NOTAS DO AUTOR:

E aí?! Tudo beleza?

Bom, já aviso para se prepararem para chorar, sentir compaixão, medo e todo tipo de emoção e depois raiva e susto! Tudo numa tacada só, viu?

Só tenho isso para dizer! Leiam com calma e absorvam tudo o que puderem!

Boa leitura!*~

Obs.: Aos AllSaku não se iludam com o que vão ler entre a Sakura e o Itachi! Não há nenhuma conotação romântica, estão avisados! Kkkkkkkk

Obs.²: Esse capítulo tinha 7 mil palavras quando foi dividido, mas, para compensar uma alteração que vou fazer (e conversamos sobre isso nas notas finais), antecipei um acontecimento muito importante que estava distribuído em dois futuros capítulos e isso rendeu 3 mil e poucas palavras aqui. Espero que gostem, de verdade, porque isso vai tirar um capítulo daqui para o fim kkkkkkk

Obs.³: Fanart desse banner desenhada por Bibes exclusivamente para Pétalas de Cerejeira! Bia, minha querida, não canso de dizer que você tem mãos de anjo! Essa Sakura está poderosa demais! Aos leitores e escritores… ela faz cada desenho lindo, gente! Para quem tiver interesse, deixarei os contatos dela nas notas finais!

[…]

CAPÍTULO 15

ENCONTRO INESPERADO

Depois de desmatar boa parte do que havia ao redor e conseguir se acalmar um pouco, respirou fundo, recobrando a razão.

Tinha uma missão para priorizar e não podia contar com ajuda de Konoha. A Godaime Hokage estava inacessível e esse se tornou outro problema que precisava dar atenção em algum momento.

Não tinha muito o que investigar depois dos últimos dias em que até se infiltraram para conseguir informações mais sólidas, mas precisava preparar o próprio corpo para receber o chakra monstruoso do Jinchūriki e de sua vital, por isso se sentou em posição de meditação e se concentrou em criar mais três reservatórios de chakra, distribuídos em pontos espaçados na linha da coluna vertebral, junto do segundo e terceiro que já tinha criado para a coleta dos chakra do Sanbi e Yonbi, localizados do centro de sua nuca para baixo – para não sobrecarregar partes mais sensíveis do corpo – e mais dois reservatórios de energia vital, acrescentando ao segundo que criou depois da missão com Konan, ainda nas costas e na altura do coração. Não que receber a energia vital de uma pessoa fosse suficiente para completar um reservatório, passava bem longe disso, na verdade, mas era bom deixar pronto por precaução.

Em segundo plano de sua concentração, tinha o mapeamento sensorial em funcionamento, vigiando Tobi que perambulava ao redor do esconderijo, provavelmente a procurando, e Itachi parado no mesmo lugar que estava quando saiu.

Concluiu o planejamento junto do sol se pondo e respirou fundo com a sensação de dever cumprido.

No local em que seus novos reservatórios foram criados estava bem dolorido, mas, assim como os primeiros que criou – além do que estava bem no centro de sua testa –, em um dia ou dois pararia de doer.

Voltou sentindo-se um pouco mais preparada para lidar com Tobi e provou isso no decorrer da noite que, por mais que esperasse com ansiedade o mascarado ir embora, teve a paciência testada com piadas e insinuações cada vez mais idiotas e ousadas e, não obstante, passou a noite ali.

Dali duas noites Iwa vai emboscar o Kazekage e, até então, não conseguiram contato com Konoha e com Tobi ali seria impossível tentar mais uma vez. Só torcia para que o mascarado fosse embora logo para que pudessem e – dessa vez – tivessem sucesso em contatá-los.

No dia seguinte, ela ficou encarregada de se infiltrar no campo de treinamento clandestino que tinha descoberto escondido no solo, substituindo um Ninja que capturaram e interrogaram, apenas para ter certeza de que os planos – sobre a emboscada do Kazekage – continuavam em andamento.

E no meio daqueles Ninjas, através do Henge no Jutsu – Técnica de Transformação – como o homem, teve uma ideia um tanto audaz: roubar alguns pergaminhos secretos de Doton – Liberação de Terra.

A partir do momento que aceitou se aliar a Akatsuki era considerada mercenária, então por que não se aproveitar disso? Politicamente já estava condenada, então não influenciaria negativamente em mais nada da qual não pudesse lidar e ainda por cima conseguiria melhorar as próprias habilidades.

Foi com aquela conclusão que invadiu o quarto privativo que pertencia ao Gobi, que desde que se infiltraram não apareceu e desconfiava que só apareceria na tal reunião. Depois de vasculhar todo o lugar e encontrar um baú escondido com o mesmo selo que escondia no solo aquele grande campo de treinamento, avaliou as técnicas mais úteis e as copiou para um pergaminho próprio, pois se roubasse perceberiam, descobrindo que tratavam-se de técnicas que foram utilizadas até mesmo por algumas gerações de Tsuchikage – Sombra da Terra.

Por que estavam ensinando Ninjas de patentes comuns técnicas especiais e secretas pertencentes aos Líderes de uma das Grandes Nações Ninja?

Aquilo estava se tornando cada vez mais perigoso e não se referia a si mesma, mas ao mundo Shinobi. Iwagakure estava indo longe demais para uma Vila que só queria disputar pelas fronteiras.

Antes de sair, estudou o quanto pôde as demais técnicas com o intuito de se preparar para quando enfrentá-los e saiu dali na surdina, da mesma maneira como entrou.

Quando voltou para o esconderijo, já no fim do dia, se deparou com Tobi dormindo e Itachi lendo um pergaminho. Pensou em cumprimentá-lo, mas achou arriscado, pois não conseguia acreditar que aquele mascarado cínico estivesse realmente dormindo, por isso só tirou o manto negro e avisou que iria se banhar, saindo em seguida.

Ao voltar, foi recebida por uma animação contundente.

— Você voltou, Haru-chan! — a exclamação infantil a vez respirar fundo discretamente. Passou pelo mascarado ignorando os braços abertos em sua direção numa menção de abraçá-la e pegou o manto negro, vestindo-o com calma — Que tal caçarmos?

— Passo.

— Por quê? — o tom dele desceu dois décimos, aparentando chateação — Haru-chan não quer ir comigo?

— Não.

— Mas, Haru-chan…

— Já que está aqui, — começou, virando-se para ele — faça algo útil e comece a ronda. Itachi assume antes de amanhecer e depois eu vou.

O tom não dava brechas para discussão e por sorte Tobi entendeu, pois assentiu e se retirou. Quando o mascarado estava há mais de dez quilômetros dali, olhou de esguelha para Itachi, que estava sentado com um pergaminho em seu colo aproveitando a luz da fogueira para ler, pegando-o a encarando.

— O que houve?

— Nada. — suspirou e se sentou, massageando os olhos com uma única mão.

— Está tensa e impaciente, Sakura. Alguma coisa aconteceu.

Cruzou os braços e ficou encarando um ponto qualquer no chão. Um tique nervoso começou em sua perna direita.

— Tobi me irrita.

Itachi sorriu de canto e ela revirou os olhos, querendo tirar aquele sorriso no soco.

Certo, talvez estivesse mesmo tensa e impaciente demais.

— O problema não é o Tobi.

Touché.

Itachi também a irritava por ser tão assertivo quando se tratava dela.

Mordeu a ponta do dedo polegar e depois passou a mão no rosto com exasperação, admitindo que estava muito preocupada com as últimas descobertas.

— Han guarda pergaminhos de técnicas secretas que foram utilizadas por algumas gerações de Tsuchikage. — mordeu o lábio inferior por um momento deixando que o parceiro absorvesse aquela informação — Ele está treinando Ninjas de todas as patentes com aqueles pergaminhos, Itachi.

Sentiu Tobi aparecer repentinamente há apenas alguns metros dali e usou do Shunshin no Jutsu – Técnica de Cintilação Corporal – para avançar para cima do Itachi, pegando até mesmo ele desprevenido, já que arregalou minimamente os olhos e ativou o Sharingan que tinha desativado assim que Tobi os deixou sozinhos.

Com a mão segurando o pescoço dele rudemente, apertou-o contra a parede.

— Repete o que disse. — ameaçou entre dentes, sentindo o mascarado ocultar o Chakra de repente, sentindo-o apenas pelo mapeamento sensorial de energia vital — Repete, porque só o que preciso é de uma desculpa para terminar o que comecei naquela batalha.

Itachi era muito intuitivo e inteligente, já deveria ter entendido o que estava acontecendo, então quando ele sorriu de canto arrogantemente, sem se abalar com a ameaça dela, não se surpreendeu por vê-lo continuar a encenação.

— Acha que pode me matar, garota? — o mesmo tom que ele usou com Tobi, estava sendo usado naquele instante e ela estremeceu involuntariamente, mesmo sabendo que era uma maldita encenação — Tanto eu quanto você continuaremos frustrados, porque nenhum de nós pode fazer o que realmente quer aqui.

Forçou um sorriso despontar o canto dos próprios lábios, reunindo toda a agressividade que tinha para rebatê-lo a altura. Aquele era o momento de provar ao Tobi que as desconfianças dele eram infundadas.

