NOTAS DO AUTOR:

Eita que lá vem outro capítulo de outro personagem… e de um personagem que vocês amam! '-'

Quero registrar aqui que tive muita, mas muita dificuldade mesmo de escrever esse capítulo, porque vem de um personagem que eu amo muito e que é um marco para muitas pessoas pelo que ele representa na obra e por como foi construído.

Temo sim ter exposto demais dele, desconstruído-o ou o estragado, então, por favor, mesmo se estes forem o caso aqui, sejam gentis comigo, porque não foi minha intenção de nenhuma maneira fazer nada disso, certo?

E outra coisa, esse capítulo é bem tenso, porque tive que trabalhar muito bem os meios para justificar os fins, então tenham paciência, ok? Conto com vocês!

Vão lá! Boa leitura!*~

Obs.: Sinto que esperavam por esse ponto de vista. Espero não desapontá-los.

Obs.²: Créditos do banner aos fanartistas! Apenas a edição é minha. Infelizmente não conheço ou tenho conhecimento de quem seja o artista da fanart, pois peguei no Google ou nos grupos do Facebook ou Whatsapp, mas se alguém souber, por favor, me diga que credito sem problemas!

[...]

CAPÍTULO 12

A QUINTA PÉTALA DE CEREJEIRA

POR OLHOS NEGROS GENTIS

Quando chegou no esconderijo, quase quatro dias após o encontro com Jiraya e o fiasco com Sakura, pois estava em uma missão solo de infiltração para a Akatsuki, deu de cara com a garota dos olhos verdes saindo junto de Tobi. Aparentemente faziam isso sempre e desconfiava que era porque o mascarado não confiava plenamente na ex-Ninja da Folha.

— Itachi-senpai! Você voltou! — Tobi exclamou, mas não cessou os passos para a aparente intenção dele de conversar, apenas continuou seguindo na direção de seu quarto, percebendo a inexpressividade de Sakura, que sequer olhou em sua direção ou cessou seus passos como o mascarado — Estamos indo caçar. Quer ir conosco, senpai?

— Não.

Foram por milésimos de segundos. Quando passou por Sakura, ombro a ombro, braços quase se tocando, a encarou de esguelha da mesma maneira que foi encarado, deixando uma tensão palpável no ar.

Franziu o cenho já de costas para os dois e prosseguiu como se nada tivesse acontecido.

Estava tão exausto psicologicamente que depois de tomar um banho apenas apagou e só despertou no dia seguinte. Não conseguiu dormir bem nos últimos dias, porque a doença estava se agravando rapidamente e também porque estava preocupado com as consequências que viriam diante da ação do Jiraya:

Sakura pretendia confrontá-lo?

Fazê-lo mudar de ideia, como certamente era a pretensão do Sannin?

O ódio que ela tinha por ele era palpável e isso ficou claro depois da batalha entre eles, mas até que ponto esses sentimentos se manteriam? Agora, sabendo da verdade, o julgamento que tinha dele mudaria? Ela o perdoaria por ter quebrado tanto seu irmão caçula?

Porque tinha certeza de que esse era o ponto chave: como integrante do antigo time do Sasuke, como alguém que o valorizava e o considerava precioso e algo mais que ele sabia existir, mas que ainda não sabia bem o quê, era uma reação natural odiá-lo por tudo o que fez ao garoto.

Batidas na porta interromperam suas divagações e se sentou na cama, alcançando e vestindo o manto negro com nuvens vermelhas apenas para abrir a porta.

— Pain nos convocou. — a protagonista de suas divagações anunciou assim que ele abriu a porta e se retirou tão logo terminou a frase.

Ficou algum tempo parado, observando-a se afastar com a mesma postura altiva e desdenhosa de sempre, até virar o corredor e sumir de sua vista.

Suspirou, se sentindo um pouco frustrado pela falta de reação dela depois do que houve.

Tinha consciência de que não podiam conversar onde estavam atualmente e que esse devia ser o motivo pelo qual não foi confrontado ainda, mas a incerteza de como ela lidará com a situação o deixava estranhamente ansioso, como há muito não ficava.

