NOTAS DO AUTOR:

A-há! Perceberam que o título está diferente da prévia deixada no capítulo passado?! Pois é, minha gente! Esse capítulo aqui é uma surpresa para vocês!

Eu amei os comentários, amei que a maioria votou na opção A (em capítulos maiores mesmo demorando 15 dias para vir atualização) e AMEI MAIS AINDA os que votaram na opção B PORQUE NÃO QUERIAM FICAR EM ABSTINÊNCIA e não porque não queriam capítulos enormes e chatos! Kkkkkkk

Vocês não têm noção do quanto eu fiquei feliz! Sério mesmo!

Para ser transparente com vocês, o resultado da votação foi a seguinte:

Opção A: 15 votos totais, sendo 8 do Social Spirit, 5 Wattpad e 2 do Nyah Fanfiction.

Opção B: 8 votos totais, sendo 4 do Social Spirit e 4 do Nyah Fanfiction.

Devido a isso, vou tentar agradar os dois grupos de leitores! Vou deixar oficial as postagens quinzenais, mas sempre que der, como dessa vez aqui, virei semanalmente, ok? É como eu disse, me ajudem que eu ajudo vocês kkkkkk

Agora vamos lá: sobre esse capítulo, primeiramente: ele dá continuidade ao capítulo 15 (da Sakura) e não ao capítulo 16 (do Sasuke).

Segundamente (isso existe?! Kkkk): eu tirei duas mil palavras do início do capítulo "Acertos finais" da Sakura para trazer no ponto de vista de quem? Ora…. Eu sei que vocês já sabem que é do Tobi!

E FOI IMPROVISADO! Eu tô lá na frente na história, mas foi muito legal improvisar esse aqui! Voltei as raízes (nossa, que exagero kkkkk).

Enfim, o fiz por três razões:

Primeira: para mostrar para vocês o que houve no fim do último capítulo da Sakura na versão dele! Eu vi muitos comentários especulando o motivo do Tobi tê-la levado até a luta do Deidara contra o Sasuke (Não preciso dizer que eu amei isso, não é? Meu coração até acelera quando vejo teorias de vocês!) e aqui vocês vão ter um norte do porquê e já adianto que não é nada muito glamoroso não kkk!

Segunda: trazer aquela parte na versão dele também me permitiu mostrar com exatidão um processo importantíssimo que a Sakura está passando depois de tudo o que houve no capítulo 15.

Não se esqueçam que a narração será SOMENTE no ponto de vista do Tobi, então vocês que lutem para descobrir se a Sakura estava encenando ou se deu merda mesmo kkkkkkkkk

Terceira e última: No final desse capítulo, prestem bem a atenção porque vou deixar umas pistas sutis sobre o que o Tobi acha das movimentações do Pain e da Konan. Isso será um divisor de águas para o futuro e causará um grande ponto de ruptura para a Akatsuki.

Hihi… me imaginem fazendo uma expressão mirabolante! Eu estou animada para bagunçar a mente de vocês! Kkkkkkkkk

É isso! Vão na fé e pela sombra com foco na foca! xD

Boa leitura!

Obs.: Créditos do banner aos fanartistas! Apenas a edição é minha. Infelizmente não conheço ou tenho conhecimento de quem seja o artista da fanart, pois peguei no Google ou nos grupos do Facebook ou Whatsapp, mas se alguém souber, por favor, me diga que credito sem problemas!

Obs.²: Desculpem a demora para respondê-los! É que, já expliquei, eu sei, estou bastante atarefada com minha vida pessoal, mas é que eu realmente me sinto mal. Eu gosto de vir responder vocês quando tenho tempo e me dão privacidade, porque o que eu surto não é pouco e mesmo minha família acha estranho eu ficar sorrindo pro nada ou gritando que nem doida, mas é inevitável com os comentários maravilhosos de vocês, não é? Então eu evito fazer isso na frente deles, por isso acabo demorando para vir, mas, por favor, não me abandonem, tá? É a parte mais legal de escrever responder os comentários rsrsrs

Eu prometo que sempre virei e responderei todos!

Obs.³: AGORA TEMOS CRONOGRAMA MENSAL! Uma galera que acompanha várias fanfic minhas me pediu para fazer um cronograma mensal que será atualizado diariamente, então eu fiz. Além da agenda do mês, possui informações de todas as minhas fanfics, seus status, planejamento, fanfics futuras ou retomadas e outras informações relevantes. Deixarei o link nas notas finais e no meu perfil, passem lá!

