Desafio 100 temas: Tema 96 – Baseada na frase "Eu te amo".

Beta: Slplima, meu carinho, amizade e lealdade forever and ever! Obrigado amore, por mais uma vez aceitar betar uma de minhas loucuras!

Notas da Beta: Querida amiga!
Este capítulo foi emocionante.
A cada cena, as dores de Dégel vindo à tona como ondas desaguando em meu coração. Fiquei visualizando cada detalhe desse rapaz determinado, e tão sofrido, imaginando o quanto deve ser difícil para ele passar por tanta privação e ainda ter que lidar com a maldade alheia.
Mas... tristeza e alegria mesclam-se, sabe? Pois que Kardia é, sim, a luz para esse francês teimoso seguir adiante com seus sonhos, para deixar renascer em seu coração ferido novamente o amor. E nossa! Agora sei que isso vai acontecer. Pois que a obstinação de Kardia é latente.
E não é assim que um apaixonado deve agir, afinal? Ora Dégel, acredite!
Sua escrita bonita e elegante deixa a leitura intrigante e emotiva. É impossível não ficar hipnotizado com a beleza e genialidade dessa estória.
Parabéns, amada Coelha, por mais este primor. E obrigada, sempre, por me proporcionar a chance de fazer parte disso, por poder ajudá-la um pouquinho com meus pitacos.
Fique bem.
Bjocas.

Notas da Coelha: Quando comecei a escrever essa fanfic, eu não imaginava que como musicista (sim, Coelha toca violão há mais de 30 anos) iria me colocar à prova, buscando músicas que fizeram parte de minha vida de alguma forma, fossem estas para minha formação escolar, e até mesmo musical. Confesso que tem sido um desafio por deveras delicioso, e são tantas as músicas, instrumentistas, cantores e grupos que eu amo que eu por vezes fico perdida em melodias! Vivo cantarolando, assobiando e atormentando com isso a minha irmã, mas ao mesmo tempo tem sido fabuloso viajar por essa minha louca ideia! Desculpa aí, taychan! Artistas de rua, nossos incógnitos saltimbancos, meu carinho e respeito!

Saint Seiya não me pertence, bem como as imagens utilizadas para as capas dessa minha fanfic. Todos os direitos são reservados aos criadores e seus fanartistas!

Música Inspiração: Somewhere in time – John Barry

oOoOoOo

Antes mesmo do despertador tocar, lá estava ele, com os olhos arregalados, e com a triste impressão de que havia perdido hora.

O quarto escuro era um lembrete gritante de que ainda não era hora de levantar. Sendo assim, às cegas, tateou buscando por seu eletrônico deixado estrategicamente na mesinha de cabeceira.

Bocejando, deu um leve toque na tela de cristal líquido apenas para poder clarear o display e checar as horas.

"Ótimo! Cedo demais, Dégel!" - pensou ao notar que eram duas e meia da madrugada, e poderia tentar voltar a dormir novamente. Bufou exasperado, pois aquilo estava se tornando uma constante em suas noites. O ruivo, então, deixou o aparelho no mesmo lugar de antes, e jogando as cobertas grossas sobre a cabeça, tentou conciliar o sono mais uma vez.

O silêncio do pequeno quarto só era quebrado pelo barulho da tempestade de neve que castigava os telhados e fachadas das residências. O tempo já deveria ter melhorado um pouco, mas, como sempre, tudo era imprevisível; uma nova tormenta se abatera por Vancouver!

Se encolhendo um pouco mais na cama, tentou se manter aquecido. A calefação parecia não estar resolvendo muito naquela noite, mas o que era um pouquinho de frio, não?

Dégel nunca fora uma pessoa friorenta, ele só não queria que com aquele tempo sua saúde acabasse sendo prejudicada. Mas para economizar um pouco, preferia não mexer muito no termostato do aquecedor do pequeno local. Uma conta elevada de gastos com gás e energia não seria de bom tom, ainda mais com tantas coisas acontecendo; materiais para Camus, suas próprias despesas.

As preocupações do dia a dia pareciam atormentarem a já cheia mente do musicista, e aqueles pormenores não o deixavam relaxar. Conciliar o sono novamente estava mais uma vez se tornando um tormento.

Suspirando pesaroso, Dégel se revirou na cama. Já havia perdido as contas de quantas vezes tinha feito aquilo! Deitando de bruços, abraçou o travesseiro, e tentou clarear as ideias, manter a mente em claro e, por fim, começar a relaxar.

Os fantasmas que deveriam ficar no passado, pareciam reavivados apenas por aquele fatídico encontro no metrô.

Expirou nervoso. Os olhos abertos, a escuridão o envolvendo.

O travesseiro virando um perfeito oito entre os braços!

Os lábios contritos, e o gosto amargo na boca.

Fechando os olhos com força, o francês desejou ardentemente esquecer o que havia tido de passar naquele dia, mas parecia que, por mais que tentasse, não conseguia parar de ouvir as palavras de tão vil pessoa.

oOo

O dia havia amanhecido com a neve caindo sem cessar, e mesmo com aquele clima mais frio, o ruivo já estava em pé a observar pela pequena janela de seu humilde quarto o deslizar silencioso dos pequeninos flocos esbranquiçados.

