Desafio 100 temas: Tema 96 – Baseada na frase "Eu te amo".

Beta: Slplima, meu carinho, amizade e lealdade forever ande ver! Obrigado amore, por mais uma vez aceitar betar uma de minhas loucuras!

Notas da Beta: Minha amiga querida!
Estou tão emocionada com esse enredo.
Senti meu coração apertado com a desconfiança de Dégel. O sofrimento e a angustia do que ficou no passado ainda o torturando, cruelmente.
As dificuldades do dia-a-dia impedindo seus lindos olhos de enxergarem um futuro ameno e repleto de amor.
A possibilidade sincera de ser feliz!
E Kardia é um fanfarrão! Um garoto de alma leve e persistente, não é?
Um grego fascinado pelos mistérios de um belo e arisco francês.
Uma trama bem idealizada e cheia de pormenores. Um encontro de dois homens completamente diferentes, mas que promete muitas emoções.
Que deslumbre!
Não vejo a hora de testemunhar a redenção desses dois cálidos corações.
Parabéns, Coelha amada!
Por me agraciar com mais essa chance de ajudá-la a dar vida a outra sublime estória de sua autoria. Estou lisonjeada!
Fique bem.
Bjocas.

Notas da Coelha: Essa fanfic ficou me azucrinando as ideias desde meados de fevereiro/2021. Eu não conseguia me concentrar para que a mesma saísse totalmente de minha caçoleta. Eu ainda não sei realmente, quantos capítulos ela terá, mas eu espero não me prolongar muito! E é muito bom conseguir voltar a escrever com Kardia e Dégel!

Saint Seiya não me pertence, bem como as imagens utilizadas para as capas dessa minha fanfic. Todos os direitos são reservados aos criadores e seus fanartistas!

Música Inspiração: The Phanton of the Opera

oOoOoOo

E ali estava aquele barulho infernal!

Todas as manhãs, inevitavelmente, o pequeno eletrônico o acordava para mais um dia de labuta.

Espreguiçando-se, o jovem engenheiro se forçava, todas as manhãs, a se levantar, tomar um bom banho, escolher roupas confortáveis, e em seguida, descer a rua, deixando seu aprazível lar para seguir direto ao café da esquina, sentar-se confortavelmente e apreciar a música ricamente executada por tão lindo ruivo.

Uma rotina nada ruim, já que a recompensa era muitíssimo valiosa!

De onde estava, podia divisar como aquele homem alto e elegante se dedicava ao seu delicado instrumento. Vez ou outra, algum transeunte lhe ofertava uma moeda, quiçá, uma cédula de menor valor, para agradecer, ou mesmo para somente ajudá-lo.

Era estranho, sim, pois o jovem artista parecia não se importar com as baixas temperaturas as quais estava se expondo. De certo, ele precisava muito daquilo, ou não estaria se arriscando a adoecer.

Voltando sua atenção para o lado o grego loiro sorriu ao avistar seu pedido sendo trazido por Kostas. O velho dono do café era muito falante, e assim como o seu freguês, também era amante da boa música; um grego à moda antiga.

- Hoje ele parece mais focado, não? – a voz levemente rouca do velhote chamou-lhe a atenção. – Eu sempre quis saber porque ele sempre está tão cedo por aqui. Você não, Kardia? – inquiriu, ao mirar o jovem lá fora e, logo após, voltar suas íris azuladas curiosas para seu conterrâneo.

- Kostas, isso é uma verdadeira incógnita! – Kardia respondeu ao sorver o café expresso, apreciando seu sabor. – Já pensei várias vezes em me aproximar, para quem sabe descobrir um pouco sobre nosso exímio musicista, mas todas as vezes que penso em fazer isso, com o intuito de conversar, ele parece notar meus intentos e acaba fugindo! Chega a ser um tanto frustrante, sabe! – bufou, contrariado.

- Eu entendo o que quer dizer! – Kostas comentou ao coçar sua barba. – Já tentei chamá-lo para que tocasse, nem que fosse sob a marquise do prédio, mas ele prefere ficar ali. Tocar naquele lugar!

E como se o ruivo pudesse escutá-los, elevou um pouco seus olhos, sem parar de tocar a melodia triste tão bem tangida com o seu violino.

Prestando melhor atenção ao jovem de longos cabelos minuciosamente trançados, Kardia pôde notar que o mesmo tinha a maçã do rosto e as mãos levemente avermelhadas, e isso só poderia significar uma coisa: ele estava ali já fazia um bom tempo.

- Kostas, você pode me preparar dois chocolates quentes com avelã, por favor? – solicitou, sem desviar os olhos do ruivo. – Ambos para viagem! – e sorriu, sendo acompanhado pelo velho.

Kardia esperava que quando saísse, o violinista não parasse de tocar e fugisse apressado, como já o havia visto fazer algumas tantas vezes. Sem desviar os olhos um minuto sequer do homem na praça, o grego quase derrubou sua xícara ao ter os copos em um suporte para viagem sendo colocados a sua frente.

O cheiro estava delicioso!

Com um sorriso decidido, colocou algumas notas na mão do dono do estabelecimento, e antes que este viesse lhe ralhar, devido a quantia ter sido maior que devia, saiu levando consigo as bebidas quentes.

Aproveitando-se que o músico estava tocando de olhos fechados, o loiro se aproximou, deixando algumas notas devidamente presas no bolso interno da case de transporte do instrumento, e aguardou, pacientemente, até que este abrisse seus olhos.

