NOTAS DO AUTOR:

Eiii! Tudo certo com vocês? Espero que sim!

SOCORRO QUE EU NÃO DORMI AINDA! Passei a madrugada revisando e dando os toques finais nesse capítulo e respondendo comentários, então se verem erros no decorrer da leitura, me perdoem, assim que der eu reviso ele de novo T_T

Enfim, quero me desculpar verdadeiramente pelo atraso. Não sei se viram no quadro de avisos da semana no cronograma mensal ou nas redes sociais, mas tive uma semana horrorosa. Fiquei gripada e fui burra de tomar a primeira dose da vacina daquele jeito e aí a coisa piorou consideravelmente. Fiquei ruim mesmo, não conseguia me aguentar sentada, foi terrível. Aí eu tinha que revisar a metade para o final desse capítulo e fazer algumas pesquisas para conferir a veracidade do que eu tinha escrito (Sim, gente, sou besta demais. Primeiro escrevo e depois pesquiso. Vou parar com isso, prometo!) e a dor de cabeça e a febre não deixavam, aí, aqui estou eu, 05:38 da manhã do dia 25/07/2021 terminando de revisar e postando às 08:00 kkkkk

Tudo saiu atrasado essa semana e teve coisa que nem saiu, então não pensem que foi só com Pétalas rs

Enfim, me perdoem tá? De verdade!

Agora vamos para esse capítulo: ele dá continuidade ao capítulo 17 (do Tobi) e, como vocês me pediram no capítulo passado, inclui algumas informações que não tinha originalmente no capítulo da versão dela de alguns acontecimentos tanto do capítulo do Sasuke como do Tobi. Espero que gostem e corresponda as expectativas de vocês!

E isso me leva a agradecer imensamente pelas teorias do capítulo passado! Eu amei cada uma! É por isso que eu gosto de fazer vocês pensarem! Vocês criam cada teoria que me deixa super orgulhosa, continuem assim!

Segundamente (Ainda não sei se isso existe, mas vou usar kkkk): aqui eu cumpro uma promessa que fiz a vocês de que a Sakura terá dois momentos de paz e serão com duas pessoas diferentes! Já sabem quem são? '-'

Vão preparadas para ficar com o coração quentinho! E não se iludam! Não há nenhuma conotação romântica! kkkkkkkk

É isso! Vão na fé e pela sombra com foco na foca! xD

Boa leitura!

Obs.: Fanart desse banner desenhada por Bibes exclusivamente para Pétalas de Cerejeira! Bia, sei que já deve estar cansada de me ver dizendo isso, mas você é muito talentosa! A Sakura está linda!

E para quem tiver interesse nas artes dela deixarei os links de contato nas notas finais!

Obs.²: Desculpem a demora para respondê-los de novo! Já sabem, né? Posso demorar, mas vou respondê-los, um por um e de qualquer capítulo, então não me abandonem, tá? É a parte que mais amo de escrever!

Obs.³: Sempre que eu faltar com a pontualidade, confiram o quadro de avisos da semana no cronograma mensal que deixo o link tanto no meu perfil como no final de cada capítulo, porque lá eu sempre faço um diário virtual sobre como estão o andamento das coisas. Qualquer coisa, se sintam à vontade para me procurar também!

[…]

CAPÍTULO 18

ACERTOS FINAIS

Ela estava se sentindo, literalmente, uma bomba relógio com os segundos contados para explodir. A pulsação acelerada retumbava no ouvido, seu chakra que sempre foi estável e controlado estava o completo oposto e, mesmo a dor insuportável que estava sentindo no braço direito dilacerado no ataque do Gedō Mazō – Estátua Demoníaca do Caminho Exteriore na perna esquerda que foi quebrada pelo mesmo desgraçado, não era suficiente para distraí-la do ódio que crescia desenfreadamente em si.

Seu corpo inteiro tremia e estava quente como o inferno, mas não por medo.

Era por ódio.

Um ódio irracional, infundado e inexplicável.

Trincou o maxilar e a mão esquerda que segurava firmemente o braço ferido passou a apertá-lo.

Queria destruir coisas, matar pessoas. "Causar o caos" se repetia em sua mente como um mantra ambicioso e obscuro demais para ser ignorado.

Mas ela não era irracional como aquele ódio, sabia que a necessidade de destruição não partia de si e sim do chakra demoníaco que tinha armazenado em seus três reservatórios e meio.

Naquele momento lembrou de todas as vezes que Naruto perdeu o controle para a Kyūbi e entendeu perfeitamente como ele se sentiu.

Aquele ódio era forte e opressor a ponto de desestabilizá-la e olha que no decorrer daquele período em que se tornou uma Nukenin – Ninja Fugitiva – adquiriu um controle mental digno de um monge, poderia facilmente vencer uma disputa por quem era mais controlado mentalmente contra o Shikamaru certamente.

Obviamente as situações comparadas entre o Naruto e ela eram completamente diferentes. Naruto possuía uma entidade demoníaca em si, além do chakra demoníaco, então a situação dele era mil vezes pior, supunha.

O que estava ocorrendo com ela, pelo que imaginava, era algo inédito. O chakra demoníaco estava se fundindo ao chakra dela, pôde perceber. O problema era que as intenções malignas que partia daquele chakra parecia quase uma entidade que pegava o pior dela e multiplicava inúmeras vezes desenfreadamente.

E, atualmente, muito antes desse processo de fusão de chakra começar, o pior lado dela já era proeminente.