Ir para uma praça, ou mesmo qualquer outro local, seria uma tarefa humanamente inviável, e o simples pensar que perderia tempo precioso, fez com que o francês se sentisse acuado.

Dégel tinha muito com o que se preocupar, e não sair, significava menos a ganhar!

Buscando por seu celular, esquecido propositalmente sobre a cômoda, checou as horas, e contendo a respiração, abriu a mensagem que havia chegado a alguns minutos atrás.

Foi impossível conter o pequeno sorriso que se formou nos lábios levemente rosados. Kardia precisava parar de se preocupar tanto com ele, mas por mais que o musicista insistisse nisso, o grego parecia não lhe dar ouvidos e continuava com seu jeito preocupado, quiçá, até mesmo, protetor.

Enquanto Dégel pensava em como lhe responder sem soar como um ser ingrato, mais dois sinais sonoros soaram o alertando para a chegada de mais algumas mensagens. Uma delas era do loiro, mas a outra era de Camus, o avisando que na sexta feira haveria uma reunião de pais e mestres em seu colégio, e o ruivo mais velho nunca deixara de comparecer. Sentia um grande orgulho pelo caçula, e se o mais novo não se importasse tanto, até gritaria isso para que todos soubessem como o ruivinho era um bom aluno, mas assim como o mais novo dos Deschamps, Dégel também não gostava de chamar atenção. Ok! Era algo um tanto controverso, mas assim ele era.

Após responder ambas as mensagens, e tornar a observar o frio lá fora, tomou uma decisão: iria para uma das estações, e tocaria um pouco por lá.

Mesmo sentindo um pouco de pesar por não seguir para praça a frente do café de Kostas, Dégel se dignou a começar a se preparar para enfrentar mais uma longa jornada com baixas temperaturas. Todavia, naquele dia, parecia que estava sendo mais difícil deixar o pequeno quarto o qual servia como sua morada.

Dégel não sabia dizer o que era, mas sentia como se algo o impelisse a ficar, mesmo sendo ciente de suas condições.

Suspirando derrotado, resignou-se a se agasalhar muito bem, ganhando as ruas frias e praticamente vazias.

"Queria estar tomando um pouco de chocolate quente com Kardia!" – pensou ao começar a subir os poucos degraus que o levariam para dentro da estação de Skytrain.

Balançando a cabeça para poder espantar aquele pensamento, o homem alto parou a frente ao mapa férreo tentando se decidir para onde ir ao analisar todas as estações. E ele sabia qual seria sua melhor opção.

oOo

Já fazia mais de duas horas que estava na estação de Vancouver City Center, e poucas foram as pessoas que haviam parado para prestigiar sua geniosidade ao tocar. Suas vidas agitadas não os deixavam prestar atenção a um pobre musicista que buscava tentar angariar fundos para poder continuar sobrevivendo. Em sua case, muitas moedas, mas que não o ajudariam muito, nem mesmo para comprar cordas novas para seu estimado violino.

Talvez, fosse o momento de deixar aquela estação, e seguir para outro lugar.

Dégel não queria ter que usar o fundo de segurança que havia conseguido guardar graças a ajuda constante de Kardia, mas se ficasse sem poder tocar, não conseguiria se manter. Ele não tinha muito, mas nem mesmo tendo essas poucas economias, se não soubesse como se precaver, ficaria em maus lençóis!

Sem pestanejar, o francês começou a recolher as poucas doações para poder guardar seu instrumento. Imerso em seus pensamentos, sentiu um frio terrível lhe percorrer a espinha ao escutar aquela voz que não ouvia já a uns bons anos.

Ao mirar quem o observava como se fosse um rei, o musicista trincou os dentes ao fingir que não havia sido reconhecido.

- Ah! Dégel, vai mesmo me ignorar? – a voz de Jean-Luc, em tom irônico, chamou a atenção de todos que por ali passavam. Olhares curiosos, em troça e até mesmo chocados, buscavam entender o que de fato acontecia.

Ainda enojado, o ruivo fechou rapidamente sua case, e endireitando o corpo, tentou sair de perto do homem que o tinha enganado, antes que o mesmo lhe fizesse mais mal do que já havia feito!

Porém, antes que conseguisse fazer o que queria, sentiu que era contido por um agarre ferrenho em um de seus pulsos. Voltando as íris violáceas parecendo duas fendas, sustentou o olhar galhofeiro do outro homem.

- Eu non tenho mais nada que falar com você! – Dégel rosnou ao tentar se desvencilhar de seu algoz.

- Ah! Mas eu tenho! – Jean-Luc proferiu ao destilar seu veneno. – Foi você, não foi? – inquiriu, e sem deixar que o outro lhe respondesse prosseguiu. – Você contou que não era eu a executar aquela música, não é? Você me fez perder meu lugar por direito na sinfônica, não foi? Diga seu ninguém! – exigiu.

Arregalando os olhos, o ruivo puxou sua mão com toda força que tinha, conseguindo, por fim se ver livre do agarre do moreno.