— E você acha que alguma coisa me importa a ponto de eu desistir de fazer o que quero? — ergueu uma sobrancelha ao sentir uma mínima oscilação no chakra do Tobi que a permitiu captá-lo por segundos no mapeamento de chakra. Ele estava agitado, então provavelmente estava se convencendo de que aquilo era real — Estou me lixando para a Akatsuki e para o fato de que vão me caçar até o fim da minha vida. Serão só mais um na lista infinita de quem quer o mesmo. — forçou o sorriso a alargar — Desde que eu tenha sua cabeça em uma bandeja, lido com o que for preciso.

Então juntou todo o… ódio que um dia já sentiu por ele para transbordá-lo pelo olhar para ser convincente.

— Então tente.

Com aquela sentença, Itachi se desvencilhou do seu agarre e a empurrou para ganhar espaço e se levantar, já que estava praticamente deitado devido ao ataque repentino dela.

Assim que conseguiu manter o equilíbrio, tentou avançar para cima dele, mas foi surpreendida por um ataque de múltiplas Kunai com tarjas explosivas, da qual desviou de todas sem dificuldade, mas teve que saltar para alguns metros dali, rasgando a tenda com uma Kunai, apanhada no último instante, para fugir da média explosão que iluminou o breu da noite por segundos.

Logo que pousou foi surpreendida outra vez pela aparição repentina do oponente bem ao seu lado, obrigando-a a saltar novamente e utilizar o Kawarimi no Jutsu – Técnica de Substituição do Corpo – para fugir, só que dessa vez do Katon: Gōkakyū no Jutsu – Liberação de Fogo: Técnica da grande bola de fogo.

Maldição. Estava com a sensação de estar mais uma vez naquela batalha onde ambos foram além do aceitável para realmente vencer e aquilo causou uma dor emocional que quase se tornou física.

Fez alguns selos e criou quatro Kage Bunshin – Clone das Sombras –, avançando para cima dele com Taijutsu – Técnicas Corporais – para impedi-lo de usar o Katon novamente. O pressionou por um bom tempo através de sua agilidade superior, obrigando-o a invocar o Susanoo para se defender, mas antes que o humanoide terminasse de ser solidificado, usou do Shunshin no Jutsu – Técnica de Cintilação Corporal – com o corpo verdadeiro para transpor a barreira em andamento, colocando-se atrás de seu portador em uma velocidade indetectável.

Foi seu recorde pessoal. Nunca foi tão rápido quanto naquele momento, o que significava que os constantes treinos pesados de agilidade estavam dando resultado.

Conseguiu ser tão ágil que Itachi só percebeu que estava dentro da proteção do humanoide junto dele quando abraçou-o por trás, levando a mão esquerda para o pescoço dele.

Tamashī no Aki no Jutsu – Técnica do Outono da Alma. — murmurou, sentindo a técnica começar a drenar energia vital depois que as ramificações de Cerejeira de seu antebraço o cobriram — Você já era, Itachi.

E, conforme o tempo passava, ela perguntou quando Tobi iria impedi-la. Não era possível que ele permitisse que ela o matasse. Torcia para que não permitisse, embora continuasse sugando continuamente.

A defesa absoluta dos Uchiha se desfez e um bom tempo depois Itachi perdeu força nas pernas, levando-os ao chão, já que continuava o abraçando por trás e o segurando pelo pescoço com a mão esquerda.

Quando começou a se desesperar por estar perto de esgotar a vital dele, Tobi usou a técnica de teleporte ou transportação para se materializar bem a frente deles.

Sakura, pare!

"Sakura" e não "Haru-chan";

A voz sóbria e não a infantil;

Uma advertência e não uma exclamação.

Ótimo, agora sim ele entendeu que a coisa era séria.

Forçou um sorriso despontar os lábios.

— Me dê um bom motivo.

— Itachi é seu parceiro.

— Um bom motivo, Tobi. Só restam dez por cento do que o mantém vivo. — blefou, drenando bem menos do que o normal para dar a ele tempo de convencê-la. Apesar de não ter parado, para reafirmar o quão séria estava, não pretendia matar o Itachi no processo — Se quer me convencer, tem que melhorar o argumento.

— Você tem mais o que fazer do que odiá-lo. — a voz continuava grave. Bom, muito bom. — Você mesma disse isso.

— E eu também disse que se me irritasse a coisa mudaria.

— Eu não sei o que ele fez para irritá-la, Sakura, mas temos uma missão para concluir e Itachi é um dos poucos membros que restaram que pode nos auxiliar, então pare, agora.

Quis suspirar de alívio, mas travou o maxilar para demonstrar contrariedade. Depois suspendeu a técnica, fazendo os traços negros voltarem ao formato original em seu antebraço esquerdo. Soltou Itachi para o lado sem cuidado algum, amaldiçoando-se por tudo ter ido tão longe apenas para assegurar de que eram inimigos.

Se levantou erguendo as mãos em rendição teatralmente com um sorriso de canto atroz.

Se aquilo tudo não convencer Tobi, nada mais convenceria. Só esperava que fosse suficiente.

Saiu andando na direção do acampamento explodido, praguejando mentalmente por tudo ter ido para os ares. Ainda havia fogo consumindo parte do ambiente ao redor e somente essa luz e a da lua iluminavam o espaço.

Porcaria. Até as ervas que estava cultivando nos últimos dias para futuras soluções venenosas foram queimadas.

— Vai deixá-lo assim?

Ouviu a voz séria do Tobi perguntar, mas não cessou os passos, apenas o olhou por cima do ombro.

— Deixá-lo à beira da morte por algumas horas vai fazê-lo entender porquê deve medir as palavras quando se dirigir a mim. — acenou com uma mão e utilizou o Shunshin no Jutsu para sair dali, deixando simbólicas pétalas de Cerejeira para trás.

Lamentou ter que deixar o Itachi lidar com todo o mal estar de se estar à beira da morte, mas era preciso. Tobi precisava entender definitivamente que eles não tinham se entendido e nem que se aliaram e, mais importante, que aquilo jamais aconteceria.

Se afastar de lá, sentindo a quantidade extremamente baixa de energia vital do Itachi, foi muito difícil. Sem perceber, aquela dor emocional se tornou física.

Parou bruscamente sua corrida por entre os galhos e caiu sobre os joelhos ao pousar no chão, deixando as lágrimas fluírem abundantemente.

Quebrar mais uma das mais importantes regras que se impôs a quebrou mais do que podia prever.

Ferir um verdadeiro aliado, a feriu mais do que era capaz de lidar.

Era muito para aguentar.

Era muito para sentir.

Era muito para esconder.

Assim como era muito para guardar.

Quando aceitou se tornar uma desertora de Konoha e se aliar a Akatsuki, repetiu para si mesma por todo aquele ano em preparo nas sombras que dias piores, frustrantes e agonizantes a aguardavam e junto disso tentou se convencer de que a frieza e a racionalidade seriam sua maior aliada e que a moldariam de forma que seria capaz de aguentar qualquer coisa.

Mas ela não estava mais aguentando.

Não sabia dizer o motivo daquele fardo ter tido o peso triplicado da noite para o dia, mas a impotência pulsava forte em seu coração, mais forte do que qualquer felicidade que já teve a honra de sentir.

E aquilo não era bom.

Tirou aquele manto negro com nuvens vermelhas do corpo como se a queimasse e gritou para extravasar ao menos parte do que estava sentindo, repetindo o grito em meio às lágrimas uma centena de vezes até que finalmente conseguiu ficar mais calma.

Calma não… letárgica.

Ergueu a cabeça que tinha enfiado na grama como se pudesse se esconder daquele caos e respirou fundo enxugando as lágrimas.

Com a mente em branco conseguiu organizar as ideias e percebeu algo muito importante:

Os pesadelos diários;

A pressão de se sentir impotente diante de sua missão prioritária – destruir a Akatsuki de dentro para fora –;

O desespero da missão de captura do portador do Nove Caudas estar cada vez mais próximo, consequentemente o momento de enfrentar seu melhor amigo, aquele que deixou para trás;

O medo crescente por não ter o retorno de Konoha;

A agonia de sentir que estava perdendo parte de si mesma naquela empreitada;

O pavor de ter que ferir um verdadeiro aliado mais uma vez;

A dor de entender a dor do Itachi e o receio de não conseguir fazê-lo mudar de ideia;

O horror de falhar;

Tudo… tudo aquilo estava a sobrecarregando, porque não estava lidando de maneira correta mais uma vez.

Porque, mais uma vez, estava se envolvendo emocionalmente demais e isso anulava qualquer racionalidade que tinha que ter.

Ela não era irracional.

Não era emotiva.

Não era mais a Haruno Sakura da Vila da Folha.

Ela era uma Nukenin – Ninja Fugitiva – Rank S, um membro da Organização criminosa mais temida do Mundo Shinobi que possuía o método mais eficaz de captura e neutralização dos Jinchūriki, uma dos nove, o pilar Sul, uma Akatsuki.

E com aquele mantra, fechou os olhos e orou para que seus ancestrais e Deuses a ajudassem e a guiassem para que conseguisse continuar percorrendo aquele caminho obscuro.

Suspirou, vestiu o manto negro com nuvens vermelhas e se levantou, olhando ao redor. Mentalmente repassou o que era preciso ser feito e voltou quando se convenceu de que era capaz de prosseguir depois de extravasar um pouco do que sentia.

Voltou numa corrida leve, inspirando e expirando pausada e continuamente para reunir ainda mais tranquilidade. Tinha certeza de que perderia o pouco da sanidade que conseguiu recuperar assim que seus olhos caírem sobre seu parceiro e não podia permitir que isso acontecesse, não com Tobi por perto.

