Notas da autora

Yuugi se encontra...

Atemu e os outros ficam...

Atemu decide...

Capítulo 78 – A surpresa de Atemu

Yuugi estava com as costas apoiadas na parede, lutando arduamente para controlar o tremor em seu corpo frente à perspectiva de encontrar o seu mestre. O seu coração batia freneticamente em sua caixa torácica enquanto que a sua mente continuava criando visões de punições. Ocasionalmente, ele olhava de soslaio para o guarda que exibia uma postura atenta como se esperasse algum ataque ao mesmo tempo em que o jovem tinha a impressão que estava na frente dele para agir protetoramente, embora a sua mente se recusasse a acreditar nessa primeira concepção para ceder ao pensamento de que ele estava atento para qualquer tentativa fútil de fuga.

Yoru e Kiara estavam ao seu lado, sentados, com eles sentindo pena dele porque podiam ouvir audivelmente o coração do ex-sacerdote batendo freneticamente contra a caixa torácica.

O som de passos apressados reverbera pelo local, tirando o jovem dos seus pensamentos enquanto observava o guarda olhando na direção dos sons, exibindo uma postura tensa como se esperasse algum ataque.

Gradualmente, os sons ficam cada vez mais audíveis conforme os calçados se chocavam no chão de arenito ao ponto de ficarem gradativamente altos ao mesmo tempo em que na curva de um corredor surgia Atemu, seguido do guarda que havia ido buscá-lo. Havia também o vizir e conselheiro real, Shimon, a superintendente da grande casa e seu filho, Leon, assim como o ka pessoal de Atemu e o Ka de Mana, além do Superintendente da guarda do palácio junto de alguns soldados.

Prontamente, o guarda ao lado de Yuugi se curva, colocando o pé esquerdo na sua frente enquanto se ajoelhava ao mesmo tempo em que o jovem se prostrava com a fronte encostada no chão ao se lembrar de como as pessoas se curvavam para o soberano daquele império.

Ele ouve suspiros, para depois, ser segurado gentilmente pelos ombros por um par de mãos com vários anéis de ouro e joias nos dedos, além de pulseira douradas firmes contra a pele bronzeada dourada enquanto a pessoa ostentava braços fortes, fazendo-o reconhecer aquelas mãos gentis.

O jovem se ergue ao ser içado para cima, para depois, Atemu colocar gentilmente o dedo indicador embaixo do queixo dele, o obrigando a erguer os olhos ametistas que se chocam contra o olhar rubi quente e apesar do rosto impassível, Yuugi podia jurar que havia intensa preocupação nos olhos carmesins.

- Eu disse antes que você não precisa se prostrar. – o rei fala com uma voz barítono gentil, rica como chocolate derretido, provocando arrepios prazerosos na espinha do jovem ao mesmo tempo em que o fazia corar.

- Me perdoe. Eu não consegui achar ninguém para me ajudar e para piorar, aqueles dois homens me perseguiram. Eu acabei me escondendo aqui.

Ele fica surpreso ao ver um discreto sorriso no rosto do monarca que fala:

- Fez bem em se esconder. Eu quero saber se você se lembra deles.

- Eu acho que sim. Eu acredito que eles me perseguiram porque pensaram que eu ouvi o que eles conversavam. – ele fala gaguejando enquanto lutava para controlar o rubor em suas bochechas e os calafrios prazerosos no local onde os dedos do monarca tocavam a sua pele acetinada ao mesmo tempo em que lutava para aplacar o seu coração com a proximidade entre ambos e o toque do governante.

Yuugi fica dividido entre o alívio e a sensação de perda quando Atemu recua a sua mão do seu queixo apenas para corar novamente quando ele afaga gentilmente a sua bochecha com o dorso da mão direita sobre sorrisos de quem via a cena.

Então, ao olhar para o casal de gatos que olhava para ele, o jovem se recorda do que Yukiko disse.

- Atemu, precisamos levar o seu pai até a Yukiko. Ela pode curar ele.

O governante baixa a mão enquanto exibia surpresa em seu rosto bronzeado dourado ao não conseguir esconder a sua expressão frente a noticia inesperada e esperançosa, acabando por demorar algum tempo para processar o que ouviu, com o seu semblante sendo compartilhado por todos a sua volta.