Quando isso aconteceu, Kardia sentiu-se levemente perdido. Lindas íris violáceas, algo tão profundo e que, ao mesmo tempo, parecia acalmar a alma, o miraram com intensidade. O grego gostaria de entender porque ele parecia carregar tamanha tristeza em seus belos olhos. Algo como se fossem um livro aberto!

Com um sobressalto, o violinista parou de tocar. Ele não esperava ter alguém tão próximo assim de si.

- Desculpe-me! – pediu rapidamente o engenheiro, desconcertado. – Não foi minha intenção lhe assustar! - explicou, temendo que o homem à sua frente saísse correndo.

- Tudo bem! – respondeu ao baixar o violino e segurar o arco junto ao delicado instrumento, podendo assim ajeitar melhor seu cachecol azul escuro ao redor de seu pescoço.

- Eu te trouxe um chocolate quente!

- Eu preciso ir!

Se houvessem combinado não teriam se pronunciado ao mesmo tempo. Um tanto constrangido, o ruivo mirou o arquiteto que, arqueando uma sobrancelha, deixou um pequeno sorriso a mostra.

- Ah! Por favor, não me faça uma desfeita dessas! – pediu, gracejando. – Você está aqui fora a muito tempo, então, permita-me essa gentileza por nos embalar com tão maravilhosas melodias! – usando de seu charme, o grego lhe estendeu a pequena bandeja para que este pudesse assim pegar um dos copos tampados. – Aceite! – insistiu.

Um tanto desconfiado, o jovem ruivo esticou a mão pegando um dos copos. Delicadamente, pousou seu instrumento no estojo e sentou-se no banco que estava logo atrás a uns míseros passos.

- Merci! – agradeceu, para logo lembrar que deveria falar em inglês, se corrigindo rapidamente, afinal, nem todos ali falavam sua língua natal.

- Não se preocupe, eu sei francês! – Lykourgos respondeu triunfante, ainda a lhe sorrir.

"Oui, mas é claro que ele deve saber! Dégel, non seja tão desligado!" – pensou o violinista ao quase se estapear. Era bem óbvio que a maioria das pessoas que viviam em Vancouver sabiam falar o inglês, assim como o francês, fluentemente.

Prestando melhor atenção ao homem ao seu lado, o francês não pôde deixar de notar as íris azuis claras brilhantes que também pareciam estarem o estudando minuciosamente.

Um tanto sem graça, Dégel acabou bebericando de seu copo. O gosto adocicado do chocolate, inebriando um pouco seus sentidos, e também o aquecendo, dando uma sensação gostosa ao espantar a friagem que enregelava todo seu ser.

O silêncio entre eles começava a se tornar opressor, e por mais que o engenheiro quisesse, nada lhe ocorria para dizer. Na verdade, queria tanto saber o nome daquele musicista centrado e terrivelmente garboso!

- Meu nome é Kardia! – o loiro resolveu por bem se apresentar. Afinal ele precisava quebrar aquele gelo. Notou como o ruivo lhe mirava com certa surpresa. E bem, dizem que causar um pouco pode ajudar, então, que fosse daquele jeito! Quando já achava que não conheceria o nome de seu interesse, quase caiu do banco ao se surpreender.

- Dégel Maurice Deschamps! – se apresentou a beldade de olhos violáceos entristecidos, ao estender a mão para cumprimentá-lo.

A pegada do loiro era forte, apesar de não aparentar. Tão logo as mãos se tocaram, foi como se um choque elétrico lhes percorresse todo o corpo.

De olhos arregalados, Kardia sustentou as íris que o focavam com interesse, mas que logo foram desviadas, e em conjunto, não pôde mais sentir o calor e a maciez daquela tez tão clara quanto a dele própria.

- Não é muito cedo para estar aqui fora a tocar sua doce melodia? – perguntou, mas ao notar certo desconforto da parte do violinista já era um pouco tarde para Kardia evitar aquela pergunta.

Mordiscando o lábio inferior, Dégel até pensou em se levantar, guardar seu precioso instrumento, e bater em retirada. Não gostava de falar muito de si mesmo, ainda mais quando nem bem conhecia a pessoa que estava ao seu lado. Todavia, aquilo era normal, e ele não podia ser tão ingrato aquele ponto.

Não mesmo!

- Meu avô sempre dizia que: passarinho que acorda cedo, bebe a água limpa! – Dégel comentou, já sabendo que provavelmente o outro não entenderia aquele dito popular. Assim continuou. – Eu aproveito esse horário para praticar um pouco, oferecendo o meu dom aos transeuntes. E esse horário, muitas pessoas cruzam a praça indo para seus afazeres, ou mesmo voltando para casa. – não era uma explicação que pudesse, quem sabe, satisfazer a seu ouvinte, mas realmente, ele não precisava saber toda a verdade.

- Mas nessa época, as pessoas evitam o frio... - refletiu.

- Oui! (Sim!) Mas de certa forma é um mal necessário, e as doações são sempre bem vindas! – comentou o musicista ao dar de ombros. – E sobre o frio... eu gosto muito dele! – bebericando mais um gole do adocicado chocolate quente, viu quando o loiro checou as horas em seu eletrônico.

- Desculpe Dégel, eu gostaria de poder ficar mais um pouco, mas se perder o SkyTrain chegarei atrasado no escritório. – Kardia guardou seu celular no bolso interno de seu casaco, e terminando de tomar sua bebida, jogou em seguida o copo na lata de lixo ao lado, se levantando em seguida. – Foi bom te conhecer!

- Digo o mesmo! – Dégel concordou um tanto encabulado. – Tenha um bom dia! – desejou, ao ajeitar melhor o casaco surrado que estava usando.

