabia que em alguns mundos havia Deuses. Quanto a aquele mundo em que se encontrava, ela não sabia e considerando que não tinha por completo os seus poderes para usar a sua ascendência divina para descobrir a existência ou não deles, preferia tratar como inconclusivo a existência divina naquele mundo.
Nesse interim, há centenas de quilômetros dali, em uma mata densa e fechada, a mulher de armadura com cabelos negros e olhos ônix continuava usando o círculo mágico com pequenos símbolos estranhos espalhados estrategicamente. Ela estava absorta no escaneamento e assimilação de conhecimento quando um som a sua esquerda chama a sua atenção.
Ela vira o rosto e percebe uma égua negra com olhos azuis intensos. O animal demonstrava em sua pelagem o suor, indicando que estava correndo e o som que ouviu era o barulho dos cascos dela.
A equídea havia cessado a corrida e olhava atentamente para ela, com a mulher percebendo que a égua começava a recuar enquanto relinchava baixinho, para depois, fugir a galope, desviando habilmente de qualquer raiz que brotava do solo ou pedra porque buscava manter a maior distância possível dela, fazendo-a revirar os olhos.
Conforme pensava na presença da égua, a mulher confessou que inicialmente pensou em usá-la para se alimentar ao abatê-la. Apenas uma mordida seria o suficiente para abocanhá-la e conforme pensava nisso, percebe que o animal sequer poderia contar para um lanche ao mesmo tempo em que se recordava de ter provado outras criaturas maiores e mais apetitosas como aqueles seres grandes que nadavam nos oceanos e que podia ser considerada uma refeição decente.
Além disso, sempre preferiu os frutos do mar à carne vermelha ou branca.
Ela também era ciente da existência de uma vila humana não muito longe dali e confessava que sentia uma grande vontade de se divertir com eles ao destruir as suas moradias e caçá-los a título de diversão. Conforme pensava nisso, ela confessava que estava ficando cada vez mais inclinada a fazer exatamente isso. Os gritos de desespero junto dos odores de medo e de dor eram simplesmente maravilhosos e ver seres correndo desesperados para se salvar, por mais infrutífera que fosse tal ação, era um deleite. Uma raça tão patética e fraca podia proporcionar um grande divertimento ao ver dela.
Afinal, ela precisava de alguma diversão, uma vez que estava presa naquela obrigação enfadonha. Não que fosse uma obrigação propriamente dita e sim, necessária porque queria saber o máximo possível daquele mundo e a busca pelo seu alvo, antes de partir para cumprir com o que ansiou por anos, mesmo os anos sendo insignificantes pelo tempo de vida que possuíam e que era desconhecido. Havia sentimentos impossíveis de serem contidos porque a necessidade que ardia em seu ser era intensa e inextinguível. Não havia como contornar ou suprimir. No final, era aquilo que a motivava atualmente porque aquele já não exercia a influência tão necessária e que a fez postergar por anos o seu desejo.
Agora que estava livre de tal influência, nada mais lhe restava do que aquilo que se propôs a fazer para aplacar o seu coração. O seu destino estava decidido desde aquele dia e os eventos apenas fulminaram para a conclusão daquela história.
Longe dali, a égua se aproxima de um vilarejo iluminado por tochas espalhadas pelas poucas ruas e entrada, com ela cavalgando pelo centro, com as pessoas olhando brevemente para o animal assustado, antes de retornarem aos seus afazeres.
A bela égua entra em um cercado onde havia uma casa que era uma das mais bonitas da vila. Ao lado dela havia uma plantação, além de ser formado por pomares frondosos e um lago cristalino onde nadavam alguns peixes. Havia ao longe um estábulo onde havia outros dois cavalos, com ela ocupando uma das melhores baias cujas portas estavam sempre abertas porque ela era a única dos equídeos da vila que tinha a liberdade de correr para onde desejasse e ficar onde queria.
Por muitos anos, havia pensado em se afastar, mas o gentil pai do seu mestre sempre ia atrás dela e usava o seu kiei para trazê-la, sabendo que a bela égua selvagem apenas queria encontrar o seu filho enquanto que ele havia jurado cuidar dela.