Ao chegar se concentrou na destruição do que um dia foi um acampamento improvisado e chutou de leve o que restou da tenda, ouvindo passos atrás de si.

Pelo mapeamento sensorial sabia quem era, só não sabia com qual faceta teria de lidar naquele momento.

— Já puniu Itachi o suficiente. — a voz sóbria e grave lhe mostrou que não era o idiota, mas continuou o ignorando, ao andar mais para frente e pegar um vasilhame com a solução que criou para o braço, guardando-o no coldre traseiro — Sakura!

— Está bem! — gritou de volta, grunhindo em seguida ao olhá-lo — Estou indo!

Quando passou por ele, trombou propositalmente nele e marchou até o Itachi, que estava sentado e recostado contra uma árvore há alguns metros dali. Não o olhou em nenhum momento, apenas se agachou ao lado dele mirando o céu noturno para não ter nenhuma oportunidade de vê-lo. O tocou no braço, devolvendo a energia vital que sugou lentamente para não machucá-lo ainda mais.

Tobi se aproximou também e depois de observá-los por alguns minutos, quebrou o silêncio.

— Tenho que voltar para o esconderijo, mas não façam nada estúpido em minha ausência. A Akatsuki precisa dos dois vivos para concluirmos nossos planos. — nem ela e nem Itachi disse nada e isso o fez bufar — Entenderam?

"… nossos planos" e não "planos deles". Que escorregão, Tobi.

Agora já tinha a resposta para a pergunta que um dia fez ao Itachi. Tobi podia não se intitular o líder da Organização, mas certamente agia como tal. Só restava descobrir até que ponto ele tinha liberdade para agir sob a fachada que criou para se esconder e se Pain tinha consciência de que estava sendo manipulado.

— Sim. — o Uchiha respondeu.

— Sakura?

Cerrou os dentes. Depois de agir como um idiota e tratá-la como outra idiota, achava que podia exigir seriedade.

Era o fim da picada.

— Sim. — respondeu a contragosto, sem olhá-lo.

— Ótimo. Volto amanhã.

Tobi ainda esperou algum tempo por uma resposta, mas quando percebeu que nem ela e nem o Itachi pretendia dá-lo, se transportou ou teleportou dali, fazendo-a suspirar em alívio.

Aguardou por alguns minutos ainda, para ter certeza de que Tobi não voltaria, e quando teve certeza se esgueirou para a frente do Uchiha, varrendo o rosto dele com cautela, sem parar a transferência de vital e também de chakra, já que estava baixo apesar de não terem lutado por muito tempo.

Suspeitava que a doença consumia o chakra da mesma maneira que consumia a energia vital e que a situação se agravava sempre que ele utilizava uma quantidade considerável de chakra, mas ainda era apenas uma teoria, que tiraria a prova assim que surgir uma oportunidade.

— Me desculpe. Eu não queria-…

Ele negou com a cabeça, puxando o canto dos lábios num meio sorriso apagado pela falta de vivacidade, já que estava devolvendo suas energias lentamente conforme o curava.

— Está tudo bem.

— Não. Não está. — Olha lá. Tinha certeza de que se desestabilizaria assim que o visse. Sentiu os lábios começarem a tremer e a garganta fechar. Os olhos ardiam tanto que não conseguiu frear as lágrimas — Me desculpe, por favor, me desculpe…

Ele tinha um corte feio no supercílio e um hematoma severo no canto da boca, resultado dos golpes que trocaram durante o Taijutsu.

— Está tudo bem, Sakura. — ele repetiu calmamente, segurando a mão trêmula dela que ainda segurava o braço — Está tudo bem.

— Não está não… — a voz embargada falhou no final da frase e soluçou sentindo o choro ganhar força — eu não queria que tudo isso tivesse acontecido.

— Eu sei. Só fizemos o que era preciso, por isso está tudo bem.

O chakra dela oscilou com o descontrole emocional e a energia vital também, então não lhe restou outra opção a não ser parar o que estava fazendo, antes que o machucasse.

Abaixou a cabeça, fechando as mãos sobre as coxas com força, e umedeceu o lábio inferior seco, sentindo o sabor salgado das lágrimas abundantes que escorriam por suas bochechas.

— Ele estava desconfiado.

— Eu sei.

— E eu tinha que destruir essa desconfiança.

— Sim, você fez a coisa certa.

Respirou com dificuldade e fungou, enxugando o rosto.

— Eu só fiz o que fiz porque tinha certeza de que ele ia interferir.

— Sakura. — fechou os olhos e mordeu o lábio inferior trêmulo — Olhe para mim. — não o olhou, não tinha coragem, por isso negou com a cabeça algumas vezes — Vamos, olhe para mim, por favor. — quando negou com a cabeça mais uma vez, sentiu um toque gentil no queixo e abriu os olhos, vendo-o erguer seu rosto com delicadeza, olhando-a com um semblante sereno — Não se martirize por isso. Eu entendo. Você só fez o que era preciso. — franziu o cenho, sentindo mais lágrimas fugir dos seus olhos — Está tudo bem. Mesmo que tivesse concluído sua técnica e me matado, estaria tudo bem, porque eu entendo-…

— Não. — o cortou, horrorizada com o rumo daquela linha de pensamento dele — Não! Não fale isso!

— Acalme-se, está tudo bem.

— Pare de repetir isso! — tirou a mão dele de si e se jogou para trás, sentando-se bruscamente com o movimento mal calculado — Não está tudo bem! Eu jamais concluiria minha técnica! Nem que para isso eu tivesse que-…

— Só estou dizendo que te entenderia se tivesse me matado.

Negou com a cabeça inúmeras vezes, ainda mais horrorizada.

— As coisas são diferentes agora, eu não tenho motivo algum para querer uma coisa dessas. — fungou nervosamente, ainda frisando a negativa com a cabeça — Eu jamais o mataria ou sequer iria querer o seu mal.

— Mas se quisesse-…

— Eu não quero! Pare de dizer isso! — gritou ainda mais, mesmo que ele estivesse falando com ela calmamente, como se o assunto fosse banal. Escondeu o rosto com as mãos, se entregando ao choro compulsivo — Eu só quero que você pare de desejar tanto assim a morte! — tirou as mãos do rosto e o encarou — A vida tem muito mais a oferecer do que apenas dor, Itachi!

Então ele se calou, olhando-a com o choque estampado em seu rosto que quase sempre se mostrava inexpressivo.

Exasperada, enxugou as lágrimas, sentindo-se à beira da insanidade, porque do descontrole já cruzou a linha há um bom tempo.

O caos era tão grande eu seu interior que já nem sabia mais porquê estava discutindo. Todo o preparo antes de chegar ali desapareceu como pó e só o que queria era dar voz às emoções abaladas.

— Você não pode desistir, não agora… — bateu a mão espalmada contra o próprio peito — estou aqui e vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para te provar que a vida tem muito mais a te oferecer do que apenas a dor!

— Sakura-…

— Não. Você vai ouvir tudo o que tenho para dizer! — exigiu, com o dedo indicador em riste — Eu te entendo. Te entendo tanto que dói e dói tanto, mas tanto, que estou ficando irracional, mas eu sei de uma coisa: essa dor passa, porque tudo passa, Itachi. Só precisamos seguir em frente não importa como, sem olhar para trás. O passado está no passado e o presente nos aguarda para seguirmos para o futuro. E você e eu vamos seguir, você entendeu?!

Eles se encararam sob o silêncio por algum tempo.

Estava tão nervosa que a respiração estava pesada e ofegante e as lágrimas que escorriam por seu rosto não eram mais de tristeza, era de raiva, raiva por querer que aquelas palavras tivessem força o bastante para se transformarem em verdades, em realidade.

Então, quando estava prestes a se levantar, foi surpreendida por braços cuidadosos a envolvendo com calidez, puxando-a contra o peitoral num abraço forte.

Ficou tão surpresa que levou alguns segundos para entender o que tinha acontecido e o que ainda estava acontecendo.

Itachi a abraçou e começou um cafuné reconfortante na nuca com uma das mãos enquanto a outra se movimentava para cima e para baixo em suas costas.

— Você está dizendo tudo isso para mim ou para você mesma? — ele perguntou num tom sereno e ela ofegou, abalada — Não que isso importe. Suas palavras me tocaram, Sakura. Sua compaixão, gentileza e preocupação me tocaram, só que eu tenho um objetivo e vou cumpri-lo. — grunhiu impotente e tentou se desvencilhar dos braços dele o empurrando, mas ele a impediu, a abraçando ainda mais forte — Mas obrigado, por tudo. — continuou ele, assim como suas carícias na nuca e nas costas — Vou adiar meu fim o quanto der para ficar ao seu lado e ajudá-la o máximo possível e em troca só peço que respeite meu desejo, está bem?

Os braços automaticamente o envolveram, correspondendo aquele abraço com desespero, então afundou o rosto no peito dele, permitindo-se sentir toda a proteção e conforto dos braços dele.

E mesmo a contragosto, assentiu. Assentiu porque, como havia lhe dito, ela o entendia.

Também queria desistir.

Também queria um fim para toda aquela dor.

Mas não podia. Não deixando tantas coisas pendentes. Não tendo tantas pessoas dependendo dela. Não sem completar sua missão prioritária e nem sem garantir a segurança de todos que amava.