— Sakura. — ouviu o chamado de Tobi e seus passos hesitantes e lentos em sua direção, mas só o que fez foi fechar os olhos com força e respirar fundo meneando a cabeça negativamente para ele num sinal para não se aproximar.

Não sabia como se pararia se ele desse mais um passo. Em sua mente, imagens assustadoramente excitantes criavam pelo menos quatro cenas com ela o matando de formas diferentes, uma mais sádica do que a outra.

Maldição!

O mascarado parou, sentiu a freada brusca pelo seu mapeamento sensorial de energia vital, mas Konan, pelo visto, não entendeu o recado. E a cada passo dela mais próxima, mais sentia aquele ódio se expandir.

Seus olhos e mãos estavam fechados fortemente e seu corpo mais tenso e trêmulo.

Respirou fundo uma, duas, três vezes. Na quarta e também no quarto passo mais próximo, encolheu-se sentindo o chakra demoníaco, que se esforçou tanto para oprimir, se rebelar e explodir em uma carga alta que, se não fosse pelo Susanoo de Itachi invocado na última hora para contê-la, teria feito todos voarem para longe dali.

A gigante mão vermelha de puro chakra do humanoide continuou acima dela até controlar aquele chakra demoníaco. Estava prestes a matá-los só por se aproximarem e isso a destruiria de maneira irreversível.

— Sakura.

Grunhiu ante o chamado do Tobi e se encolheu ainda mais, sentindo como se algo estivesse a rasgando de dentro para fora.

"Não. Não fale comigo. Não chegue perto de mim. Apenas me deixe em paz!", queria proferir, mas aqueles pedidos só ecoaram por sua mente perturbada e pouco sã porque o maxilar estava travado e os lábios rígidos um contra o outro para prender o grito animalesco que queria fugir.

Por um mísero instante se perguntou se era por causa daquele instinto assassino que alguns Jinchūriki se afastavam de todos que amavam para viverem isolados ou para se dedicar a dominar o Bijū, como o próprio Naruto ou o Yonbi.

O ódio pareceu triplicado em reflexo da voz dele e faltou muito pouco para se perder de vez naquele sentimento obscuro e o que a salvou de se entregar foi a voz branda de Itachi chamando-a para aquela realidade deturbada.

— Sakura.

O chamado estava carregado de aflição e perceber aquilo a fez se forçar a retomar o controle da situação, porque, para Itachi deixar de lado a encenação de inimigos, a coisa estava séria. Ele não se arriscaria por pouco.

Não queria preocupá-lo.

Não queria ser um peso.

… como sempre foi para o Time 7 enquanto era uma mera Genin.

Como sempre foi para todos que precisavam cuidar dela, ajudá-la e protegê-la porque ela era insuficiente para o fazer por si mesma.

Respirou fundo mais uma vez e procurou coisas boas na mente.

Não tinha.

Mudou a estratégia acessando lembranças doces e quase esquecidas de um passado distante, ainda quando estava em Konoha, com a formação original do Time 7, com seus pais e amigos. E até sorriu minimamente em reflexo da lembrança que veio em seguida: dela passando a madrugada inteira narrando aquelas mesmas lembranças para o Itachi, quando recebeu olhares curiosos, risadas curtas e sorrisos recheados de orgulho e alegria.

E a cada memória acessada, maior era a efetividade e controlar aquele mal invisível, porém onipresente se tornou possível.

Quando abriu os olhos estava cem por cento controlada e consciente. Seu olhar encontrou o do Itachi por milésimos de segundos, mas suficientes para passar para ele o quão agradecida estava por tê-lo ali, por ter sido salva apenas com um chamado, mas que a trouxe para o "eu" que parecia mais perdido a cada dia que se passava e atrocidade que presenciava ou cometia.

A gigante mão vermelha humanoide se desfez e só então percebeu que Pain se posicionou a frente da Konan a postos para atacá-la.

Supôs que era para contê-la caso o Susanoo do Itachi não tivesse tido sucesso e até sorriria diante da constatação de que, mesmo que por minutos, representou algum perigo para aquelas pessoas, mas sentia-se mal por toda a situação e principalmente por quase ter atacado Konan, que estava imóvel com uma expressão meramente confusa e um olhar vacilante.

— Sinto muito. — disse a encarando. Deixou a mão que ainda apertava o braço dilacerado cair para demonstrar corporalmente que se desarmou — Eu ainda estava… — torceu os lábios em desgosto por ter pedido o controle daquele jeito e procurou uma sentença adequada para aquela frase. Quis sorrir de novo, mas de escárnio. "… querendo matar todos vocês." quase escorregou por seus lábios, por sorte conseguiu articular algo menos pior — em alerta por causa do ataque repentino do Gedō Mazō.

Não que aquilo fosse verdade, mas quem poderia julgá-la e desconfiar que aquilo era mentira?

Aquela invocação se voltou para ela tão repentinamente quanto ocorreu o descontrole dela.

Isso porque passou os dois últimos dias no quarto tentando reverter aquela situação.

Depois do que houve com Tobi, compreendeu que uma mudança sorrateira ocorreu em seu corpo desde a primeira drenagem em que armazenou o chakra do Bijū e quando percebeu era tarde demais.

Por sorte tarde demais para ela que não pôde se precaver e não para o mascarado.

O corpo humano não era compatível com o chakra demoníaco dos Bijū, tanto que era preciso um poderoso Fūinjutsu – Técnica de Selamento – para neutralizar a incompatibilidade.

