NOTAS DO AUTOR:
Yooo!
Eita que lá vem bomba! Se preparem!
Nesse aqui temos ação e um pouco de movimentações políticas, afinal não é só de ação que se vive, não é mesmo?
Vamos só ver uma Sakurinha ficar bipolar nesse cap! Kkkkk
Uma parte desse capítulo traz algo muito importante. Tenho certeza de que esse é um capítulo muito esperado por vocês, um dos muitos esperados, na verdade rsrs
Vão lá! Boa leitura!*~
CAPÍTULO 10
REALIDADE DISTORCIDA
Pain realmente não lhe direcionou para nenhuma missão, mesmo após a chegada de Itachi, que ocorreu na noite anterior ao dia do selamento.
Tobi só a procurou para as habituais caçadas das refeições, tanto do almoço como do jantar, atuando aquela faceta infantil e dispersa, por isso teve tempo suficiente de se recuperar dos danos da última batalha - mesmo que ainda restasse dores por todo o corpo como se ela tivesse lutado contra mil e um Bijū.
Sentou-se bruscamente com a respiração ruidosa e pesada, corpo trêmulo e suado e lágrimas escorrendo por suas bochechas em peso.
Outro pesadelo.
Inferno.
Levou a mão trêmula ao rosto e pousou-a sobre os olhos fechados.
Depois de sobreviver a um pesadelo envolvendo Sasuke, mortes e dor - resultante do Genjutsu que Itachi a prendeu no teste -, teve um atrás do outro sem descanso. O pesadelo da vez era ela executando de novo aquela criança Jinchūriki, repetidamente, e quando achava que já tinha sofrido demais, se viu executando a Nibi mais uma vez e depois o Yonbi, de novo e de novo… e, para piorar, se viu fazendo o mesmo com Naruto depois, repetidas vezes, num looping doloroso e penoso que a fez pensar que estava presa em outro Genjutsu.
Enxugou as lágrimas e respirou fundo para se acalmar.
É só um pesadelo., afirmou para si mesma.
Levantou-se da cama apalpando o braço esquerdo que continuava dolorido e dormente devido ao fluxo recém reconstruído que continuava bagunçado e incontrolável. Até chegou a passar a solução de ervas que criou antes, mas não adiantou muito.
Foi para o banheiro torcendo para a água não só levar a sujeira de seu corpo, como também da alma, e se arrumou para o selamento de mais um sacrifício que ela capturou.
Tsunade já estava ciente de tudo o que estava acontecendo e do que ela sabia que aconteceria também, mas não fazia ideia de como poderia ser útil ter acesso àquelas informações sem poder agir deliberadamente, afinal não podiam levantar suspeitas de que havia um informante infiltrado na Akatsuki, então a Hokage só agiria em casos extremos que pudesse haver interferência indireta e com álibis do acaso.
Durante a noite anterior, sentiu bem fraco a assinatura de vital e chakra do Kakuzu na caverna, num grande salão que nunca pôde visitar, pois era restrito. Achou estranho, porque aquela quantidade, aquela densidade baixa, só podia significar que o homem estava morto ou no caminho para a morte. Até esperou ser chamada para curá-lo, mas a ordem não veio.
O encontro com os outros membros foi um horror. Zetsu, o membro esquisito que brotava do chão e que parecia ter dupla personalidade, agiu ácido e maldoso naquele dia específico e logo que Itachi e ela se juntaram ao grupo lançou um: "Konohagakure deve ser realmente ruim para três Ninjas formidáveis preferirem desertar à ter que lutar em seu nome.".
O quanto ela se sentiu mal por aquele comentário nunca poderá ser medido.
Falhou em se concentrar no elogio disfarçado ali… "Ninjas formidáveis". Nem isso a ajudou a se sentir melhor. E, além de tudo, ficou com uma pulga atrás da orelha. O Akatsuki disse três, mas com Itachi e ela eram dois. Quem era o terceiro indivíduo?
Quando perguntou, Tobi disse um: "Oh, você não sabe, Haru-chan? Soube que o décimo integrante era o Orochimaru-senpai, mas parece que ele pulou fora e está foragido até hoje.".
Ela não acreditava que estava foragido, por mais que soubesse por experiência própria o quanto o invocador de cobras podia ser escorregadio. Nada passava batido pela Akatsuki e se Orochimaru foi poupado, certamente foi por alguma razão conveniente para a Organização e isso representava um relevante sinal de alerta.
Outro detalhe sobre aquela informação que não passou despercebido foi o número par. Dez membros. O que havia por trás da necessidade de haver dez membros? E, mais importante, por que Orochimaru não foi substituído assim como Sasori e Kisame foram?
O selamento perdurou por um pouco mais de dois dias e meio - por causa da ausência de dois membros - e Pain não fez nenhuma crítica ao método de neutralização utilizado, pelo contrário, a parabenizou na frente de todos pela eficiência e pontuou que ela estava sendo de grande utilidade para a Akatsuki e que por isso eles vão cumprir a parte deles com o acordo feito há quase cinco meses: ajudá-la a desenvolver seu potencial máximo.
Com isso, organizou visitas naquele esconderijo de outros membros para lutar contra ela e passar orientações de melhorias sobre seu Taijutsu, Ninjutsu e Ninjutsu médico. Primeiro Deidara, depois Konan, depois Itachi, Tobi e até o Zetsu.
Ela achou curioso o fato de Hidan e Kakuzu não terem sido incluídos, assim como não terem comparecido à reunião nem holograficamente, mas logo foi explicado: ambos morreram em luta contra Ninjas de Konoha.
E isso justificou ela ter sentido Kakuzu lá, mas fraco.