O filho do sumo sacerdote era visto como um lendário herói e havia hinos de louvores a aquele que os ajudou a fugir e para a filha da Deusa da lua. Havia boatos sobre o seu paradeiro e por vários dias e noites, o homem orou aos Deuses em busca de informações do filho embora tanto ele quanto a sua esposa soubessem em seus corações que ele estava bem porque algo lhes falava isso, com eles acreditando que eram os deuses ao mesmo tempo em que não os culpava por não respondê-los.
Afinal, o pedido era egoísta e fruto do desejo de pais desesperados. Os Deuses tinham coisas mais importantes para se ocupar na visão do homem que seguia com a sua adoração e votos sem titubear. A negação dos deuses por informações era esperada.
No coração dele e da sua amada esposa, eles acreditaram que o seu amado filho visto como herói pela vila estava junto da filha dos Deuses da lua pela forma como ela se importava com um simples mortal e contavam com essa proteção divina para o seu filho enquanto ansiavam ardentemente que algum dia, os Deuses tivessem pena deles para revelar o destino do filho do casal. Ele sabia que era uma esperança em vão, mas, não podiam deixar de acreditar nisso porque era a centelha da esperança em seus corações junto com a sensação do seu amado filho estar bem.
O homem sai dos seus pensamentos ao ouvir o barulho de cascos. Ele estava se dirigindo para casa depois de executar o seu ritual noturno de orações e estava ansioso para rever a sua amada esposa e a sua adorada filha que nasceu após a grande fuga deles proporcionada pelos Deuses e pelos atos heroicos do seu filho.
- Yoru?
O sumo sacerdote achou estranho o fato dela galopar com o medo em seu semblante e conforme a observava, ele se lembrou do fato de sempre ter achado aquela égua peculiar se comparada aos outros animais e era assim desde que era uma potra. Também era do conhecimento de todos que ela era audaz, corajosa e intrépida.
Inclusive, chegou a enfrentar um grupo de cães selvagens, usando os seus cascos para feri-los. O confronto apenas lhe rendendo alguns ferimentos enquanto ela salvava algumas crianças. Os cães selvagens sobreviventes fugiram do local enquanto algumas dezenas deles jaziam mortas ao mesmo tempo em que as crianças se abraçavam enquanto choravam.
Qualquer outro cavalo iria disparar para longe. Mas, ela os confrontou e lutou ferozmente contra eles, com o povo reconhecendo os atos da égua como heroicos, falando que eles esperavam algo assim do animal que pertencia ao lendário herói Yuugi por ele ser o único capaz de montá-la ao deter o coração selvagem dela em suas mãos, seguindo as palavras dos aldeões.
Além disso, a égua rejeitou qualquer cavalo que tentou cruzar com ela. Os que tentaram, receberam mordidas ferozes e marcas de cascos dos coices que ela deu, além da marca dos dentes dela em seus mantos ao usar os seus dentes sem hesitação e com ferocidade. Muitos cavalos passaram a temê-la. Nem mesmo a época do cio a fez perceptiva aos avanços deles. Os mordeu, os escoiceou e bufou, para depois, baixar a cabeça angular e inclinar as orelhas para trás enquanto mostrava os dentes. Em alguns casos de extrema obstinação para cobri-la, ela os acertava violentamente com as patas da frente e se jogava de frente contra eles os derrubando e no chão, mordia violentamente uma de suas patas ao ponto do animal relinchar de dor para depois, se levantar, fugindo do local enquanto mancava.
Os aldeões nunca cogitaram a ideia de prendê-la quando estava no cio, ainda mais após os atos heroicos de Yuugi e o fato dele ter detido a atenção da filha da Deusa da lua junto do ato heroico de salvar um grupo de crianças.
Portanto, todos decidiram prender os seus cavalos enquanto durava a época do cio dela, tanto para tranquiliza-la quanto para evitar danos mais severos aos cavalos.
Afinal, um deles quase teve uma das patas condenadas para sempre e em outro, uma das mordidas dela infeccionou gravemente.
Ele sai dos seus pensamentos ao ver que a égua havia entrado na sua baia e preocupado, ele caminha até o local e a observa exibir um olhar receoso enquanto olhava para um dos lados da floresta, com ele acompanhando o seu olhar.
- O que houve, garota? – ele pergunta exibindo preocupação em seu semblante enquanto a acarinhava gentilmente em seu pescoço elegante.