[…]

CAPÍTULO 17

A SÉTIMA PÉTALA DE CEREJEIRA – POR OLHOS CARMESIM

Deixou os Ninjas de Konoha quando descobriu o que queria: o nível Ninja do Jinchūriki do Kyūbi, para saber o tamanho da dor de cabeça que teria quando fosse sua vez de ser capturado.

Foi uma surpresa infeliz deparar-se com alguém que fez parte de seu passado, mas não podia dizer que foi de todo ruim; ver Hatake Kakashi protegendo aqueles que o acompanhava – quando matou a única que deveria ter protegido num momento crucial – só o fez se lembrar do motivo pelo qual prosseguia por aquele caminho.

Utilizou seu Jikūkan Ninjutsu – Técnica Ninja Espaço-tempo – para voltar para onde deixou Sakura a fim de buscá-la e levá-la de volta, pensando no quão desnecessário foi trazê-la para o campo de batalha. Com o andar da luta travada, não pensava que Sasuke representaria tanto perigo para o Akatsuki. Bom, aprenderia a lição de não subestimar alguém àquele ponto, por outro lado, era uma pena que o Uchiha tenha explodido junto com Deidara, pois se provou ser uma peça para seu jogo que poderia ser muito útil no futuro.

Por sorte tudo estava indo exatamente como deveria, o que significava que não precisava de um plano B.

Materializou-se na mata a céu aberto, olhando para os lados. Era ímpar como um Ninja Sensorial, mas sempre falhou e se frustrou ao tentar encontrar pelo chakra aquela incógnita ambulante.

Como faria para encontrá-la?

Estava tão impaciente para se juntar aos Ninjas de Konoha que a deixou para trás sem ao menos pensar em como faria para reencontrá-la posteriormente.

Bufou irritado e utilizou seu Jikūkan Ninjutsu para transportar-se para outro local, mas ainda dentro do perímetro, supondo que ela não iria tão longe, apenas sairia do raio de cobertura da explosão do Deidara.

E tão logo se materializou, se deparou com um gigantesco chakra sombrio pulsando em poderosas ondas agressivas de energia. Franziu o cenho e foi para lá preparado para travar uma batalha, considerando a possibilidade de Sasuke ter, de alguma forma, sobrevivido à explosão utilizando alguma técnica extraordinária, no entanto o que encontrou foi totalmente diferente do que imaginou: Sakura.

Só naquele instante percebeu detalhes nela que passaram despercebidos antes por causa da pressa: não só os longos cabelos róseos estavam banhados em vermelho bordô de sangue, como também o manto da Akatsuki e as mãos fechadas fortemente.

Como ficou naquele estado?

Ela estava de costas, mas o chakra sombrio que fluía em ondas a partir de onde estava era tão forte que as folhas e terra voavam ao redor dela.

O Sharingan era capaz de diferenciar o chakra por sua cor, mas a cor do chakra dela, que deveria ser azul, pendia para um roxo ametista.

Era lindo, ao mesmo tempo que assustador, pois nunca viu algo parecido. Os chakra mais diferentes que presenciou foram dos Jinchūriki quando cediam ao poder do Bijū e, apesar de ambos serem igualmente sinistros, eram de cores e fontes diferentes.

Como alguém tão bondosa e gentil como ela foi corrompida daquela maneira obscura?

Como conseguiu esconder por tanto tempo aquela natureza sombria de seu chakra?

Como conseguiu suprimi-lo com tanta eficiência ao ponto de se tornar irrastreável?

Era muito poder para ser suprimido de forma tão refinada.

As ondas de chakra transformaram-se em um redemoinho em torno dela e ele deu um passo para trás em reflexo, preparado para fugir dali se fosse necessário, mas mal teve tempo de piscar quando pisou acidentalmente num graveto e o mínimo barulho atraiu a hostilidade dela para si, trazendo-a de um segundo para o outro para frente dele, de modo que não conseguiu reagir antes de ter o pescoço capturado pela mão ensanguentada e as ramificações dos galhos de Cerejeira do antebraço esquerdo correrem rapidamente na direção dele junto do sopro da morte.

Tamashī no Aki no Jutsu – Técnica do Outono da Alma.

— Sakura. — a chamou, segurando o pulso dela involuntariamente na tentativa falha de contê-la e só então o olhar dela, que estava apagado e vago, subiu ao dele, o nocauteando com a ausência da vivacidade e intensidade que sempre encontrou ali.