E claro que o loiro havia notado isso, mas já percebera que o melhor era ficar sem tecer comentários que não seriam muito bem vindos pelo ruivo, e convenhamos, falar sobre suas vestes poderia espantá-lo para sempre.

Se Kardia, realmente, quisesse estreitar os laços de amizade com o homem ao seu lado, teria que ser muito sagaz.

- Tenha um bom dia você também! E ... – mirando-o pensativo, deixou sua preocupação falar mais alto. – Não fique muito tempo ao ar livre! Não vá adoecer! – e dando uma piscadela para o ruivo, saiu assoviando a melodia executada anteriormente pelo homem já não tão misterioso.

Ao se ver sozinho, o francês terminou o chocolate quente, imitando a ação do loiro ao jogar o copo descartável no lixo. Voltando seus olhos curiosos para ambos os lados, com um suspiro resignado, se abaixou para arrumar melhor seu delicado violino, e assustou-se por ver as três notas tendo Sir Robert Borden estampado na lombada marrom.

"Mon Dieu! Trezentos dólares canadenses?" – pensou Dégel estupefato. Era muito dinheiro para ser ofertado bestamente. Claro, não que estivesse depreciando seus esforços em tocar ao relento, mas geralmente eram moedas que ele sempre recolhia de sua maleta de transporte. Não estava acostumado a receber tudo aquilo!

Tomando uma decisão, guardou suas coisas e seguiu seu caminho.

oOoOoOo

Na manhã seguinte, o frio estava de amargar, e o loiro alto estranhou o silêncio que envolvia a praça e o café logo a frente.

Ao adentrar no estabelecimento, foi interpelado pelo velho que o saudou já depositando a sua frente uma xícara fumegante de café.

- Hoje o nosso musicista se atrasou! – Kostas comentou ao acaso.

- Talvez sim, talvez não! – Kardia respondeu pensativo. – Vai ver o frio o espantou! Hoje temos poucas pessoas cruzando a praça. – mordiscando o lábio inferior em um tique nervoso, voltou os olhos para a praça, sentindo-se um tanto desapontado.

- Bem, esperemos que o ruivo volte amanhã! – Kostas deixou no ar o que havia dito, e voltando para trás do balcão, deu atenção para outro cliente.

Ruminando incansavelmente o que poderia ter acontecido com o violinista, o engenheiro tentou desviar sua atenção focando em outras coisas. Todavia, pensar em qualquer outra coisa parecia o asfixiar, e por mais que tentasse, aqueles olhos violáceos pareciam o acompanhar, como se fechando os olhos os visse nitidamente, como se estivesse ali ao seu lado.

Perturbador!

Balançando a cabeça, ajeitou uma mecha rebelde para trás da orelha, e preferiu se perder naquele delicioso café. Todavia, desejava que o ilustre e misterioso Dégel estivesse bem!

Desejava vê-lo outra vez, essa era a verdade.

Com a falta de notícias e a presença do violinista na praça, os dias foram passando e Kardia não parava de pensar no sumiço dele. Dégel era livre para ir e vir, claro, mas já havia se tornado um hábito vê-lo ali, do outro lado da rua, a executar lindas melodias apenas para ganhar uns míseros trocados.

Na cabeça do loiro, alguma coisa, uma peça estava faltando, e mesmo sem querer, Lykourgos começou a se preocupar. Não sabia nada a respeito do ruivo, mas mesmo que por poucos minutos que o tivera ao seu lado, sentia algo, um bem estar, talvez quem sabe, a tranquilidade que ele passava com suas lindas canções. Mas por mais que o engenheiro buscasse uma explicação ou motivo, era como se fosse certo querer vê-lo e aproveitar alguns minutos com tão dileta companhia.

Naquela tarde, ao descer na estação costumeira, o som suave carregado de emoções chegara até ele. Volvendo a cabeça para ambos os lados, buscou encontrar quem executava tão doce e bela melodia. Após virar para a direita, por fim, divisou deslumbrado quem já não via há vários dias.

Seu coração descompassado se agitou no peito, e não teve como controlar um suspiro de alívio escapando pelos lábios carnudos.

Algumas pessoas passavam apressadas pelo ruivo - que hoje se encontrava com as longas madeixas soltas -, mal prestando atenção, ou mesmo lhe deixando um pequeno donativo.

Observando melhor a case do instrumento, muito pouco haviam lhe deixado. Umas parcas moedas e duas míseras notas de dez dólares canadenses. Se Dégel fazia aquilo porque precisava, o engenheiro não conseguia imaginar por quais dissabores ele poderia estar passando.

Quando, por fim, o musicista fez uma pequena pausa e abriu os olhos, que até então os haviam mantido fechados, se entregando aquela execução, as violáceas íris vagaram até se encontrarem com as cerúleas que brilhavam incontidamente como se fossem pedras preciosas.

Dégel brindou-o com um pequeno e discreto sorriso, e agitando levemente a mão que segurava o arco, o convidou a se aproximar mais.

- Boa... – parou ao checar as horas no relógio da estação – noite, Kardia! – saudou-o. A voz levemente rouca, as bochechas rosadas.

- Boa noite, Dégel! Que bom lhe encontrar! – Kardia deixou que a euforia por tê-lo achado ali tomasse conta de todo seu ser. – Acabei ficando preocupado com o seu sumiço! Quando você não voltou como de costume pelas manhãs, achei que tivesse lhe acontecido algo. – disse sem se importar em esconder aquele sentimento, que até então, havia tentado ignorar, mas que ele sabia que o sufocava por não ter notícias do francês.

Arqueando uma sobrancelha, o ruivo desviou um pouco seu olhar para agradecer a um pequenino que insistia em lhe entregar uma cédula de vinte dólares em mãos.

