Notas da autora
Yukiko decide...
Os amigos de Atemu ficam...
Capítulo 83 – Invasão de ladrões
Os olhos de Yukiko brilham ao mesmo tempo em que ela exalava uma névoa na sua frente que desce em direção ao solo e conforme descia, se dividia em esferas que se tornavam bestas de gelo com asas e garras afiadas, assim como focinhos repletos de presas que pousam com intrépido no solo, na frente dos ladrões. Eles se assemelhavam a tigres que eram maiores do que os cavalos.
A princesa dos dragões também desce com intrépido no chão, levantando propositalmente uma densa nuvem de poeira, fazendo questão de bater as suas asas para levar a nuvem até os bandidos que são obrigados a cobrir os rostos enquanto ela guardava as suas asas em suas costas.
Os cavalos relincham assustados, derrubando alguns enquanto que outros conseguiram manter o controle das suas montarias.
Nesse interim, Kura e o Rei dos ladrões se afastam dos demais, se esgueirando pelas sombras. A meia dragoa percebeu pelo canto dos olhos, mas fingiu não vê-los porque sabia que Yuugi estaria seguro e que o seu dever no momento era impedir que inocentes sofressem.
Os bandidos invocam os seus Ka, com a meia dragoa arqueando o cenho ao ver os seres enquanto que alguns criminosos se afastaram da aglomeração que encarava o dragão para tentar atacar a cidade, com as criaturas criadas pela albina os perseguindo, deixando-a sozinha para enfrentar os demais ladrões que resolveram enfrentá-la por confiarem demais em seus Ka´s.
Então, antes que avançassem, com os ladrões segurando espadas e lanças também, Yukiko abre as suas asas, concentrando magia e prontamente, os varre do local, os empurrando para longe, usando magia para poupar os cavalos ao separá-los de seus cavaleiros ao mesmo tempo em que os deixava na entrada da cidade e assim que os cascos pousavam no chão, os animais corriam desembestados, visando se afastar da imensa dragoa que alçava voo para fora dos limites da cidade.
Alguns soldados a avistavam voando após exibirem um olhar estupefato ao verem bandidos e Ka´s sendo arremessados para frente por um vento intenso que não afetava as construções e eventuais pessoas nas ruas. Os ventos poderosos estavam somente focados nos bandidos.
A princesa dos dragões havia afastado eles do Sepet para evitar vítimas inocentes, fazendo com que pudesse brandir livremente a sua cauda e usar os seus poderes sem se preocupar em ferir inocentes no processo. Lutar tão perto da cidade seria apenas um estorvo para ela enquanto que sabia que os Ka dos bandidos atacariam implacavelmente e que iriam adorar provocar destruição como efeito colateral da batalha.
Após avançar alguns quilômetros à frente da cidade para enfrentar os bandidos, ela os faz cair violentamente na areia ao mesmo tempo que os seres criados por ela perseguiam os ladrões que ainda estavam na cidade. Ela tinha conexão com todos e havia ficado satisfeita ao ver que eles conseguiam lidar tranquilamente com os Ka´s.
Além disso, ela ordenou que eles não os matassem. Deveriam derrotar o Ka para que o monstro voltasse para dentro do seu criador e depois, impossibilitar a fuga deles porque sabia que seria bom aumentar o arsenal de monstros de Kemet.
Afinal, a princesa dos dragões havia percebido os sentimentos de Yuugi para com o rei daquele reino. Se de fato, Kiara e Yoru estivessem certos sobre o que o governante sentia pelo jovem conforme haviam comentando com ela, a meia dragoa sentiu que tinha a responsabilidade de garantir mais Ka´s à Kemet para que o reino ficasse cada vez mais forte, caso eles estivessem certos.
Alguns conseguem escapar das feras de gelo de Yukiko, fazendo com que os guardas posicionados na cidade tentassem enfrenta-los.
Porém, o fato de alguns deles manipularem Ka dificultava o trabalho deles.
Na mansão do heri-tep a'a (governante) daquele sepet, alguns dos residentes da mansão avistam um grupo de bandidos tentando invadir o local.
