Notas da autora

Na Vila de Yuugi...

Yukiko fica...

A adversária revela...

Yo!

Eu peço desculpas pela demora em atualizar.

Tenham uma boa leitura.

Capítulo 82 – Batalha entre dragões

As pessoas, instintivamente, colocam os braços na frente do seu rosto e esperam pelo pior até que tomam coragem para abrir os olhos e remover os braços por não terem sentido o impacto do vento fustigante contra a pele deles.

Assim que abrem os olhos lentamente ficam embasbacados. Depois, começam a chorar de felicidade enquanto caíam de joelhos, com muitos exclamando ao verem a imensa dragoa felpuda com um símbolo de lua crescente na frente deles, no ar e que ergueu um escudo translúcido que envolveu a vila, os protegendo do vento ao mesmo tempo em que evitava maiores danos.

- A filha da Deusa da lua!

- Ela apareceu!

- Estamos salvos!

- Os Deuses ouviram as nossas preces!

O pai do Yuugi olhava estupefato para a dragoa, compartilhando da felicidade e alegria do seu povo pelo auxílio enviado pelos Deuses e conforme a observava batendo vigorosamente as suas asas no ar, encarando com fúria o outro dragão, ele ansiava poder ter algum momento para perguntar do seu amado filho porque desejava saber o seu destino. Era angustiante não saber o que ocorreu no passado e esperava que conseguisse alguma informação através da filha da Deusa da lua.

A outra dragoa sorri com escárnio para Yukiko, falando em seguida conforme a sua audição apurada capitava as falas dos humanos na vila atrás dela:

- Filha da Deusa da lua, hein? Quem diria que a princesa dos dragões que foi banida do seu mundo teria todo esse clamor oriundo de criaturas tão fracas e patéticas.

A albina rosna, para depois, falar:

- E o que alguém como você faz nesse mundo? Meus ancestrais proibiram as viagens interdimensionais a mundos que não possuem raças de seres mágicos. Somente é permitida a visita a estes mundos sobre autorização expressa da Imperatriz dos dragões.

- Vim porque desejei. Na verdade, vim em busca de vingança e consegui rastrear com muito custo a sua presença nesse mundo.

- "Vingança"? – ela arqueia o cenho direito.

- Você impediu que o maravilhoso Neo Saiba dominasse o mundo após eu descobrir como quebrar o seu selo. Ele era o meu companheiro.

- Ele foi selado há muito tempo atrás e nunca soubemos sobre a existência de uma companheira. Quando o selo foi rompido, eu destruí ele.

- Nós nos unimos alguns dias antes do seu selamento injusto há milênios, atrás.

- Garanto que injusto não foi. Ele queria erradicar todas as criaturas para deixar o mundo na visão que ele tinha sobre um mundo perfeito e acredito que isso não incluía você. Para mim, você apenas foi usada como uma salva guarda caso ele fosse selado. Você serviu a um propósito e nada mais.

A oponente ruge ferozmente e bate as asas vigorosamente gerando lâminas cortantes de vento que avançam contra a vila e contra Yukiko, que brande vigorosamente as suas asas, gerando lâminas opostas que se chocam contra as que foram enviadas. Ela anula todas elas enquanto que algumas lâminas da princesa avançam contra a dragoa adversária que é obrigada a desviar.

- Não fale mentiras! Ele me amava! Eu era tudo para ele!

- Pelo visto, a cegueira e surdez é um mal de seres que ficam tão apaixonados que se tornam cegos para tudo a sua volta. Ele nunca usou a palavra exceto. Ele incluiu todos os seres, sem exceção, segundo as palavras dele.

- Era para me proteger!

- Um monstro sádico, cruel, maligno e brutal amar alguém é novidade e se juntarmos o fato dele ter sido um bastardo manipulador, isso só torna tudo impossível. Seres assim vivem de manipular os outros ao mesmo tempo em que são incapazes de sentir qualquer sentimento bom por qualquer ser.

- Não a mim! – ela exclama dentre rosnados furiosos – Eu, Kasumi, mostrarei toda a fúria pela perda do meu companheiro. Você pagará pelo que aconteceu e após matar você, levarei o seu corpo até o nosso mundo e o jogarei na frente da sua família como o lixo que você é.

Yukiko rosna e fala, franzindo as sobrancelhas para a sua oponente:

- Pelo visto, a cegueira se une a arrogância. Acha mesmo que pode me vencer? Eu somente fui banida. Não perdi o meu status e o poder do meu clã.