- Merci, mon ange! – agradeceu ao se abaixar a frente do pequeno, tentando ficar da mesma altura que este. – Como se chama?

- Viktor! – murmurou o pequeno de olhos azuis, que ao violinista lembravam o mais belo mar em sua calmaria. – Quando clecê, quelo tocá ingual você! – confidenciou o menino ao inflar as bochechas por ter ouvido o pai dizendo que para aquilo ele teria de praticar mais. – Mai... mai... papa, Vitya platica dileitinho. – e segurando nas vestes do ruivo, sapecou-lhe um beijo no rosto.

- Viktor, escute seu papa, ele tem razão, pratique muito, e um dia venha tocar comigo! – sorrindo recebeu o beijo do pequeno voltando a ficar envergonhado. - Merci, Viktor! Être un bon petit garçon! (Obrigado, Viktor! Seja um bom garotinho!) – pediu ao vê-lo correr para os braços de seu pai. Acenando para eles, finalmente Dégel voltou seus olhos para Kardia.

- Pelo visto você atraí muitos fãs, não? – questionou com um sorriso divertido nos lábios. – Sua namorada deve... – parou de falar assim que notou a mudança no semblante do outro homem. Kardia sem querer havia dado um fora, e pelo visto o ruivo não lhe diria nada, ou quem sabe, com jeitinho, ele conseguiria descobrir o que havia feito de errado.

O violinista sustentava-lhe o olhar com enfado. Haviam se visto uma única vez, e nessa trocado poucas palavras, e para o sério e centrado francês, ele não havia dado liberdade para tanto. Não gostava de falar de sua vida particular, e nem do que estava tendo de suportar, e não seria agora que contaria.

Seu orgulho poderia ser um veneno para ele mesmo! E até mesmo por isso, estava disposto a abrir apenas uma brecha. Dizer a verdade nunca seria errado.

- Sou sozinho, e gosto de ser assim! – respondeu por fim Dégel. Aquilo bastaria para sanar a curiosidade do loiro. E sem mais nada dizer, voltou-se para o case de seu instrumento. Um tanto pensativo, se aproximou com calma do objeto repousado no chão logo a sua frente. Buscando entre as poucas notas e moedas por um dispositivo, ajeitou-o ao plugar um fio em pequenas caixinhas. Ao se ajeitar, mexeu em sua cintura, onde havia outro objeto que até então ninguém havia percebido, e o acionou.

Após um incomodo silêncio, que para todos ali parados pareceram horas, uma melodia um tanto funesta executada pelo que parecia ser um órgão de tubo tomou conta do lugar, e com uma delicadeza que somente o violinista parecia possuir, ajeitando o violino em seu lugar, começou a entoar uma melodia triste, mas que para ele era a que mais gostava de executar: The Phantom of the Opera!

Kardia ficou parado a poucos metros do ruivo. Havia lhe dado um pouco mais de espaço, e queria muito apreciar a boa música, mas também observar como o ruivo parecia se entregar de corpo e alma àquela apresentação. Ele não perdia o compasso e fazia as paradas devidas e voltava com maestria ao compasso. Uma peça como essa, de um grau de dificuldade como o engenheiro conhecia, afinal seu irmão mais novo tocava piano, e bem, ele compreendia um pouco das coisas, o jovem ruivo parecia ser um expert!

Dégel parecia fundir-se com cada nota musical. Seu corpo balançando levemente no compasso cadenciado imposto pela música, parecia estar se entregando mais e mais. Seus lindos olhos violáceos brilhantes e vivazes, por vezes cerrados, dando ares de um ser angelical... Ah! Um exemplar magnífico de homem! A tênue forma de um sorriso nos lábios levemente rosados.

O grego se pegou imaginando qual seria o sabor e mesmo a textura daquela boca de encontro a sua.

Se contasse a Milo, seu irmão mais novo, que havia se apaixonado à primeira vista, talvez esse o internasse em um sanatório e jogasse a chave fora, pois o bom vivant Kardia Lykourgos, havia se rendido às garras do amor.

E como pode algo assim acontecer?

Ninguém saberia dizer, e o engenheiro não buscava explicações, ele queria apenas desfrutar daquele tempo, pois mesmo querendo muito alcançar o coração daquele homem, também sabia que ele parecia ser adverso a estar mais que dez minutos falando com alguém. E o loiro havia chegado a essa conclusão apenas por tudo que já havia vivenciado.

Várias foram as vezes que Dégel havia guardado seu violino e fugido apenas por vê-lo se aproximando. A única vez que tivera o prazer de ficar com ele, seu horário fora escasso e não houve como permanecer mais um pouco. Precisara ir trabalhar! Mas não hoje, não naquela sexta a noite!

Os aplausos, bravos e vivas fizeram com que o engenheiro despertasse de seu mundinho, o impulsionando a aplaudir juntamente com os demais. Notando como o ruivo parecia agradecer um tanto timidamente enquanto muitos colocavam mais notas do que moedas, desta vez, na case ainda aberta.

Aproximando-se, Lykourgos puxou sua carteira do bolso, mas ao tentar colocar novo punhado de notas na case, como todos já haviam feito, foi obrigado a puxar a mão rapidamente para trás para evitar que a parte de madeira se fechasse contra seus dedos. Arregalando os olhos, o loiro não entendera aquela ação, e assim sendo, voltou seus olhos para o musicista bem mais que surpreso.

- Obrigado, Kardia! Agradeço sua gentileza, mas da última vez você já foi bem generoso. – Dégel falou rapidamente, tentando explicar seus atos.