Jounouchi, Honda e Ryou estavam na casa de Mariki. Eles combinaram de se encontrar lá para comentar sobre os planos da caçada que seria realizada em alguns dias enquanto que se recordavam de quando Atemu era um príncipe herdeiro, ele conseguia fugir do palácio para viver aventuras com eles ao mesmo tempo em que reunia informações que ouvia das pessoas para passar ao seu pai, visando uma melhor fiscalização de atos e cobranças ilegais, além de impostos justos e decisões que ajudassem o seu povo no dia-a-dia, assim como na identificação de distúrbios em seus estágios iniciais e a melhor forma de lidar com eles.
Agora que era uma monarca, havia menos fugas do palácio porque ele precisava governar junto do fato de haver demandas inerentes a sua coroa junto das obrigações diárias matinais e no fim da tarde que ele tinha com os Deuses ao visitar templos e cumprir cerimônias, além de rituais específicos realizados em determinados períodos e dias. Havia também as fiscalizações de searas, criação de animais e construções, além de compromissos sociais e eventos onde era necessária à sua presença. Os amigos eram cientes eu Atemu tinha poucos momentos para relaxar e fazer o que gostava por causa de sua agenda diária repleta de obrigações e deveres, principalmente para com os Deuses.
Ademais, o monarca precisava treinar constantemente com armas, luta corpo-a-corpo e outros treinamentos envolvendo montaria com o uso de armas como o arco-e-flecha, além de treinamento envolvendo a invocação e controles de Ka durante as lutas junto do desenvolvimento do seu Bah para aumentar a sua resistência. Era o mesmo treinamento que os Guardiões Sagrados faziam diariamente, além das suas obrigações nos templos. Quanto mais desenvolviam o Bah, maior era a capacidade de invocar várias criaturas.
Inclusive, havia simulações de batalhas para exercitar a invocação e domínio sobre as criaturas invocadas.
Quando Atemu saía do palácio para ouvir em segredo o seu povo ao se misturar as pessoas simples com o uso de um manto simples e esfarrapado nas pontas, além de sujo em alguns lugares, estas saídas eram realizadas com soldados disfarçados e que mantinham distância dele enquanto que ele sempre convidava os seus amigos para participar.
Quando perguntaram ao loiro sobre o fato de Nuru não ter vindo junto dele, ele respondeu que ela estava visitando a irmã no palácio. Além de visitá-la para colocar a conversa em dia, a bronzeada havia assumido a missão de treinar a prateada no controle do seu ka e Bah, além de exercitar um maior controle sobre o dragão negro que também era o seu Ka e Bah. Havia também o fato dela treinar incansavelmente a fusão com o Ka e Bah, fazendo assim como que o seu corpo não ficasse vulnerável.
Após terminar de explicar a ausência e os planos da sua amada, Jounouchi sorve um gole do vinho que havia sido servido em taças de ouro aos convidados do bronzeado que possuía a sua própria taça.
Então, antes que voltassem a conversar sobre outros assuntos, o anfitrião franze a testa, assim como os demais ao perceberem uma comoção entre os servos, com um deles entrando na sala, para depois, se curvar a Mariki que pergunta:
- O que houve?
- Bandidos entraram na cidade. Acho que são ladrões. Nós vimos ao longe feras de gelo alada os perseguindo. Porém, alguns se afastaram e estão vindo para essa direção. Provavelmente, estão visando a mansão. Já informamos o seu honorável genitor.
Os amigos se entreolham e consentem, com os quatro saindo da sala que ocupavam para descerem os degraus após pegarem as suas respectivas armas.
No átrio da mansão, eles encontram o heri-tep a'a do sepet emitindo ordens enquanto que a sua esposa estava ao seu lado.
Então, ambos olham na direção do filho mais novo e amigos deste, com o homem falando:
- Filho! Vejo que já chegou aos seus ouvidos.
- Sim. Nós vamos detê-los.
A mulher se aproxima e fala, exibindo preocupação em seu semblante:
- É perigoso, meu filho.
- Nós temos Ka, mãe. Além disso, nós recebemos treinamento.
- Mas...
- É preciso, mãe. Muitos guardas não têm Ka.
- Mas...