- Eu sobrevivi para esse momento e pesquisei tudo o que podia sobre você.

- Saiba que não serei arrogante. Não irei subestimá-la em nenhum momento. Vou destruir você. Assim, poderá se juntar ao seu amado.

A princesa dos dragões faz alguns movimentos com as suas mãos que continham garras longas enquanto se concentrava, fazendo surgir pilastras em pontos vitais da vila. Essas estátuas eram de gelo e com o formato de dragões em posições defensivas. Havia oito deles espalhados estrategicamente.

- Vejo que deu para eles uma barreira transcendental de defesa. Uma defesa excelente e praticamente intransponível desde que o invocador não morra. Pouquíssimas magias podem provocar danos a uma barreira dessa magnitude. Após matá-la, vou caçar esses desgraçados um por um. Eu adoro o odor de medo e os gritos de desespero.

- De fato, você e aquele bastardo se combinam. É verdadeiro o ditado que fala que os iguais se atraem. Parece que você pode ser tão podre quanto aquele desgraçado.

- Você pagará com a sua vida pela morte dele e por essas ofensas! Ele era maravilhoso e sublime! Ele tinha um ideal de elevar nós, dragões, a superioridade que nós merecemos! A sua família é que é patética assim como muitos dragões por aceitarem viver em harmonia com outras raças em vez de renegá-las a escravidão! Somos poderosos! As outras raças nos devem obediência e servidão apenas pelo direito de existirem enquanto que os que se negassem a nos servir deviam ser torturados até a morte! Sobre a regência dele e do seu sonho, confiado apenas a mim por eu ser a sua amada, nós dragões estaríamos no nosso lugar de direito, acima de todas as outras raças que iriam servir apenas para escravidão e divertimento! – ela exclama exibindo uma face ensandecida de deleite e naquele momento, Yukiko apenas abana a cabeça porque a verdade nunca iria alcançar a sua adversária que acreditava ao nível da insanidade em todas as promessas fúteis e mentiras deslavadas.

Neo Saiba desejava a destruição de todos os seres vivos. Ele queria limpar o mundo de toda a escória na visão dele. Se ele tivesse tido êxito em seu plano após erradicar todos os seres, iria arrancar o coração de todos os dragões que o apoiaram, os matando, para aumentar o seu poder ao devorar os corações. Somente o poder lhe interessava além da destruição. A morte e o sofrimento traziam deleite a ele e provavelmente, não iria se limitar a aquele mundo. Iria invadir outros mundos em uma jornada de morte e de destruição. Neo Saiba era a própria encarnação do mal e da crueldade em sua forma mais pura, possuindo o dom e a arte da manipulação.

Com um último rugido antes do ataque, ela avança contra Yukiko que se esquiva do ataque, com ambas passando a voar pelo ar, com Kasumi liberando rajadas esverdeadas pelas suas mandíbulas enquanto ficava frustrada por não conseguir atingi-la.

Ela concentra os seus poderes e estica as patas, conjurando projeteis esverdeados em forma de lanças afiadas que surgem no alto como se fosse uma chuva, para depois, avançarem contra a meia dragoa que concentra a sua magia, fazendo surgir cristais azulados em torno dela em pleno ar e que avançam contra os projeteis, os anulando e no impacto de ambos, surge uma névoa mágica e sobre a surpresa da princesa dos dragões, a sua oponente surge da espécie de névoa e prontamente, Yukiko assume posição defensiva.

Começa a ocorrer golpes com as garras em movimentos frenéticos e com o movimento do pescoço da adversária como se fosse uma serpente com mandíbulas escancaradas, se movimentando freneticamente, tentando morder o pescoço da meia dragoa que desvia dos ataques, tentando mordê-la também ao movimentar o seu longo pescoço, se esquivando e atacando ao mesmo tempo. As garras de ambas se chocavam, gerando um som de impacto. Em um determinado momento, a cauda de Kasumi envolveu a cauda da meia dragoa para imobilizar o porrete devastador na ponta.

Então, a adversaria solta um rugido de dor lacerante após alguns minutos.