- Como ela soube... Ela aceitou mesmo curá-lo? Eu não sabia que ela era capaz de lidar com os demônios da Netjer Sḫmt (Sekhmet).

- Sim. Ela usou magia através de mim para analisar o que estava acometendo o seu pai e após descobrir a causa, a Yukiko disse que pode curá-lo. Eu pedi para ela fazer isso. Precisamos ir agora.

- Guardas, levem o meu pai. – Atemu ordena ao olhar para os guardas que o escoltavam.

Eles consentem e prontamente, entram no quarto e pegam gentilmente o homem convalescido que estava inconsciente apesar de ser acometido por tosses violentas.

- Você, vá chamar a imy-r swnwt (Grande supervisora médica) e superintendente dos swnw (médicos), swnwt (médicas) e dentistas, Sera. A leve até onde estamos indo.

O guarda consente e parte do local para cumprir a ordem.

Então, todos os outros saem e se dirigem até onde estava a meia dragoa, com o monarca perguntando:

- O que o meu pai têm?

- Ele está sendo envenenado por anos e se não for curado hoje, os seus órgãos vão parar de funcionar.

Todos ficam estarrecidos ao ouvir sobre o envenenamento, com Atemu cerrando os punhos e dentes, para depois, falar com a voz repleta de fúria:

- Como ousam fazer isso com o meu pai? Com o tempo, eu acreditei que era uma punição dos Nejter através dos demônios que Netjer Sḫmt, liberou contra o meu pai. Agora, descubro que é envenenamento.

- A Yukiko disse que esse veneno usado nele, mata após se acumular em grande quantidade no seu organismo e que para disfarçar, fizeram esse envenenamento de forma gradual.

Atrás de uma das pilastras com aparência de lótus, um vulto observa a comoção enquanto que havia ouvido o que haviam falado entre si ao mesmo tempo em que se amaldiçoava por não ter dado uma dose mais severa naquela manhã.

- Maldita dragoa. Ela atrapalhou os nossos planos.

Bufando, o vulto se afasta enquanto pensava em como iria comunicar o que ocorreu ao seu superior conforme se afastava do local.

Após vários minutos, eles chegam até onde está a albina que ergue a sua enorme cabeça e focinho para os recém-chegados enquanto que os soldados colocavam Akhenamkhanen deitado no chão em frente da princesa dos dragões que fala ao olhar para Atemu, com Leon demonstrando em seu semblante um misto de fascínio e de medo ao ver um dragão real em carne e osso:

- Vou salvá-lo a pedido do Yuugi.

- Eu agradeço. – o soberano fala, mal ocultando a emoção em sua voz enquanto lutava para manter uma face impassível.

Yukiko vira o seu focinho para o homem desfalecido e os seus olhos brilham na cor azulada, com todos olhando a neve caindo em cima de Akhenamkhanen porque a meia dragoa invocou a sua neve divina que era capaz de curar quaisquer ferimentos. Esta mesma neve também podia restaurar membros perdidos através da cristalização em torno da pessoa, levando-a a um estado de profunda inconsciência até que o membro ou membros fossem restaurados.

Todos observam o corpo do pai de Atemu brilhar na cor translúcida alva conforme os flocos de neve divina caiam sobre ele, penetrando sistematicamente em seu corpo através da sua pele, com eles vendo estupefatos uma estranha névoa esverdeada que saia pelos poros do genitor do monarca e que se dirigia até a palma de uma das patas da albina que se encontrava erguida próxima do homem, para depois, esta mesma névoa se aglutinar enquanto era presa através de pequenos filetes de cristais que surgiam magicamente como se estivesse aprisionando essa névoa.

Então, quando a emissão dessa essência nebulosa cessa, o fulgor permanece por alguns minutos até que desaparece junto da neve, fazendo todos eles olharem com expectativa após se refazerem da surpresa.

Yukiko vira a pata para cima enquanto começava a fechar as garras, com os olhos de todos passando a olhar para o brilho alvo que surgia em torno da névoa. Eles observam a sua consolidação em uma esfera cujo tamanho era reduzido drasticamente conforme comprimia o objeto em sua pata, para depois, deixar cair uma pequena esfera esverdeada e quando Yuugi vai pegá-la por estar curioso, é detido gentilmente por uma das patas da meia dragoa.