- Você ficou louco? – Dégel respondeu com uma nova pergunta. – Diferente de você, eu tive uma boa criação, e mesmo você roubando minha gravação e a usando para se classificar, nunca foi motivo para eu agir como você! – proferiu o ruivo. – Se você non conseguiu se manter, foi única e exclusivamente por tua culpa, non minha! E eu posso ser um ninguém, mas sou um ninguém honrado!

- Honrado?! – gargalhou Jean-Luc. – De que te vale a honra se daqui vejo que, realmente, é um ninguém! Nunca chegará a ser alguém na vida. – riu-se ao lembrar dos sonhos que o outro tinha. – Ser um compositor famoso, a sim, claro que sim... em seus sonhos! - ironizou. E o homem alto iria dizer mais coisas, mas parou ao sentir o toque delicado sobre seu braço, e uma voz melodiosa o chamando.

- Jean-Luc! – a recém chegada chamou-lhe sem entender o que de fato estava acontecendo. – O que foi? O que está acontecendo aqui?

Aos olhos do francês, aquele jovem mulher, bem vestida e apessoada, era a nova presa de tão baixo ser.

- Não é nada, apenas um ninguém! – e tirando da carteira uns trocados, ofereceu ao ruivo.

Dando um forte tapa na mão que lhe oferecia as notas, Dégel viu quando estas voaram para muitas direções diferentes.

- Non aceito esmola de vigaristas! – rosnou. – Moça, eu no seu lugar, tomaria cuidado com quem coloco dentro de casa, pois este aí pode te levar muito mais do que seu dinheiro! – e sem esperar, marchou para longe, ouvindo os impropérios que o ex lhe proferia.

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"Eu non sou um ninguém!" – Dégel pensou, e parecia repetir várias e várias vezes a mesma coisa para tentar com isso se convencer de que ele tinha seu valor. Seus sonhos não poderiam se tornarem motivos de chacota na boca de uma pessoa sem noção como Jean-Luc.

Não mesmo!

O ruivo tinha seus méritos, e um dia, quem sabe, poderia, sim, provar seu real valor.

- Eu tenho pessoas que gostam de mim pelo que sou! – ciciou para si mesmo. – Eu tenho talento, posso chegar a ser alguém famoso! Eu posso provar o meu valor! – murmurou ao enterrar o rosto no travesseiro. O ruivo queria com isso recuperar seu amor próprio, dar-se uma injeção de ânimo.

Dégel, nunca, nunca, tinha se sentido daquela forma. Mas mais uma vez fora obrigado a passar por um dissabor ao enfrentar o veneno de uma pessoa invejosa e prepotente como seu ex-namorado.

Ele não podia se deixar abater! Camus dependia dele, e de nada adiantaria se deixar cair em uma crise de ansiedade.

Fazia tempo que não tinha uma, e não iria ser agora que aconteceria novamente!

Jean-Luc fora alguém invejoso, um musicista medíocre e aproveitador, além de tóxico, quis tirar proveito da bondade do recém chegado francês ao Canadá.

Era fato que aquele homem desprezível havia conseguido se aproveitar da situação, mas agora tudo era diferente, e Jean não tinha nenhum poder sobre o ruivo.

Não mais!

Mas também, devido a tudo que havia sofrido, Dégel estava passando por dilemas desde então. Os medos de tentar e não conseguir mais um posto na sinfônica, e deixar-se amar e ser amado.

E agora havia Kardia... o engenheiro que parecia querer cavar entre as camadas geladas para poder se infiltrar em seu ser. Em seu coração!

Sentando recostado na cabeceira da cama, o musicista fechou os olhos tentando se acalmar. Tentando conseguir silenciar seus pensamentos que o faziam entrar quase em uma espiral de pânico e incertezas.

Não poderia preocupar os amigos. Não! Em hipótese alguma poderia acordar Minos e Albafica para não se sentir sufocando, e sozinho.

Não era justo, visto que ele já aproveitava um pouco da boa vontade de ambos.

Balançando a cabeça, o musicista tentou aplacar seus pensamentos mais uma vez. Se pudesse executar uma melodia...

Queria mesmo poder tocar uma ou duas valsas em seu violino, mas Dégel sabia que se o fizesse, estaria na rua no outro dia! Seria desalojado e não teria para onde ir. Assim sendo, controlou seus ímpetos e a vontade de pegar o instrumento querido.

"Quem mandou non se interessar por piano como Camus?" – pensou o Deschamps ao se lembrar de quantas vezes havia encontrado o irmão as voltas com seu teclado e fones de ouvido a executar doces melodias, ou mesmo treinando escondido dos pais.

Bufando exasperado, o violinista deitou novamente. O jeito seria deixar as coisas para lá e ficar quieto embaixo das cobertas, pois de nada adiantaria ficar tomando friagem remoendo o que podia ou não fazer!

A única coisa que o consolava, era que no outro dia, quem sabe, estaria tocando novamente na praça, e poderia se encontrar com Kardia.

- Kardia... – murmurou para si mesmo. – Preciso parar de lembrar dele a todo instante! – cobrindo a cabeça com o cobertor, o francês tentou mais uma vez relaxar e, quem sabe, conciliar o sono.

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- Você parece acabado! – Kardia comentou ao entregar o copo de chocolate quente para o homem a sua frente. Antes mesmo que pudesse se calar, lá estava ele a lhe perguntar. – Aconteceu alguma coisa? Está precisando de algo? – com o coração desenfreado, o loiro queria saber tudo e um pouco mais, sem perceber que nem havia lhe dado "bom dia"!