Seguiu para o salão de reuniões com o Sharingan ativado como de praxe e se juntou à sua dupla e ao que restou da Akatsuki: Tobi, Deidara, Konan, Pain e Zetsu.

Mesmo com sua chegada, não interromperam a conversa que estava em andamento sobre uma missão em Amegakure. Posteriormente, Tobi e Deidara relataram uma missão em Kusagakure e no fim daquilo, quem se pronunciou para sua surpresa foi Sakura, relatando uma missão em Kōtetsugakure. Todas as missões tinham em comum assassinato aos seus líderes e não foi difícil supor que se tratava de mais uma das movimentações políticas em prol de domínio por parte da Akatsuki.

Só que não se preocupou. A nova infiltrada de Konoha certamente já repassou tais informações para o Jiraya e deve ter tudo sob controle, porque aquela garota podia parecer dispersa, desinteressada e manipulável, mas tinha certeza de que era o completo oposto do que demonstrava, principalmente por ter sido a escolhida pela Godaime Hokage – Quinta Líder da Folha – e pelo Gama Sennin – Sábio dos Sapos. Tanto que ela o enganou completamente até Jiraiya lhe informar a verdade por trás dos fatos e quando soube, sentiu uma vontade imensa de rir pensando em como ela era uma boa mentirosa: todas as respostas articuladas, todo o descaso com todos e, a princípio, com a própria determinação em ser um deles. De pensar que era tudo encenação… quase teve vontade de querer viver só para ver a cara de cada um dos membros quando souberem a verdade.

No término daquele tópico, Pain fez o acerto financeiro pelas missões concluídas e Zetsu expôs seu avanço na investigação do paradeiro do Gobi e deu as devidas coordenadas por dois pergaminhos que foram entregues um para ele e outro para Sakura.

A naturalidade com que ela lidava com tudo, contornando armadilhas em forma de perguntas com maestria e controlando a situação com cautela e sutileza, de modo que passava despercebido por todos, menos por ele, o mostrava o quão capaz ela era de ter Ninjas tão poderosos e inteligentes na palma de sua mão.

Já era muito mais aceita como um deles e se impressionou por ter sido em tão pouco tempo. Mesmo Konan, que sempre foi a mais desconfiada, depositava certa confiança na garota.

Ela certamente foi a melhor escolha para ser sua substituta.

— Vocês partem ao amanhecer. — Pain ordenou.

— Entendido. — respondeu em uníssono com Sakura.

A reunião não se estendeu muito após aquilo, somente alguns tópicos irrelevantes foram pautados sobre possíveis futuras missões mercenárias, então logo se separaram.

Mais uma vez Sakura o ignorou como pôde e se separou dele para seguir para o próprio quarto sem dizer absolutamente nada, nem mesmo o olhou alguma vez.

No dia seguinte, assim como na última missão em que saíram juntos, Sakura já estava do lado de fora do esconderijo quando chegou no ponto de partida, com os olhos fechados e aparentemente apreciando o calor dos tímidos raios de sol.

Aproximou-se com a mesma calma que sempre teve e assim que a alcançou a observou colocar o chapéu de palha e liderar o caminho, mais uma vez sem nem mesmo olhá-lo.

Seguiu-a, inconscientemente com os olhos fixos na silhueta feminina, perguntando-se quando ela romperia aquele silêncio ensurdecedor.

Dois dias se passaram e o silêncio era proeminente.

— Vamos descansar aqui. — falou em alto e bom som, cessando os passos.

Tirou o chapéu de palha observando de esguelha Sakura fazer o mesmo ao assentir, tão silenciosa quanto os dias anteriores.

— Vou me banhar no lago que acabamos de passar e encher os cantis. — ela disse, se retirando sem ao menos esperar por uma resposta.

Suspirou frustrado.

Era irônico como a dinâmica com Kisame, que era um desertor cruel e muitas vezes sem escrúpulos, ter sido mais fácil do que com uma garota mais nova com mais bom senso e que veio da mesma Vila que a sua.

Juntou galhos e acendeu uma fogueira para aquecê-los pela noite. O dia foi um pouco abafado, mas tão logo a noite caiu, a temperatura acompanhou. Certamente a madrugada viria com geada.