A cauda que havia se enrolado na cauda da princesa fica imobilizada enquanto a dragoa escamosa era tomada por uma dor excruciante ao perceber o que ocorreu ao mesmo tempo que surgia um imenso sorriso de satisfação na princesa dos dragões que aproveita para morder violentamente o pescoço enquanto movimentava as suas garras, estraçalhando o tórax da sua adversária que tem a pele escamosa e os músculos rasgados fazendo com que jorrasse um liquido carmesim que mancha a pelagem da albina e o entorno delas. Outra quantidade imensa de sangue começa a jorrar de Kasumi conforme a meia dragoa rasgava o pescoço da sua adversária com as suas mandíbulas possantes, com o sangue da sua oponente sujando a sua pelagem felpuda.

Então, de repente, aparece um símbolo mágico na junção do pescoço de Kasumi com o tórax, gerando um brilho intenso ao mesmo tempo em que surge uma onda de choque violenta que empurra a princesa dos dragões para longe do corpo da sua oponente e sobre o olhar estupefato de Yukiko, os ferimentos são curados, para depois, ela reconhecer aquela técnica mágica.

- Então, você conseguiu um selo de cura mágico... Eu imagino de quem você roubou esse poder. Poucos dominaram a habilidade de criá-lo e acredito que você não conseguiria. Afinal, a sua espécie é incapaz de possuir a habilidade para criar esse selo que é ativado quando o portador está prestes a morrer. Pelo menos, você não pode usar uma segunda vez.

Após ser curada, Kasumi olha friamente para a albina, para depois, falar:

- Pelo visto, não é sábio tentar contato físico com você. Não sabia da habilidade da sua espécie de congelar os seres que se aproximam de vocês.

- Normal. A espécie da minha mãe é um prodígio em selamento e raramente lutou ao longo da história. Muitos não conhecem todas as nossas habilidades.

- Não cometerei o mesmo erro novamente. Quanto a este selo, eu consegui roubar do criador original e depois, o matei porque ele nunca iria criar algo para mim. Era um desperdício ele possuí-lo. Nunca seria usado se dependesse dele.

Yukiko estreita os olhos e fala:

- Vou vingar o inocente que você matou. Está na hora de fazer uma limpeza muito necessária nesse mundo.

- Não cometerei o mesmo erro novamente. – ela fala e se eleva no céu, começando a entoar palavras na linguagem antiga do mundo natal delas enquanto girava os braços, concentrando os seus poderes.

A princesa dos dragões arregala os olhos ao reconhecer a técnica e prontamente, abaixa até as suas patas traseiras tocarem o solo enquanto concentrava os seus poderes ao mesmo tempo em que procurava ficar na frente da vila.

Ela começa a murmurar uma contra magia antiga, com os aldeões ficando estupefatos ao verem a quantidade de poder que emanava como uma aura em torno dela e que se expandia em forma de uma névoa, para depois, observarem em cada mão dela, uma esfera mágica que emitia pequenos relâmpagos azulados no entorno ao mesmo tempo em que pareciam sugar a névoa, com eles percebendo que emanava uma espécie de névoa do solo também e que se condensava dentro das duas esferas.

Eles não conseguiam ouvir nada do que elas falavam por causa da barreira mágica em torno da vila e que a incapacidade deles de ouvi-las foi feita propositalmente.

Afinal, Yukiko não queria acabar com a crença deles nos Deuses se ouvissem a conversa de ambas. A meia dragoa queria preservar essa cultura porque temia o que podia acontecer se tudo o que eles construíram viesse abaixo com a revelação chocante da não existência dos Deuses ao mesmo tempo em que não podia afirmar categoricamente que não havia Deuses naquele mundo.

Portanto, a princesa preferiu não se intrometer nesses assuntos.

Inclusive, esse foi um dos motivos para ter transferido temporariamente a coleira dourada. O formato era diferente e continha hieróglifos. Se o mantivesse no pescoço, poderia fazer com que os aldeões tentassem compreender o objeto e um idioma tão estranho ao deles, levando-a a suposições que poderiam se tornar perigosas em algum momento do futuro e conforme pensava na facilidade que fez isso, percebeu que poderia destruí-lo quando desejasse, fazendo com que ela sorrisse internamente com este pensamento.

Todos observam os olhos azuis dela brilhando intensamente enquanto que ao olharem para o céu, os aldeões observaram a formação de um círculo esverdeado com um pentagrama e vários símbolos irreconhecíveis que emitiam um brilho pulsante que estava posicionado em cima da dragoa escamosa que havia elevado os braços, girando os punhos, fazendo o círculo ficar maior.