Franziu o cenho ante a falta de expressividade no rosto coberto por sangue seco.

Nunca a viu tão… perdida.

O que aconteceu?

E antes que sua mente criasse quaisquer outras perguntas ou teorias, sentiu o corpo ficar repentinamente dormente. Então fechou os olhos, apreciando a dormência que o deixava cada vez mais relaxado.

Viu Rin.

O sorriso que ela lhe direcionou a última vez que teve o prazer de vê-la.

Os olhos brilhantes castanhos.

Assim como a mão dela estendida em sua direção.

Franziu o cenho. Por que ela estava ali? Por acaso caiu no sono sem perceber?

A técnica…

A maldita técnica mortal da Sakura!

Abriu os olhos, sentindo-os arregalados.

— Sakura! — repetiu num rompante desesperado, tentando, inutilmente mais uma vez, fazê-la soltá-lo enquanto lidava com a própria contrariedade de ter que deixar Rin. Não era hora de ele morrer, não sem trazê-la e fazê-la feliz num mundo de paz! — Sou eu! — a técnica continuou ativa, deixando-o a cada segundo mais atordoado pela drenagem massiva de sua vivacidade. Não conseguia nem usar seu Jikūkan Ninjutsu para fugir dali, a situação era realmente emergente. — Pare! Eu não represento nenhum perigo para você!

E aquela simples frase a atingiu potente, fazendo-a piscar como se acordasse de um transe e olhá-lo verdadeiramente, como se só o estivesse enxergando naquele instante.

Ela franziu o cenho parecendo confusa e então olhou para a mão dela que ainda o enforcava, soltando-o em seguida.

Ele caiu sobre os joelhos ofegante e zonzo e precisou de muito autocontrole para não tirar aquela maldita máscara no intuito de ajudá-lo a respirar.

Ergueu a cabeça e a encarou.

Com olhos lacrimejados, a viu dar alguns passos para trás, demostrando assombro pelo rosto retorcido e lábios trêmulos entreabertos.

O que foi aquilo?

O que era aquela técnica?!

A falta de estabilidade o fez cravar as duas mãos no chão de terra, agarrando um punhado de grama na tentativa de se manter são.

O corpo dele clamava pela continuação daquela técnica. Era como se a sensação de paz que sentiu por segundos e a proximidade com a Rin fosse viciante.

Foi aquilo que Itachi sentiu?

Trincou o maxilar, sentindo-se frustrado por tê-la parado, por ter escolhido rejeitar Rin por um objetivo que se tornava obsoleto a cada segundo naquela realidade dolorosa.

Agora entendia perfeitamente como Sakura foi capaz de fazer o prodígio Uchiha Itachi desejar a morte, sentia-se exatamente como ele.

Voltou a encarar as próprias mãos enluvadas agarradas desesperadamente na grama.

Tinha que manter a mente focada. Não podia se deixar ludibriar por aquela falsa paz que sentiu à beira da morte.

Mirou Sakura pegando-a o encarando e se surpreendeu por ver lágrimas escorrendo por suas bochechas rubras.

Por que ela estava daquele jeito?

Por que o atacou e naquele momento parecia tão destruída por tê-lo feito?

Lhe dando as costas, ela pareceu se dar conta do descontrole e não demorou a suprimir e ocultar perfeitamente o chakra sombrio de outrora, tornando-o indetectável novamente.

Então esse era o ponto: descontrole.

A pergunta era: o que houve para se descontrolar?

Foi acompanhar a morte de Deidara, alguém que um dia já se preocupou e quase tomou uma decisão irracional de se enfiar num incêndio apenas para salvá-lo, que a deixou assim?

Apesar de que… Sasuke era de Konoha. Eram conhecidos?

Devia ter dado mais atenção às investigações de Pain e Itachi sobre ela. Odiava a falta de respostas.

— Desculpe. — ela sussurrou.

Foi tão baixo e inexpressivo que se perguntou se foi coisa de sua cabeça ou se realmente ouviu aquilo.

Um incômodo estranho começou a agitá-lo.

Sakura não parecia em nada a garota com quem conviveu por todo aquele tempo. Ela estava mais hostil nos últimos dias, era verdade, mas nada se comparava a agressividade que direcionou a ele há pouco.

Ela realmente ia matá-lo se não tivesse conseguido despertá-la do que quer que tivesse a deixado naquele estado.