Só que não tinha um Fūinjutsu para neutralizar a incompatibilidade entre seu corpo e o chakra demoníaco que drenou e armazenou por todo aquele tempo e não ter pensado na possibilidade do chakra se rebelar e tentar controlá-la a fez se sentir a pior das tolas.

Roubou e armazenou o chakra de demônios desde o Sanbi. Foram parte de três Bijū.

Pff. Por que achou que sairia ilesa?

Foi tão tola que a própria tolice estava munindo suas chances de reverter a situação, não foi à toa que só conseguiu algum resultado dois dias depois.

Konan assentiu parecendo verdadeiramente convencida e retomou os passos na direção dela.

Em reflexo recuou um passo e seu corpo automaticamente se pôs em posição defensiva, antes mesmo que pudesse perceber ou se impedir de tomar aquela atitude.

— Não vou machucá-la. — a mulher explicou com a voz branda e expressão suave e ela abaixou o único braço que conseguia movimentar, que tinha erguido em punho cerrado. — Está perdendo muito sangue, é preciso conter a hemorragia.

Somente naquele instante se lembrou dos danos que sofreu e olhou para o braço que ainda sangrava absurdamente coberto por trapos do que um dia foi a manga longa do manto negro e depois para a perna esquerda com fratura exposta, vendo a calça no mesmo estado.

Oh, era o segundo manto negro e calça que jogava fora em menos de dois dias.

— Por que não está se regenerando? — Tobi perguntou com a mesma voz séria que usou desde a primeira vez que a chamou, logo quando o caos se instaurou.

Ele se aproximou também e se conteve fortemente para não recuar ou repudiá-lo.

O ódio irracional pulsou.

— Não posso. — respondeu, embora tivesse voltado a encarar os ferimentos como se vê-los a distraísse do desejo de matá-lo e a fizesse ter uma ideia milagrosa para reverter a própria situação.

Quando ativou o Ninpō Sōzō Saisei: Byakugō no Jutsu – Arte Ninja da Criação do Renascimento: Técnica da Força de uma Centena – para tentar conter o dano que recebeu do Gedō Mazō logo no início do ataque, percebeu a obscuridade do próprio chakra modificado – o que foi uma surpresa, porque depois que reforçou o selo que criou em torno de cada reservatório extra que estava cheio, seu chakra tinha voltado ao normal – e o desativou imediatamente para se precaver de outro possível descontrole. A última coisa que precisava era ficar irracional enquanto era atacada pela estátua.

Não estava mais em perigo, mas tinha certeza de que se utilizasse o chakra para se curar na situação patética em que se encontrava atualmente perderia o pouco controle que adquiriu.

Pouco e instável controle que adquiriu.

Fora que, depois do último infortúnio, desconfiava que selo algum reverteria a situação do seu chakra e isso só deixava uma última solução disponível: aceitar e se adaptar de vez a mudança drástica que ocorreu com a fusão.

— Por quê? — Tobi insistiu, fazendo-a trincar o maxilar e grunhir involuntariamente em resposta do ódio irracional pulsando mais uma vez.

— Estou sem chakra. — mentiu entredentes, fechando os olhos com força conforme se obrigava a ter controle.

Definitivamente ela mataria Tobi se ele continuasse falando.

— Mas-…

O protesto do mascarado foi interrompido e ela abriu os olhos para olhá-lo e encontrou Itachi impedindo-o e o afastando.

Céus… Itachi era seu anjo da guarda.

Ou anjo da guarda do Tobi.

Ainda não sabia ao certo.

— Posso? — Konan perguntou e a olhou.

A mulher tinha uma das mãos estendida em sua direção e o olhar passava tranquilidade.

Uma tranquilidade que estava extremamente necessitada de sentir.

Assentiu e logo vários recortes de papel envolveu seu braço e perna feridos. Era uma tentativa prática de contenção da hemorragia que infelizmente não funcionou, porque precisava de aperto para estancar as feridas.

— Não vai parar desse jeito. — avisou, encarando-a — Precisa apertar.

Konan desfez a expressão estoica franzindo o cenho e o olhar tremulou.

Oh, estava com pena dela.

Poxa, já não tinha provado de que não precisava da pena de ninguém?

— Aperte. — arrancou a manga direita rasgada com um puxão rápido e se preparou para enfiar o pedaço de pano na boca — Eu aguento.

Dor física era o menor dos seus problemas.

No momento estava mais preocupada se era capaz de conviver com aquela malignidade infundada. Perder o controle de novo, como ocorreu com Tobi e durante o ritual, era inaceitável.

Fez o que era preciso e aguardou que Konan parasse de hesitar para também fazer o que era preciso e três longos minutos de sua vida pareceram uma eternidade conforme sentia a dor pelo aperto nas áreas afetadas.

No final, com a mão esquerda trêmula e olhos lacrimejados, tirou o pano da boca e olhou para ela fazendo uma reverência com a cabeça para expressar a gratidão que sentia, recebendo em troca um pequeno, mas expressivo sorriso fechado.

Sentindo o olhar de Zetsu e Pain, além dos demais sobre si, virou-se para o Pain com a melhor expressão indiferente que tinha.

Que humilhação ser protagonista daquele show de horrores.

De novo. E com direito a dois expectadores novos.

Patético.

— Deu tempo de terminar o ritual de extração?

Pain assentiu — Está liberada para recuperação.

Franziu o cenho.