Ficou tão desesperada que se desligou de tudo ao redor quando ouviu que os Ninjas de Konoha que enfrentaram na volta da missão do Sanbi os emboscaram logo que ela os deixou.
Só queria saber se houve alguma baixa por parte de Konoha. Não se perdoaria se algo tivesse acontecido com Asuma, Shikamaru, Ino, Chouji… ou com qualquer um que conhecesse. A pergunta estava na ponta de sua língua e estava prestes a cometer o erro de fazê-la quando Itachi mudou o rumo da conversa comentando sobre algum boato que ouviu no caminho para o esconderijo.
E como se aquela reunião não tivesse sido perturbadora o bastante, Pain os informou que Sasuke matou Orochimaru, depois de ser treinado pelo Sannin por dois anos e meio.
O silêncio que sucedeu pareceu até ser ensaiado, até que Tobi começou com as piadas e Zetsu destilou seu veneno sobre o quanto Orochimaru era patético por morrer pelas mãos de uma criança sem potencial como o Uchiha caçula.
Itachi não disse absolutamente nada, nem mesmo em defesa ao irmão quando Tobi sugeriu que todo o talento da família ficou com o primogênito.
E aquilo, junto do caos interior, fez seu sangue ferver.
A preocupação deu lugar ao ódio, mas dessa vez não se permitiu sucumbir. Guardou para si aquele sentimento corrosivo e se concentrou em obter o máximo de informações possíveis para se distrair da preocupação anterior. Só que nada relevante aconteceu depois daquilo.
Por dois dias não teve absolutamente nada para fazer. Pelo que entendeu, a Akatsuki ainda não tinha o paradeiro do próximo Jinchūriki, então não tinha uma desculpa coerente para sair daquela caverna sufocante ou conseguir algum momento a sós em segurança e isso refletiu diretamente na possibilidade que ela não tinha de entrar em contato com Konoha para pedir informações sobre o confronto entre Hidan e Kakuzu contra Konoha, entretanto aquele período vago serviu para ela investigar com afinco aquela área restrita e descobriu informações valiosas: a Akatsuki guardava os corpos de seus falecidos membros, assim como outros corpos que não conseguiu identificar devido ao tempo em decomposição. Foram eles que sentiu sem vida quando chegou na caverna.
Ela precisava enviar aqueles corpos para Konoha, tanto para estudos minuciosos, como para tirar do poder da Organização, que com toda a certeza tinha alguma pretensão que apostava a própria vida que era perigosa para o mundo, por isso trabalhou numa alternativa segura para tal; não podia simplesmente roubar os corpos senão seria descoberta. Clonar aqueles corpos, da mesma forma que clonou o próprio para forjar sua morte, foi a melhor opção. Deu trabalho, passou uma madrugada inteira no processo, gastou boa parte do chakra porque seu controle estava péssimo, mas no fim conseguiu.
Depois enviou os verdadeiros corpos através de Katsuyu, que os absorveu com seu corpo maleável e os entregou diretamente para Tsunade, de maneira segura e garantida no sucesso. Só lamentava não poder pedir informações, já que não podia receber Katsuyu a qualquer momento e não queria arriscar ser vista com a lesma sem nenhuma desculpa convincente.
No dia seguinte todos agiram com naturalidade, então concluiu que as substituições que fez não foram descobertas, uma vez que não houve nenhum tipo de alarde.
E mais dois dias passaram quando conseguiu se ocupar com algo, tempo que Deidara levou para chegar e, consequentemente, para lutar contra ela e agregar conhecimentos válidos.
— Que lerdeza é essa, rosinha? — Deidara debochou sobre seu pássaro, observando-a de cima fugir da chuva de argila explosiva na forma de aranhas do tamanho da palma de uma mão — Eu lembrava de você mais ágil, humph!
Eu também!, pensou, amaldiçoando as dores beirando o insuportável pelo corpo inteiro.
Grunhiu irritada e saltou para o topo de uma árvore para fugir da mina terrestre que aquele campo aberto se tornou. Observou o manto branco de argila explosiva sobre o manto verde da grama e suspirou cansada.
Estavam há mais de uma hora em confronto e seu corpo estava tão dolorido e sequelado ainda da drenagem do Yonbi e das clonagens minuciosas que fez que parecia que estava lutando há dias ininterruptos, fora que seu braço esquerdo não estava funcionando como deveria: ainda não conseguia fluir o chakra com precisão, assim como a vital, e isso a limitava exponencialmente com qualquer tipo de Ninjutsu e Ninjutsu Médico.
— Vai ficar fugindo até quando? — o loiro continuou, sorrindo maléfico ao vê-la encurralada — Se fosse uma luta onde eu poderia te matar, você já estaria morta, sabe disso, humph?
Olhou para cima forçando um sorriso de canto a despontar nos lábios levemente trêmulos do cansaço e raiva.
— Se fosse uma luta onde eu poderia te matar… — repetiu com escárnio — você estaria morto muito antes de fazer ⅓ do que teve a oportunidade de fazer até agora.
O loiro se calou e Tobi, que assistia atentamente a luta, gargalhou espalhafatosamente, porque era óbvio que, por mais que não passasse de um blefe naquele momento - um blefe que só ela sabia que era um blefe -, era algo possível devido ao seu Kinjutsu.
Respirou fundo e decidiu acabar com a brincadeira que já foi longe demais.
Concentrou chakra nas solas dos pés doloridos e utilizou do Shunshin no Jutsu - Técnica de Cintilação de Corpo - para desaparecer da vista humana deixando pétalas de flores de Cerejeira para trás. Com a velocidade um pouco afetada pelas dores e limitações de um corpo sequelado, quebrou uma grande árvore no meio com o calcanhar esquerdo e antes de pisar no chão utilizou mais uma vez do Shunshin para que seu peso não ativasse as inúmeras bombas espalhadas pelo local e impulsionou seu salto para cima, lançando com força bruta e chakra pelo braço direito o enorme tronco na direção de Deidara que não teve tempo hábil para desviar com seu pássaro gigante e foi atingido, tendo como consequência uma queda no próprio manto de argila explosiva que foi preparado para ela.