Enquanto Itachi estava no fim de sua missão, a dela ainda estava só no começo.

E ela sofreria muito, assim como ele sofreu, antes de ter o direito de ter paz.

Chorou tudo o que precisava nos braços do Itachi, que a acarinhou todo aquele tempo ternamente, aguardando-a pacientemente ficar melhor.

Quando o choro cessou, mais por cansaço físico e esgotamento mental do que por se sentir melhor, o Uchiha primogênito sugeriu que fossem para a caverna para se abrigar e só o que fez foi assentir e se deixar ser levada, em braços quentes que a seguraram como se fosse um bem precioso.

Chegando na estrutura natural rochosa, ele a deitou com cuidado e acariciou seu rosto sorrindo com uma expressão serena, pedindo para que descansasse enquanto ele caçava a janta.

E quando a deixou sozinha, fechou os olhos e mergulhou na escuridão da inconsciência.

Despertou com a oscilação do próprio chakra. Abriu os olhos sentindo-os inchados e piscou repetidamente até a visão distorcida por lágrimas se acostumar com a claridade de uma manhã ensolarada.

Olhou ao redor, percebendo uma fogueira quase apagada e Itachi recostado contra a parede rochosa a encarando.

— Pesadelo?

Assentiu, enxugando a testa suada com as costas da mão e depois o rosto.

— O que era?

Olhou-o diante do tom cauteloso e buscou na memória a resposta para aquela pergunta, mas não encontrou.

Franziu o cenho.

Não lembrava. Simplesmente não lembrava.

Ainda sentia vestígios de ter tido um pesadelo: corpo trêmulo, uma dor dilacerante no peito, um medo irracional crescente, a sensação de ter vivenciado algo muito ruim e as lágrimas, no entanto, não havia nada que os justificasse.

— Não lembro. — respondeu, olhando-o. Um sorriso fraco moldou os próprios lábios e ela cobriu com a mão trêmula um dos olhos — Eu não lembro.

Começou a rir sem saber o porquê. Talvez estivesse insana ainda.

— O que é engraçado? — ele perguntou calmamente, trazendo-a ao presente.

A risada parou aos poucos, gradativamente até a boca dela perder qualquer molde de sorriso.

— Eu não lembro. — repetiu, olhou em volta ao se sentar e depois o mirou — Eu não lembro e, quer saber? Isso é ótimo.

Era ótimo porque não tinha o que remoer o restante do dia.

Se todos os dias passarem a ser assim, estava feita na vida.

Itachi ergueu uma sobrancelha parecendo preocupado, mas não queria mais preocupá-lo, por isso pensou em uma maneira de distrai-lo, foi quando percebeu um manto negro com nuvens vermelhas em seu colo.

Olhou para o próprio corpo vendo que vestia o próprio manto e o olhou, deparando-se com a ausência do manto no corpo dele. Voltou a encarar o manto em seu colo e mais uma vez para ele.

Itachi… a cobriu?

Dobrou a peça e a entregou com um sorriso agradecido.

— Obrigada por cuidar de mim e… me desculpe por-…

Ele negou com a cabeça pegando e vestindo o manto negro e ela engoliu o restante da frase, sabendo que era desnecessária.

Itachi a entendia, assim como ela o entendia.

Não precisavam expor mais do que já expuseram.

E, mais uma vez, fecharam um acordo implícito.

Mirou o rosto dele mais uma vez, sorriria se a situação não fosse trágica. O rosto sempre impecável estava com os hematomas da luta da noite anterior ainda mais evidentes.

— Preciso terminar de te curar.

Ele assentiu e o fez, mais uma vez transferindo mais chakra e energia vital para acrescentar ao que drenou e deixá-lo com uma quantidade extra para serem consumidos nos próximos dias. Depois curou o corpo dele afetado também pela doença e, por último, os hematomas da luta.

E bem no momento em que terminou de curar o rosto viril, sentiu Tobi no mapeamento sensorial, no que restou do acampamento que deixaram para trás.

Suspirou, concluindo que Itachi foi sábio ao sugerir que saíssem de lá, embora se ele a pegasse curando o Uchiha não levantaria desconfianças já que foi ordenada por ele próprio para que o currasse.

— O que foi?

— Tobi está aqui.

— Lá no acampamento?

— Sim. — suspirou mais uma vez, tirando do coldre traseiro mais cápsulas com a fórmula que criou para controlar a doença e a cegueira. Entregou o frasco com doses suficientes para mais um mês — Acrescentei algo na fórmula anterior, para aumentar a possibilidade de contenção da doença, mas não sei como seu corpo vai reagir diante da mudança, então me avise se houver qualquer sintoma novo, ok?

Ele assentiu, guardando o frasco e ela se levantou, se afastando dele.

— Vou buscar o idiota.

Itachi sorriu de canto, provavelmente pelo xingamento, mas apenas assentiu.

Saiu de lá se obrigando a não pensar em nada e blindou sua mente para que Tobi não a pegasse com suas pegadinhas e testes.

— Mas que merda. — ouviu-o resmungar em seu tom sóbrio, coçando a cabeça.

Ele não sabia que estava à espreita o vigiando, então aproveitou para ver o que faria.

Acompanhou-o quando se transportou ou se teleportou mais três vezes para pontos perto dali e observou cada reação dele. Em certo momento, depois de aparentemente ter se cansado de procurá-los, ele praguejou alto mais uma vez, fazendo algo que a fez estreitar os olhos e sentir o coração falhar uma batida ao mesmo tempo: tirou a máscara e deixou a verdadeira face exposta, coçando a cabeça e olhando para os lados.

Poderia se sentir aliviada de saber que ele não tinha nenhuma habilidade de rastreamento, mas só o que sentiu foi curiosidade.

O encarava vidrada, decorando cada linha de expressão daquela face.

O homem tinha a metade direita do rosto deformada e, apesar de ter o Mangekyō Sharingan – e não o Sharingan como supôs antes – no olho direito, mantinha o olho esquerdo fechado, então não conseguia nem imaginar o que havia ali.

Seria outra arma visual? Porque se fosse outro Sharingan ou Mangekyō Sharingan, estaria exposto.

— Porra! — ele esbravejou, usando de sua habilidade para desaparecer dali numa espiral.

Respirou fundo chocada e se apoiou contra a árvore, com o cérebro à mil.

Tantas teorias… tantas sendo criadas rapidamente, uma mais perigosa do que a outra, a deixou estática.

Maldito Uchiha.

Céus… ele era ainda mais perigoso do que pensava.

Sentiu-o há três quilômetros dali e usou o Shunshin no Jutsu – Técnica de Cintilação Corporal – para alcançá-lo com o álibi de voltar de uma ronda.

— Haru-chan! Haru-chan, aqui! — ouviu-o gritar no habitual tom infantil e cessou a corrida, olhando na direção da voz dele, como se não tivesse o observando por todo aquele tempo. Já mascarado, ele vinha saltitando em sua direção, como o idiota que queria parecer que era — Nossa! Estou há um tempão procurando vocês! Onde estavam?!

Revirou os olhos e jogou todo o peso do corpo na perna esquerda numa postura desdenhosa.

— Estou voltando do meu turno da ronda.

— E o Itachi-senpai? Cadê ele?

Deu de ombros e começou a andar na direção da caverna.

— Cadê ele, Sakura?

Oh… e lá estava a voz grave em tom sério dando as caras.

— Se ainda estiver vivo-… — deu de ombros novamente deixando a continuação daquela frase no ar e ele segurou seu pulso com força, obrigando-a a virar para ele. Sorriu de canto com arrogância — calma. Foi só uma piada.

Então se encararam por um tempo conforme ela mantinha o sorriso de canto evidente e ele o rosto mascarado virado para seu rosto.

— O que foi? Acha que só um de nós tem o direito de brincar? — desvencilhou-se do aperto do pulso, dando um peteleco informal na máscara alaranjada, bem onde seria a testa — Deveria agradecer por eu estar de bom humor, não acha?

Depois de perguntar com descaso, retomou a caminhada, dessa vez sendo seguida. Tobi não disse nada, mas, antes que adentrassem a caverna que já oferecia a visão de um Itachi sentado lendo um pergaminho, ele segurou seu braço, impedindo-a de avançar.

— Qual o motivo do seu bom humor? — a voz continuava grave e séria… oh, era tão bom ouvi-la, porque isso provava de que estava sendo levada a sério.

Sorriu de canto atroz, olhando-o por cima do ombro.

— Eu descobri uma coisa sobre você. — permitiu o sorriso se alargar ao ver os ombros dele enrijecerem visivelmente — E quer saber o que é mais interessante? — a pergunta retórica fez com que o aperto em seu braço aumentasse significativamente — Você pode se mostrar um idiota e mudar de faceta quando lhe convém, mas uma coisa não muda nessas transições: a forma como você me subestima.

— Do que está falando? — só vinte e dois segundos depois ele conseguiu proferir aquela pergunta e isso a fez arquear uma sobrancelha em desafio.

— Você quer saber o motivo de eu não tolerar o Itachi? — continuou o desafiando, mantendo o sorriso arrogante — Mostre-me "seu verdadeiro eu" e me diga algo que eu não sei e em troca te mostro o "meu verdadeiro eu" e te digo o motivo.

O encarou por alguns segundos e o deixou para trás para refletir. Era uma jogada arriscada, mas necessária.