- Ele está certo, meu amor. – o homem falava enquanto se aproximava da sua esposa, a abraçando em seguida – Eles tem Ka e são treinados. Nós não podemos ficar de braços cruzados. Eu já enviei um aviso aos postos de soldados espalhados pelo sepet.
A mulher suspira e consente, se aconchegando nos braços do seu esposo enquanto Mariki informava a alguns servos para prepararem os cavalos deles, com exceção do dele, para depois, todos eles se dirigirem às portas duplas da mansão para poderem sair do local.
Quando um servo avista o filho do seu senhor se dirigindo para a entrada, ele abre rapidamente as portas duplas que davam o acesso ao exterior e quando o bronzeado e os seus amigos saem da sua morada, eles invocam os seus respectivos Ka.
O de Mariki era um dragão roxo-liras com chamas que saíam da base das suas asas e da parte de trás da sua cabeça. O ka se materializou um pouco acima do seu invocador antes de rugir com fúria para os que tentavam invadir a propriedade.
Ele faz um sinal e o dragão pousa no chão, permitindo que subisse em cima dele cujas chamas só queimavam quem o bronzeado desejasse e após montar nele, encaixando as suas pernas entre o pescoço e o ombro da criatura, o Ka alça voo rumo aos céus e passa a sobrevoar os bandidos, rugindo furiosamente, fazendo com que atraísse a atenção deles que exibem olhos arregalados para a presença do dragão.
Afinal, haviam imaginado que somente os Guardiões Sagrados detinham o controle de Ka´s.
Dois deles invocam os seus Ka pessoais e prontamente, Mariki ordena:
- Os destrua!
O seu grande dragão escancara as mandíbulas e libera chamas ferozes que envolvem as criaturas dos adversários, os consumindo, fazendo os portadores caírem de joelhos enquanto gritavam de dor ao terem os seus monstros de volta dentro deles ao mesmo tempo que alguns tentavam fugir, fazendo com que o bronzeado olhasse friamente para eles antes de murmurar uma ordem ao seu dragão que consente.
O ser libera chamas vorazes que queimam as pernas dos bandidos ao ponto de fazerem eles caírem no chão porque eram queimaduras de terceiro grau, impossibilitando qualquer fuga, fazendo o mesmo com os outros dois, antes de sobrevoarem o sepet para deter eventuais criminosos.
Os outros três esperavam os seus cavalos e ao avistarem eles sendo trazidos por servos, correm até os animais e os montam.
Jounouchi, se concentra e invoca o seu Ka pessoal que se assemelhava a um homem bronzeado musculoso que usava uma armadura prateada com detalhes alaranjados que cobria o seu peitoral enquanto deixava o abdômen descoberto. Havia ombreiras, braçadeiras e caneleiras. A sua virilha era coberta por um tipo de tanga alaranjado e esfarrapado nas pontas. Havia uma capa laranja escuro nas costas que era esfarrapada nas bordas. Também jazia uma espada imponente presa as suas costas. O seu elmo era imponente ao ser composto de placas sobrepostas embaixo da parte de cima que possuía dois chifres dourados ao mesmo tempo em que na parte anterior, havia placas pontudas que se projetavam para trás. Uma espécie de cobertura de metal jazia em cima dos seus olhos. Era um guerreiro com uma presença intimidante e que estava ao lado do seu invocador que olhava furioso para a destruição provocada pelos bandidos porque alguns haviam ateado fogo em algumas barracas e casas.
Ele pega uma espada e avança junto do seu Ka contra os criminosos após fazer o seu garanhão partir a galope, começando a feri-los enquanto procurava deixá-los vivos para que fossem interrogados em busca de informações.
Ademais, havia formas piores de puni-los do que simplesmente matar. A morte era boa demais para criminosos como eles na visão de Jounouchi junto do fato de que os seus Ka´s podiam ser retirados e aprisionados para aumentar o arsenal do seu reino natal.
Afinal, todos sabiam que quanto mais Ka fossem aprisionados, melhor, para formarem uma força imensa de ataque.
Portanto, matar aqueles que possuíam Ka era impensável, fazendo com que fossem mantidos vivos para futura extração.