Sentou-se ao relento frente à fogueira e observou as chamas até a silhueta feminina sentar-se do outro lado com roupas úmidas e cabelos róseos pingando; em uma mão o manto negro com nuvens vermelhas e os cantis que ela deixou ao lado de si e na outra dois peixes já cravados em dois espetos que segurava firmemente até espetá-los no chão com uma força que julgou desnecessária. Provavelmente estava imaginando que era a cabeça dele ali.

Discretamente, enquanto parecia concentrada em encontrar o melhor ângulo para assar o jantar, olhou com atenção o rosto jovial e depois as vestes negras um pouco puídas. Sua visão não estava tão boa por causa do uso excessivo do Mangekyō Sharingan – Olho Copiador Giratório Caleidoscópico – para perceber detalhes mínimos, mas era possível ver que se um dia ela foi vaidosa, esse dia ficou para trás.

Era a primeira vez que fazia dupla com uma mulher na Akatsuki, mas lembrava-se de, quando Genin ou mesmo ANBU, sair em times com presenças femininas e sempre as viu levar mochilas cheias de roupas extras, acessórios ou produtos femininos, mas com Sakura era diferente. Ela só levava consigo um coldre traseiro preso ao cinto da calça e outro menor na coxa direita, ambos munidos de armas, ervas e venenos. Durante os dias que conviveram, a viu lavar as próprias roupas e deixá-las secar no corpo ou simplesmente comprar substitutas quando havia a necessidade e possibilidade, mas nunca levar consigo.

Mal parecia uma adolescente e ele lamentava que a necessidade militar substituísse a infância e adolescência de crianças e jovens por lutas, seja física ou psicológica. A vida que eles levavam passava longe de ser ideal.

A vida de Sakura passava longe de ser ideal. Ela tinha o quê? Dezessete anos?

Com essa idade deveria conhecer o primeiro amor, descobrir paixões, desbravar tudo o que estivesse ao seu alcance, mas ali estava ela, lutando dia após dia para sobreviver entre os piores da humanidade para salvar aqueles que amava, assim como ele.

Suspirou cansado e enfim desviou o olhar para o céu estrelado. Era frustrante perceber que todos os sacrifícios que fez, todas as decisões que tomou, não foram suficientes para salvar a próxima geração da desgraça que ele viveu.

Quem sabe aquela garota pudesse fazer isso agora que estava assumindo seu lugar naquela história.

Jantaram em silêncio e assim permaneceram pelas próximas horas, até Sakura invocar a lesma que usava para entrar em contato com a Hokage, receber um pergaminho e entregar outro.

— Obrigada, Katsuyu-sama.

A lesma a retribuiu e desapareceu em uma nuvem de fumaça, fazendo a atenção da jovem se voltar para o pergaminho que recebeu, abrindo-o e lendo.

Minutos depois, um mínimo vislumbre de um sorriso ousou puxar o canto dos próprios lábios. A expressão facial dela se retorcia a cada linha lida e então soube o que continha ali.

— A Hokage-sama ainda acredita que tenho salvação? — supôs ácido, recebendo um olhar atravessado em troca — Deixe-me adivinhar: ela quer que você me examine.

Sakura soltou um estalo com a língua e revirou os olhos enrolando o pergaminho e o jogando em sua direção. Pegou por puro reflexo, mas quando tentou ler, teve que massagear os olhos com uma mão devido à visão embaçada que causou tontura.

Qualquer resquício de humor se foi com a constatação de que a cegueira estava avançando mais rápido do que esperava.

— Independente do que Tsunade-sama acredita, ordens são ordens. — ouviu a voz dela próximo, tão próximo que por um instante se surpreendeu e em seguida sentiu uma fragrância leve floral e a quentura da mão dela sobre seus olhos, há uma distância mínima, de modo que não o tocava realmente — Mantenha os olhos fechados.

Obedeceu, mais por assombro do que por cooperação. Acreditava piamente que com o ódio que ela nutria por ele se recusaria a facilitar a vida dele.

Sentiu uma pressão estranha nos globos oculares, depois uma dormência que partiu daquela área para a região do nariz até o topo da cabeça, fazendo-o relaxar pouco a pouco.