— Não preciso disso. — afirmou, convicta — Isso não foi nada. Prossiga com a reunião.

A perna saudável que estava aguentando o peso do corpo inteiro discordava, mas não se permitiu fazer nenhuma careta de dor. Ela já sofreu danos mais severos e aguentou – até porque Tsunade jamais a deixaria desistir mesmo que todos os ossos de seu corpo estivesse quebrado, como já aconteceu, porque sabia do potencial resistente dela antes mesmo de ela saber.

Apesar de também hesitar, ele retomou a reunião como se nada tivesse acontecido. Falou sobre as missões que estavam ocorrendo simultaneamente, assim como os próximos passos da organização. Ainda não tinham conseguido descobrir a localização do Rokubi, as fronteiras ainda estavam em processo de tomada de poder, as missões mercenárias estavam acumuladas e, por fim, foi feito um anúncio oficial que ela esperou por muito tempo para ser feito.

— Infelizmente tivemos uma perda recente significativa. Deidara morreu em batalha contra Uchiha Sasuke, mas não houve vencedor. — Pain olhou brevemente para o Tobi e depois para o Itachi — Ao que tudo indica, Sasuke foi morto pela explosão de longo alcance de uma Técnica Secreta do Deidara.

Seu olhar mirou Itachi antes que pudesse se controlar, entretanto, por sorte, todos estavam focando no Uchiha primogênito, que apenas franziu o cenho.

Porcaria. Estava tão desesperada para tomar controle de si mesma que se esqueceu completamente de contar ao Itachi o que houve e a verdade por trás daquele acontecimento.

Precisava esclarecer as coisas antes que ele acreditasse e sofresse por uma perda que não aconteceu.

— Vamos pausar nossas atividades por três dias em luto pelo Deidara. — Pain prosseguiu, depois daquele silêncio sepulcral.

A reunião foi encerrada logo após aquele anúncio e depois ela foi levada para o próprio quarto por Tobi com a Técnica de teleporte ou transportação.

— Você tem algo para aliviar sua dor? — o mascarado perguntou com uma genuína preocupação evidente.

Ao menos ouvir sua voz dele não fazia o ódio irracional pulsar mais.

Isso significava que estava plenamente controlada. Era só não usar chakra até garantir que o controle fique estável e tudo ficaria bem.

Ótimo, finalmente os ventos estavam a seu favor.

— Não preciso de nada. Estou bem. — respondeu, sentando-se na cama com a ajuda dele.

— Você está com ossos saltando para fora no braço e na perna, é impossível que esteja bem. — repreendeu ele e o olhou com estranhamento, não entendendo a preocupação excessiva.

Já esteve muito pior, inclusive ele presenciou isso. Por que estava dando tanta importância para um braço dilacerado e uma perna quebrada?

Aquilo não era nada.

— Devo lembrá-lo de que eu sou a médica aqui?

Oh, o sarcasmo estava dando as caras.

Se continuassem por aquele caminho, logo perderia o controle de novo.

— Além disso, tenho que entregar algo para o Itachi. — o mascarado ficou parado e revirou os olhos — Manipulei um anti-inflamatório para os ferimentos que ele adquiriu em Iwa. Não tive tempo de entregar antes, por isso preciso fazer isso agora.

— Oh, fico feliz que esteja-…

— Pain me ordenou mantê-lo vivo e é isso o que estou fazendo. — o cortou severa. Não queria desfazer a imagem que conseguiu construir com tanto custo — Traga-o, por favor.

— Está bem. Já volto.

Suspirou quando ficou sozinha no quarto e olhou para a parede pensando em uma maneira de conseguir ficar a sós com o Uchiha primogênito. Desconfiava que Tobi não sairia de perto tão cedo.

No entanto, não foi preciso fazer nada. Surpreendentemente, Itachi tinha a mesma intenção que ela e para fazer isso acontecer ele causou uma enorme queimadura no abdômen, além de mutilação na área. Tinha excesso de pus e sangue por todo o lado e foi muito difícil não demonstrar preocupação diante do rosto suado e pálido dele e todo aquele ferimento.

Engoliu a seco, sentindo-se ser avaliada por Tobi que os assistia descaradamente e analisou a situação.

Pelo que lembrava, Itachi não chegou a lutar ativamente, apenas usou o Susanoo, então seria suspeito aquele enorme ferimento aparecer do nada.

Oh, então entendeu o motivo da mutilação em volta da queimadura: era para disfarçar que foi feito recentemente.

Quis sorrir. Não era à toa que Uchiha Itachi era considerado prodígio, embora tivesse sido bastante imprudente por causar tamanho estrago só por alguns minutos de privacidade.

— Mas que droga, Itachi! — ralhou, se levantando com a única perna que dava — Eu falei para você limpar o ferimento e passar aquela solução de ervas que te entreguei!

— Calma, Sakura. — Tobi a obrigou a sentar novamente e olhou para Itachi — Por que não fez o que ela mandou?

Os lábios dela até tremeram quando se esforçou para não rir. Além de tudo, Itachi ainda terá que se explicar.

— Estava em missão e não achei que pioraria tanto.

Ele cambaleou para o lado parecendo fraco demais e Tobi se apressou a soltá-la e ir acudi-lo.

Qualquer graça que a cena tinha se foi, dando espaço para a tensão. O homem estava mesmo mal.

Oh, céus… e ela nem podia curá-lo com chakra.

— Por que não a procurou assim que chegou?! — Tobi parecia desesperado e ela se levantou, dando espaço para colocá-lo na cama.