Não podia mais perder tempo. Tinha que descobrir quem estava à frente das ações da Akatsuki para planejar os próximos passos. Nem mesmo Itachi podia afirmar, com certeza, de que não era Tobi. Claro que não receberia uma afirmativa na lata, mas algo lhe dizia que receberia algo muito melhor.

Sabia que o mascarado estava intrigado com a informação que lhe ofereceu, tanto era que tocou no assunto no dia anterior. Então só precisava aguardar e torcer para ele lhe oferecer algo de qualidade em troca.

Assim que ela se sentou para começar a meditar, o Uchiha primogênito fechou o pergaminho e se levantou sem olhá-la, saindo em seguida depois de anunciar que faria a ronda.

Tobi não disse nada, apenas se sentou no lado oposto da caverna e ficou com o rosto mascarado virado em sua direção, a vigiando. Não podia se importar menos. Fechou os olhos e se concentrou em criar irrigações de energia vital e chakra para quando fizer a drenagem agressiva de quarenta por cento ou até cinquenta por cento se for necessário das energias do Gobi não ter o corpo mutilado.

Aquela era uma nova medida de contingência do Kinjutsu. Só torcia para dar certo.

Ao noitecer Itachi chegou e Tobi disse que tinha que ir, sem dar maiores explicações.

Pelo menos foi embora e essa era uma prova concreta de que suas desconfianças de uma possível aliança entre ela e o Itachi foram para o ralo abaixo e que só apareceu mais uma vez para conferir se não se mataram ou se mantinham ao menos alguma civilidade um com o outro.

Quando ficou sozinha com o Uchiha primogênito, abriu os olhos. Fazia alguns minutos que tinha terminado o que precisava fazer, só que não quis dar nenhuma abertura para Tobi irritá-la.

— Precisamos conversar.

Só foi preciso aquela frase para que Itachi saísse da caverna e seguisse para longe dali, para não terem a localização em fácil acesso para qualquer aparecimento repentino do Tobi. Há doze quilômetros de lá, pararam sob a luz baixa da lua crescente.

— Tobi tem Mangekyō Sharingan. — comentou e Itachi assentiu. Já suspeitava que ele sabia, mas era preciso começar aquela conversa de algum lugar e escolheu pelo básico — O que você sabe sobre ele?

Parecendo pensar um pouco, ele a respondeu um tempo depois:

— Alguns meses antes do Massacre, Tobi rodeava Konoha sob a identidade de Uchiha Madara e foi por esse nome que se apresentou para mim.

Assentiu, cruzando os braços e colocando o dedo indicador dobrado sob o queixo.

Uchiha… Madara.

Esse nome não lhe era estranho.

Então, depois de minutos sob o silêncio em que Itachi respeitou seu momento de reflexão, se recordou de onde ouviu aquele nome.

O rival do Shodai Hokage e avô de Senju Tsunade, Senju Hashirama. E daquele ponto de partida, foi fácil se recordar de informações primordiais:

O escolhido pelo Shodai Hokage para representar Konoha antes de ele mesmo assumir o posto por escolha dos cidadãos;

O Ninja que controlou a Kyūbi – Nove Caudas – e a usou para desafiá-lo depois de desertar;

E, mais importante, que jurou que um dia voltaria e mergulharia Konoha em trevas.

Não podia ser… estava nos registros que o homem tinha sido derrotado e morrido.

Não.

Não.

Tinha alguma coisa errada.

As contas não batiam.

E o rosto que viu sob a máscara não se parecia em nada a de um idoso, o que seria coerente com a cronologia da história.

— A menos que Madara domine o Fushi Tensei – Reencarnação do Cadáver Vivente – é impossível Tobi ser ele.

— Como sabe sobre essa técnica? — Itachi perguntou repentinamente e ela o olhou atordoada pela interrupção abrupta.

— Fui discípula da Godaime Hokage, ex-integrante do mesmo Time que Orochimaru. Ela tem conhecimento sobre todas as trocas de corpos que ele fez e é natural que eu saiba também, já que teoricamente estávamos numa situação semelhante quanto a um integrante que desertou por poder, embora as circunstâncias sejam opostas.

Por "opostas" ela quis dizer: Orochimaru queria um corpo e Sasuke tinha o corpo que ele queria.

Itachi assentiu, compreendendo onde ela quis chegar.

— Tive a mesma desconfiança na época. Madara era bem conhecido no Clã Uchiha pelos seus feitos, mas como Tobi sempre usou máscara, era impossível determinar a idade dele.

— Vi o rosto dele e posso assegurar que não é o Madara. — afirmou com um sorriso irônico, cruzando os braços.

— Você viu? Quando?

— Quando fui buscá-lo. Ele não sabia que eu estava o vigiando e depois de algumas tentativas falhas em nos encontrar, tirou a máscara e vi de camarote o rosto dele.

Começou a andar de um lado para o outro para descontar a agitação excessiva.

O que Tobi e Madara tinham em comum?

Por que ele usava o nome do Madara?

Certamente Uchiha Madara era temido no mundo Shinobi e provavelmente quis usar isso a seu favor, o que facilitaria a vida dele exponencialmente por não ter que provar sua força.

Mas quando um conheceu o outro? Sob quais circunstâncias?

Arregalou os olhos ao sofrer uma epifania resultante de várias informações cruzadas simultaneamente.

— O Massacre Uchiha… — sussurrou assombrada, erguendo o olhar ao parceiro que a encarava com o cenho franzido — você não o convenceu a se contentar com o Massacre do Clã em vingança. Você foi manipulado a pensar isso.

Itachi franziu ainda mais o cenho e ela desviou o olhar para o chão no intuito de organizar seus pensamentos, que estavam desordenados e acelerados como nunca antes.

— O Mangekyō Sharingan oferece ao seu usuário um poder inimaginável e em troca deteriora os olhos. Sabe por que Tobi se contentou com o Massacre? — lançou a retórica, retomando os passos — Não por vingança, mas porque, com o Massacre, ele teria acesso ilimitado a todos os Sharingan que quisesse sem ser percebido ou descoberto.

— Para substitui-los no decorrer das deteriorações eminentes. — Itachi continuou seu raciocínio, parecendo finalmente entender a gravidade da situação — E isso reafirma sua teoria de que ele não é o Madara, porque o Madara roubou os olhos do próprio irmão para adquirir o Mangekyō Sharingan eterno.

Arregalou os olhos diante daquela nova informação. Não sabia que era possível reverter a cegueira certa, porém não fez as perguntas que queria, tinham que manter o foco em algo maior.

— E ninguém jamais descobriria, porque não manchariam ainda mais a honra do Clã remexendo seus cadáveres. — ela continuou, mordendo a ponta do dedo polegar — Ele só estava ganhando tempo, Itachi. Tempo para concluir seus planos. — olhou-o com o cenho franzido — Eu não consigo entender qual a ligação entre o Tobi e o Madara e nem no porquê querem e estão investindo na destruição de Konoha, partindo do princípio de que o Madara está vivo, mas preciso descobrir e preciso atualizar a Tsunade-sama e o Jiraya-sama sobre nossas novas descobertas.

Itachi assentiu.

Escreveu um novo pergaminho e invocou Katsuyu, descobrindo minutos depois que a lesma, mais uma vez, não conseguiu contato com a Godaime Hokage. Frustrada, dispensou a lesma com um agradecimento e olhou para seu parceiro que estava pensativo e claramente preocupado.

O ataque ao Kazekage seria na próxima noite e tal informação nem chegou à Konoha, para qualquer tentativa de alerta à Sunagakure.

— Não temos outra opção. — Itachi deu voz aos seus pensamentos — Temos que interferir diretamente.

Assentiu e planejaram detalhadamente cada passo dali para frente, inclusive as justificativas que darão à Akatsuki.

Voltaram sob um silêncio sepulcral, tensos e preocupados e ela torceu para que Tobi não retornasse até o estágio do plano "Segurança do Kazekage" estar concluído com sucesso, pois seria difícil lidar com tudo ao mesmo tempo.

No décimo segundo dia, Itachi e Sakura viajaram para o ponto C, preparados para fazerem o que fosse necessário para manter a segurança de Gaara.

Por causa da velocidade insana de ambos, foi possível chegar antes do horário marcado, por isso tiveram tempo suficiente para escolher o melhor e mais próximo esconderijo, que os permitisse interferir a qualquer momento.

Ela estalou o pescoço para dissipar um pouco da tensão excessiva. Estavam há algumas horas escondidos por entre os arbustos, bem de frente para a possível clareira que será usada para o ponto de encontro, pois era o único que possuía muitos pontos de fuga em diferentes direções.

— O Kazekage não terá chance se vier.

Itachi, mais uma vez, deu voz aos seus pensamentos. Não importava o quanto tentava ver por outros ângulos, o resultado era o mesmo: uma emboscada sem nenhuma brecha para fuga. Tinha certeza de que Iwa cobriria todos os pontos de fuga existentes.

Ao leste, sentia ao menos trinta Ninjas que exalavam poder e perigo se aproximando em uma marcha contínua. Podia apostar que era o tal do Hidetaka e seus homens.

E vindo do norte, da direção do acampamento secreto de treinamento de Iwa, Sakura sentiu o inconfundível chakra monstruoso do Gobi em seu raio sensorial, junto de, pelo menos, cem homens em outra marcha contínua.

Ofegou com a descarga de adrenalina, sentindo o próprio chakra oscilar diante do medo crescente.