Sakura, como estava agachada atrás de si, usou a outra mão para apoiá-lo pelas costas quando sentiu-se dormente demais para manter-se ereto e não reclamou por ter que segurá-lo ao mesmo tempo que o curava.

— Isso não devolverá sua visão, mas aliviará os sintomas de cegueira progressiva. — ela explicou minutos depois, quando a luz verde que irradiava de sua mão desapareceu e a retirou da altura dos seus olhos — Posso encontrar uma maneira de desacelerar seu avanço, mas preciso estudá-lo e ter acesso às informações desse Dōjutsu.

Sorriu de canto perante o tom aborrecido e claramente contrariado. Tsunade conseguiu piorar ainda mais a situação obrigando-a a examiná-lo e curá-lo.

Olhou para trás mirando os olhos esmeraldas afiados.

— Não precisa se preocupar, eu não-...

— Não estou preocupada. — afirmou, curta e grossa, endireitando-se e o encarando de cima com firmeza — Você fez um acordo com Konoha e como Ninja dela devo honrá-lo. Se quer morrer pelas mãos do seu irmão, tem que sobreviver até lá e tenho ordens de garantir que isso aconteça, então facilite a minha e a sua vida e me deixe fazer meu trabalho.

Sem aguardar por uma resposta, ela se agachou novamente, mas desta vez ao seu lado.

— Mais tarde vou escrever um pergaminho pedindo tudo o que houver sobre o Dōjutsu e você precisará assinar para autorizar. — ela comentou enquanto passava nas mãos um tipo de óleo que tirou do coldre traseiro — Imagino que isso seja o suficiente para que a Tsunade-sama possa mexer nas coisas do seu Clã.

Ergueu uma sobrancelha surpreso.

— Está mesmo levando isso a sério?

Ela parou o que fazia e o olhou com uma expressão dura.

— Pareço estar brincando? — alguns segundos de silêncio sucedeu e então ela suspirou cansada e desviou o olhar, se aproximando — Não se mova.

Ergueu as duas mãos na altura do peito dele, uma pelas costas, outra pela frente, e irradiou a luz verde fechando os olhos, provavelmente para se concentrar.

Suspirou ao sentir a mesma dormência de antes naquela região e até ousou comparar o Ninjutsu Médico dela ao de Tsunade.

Quando Tsunade o examinou e o curou, sentiu o chakra moldado com precisão devido à natureza agressiva de sua portadora, mas com Sakura era diferente; o chakra dela era poderoso, não tinha dúvidas quanto à isso, mas ele varria seu corpo com sutileza, com uma genuína e surpreendente gentileza, de modo que era impossível saber por onde passava ao mesmo tempo que era acalentador senti-lo em seu corpo.

Assim como a técnica que ela usou contra ele naquela batalha no esconderijo.

O corpo dele entrou num estado de inércia tão irreversível que, por um breve instante, ele sentiu paz. As vozes das pessoas que matou e que o atormentou a vida inteira silenciaram-se; a dor da culpa, do remorso e de todos os sentimentos corrosivos que carregava desapareceram; o peso da deserção e da traição que estava sobre seus ombros e instaurado e enraizado em seu coração apenas… não estava mais lá.

De um momento para o outro, sentiu-se pronto para partir, não ligando para nada, para nenhuma consequência e nenhum desejo altruísta. Só quis abraçar aquele fim para todos os seus sofrimentos e o fez; e se entregou; e desejou que Sakura acabasse com tudo de uma vez por todas, mas o ódio que ela nutria por ele a fez enxergar aquele propósito e agir justamente de forma contrária, apenas para puni-lo. Bom, não era como se ele não o fizesse por si próprio, afinal o que mais fazia era se punir por tudo o que fez, mas ficou tão frustrado por aquela paz ter desaparecido que desejou com veemência tê-la de volta até em sonhos.

Sonhava com Sakura o matando com aquela técnica.

Oh, sonhava e desejava com todo o seu ser aquele desfecho, mas já não estava mais tão desesperado para se entregar ao egoísmo. Tinha consciência de que ainda havia um último sacrifício a fazer para compensar todos os erros que cometeu com seu irmão mais novo. Devia isso à ele.