— Pain me convocou para o ritual assim que cheguei.

Então um impropério antecipou uma longa bronca enquanto ela, com a ajuda de Tobi que pegava as coisas que ela pedia que ficavam no móvel onde deixava equipamentos e soluções médicas guardadas, tentava dar um jeito provisório. Em certo momento, quando ainda estava no início do processo de limpeza e raspagem do pus, Tobi se afastou da cama parecendo realmente inquieto e incomodado.

— Ainda vai precisar de alguma coisa que não esteja por perto?

Até a voz dele estava enojada. Limpar devagar e do jeito que deixasse tudo o mais nojento possível deu certo.

— Não. Tenho tudo que preciso aqui, mas vai demorar. Preciso tirar todo esse pus-…

— Tenho umas coisas para resolver, volto mais tarde. — ele disse apressado e saiu do quarto do mesmo jeito, batendo a porta ao sair.

Aguardou-o sair do perímetro de risco e sorriu fraco e irônica encarando seu cúmplice, que mesmo com dor, pálido e zonzo, retribuiu com um sorriso de canto também fraco.

— Não precisava ter feito um estrago desse tamanho, você sabe, não é? — sussurrou e ele deu de ombros. O sorriso de canto fraco dele cresceu milímetros e a diversão pela situação era nítida em seu olhar brando — Devo ter alguma erva anestésica aqui-…

— Não precisa. — ele segurou seu braço antes que se levantasse — Você está bem?

O tom excessivamente preocupado deixou claro que a pergunta não era só sobre seu estado físico.

Como pode ser tão empático e gentil? Teoricamente foi ele quem perdeu um membro importante da família e mesmo assim estava preocupado com ela.

— Sasuke-kun não está morto. — explicou rapidamente, pegando na mão dele. Itachi arregalou os olhos. — Ganhei algum tempo para ele fugir antes da explosão ocorrer. O Deidara morreu sozinho. Eu queria ter contado antes, mas aconteceu umas coisas-…

— Sasuke está vivo?

— Sim. Vivo e acredito que bem, já que não foi rastreado pela Akatsuki ainda.

Ele desviou o olhar parecendo assimilar a notícia e depois a encarou ainda mais preocupado.

— O que aconteceu com você? O que foi aquilo? — suspirou e soltou a mão dele, mas antes que pudesse se afastar, ele segurou sua mão com cuidado — Conseguiu se curar?

Aí tentou se sentar para olhá-la melhor e precisou impedi-lo soltando-se da mão dele para forçá-lo a voltar a posição horizontal.

— Fique quieto aí. — ordenou e fez mais força para deitá-lo novamente quando encontrou resistência.

— Sakura, — o tom de reprimenda ganhou força e ele se sentou fazendo uma careta — você precisa se curar. Está com fratura exposta tanto no braço como na perna-…

— Eu estou bem, Shannaroo! — esbravejou, forçando-o a deitar mais uma vez e soltou um estalo com a língua. Era péssimo ter apenas uma mão para contê-lo. Maldito Gedō Mazō. — Você que está péssimo com essa queimadura mutilada! Fique parado aí.

Ele segurou sua mão de forma que não conseguiu contê-lo e ele se sentou — Pare de ser teimosa. Eu sou o mais velho aqui, você me deve obediência.

— E eu a mais capacitada, então como sua médica digo que quem me deve obediência é você. — sorriu de canto quando o viu revirar os olhos e voltar a deitar quando o forçou.

— É também insolente, não esquece disso.

— E insolente. — acrescentou, abrangendo o sorriso e piscando com um olho.

Se levantou e, pulando sobre a perna saudável, pegou uma solução anestésica de ervas no móvel. Passou-a ao redor do enorme ferimento ouvindo-o grunhir de dor e ficou parada esperando a solução começar a fazer efeito. Não podia curá-lo, mas podia poupá-lo de sentir dor durante o processo e isso a fazia se sentir menos pior.

— Você não me respondeu. O que aconteceu? O que-…

— Calma. Eu vou contar e explicar tudo o que é preciso, só… se acalme um pouco. Você perdeu muito sangue nessa brincadeira, pode desmaiar a qualquer momento se sua pressão aumentar. — ele assentiu e murmurou um "desculpe" que a fez sorrir fraco — Assim que chegamos, Tobi me buscou e me levou para onde Deidara estava em batalha contra o Sasuke-kun.

— Por que ele faria isso? Um teste?

— Não. Considerei essa possibilidade, mas ele parecia crente que Deidara venceria embora saísse ferido, por isso me levou, mas algo saiu do controle e, depois de conferir a luta, Tobi voltou dizendo que era para eu sair do perímetro da explosão. — mordeu o lábio inferior, desviando o olhar. Precisou respirar fundo para assimilar a tensão de lembrar daquele momento penoso — Ele me deixou sozinha por aparentemente estar com pressa para fazer algo e… fui até onde a batalha ocorria. — sentiu a mão de Itachi sobre a própria e a apertou buscando conforto, finalmente o encarando — Sasuke-kun não ia sobreviver… eu tive que interferir.

— E o que você fez?

As lágrimas se acumularam em peso em seus olhos e precisou desviar o olhar e pensar em sorrisos de pessoas que amava para não perder o controle sobre o emocional mais uma vez. Continuou a narração inerte, concentrada em se distrair ao confessar ter cometido aquela atrocidade.