- Bom dia para você também! – Dégel grunhiu ao sustentar-lhe o olhar, mas aceitando o copo com a bebida fumegante de bom grado. – Merci! – agradeceu ao sorver um gole se deliciando com o doce da bebida que lhe aquecia os ossos enregelados.

Desviando o olhar um pouco, o ruivo tentou com isso não se deixar ser estudado pelo outro, que parecia querer com suas íris cerúleas desvendar-lhe até o mais bem oculto segredo!

Arqueando as sobrancelhas, o grego tentou entender o que estava acontecendo. Dégel já não vinha sendo tão arredio consigo, bem, há algum tempo. Se viam quase todas as manhãs, já haviam passado daquela coisa de "não quero te contar", e bem, era estranho encontrar o musicista hiper fechado em sua redoma, perdido, quiçá, ensimesmado, e tentando mais uma vez se proteger do que quer que fosse.

- Dégel, sabe que respeito muito seu silêncio, e se te perguntei o que estava acontecendo, é por que me preocupo contigo! – ciciou Kardia ao também desviar o olhar para outra direção. Querendo ou não, estava envergonhado. Se Milo o visse! Ah! Estaria perdido!

- Non foi nada! – respondeu em um fio de voz o de olhos violáceos.

- Ok! Entendi! – o engenheiro voltou seus olhos para sustentar as íris cansadas do homem ao seu lado.

Desviando o olhar mais uma vez, o ruivo tomou mais uma boa golada do chocolate, e logo após se livrar do copo no lixo, pegou seu violino e o arco para sentar novamente.

- Qual música quer ouvir hoje? – perguntou Dégel afim de mudar o assunto. O loiro não precisava saber o que lhe havia acontecido.

Piscando algumas vezes, Kardia mordiscou o lábio inferior. Estava indeciso, e tinha pensado em várias músicas, mas todas não eram tão alegres. Assim, sem muito pensar, lembrou que gostava de ouvir o irmão tocando músicas de Paganini.

- Que tal uma a seu gosto de Niccolò Paganini? – com um sorriso desafiador, sustentou os olhos do ruivo.

Com um sorriso de lado, o Deschamps ligou as pequenas caixas acopladas em seu case, e mexendo em algo em seu bolso, deixou que a melodia alegre de Carnaval di Veneza desse início.

Era maravilhoso vê-lo se entregar as melodias que executava com primor, e daquela vez não estava fugindo a regra.

Quando os olhos de ambos se encontravam, o coração do pobre musicista parecia acelerar. Sentia o rosto em chamas ao ser mirado com tanto fervor, admiração.

Fechando os olhos, Dégel não pôde avistar o desapontamento do grego, que gostaria que o outro tivesse continuado com os olhos abertos.

"Lindo!" – pensou Kardia ao sentir seu coração acelerar mais um pouco. Com um leve suspiro, se esticou todo para deixar algumas cédulas na case do violinista, sem que este notasse o montante.

Sem saber o que poderia estar atormentando ao ruivo, o grego achou que um pouco a mais do que sempre deixava, poderia somar, ajudar de alguma forma.

- Bravo! – Kardia bradou assim que o ruivo havia terminado de tocar. – Simplesmente magnífico! – completou, ao bater palmas. – Ainda acho que você deveria de fazer novo teste quando a sinfônica abrir novas vagas! – comentou ao acaso, sem se importar que o outro movia a cabeça negativamente. – Um dia te faço mudar de ideia! Um talento como o seu não deve ser desperdiçado nas ruas ou em bares! – ponderou ao se levantar.

- Non sei onde você vê tudo isso em mim! – ciciou Dégel não esperando ser ouvido pelo outro. – Sou um inútil, um ninguém! – completou ao bufar entristecido.

- Como? – Kardia voltou-se para o ruivo com o olhar estarrecido. – Nunca se menospreze assim, Dégel! – pediu ao sustentar-lhe o olhar – Você é talentoso, um ser de luz com um dom perfeito! Preste mais atenção em você! – ordenou o engenheiro. – Você transpira música! Acredite, muitos dariam tudo para tocar como você o faz, e se alguém teve a audácia de dizer isso a você, de te fazer acreditar em algo assim, esse alguém é um cego, ou melhor, esse alguém nunca te conheceu verdadeiramente, e morre de inveja por não ser como você! Por não ter o teu talento! – o grego havia se inflamado. Era incrível como pessoas tóxicas podiam fazer estragos na vida dos outros!

Era inadmissível!

- Você non entende, non é nada disso! – Dégel tentou rebater.

- Ah! Dégel... essas falas... essa coisa toda não partiu de você! – Kardia retrucou. Ele sentia que algo havia mexido com o emocional do ruivo, e se ele descobrisse quem fora, ah! Ele iria mostrar quem é o inútil, o ninguém! – Quando te conheci você, nunca havia usado esses termos para si! Você não é assim...

- Como você pode saber como eu sou? – atalhou Dégel ao se irritar. – Você non sabe se non sou um louco, um psicótico! – bufou ao pegar o violino com o arco para colocá-los no case.