- Eu achei que devia lhe dar aquela quantia. Foi um presente se assim posso dizer, afinal você alegra minhas manhãs sempre que está tocando na praça! E creio que agora também mereça, afinal, eu também o admirei como todos os outros, sua execução merece! – deu um tempo para poder pensar rapidamente se deveria dizer o que estava pensando. Com um suspiro resignado de quem havia tomado sua decisão, ele prosseguiu. – Eu não quero e nem busco ser um intruso, um intrometido, mas me sentiria feliz por alguém ter sido tão sensível, e ofertado um pouco mais, ainda mais se estiver precisando. – Kardia ainda sustentava sua carteira quando terminou de falar.

- Eu non posso aceitar, Kardia! – Dégel respondeu com seriedade no olhar.

- Por que não pode? – Kardia arqueou as sobrancelhas. Ele não esperava que o ruivo fosse alguém orgulhoso. – Esse é meu dinheiro, e faço o que quero com ele. Se eu quero lhe dar eu posso fazer isso! – comentou contrariado. – Vamos Dégel... – o loiro tentou suavizar um pouco. – Por favor, não seja cabeçudo, aceite, ou se não quer, me deixe te pagar um jantar! – pediu ao se aproximar mais do ruivo.

- Eu non estou com fome! – murmurou o francês para logo ser traído caprichosamente por seu estômago que rosnara alto.

- Creio que algo está a te trair, não? – sorrindo o loiro insistiu. – Vamos, Dégel! Eu prometo que não vou te morder! – gracejou. E ao ver o impasse do ruivo, deixou que esse guardasse por fim o violino, e assim que endireitou o corpo, estendeu-lhe a mão, esperando que o mesmo aceitasse a seu convite.

Um tanto receoso, o grego, que sempre fora senhor de si e consciente de seu charme, começou a duvidar que o ruivo a sua frente fosse aceitar a mão que estava lhe oferecendo.

Sustentando o olhar violáceo do violinista, e com um suspiro resignado, até mesmo frustrado, baixou a mão, deixando-a cair ao lado do corpo. Era muita pretensão de Kardia achar que o homem centrado, sério e desconfiado iria sair caminhando de mãos dadas com um perfeito estranho.

- Vamos, Dégel, eu não aceito muito bem um não como resposta! – o engenheiro deixou que um leve sorriso brotasse em seus lábios. Queria com isso dar um ar mais leve, tranquilo a situação por ele mesmo imposta.

- É muito longe? – Dégel, finalmente, quebrou seu mutismo ao se decidir.

- Não, não é! – o loiro respondeu rapidamente ao indicar o caminho.

Apesar das ruas movimentadas, das pessoas desconhecidas que cruzavam o caminho de ambos, o silêncio entre eles parecia sepulcral! E uma sensação desconfortável se apoderava do violinista, talvez, quem sabe, ele realmente deveria voltar atrás. No outro dia teria de levantar muito cedo, tinha de conseguir um pouco mais de dinheiro para inteirar seu aluguel, e não queria ter de se arranjar novamente pelas ruas. Também não queria se aproveitar mais da bondade do único amigo que lhe ofertara sua residência e o sofá que lhe servira de alento nas noites frias.

Não! Ele tinha de conseguir se manter! Bastava ser resiliente, corajoso e conseguir sobreviver até que a oportunidade enfim batesse à sua porta!

Perdido em seus pensamentos, Dégel quase nem se dera conta de que Kardia havia parado lhe indicando a entrada modesta do local!

Realmente, o pequeno restaurante não era muito longe do metrô. O local escolhido lembrava muito aos pequenos bistrôs que podiam ser encontrados em sua saudosa Cidade Luz, Paris!

Ao correr os olhos pelo local, o ruivo abriu um pequeno sorriso de contentamento. Bem arrumado e acolhedor, o restaurante tinha um clima ameno. A pouca clientela que se encontrava naquele exato momento parecia estar mais interessada na companhia do que ficar observando quem adentrava ao recinto. E todos pareciam ser fiéis frequentadores.

Bem, Dégel pôde constatar esse pormenor assim que o proprietário saudou Kardia com festividade, e o mesmo fez questão de os levar até uma das mesas mais próximas dos janelões que davam vista para a baía.

Aceitando o menu que lhe era entregue, o musicista observou com interesse aquele objeto, ainda mais que os sabores das mesas vizinhas chegavam até eles despertando não somente sua curiosidade, como seu apetite. Dégel não queria dizer nada, mas havia se alimentado muito pouco. Talvez devesse ser menos orgulhoso, mas não queria baixar a guarda para Kardia. A vida já havia lhe sido muito cruel para que se deixasse levar mais uma vez!

Conhecendo alguns pratos ali oferecidos, o francês acabou por deixar um tanto desconcertado ao grego. Sua escolha fora sem pestanejar! Algo simples, mas que aos olhos do loiro o deixara intrigado, o que fez com que escolhesse o mesmo que seu convidado.

A priori o engenheiro não lhe questionou nada, mas tão logo aquele prato colorido, cheiroso e saboroso chegou, ele não pôde deixar de mirar com curiosidade seu acompanhante, que parecia se deliciar com o bocado que levara a boca.

Observando atentamente a fisionomia do ruivo, Kardia sorriu satisfeito. Aquele simples prato de Ratatouille começava a despertar no grego a vontade de prová-lo e, quem sabe, assim sentir-se muito bem, como Dégel parecia estar naquele momento. E, sim, era um momento único, pois o engenheiro nunca havia visto aquele homem que sempre estava tão sério e centrado sorrindo daquele jeito. Assim sendo, curiosidade poderia muito bem ser o nome do meio de Lykourgos!