Supôs que Han estava à frente daquela ação para testar seus treinandos, antes de enviá-los junto dos quarenta pelotões, que já estavam posicionados às margens de Iwagakure, para a possível batalha contra Sunagakure pelas fronteiras. Provavelmente usariam o Kazekage para negociar a entrega pacífica dos territórios sem lei e não podiam permitir tal coisa, principalmente porque Pain ordenou que agissem sob qualquer ameaça imediata.

Seu corpo involuntariamente começou a tremer.

Era uma guerra. Uma guerra onde vidas seriam tiradas.

Onde ela as tiraria.

Uma mão quente pousou sobre a dela fechada em punho e, por reflexo, ela aliviou o aperto, olhando naquela direção e depois para Itachi, que a olhava complacente.

— Eu resolvo isso. Fique aqui e rastreie o Kazekage. Se ele-…

— Não. — o cortou, decidida e passando a ser ela a segurar a mão dele firme — Estamos juntos nessa.

Itachi assentiu e retribuiu o aperto da mão e assim que Hidetaka chegou com seus homens, eles os interceptaram juntos, confrontando-os com tudo o que tinham.

Ela evitava causar dor desnecessária. Sempre fazia cortes limpos, rápidos e certeiros e quando era pressionada, usava de sua força bruta para dizimar inúmeros oponentes simultaneamente.

Todos as técnicas secretas que estudou, que Han ensinou aos novos Ninjas, lhe deu vantagem, tanto que os enfrentou sem nenhuma dificuldade, pois sabia cada desvantagem que cada uma tinha e no meio daquele banho de sangue, viu quando o Gobi, depois de identificá-los como membros da Organização que estava caçando os Jinchūriki como ele, fugiu do campo de batalha, deixando seus subordinados para trás.

Só o que fez foi aquele Kage Bunshin – Clone das Sombras – especial de origem de uma técnica própria dotado de chakra e energia vital e o seguiu sorrateiramente.

Por isso não se importou, tampouco se preocupou. Depois o encontraria, de qualquer forma.

Trincou o maxilar quando o sangue do seu oponente jorrou em seu rosto e corpo quando o desmembrou pelo braço fundido por uma técnica à terra.

Aquela era a octogésima terceira vida que ceifava em uma única noite e a energia vital de um pouco mais da metade daquele número estava guardada em si, pois utilizou de suas técnicas proibidas para acelerar o fim daquela tormenta. Por sorte tinha preparado o corpo e criado novos reservatórios. Faria uso de suas vidas honradamente pelo bem que não fizeram em vida ao serem guiados por um Líder desonesto e cruel.

Desviou de um ataque massivo de pedras e pousou no chão o socando com uma potência controlada de chakra, criando assim uma cratera que se abriu e dizimou os poucos Ninjas que sobraram perto de si, soterrando-os vivos. Pelo mapeamento sensorial sentiu as chamas de suas vidas apagarem-se e só então se permitiu olhar ao redor.

Itachi, com seu Susanoo, causava uma verdadeira destruição em massa, conforme seu corpo, afetado pela doença, tentava manter firme a técnica. Como pensava, quando ele utilizava uma quantidade considerável de chakra potencializava o mal que a doença causava, consumindo ainda mais sua vivacidade.

Foi para lá socando, chutando e destruindo tudo o que estava a sua frente. Quebrou ossos, rasgou corpos, perfurou-os sob o desespero, querendo, mais do que tudo, pôr um fim naquilo.

Precisava poupar Itachi;

Proteger o Kazekage;

E ensinar a Iwagakure a nunca mais agir com covardia.

Depois de quebrar o pescoço do último oponente vivo, fechando os olhos apenas para não ter a visão prejudicada pelo sangue que esguichou em seu rosto, endireitou-se ofegante tirando, com as pontas dos dedos carmesim, o excesso de sangue dos olhos, para abri-los sem empecilho.

Respirou fundo, vendo a mata coberta por corpos mutilados, corpos que ela foi responsável por mutilar…

Antes que perdesse o controle de suas emoções, se concentrou em curar seu parceiro que, como já havia o alertado, foi afetado severamente pela doença devido ao uso excessivo do Mangekyō Sharingan.

— Está tudo bem, desative seu Dōjutsu. — orientou-o, se ajoelhando ao lado dele e já infundindo seu chakra de cura para aliviar os sintomas.

— Obrigado. — ele disse, tossindo sangue em seguida.

Era preocupante vê-lo naquele estado: vulnerável, suportando dores que sabia que beiravam o insuportável e se afogando no próprio sangue.

Mandou-o se deitar, mapeando ao redor cinquenta quilômetros para garantir que eram os únicos vivos naquele raio e, quando se deu por satisfeita de que estavam seguros, iniciou uma pequena cirurgia de emergência para drenar o sangue dos pulmões e despressurizar a caixa torácica.

Quando estava quase acabando todos os procedimentos necessários para estabilizá-lo e deixá-lo bem até que pudesse tratá-lo de novo, sentiu um chakra conhecido, junto de dois Ninjas, em seu mapeamento. Era o Kazekage, tinha certeza.

Se recordava vagamente da natureza sinistra do chakra dele e por mais que não tivesse mais a mesma essência por não carregar mais o chakra do Shukaku – Uma cauda –, jamais se esqueceria de ter estado presente no mesmo ambiente que aquele garoto.

— O Kazekage está a caminho. — avisou o Itachi que assentiu e se levantou quando ela parou de infundir o chakra de cura nele — Me espere aqui. Eu resolvo isso.

— Tem certeza?

Assentiu, sentindo um leve tremor dominá-la. Estar cara a cara com alguém conhecido traria sentimentos guardados à tona, tinha consciência, mas não podia deixar que Itachi lidasse com aquilo, não quando ele estava tão abatido.

— Vou fazer um Kage Bunshin – Clone das Sombras – e ele vai continuar te curando e vai te proteger se necessário, então, por favor, não use o Sharingan até eu dar um jeito no estrago que o uso nessa batalha causou.

Ele assentiu e ela fez o que se comprometeu, ordenando ao Clone para que o escondesse ali perto mesmo.

Ela poderia ir até o Kazekage há quarenta quilômetros dali, mas achou necessário ele ver os corpos daqueles que pretendiam emboscá-lo e assim acreditar no que ela disser.

— Sakura. — ele a chamou antes de sair e ela o olhou por sobre o ombro — Não se comprometa desnecessariamente e não permita que a emoção a guie nessa interação.

Então foi ela quem assentiu, o vendo sumir de sua vista na escuridão daquela noite sangrenta ancorado em seu Clone.

Conforme aguardava ainda parada no mesmo lugar, sentia com perfeição o manto negro pesado e encharcado com o sangue de seus inimigos, assim como a calça e a camiseta embaixo da proteção. E mesmo que o sangue grudado em seu rosto e mãos estivesse seco, ainda era capaz de senti-lo escorrer quente e viscoso por sua pele.

Tinha certeza de que sentiria aquela sensação penosa por muito tempo, mesmo numa desejada época de paz.

Aquele era o horror da guerra, uma guerra que Itachi se sacrificou para evitar e que atualmente a Godaime Hokage tentava a todo custo impedir de se alastrar pelo mundo Shinobi, arrastando Konoha consigo.

E era aquele horror que, assim como Itachi e Tsunade, ela tinha que evitar que acontecesse, impedindo que seus amigos o vivessem também.

Há quinhentos metros, o Kazekage, com seus dois Ninjas acompanhantes, cessou a corrida e passou a caminhar em uma velocidade cautelosa, provavelmente porque se deparou com a destruição que ela causou e com os Ninjas que enfrentou.

Pegou no coldre traseiro duas das várias seringas com veneno paralisante que agia por exatos dez minutos. Tempo suficiente para uma conversa sem interrupções.

Através do Shunshin no Jutsu, os paralisou, um a um, antes mesmo de ser pega pela areia do Líder de Sunagakure, que mal teve tempo para ver de quem partia o suposto ataque.

Desviou da areia que tentou agarrar seu pé e pousou há vinte metros do Gaara, sentindo-se ser analisada. Com a cabeça baixa, lamentou Itachi ter explodido o chapéu de palha irritante, mas que naquele momento seria de grande valia.

— O que aconteceu aqui?

A voz dele estava dois ou três tons mais graves desde a última vez que a ouviu, mas continuava com a impassibilidade de sempre.

Ergueu o rosto lentamente e permitiu a troca de olhar com o garoto ruivo dos expressivos olhos verdes pálidos que não via desde que contribuiu para seu resgate.

— Sakura?

Estremeceu involuntariamente.

Ele a reconheceu. Mesmo com o rosto e cabelos róseos banhados em sangue, vestida com o manto negro com nuvens vermelhas da Organização Criminosa mais temida do Mundo e com as óbvias diferenças devido ao avanço da idade, ele a reconheceu, e não soube dizer como se sentiu diante disso.

— Como pode ver, o acordo era uma fraude. — disse, dispensando qualquer apresentação, esticando os braços numa sugestão para que olhasse em volta — Iwa pretendia emboscá-lo e negociar sua segurança pelas fronteiras. — respirou fundo discretamente, forçando-se a não desviar diante do olhar assombrado e confuso dele — Volte para Suna, delate a má-fé de Iwa e resolva esse impasse político em reunião formal com os outros Três Grandes Países Shinobi.

— O que está fazendo?