- Eu sei que você não é nada disso! – respondeu o engenheiro com convicção, e rapidamente. – Você é uma pessoa focada, um tanto fechada devo dizer, mas sensível. Tem um coração de ouro, e me cativou... – deixou escorregar entre o fervor do momento. - Você é meu amigo! – tentou concertar o que já havia dito. Talvez não fosse tão tarde, ou seria?

- Tem certeza disso? – Dégel mirou-o com ironia, mas sentindo seu coração acelerado. Ele havia escutado direito? Ele cativara aquele homem, aquele ser de beleza ímpar? Não podia ser... ou seria? Balançando a cabeça prestou atenção ao que o homem lhe dizia. Não poderia se perder em seus devaneios. Não agora!

- Sim! – Kardia mirou-o com suavidade, mas ao mesmo tempo, severo. – Para se ser amigo, não é preciso se estar sempre presente! Para se ser amigo basta ser, e estar, quando necessário. Sua índole é boa e honesta, prova disso é sempre que quero te ajudar financeiramente, você sempre quer que eu deixe menos do que você merece! – suspirando, o loiro se aproximou, invadindo o espaço pessoal do musicista. Com um gesto lento para não o assustar, ajeitou uma mexa rebelde de cabelos acobreados atrás da orelha de Dégel. – Você não é um ninguém, Dégel! Seu irmão não acha isso, e eu também não! – e antes que o francês pudesse dizer alguma coisa, Lykourgos sapecou-lhe um leve roçar de lábios. Algo como o bater das asas de borboletas. Como não houve rechaço, um sorriso lindo iluminou o rosto do loiro. – Eu tenho de ir! – e mais uma vez, sem dar tempo de ação para o outro, ele o deixou.

- Kar... – Dégel chamou. – Por quê?

Voltando para olhar para o outro, mirou-o com curiosidade.

- Porque eu quis! – sorrindo, deu-lhe uma piscadela, e se pós a caminho.

Confuso, Dégel ficou observando até que o grego sumisse de sua visão. Tocando com a ponta dos dedos os lábios, deixou que um pequeno sorriso abobalhado surgisse para iluminar o seu dia, afinal, após a tempestade sempre haveria a luz!

Sentindo-se observado, voltou seus olhos para o lado do café, e surpreendeu-se ao ver Albafica do outro lado àquela hora da manhã.

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- Então, aquele é o tal loiro que você nos falou da última vez que nos vimos? – Albafica perguntou ao mirar o ruivo sobre a borda da xícara de chocolate quente que levava aos lábios naquele exato momento. – Ele é bonitão! – gracejou ao notar como o amigo estava vermelho apenas pela troca de assunto.

- Non mude de assunto, Alba! – resmungou Dégel começando a se sentir incomodado. – Estávamos falando de você estar para esses lados nesse horário. – o ruivo mirou o loiro com desconfiança.

Com um riso de lado, Albafica ajeitou melhor seu cachecol azul escuro no pescoço, e revirando os olhos, continuou.

- Já disse... – começou como quem não quer nada. – Vim procurar uma loja de instrumentos musicais para encontrar uma nova palheta para meu clarinete. A loja que costumo comprar não tem mais o modelo que uso, e descobri que nesta posso achar o que busco. – explicou com muita calma, como se estivesse falando com uma criança pequena. – Eu juro que não vim lhe espionar!

Revirando os olho, o francês bufou impaciente.

- Vou fingir que eu acredito em você! – remediou o musicista, que logo se calou ao ver a palheta de madeira do clarinete quebrada. – Bem, se quiser, posso ir procurar contigo! – Dégel ofereceu.

- Oh! Seria muito bom! – Albafica se animou um pouco. – Seria como nos velhos tempos de universidade, não? – sorrindo mirou de lado, observando no expositor pedaços de bolo caseiro que de longe pareciam apetitosos. – Eu não tomei café direito essa manhã, aceita me acompanhar em um pedaço de bolo? – e antes que o ruivo lhe respondesse, o loiro se colocou de pé, seguindo na direção do balcão e voltando em seguida. – Muito simpático o senhor Kostas, não? Ele ficou de nos trazer mais chocolate quente! – informou ao colocar um pratinho com um generoso pedaço a frente do amigo.

Arqueando uma das sobrancelhas, Dégel sorriu de esguelha. Certas coisas pareciam que nunca iriam mudar, e uma delas estava ali, sentado bem a sua frente, e respondia pelo nome de Albafica.

- Sim, o senhor Kostas é um homem muito gentil. – comentou ao acaso. – Por várias vezes ele já me chamou para tocar utilizando a marquise de seu estabelecimento, mas eu prefiro ficar na praça.

- E tem sido bons dias para você? – Albafica mirou-o com preocupação. – Tem feito muitos dias frios, eu espero que você não esteja se arriscando demais. Camus ficaria muito triste se você acabasse por adoecer. – sutil! Sutil como um elefante em uma loja de cristais.

- Por incrível que possa parecer, sim! – Dégel não titubeou em lhe responder. De nada adiantaria tentar esconder as coisas de um de seus amigos mais leais. Quando pensou em lhe contar o que havia passado no dia anterior, se conteve, pois o loiro parecia querer lhe dizer mais alguma coisa.