Após a partida do filho, ele e a sua esposa eram os únicos que conseguiam tocar nela, desde que fosse limitado ao focinho e pescoço, com ela começando a tolerar banhos nas mãos deles desde que fossem movimentos rápidos e com toques mínimos.
Claro que demorou vários meses, mas, ela permitiu o toque.
A égua negra relinchava levemente enquanto continuava olhando para aquele ponto em específico, fazendo o homem arquear o cenho, passando a temer que algo acontecesse.
Inclusive, conforme pensava nisso, havia percebido o aparente silêncio daquele lado da floresta há alguns dias. Era um silêncio anormal e preocupante porque sequer havia o barulho de animais, mesmo a noite, além de não avistarem qualquer movimento naquele local, como bandos de aves voando. Tudo estava anormalmente em silêncio e de fato, havia alguns murmúrios receosos e hipóteses sussurradas entre os aldeões, chegando ao ponto do Líder da vila formular uma hipótese assustadora sobre aquele trecho especifico enquanto demonstrava preocupação em seu semblante.
Inclusive, o líder chegou a cogitar a ideia mandar alguns batedores para o local, mas, algo naquele local, fazia com que eles ficassem com os pelos arrepiados. O sumo sacerdote questionava se a égua havia ido até aquele local e que isso justificava o seu medo porque nunca imaginou vê-la tão aterrorizada.
- Sumo-sacerdote!
O homem se vira e observa um dos aldeões, mais precisamente, um dos sentinelas que ficavam em uma das torres de vigília que construíram assim que chegaram naquele local.
- Rioti? O que houve?
- Yoru foi até o local e voltou aterrorizada. Custo a acreditar que ela teve a coragem que nós não tivemos.
- Ela foi?
- Sim.
O sumo sacerdote olha para a égua, percebendo agora ao tocá-la que ela tremia, com ele comentando estupefato:
- Ela está tremendo.
- "Tremendo"? Isso significa que o que está acontecendo lá é assustador o suficiente para aterrorizá-la.
- Ela pode ser um sinal. Eu acredito que os Deuses estejam nos alertando ao nos dar um animal tão audaz e intrépido que atualmente está aterrorizado ao ir para aquele local. Além disso, ela nunca foi uma égua igual às outras.
- Eu também acho que devemos ouvir esse aviso. Nós devemos ir para o acampamento reserva que fica longe daqui. Ficaremos no limiar da nova floresta sagrada. O que acha, sumo sacerdote?
Eles olham para a origem da voz e avistam o Líder da vila, exibindo um semblante preocupado enquanto olhava para a égua negra aterrorizada.
- Eu acho uma ótima ideia. Não é sábio ignorar os Deuses. Por precaução, devemos evacuar a vila o quanto antes.
Eles ouvem um relincho alto e a égua parece acenar, com eles achando o ato peculiar.
- Além disso, alguns animais que estão mais perto da entrada da vila estão demonstrando nervosismo. Tivemos que prender muitos deles por tentarem fugir do local e conforme vinha até esse local, pude notar que o comportamento dos outros animais está mudando gradativamente.
- Creio que é hora de evacuarmos para o local reserva que possuímos. Como fica perto da floresta divina, os Deuses poderão nos ajudar facilmente.
- Eu espero que eles não vejam como afronta o fato de ficarmos tão perto deles.
- Se eles não se importassem conosco, a filha da Deusa da lua não teria aparecido para nós. Especialmente para o meu filho. É que os deuses agem de forma misteriosa e não cabe a nós, mortais, tentar compreendê-los.
- Verdade. Vou fazer um anúncio para o povo. Partiremos um pouco antes do sol raiar. Como teremos carroças pesadas e outros animais, precisaremos partir antes do sol nascer para chegarmos antes do sol estar alto no céu.
- Sim. Vou avisar a minha esposa.
O chefe consente e segue junto do aldeão, com ambos torcendo as mãos enquanto olhavam na mesma direção que a égua olhava. Eles só esperavam que não tivessem esperado tempo demais para se afastarem do local. O temor deles e do sumo sacerdote é que tivessem se atrasado demais ao identificarem os sinais de perigo, somente agindo quando Ebonee ficou aterrorizada ao ponto de tremer de medo ao disparar para a vila galopando como se os monstros das profundezas estivessem próximos dos seus cascos, com tal pensamento aumentando o medo deles.