- Tenha cuidado. Essa esfera tem que ser pega através de algum objeto. Não pode haver contato com as mãos nuas. O veneno está bem concentrado porque eu o retirei por completo do corpo dele. Talvez, o analisando, alguém possa descobrir qual veneno era ou a sua origem.

Então, todos voltam a olhar para o genitor de Atemu, com eles observando que a cor bronzeada retornou para a pele do homem ao mesmo tempo em que a palidez desaparecia enquanto que todos podiam ouvi-lo respirando sem o som rouco que outrora se encontrava na respiração dele.

O Faraó está emocionado e busca manter o seu semblante o mais impassível possível embora fosse quase impossível, para depois, o alívio e a felicidade serem substituídos pelo ódio ao saber que o seu pai havia sido envenenado por todos esses anos enquanto achava erroneamente que era um castigo divino. Ele jurou que iria encontrar o culpado e uma das formas era através de magia e dos Tesouros sagrados, principalmente a (Sennenbakari) Balança do ib (coração) e a (Sennenjou) Chave do Bah (alma). O primeiro para julgar o coração das pessoas e o segundo para buscar a verdade.

Os soldados pegam o genitor do monarca cuidadosamente em seus braços enquanto o rei ordenava:

- Levem o meu pai para o quarto próximo ao meu na ala real e que seja um dos melhores. Depois, chamem Sera para analisar o estado de saúde dele. – os soldados consentem, para depois, o monarca olhar para o superintendente dos guardas do palácio – Quero os seus melhores guardas para proteger e controlar quem tem acesso ao quarto dele.

- Shimon, chame Rishido ao meu escritório. Eu irei vê-lo em breve. Também chame os Guardiões dos Tesouros sagrados.

- Como desejar, Heru. – ele falava enquanto se curvava levemente, para depois, se retirar.

Então, Sera surge acompanhada do guarda e prontamente se curva a Atemu após cumprimentar Leon com um aceno de cabeça, com o jovem fazendo o mesmo.

- Me chamou, Per'a'ah? – ela pergunta respeitosamente porque estavam em público.

- Sim. Essa joia cristalizada no chão é o veneno que estava no corpo do meu pai. Pegue ele com um objeto. Não pode tocar na superfície dele com as mãos nuas.

- "Veneno"? – ela pergunta exibindo um semblante surpreso.

- Sim. Alguém o estava envenenando. Yukiko conseguiu retirar o veneno através da sua magia e curou o meu pai. Somente algumas pessoas podem ter conseguido fazer isso e pretendo julgá-las ainda hoje em busca do culpado ao usar os Tesouros Sagrados. Leve a joia para analisar o veneno. Passe no quarto onde está o meu pai para analisar o seu estado de saúde. Ele está na ala real

- Eu irei fazer isso prontamente, Nsw.

Então, ela pega com um dos guardas remanescentes a lança dele após um aceno do monarca ao compreender o uso que a jovem desejava dar ao objeto ao usar a arma para carregar a esfera.

De fato, após posicionar o metal embaixo da pequena bola, a bronzeada pega uma pedra solta para empurrá-la para cima da lâmina, aproveitando uma leve depressão na base do metal para acomodar a esfera.

- Se eu estivesse com a minha caixa médica, eu não precisaria improvisar. – ela murmurava enquanto terminava de ajeitar a esfera, para depois, se erguer, se curvando levemente ao seu rei – Eu irei cumprir agora as ordens dadas. Com a vossa licença, Nsw.

- Sera, eu desejo que todos os swnw (médicos) e outros funcionários envolvidos no tratamento e cuidados do meu pai, sem exceção, sejam levados até o Salão real. Fique a vontade para solicitar a ajuda dos guardas. Guardas, a escoltem para garantir que ninguém possa roubar essa esfera. Precisamos saber qual a base do veneno.

- Sim, Nsw-bity. – um dos guardas responde enquanto se curvava junto do seu colega.

Yuugi sente uma espécie de um pulsar dentro dele que o faz arregalar os olhos, evidenciando surpresa em seu semblante, para depois, passar a refletir sobre a sensação que passou tão rápida quanto surgiu.