Já grudada no tronco de outra árvore bem longe de onde ocorria a luta através do chakra concentrado nas solas dos pés, assistiu uma explosão mediana causar a outra, uma a uma, até que gerou uma grande explosão que varreu um bom raio de alcance.
Por um instante ela se sentiu culpada com o estrago que fez e, acima de tudo, preocupada por ter ferido seriamente Deidara.
Tudo bem que ele era um malfeitor, um Akatsuki, um cara que causou muita dor - dor que ela presenciou quando fez mal ao povo de Sunagakure e ao seu líder, o Kazekage -, mas antes mesmo de considerar aqueles argumentos, estava saltando entre as árvores para alcançá-lo, desesperada com a possibilidade de ele ter sido carbonizado vivo.
As chamas ainda não tinham baixado e a grossa nuvem de fumaça preta estava dificultando a visão, mas continuou tentando se aproximar, dando a volta até encontrar uma brecha.
— O que eu fiz? — perguntou para si mesma assombrada quando uma segunda grande explosão ocorreu ali perto e precisou se esconder atrás de um rochedo para não ser consumida pelas chamas altas.
Naquele instante, sentiu o coração falhar uma batida e o desespero e a angústia crescerem significativamente.
Qual era a probabilidade de ele ter sobrevivido àquela explosão?
Seu Ninjutsu Médico ou Kinjutsu de devolução à vida era capaz de trazer dos mortos e regenerar um corpo a partir das cinzas?
Céus, ela carbonizou uma pessoa! Uma pessoa viva!
Encontrou uma brecha entre o fogaréu alto e, quando estava prestes a se enfiar no calor das chamas, Tobi a impediu segurando-a firmemente.
— O que está fazendo? — o tom de seriedade estava ali e a tensão também.
Entretanto ela estava se lixando para a preocupação dele. Deidara foi carbonizado vivo por culpa dela e estava no meio daquele caos, precisava fazer alguma coisa!
— Ele… eu não… — balbuciou atordoada, os olhos cheios de lágrimas fixos na paisagem vermelha do fogo e preta da fumaça — meu Deus… o que eu fiz? — tentou se soltar de todo jeito, mas o aperto em seu corpo era forte demais para ela se livrar dele sem machucá-lo — Me solta, Tobi! Eu preciso fazer alguma coisa!
— Você vai se queimar se for para lá! — ele esbravejou e ela o encarou, pela primeira vez desde sua aproximação, com raiva.
— Eu não ligo! Eu não vou deixá-lo…
Sua voz sumiu quando uma bolha de argila se sobressaiu às chamas e à fumaça inflando gradativamente até se tornar uma grande bola e estourar, jogando aquela massa branca sobre o fogo até apagá-lo de vez.
No meio daquilo, um Deidara coberto de argila surgiu, aparentemente esgotado, mas intacto; não havia uma queimadura sequer.
O alívio que ela sentiu não poderia ser descrito. Antes mesmo de perceber as lágrimas escorreram por seu rosto rubro e um fraco e pequeno sorriso culpado tomou seus lábios.
Soltou-se de Tobi, que parecia confuso, e foi até Deidara o mais rápido que pôde.
Ao chegar, ajudou-o a levantar e escorou-o contra si, passando um braço dele por seu ombro e segurando a cintura masculina com a outra mão. O loiro estava tão afetado pelo cansaço que não debochou, nem mesmo a repeliu, apenas se deixou ser levado e ela o tirou dali, voltando para a caverna enquanto olhava-o de esguelha vez ou outra para conferir se ele estava consciente.
Assim que chegaram, o levou para o quarto dele e o deitou na cama com cuidado, iniciando um check-up completo.
Por sorte era só exaustão e esgotamento de chakra, provavelmente devido à técnica que utilizou para se proteger das explosões.
— Não há nenhum ferimento, tanto interno como externo, mas você esgotou sua reserva de chakra e precisa repor naturalmente. Em dois dias no máximo você estará sem por cento recuperado.
Deidara soprou um riso debochado.
— Eu sou o mestre na arte da explosão, rosinha. — sorrindo matreiro, continuou a encará-la — Achou mesmo que eu seria explodido pela minha própria técnica, humph?
Ela não sorriu para correspondê-lo e também não usou do mesmo tom de brincadeira que ele usou ao respondê-lo:
— Eu sinto muito, Deidara. Não pensei muito quando fiz aquilo, mas quando-... — se interrompeu, sentindo os olhos lacrimejarem e a garganta fechar com o embargo prévio do choro — eu realmente sinto muito e fico aliviada por não ter-... — se interrompeu de novo, incapaz de continuar ou começaria a chorar ali mesmo.
"... morrido.", era o que ela queria proferir.
Porque se ele morresse, ela teria mais um fardo nos ombros, mais um peso, mais uma vítima sua, mais um… sacríficio.
Rapidamente se virou e guardou seus aparatos médicos no coldre traseiro, vestindo o manto negro de nuvens vermelhas e amarrando a bandana riscada no braço direito.
Só naquele momento percebeu Tobi ali, recostado sobre o batente da porta do quarto. Ficou tão absorta na culpa e no desespero que se desligou totalmente do mapeamento sensorial e dos sentidos Ninja. Passou por ele sem olhá-lo, pois não queria ser julgada por não ser cretina como eles, que mesmo trabalhando juntos não conseguiam se importar uns com os outros.