Exatamente quando a flagrou lutando contra Itachi.

Por um instante pensou ser encenação, mas quando viu que ela pretendia ir até o fim com a técnica mortal, a teoria foi por água a baixo. Se não fosse por ele interferir, o Uchiha estaria morto, muito antes do que previa e isso postergaria ainda mais seus planos, coisa que não podia deixar acontecer de jeito nenhum.

Isso o lembrou de outra coisa e o fez sofrer uma epifania óbvia demais para não ter ocorrido antes: e se o motivo de Itachi ser odiado por ela e o descontrole dela logo depois da batalha entre Deidara e Sasuke tiverem alguma ligação?

Umedeceu o lábio inferior, sentindo o rosto excessivamente suado por baixo da máscara. Queria tirá-la, respirar sem empecilho e se livrar daquela sensação de sufocamento, mas não podia. Seu rosto jamais poderia ser revelado.

Sakura disse o que queria para dar a ele a resposta para aquela pergunta.

Sabia exatamente o que era preciso fazer.

Se levantou, sentindo as pernas trêmulas e fracas, como se tivesse lutado uma longa batalha, por mais que seu chakra estivesse intocado.

Aquela técnica era mesmo perigosa, tanto física quanto psicologicamente. E ele terá que tomar cuidados extras para não ser afetado pelo vício que ela causou.

Naquele momento o que Sakura disse ao Itachi naquela primeira batalha entre eles ecoou por sua mente.

"Esse será seu castigo: você ainda vai viver por muito tempo e será consumido pelos seus pecados até que sua alma sucumba ao desespero e remorso. E se você morrer antes disso, eu vou trazê-lo de volta e vou garantir que seu destino se cumpra. É uma promessa."

Existia castigo maior do que provar da paz e ser privado de se entregar a ela ou de senti-la novamente? Parecia mais do que um castigo, parecia uma… maldição.

Ainda em seu timbre natural – já que foi pego desprevenido e acabou se esquecendo de atuar como o bobo da corte que seu persona era –, falou em alto e bom som para ser ouvido:

— Tobi é parte de quem já fui um dia. — expôs, sentindo um amargor na boca ao tocar naquela ferida ainda aberta — Alguém que quis proteger aqueles que amava, que tinha sonhos ingênuos e que acreditava que o mundo poderia ser um lugar melhor se houvesse mais empatia, zelo e amor.

Ela o olhou por sobre o ombro. O rosto apático e o olhar desfocado poderia fazê-lo pensar que não o ouvia, mas os punhos cerrados eram uma prova de que era o oposto.

— É uma parte que sofreu e morreu depois de descobrir da pior maneira possível que tudo aquilo não passava de um sonho infantil, mas… mesmo hoje, perto de você, sinto que posso ser ele sem ser machucado, porque você é parecida em muitos aspectos a alguém que amo e que sempre zelou pelo meu bem naquela época.

O olhar dela mirou uma árvore, como se estivesse pensando sobre o que ele disse, depois voltou a tê-lo como foco.

Ela queria saber algo que ninguém mais sabia e que lhe mostrasse seu verdadeiro eu. Mais exclusivo e verdadeiro do que aquilo só o que ainda não tinha conhecimento.

Sakura desviou o olhar para o céu pensativa e, não muito tempo depois, suspirou.

— Suponho que queira respostas pelo que acabou de me contar, não é?

Assentiu, observando-a imóvel e contemplativa.

Minutos depois, que pensou seriamente que não obteria nenhuma resposta, Sakura divagou, com a narração neutra e olhar distante.

— Eu o amei por um longo tempo e pelo mesmo período fiz tudo o que pude para protegê-lo de tudo e todos e salvá-lo do ódio que o consumia. — Ela baixou o olhar mirando o chão e ele franziu o cenho, confuso sobre estar se referindo ao Itachi ou Sasuke. — No entanto, quando finalmente tive a oportunidade, só o que fiz foi assisti-lo morrer por aquilo que acreditava e, por incrível que pareça, não senti absolutamente nada. — se virando para ele, o encarou, enquanto se viu surpreso por saber que ela amava o caçula, amava tanto que odiou e ainda odiava firmemente o irmão mais velho dele pelo que fez e queria matá-lo mesmo arcando com consequências severas pela Akatsuki. — O que isso faz de mim?

Desde o começo daquela confissão, não havia entonação alguma revelando os sentimentos dela. Ela se mostrou tão apática e fria quanto parecia por sua postura e olhar, mas o final, aquela última pergunta, deixou claro que havia muito mais por trás daquela pergunta.