— Isso vai doer. — ela avisou e em seguida levou um tapa nas costas tão forte e preciso que a dormência passou em questão de milésimos de segundos, dando espaço para dor do golpe repentino que o fez tossir sangue pelos próximos minutos, e aquilo doeu como o inferno.

Durante a crise de tosse encharcada por sangue observou-a encará-lo com o canto dos lábios puxando um sorriso irônico e os olhos transbordando divertimento.

Aquela garota desgraçada estava se divertindo ao vê-lo se afogar no próprio sangue.

Que criatura mais insolente.

Quando ele estava beirando ao desespero por não conseguir respirar por conta da tosse úmida contínua, ela se aproximou e irradiou chakra verde na altura do peito.

Encarou-a com sobrancelhas franzidas e repreensão velada.

Se queria matá-lo, que fizesse do jeito normal e mais rápido.

— Tinha sangue nos seus pulmões e era necessário expelir. — ela explicou minutos depois quando a tosse parou, sem perder o sorriso irônico.

— E não existe procedimento médico para isso?

Ela deu de ombros e desviou o olhar para o céu noturno, encerrando aquela discussão de meias palavras. Foi aí que entendeu a resposta que ela deu; não com palavras, mas com atos.

Era a maneira de ela puni-lo.

De fazê-lo sofrer sem arcar com consequências.

Suspirou, repentinamente cansado. Não podia nem julgá-la. No lugar dela, faria muito pior.

Sakura levou algumas horas para terminar de curá-lo e quando o fez, escreveu o pergaminho e o deu para assinar. Não conferiu o que ela escreveu, até porque, de que valia ter a assinatura de um renegado?

Em seguida a garota se deitou de costas para ele cobrindo-se com o manto negro até a cabeça e disse que o segundo turno da ronda seria dela, sem dar nenhuma brecha para qualquer negociação.

Apreciava mais quando ele mandava e ela obedecia.

Depois que soube da verdade, ela reverteu a situação de modo que não conseguia contornar as coisas.

E no fim, a quem ele queria enganar?

Verdadeiramente se sentia compelido a deixá-la o mais confortável possível em sua presença. Eram aliados, afinal.

E fazia muito tempo desde que ele teve um aliado verdadeiro com quem pudesse contar.

Fez a ronda, assistiu o nascer do sol quando deveria dormir e dormiu quando deveria caminhar em direção a outro alvo. Ficou extremamente indisposto e sem entender o motivo por um bom tempo, tempo esse que mais passou dormindo do que acordado.

— Aqui. — ouviu a voz de Sakura e forçou os olhos inchados a abrirem, mas não enxergou absolutamente nada e isso o assustou a tal ponto que se mobilizou a levantar, sendo prontamente impedido por mãos pequenas e quentes forçando seu ombro para baixo, para fazê-lo voltar a sentar — Calma. Selei seus olhos por um tempo para regenerar o desgaste provocado pelo seu Dōjutsu. Então mesmo que os abra, não enxergará nada.

Suspirou, forçando-se a se acalmar. Por um instante, achou que estava completamente cego e aquilo o assustou mais do que previu.

Sakura pegou a mão dele e pacientemente o aguardou fechar os dedos em torno de algo cilíndrico que o entregou.

— Beba. Quero testar essa solução para ver como seu corpo vai reagir.

— O que tem aqui? — perguntou.

A voz dela estava serena e não havia traços de divertimento, mesmo assim era inevitável ficar desconfiado, já que da última vez ela lhe prometeu – com atos – punição certa.

— Posso passar as próximas horas te explicando e no final você não entenderá um terço do que eu disser, então apenas beba.

— Sakura… — a repreendeu, mas aparentemente seu tom mais sério não a intimidava mais.

— Só beba! — a voz irritadiça o fez sorrir involuntariamente, mas tão logo sorriu, sentiu a mão dela tomar de sua mão o objeto e ela entorná-lo em sua boca forçosamente — É para o seu bem, Shannaroo!

Engoliu mais porque não tinha opção, ou o líquido licoroso e amargo escorreria de sua boca para suas vestes e odiaria ter algo sujando sua roupa quando não podia enxergar o tamanho do estrago.