Antes de sair do cômodo, olhou para Deidara.
— Melhoras. — desejou verdadeiramente e saiu do quarto sem olhar para trás.
O resto do dia se martirizou pelo que fez e durante a noite teve mais pesadelos do que podia contar, tanto pesadelos antigos - ela matando os Jinchūriki e Naruto repetidas vezes ou de cenas envolvendo o Genjutsu que Itachi a prendeu - como novos: ela tendo sucesso em matar Deidara durante aquela luta, depois matando Tobi, até Konan ela matou e havia algo em comum naqueles assassinatos: se sentiu péssima, se afogou em culpa e desespero e mergulhou na escuridão do medo de jamais ser salva daqueles sentimentos ruins.
No dia seguinte, com os olhos inchados do choro contínuo resultante dos pesadelos e nariz vermelho, assim como seu rosto inteiro, foi incomodada pela invasão em seu quarto por um Tobi mais animado, infantil e escandaloso do que o normal.
— Vamos brincar, Haru-chan! O Deidara-senpai também vai participar!
Minutos depois de ela resistir e falhar miseravelmente em convencê-lo a deixá-la em paz, eles estavam no mesmo lugar onde houve o confronto com o Deidara, mas não havia chamas e fumaça para todos os lados, milagrosamente as únicas provas de que houve aquelas explosões eram as cinzas, fuligem e argila sobre o que restou da vegetação.
E por "brincar", Tobi quis dizer treinar e, para a surpresa dela, "treinar" se mostrou ser ensiná-la técnicas novas. Ensiná-la mesmo, como se estivessem numa academia Ninja e não através de confrontos, como com Deidara anteriormente. E, falando em Deidara, ele passou a manhã e parte da tarde inteira lhe ensinando - dentro do possível perante sua paciência debochada - a "Arte da explosão".
Não tinha como replicar as técnicas de argila dele porque eram provindas de sua Kekkei Genkai - Herança Sanguínea -, mas ele a ensinou a replicar as explosões com tarjas explosivas ativadas pelo chakra, onde o alcance da explosão seria medida pela quantidade de chakra utilizada. Algo realmente impressionante, pois nunca imaginou que seria possível.
Não foi de todo ruim, pelo contrário, em ação, aquele conhecimento certamente seria valioso.
Já Tobi teve um pouco de dificuldade em obter sucesso em lhe ensinar algo; não por sua incapacidade de entendimento, mas por sua limitação de um corpo sequelado: membros trêmulos, fracos e vacilantes e dor ao fazer qualquer movimento, até mesmo o mais ordinário.
— Haru-chan… acho melhor descansar um pouco-... — a voz infantil tornou-se inaudível em reflexo ao grunhido irritado dela.
Não estava irritada com Tobi, estava irritada consigo mesma.
TInha noção de que arcaria com consequências severas diante da drenagem voraz de quarenta por centro do chakra e energia vital do Yonbi, mas não imaginava que ficaria tão sequelada, mesmo depois de toda a regeneração por parte do Byakugō no In - Força de uma Centena - e da Katsuyu.
Isso porque já estava conformada sobre sua incapacidade de controlar chakra e energia vital no braço esquerdo - reconstruído com Katsuyu depois de tê-lo corroído até os ossos com ácido para se livrar do mal que a impedia de curá-lo devidamente. Tinha em mente que a recuperação do seu controle minucioso naquele membro levaria algumas semanas e que a dor provavelmente seria constante pelos próximos meses. Inclusive, até traçou planos emergenciais para realizar seu Kinjutsu quando necessário.
— Rosinha, — Deidara a chamou e ela quis rosnar de raiva diante do apelido, por mais que não houvesse nenhum traço de sarcasmo naquela situação; o loiro mais parecia cauteloso — eu odeio dizer isso, mas acho que Tobi tem razão.
— Eu vou conseguir. — bravejou entredentes, encarando aqueles alvos pregados nas árvores com raiva — Só preciso me concentrar.
Ergueu o braço direito dolorido, cerrando os dentes para se impedir de gemer de dor, e fechou os olhos respirando fundo.
A aula da vez era de Shurikenjutsu - Técnica Manual de Lâminas - e estava há um pouco mais de uma hora e meia tentando acertar cinco malditos alvos num único arremesso.
A técnica lembrava muito o estilo de manejo do Sasuke, estilo que todos na academia diziam que pertencia ao Clã Uchiha, mas tão logo o reconhecimento lhe veio à mente, o expulsou por duas razões:
Sasuke e Itachi eram os únicos sobreviventes do Clã e nenhum deles parecia minimamente predispostos a passar o conhecimento exclusivo dos Uchiha para alguém; Sasuke por não estar lá para ensinar o Tobi - até porque mesmo que estivesse não ensinaria - e Itachi pelo motivo óbvio;
E toda a carga emocional que veio junto da bagagem recordativa lhe fez um mal absurdo na situação atual; já estava deprimida o suficiente com o que fez no dia anterior e com os pesadelos, não precisava aumentar aquela tortura com sentimentos conturbados por aquele que ainda era capaz de amar, mesmo depois de tudo.
Lançou as kunais, acertando quatro dos cinco alvos.
Grunhiu de raiva e, perdendo totalmente a paciência, andou a passos pesados até o alvo mais próximo, quebrando-o no soco com uma potência desnecessária de chakra, que o deixou em pedaços que voaram para todos os lados. Não satisfeita, foi para o próximo, dessa vez quebrando-o com chutes. Estava com a raiva tão cravada em si que quebrou os outros três alvos sem nem se lembrar como e só parou quando ia avançar para cima de uma enorme árvore para quebrá-la no meio com soco e Tobi segurou seu braço.