- Aos meus olhos não vejo isso, Dedé! – Albafica o chamou por seu apelido carinhoso. – Você está com olheiras profundas, e parece um tanto arredio. Bem, foi isso que pensei ao lhe ver hoje mais cedo, e não, não me venha com enrolação, ou querendo dizer que está tentando não sentir nada por aquele deus grego o qual lhe vi roubar um beijo. – astuto e perspicaz. – E eu creio que não foi ele que o deixou desse jeito!

- Realmente, non foi ele. – começou o violinista pensativo. – Eu sinceramente non sei o que será daqui para frente, você melhor do que ninguém sabe que non quero mais envolvimentos amorosos, e non... – levantando a mão direita, fez um gesto para que o amigo esperasse ele terminar de falar. – Eu non quero me envolver, mesmo sabendo que talvez aquele grego tenha feito uma rachadura em minhas muralhas. – confessou ao baixar os olhos.

- E que mal tem nisso, Dégel? – Albafica parecia estarrecido. – Ninguém merece ficar sozinho, e ninguém é igual ao Jean! Você não pode se privar de nada por conta de um babaca cretino que te roubou sua melhor apresentação para conseguir uma vaga na Orquestra Sinfônica de Vancouver! – ranhetou. O clarinetista revirou os olhos. – Se eu pudesse, se eu o encontrasse por ai, eu juro que Jean-Luc iria pagar com sua alma por tudo que te fez!

- Perdeu a oportunidade de poder fazer isso ontem! – Dégel deixou escapar, e tão logo notou que o amigo arregalava os olhos em surpresa, não teve mais o que fazer, Albafica não o deixaria em paz se por ventura decidisse não lhe falar nada. Dessa maneira, esperou apenas que Kostas deixasse as novas xícaras com a bebida fumegante de ambos. – Merci, Kostas! - agradeceu, começando a contar a respeito do que tinha tido de passar com o encontro ocasional que tivera com Jean.

- Ainda bem que Minos e nem eu estávamos juntos contigo! – grunhiu Albafica. – Realmente esse ser pensa que é a última bala do pacote, não é? O suprassumo! Ah! Como eu queria que você não tivesse tido que passar por isso, mas ainda bem que também esse seu grego parece te conhecer bem! – suspirando um tanto aliviado, bebericou um pouco da bebida quente, e mordiscando o lábio inferior, voltou os olhos para o ruivo. – Ouça, Dégel, esse Kardia parece não querer o seu mal, assim espero que você o deixe entrar em seu coração gelado! Não deixe essa oportunidade que a vida está lhe dando passar. – pediu.

- Um pouco cedo para pensarmos nisso! – ponderou o violinista.

- Como cedo, Dégel? Vai esperar que esteja um velho senil e babão para dar oportunidades para si mesmo de amar novamente? – Albafica perguntou ao finalmente perder a paciência.

- Vamos ver... – retrucou.

- Eu não aceito isso, Dégel, e creio que Camus também iria querer o seu bem! Seu irmão se importa contigo, e seria muito bom que você começasse a dar razão para o que diz esse engenheiro, e pense com carinho em enviar nova apresentação para que seja julgada pela banca da orquestra sinfônica. Não se deixe abater pelo que aquele cretino lhe disse ontem! Você é muito melhor do que tudo o que ele disse! – suspirando, voltou seus olhos para o balcão, onde pôde ver o dono do local disfarçando ao secar algumas xícaras e copos.

- A vida é minha, Albafica! – devolveu Dégel ao baixar a cabeça.

- Ok! Está bem, a vida é totalmente sua, mas não o quero depois chorando por perder oportunidades por puro orgulho, seu cabeça dura teimoso! – revirando os olhos, Albafica se levantou ao terminar de comer e beber, para ir pagar a conta, mesmo que depois escutasse do ruivo que ele queria ajudar com a conta. – Obrigado, senhor Kostas, estava divino! – agradeceu.

- Sempre que quiser, um amigo de Dégel, é nosso amigo também! – gracejou o velho grego, para logo ver os dois saírem juntos de seu estabelecimento.

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O sol já começava a se pôr, e lá estava ele, mais uma vez, parado em um ponto mais tranquilo, mas de passagem constante de pessoas, esperando mais um dia passar e que tudo em seu interior, que diga-se de passagem, encontrava em perfeito redemoinho, se acalmasse.

Tocar sempre fora seu tudo, seu porto seguro quando nada parecia querer entrar nos eixos. A música lhe acalmava a alma, fazia viajar quando não conseguia esquecer seus problemas, e até mesmo quando se sentia acuado!

O som limpo e perfeito das notas executas para cada melodia, o guiava para um mundo totalmente diferente daquele em que tinha seus pés firmemente aterrados ao chão.

Ao sentir um puxão em sua jaqueta, voltou seus olhos para baixo, sem parar de executar a melodia, e sorrindo viu seu pequeno fã, com uma case nas costas. Sorrindo, o francês terminou a melodia e agradeceu aos poucos aplausos e as ofertas de valores que colocavam na case de seu instrumento.

- Olá, Viktor! – cumprimentou ao pequeno, que hoje, mais uma vez, se encontrava com seu pai.