Aquela coisa que engoliu o fez vomitar pelas próximas horas, não só vomitar como sofrer com tosses longas secas que o fizeram achar que ia morrer.

Depois ela tentou outra coisa tão licorosa e amarga quanto e novamente com outra porque aquela não tinha dado certo também. Acabou que ele perdeu a conta de quantos dias haviam se passado, porque quando estava acordado, passava mal e se não estava passando mal, estava dormindo.

O que aconteceu para ele piorar tanto e repentinamente?

Sakura estava o matando lentamente?

Vomitou tudo o que havia comido nos últimos minutos mais uma vez e ficou zonzo mesmo sem enxergar absolutamente nada.

Doente e cego. Era para fazê-lo se sentir pior do que estava?

— Acabei de deixar a aldeia militar mais próxima. Nosso alvo não é um Shinobi a serviço da Vila natal, mas foi fundamental na Terceira Guerra Ninja e desde então possui ligações militares seguras com Iwa, onde atua treinando uma nova geração de Ninjas. — ouviu um suspiro alto — Não sabia que um membro da Akatsuki podia ser tão incompetente. Aquele Zetsu definitivamente não vale a moral que o Pain lhe dá. A investigação medíocre dele foi feita pela metade e agora temos que nos virar.

Ouviu a voz carregada de seriedade e irritação e virou o rosto naquela direção. Lembrava vagamente de Sakura montar acampamento com direito à tenda e tudo, onde o deixou confortavelmente instalado com uma bacia onde podia vomitar sem ter que se preocupar de sair correndo para não sujar o local de descanso, cantil de água e frutas por perto.

— O que está acontecendo comigo? Por que estou pior do que antes, Sakura?

Ouviu outro suspiro alto partir dela e o farfalhar de coisas, até que sentiu pelo chakra ela próxima.

— Você sabe alguma coisa sobre a doença que está consumindo sua vivacidade? — Assentiu. Tsunade explicou muito bem. — Então também sabe que quanto mais saudável estiver, mais vai sofrer com os ataques do seu próprio corpo ao seu sistema imunológico.

Respirou fundo e cobriu os olhos cegos com a mão, cansado demais para continuar qualquer diálogo.

— Eu preciso de tempo, Itachi. Estou deixando você o pior que posso para conseguir isso sem que morra. — ela continuou e pegou a mão dele dos olhos com tanta delicadeza que ele se perguntou se aquilo era real — Confie em mim.

Moveu a cabeça na direção da voz dela por reflexo e assentiu porque estava entregue ao que quer que ela estivesse fazendo. Aquele toque gentil e tom transpassando preocupação o fez entender que confiar nela era o mínimo que podia fazer naquela situação.

Ela soltou a mão dele e se afastou de novo, voltando um tempo depois com algo cheirando a ervas.

— Esse chá vai te deixar menos enjoado.

E, realmente, o deixou menos enjoado, mas ainda se sentia à beira da morte.

Certa vez durante aqueles dias enfermo, ela o notificou sobre Tsunade ter enviado pergaminhos secretos do Clã sobre o Sharingan e Mangekyō Sharingan, além do andamento da missão onde estava investigando o paradeiro do Jinchūriki e ficou surpreso por vê-la tão dedicada à encontrar uma forma de desacelerar a cegueira certa e à mantê-lo vivo tempo suficiente para concluir seu último objetivo, ao mesmo tempo que prosseguia com a missão sozinha.

E por muito tempo ela lutou com tudo o que tinha para ter sucesso no que se propôs. Sobre sua saúde, por muitas vezes colheu seu sangue, vestígios de saliva e outras coisas para tentar novas soluções e sobre a missão, o Gobi se mostrou totalmente escorregadio. Quando Sakura pensava que tinha conseguido alcançá-lo, ele escapava por entre os dedos, frustrando-a totalmente e, nos últimos dias, por causa da indisposição dele, ela precisava viajar cada vez mais e ficando mais tempo fora, pois viajava para mais longe na esperança de conseguir um resultado diferente.

Sakura se mostrou tão efetiva que, às vezes, se esquecia de que era apenas uma garota de dezessete anos cumprindo um destino cruel.