Olhou-o ainda descontrolada, mas se cobrou calma quando viu Deidara, logo atrás dele, com a mão em riste segurando um pedaço de argila provavelmente para contê-la, olhá-la com certo receio e... pena.
Pena.
Pena.
Pena.
Ela era digna de pena.
Digna da pena de dois membros da Akatsuki que eram cruéis e que já fizeram mais barbaridades do que o mundo podia suportar.
Era só o que faltava!
Puxou o braço com brusquidão e saiu dali utilizando o Shunshin no Jutsu - Técnica de Cintilação de Corporal - para se afastar o mais rápido e o máximo possível, não em direção a caverna, mas no sentido contrário, porque realmente precisava de distância de todos eles e por sorte perceberam isso, porque não ousaram segui-la.
Só não sabia se não a seguiram por confiar nela - de que não fugiria ou aprontaria alguma se encontrando com informantes - ou por pena, e, sinceramente, não fazia a mínima diferença. Não podia se importar menos com qualquer coisa naquele ponto.
Estava saturada daquela nova realidade, esgotada emocionalmente e acabada fisicamente.
Tinha como piorar? Não que tivesse alguma curiosidade real de descobrir, principalmente levando em conta o quanto sentia que ia surtar a qualquer momento.
Passou três dias na mata, dormindo ao relento sem conforto ou preparo algum e passando os dias não fazendo absolutamente nada além de olhar para o céu ou para o riacho que tinha ali perto.
Ninguém foi procurá-la, embora tenha sentido as presenças de Deidara, Tobi e até Pain vez ou outra em seu mapeamento de quarenta quilômetros em trezentos e sessenta graus de onde estava. Provavelmente só queriam se certificar de que ela não tinha se matado ou fugido.
Quando terminou de almoçar uma ave que caçou e assou, vestiu o manto negro e decidiu que era hora de voltar; já se sentia mais forte emocionalmente e mais apática também.
Aquele tempo que passou sozinha serviu para se encontrar naquele caos e sobretudo para se situar devidamente: ela não era mais Haruno Sakura da Vila Oculta da Folha, era a Akatsuki com o método mais eficaz da Akatsuki de captura dos Jinchūriki, uma dos nove, o pilar Sul.
Não podia mais se entregar às emoções, nem aos sentimentos, pelo contrário: tinha que ser racional e agir com frieza para não cometer o erro de se envolver mais uma vez.
Assim que chegou na caverna, foi recepcionada por um Tobi energético que tentava a todo custo obter sua atenção, coisa que falhou miseravelmente porque o ignorou e somente respondeu perguntas que sabia que eram de interesse de Pain.
No caminho para seu quarto, encontrou Deidara, que a encarou de modo estranho, por mais que não tenha dito nada, já que ela só passou por ele de cabeça erguida e olhar disperso ao que havia ao redor.
Isso porque prometeu a si mesma fingir que nada tinha acontecido e torcia para que os dois fizessem o mesmo.
Não precisava que tivessem pena dela.
Não precisava de nada que viesse deles.
Depois de uma tarde entediante que ficou treinando seus movimentos básicos como agachamento, flexão, abdominal e também seu controle de chakra e vital no braço esquerdo, passou por outra noite penosa de pesadelos e posteriormente uma manhã de tentativas sucessivas de se manter apática, ignorando com toda sua determinação emoções e sentimentos que queriam aflorar a qualquer custo.
Antes que Tobi fosse chamá-la para caçar o almoço, se retirou da caverna na surdina, não para invocar Katsuyu e enviar informações - até porque não havia nada relevante para informar -, mas porque queria se distanciar do mascarado, fisicamente e emocionalmente.
Foi para a mata treinar o maldito Shurikenjutsu. Criou alvos e treinou até não conseguir sequer levantar o braço trêmulo e desvairado pela dor.
Depois treinou explosões com tarjas explosivas controladas por chakra e quando cansou treinou força bruta e velocidade, forçando-se a se acostumar com a dor latente por todo o corpo e especialmente no braço recém-reconstruído.
Se era para sentir algo, que fosse determinação em se tornar uma Ninja formidável.
Mais três dias passaram naquele ritmo, então foi convocada por Pain para uma reunião. Estranhou quando percebeu em seu mapeamento sensorial que só havia o líder, Konan e Tobi no grande salão onde ocorreria a reunião e mais ainda ao passar por Itachi e não vê-lo seguir com ela.
A mente, já cheia de paranoias, trabalhou freneticamente em questionamentos e possibilidades nos minutos que levou para chegar ao local.
Por que foi convocada?
Por que Itachi não foi?
Teriam descoberto seus encontros com Katsuyu para entregas de pergaminhos secretos de espionagem?
Ou seria interrogada por ter levantado suspeitas?
Impossível. Tomou todo o cuidado possível para não ser pega; exceto por quando Itachi a pegou com a lesma no meio da madrugada, não cometeu nenhum erro sequer.
Será que ele a dedurou?
Cerrou os dentes.
Se ele a dedurou, ela o dedurará também!
Adentrou o salão fazendo sua melhor cara de paisagem. Postura relaxada, olhar desinteressado e semblante entediado. Era isso o que viam conforme andava a passos calmos e dispersos na direção dos três que a esperavam no centro do grande cômodo, por mais tensa que estivesse por dentro enquanto seus sentidos Ninja estavam à toda.
Cessou os passos sob os olhos observadores e os encarou firmemente.
— Nós vamos tomar o poder de Amegakure - Vila Oculta da Chuva - em breve. — Pain despejou com a típica seriedade e involuntariamente ela estremeceu pelo tom sombrio.
Tomar, significava que seria à força.