— Drenei a energia vital do Deidara deixando o suficiente apenas para completar a explosão que estava programada por uma Kunai temporizadora, dando tempo suficiente para o Sasuke-kun fugir. — voltou a encará-lo, expressando um pequeno sorriso para animá-lo — E ele conseguiu, mas por causa de toda a situação e por não saber que interferi, Tobi concluiu o contrário.

Itachi primeiramente apertou com cuidado sua mão e manteve um afago gentil com o polegar lhe olhando como se ela carregasse o mundo nas costas. Isso a fez sorrir, porque quem realmente carregava o mundo nas costas era ele. O que ela fez não foi nada perto do que ele fez.

— Não se preocupe, vou aprender a lidar com isso de um jeito ou de outro. — deu de ombros, retribuindo o aperto na não dele — E isso me leva a outras duas coisas importantes que preciso te contar, mas não pode ser aqui, com o risco de Tobi aparecer a qualquer momento.

Ele assentiu, olhando rapidamente para a porta antes de voltar a encará-la.

— Você vai ficar bem?

— Vou. — sorriu novamente para tranquilizá-lo — Agora vamos limpar essa bagunça que você fez.

Então limpou o ferimento dele, estancou o sangue, deu pontos, já que não tinha chakra como recurso de uma cura imediata, prometendo curá-lo assim que possível e logo quando terminou os pontos, Tobi se materializou dentro do quarto repentinamente. Por sorte tanto Itachi quanto ela estavam distraídos com seus próprios pensamentos e fisicamente distantes um do outro – exceto por ela terminando o tratamento.

Cortou com uma Kunai a linha remanescente e observou o trabalho mais manual que fez desde que deixou Konoha. Com chakra tudo era tão mais prático e rápido que tinha se esquecido momentaneamente de como era a medicina nua e crua.

Enxugou o suor da testa, sentindo-se incomodada com o abafado no quarto por falta de ventilação.

— Sente-se sem movimentos bruscos. — ordenou com a voz firme, ignorando propositalmente Tobi.

O Uchiha obedeceu e enfaixou o abdômen depois de passar uma solução anti-inflamatória de ervas raras que vinha guardando para uma emergência. Bom, aquela era uma ótima emergência.

Entregou o anti-inflamatório que citou ao Tobi e que seria necessário dali pra frente devido ao ferimento recente e um pouco mais da solução anestésica que passou.

— Tome uma cápsula de manhã e outra a noite por cinco dias e volte amanhã para eu limpar e refazer o curativo. Se eu tiver chakra suficiente te curo, mas se não tiver continuamos esse procedimento até quando for necessário. — jogou as bandagens usadas no lixo que deixou ao lado e o encarou com a melhor expressão contrariada que tinha — E se a dor se tornar insuportável, passe um pouco do anestésico.

Ele assentiu e com dificuldade se levantou da cama, se retirando em seguida.

Gostaria de suspirar em vista da tensão que era tratá-lo daquela maneira rude, mas Tobi ainda estava no quarto quieto e a observando e isso a fez se virar para trás, ainda sentada, para encará-lo.

— Pensei que a Haru-chan era destra.

A voz voltou ao timbre infantil e ela quis revirar os olhos.

Com os dentes, retirou a luva cirúrgica ensanguentada que tinha colocado no início do procedimento, jogando-a no lixo.

— Um ninja que se preze é ambidestro. — olhou-o com um sorriso sarcástico domando os próprios lábios — Nunca se sabe quando vai perder um braço, não é?

Ele ficou quieto apesar de se aproximar e ajudá-la quando se levantou, colocando-a na cama com cuidado.

— Está com fome? — o timbre continuava infantil, mas, por incrível que pareça, não conseguiu se sentir irritada.

"Tobi é parte de quem já fui um dia."

Ele tinha dito e, por mais inusitado que tivesse sido aquela revelação e o que veio posteriormente, acreditava que depois de muito encenar, foi verdadeiro. No fim, pôde tirar algumas conclusões após muito refletir:

Um dia aquele mascarado sínico, maldoso e manipulador foi uma boa pessoa;

E o que o mudou drasticamente foi a dor da decepção, só não sabia com o que, embora desconfiasse ser a perda de alguém importante, talvez a tal que ele disse amar;

E o mais relevante: a mudança ocorreu ainda na infância. "… tudo aquilo não passava de um sonho infantil…", foram as exatas palavras que escolheu naquele dia.

Às vezes as palavras proferidas no calor da emoção podiam revelar mais do que a própria intenção de fazê-lo intencionalmente e tinha certeza de que se tratava daquele caso, pois ele não hesitou em nenhum momento e o decorrer da cena deixou claro que nada do que houve daquela revelação em diante foi premeditado.

Podia estar enganada, mas aquela persona infantil junto da declaração dele, quase a dava certeza de que ele era apenas uma criança com uma personalidade extrovertida e inocente quando foi corrompido e crianças jamais poderiam ser cem por cento culpadas por quaisquer desvios que fizerem, principalmente porque havia uma grande chance de o desvio ter tido influência externa ou incitado por outro indivíduo.

Ninguém perdia a benevolência porque queria.

Isso ela podia afirmar com convicção.

Diante de todas aquelas evidências, era certo que Tobi manipulava a Akatsuki em prol do plano dele, a questão era: ele era manipulado também ou realmente era o cabeça de tudo?

Olhando-o e levando em conta a personalidade volátil dele, mas que sempre deixava passar um ato empático ou bondoso, a fazia considerar fortemente a primeira opção e talvez quem o manipulava podia ser o Uchiha Madara, mas ainda era cedo demais para concluir coisas e terá que pensar em uma maneira de descobrir mais.