Sabia que a pergunta não era para o ato imediatista, mas não podia explicar e nem dizer nada que a comprometesse, assim como Itachi a aconselhou.

Apontou com a cabeça na direção dos dois Ninjas caídos.

— Eles vão recuperar os movimentos em alguns minutos.

Virou as costas e começou a se afastar.

— Sakura!

O chamado fez seus passos cessarem automaticamente e sentiu o corpo paralisar.

Não, não, não, não!

Não pare!

Não ouça!

Não fique!

Fuja, só fuja!

Olhou-o por cima do ombro, vendo-o ainda tão assombrado e confuso quanto antes e imaginou se com os outros o reencontro será doloroso assim.

— Salvei sua vida, Kazekage-sama. — afirmou, fechando as mãos com força — E conto que pague essa dívida mantendo minha existência em segredo.

Usando o Shunshin no Jutsu saiu dali deixando simbólicas pétalas de Cerejeira para trás e foi ao encontro de seu parceiro, que era vigiado e curado pelo seu Clone. Assim que chegou desfez o Clone e o tirou daquele campo de batalha.

Deixou Itachi num local seguro junto de outro Kage Bunshin especial para protegê-lo e foi atrás do alvo da Akatsuki, cumprir sua segunda missão.

Por sorte guardou bastante chakra nos dias em que esteve inativa como Ninja, então isso a impedia de se sentir fadigada, mesmo depois de todas as lutas e de não consumir absolutamente nada de seus reservatórios extras.

Levou cerca de quatro horas para alcançar o alvo e mais algumas horas até ter a oportunidade perfeita para fazer o que era preciso: quando, sozinho e no meio do nada, ele parou para descansar e acabou adormecendo, acreditando que estava seguro.

Desfez o Clone que estava há alguns metros dali vigiando-o e se aproximou sutilmente até onde o homem descansava.

O fitou por algum tempo, avaliando se era capaz de ser tão covarde ao ponto de atacar um Ninja em um momento vulnerável e concluiu que era o melhor a se fazer, assim não o faria sofrer desnecessariamente e tiraria sua vida enquanto dormia tranquilamente.

Agachou-se há poucos metros de distância.

Liberou o Byakugō no In – Selo da Força de uma Centena – e fez os quatro selos necessários, posteriormente afundando as duas palmas abertas no chão.

Kinjutsu: Seimei no Sokuji Haisui – Técnica proibida: Drenagem Instantânea da Vida. — sussurrou, cerrando o maxilar para se impedir de gemer de dor pelas consequências de drenar de uma única vez os quarenta por cento do chakra monstruoso do Gobi.

Por sorte fez a irrigação, então os estragos foram menores e dentro da capacidade do Byakugō de revertê-los, mas se tivesse que drenar mais do que aquilo, falharia, mesmo com a irrigação e isso se tornará um problema nas próximas capturas.

Han até abriu os olhos diante da drenagem massiva de seu chakra e energia vital, mas não pôde reagir já que estava paralisado por sua técnica, por isso parou de drenar o chakra. Eles se encararam, sob o silêncio fúnebre, até não restar mais vida naquele corpo.

Aquele olhar se juntará ao do Itachi para assombrá-la por um bom tempo. Tinha certeza.

E ela deixou que as lágrimas escorressem por seu rosto enquanto voltava para o Itachi, levando o corpo frio e pesado do Jinchūriki sobre o ombro.

Chegando no local, desfez o Clone e colocou o corpo no chão com cuidado sob o olhar triste do Uchiha.

— Não precisava trazê-lo. Era só ter acionado o Tobi.

Deu de ombros, tirando o cabelo grudento e sujo de sangue do rosto.

Trazer aquele homem era o menor dos seus problemas.

— Se sente melhor?

— Sim. — ele desviou o olhar, mas voltou a encará-la — Você está bem?

Deu de ombros, sendo ela a desviar o olhar.

— Como foi com o Kazekage?

Deu de ombros de novo.

— Sakura. — o tom terno

Não, não, não!

Só de ouvir aquele tom queria chorar, mas já o fez demais.

Apertou um lábio contra o outro num esforço de impedi-los de tremer pelo choro prévio e se concentrou no sol nascendo.

— Só preciso de um tempo. Não se preocupe comigo, ficarei bem.

Mirou-o só para vê-lo assentir e depois voltou a fitar o nascer do sol, suspirando em cansaço.

— Precisamos descansar antes de seguirmos viagem. — ele disse.

Assentiu, mas apenas se sentou, deixando uma perna dobrada e outra esticada, recostando-se contra a árvore.

Assistiu os tons alaranjados cortarem o céu azul, depois o sol prevalecer.

As árvores em torno deles os protegiam dos raios solares e havia uma brisa refrescante para aplacar o clima abafado. Só que o sangue dos adversários da qual se banhou a impedia de sentir qualquer sensação de alívio.

Pensou em se limpar, mas achou melhor, por mais nojento e anti-higiênico que fosse, chegar na caverna exatamente daquele jeito.

Enquanto o Uchiha continuava dormindo pesado, muito provavelmente por causa do cansaço e do medicamento analgésico que seu Clone o deu, resolveu se distrair afiando e banhando suas Kunai em venenos para o caso de se depararem com mais inimigos.

Por todo o tempo evitou olhar na direção do corpo do Gobi e nem sequer se permitiu pensar em tudo o que houve, apenas… seguiu em frente.

E foi assim quando voltou a carregar o corpo a caminho da caverna da Akatsuki. Itachi quis fazê-lo, mas não permitiu. Ele precisava ser poupado, pois ainda estava sob os fortes medicamentos que lhe deu.

Há um dia e meio de chegarem, foram contatados pelo Pain por aquela espécie de telepatia. Ele queria informações e previsão de chegada. Depois de passar todas as informações, recebeu a confirmação de que estavam à espera deles.

Ao chegarem, foram recepcionados por Pain e Konan. Nenhum deles fizeram comentário algum, mas sentia os olhares deles sobre si, olhares surpresos.

Sabia que impactaria vê-la daquele jeito, pois aquela era a prova de que ela era capaz de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Se duvidavam de sua capacidade destrutiva, a dúvida dissipou ali.

Junto de Itachi relatou a missão de interferência direta nas movimentações de Iwa pelas fronteiras, assim como a missão de captura do Gobi, entregando seu corpo também. Depois se retirou dizendo que se banharia e descansaria até o selamento, mas assim que entrou no quarto, foi surpreendida pelo aparecimento repentino do Tobi, que começou a gritar pela caverna inteira por ela.

Marchou até o mascarado irritada, pronta para colocá-lo no lugar dele, mas as surpresas não tinham acabado ainda:

— O Deidara-senpai precisa de você, Haru-chan!

Foi o que ele disse assim que ela apareceu no campo de visão dele, então foi levada para outro ambiente. Após se recuperar da labirintite resultante daquela técnica de transportação ou teleporte, percebeu o ambiente totalmente diferente: arborizado a céu aberto.

— O que estamos fazendo aqui? — perguntou, sem controlar a irritação.

Maldição! Ela só queria descansar e ele a arrasta para o meio de outro nada?!

— Deidara-senpai está neste exato momento em uma luta contra o irmão do Itachi-senpai e acho que-…

Não conseguiu ouvir mais nada do que veio seguido do "contra o irmão do Itachi".

Piscou atordoada e se forçou a manter-se em pé, pois as pernas dela, de repente, ficaram trêmulas e fracas. Seus ouvidos pareciam tapados, como se estivesse mergulhando rumo ao fundo do mar, e um agudo dolorido começou a machucar seus tímpanos.

Sasuke.

Oh, céus… Sasuke!

Ergueu o olhar no mesmo instante que varreu ao redor em trezentos e sessenta graus cinquenta quilômetros e ofegou ao sentir a baixa quantidade do chakra tempestuoso e sombrio do ex-companheiro do Time 7.

Engoliu a seco, avaliando o cenário. A batalha acontecia feroz, não só no solo. Naquele momento, por exemplo, ocorria no ar.

Não tinha tempo e nem disposição para entender como, só conseguia pensar que tanto Deidara quanto Sasuke estavam quase esgotados de chakra, provavelmente estavam no fim da batalha e qualquer um dos dois poderia ser o perdedor.

— Me espera aqui, Haru-chan! Vou ver se vai demorar muito pro Deidara-senpai terminar a batalha.

Então ele sumiu e retornou menos de dois minutos depois que não fez absolutamente nada por ainda estar em choque.

Sasuke estava ali, há poucos quilômetros de distância.

E em uma luta mortal.

— … e aí eu preciso ir lá. Acho melhor a Haru-chan sair daqui, Deidara-senpai vai até o fim com essa luta, não há nada mais que possamos fazer.

Olhou-o horrorizada, depois de recuperar a audição e raciocínio no final da frase.

— Como assim "Deidara vai até o fim com essa luta"? — franziu o cenho, tentando ficar racional.

— Oh, é uma técnica do Deidara-senpai. Ele vai se explodir e o raio de explosão será de dez quilômetros, então saia daqui, está bem? Depois te encontro para levá-la de volta, Haru-chan!

E então desapareceu apressado, deixando-a sozinha com aquela bomba literal.

Passou a mão no rosto exasperada e olhou ao redor pensando no que fazer.