Engoliu a seco e desviou o olhar por segundos, mesmo diante da análise descarada pela qual estava sendo submetida.
A garganta secou e resistiu ao instinto de pigarrear para limpar a garganta, porque se o fizesse mostraria hesitação e desconforto e ela definitivamente não podia hesitar e nem se sentir desconfortável.
— E daí? — forçou o tom rude e um tédio inexistente — Quer que eu tome à frente dessa ação?
— Não questionará o motivo?
Gingou a cabeça com descaso com uma sobrancelha erguida como se dissesse: "Que pergunta idiota é essa?", deixando todo o peso sobre a perna direita numa postura ainda mais desdenhosa ante a conversa.
— É uma Vila Ninja que possui condições de arcar com as consequências. Por que o motivo seria do meu interesse? — devolveu a pergunta ao Pain, sem deixar de encará-lo por nenhum instante — Qual é a dessa conversa, afinal?
Exagerou, idiota, exagerou!, repreendeu-se pela voz soar mais forte e ter deixado a impressão de desinteresse excessivo. Aquilo estava desandando rápido demais, mas estava tensa dos pés ao último fio de cabelo por imaginar o peso que teria que lidar se fosse conivente ou, pior, se fosse uma peça fundamental para aquilo acontecer.
Não queria fazer parte daquilo.
De jeito nenhum.
— Descobrimos que o ataque naquela aldeia civil que fomos partiu do governo. — Konan assumiu a conversa inabalável, obtendo seu olhar facilmente como se fosse sua melhor fuga — Sanshōuo no Hanzō é o líder que ataca seu próprio povo em prol de conveniência política. Atualmente Hanzō está em negociação com os líderes de Kusagakure - Vila Oculta da Grama - e Kōtetsugakure - Vila Oculta do Aço - para uma aliança com o intuito de se tornarem uma unidade e impôr seu reconhecimento como o Sexto Grande País Shinobi.
Franziu o cenho.
Qual o interesse da Akatsuki naquele jogo político? E por que, depois de deixá-la o máximo possível alheia às aspirações da Organização, estavam abrindo aquilo para ela?
E, mais importante, o que o ataque à aldeia civil tinha a ver com o "reconhecimento" como uma Vila Ninja?
Uma parte do cérebro tentava encontrar respostas para aquelas perguntas e outra já pensava num jeito daquela informação chegar à Tsunade sem que ficasse na cara que vazou informações, porque naquele instante ficou claro o motivo de ter sido chamada sozinha. Se o que foi dito naquela reunião vazar, era certeza de que foi por ela.
Os três continuaram a olhando, esperando alguma reação e ela se viu avaliando os prós e contras de todas as reações que podia ter a partir do que ouviu.
— O que o ataque àquela aldeia tem a ver com esse jogo político?
Fingir ser emotiva e impulsiva era a melhor escolha. Assim teria mais flexibilidade sobre as próximas ações que poderá tomar.
Sim. Melhor parecer ser facilmente manipulável, do que mostrar seu verdadeiro potencial.
— Corte de despesas e desperdícios de matéria-prima e terras. — Pain respondeu.
Fechou as mãos com força e trincou o maxilar.
Só podia ser brincadeira.
Ela não era burra.
Estava consciente de que aquela conversa às claras poderia muito bem ser um movimento de manipulação, onde, como se recusou a fazer coisas antes pelo modo racional, pretendiam convencê-la pelo modo emocional, mas não conteve a indignação.
Ainda quando era a orgulhosa Haruno Sakura da Vila Oculta da Folha viu Tsunade atuar como líder e ter que lidar com todos os embates políticos possíveis, então não era novidade saber que os líderes daquelas Vilas escolheram sacrificar civis para se tornar uma potência militar, aquilo era mais comum do que se imaginava, por mais que Konoha nunca tenha feito algo do gênero, não que ela tenha conhecimento, pelo menos.
Aldeões civis não tinham muita utilidade ante a aspiração gananciosa militar; no máximo podiam ser responsáveis por mão-de-obra barata rural ou operária, no entanto o gasto para que se faça valer a escolha era inviável: pessoas consomem matéria-prima que poderia ser melhor utilizada em armas ou exportação com o intuito de arrecadação de dinheiro; ocupam espaço que poderia ser utilizado para fundar campos de treinamento; gera despesas com saúde, segurança, educação e podem se tornar uma verdadeira pedra no sapato se não estiverem de acordo com a liderança.
Mas chegar ao ponto de se livrar abertamente daquele "inconveniente" como se fossem apenas números negativos em vez de pessoas era cruel, desumano.
Se tivesse algo que pudesse fazer, faria. Não permitiria que aqueles três líderes tivessem sucesso naquilo.
Até porque, se eram capazes de fazer tamanha monstruosidade como peixes-pequenos, o que fariam se "conseguissem" se tornar o Sexto Grande País Shinobi?
Certamente não seria coisa boa, apesar de carregar a quase certeza de que as Cinco Nações jamais permitiriam tal coisa.
O cenário agora era outro e era inevitável fazer parte daquilo.
Lamentou profundamente pela falta de saída.
— Nossa prioridade ainda é capturar os Jinchūriki e você está a frente disso junto de Zetsu que está investigando os paradeiros dos alvos e do Itachi que vai te dar cobertura, — explicou Pain, sob seu olhar estreito — mas temos dois membros a menos agora e conter as próximas ações genocidas não pode esperar, então-...
— Eu dou conta. — cortou-o, sabendo onde queria chegar.
Ao menos dessa vez tentaram a convencer em vez de apenas ordená-la. Se bem que a conversa não tinha um tom imperativo e sim cooperativo. Pela primeira vez, conversaram como verdadeiros aliados e se mantiveram assim pensando nos próximos passos onde concordou em participar do ataque simultâneo aos três líderes, para impedi-los de ordenar mais ataques às aldeias civis.