Nos últimos tempos estava tão esgotado que mal conseguia se mover sozinho, precisando de ajuda até para ser levado à um lago para se banhar, onde ela lhe dava privacidade e voltava para buscá-lo quando ele a chamava.

Então finalmente o quadro melhorou.

— Os exames que fiz comprovam que essa fórmula será quatro vezes mais eficaz do que a fórmula que a Tsunade-sama criou para você e também desacelerá a cegueira. Então podemos crer que você consiga certo tempo para fazer o que bem entender.

"... para fazer o que bem entender.", ela disse, com certo pesar. Ambos sabiam o que queria. Não era preciso meias palavras.

— Tome. — ela disse e em seguida pegou sua mão apenas para deixar algo pequeno sobre a palma — É uma cápsula que contém essa última fórmula que apresentou bons resultados.

Um objeto cilíndrico pousou cuidadosamente sobre seu lábio inferior e ele entreabriu a boca, sorvendo do líquido raso. Era água. E o objeto era um cantil.

Como ela sabia que ele estava com sede?

Colocou a cápsula sobre a língua e sentiu o cantil sobre o lábio inferior de novo, sorvendo o líquido que varreu o medicamento goela abaixo logo em seguida.

— Acredito que amanhã seus olhos estarão prontos para o uso do seu Dōjutsu. Então é só você tomar essa cápsula duas vezes ao dia, quando acordar e quando for dormir, e evitar o uso do Dōjutsu o máximo que puder, porque mesmo controlando o avanço da cegueira, não posso evitá-lo.

Assentiu e voltou a deitar quando sentiu as mãos dela sobre os ombros, empurrando-o para o conforto de uma espécie de colchonete que ela arranjou nos últimos dias.

— Deixarei o frasco aqui ao seu lado junto do cantil.

— Tudo bem. Obrigado.

— Vou caçar nossa janta.

Suspirou ao ouvir os passos dela já longe. Por mais que esteja sendo gentil, sentia a tensão dela e, principalmente, a contrariedade de cuidar dele. Achou que com o decorrer dos dias a convivência seria mais aprazível, mas se enganou redondamente. E já estava perdendo a esperança de que um dia seria assim.

No dia seguinte, como prometido, Sakura desfez o selo sobre seus olhos e lhe devolveu a pouca visão que tinha. Não melhorou em nada comparado à antes exatamente como ela tinha alertado, mas já não sentia mais as fortes dores de cabeça e nos olhos, e nem tontura ao forçar a visão.

Depois de uma breve conversa sobre o andamento da missão onde foi atualizado, decidiram seguir para a segunda maior aldeia Ninja de Iwa que, segundo as investigações de Sakura, foi onde o Gobi passou os últimos meses instalado.

Utilizando do Henge no Jutsu – Técnica de Transformação – entraram num bar próximo à base militar principal como dois Ninjas comuns e sem os mantos negros com nuvens vermelhas e se acomodaram no balcão, já que a ideia era coletar informações. Tinham passado as duas últimas semanas em viagem e reconhecimento.

— Sakê. — Sakura pediu ao homem que estava servindo um grupo de Ninjas à direita deles.

Olhou-a com a sobrancelha erguida e a assistiu dar de ombros com um sorriso matreiro e ar debochado.

Revirou os olhos.

Que.

Garota.

Insolente.

Saiu dali para fazer o que era preciso e passou as próximas horas observando ao redor e se infiltrando nos grupos de bêbados para conseguir informações relevantes. Quando achou que tinha perdido tempo demais pelo pouco resultado obtido, voltou ao balcão, mas o que encontrou foi a ausência de sua dupla.

Suspirou se perguntando onde aquela garota tinha se metido.

E depois de andar pelo lugar lotado, se surpreendeu ao vê-la rodeada por homens de todas as idades e ovacionando-a com euforia.

Mas o que diabos ela estava aprontando?!

Foi até aquele tumulto pisando duro. Era só o que faltava. A garota, que era menor – tinha que destacar essa parte –, ficou bêbada e perdeu a noção da discrição que tinham que ter como espiões!

Chegou no momento em que ela bateu o copo de Sakê vazio na mesa, ecoando o som antes de outra onda de gritos começar.