Quando surgia algum monstro proveniente dos bandidos, o Ka pessoal do loiro mostrava a sua perícia mortal como guerreiro, assim como a sua determinação feroz, aniquilando o Ka para fazê-lo voltar para dentro do seu invocador que era ferido de forma que impossibilitasse a sua fuga. As criaturas eram obliteradas com relâmpagos ferozes projetados pela lâmina da sua arma ou costadas no meio ao brandir a sua espada imponente que ficava nas suas cortas.
Nesse interim, Ryou invocou o seu Ka pessoal. Era um humanoide semelhante a sua aparência e coberto com um manto branco com contornos azulados, possuindo apoiado na clavícula um contorno azulado que descia para o centro envolvendo um rubi em forma de losango. Ele portava uma capa igualmente branca e um chapéu pontudo também branco caído na ponta, com um símbolo de alma egípcia na cor azul, com esta mesma cor contornando o chapéu côncavo pontudo caído na parte de trás. Ele tinha abotoadoras douradas no punho e sapatos na cor azul. Ele segurava um cajado com textura que lembrava madeira com uma joia circular ametista.
O nobre estreita o cenho e exclama:
- Ataque, mas poupe a vida deles.
O Ka consente e prontamente, concentra a sua magia na ponta do cedro e lança um dos seus ataques que possuía a forma de relâmpagos azulados contra os Ka, obliterando vários, fazendo os seus portadores caírem de joelhos, para depois, modificar os relâmpagos para uma cor dourada, amputando os membros e cauterizando as pontas.
Honda se concentra e invoca o seu Ka pessoal. Era um guerreiro humanoide com um elmo que cobria a cabeça inteira. Havia uma espada ocidental em sua fronte que fazia parte do elmo e apesar de cobrir os seus olhos, o ser podia ver perfeitamente através dele.
O guerreiro tinha uma armadura metálica com um peitoral em forma de escudo, assim como a sua ombreira esquerda que também era na forma de um escudo com uma espada ocidental embainhada presa com algo que lembrava couro e a sua outra ombreira, a esquerda, era pontuda. Em suas costas havia uma espada enorme embainhada em uma bainha de couro e que era quase do seu tamanho. Ele tinha uma placa presa a tiras que lembravam couro nos antebraços. A sua cintura era coberta com um manto que possuía faixas de pano trabalhadas na cor escura e na parte de cima, havia uma faixa retangular pontuda dourada com detalhes pretos. Havia também duas espadas presas na cintura em ambos os lados. Ele tinha joelheiras e grevas metálicas presas com tiras de couro. Em ambas as suas mãos jaziam espadas ocidentais de lâmina fina. Uma era bem mais fina do que a outra.
- Ataque, mas, os deixe vivos.
Ele acena e prontamente, avança sobre os Ka, os fatiando com as suas espadas e para o Ka de tamanho maior, ele finca as suas duas espadas que trazia em suas mãos no chão, para depois, pegar a espada maior, a desembainhando.
Então, o guerreiro avança impiedosamente contra o seu adversário, brandindo-a vigorosamente, desviando habilmente dos ataques consecutivos da boca cravejada de dentes do seu oponente, para depois, decepar a cabeça da espécie de cobra imensa, fazendo o Ka retornar para dentro do seu hospedeiro que cai de joelhos, assim como os outros que tiveram os seus Ka atingidos porque não esperavam a existência de Ka nas mãos de algumas pessoas.
Após guardar a espada imensa e pegar as duas anteriores dele, o Ka avança e corta os tendões do calcanhar de todos, os impossibilitando de andarem junto do fato de não ser um ferimento que provocaria uma perda massiva de sangue.
Por precaução, Honda usou algumas tochas para esquentar a lâmina de sua arma pessoal antes de cauterizar os ferimentos enquanto o seu Ka mantinha as suas vítimas imobilizadas.
Afinal, ele precisava deles vivos para informação e para extração dos seus Ka.
Após terminar, o moreno avança na cidade com o guerreiro junto do seu invocador, se juntando aos seus amigos e respectivos Ka enquanto avistavam ao longe, bestas com garras e presas afiadas, além de asas longas. As feras eram feitas de gelo conforme se lembravam do elemento apresentado pela dragoa, que lembrava um cristal, fazendo com que Honda perguntasse:
- O que são aquelas feras?
