Notas da autora
Yuugi sente...
Atemu está...
Yukiko decide...
Capítulo 79 – A descoberta do Yuugi
Após refletir, ele decidiu que era apenas impressão sua e decide colocar para escanteio o que aconteceu.
A expressão de breve surpresa do jovem passou despercebida a Atemu porque ele estava de costas para o seu amado enquanto decidia quais seriam as suas próximas ordens, antes que pudesse continuar com o que havia planejado porque sabia que ainda faltavam algumas ordens a serem dadas.
Então, o soberano de Kemet olha para o Superintendente da Guarda do palácio e fala:
– Coloque guardas de prontidão no local onde ficará a esfera. Ninguém entra sem a minha expressa autorização ou de Sera.
- Como o senhor desejar, Nsw-bity. – o superintendente fala respeitosamente.
- Você está dispensada, Sera.
- Obrigado, Per'a'ah. Com a vossa licença. – ela se curva levemente, para depois, sair do local, com o Superintendente da Guarda designando quatro guardas para escolta-la.
Atemu olha para a superintendente da Grande casa e fala:
- Todos os servos e escravos responsáveis pela limpeza e banho devem se apresentar ao salão real. Os cozinheiros responsáveis pelas refeições do meu pai também devem comparecer ao local. Todos que tiveram contato com ele devem estar presentes. Não será permitida qualquer exceção. Está livre para solicitar a ajuda de guardas caso seja necessário.
- Como desejar, Heru. – ela fala respeitosamente antes de se retirar.
Então, ambos os soldados se retiram escoltando a superintendente enquanto Yukiko exibia discretamente um sorriso maligno em suas mandíbulas possantes porque não contou que tinha a sua magia no item enquanto confessava que estava ansiosa para alguém tentar cometer o erro de ousar roubar aquele objeto.
Afinal, ela desejava ter um pouco de diversão.
- Se o senhor não precisar mais que eu fique aqui, eu peço autorização para providenciar o esquema de guarda para o quarto do vosso honorável genitor e para o local onde ficará o veneno. – o Superintendente dos guardas do palácio fala respeitosamente.
- Está dispensado, por enquanto. Encontre-me no salão real onde irei realizar o julgamento real.
- Sim, Nsw-bity. Com a vossa licença. – ele fala respeitosamente, se curvando, para depois, se retirar do local.
Após a saída dele, Atemu se vira para o ka de Mana e fala:
- Pode voltar para a sua mestra. Eu imagino que ela está ansiosa para saber os detalhes.
A ka consente feliz e sai flutuando na direção onde podia encontrá-la.
- Obrigado, Nms km heika (Guerreiro negro da magia). – ele agradece olhando para o seu Ka pessoal que se curva em respeito, para depois, desaparecer em uma névoa arroxeada com tons esverdeados.
- Então, eles eram Ka também. – Yuugi comenta maravilhado.
- Sim. Aquela Ka de uma jovem bronzeada com roupas diferentes era de Mana. O outro que tinha uma espécie de armadura e uma arma mágica em suas mãos era o meu ka pessoal. Além desses Ka, quem detém os tesouros sagrados pode invocar os Ka que se encontram selados nos Wedju que são placas feitas de arenito e que estão armazenadas nas paredes internas do Ueju no Shinden.
- "Ueju no Shinden"?
- É uma pirâmide construída de forma especial para abrigar as várias Pedras Wedju. Muitos Ka foram selados após serem retirados de bandidos e criminosos. Apenas aqueles que são autorizados podem manter Ka pessoais quando existe algum dentro da pessoa. Para invocar esse Ka pessoal, a pessoa não precisa ter um dos Tesouros Sagrados. Claro que uma das exigências para mantê-lo é ser capaz de controlá-lo. No caso da sua amiga, a Kisara, o ka dela é também o seu Bah.
- Tem diferença?
- O Ka é a sombra da pessoa, por assim dizer. A própria pessoa pode materializá-los se estiver consciente de sua existência e se conseguir acessá-los ou somente podem ser revelados através do uso dos Tesouros sagrados. O Bah é a alma da pessoa. Portanto, extrai-lo irá causará a morte da pessoa porque iremos retirar a sua alma junto dele. A retirada do Ka não causará danos a pessoa e muito menos, causará a sua morte. Por isso, somente extraímos se for um Ka. Extrair um Ka que também é um Bah, é realizado somente em criminosos. Como Kisara era inocente, eu não permiti a extração e fico aliviado de Seto deter controle sobre aquele dragão. A meia irmã dela também tem um Ka e Bah. Mas, conforme realizei o teste, ela o controla e inclusive, consegue manter parcialmente a consciência. Eu autorizei que treinasse Kisara para fazer o mesmo. Ela acredita que pode se fundir por completo ao seu Ka e Bah em algum momento. Algo assim seria bom.