E ele sentiu que a garota que conheceu foi corrompida pelo que passou e, a julgar pelo estado físico – toda banhada em sangue e emanando um chakra obscuro durante o descontrole – assim como pelo estado psicológico extremamente letárgico, era evidente que não foi somente pelo último acontecimento.

Alguma coisa aconteceu em Iwagakure. Ela não estava daquele jeito ou sequer dando sinais de que ficaria assim quando a deixou com Itachi lá.

E, em reflexo ao estado dela, sentiu aquele incômodo estranho latejar mais forte. Não sabia o que era, mas era detestável o bastante para lamentar tê-la deixado chegar àquele ponto.

Sakura, por mais que convivesse com os piores que a humanidade podia unir numa única organização, que presenciasse atrocidades e, de certa forma, fosse conivente com o mal que eles espalhavam, sempre se mostrou obstinada, inabalável e imaculada. Era como uma luz em meio a tanta escuridão. Uma joia rara, uma exceção à regra, uma… chama viva de esperança.

E tudo aquilo quebrou, se perdeu, era nítido.

E para quem não sentiu nada por muito tempo, sentir aquele incômodo estava o sufocando mais do que aquela máscara quando estava prestes a ser morto pelo Kinjutsu – Jutsu Proibido – mortal.

— Não faz nada que você não queira. — finalmente a respondeu, quando o desgosto estava difícil demais para ser engolido — Você já passou por muita coisa para se deixar vencer agora.

Ele já nem sabia mais do que estava falando. As palavras simplesmente saíam de sua boca com a pretensão de confortá-la.

Por quê? Por que estava sendo protetor e cuidadoso com aquela incógnita ambulante?

Um pequeno sorriso preenchido de escárnio moldou os lábios dela e ele não gostou.

Não gostou do sorriso.

Não gostou do olhar frio mirando o chão.

Assim como não gostou de vê-la dar de ombros com descaso.

— Parece que vencer agora perdeu o sentido.

Mais uma vez, se viu franzindo o cenho.

— Por que diz isso?

— Para que viver, lutar ou sofrer? Para que continuar seguindo em frente? — indagou ela, tão apática quanto antes — Nada mais faz sentido agora que descobri que a vida e a morte são como um rio que segue seu fluxo independentemente do que façamos. E, francamente, não sinto mais nada diante dessa descoberta. Não sinto medo, não sinto pena de quem ainda não percebeu isso, não sinto determinação em tentar mudar esse destino, não sinto nada.

Engoliu a seco, absorvendo aquelas palavras com mais intensidade do que gostaria. Foi exatamente assim que ele se viu há anos quando Rin morreu, tirando aquela mesma conclusão.

E isso o fez lembrar do quão perdido e desesperançoso se sentiu, coisas que, com toda a certeza, não queria que ela sentisse.

Sakura era bondosa e pura demais para sofrer o que ele sofreu.

Se aproximou, tomando a decisão mais certa dos últimos tempos.

— Esse mundo é corrompido demais para protegê-la dos sentimentos ruins que o consome dia após dia, — passo por passo, ele extinguiu a distância sob o olhar esmeraldino tíbio — mas isso pode ser diferente. Nós podemos construir um mundo onde a dor não existe, onde não é preciso sobreviver, onde é possível encontrar a felicidade eterna. — ficando há um passo de alcançá-la, parou de andar — Você pode voltar para casa e conviver com seus amigos e família sem ser limitada e controlada por sua antiga mentora. — um lampejo no olhar dela o fez prosseguir — Pode ver o Sasuke mais uma vez, pode protegê-lo e salvá-lo. Pode criar um mundo onde Itachi não extermine a família dele e não destrua o irmão, assim Sasuke poderá se entregar aos seus sentimentos.

Parecendo finalmente sair daquela apatia e dar atenção a ele, Sakura colocou a mão na testa e por um bom tempo pareceu atordoada, até encará-lo com um desespero palpável.

— Isso é impossível. O que passou, passou. Não há nada que possa reverter o que foi feito e decidido no presente.

— Existe um jeito.

Então lhe contou sobre o Plano Olho da Lua que, quando concluído, lhe dará o poder de iniciar o Mugen Tsukuyomi – Tsukuyomi Infinito – e, assim, concretizar o mundo ideal para cada um.