- Bonsoir, Dégel! – saudou o platinado. Já havia virado um pequeno costume o jovenzinho se aproximar e conversar com o violinista. – Hoje Vitya teve aula, e aplendi a tocá mais uma musiquinha! – contou eloquente.

- Verdade? – perguntou o ruivo. – Fico feliz, e o que aprendeu dessa vez? Já está tocando alguma rapsódia? – gracejou ao dar-lhe uma piscadela.

- Vitya ainda não aplendeu lapisódia, Dégel! – o pequeno sorriu.

- Ah! Que pena, mas como eu disse, um dia combinamos e tocaremos juntos! – e olhando para o responsável pelo pequeno sorriu mais uma vez.

- Ah! I hojeee? – perguntou ao voltar os olhos do ruivo para seu pai.

- Vitenka, hoje não! O monsieur Dégel deve estar um tanto ocupado, a não ser que ele queira e possa. – respondeu ao mirar o musicista.

O pequeno, inflando suas bochechas, mirou mais uma vez do pai para o ruivo, e esperou um pouco.

- Hmm... o que você sabe tocar sem auxílio de partitura, Viktor? – perguntou ao se ajoelhar ao lado do pequeno.

Com um sorriso feliz, o pequeno colocou seu case no chão, e ao pegar seu violino e o arco, se aproximou mais do homem ao seu lado, e cochichando algo, viu quando este lhe arregalou os olhos.

- Uou! Temos um pequeno prodígio aqui! – gracejou ao desalinhar os cabelos do menininho. – Com sua idade eu também já arriscava tocar muitas músicas clássicas como você.

Ficando em pé, Dégel fez sinal ao platinado para que testassem a afinação de ambos instrumentos, e assim que os ajustaram mirou com carinho ao pequeno violinista. Com um movimento espelhado, ambos empunharam seus violinos começando a tocar juntos de Paganini o tema de Witches dance.

Sorrindo enternecido, o pai coruja do pequeno Viktor começou a filmar o filho e o jovem ruivo tocando juntos, e era possível captar a felicidade do platinado por poder estar acompanhando um musicista que ele aprendera a gostar.

Balançando no compasso da música, o francês voltou seus olhos admirados ao perceber que o pequeno havia acertado até mesmo as partes que ele pensara que este não iria conseguir executar. Ao finalmente terminarem, as palmas os saudaram, e ensinando ao mais novo, mostrou como se curvar com graça para agradecer.

- Dégel... Vitya gosto! – o pequeno se pendurou na perna do mais alto que o içando como pôde, o abraçou, recebendo um beijo estalado em seu rosto.

- Eu também gostei de tocar contigo, Viktor. Uma próxima vez podemos tocar de novo! – o ruivo falou ao depositar a criança no chão.

- Obrigado, monsieur! – agradeceu o platinado mais velho.

- Non precisa agradecer! Eu que agradeço por poder fazer um dueto com seu filho. Ele me lembrou quando eu tinha a mesma idade dele. Em meus cinco anos, é isso? – e ao ver pai e filho concordarem com o que ele falava, continuou. – Eu já me arriscava como Viktor. Pequeno, nunca desanime, e sempre que precisar estarei aqui para podermos nos divertir tocando!

- P'omete? – perguntou ao terminar de guardar o violino.

- Claro que sim! – e ao voltar os olhos para as pessoas ainda ali, notou íris cerúleas que o seguiam sem cessar. Escutando o que o pai do pequeno violinista lhe dizia, pescou seu celular e em poucos minutos uma cópia do vídeo dele e Viktor era lhe enviada. – Posso postá-lo em meu acervo? – perguntou, e ao ter a resposta positiva, pediu para que a conta pessoal do mais velho lhe fosse passada para que pudesse lhe marcar. – Viktor, continue assim, quem sabe um dia nos encontremos em uma sinfônica, non? – comentou.

- Oui! – concordou o pequeno ao ouvir o pai, e se despedir do francês.

- Ao revoir, mon ami! – respondeu ao notar que uma senhora se aproximava um tanto envergonhada, e lhe solicitava uma música dizendo que ela e seu marido gostavam de a escutar juntos nos finais de tarde. Balançando a cabeça, concordou em executá-la.

Ligando o dispositivo em sua cintura, digitou alguma coisa, e em poucos minutos o som de um piano pôde ser ouvido, bem como o violino acompanhando delicadamente ao primeiro. O som triste da melodia transportando a quem passava, e ao casal de idosos, para um tempo esquecido. O passado não tão distante, onde coisas boas foram idealizadas, onde amores nasceram e se enraizaram no peito dos amantes.

De olhos fechados, o musicista não queria imaginar nada. Dégel queria apenas se entregar aquela execução, e agradar aquela senhora e a seu esposo.

Quando finalmente ele encerrou, deixando o arco deslizar lentamente para o lado de seu corpo, o Deschamps deixou que o rubor de suas bochechas fosse apreciado por todos, incluindo Kardia, que desviava das pessoas que até então não tinham deixado nada para o ruivo, apenas para se aproximar.

- Magnifico! – comentou ao parar a poucos metros do homem a sua frente. – Adorei seu dueto com o pequeno platinado! E mais ainda essa última música!