- De fato, elas manteriam a consciência.
- O outro fator bom seria o fato do corpo não ficar desprotegido. O ser tem que se desdobrar para atacar e proteger o corpo ao mesmo tempo. Com a fusão, não ocorre esse problema e ela acredita que danos sofridos na fusão não irão afetar ela ou a meia irmã.
- Verdade.
Novamente, Yuugi sente essa espécie de pulsar e desta vez é tão intenso que ele não podia ignorar ou julgar erroneamente que não era nada, como fez anteriormente. O seu semblante exibe um misto de medo e de confusão enquanto tentava compreender o que estava acontecendo com ele.
Infelizmente, Atemu não viu o semblante dele porque estava agradecendo a Yukiko:
- Obrigado por curar o meu pai.
- Agradeça ao Yuugi. Eu fiz a pedido dele.
- Eu vou agradecê-lo também – ele se volta para Yuugi, o agradecendo.
Então, ao fazer isso, percebe o semblante preocupado do seu amado e aproveitando a ausência dos guardas porque somente o filho da Superintendente da Grande casa estava no local, ele o segura gentilmente nos ombros delicados e pergunta com evidente preocupação em seu semblante:
- O que aconteceu Yuugi?
- Eu senti algo pulsar. Ou algo assim. Eu não sei. Foi algo bem breve.
O monarca começa a vagar os olhos sobre o corpo dele, buscando algum ferimento enquanto Yukiko estreitava aos olhos ao analisar o seu amigo, usando a conexão entre eles e ao detectar o que era, suspira profundamente, para depois, falar ao mesmo tempo em que se preparava para intervir caso o monarca desejasse extrai-lo dele a despeito do que era:
- Você tem um Ka e um Bah. Eu acredito que ele estava dormente por causa da minha presença. O ato de eu usar amplamente a minha magia através de você após algum tempo sem usar, o fez despertar.
Atemu, Yuugi e Leon olham estupefatos para a albina que consente, com o rei falando ao ver a preocupação no semblante do seu amado quando ele se afasta levemente, segurando ambas as mãos contra o seu tórax ao mesmo tempo em que exibia medo nos seus olhos cuja cor envergonhava a mais bela ametista.
- Você irá retirá-lo de mim?
- Não. As regras, infelizmente, exigem que as pessoas em sua situação passem pelo julgamento dos Tesouros sagrados. Eu acredito em seu coração e âmago. Você vai passar com folga. Pelo visto, terá um treinamento adicional com a Kisara e a Nuru. – ele olha para a dragoa – Que tipo de ser ele é?
- Ele resplandece em luz e é um dragão. Eu sinto que é bem dócil e tranquilo. No momento, está dormindo dentro do Yuugi – ela olha para o seu amigo - Eu acredito que você terá que treinar como despertá-lo, também. É o que eu acho. Além disso, eu sinto que este ser possuí uma habilidade especial.
A princesa dos dragões decide relaxar ao acreditar nas palavras do monarca quando avista os seus subordinados nas suas formas felinas ao lado dele, consentindo discretamente para a albina.
- Algo assim é muito raro. Poucos os detêm e dentre os selados nos Wedju, poucos são contemplados com alguma habilidade especial. O meu Ka possuí uma habilidade especial. – Atemu fala se aproximando enquanto sorria – Isso é incrível, Yuugi.
O jovem relaxa ao olhar para as íris carmesins gentis, para depois, sorrir enquanto coçava a nuca sem jeito:
- Pode ser legal e não nego que é bem interessante. Mas, isso significará mais treino. Eu já fiquei preocupado com a minha carga de aulas com os professores conforme Mana explicava como seria o meu dia amanhã.