Jamais imaginou que daria início a uma Guerra Civil, mas não havia outra escolha: era fazer algo para impedir aqueles líderes ou ser conivente com massacres em massa contra pessoas inocentes e, acima de tudo, civis.
Até pensou em pedir ajuda à Tsunade, mas o que a Hokage poderia fazer? Primeiro que a informação não podia ser repassada à outras Nações, o que garantia que não conseguiria apoio político para impedir legalmente os líderes de tomar qualquer atitude. Segundo que não havia tempo hábil para tantas movimentações políticas. E, por último, se houvesse apoio à Konoha na interferência, poderia ocorrer uma disputa pelo poder das três Vilas sem líderes e isso poderia gerar uma Guerra Ninja sem precedentes.
Interferir ela mesma como Akatsuki, no fim, se mostrou a melhor opção. Mesmo que Pain se tornasse líder das três Vilas, poderia manipulá-lo indiretamente e controlá-lo com rédeas curtas até que se tornasse uma ameaça às Nações Shinobi e então tomaria a atitude necessária para detê-lo: matá-lo.
Céus… como ela mudou tanto assim em um ano, oito meses, uma semana e cinco dias?
Em outros tempos nem pensaria duas vezes antes de buscar ajuda ou alguém em quem colocar aquele peso sobre os ombros e agora estava tomando a iniciativa de fazer o que fosse necessário pelo bem maior.
Deveria se considerar uma pessoa e Ninja melhor ou pior?
De qualquer maneira, os três Akatsuki até poderiam achar que ela estava agindo no calor da emoção: na empatia diante do que aconteceu com a aldeia que Konan a levou, mas ela agiu com racionalidade.
Tinha tudo muito bem calculado e não havia brechas, por isso não hesitou quando concordou em executar o líder de Kōtetsugakure, enquanto Pain e Konan ficaram responsáveis por executar o líder de Amegakure e Tobi e Deidara o líder de Kusagakure.
Aquela movimentação conspiratória toda serviu para distraí-la parcialmente dos próprios problemas e limites, de modo que uma semana se passou tão rápido que mal percebeu.
Estava a caminho de Kōtetsugakure para concluir sua missão, bem longe da caverna e de qualquer vigia.
Diminuiu a velocidade e se espreitou pela mata fechada, saindo da vista de qualquer um e se afastando propositalmente mais alguns quilômetros de sua rota, para o caso de Tobi ou Zetsu aparecerem repentinamente. Mapeou ao redor com chakra e energia vital os próximos quarenta quilômetros e só quando confirmou duas vezes de que estava sozinha nos arredores invocou Katsuyu, entregando um pergaminho onde solicitava um encontro presencial com Jiraya.
A missão necessitava primeiramente de rastreamento do alvo, depois infiltração e só então execução, coisa que levaria dias, então aproveitaria para encontrar o Sannin e obter as respostas que precisava direto da fonte, sem respostas polidas, codificadas e superficiais que pergaminhos secretos necessitavam.
Recebeu, algum tempo depois, a resposta de confirmação do encontro na divisa de Amegakure e Takigakure - Vila Oculta da Cachoeira - em sete dias e agradeceu a Katsuyu mais uma vez pela eficiência. Aquele sistema de comunicação com a Hokage se tornou imprescindível pela rapidez no processo.
Retomou a missão focando-se totalmente no alvo. Dois dias e meio depois descobriu o paradeiro do líder, e meio dia depois o executou silenciosamente: tirou a vida dele com o Kinjutsu enquanto dormia, um dia antes de ordenar o ataque às cinco aldeias civis que estavam sob seu poder, deixando parecer que o homem já de meia idade faleceu por causa natural.
Geralmente quando o líder de uma Vila falecia, seu braço direito ordenava o sigilo até que outro líder pudesse assumir, então tinha certeza de que ganharia uns quatro ou cinco dias até que a notícia chegasse a Akatsuki,o que por consequência lhe daria tempo de sobra para se encontrar com Jiraya antes de voltar para a caverna.
E foi o que fez.
A ansiedade era tanta que se pegou várias vezes repassando seus planos e procurando brechas que a denunciasse. Ser uma agente dupla era perigoso e certamente péssimo para o coração, que batia frenético contra o peito enquanto aguardava qualquer sinal de Jiraya por perto.
Estava escondida entre galhos fartos de folhas de uma árvore frutífera, concentrada totalmente em seu mapeamento sensorial de chakra e energia vital num raio de cinquenta quilômetros em trezentos e sessenta graus de onde estava. Era um feito e tanto e demandava certo esforço, chakra e atenção, mas que adquiriu domínio total ao longo dos meses.
Suspirou quando sentiu um ponto de chakra e vital à leste e foi para aquele lado tomando todas as precauções possíveis para não ser vista; para o caso de não ser Jiraya, pois, inconvenientemente, não lembrava da assinatura dele de chakra e nunca memorizou a de vital.
No entanto, quando viu a cabeleira grisalha inconfundível, se permitiu sorrir contida e aparecer.
— Jiraya-sama — fez uma mesura, tirando o chapéu de palha — É muito bom revê-lo.
— É bom revê-la também, Sakura. — não passou despercebido o olhar dele correr pelo manto negro com nuvens vermelhas, assim como quando ele a encarou e só naquele instante pareceu perceber o losango em sua testa, o que o fez sorrir levemente — Já sabíamos dessa conquista, mas é impressionante ver a marca desse poder em você. Você é mesmo discípula dela.
Permitiu-se sorrir também, um pouco mais aberto, mas logo adotou um semblante sério.