Diferentemente de quando dava aquela explicação para os outros, não estava tentando manipulá-la, muito pelo contrário. Acreditava piamente que aquela era a melhor solução para salvá-la, assim como para salvar a si próprio e a Rin.

Sakura, apesar de hesitante e cética, pareceu sincera ao dizer que colaboraria para ver aquilo acontecer, já que não tinha mais nada a perder.

E foi assim, com um acordo fechado de colaboração e parceria, ele a levou de volta para o esconderijo principal da Akatsuki.

Ela parecia menos destruída e abalada, quase voltando a se portar como antes, mas já se deu por satisfeito, prometendo a si mesmo poupá-la do que puder dali para frente, afinal não queria mais vê-la daquele jeito.

Perguntando se havia alguma missão imediata, ela se separou dele diante de uma negativa. Sakura parecia não ter noção dos próprios limites e fez uma anotação mental de se preocupar em conferi-los antes de direcioná-la para qualquer missão.

À caminho do salão principal de reunião onde Konan e Pain estavam, foi abordado por Zetsu, que se materializou bem a sua frente.

— O Jinchūriki do Rokubi – Seis Caudas – se encontra em algum lugar de Mizu no Kuni – País da Água. — Zetsu Branco relatou e ele sentiu uma sobrancelha se erguer em descrença.

— "Algum lugar"?

— O cretino é escorregadio. — Zetsu Negro resmungou.

Revirou os olhos, impaciente.

— A última investigação foi um fracasso. Sakura e Itachi levaram quase dois meses para encontrar o alvo. Isso porque vocês tinham dito que o paradeiro era certo. — os repreendeu, além de impaciente, se sentia extremamente estressado — Não deixe que isso se repita. Já perdemos tempo demais.

Zetsu Negro pretendia rebatê-lo, mas Zetsu Branco foi mais ágil, garantindo que a investigação resultaria na localização exata do Rokubi.

Suspirou quando ficou sozinho e retomou o caminho na direção daqueles dois. Tinha perguntas a fazer e não esperaria mais nem um minuto para obter as respostas.

— Os preparativos para o selamento do Gobi já estão sendo feitos. Em dois dias começamos. — Pain informou assim que se sentou e o mirou.

Se deu conta só naquele instante que Sakura não o acionou para buscar o corpo do Jinchūriki. Por quê? Como o trouxeram?

— Me deixe a par do relato da missão concluída.

Então Konan repassou as informações, tirando a maioria de suas dúvidas:

A interferência de Sakura e Itachi na disputa pelas fronteiras – algo que discordava veemente de Pain sobre tal necessidade. Aquela missão só os tirou do foco e para nada relevante, pois se perdessem as fronteiras seria menos trabalho, mão de obra e investimento financeiro para se fazer;

O resultado de uma batalha árdua entre dois Akatsuki e centenas de Ninjas de médio e alto nível: Itachi gravemente ferido;

A captura solo de Sakura;

Não foi à toa que a garota se descontrolou daquele jeito. Tudo o que fez, desde a captura – coisa que, mesmo que já tenha feito antes, claramente era contra –, curar e manter Itachi vivo – aquele que queria matar – e indo contra seus princípios para evitar uma futura guerra entre Duas das Cinco Grande Nações Ninjas que prejudicaria e afetaria civis inocentes, a corrompeu pouco a pouco até que ela colapsou.

No último caso, e também mais grave, era uma vida por outra.

Uma difícil decisão sob a balança injusta do destino.

E, para finalizar, o peso de assistir Deidara – que um dia se horrorizou por pensar que o tinha matado – morrer sem poder fazer nada para impedir, além da experiência de ver aquele que mais amou morrer sem sentir qualquer emoção sobre.

Sentiu pena do que Sakura passou nos últimos dias, assim como empatia.

Ela não merecia nada daquilo.

Ela não.

— E, agora com menos membros, as missões mercenárias estão se acumulando e precisamos aumentar nosso poder aquisitivo para manter a ordem na Akatsuki. — Pain finalizou com o último tópico pendente daquela reunião que já se estendeu por muito tempo — Enquanto Zetsu não obtém nenhum avanço em sua investigação sobre o Rokubi, vou enviar Sakura e Itachi para essas missões.

— Sakura fez muito na última missão. Por ora, vamos dar a ela um descanso. — sentenciou, cruzando os braços — E Itachi precisa se recuperar dos danos da última missão, então o direcione apenas para missões curtas, próximas e sem muita complexidade para ele. O resto Konan e eu assumimos enquanto você se prepara para o selamento do Gobi.