- Então, precisamos relaxar mais tarde. – ele fala em um sussurro rouco ao se aproximar do lóbulo da orelha do jovem enquanto dava um sorriso malicioso, fazendo Yuugi corar três tons carmesins ao imaginar a que tipo de relaxamento Atemu se referia ao mesmo tempo em que a voz rouca enviava calafrios prazerosos na espinha do ex-sacerdote.
- Eu poderia ser poupada desses detalhes, sabiam? A minha audição é muito boa. – ela falava enquanto revirava os olhos após bufar de descontentamento.
O ex-sacerdote cora ainda mais enquanto Leon se aproximava após pigarrear.
Yuugi luta para controlar o rubor enquanto observava timidamente o jovem de cabelos cor de vinho e olhos castanhos claros, que exibia um sorriso gentil enquanto se apresentava:
- Prazer, Yuugi. Eu me chamo Leon e sou um dos amigos de Atemu.
- Prazer. A sua pele é clara... É do oriente, também?
- Não. Eu herdei a pele do meu pai. Ele é de Hellas (Grécia) e teve que fugir da sua vila natal por causa das guerras civis que são usuais nas ilhas e que são motivadas pela disputa de poder e terras, como a maioria dos conflitos.
- Oh! Eu não vi você antes.
- Meu pai e eu voltamos recentemente da nossa viagem. Ficamos mais de um ano fora de Kemet. Ele decidiu visitar os seus parentes e por causa de alguns conflitos, tivemos que adiar a nossa volta.
- Mas, esses conflitos não são perigosos?
- Sim. Mas, eu detenho um Ka pessoal também e ele é poderoso, além de ter uma habilidade especial. Também tivemos uma escolta de mercenários contratados pela minha mãe. O líder desses mercenários é filho de um amigo de Akhenamkhanen no passado e que renovou amizade com Atemu. Portanto, ele é de confiança e escolheu os seus melhores homens. Acabamos trazendo os meus tios também. São os únicos remanescentes da família do meu pai.
- Qual é o seu ka?
- Vou mostrar. Eu o chamo de Fada dragão. As asas são diferentes e lembram os seres de uma ilustração de um conto que vi quando era criança. A escrita dizia que eram fadas.
Ele se concentra, para depois, surgir um brilho que fica maior ao ponto de rivalizar em tamanho com o dragão de Kisara. Quando o brilho cessa, revela um dragão azul com uma juba comprida esverdeada que lembrava fios de cabelo. O Ka exibe olhos alaranjados e uma espécie de elmo frontal que cobria o focinho e parte da cabeça. Havia duas orelhas compridas. O seu corpo era esguio e tinha dois braços compridos com mãos nas pontas contendo dedos finos. Tinha uma joia vermelha oval em cima de uma espécie de metal dourado que envolvia cada pulso e que simulava estar preso através de duas tiras douradas. O ser possuía uma espécie de armadura com ombreiras pontudas e altas que se estendia desde o seu tórax ao cobri-lo frontalmente, com uma parte esticada em forma de colar duplo que envolvia o seu pescoço comprido. Era uma armadura dourada com joias rubi ovais. Um par de asas compridas e largas, lembrando asas de borboletas com um padrão ondulante alaranjado escuro sobre uma superfície alaranjada clara com membranas finas azuladas que dividia as asas em quatro partes, brotava das suas costas.
O dragão de aparência dócil baixa a cabeça e permite que o ex-sacerdote o afague enquanto Yukiko revirava os olhos, para depois, bocejar, revelando o seu cansaço.
- Acho melhor a deixarmos dormir. – Atemu comenta com Yuugi e Leon que concordam, com este último retornando o seu ka para dentro dele.
O jovem de olhos ametistas abraça a cabeça da sua amiga e beija o topo do focinho, para depois, se despedir, seguindo o monarca que se despediu, assim como Leon que mantinha o fascínio em seu rosto ao olhar para a albina que olha discretamente para o casal de gatos, sussurrando em seguida:
- Fiquem atentos. Eu sinto que algo irá ocorrer. Não sei o que é, mas tenho essa sensação inquietante.
- Pode deixar, Yukiko-sam... quer dizer, Yukiko-chan.
- Isso mesmo. Pode deixar conosco.
Eles se curvam antes de voltarem a seguir Yuugi e após se afastarem, a albina deposita a sua cabeça em cima das suas patas dianteiras enquanto esperava que essas sensações fossem apenas impressão dela embora soubesse que a sua suposição inicial era a correta, fazendo-a suspirar profundamente.