Ou simplesmente perder a cabeça para que ele o faça por si próprio como quando a contou sobre o Mugen Tsukuyomi – Tsukuyomi Infinito.

Foi muita sorte ter obtido informações valiosas sem nenhuma intenção.

— Sinceramente… não. — devaneou, encarando a máscara laranja em forma de espiral — Estou cansada, mas preciso dar um jeito nisso aqui.

— Uwahh! Entendo! — ele coçou a cabeça e se sentou na cama também, virando totalmente na direção dela — Você é mesmo muito, mas muito forte, Haru-chan. O que você fez lá… eu nunca vi um Ninja ter uma das pernas quebradas e continuar em pé.

Franziu o cenho notando só então que o nível de energia vital dele estava extremamente baixo e instintivamente estendeu a mão direita mesmo com o braço ferido na direção dele com a ajuda da mão saudável, vendo-o ficar tenso de imediato. Parou a mão estendida na altura do rosto mascarado por alguns segundos, pensando se ele a deixaria tirá-la, mas só o que fez foi encaixar as pontas dos dedos sobre o pano da gola alta.

Por todo o tempo se manteve paralisado. Por mais que o corpo dele aparentasse receio, ele demonstrava confiança ao deixá-la o tocar, mesmo depois de quase matá-lo.

Fukkatsu no Haru no Jutsu – Técnica da Primavera da Ressurreição. — soprou, tentando encontrar o olho direito dele no breu da sombra da máscara.

Um efeito proposital para que ninguém descobrisse que era um usuário do Mangekyō Sharingan, imaginou.

Movimentar sua energia vital no braço dilacerado foi doloroso, tanto que não conseguiu evitar trincar o maxilar para se impedir de gemer de dor, entretanto os traços negros dos galhos de Cerejeira percorreram do antebraço para a mão, mostrando efetividade.

— Sinto muito por atacá-lo, tanto na floresta como no salão. — lamentou verdadeiramente, inevitavelmente arrependida pelo menos de ter feito aquilo.

Nada do que ocorreu lá foi premeditado. O chakra demoníaco dos Bijū despertou do colapso psicológico dela e se alimentou dele até controlá-la a ponto de quase matar alguém sem ao menos perceber.

E a continuação daquela cena foi tão real e verdadeira quanto o descontrole.

Ela não mentiu em absolutamente nada do que disse, sobretudo porque não era capaz, naquele momento, de traçar e colocar em prática qualquer estratégia que fosse e muito menos mentir, então fez o que fazia de melhor: foi franca, entregue e sincera.

Só havia um porém: falou de duas coisas distintas, deixando-o pensar que era apenas uma.

Quando confessou sobre seu amor por Sasuke, o fez na intenção de desabafar. Precisava tirar aquele peso do peito. Porque, por todo aquele tempo quis fazer aquilo e finalmente conseguiu, não permanentemente, mas por ora sim.

Contudo, quando prosseguiu com o monólogo, se referia ao Deidara. Tinha acabado de matá-lo intencionalmente, quando há menos de três meses estava disposta a fazer qualquer coisa para salvá-lo ao pensar que o tinha matado acidentalmente.

Estava confusa, perdida e acima de tudo indiferente.

Pensou que sentiria remorso ou arrependimento, mas aqueles sentimentos não chegaram ao seu coração, porque sua mente repetia incessantemente que foi um sacrifício necessário.

Era Deidara ou Sasuke;

Deidara ou a delação de sua interferência;

Deidara ou ela.

A escolha era óbvia e foi daí que surgiu aquela reflexão que expôs para ele.

O que ela tinha se tornado por não se sentir mal pelo que fez?

A questão não era vencer – porque batalhas eram travadas diariamente de diversas maneiras e vencer todas era impossível –, mas sim em ser a mais forte, a mais capaz e, mais importante, a mais obstinada.

Inclusive diante das perdas.

Se fosse obstinada o bastante, seria capaz de fazer qualquer coisa.

Qualquer mesmo.

Exatamente como fez.

Aí foi fácil concluir o óbvio que sua benevolência, bom senso e caráter jamais a deixou sequer imaginar: a vida e a morte são como um rio que segue seu fluxo independentemente do que é feito para mudá-lo.

Ela não podia mudar o destino do Deidara. No momento que Tobi a levou para aquele campo de batalha o fim dele se tornou certo, porque jamais o deixaria se matar e levar Sasuke junto.

— Está tudo bem. — o timbre sério na voz grave a respondeu, fazendo-a voltar ao presente com a constatação de que ele era realmente volátil. A transição ocorria fácil na presença dela do persona infantil e do homem que sabia que era. — Eu sei que você não fez por mal.

Repentinamente ele segurou o pulso dela e se assustou por não esperar o movimento.

— Suas técnicas… — hesitando, ele subiu a mão dela interrompendo a transferência e a apoiou na lateral do rosto mascarado, fazendo-a engatar a respiração pela mudança repentina de atmosfera — elas são gentis como você. — entornando a cabeça na palma da mão dela, continuou: — Gentileza é uma qualidade realmente admirável para uma Kunoichi – Ninja do sexo feminino — de alto nível como você. Não deixe que isso se perca.

Ela assentiu sentindo os olhos lacrimejarem e voltou a tocá-lo no pescoço desviando o olhar, devolvendo-lhe o pouco de vital que faltava para deixá-lo exatamente com a quantidade que tinha antes de drenar.