Quem diria que ele assumiria a posição de protetor de alguém depois de tanto tempo?

Quando encerraram a reunião, acenou para que Pain esperasse, liberando Konan. Precisava esclarecer uma coisa.

— As fronteiras não são nossa prioridade. — disse, percebendo certa resistência de Pain ao vê-lo franzir o cenho.

Aquilo não era bom.

— Amegakure é e sempre será prioridade.

Levantando-se, Pain fez menção de se retirar, mas conseguiu fazê-lo cessar os passos ao proferir:

— Amegakure é um desperdício de tempo e energia. — insistiu, levantando-se também — Se nossos planos derem certo, todo e qualquer esforço que está fazendo será irrelevante. Sabe disso. — o homem o olhou por sobre o ombro, o Rinnegan lampejou — Não deixe que Konan o influencie com emotividade.

O homem não o respondeu, apenas virou o rosto para frente e se retirou com a mesma calma irritante de sempre.

Suspirou quando ficou sozinho, pensando no quanto Konan estava o afetando e, mais importante, no quanto ela estava se desviando do objetivo sempre absoluto do Pain. O que a incentivou a tomar tal atitude?

Foi a incógnita ambulante? Porque claramente a mulher estava sendo movida por alguma esperança tola… "pela esperança para aquele mundo decadente.".

Suspirou, sentindo-se cansado ao lidar com pessoas desfocadas.

Dois dias se passaram e não procurou por Sakura, por mais que quisesse para conferir como ela estava, por dois motivos: a garota estava sobrecarregada e precisava de um tempo e não a viu sair do quarto nem para fazer as refeições, então entendeu que queria se isolar.

Então o momento de selar o Gobi chegou e ela finalmente deu as caras, junto de Itachi e Konan que tinham acabado de chegar de suas missões solo, reunindo-se com Pain, Zetsu e ele no grande salão de sempre.

As coisas ocorreram normalmente durante o ritual que já estava em seu final, depois de quase dois dias empenhados no processo, até um chakra monstruoso e sombrio começar a pulsar em ondas violentas a partir de Sakura.

Ele abriu o olho alarmado com tanto poder e ficou ainda mais quando a viu de olhos fechados, aparentemente sem perceber o quanto o chakra dela fluía agressivo de si.

O roxo ametista se transformou num manto em torno dela e mesmo assim ela não parou, continuou imóvel e com os olhos fechados.

— Sakura!

A chamou e, quando ela abriu os olhos, o Gedō Mazō – Estátua Demoníaca do Caminho Exterior – moveu seus cinco olhos abertos na direção da garota e tudo se tornou um caos completo repentinamente.

Num segundo estava tentando alertá-la, no outro a grande estátua havia se movido e lançado agilmente um de seus braços na direção da garota.

Uma nuvem de terra subiu impedindo-os de ver o que tinha acontecido, até vir o grito transbordando dor dela e em seguida uma explosão que resultou no recuo da estátua.

— Sakura! — gritou afobado, usando o Sharingan para tentar encontrá-la mesmo diante da névoa visual de terra.

— Pain! — Konan gritou na sequência deixando evidente seu assombro e ele olhou na direção do homem — O que está fazendo?!

— Não sou eu. — foi a resposta tensa.

Em seguida a estátua se moveu para o leste e ele virou o rosto naquela direção, encontrando Sakura com um dos braços dilacerado e sangrando absurdamente mesmo que estivesse com a técnica de Regeneração em Alta Velocidade ativa.

Itachi invocou seu Susanoo em defesa da garota, mas a estátua foi insistente, lançando correntes que o tiraram de sua frente.

Sem descanso, veio outro ataque e Sakura tratou de fazer outro desvio, contra-atacando com um soco munido do seu monstruoso e sombrio chakra roxo ametista, tendo como resultado o braço trincado da estátua.

— Desfaça a invocação! — Konan gritou quando a estátua teve sucesso ao quebrar a perna da garota quando tentou desviar de um ataque dos Nove Dragões.

Ele usou seu Jikūkan Ninjutsu para se transportar para perto da garota e tirá-la dali, mas antes mesmo de alcançá-la foi empurrado por com uma força bruta suficiente para fazê-lo voar para longe e, só depois que pousou no chão – logo após usar o Jikūkan Ninjutsu –, descobriu o motivo, já que não tinha entendido o ataque repentino direcionado a ele: ela o salvou de ser acorrentado pela estátua e, antes mesmo das correntes se fecharem em torno dela, liberou o chakra de forma que o manto roxo ametista se expandiu até as correntes quebrarem.