Yukiko junta as duas mãos com garras no alto do seu corpo e os aldeões percebem que surge um círculo similar ao que estava no céu. A diferença estava nos símbolos e na cor que era uma mistura de azul com marrom que se mesclavam.

Eles observam que a adversária da filha da Deusa da lua flexiona os braços na frente do corpo e vira as palmas uma para outra ao mesmo tempo em que a albina fazia o mesmo.

Os aldeões se encontravam estarrecidos ao verem pequenos fragmentos de terra que começam a flutuar enquanto um leve tremor surgia no local e ao olharem para o céu, observam o céu escurecendo no entorno do círculo enquanto relâmpagos rasgavam as nuvens escuras, com o som dos trovões reverberando ao mesmo tempo em que observavam os relâmpagos formando padrões estranhos sem nunca descer em direção ao solo, com as pessoas achando estranho o fato de que as descargas elétricas no ar se concentravam apenas entorno do dragão escamoso que exibia um brilho sádico no rosto.

Eles observam a formação de anéis arroxeados nos pulsos de Kasumi e que começam a girar, para depois, ela erguer os punhos, fazendo os anéis se juntarem ao círculo e ao olharem para albina, percebem que também surgem anéis dourados que começam a rodear o pulso, com ela esticando as mãos, com os mesmos ficando maiores ao mesmo tempo em que se integravam ao círculo.

Eles observam a dragoa escamosa fazer um gesto com a mão em direção ao solo, os fazendo ficarem estupefatos ao verem a água do rio da região se elevar para o céu, para ser absorvido pelo círculo que passa a exibir a cor mesclada de azul, com roxo e amarelo. Os seus olhos treinados voltam a olhar para Yukiko, que estiva as mãos com garras na frente do seu corpo, para depois, abrir os braços, com os aldeões observando que as árvores eram absorvidas por uma espécie de vórtice ao mesmo tempo em que se tornavam uma névoa esverdeada.

A meia dragoa peluda estava preocupada porque ambas estavam executando magias demasiadamente avançadas e quanto mais elementos eram adicionados, mais difícil e instável ficava o círculo.

De fato, ela estava mantendo uma concentração enorme para mantê-lo enquanto adicionava mais elementos que agiriam como supressores ao que a sua adversária estava acumulando. Havia o problema adicional de que ela precisava esperar Kasumi revelar o elemento que usaria para conseguir um contra elemento. Isso atrasava a execução em alguns segundos. A princesa dos dragões sabia que quando ambas lançassem ao mesmo tempo o ataque mágico condensado, aquela que detivesse o maior controle venceria porque seriam múltiplas batalhas ao mesmo tempo.

Claro que Yukiko já tinha treinado a execução e até simulou batalhas contra oponentes para que treinasse a execução e o controle.

Porém, atrás dela, se encontrava uma vila e pessoas. Ambas as técnicas iriam gerar vórtices imprevisíveis no entorno e ela não queria depender exclusivamente do escudo que forneceu a eles. Havia a chance dele não suportar as ondas massivas de choque.

Portanto, a meia dragoa decidiu que iria absorver a maior parte das ondas de choque ao fortalecer o seu corpo com uma camada de gelo azul que também agia de forma regenerativa. O problema era a taxa de danos que sofreria durante o embate mágico. A princesa dos dragões não sabia se essa camada conseguiria curá-la na mesma intensidade dos ferimentos.

Porém, era melhor ter essa camada do que não ter nenhuma. Yukiko também havia decidido usar o solo para fornecer um amortecimento adicional do impacto que iria sofrer quando as técnicas se colidissem.

Afinal, ela precisava proteger aquelas pessoas e evitar maiores danos enquanto era ciente de que a sua adversária não tinha problemas com as ondas de choque destruindo todo o seu entorno.

Enquanto se concentrava para manter o círculo mágico, era ciente de que Kasumi aproveitaria qualquer brecha para um ataque direto.

Portanto, ela precisava se preparar para enfrentar qualquer ofensiva planejada contra ela.

Nesse interim, em Kemet, mais precisamente em Men-nefer (Menphis), o rei dos ladrões e seu séquito adentram na cidade.

Porém, antes que pudessem provocar o caos, um rugido reverbera pelo local e ao olharem para o céu, avistam um imenso dragão alvo e peludo sobrevoando o palácio, para depois, o seu enorme focinho se voltar para o séquito de ladrões que podiam ver a fúria nos olhos azuis da dragoa.