Ver o ruivo se deliciar com aquele prato o fez também querer experimentar, e sem se fazer de rogado, finalmente experimentou ao levar uma garfada a boca.

Havia se preparado para evitar fazer uma careta, visto que nunca tinha provado tal prato, mas acabou por se surpreender. O gosto simples, mas delicado da combinação dos elementos que compunham aquela maravilha pareciam derreter em sua boca.

- Hmmm... – ruminou ao degustar mais uma bocada. – É muito bom! – comentou ao mirar o outro com interesse.

- Oui, realmente, mas apesar de estar gostoso, ele nem se compara com o de minha maman! – comentou Dégel. – E até mesmo com o que sei fazer, devo dizer! – acrescentou.

- Sério? – Kardia questionou. Ele gostaria muito de conhecer melhor ao ruivo, e mal podia esperar para ter essa chance.

- Oui! – Dégel respondeu, e ao voltar seus olhos na direção do grego, um pequeno sorriso fez com que o outro ficasse mais espantado.

"Seria o primeiro, ou segundo desde que chegaram ao bistrot?" – pensou Kardia em deleite.

Até então, o engenheiro apenas vira o sorriso bonito quando o violinista conversava com o pequeno garoto na estação, e não pôde deixar de pensar que ele ficava muito bem e charmoso se soltando um pouco mais.

- Lindo! – murmurou, sem perceber que havia dito aquilo em um tom que seu acompanhante pudesse ouvir.

- Excuse-moi? (Me desculpe?) O que quer dizer com lindo? – Dégel perguntou. O jovem parecia um tanto ressabiado. Desconfiado...

- Eu falei alto, não é? – e ao ver o outro concordar com um movimento de cabeça, continuou. – Mil desculpas! – pediu um tanto sem graça. – Você deveria sorrir mais, fica muito bonito quando o faz. – completou o loiro, mas por dentro temia ser deixado ali sozinho por conta de seu deslize.

Arqueando as sobrancelhas, Dégel baixou um tanto os olhos, havia desacostumado a receber elogios daquela forma. Sabia que não poderia levar tudo a ferro e fogo, mas Kardia ainda era um desconhecido, o qual tinha de ser honesto era muito charmoso, sedutor e bonito. Mas era tudo! Deschamps havia se fechado para o amor, e jurara não se envolver amorosamente com mais ninguém.

Imerso em seus devaneios, Dégel nem percebera que não havia dito nada em resposta. Sentindo-se mal com aquilo, quando pensou em responder, não teve tempo.

- Espero que não tenha se ressentido comigo, Dégel! – Kardia argumentou ao sustentar-lhe o olhar.

- Non, em hipótese alguma! – parou um pouco para pensar o que iria dizer. – Eu apenas fiquei surpreso, mas non chegou a tanto. – respondeu ponderando cada palavra dita. Kardia não devia sofrer ataques, ou mesmo seus destemperos! Ele não era culpado por tudo pelo que estava passando; ele não era Jean-Luc! Ele só estava tentando ajudar, e talvez devesse ouvir mais o que o irmão mais novo lhe dizia, ou quem sabe até mesmo dar razão para Minos e Albafica!

- Isso me deixa aliviado, pois não quero que fique pensando coisas a meu respeito. – Kardia completou, e ao perceber o olhar temeroso, acorreu em completar sua explicação. - Não quero que pense que sou um stalker, ou algum maluco. – sorrindo de lado, continuou entre uma bocada e outra. – Posso não ter alguns parafusos na cabeça, mas sou do bem! – riu-se de si mesmo. – Apenas gosto de boa música e de coisas boas.

- E de ajudar estranhos em dificuldades também? – questionou o ruivo ao arquear uma das sobrancelhas.

- Isso também! – concordou. – E espero poder ajudar mais, claro se me for permitido! – e ao terminar de falar, aguardou um pouco para ver qual seria a reação de seu acompanhante.

Dégel apenas lhe sorriu, pois não tinha o que dizer. Havia sim, percebido que Kardia era um homem insistente, e que não o deixaria em paz. Bem, talvez, fosse hora de parar de fugir daquele loiro. Ajudar não queria dizer que o mesmo o ludibriaria.

- Vou poder? – Kardia tornou a perguntar. Queria ouvir a resposta do ruivo.

- Vamos ver... – Dégel respondeu um tanto envergonhado.

- Como assim? – sobressaltou-se o engenheiro. – Dégel eu...

- Kardia, eu aprecio o que quer fazer, mas você mal me conhece, e como sabe que eu non sou alguém terrível, alguém quebrado? – respondeu com nova pergunta ao repousar o garfo ao lado de seu prato. O violinista abriu bem os olhos para encarar ao engenheiro.

- Eu sinto... – respondeu sem titubear ao colocar a mão sobre o próprio peito e continuar. – Sinto aqui! E sei que se você deixar, podemos ser amigos. – e com um sorriso traquina, entendeu-lhe a mão por cima da mesa. – Prazer, meu nome é Kardia Lykourgos, sou grego, vim com oito anos com meus pais para morar aqui, sou engenheiro civil, estou com vinte e sete anos, trabalho no escritório de meu pai, e tenho um irmão adolescente de quinze anos. – sorrindo apertou a mão que o ruivo depositou entre a sua. Terminou a última garfada, e em seguida continuou. – Adoro música de qualquer estilo, mas aprecio muito a música clássica e a popular. Isso é uma herança de meu irmão. Ele, como você, é um musicista, só que toca piano. – sorriu ao ver o ruivo esboçar surpresa. – Gosto de conversar, viajar, de fazer novas amizades, e estar em boa companhia! Ah! Claro, minha mãe costuma dizer que sou um bom garfo, e acredito que ela esteja certa! – gracejou.