Correntes grossas e feitas de puro chakra demoníaco se quebraram com uma facilidade estarrecedora.

Foi quando Pain desfez a invocação e um silêncio sepulcral recaiu sobre eles.

Sakura foi atacada pelo Gedō Mazō e, não obstante, conseguiu se defender mesmo depois de receber danos sérios.

Quando a poeira abaixou, todos, sem exceção, olharam surpresos para a garota que continuava em pé, apesar de uma das pernas quebradas, segurando o braço dilacerado que ainda sangrava absurdamente.

O manto de chakra roxo ametista desapareceu gradativamente e logo estava perfeitamente controlado, suprimido e ocultado, como se nunca tivesse dado as caras.

E ele se perguntou o que houve para a estátua atacá-la quando os alvos eram apenas os Jinchūriki que continham os chakra dos Bijū.

[…]

NOTAS FINAIS:

Eiiita que eu sei que vocês tomaram um susto com esse final, hein! Pois é, não me contentei em assustar vocês só no começo do capítulo, tive que assustar de novo para me sentir satisfeita kkkkkk

Gostaram?! Sabem o que está acontecendo com a Sakurinha para a estátua reconhecê-la como uma Jinchūriki?

Eu quero teorias na minha mesa para ontem! kkkkkkkkkkk

Bom, vamos lá para algumas considerações:

Tamashī no Aki no Jutsu – Técnica do Outono da Alma é uma técnica criada por mim. Eu sei que vocês sabem, mas é sempre bom lembrar rsrsrs

A história do chakra roxo ametista é coisa minha também, acontece que eu descobri de um jeito bem idiota que quando se mistura as cores azul e vermelho o resultado é roxo. Perceberam? Tem uma baita pista aqui kkkkkk

Outra coisa, aquele papo cabeça sobre o Plano da Lua lá no começo faz parte do meu enredo. Eu não sei se o Tobi realmente explicou para alguém o Plano na Lua e infelizmente não tive tempo para pesquisar, mas isso aqui é uma fanfic e, francamente, seria irrelevante se ele explicou ou não, porque a história é minha e eu escrevo ela como eu quiser e aqui ele explicou sim KKKKKKKKKKKK

Brincadeira, gente, é só que as coisas vão funcionar melhor aqui desse jeito, está bem? Rsrs

Então? O que acharam?

O que acham do Tobi agora?

Acham que ele está sendo sincero sobre querer protegê-la? E sobre o que ele contou à ela?

E quanto aos desentendimentos com o Pain? Até onde acham que isso vai influenciar no decorrer da história?

Pain vai ouvir o Tobi ou vai continuar com o domínio das fronteiras e consequentemente protegendo Amegakure? Tobi estava certo? É coisa da Konan? Ou é coisa do Pain mesmo?

AI MEU DEUS, TÔ CHEIA DE PERGUNTAS!

E sobre a Sakura? Acham que ela surtou e se descontrolou ou foi só encenação? E aquelas coisas que ela contou à ele depois do que ele contou à ela? São verdades? São mentiras?

Ela vai ajudá-lo ou só está o manipulando?

E, mais importante: O QUE ACHARAM DESSA GAROTA VIRAR ALVO DA ESTÁTUA DEMONÍACA E SE DEFENDER SOZINHA?!

CONTEMMMMM AQUI PARA MIM!

PRÓXIMO CAPÍTULO: Acertos finais (agora sim vem esse kkkkkk).

DATA DE LANÇAMENTO DA PRÉVIA: 20/07/2021 – Terça-feira.

DATA DE POSTAGEM: 23/07/2021 – Sexta-feira (como prometido, teremos dois capítulos seguidos, então o próximo já vem na semana que vem!).

Até a próxima!*~

Obs.: Caso queiram ter prévias de capítulo, spoiler e interagir comigo além daqui, me sigam no Twitter por SenpaiNani, Instagram por NaniSenpaiNK e Facebook por Haruno Sah ou Nani Senpai!

Obs.²: Eu fiz um TrailerBook de Pétalas de Cerejeira, gente! Passem lá e me digam se gostaram ^^

watch?v=H-jQ9OOO2vI

Obs.³: Cronograma de Julho!

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