— Não disse?! Eu ganhei! — exclamou com a voz risonha durante um riso frouxo. Ela estava bêbada. E ele seria babá de uma adolescente bêbada. Que merda de situação! — Agora quero meu prêmio, Hideki-san!

Um homem que aparentava ter no mínimo umas três décadas a mais que ela, sorriu malicioso antes de se levantar e estender a mão para ela num convite mudo.

Ah, não. Agora, além de babá, ainda tinha que ser o protetor?!

— Tem razão, minha querida. Venha comigo e vou lhe dar seu prêmio.

Os gritos foram mais altos ainda e ele quis colocar toda aquela escória do mundo num Genjutsu para aprenderem a não incentivar ou glorificar pedofilia.

O homem a levou para fora do estabelecimento depois de pagar as contas dos dois e carregando a menor bêbada vacilante, foi até uma estalagem, onde pagou por um quarto.

Estava tão irritado pela situação em que Sakura se colocou com tamanha irresponsabilidade que só percebeu que tremia quando colocou a mão sobre o corrimão da escadaria que levava ao primeiro andar.

Nesse momento paralisou e ficou encarando a própria mão trêmula de raiva com estranheza.

Por acaso ele estava perdendo a cabeça?

Oh, há quanto tempo não sentia algo tão forte pulsar dentro de si?

Aquele Itachi – que no momento subia para o primeiro andar a passos duros e firmes – se parecia muito com o Itachi que cumpria muito bem o papel de irmão mais velho protetor, só que de um garotinho de sete anos e não de uma adolescente.

E era nostálgico e, de certa forma, bom se sentir de tal maneira depois de tudo o que houve, pois achou que aquela natureza protetora tinha desaparecido com o tempo.

Pelo visto só estava adormecido dentro de si.

[...]

NOTAS FINAIS:

Primeiramente: Vocês acertaram na teoria de vocês da prévia sobre o motivo da Sakura ter deixado o Itachi pior do que estava?

Gostaram do motivo real?!

Pronto, pergunta feita, vamos para o resto:

Aí aí aí… os Uchiha são mesmo intensos em tudo o que sentem, não é mesmo? Itachinho perdendo a cabeça como um irmão mais velho da Sakura… nasci para escrever isso! E olha que ele nem sabe que é a futura cunhada dele, hein, vamos nos atentar a esse detalhe kkkkkkkkkkk

Bom, na obra original a história do Gobi é bem vaga, por isso já deixarei avisado que vou explorar isso o máximo possível aqui na fanfic. Vou mudar o rumo sim, vou acrescentar coisas sim e quem não gostar, nem vá ler os dois próximos Kkkkkkkkk

Agora mudando de assunto… sei que vocês devem estar estranhando o comportamento da Sakura. Acertei?

Vocês imaginam o porquê de, mesmo sabendo de toda a verdade, ela esteja agindo assim com o Itachi? Se bem que teve uma hora ali que nossa Sakurinha bondosa e complacente deu as caras, hein! "Confie em mim"... tá bom que o Itachi não vai confiar quando ela foi tão gentil e mansa com ele depois de quase matá-lo kkkkkkkk

Será que ainda há esperança? Contem para mim o que acharam, sim?!

E me contem também o que acharam da versão dele! Eu quebrei a cabeça para escrever esse capítulo, vocês não tem noção! Sei que Itachi é quase como um Deus para alguns de vocês, mas considerem que ele é humano e eu quis muito humanizar ele, mostrar que ele é passível de erros, porque isso vai ajudar vocês a processar o que vai acontecer no próximo capítulo! Falando nisso, já aviso para se prepararem mentalmente, porque o capítulo 13 vai ser tenso, vai ser denso e vai ser pesado emocionalmente!

Aí aí… eu não sei guardar spoiler mesmo, não é? kkkkkkk

Enfim! É isso! Contem-me tudo e não me escondam nada!

Até a próxima!*~

Obs.: Caso queiram ter prévias de capítulo, spoiler e interagir comigo além daqui, me sigam no Twitter por SenpaiNani, Instagram por NaniSenpaiNK e Facebook por Haruno Sah ou Nani Senpai!