- Oui, sou obrigado a concordar! – Dégel comentou ao novamente deixar que, mesmo que timidamente, um sorriso lhe iluminou o rosto bonito. Desviando um pouco o olhar, o violinista tomou um gole de água (preferia água do que o vinho pedido), deixando que o mutismo tomasse conta daquele momento. Estava ciente de que o grego havia feito aquela longa apresentação para saber um pouco de si, e realmente ele não sabia se estava preparado para fazer o mesmo, mas não seria de bom tom deixar o loiro sem sua resposta. Bufando inconformado, balançou a cabeça, pois sua educação não permitia ser um despistado ou mesmo mal-educado.

Pensativo, o francês tentava achar um meio de não falar nada que pudesse deixar a curiosidade do grego aguçada, mas não via nenhuma saída para o seu dilema. Suspirando volveu os olhos para o relógio, ainda não era muito tarde, então, nem em sonho poderia usar algum subterfugio para poder ver-se livre do que o outro havia orquestrado com precisão.

- Prazer, Dégel Maurice Deschamps, natural de Lyon na França, formado com honra em regência pela Universidade de Música e Artes Cênicas de Viena, tenho vinte e seis anos, toco em uma pequena banda em um restaurante, durante o dia, como você sabe, aproveito para tocar em alguns lugares, sou sozinho, apesar de ter meu irmão também aqui no Canadá, ele tem a mesma idade que o seu. Vim primeiro para cá, a quase três anos, em busca de conseguir uma vaga na Orquestra Sinfônica de Vancouver, mas acabei non obtendo o resultado desejado. Adoro instrumentos de corda, e também me arrisco um pouco em instrumentos de sopro. – fez uma pausa para pensar um pouco. - Perdemos nossos pais a questão de um ano e meio, e trouxe meu irmão para cá, mas no momento ele está na residência de um amigo nosso. Ele precisa ter uma vida mais regrada do que eu. – mordiscando o lábio inferior mirou de soslaio ao loiro. O francês não queria falar mais que isso, todavia como não entrar nesses pormenores? – Sou eclético, gosto de todo tipo de música, gosto também do silêncio, de pensar e creio que sou muito perseverante. – comentou ao acaso. Havia contato o básico para o outro homem, e esperava não passar disso.

- Você tentou mais uma vez fazer audição para a sinfônica? – perguntou Kardia com curiosidade. Se Dégel tocava em uma banda em um restaurante, e precisava tocar durante o dia, significava que ele precisava complementar o seu orçamento, e aquilo o deixou preocupado, mas ele não sabia como tocar nesse assunto sem ofender ao orgulhoso homem à sua frente.

- Non tive oportunidade! – respondeu prontamente o ruivo. Era difícil para ele tocar naquele assunto, ainda mais depois que havia sido passado para trás por Jean-Luc. Não teria coragem de enviar uma gravação para dita instituição sabendo que alguém tão vil fazia parte do seleto grupo.

- Mas porquê? – insistiu o engenheiro.

– Eu prefiro non tocar nesse assunto, Kardia! – Dégel parecia incomodado aos olhos do grego. Voltando a olhar para seu digital checando as horas se agitou um pouco na cadeira. – Kardia, eu non queria bancar o mal agradecido, mas está ficando um pouco tarde, e amanhã eu acordo cedo! – a voz baixa e um tanto séria chamando mais a atenção do grego.

- Não se preocupe com isso, Dégel! – respondeu o loiro, ao mesmo tempo que fazia sinal para um dos garçons do local. Ao ver o ruivo puxando sua carteira, negou veemente com um movimento de cabeça. – Eu o convidei para jantar, não vou aceitar que gaste um só dólar por essa refeição! – Kardia tinha os olhos fixos nos do ruivo, e não parecia estar muito contente. – Não me faça essa desfeita! – pediu, e assim que viu o garçom se aproximando. – A conta, e eu gostaria da máquina para cartão. – solicitou, e sem mais esperou pelo retorno do mesmo.

Após fazer o pagamento, esperou por Dégel que ao parar ao lado dele, comentou.

- Uma próxima vez, eu pagarei! – orgulhoso! Orgulho devia ser um dos nomes de Dégel.

- Prefiro que você cozinhe e faça o seu Ratatouille! – Kardia não se fez de rogado e foi logo pedindo. Controlou-se para não rir da cara surpresa feita pelo ruivo. – Agora, para que lado fica sua casa? – questionou.

- Estou um pouco longe! – respondeu, sem na verdade dizer qual direção ficava e onde. – Mas non se preocupe, posso muito bem caminhar até o metrô e em pouco tempo estarei em casa. – mais uma vez omitindo que estava ficando em um albergue, e que metade de seu dinheiro ia para ajudar ao irmão e poder pagar pelo aluguel de onde estava ficando.

- Tem certeza? Eu posso seguir com você, e...

- Kardia, non sou nenhuma mocinha que possa ser interpelada. E ademais, se alguém tentar alguma coisa, eu non titubearei em me defender. – Dégel respondeu ao voltar a caminhar deixando que o loiro caminhasse ao seu lado.

- Bem, pelo menos podemos seguir juntos até a estação de trem! – Lykourgos comentou ao continuar caminhando ao lado do musicista.

Sem nada dizer, Dégel continuou a passos mais rápidos, e assim que chegaram próximo do portão de embarque, o francês parou para se despedir do grego.

- Amanhã te vejo na praça? – Kardia perguntou esperançoso.