Foi na direção dos dois correndo contra o tempo. Deidara e Sasuke estavam em solo novamente, mas não travavam nenhuma luta, não com técnicas complexas pelo menos, pois seus chakra estavam estáveis e em um nível terrivelmente baixo.

Chegou vendo-os conversarem há poucos metros de distância um do outro. Sasuke discursava sobre como conseguiu contornar todos os avanços do Akatsuki.

Ela não podia olhar para ele ou perderia o controle de si mesma.

Foco, tenha foco!, ordenava a si mesma.

Obrigou o olhar a cravar na imagem derrotada de Deidara.

Obrigou o ouvido a ignorar a voz de Sasuke.

Obrigou o coração bater friamente e calculado contra o peito.

E teve sucesso, até ver Deidara iniciar uma técnica estranha.

Então soube. Era a técnica que Tobi lhe contou.

Deidara se explodiria e como consequência explodiria Sasuke.

Mas ela não permitiria, não em ter sucesso em matar aquele que amava tão profundamente que não havia escapatória, pelo menos.

Sasuke ainda era um integrante do Time 7.

Ainda era uma das maiores vítimas da crueldade do Mundo Shinobi e não permitiria que a vida dele acabasse daquela maneira.

Por Naruto, por Itachi, por Sasuke e por ela.

— Essa é a minha arte final, seu maldito! — o Akatsuki gritou, depois de engolir uma boa quantidade de argila e o corpo dele ficar numa tonalidade mais escura simultaneamente, criando rachaduras por toda parte.

A pouca quantidade dele duplicou repentinamente, fluindo rápido e agressivo conforme o corpo dele se transformava com os traços negros de um selamento se espalhando do peito para o corpo inteiro.

Era hora de interferir.

Usou o Shunshin no Jutsu para aparecer de um segundo para o outro de frente para o Deidara e de costas para Sasuke.

O loiro a encarou com olhos arregalados e choque estampado em seu rosto.

Sorriu fraco e triste, agachando-se para ficarem na mesma altura, já que ele estava sentado por consequência do desgaste excessivo.

— Sinto muito, Deidara, mas você morrerá sozinho. — murmurou, sentindo as lágrimas escorrerem abundantemente por seu rosto. Com a mão esquerda trêmula e ainda manchada com o sangue dos que matou, tocou o rosto dele com delicadeza — Tamashī no Aki no Jutsu – Técnica do Outono da Alma.

Os traços negros de seu antebraço esquerdo percorreram sua mão e desenharam o rosto viril com semblante demonstrando puro pavor.

O mesmo pavor que ela estava sentindo naquele exato instante, porque um dia se desesperou por pensar que tinha o matado e ali, estava terminando o que começou naquela luta. Não porque queria e sim por ser necessário. A morte dele não podia ser evitada. Se só o impedisse, ele poderia delatá-la a Akatsuki, além de que Tobi já o deu como morto quando a deixou para trás para fazer algo que parecia ser mais importante, então não teria como se justificar.

Drenou quase toda a energia vital dele para imobilizá-lo, deixando apenas o suficiente para completar a técnica de suicídio quando todos já estivessem longe dali. Tirou a mão do rosto dele e enxugou as próprias lágrimas, memorizando aquele olhar… outro olhar que vai assombrá-la por muito tempo.

O olhar de quem foi traído.

Levantou-se, deixando-o imobilizado e impotente com o rosto vermelho de raiva, pensando no quanto a morte dele será benéfica para todas as Nações Shinobi e principalmente para os Jinchūriki restantes.

Era uma forma de se enganar e não se julgar tão mal.

— Sakura? — ouviu a voz sempre neutra soar alarmada — É você?

O coração acelerou tanto que achou que teria um ataque ali mesmo, mas forçou-se a assumir uma postura indiferente e um olhar desdenhoso por sobre o ombro.

Olhá-lo nos olhos quase a desestabilizou, por isso desviou o olhar para o céu ensolarado, dizendo para si mesma que tinha que ser forte.

Tinha que prosseguir.

Tinha que deixá-lo, porque não era mais a Haruno Sakura da Vila da Folha, era a Sakura da Akatsuki e não havia futuro algum para si.

— Você tem dois minutos para fugir daqui. — avisou, controlando minuciosamente o tom para sair controlado e tão indiferente quanto sua postura — Esse cara vai explodir quando esse tempo acabar e tudo o que estiver num raio de 10 km vai para os ares.

Sucinta, fria e objetiva. Poderia sentir orgulho de si mesma se não estivesse controlando a rédeas curtas toda a tempestade de sentimentos por vê-lo depois de tanto tempo.

Não aguardou uma resposta, contornou Deidara ainda ajoelhado, cravando uma Kunai explosiva com tarja de ativação por tempo ao lado dele e saiu dali sem olhar para trás, utilizando do Shunshin no Jutsu para se afastar cada vez mais e mais rápido, deixando pétalas de Cerejeira para trás.

E quando estava ultrapassando o raio de cobertura da explosão, sentiu o chakra do Sasuke sumir repentinamente, deixando-a aliviada por, pelo menos, tê-lo salvado.

[…]

NOTAS FINAIS:

Olha, vou contar uma coisa para vocês, esse foi o capítulo me deixou tensa e emotiva igualzinho o segundo capítulo do Itachi, porque teve muito diálogo, muitas verdades vindo à tona, muita tensão e desespero… foi osso escrever!

Aquela luta da Sakura contra o Itachi teve uma carga emocional tão grande que por um instante pensei que estava escrevendo de novo a luta deles lá no capítulo do Tobi, lembram? Nossa, eu penei para concluir ambas as cenas! E depois ela se desculpando e… meu Deus, tô com o choro na garganta de novo! Socorro kkkkkkkkk

Enfim… enfim, foi osso! Tá osso! Que osso! Kkkkk

Acho que vocês não querem saber como foi para mim escrever essas coisas, né? Então vou abrir espaço aqui para vocês me contaram como foi para vocês, certo? Como foi ler a luta entre a Sakura e o Itachi para convencer o Tobi?

Como foi o pós-luta? Aquela conversa em que o Itachi insiste em prosseguir com o plano suicida altruísta dele? Acham que, depois disso, ainda resta esperança?

E descobrimos mais alguma coisa sobre o Tobi. O que acham da Sakura ter matado mais uma charada dele? Pensaram que ela ia se caguetar pra ele, né? Mas era só outro joguinho psicológico da nossa rainha!

Toda a construção da cena em que a Sakura e o Itachi ligam os pontos sobre o Tobi é de minha autoria, viu? Não tem nada disso na obra original, não se enganem! Kkkkkkk

E isso me leva a outra pergunta sobre outra coisa: POR QUE TSUNADE ESTÁ INACESSÍVEL AINDA?!

Quero teorias na minha mesa para ontemmmm! =P

EEEEE O KAZEKAGE GAARA LINDO DE MORRER APARECEU! Gostaram da aparição dele? Esse cara vai ser importante para a fic, gente! Imaginam como? *-*

E o final, gente! Sasukinho finalmente apareceu! Sabem em que parte da obra original estamos? Eu sei que siiiiiiiim!

O que acham que ele vai fazer? Vai atrás dela? Vai achar que enlouqueceu? Vai surtar? Ooooooo! Quero só ver o que vocês têm a dizer sobre isso! Vocês queriam o Sasuke e eu trouxe o Sasuke, agora façam a parte de vocês! Comentemmmm e comentemmmm muitoooooo!

Bom, nas notas iniciais eu disse que faria uma alteração e agora vou dizer qual vai ser: as postagens passarão a serem quinzenais e não mais semanais. Nos capítulos anteriores expliquei mais ou menos o que tem acontecido comigo. E, além da minha vida pessoal me consumindo, também tem o agravante que é: eu não li o mangá todo do Naruto e também não assisti o anime inteiro. Então, por mais que eu já tenho estruturado o planejamento dos próximos capítulos, preciso fazer algumas pesquisas sobre certos acontecimentos que serão importantes para a fanfic, para não sair muito da curva cannon. Isso demanda tempo, um tempo que não tenho agora.

Então peço compreensão e que não desistam da fic! Quinzenalmente estarei aqui e espero que vocês também. Sobre as prévias, serão lançadas às terças da mesma semana das postagens, beleza?

De qualquer maneira, deixarei sempre o nome do próximo capítulo aqui nas notas finais, como fiz com outras fanfics.

Então… fiquem com esse pequeno spoiler:

PRÓXIMO CAPÍTULO: A sexta pétala de Cerejeira – Por olhos negros sombrios.

DATA DE LANÇAMENTO DA PRÉVIA: 29/06/2021.

DATA DE POSTAGEM: 02/07/2021.

Até a próxima!*~

Obs.: Caso queiram ter prévias de capítulo, spoiler e interagir comigo além daqui, me sigam no Twitter por SenpaiNani, Instagram por NaniSenpaiNK e Facebook por Haruno Sah ou Nani Senpai!

Obs.²: Nas notas iniciais disse que ia deixar os contatos da Bia, a artista que desenhou o banner, e aqui estão:

Instagram – bibesartist

Twitter – bibesartist

Facebook – biacoliath

Obs.³: Comentem, gente! Isso motiva demais, principalmente em uma fase conturbada como essa que estou passando. É um bálsamo logar e me deparar pessoas curtindo o que estou escrevendo, então quero aproveitar a oportunidade e agradecer imensamente a todos os leitores que comentam! Continuem assim! E quem não comenta, bora começar? =P

BjoO!*~