— No confronto contra Hidan e Kakuzu… Konoha sofreu alguma baixa?
Com pesar o homem assentiu e então lhe contou que Asuma faleceu honrosamente depois de enfrentar Hidan e que, cerca de uma semana depois que ela enviou o pergaminho expondo o estilo de luta deles entre outras informações tão relevantes quanto, Shikamaru o executou.
Lamentou o ocorrido, lamentou mesmo. Os olhos se encheram de lágrimas e a impotência a atingiu como um meteoro, mas Jiraya garantiu que ela não podia evitar e que graças a ela Shikamaru, junto de Ino e Chouji, conseguiu vingar a morte de seu precioso mestre.
Por mais que discordasse, não se permitiu sucumbir. Recompôs-se e contou sobre a última missão e o movimento político de Amegakure e seus aliados, até mesmo sobre a execução que fez e o motivo.
— Recebemos recentemente uma notificação de que seu nome será inserido no Bing Book - Lista Negra Shinobi. — ele disse repentinamente e ela assentiu.
— Até que demoraram para fazer isso. Achei que isso aconteceria logo após a captura da Nibi. — comentou, longínqua, depois deu de ombros. Aquele era o menor dos seus problemas — De qualquer forma, isso não influencia muito. Está dentro do esperado.
O homem assentiu demonstrando pesar ao lhe direcionar um olhar mais preocupado e expressivamente culpado.
— Você precisa ser mais cautelosa daqui para frente. Vamos segurar o máximo que pudermos essa informação para não chegar ao pessoal de Konoha, mas sua cabeça é bem valiosa e certamente chamará atenção indesejada dos mercenários.
Deu de ombros de novo, já conformada. Não era como se não soubesse o que aconteceria quando desertasse. Passou muitas vezes em mente todas, absolutamente todas as consequências que viriam após cada escolha e estava preparada para arcar com elas sem fraquejar.
Relatou mais alguns acontecimentos e no término daquela breve reunião, entregou um pergaminho para oficializar o que disse, despedindo-se e retomando seu caminho obscuro, mas durante o percurso lembrou-se que não falou sobre o Gobi, que era o próximo alvo, e que deveriam se preparar caso o Jinchūriki pertença à uma Vila aliada. Por mais que estivesse expresso no pergaminho, aquele tópico era importante demais para deixar passar oralmente.
Só que quanto mais se aproximava de onde encontrou Jiraya, mais estranhava por senti-lo parado.
Estava aguardando ela?
Franziu o cenho e mapeou ao redor expansivamente com chakra, não captou nenhuma presença, mas quando mapeou novamente com vital, lá estava alguém que suprimiu e ocultou o chakra, alguém que conhecia muito bem.
O coração falhou uma batida e ela pousou no galho de uma árvore bruscamente.
O que ele estava fazendo ali?
Desesperada, retomou a corrida, atentando-se a qualquer pico de chakra que indicasse uma batalha.
"Não, não, não, não! Por favor, não!, repetia aflita, calculando todas as possibilidades. Qual era a chance de ela contornar aquele encontro? De salvar Jiraya e manter o disfarce?
Mordeu o canto do lábio seco.
E a cada quilômetro mais perto, mais sentia o coração retumbar contra o ouvido, até que, há menos de cem metros de onde Jiraya estava com ele, parou a corrida agarrando-se ao tronco e pousando com firmeza no chão.
Por que seus chakra estavam tão tranquilos?
Por que não estavam travando uma luta feroz?
Então retomou o passo, mas não teve pressa, porque algo dentro de si lhe dizia que alguma coisa muito estranha estava acontecendo.
Foi quando alcançou os dois e ouviu algo que definitivamente jamais imaginou que ouviria:
— Essa foi minha última colaboração e encerro aqui meus serviços com Konoha. — ele disse ao Jiraya — Sasuke está pronto e logo virá atrás de mim.
— Está mesmo decidido a isso? — o Sannin perguntou, suspirando — Pode haver outra saída.
— Eu não quero uma saída. Fiz tudo o que fiz aguardando por esse momento. Essa é a minha salvação.
Levantando-se, ela deixou o esconderijo e andou até eles, obtendo seus olhares surpresos.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou entredentes, cerrando os punhos.
Pela primeira vez, Itachi tinha os olhos negros arregalados.
[...]
NOTAS FINAIS:
Vamos começar com algumas curiosidades: embora Pain tenha tomado conta de Amegakure e tenha matado Hanzō na obra original, todo esse movimento político envolvendo as três aldeias em prol de uma unificação foi uma ideia minha, um devaneio que deu para encaixar e que vai ser muito importante para o restante da fanfic kkkkkk
Aí aí aí, está esquentando!
Eu disse que vinha bomba atrás de bomba e não estava exagerando! Adivinhem só o que vem por aí '-'
Eu sei que já sabem em que parte cronológica da obra original estamos, hihi.
Comentem, certo? Os comentários são fundamentais para eu saber se estão gostando e se não estão, o porquê. Fora que motiva! Nossa… meu coração sempre acelera quando leio comentários, é quase como ganhar presente no Natal kkkkk
É isso! Até a próxima!*~
Obs.: Caso queiram ter prévias de capítulo, spoiler e interagir comigo além daqui, me sigam no Twitter por SenpaiNani, Instagram por NaniSenpaiNK e Facebook por Haruno Sah ou Nani Senpai!
Obs.²: Ahhhh eu esqueci... vou panfletar meus últimos lançamentos, está bem?
Uma oneshot fofinha SasuSaku UN: COLETÂNEA UCHIHA SASUKE
E essa é uma three-shot SasuSaku UA com comédia e safadeza (pois é, não me aguento kkkk): A COELHA E O FALCÃO
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