- Creio que sim! – respondeu o violinista com calma. – Pense em alguma música que goste para que eu execute para você. – ofereceu Dégel.

- Pensarei! – respondeu o grego ao acenar e seguir seu caminho. Por mais que Kardia quisesse despedir-se diferente do ruivo, achou mais sensato não forçar algo que pudesse se arrepender depois. Voltando-se para olhar atrás, não avistou mais o outro homem, suspirando, seguiu em frente. Agora já sabia alguma coisa sobre Dégel, e pensou que seria interessante assim que chegasse em sua casa, poder procurar nas redes sociais algo sobre o mesmo.

Com esse pensamento, apertou o passo, desejando com fervor que a noite terminasse logo, e que ao despertar no outro dia, pudesse mesmo passar mais um pequeno tempo com o ruivo!

oOoOoOo

Lembretes e explicações:

Vancouver, uma movimentada cidade portuária na costa oeste da Colúmbia Britânica, está entre as cidades mais densas e etnicamente diversas do Canadá. Um local muito procurado para gravações de filmes, ela é cercada por montanhas e tem um próspero cenário artístico, teatral e musical. A Galeria de Arte de Vancouver é conhecida pelas obras de artistas regionais, enquanto o Museu de Antropologia abriga coleções importantes das Primeiras Nações.
Vancouver é frequentemente classificada como uma das cinco melhores cidades do mundo em qualidade de vida e habitabilidade, e a Economist a reconheceu como a primeira classificada entre as dez melhores cidades do mundo por dez anos consecutivos. No entanto, Vancouver também é considerada a cidade mais cara para se viver no Canadá e com o quarto mercado imobiliário mais caro do mundo. Em 2011, a cidade planejava se tornar a cidade mais verde do mundo até 2020. O vancouverismo é o nome dado à filosofia de projeto e planejamento urbano da cidade. ? Referência Google
Canada Line – SkyTrain: O Metrô de Vancouver é um sistema de metropolitano ligeiro da Grande Vancouver, província da Colúmbia Britânica, no Canadá. Ele usa a tecnologia Advanced Rapid Transit da Bombardier, com trens completamente automatizados que percorrem trilhas elevadas na maior parte do percurso. Em sua história, não houve descarrilamentos ou colisões.
Os 79,6 km de extensão do sistema o tornam o mais extenso sistema automatizado de trânsito ligeiro do mundo. Ele também usa a maior ponto exclusiva a trânsito ligeiro, a Skybridge , que atravessa o rio Fraser. Há um total de 53 estações, operando em três linhas:Expo Line, Millennium Line e Canada Line. - Wikipédia

A Orquestra Sinfônica de Vancouver ou Orquestra Sinfónica de Vancouver é uma orquestra baseada em Vancouver, Canadá. Apresenta-se para mais de 240 mil pessoal anualmente. Foi fundada em 1930 e se apresenta em 12 teatros. Sua residência é o Teatro Orpheum. Com um lucro de aproximadamente 10 milhões de dólares, é a terceira maior orquestra sinfônica do Canadá (ao lado da Orquestra Sinfônica de Toronto e da Orquestra Sinfônica de Montreal) realizando 140 concertos por ano. - Wikipédia

A University of Music and Performing Arts, Vienna (ou em alemão Universität für Musik und darstellende Kunst Wien), também conhecida pela sigla MDW, é uma das maiores e mais prestigiadas instituições de música e artes cênicas do mundo.
Ela tem um grupo de alunos de mais de 3.000 alunos de mais de 70 países e oferece, atualmente, 105 cursos de graduação em 24 departamentos acadêmicos. Há opções em musicoterapia, regência, música de câmara, educação musical e muito mais. – Hotcourses Brasil . /study-abroad-info/subject-info/as-melhores-escolas-de-musica-do-mundo/

The Phantom of the Opera watch?v=HfqB1Ab8MXI
Ela foi composta por Andrew Lloyd Webber, com letras escritas por Charles Hart e Richard Stilgoe, e adicional letras de Mike Batt.

Momento Coelha Aquariana no Divã:
*ouvindo The Phanton at the Opera no headphone, e arrumando a fanfic para upar nos locais de costume, a Coelha nem faz ideia que não está sozinha ao terminar de revisar o primeiro capítulo*

Viktor: Faltou uma vírgula ali! *indicando com o dedo esticado passando a frente do rosto da loira que ficando vesga olha para o lado ressabiada*

Viktor, vai começar? Eu preciso de sossego para terminar isso, e falta tão pouco, vai lá ficar com o Yuu, vai! Não começa a fazer igual ao Kar...

Kardia: Eu ouvi meu santo nome em... *prestando atenção ao enunciado da fic e arregalando os olhos* Vai projeto de iceboy! Vaza, pois ela voltou a escrever fanfics de Lost Canvas... Dégel! Você já tinha visto isso?

Ah! Mas tava demorando... Kardia, o Dedé não está aqui! E vaza que a fic não é de vocês e...

*parando de falar ao ver o platinado mostrar o nome dos casais e escutar um baque*

Viktor: Desmaiou! oO"

Kardia! Matei o rabudo!
Viktor tá vendo o que dá ser xereto! Sai já daqui ou tu vai ver o que faço com você em meus próximos projetos! *vendo o platinado correr para fora do quarto* Mereço, mas bem, antes esse bichinho de rabo torto desmaiado do que me aporrinhando! Kkkkk

Mas eu acho que matei o bicho! Kkkk
Amores, merci por quem chegou aqui! Espero que tenham gostado, e please, deixem seus comentários, afinal ficwriter feliz escrever mais.

Bjs e até o próximo!
Theka