- Merci, Kardia! – Dégel respondeu envergonhado.

- Você já está indo? Hoje não tem de ir para o seu trabalho? – perguntou o engenheiro interessado em saber se poderia fazer o que queria.

- Me desculpe, Kardia! Hoje non posso sair, realmente daqui eu vou para casa e mais tarde irei para o meu trabalho. Hoje é dia de tocar um pouco! – Dégel o mirou um tanto desapontado por sem querer frustrar o que quer que o loiro queria com ele.

- Então, será que você me permite ir até seu local de trabalho? – perguntou, e rapidamente completou ao perceber que este se surpreendia. – Claro que para aproveitar para conhecer novos lugares, e poder apreciar a boa música.

- Eu non sei se você iria gostar do lugar, Kar... – pensativo, o ruivo começou a querer arrumar uma desculpa.

- Como você pode saber? – questionou sem titubear. – Me deixe decidir se vou gostar ou não? – insistiu, ao reparar em como o musicista começava a recolher o que havia recebido e guardar seu instrumento. – Vamos, Dé!

- Eu non vou poder lhe dar atenção. – comentou ao perceber que já havia perdido a batalha contra o grego, que lhe sorria abertamente.

- Tudo bem, eu não me importo! Mas eu posso pagar uma bebida, ou suco, o que seja para o musicista quando este termine seu tempo, não? – sorriu, um sorriso enamorado, quiçá, um tanto pidão.

- Vamos ver! – Dégel sorriu de volta, um sorriso pequeno, mas que para Kardia parecia como um farol a iluminar-lhe a noite! – Eu te passo o endereço via mensagem!

- Promete? – Kardia fez seu melhor olhar de cãozinho sem dono.

- Ah! Mon Dieu! Eu prometo! – revirando os olhos, o violinista tentou escapar de um confronto maior, mas tendo sua mão esquerda segura, ficou como um tomate ao receber o beijo nos nós dos dedos.

- Nos vemos mais tarde, violistís mou! – e sem esperar, seguiu pelo lado contrário ao que o francês começaria a seguir.

Dégel ficou ali, estático, observando aquela figura estonteante ir embora. E percebeu, emocionado e com lágrimas nos olhos, que já estava com saudades dele.

oOoOoOo

Lembretes e Explicações:

Niccolò Paganini (Gênova, 27 de outubro de 1782 — Nice, 27 de maio de 1840) foi um compositor, guitarrista e violinista italiano. É considerado o maior violinista da história, e um dos mais importantes expoentes da música do romantismo.

Continuador da escola italiana de violino de Pietro Locatelli, Gaetano Pugnani e Giovanni Battista Viotti, Paganini é considerado um dos maiores violinistas de todos os tempos, tanto pelo domínio do instrumento como pelas inovações feitas em particular ao staccato e pizzicato. Dotado de uma técnica extraordinária, suas composições eram consideradas impossíveis de serem tocadas por outros violinistas (ele tinha dedos excepcionalmente longos e era capaz de tocar três oitavas em quatro cordas em uma mão, um feito extraordinário mesmo para os padrões de hoje). – by Wikipédia

Carnavele di Veneza (N. Paganini) - watch?v=SVQzIZ-rqmI

Theme from "Witches' Dance" (N. Paganini) -
watch?v=Omc18LgciHA

Somewher in time - Chee-Yun
watch?v=rouikTf2qWs

Violistís mou – segundo o Google Tradutor, quer dizer meu violinista em grego

Momento Coelha Aquariana no Divã:

*ouvindo Carnavale di Veneza enquanto arruma a fic para colocar no ar*

Kardia: Você viu Dedé? *apontando para a loira com o headphone de Gatinho ouvindo música clássica executadas por David Garrett* Aquele violinista que ela gosta, é?

Dégel: Oui, é um dos que ela gosta. Qual o problema? Ela só pode gostar de loiros iguais a você? *riso de lado*

Kardia: Claro que não... ela pode gostar de quem quiser... Afinal, ela pode né? Voltou a conseguir escrever em meio ao reboliço que se encontra o emocional dela, não é? * e dando uma piscadela atrevida para o aquariano* E bem, veja você, ela já está nos aproximando mais na fic! E eu que achava que ela iria fazer demorar mais.

Dégel: Eu não ficaria tão feliz se fosse você! Sabes muito bem que ela escreve conforme a maré. Hoje isso, amanhã ela pode mudar tudo...

Kardia: Ah! Mas ela não é nem louca!

Como é? *tirando os fones para poder escutar melhor* Ah! Mas é muito prepotente... Escrevo o que quero, seu cretino de rabo torto! E vaza já para lá. Evite que eu fique com gastura e tome medidas drásticas. *apontando para o capítulo novo da fic, e vendo o loiro deitando língua* Ah! Mas que audácia! *jogando uma almofada* Vai, vaza !

Aff... Perdão a quem chegou aqui, mas esse bichinho se acha!
Obrigado pela paciência, por não desistirem de meus projetos e de mim! A vida por vezes nos prega peças terríveis, e a gente que lute, né? Mas vamos seguindo! Espero que gostem desse capítulo novo, e se sim... me digam o que acharam.

bjs

Theka Tsukishiro