Tobi, mais uma vez, parecia sincero, mas não podia dizer que era o caso de si mesma.

Era impossível garantir aquilo.

Porque um rio segue seu fluxo independentemente do que é feito para mudá-lo.

Depois de transferir a quantidade necessária, pediu licença e se retirou para o banho.

Não pensou em nada, apenas se livrou dos recortes de papéis de Konan, se banhou e se tratou, improvisando uma tala para sua perna quebrada e uma bandagem eficaz para o braço dilacerado.

A dor a impediu de pensar e o cansaço a impediu de ter insônia ou pesadelo. Só apagou, acordando no dia seguinte com batidas na porta quando tinha acabado de arrumar a cama. Autorizou a entrada sabendo previamente que era Itachi pelo mapa sensorial de energia vital e o ofereceu seu melhor sorriso, sabendo que não havia ninguém naquela caverna além deles.

— Parece que está de bom humor. — ele comentou em tom divertido e entrou, fechando a porta em seguida. Não estava pálido e nem com o rosto suado e era um ótimo sinal. O tratamento feito tinha surtido o efeito esperado. — Ao menos melhor do que ontem.

— Melhor do que na última semana sem dúvidas. — comentou, rindo fraco e acenou para que ele sentasse na cama enquanto buscava por uma cadeira para se sentar — Onde todos foram?

— Konan e Pain foram para Amegakure. Zetsu só desapareceu e Tobi disse que ia ajudar na investigação do paradeiro do Rokubi, então provavelmente vai demorar para voltar.

— Acho que temos um tempo então, certo? — Itachi assentiu e ela manteve a atenção dividida nele e no mapeamento sensorial a cinquenta quilômetros em trezentos e sessenta graus de onde estava, só para garantir privacidade. Na primeira aparição do dia, Tobi jamais entrou em seu quarto sem bater, então era certo que não o invadiria. — Quero te mostrar uma coisa.

Se virou, tirando com a única mão possível de manusear o cabelo solto nas costas, deixando-o de lado sobre o peito.

Olhou-o por cima do ombro, vendo-o com olhos arregalados.

— São iguais ao Selo que tem em sua testa. — ele disse, assombrado e ela assentiu.

— Tem a mesma função de armazenamento, porém são diferentes — explicou, voltando a ficar de frente para ele ao jogar o cabelo para trás, no intuito de cobri-los e escondê-los caso sejam surpreendidos — O Byakugō no In – Selo da Força de uma Centena – em minha testa foi alimentado pelo meu próprio chakra. Os três em minhas costas foram alimentados pelos chakra dos Bijū que drenei e armazenei desde o Sanbi. — Itachi pareceu mais assombrado — A parte boa é que tenho uma quantidade formidável de chakra para usar como bem entender. — disse sem rodeios, desviando o olhar por segundos para assimilar aquela realidade — A parte ruim é que não pensei que esse chakra demoníaco ia tentar me controlar e como não consegue por ainda não ser forte o bastante, ele está se misturando ao meu, modificando totalmente a natureza do meu chakra.

— Não tem como expurgar esse chakra?

— E desperdiçar toda essa energia que poderá ser muito útil no futuro? — devolveu a pergunta e ele suspirou, provavelmente sabendo onde ela queria chegar — Eu só preciso me adaptar a-…

— Sakura, — ele a cortou, sério — você estava diferente ontem. O que aconteceu-…

— Eu sei. — assentiu para reafirmar — Eu sei exatamente o que aconteceu, não se preocupe, sei que posso contornar isso. Consigo retomar o controle, só preciso ter estabilidade emocional.

E para provar, tirou a bandagem do braço dilacerado.

Se sentia confiante diante da tranquilidade que sentia na presença do Itachi, era só continuar com ele e com o plano de pensar em coisas boas quando a presença dele não for suficiente.

— Ative seu Sharingan. — pediu e ele o fez.

Concentrou chakra na palma da mão esquerda sentindo a energia completamente agressiva e levou algum tempo até que conseguiu manipulá-la como queria.

— Está diferente. — ele avisou, concentrado no que ela estava fazendo — Está-…

— Agressivo, eu sei. — resmungou, moldando a energia para testá-la sob seu controle.

— Eu pretendia dizer forte, mas agressivo é um bom adjetivo também.

Sorriu de canto negando com a cabeça e foi recompensada com outro idêntico.

— Vou fazer um teste… — ele ia protestar, portanto se apressou a esclarecer — em mim, mas fique de olho para ver se percebe algo que passar batido por mim.

Ele assentiu e ela moldou o chakra e o inseriu em seu ferimento, chiando em seguida com um gemido de dor.

Aquilo mais feriu do que curou. Péssimo.

Tentou de novo e falhou, piorando ainda mais a situação de seu braço. Cinco vezes mais, quando Itachi ia pará-la, conseguiu sucesso em domá-lo e se curar adequadamente.

Não estava no ponto ideal de suavidade, mas, conforme se curava, ajustou a quantidade necessária e adequou de modo que quase parecia o chakra dela sem a fusão. O primeiro sorriso espontâneo do dia moldou os próprios lábios ao ver uma cura perfeita no braço dilacerado, mesmo depois de quase uma hora na tentativa e o outro a presenteou com um sorriso aberto que expressava seu orgulho dela.

Percebendo a quantidade baixa dele de energia vital e chakra, fez as devidas infusões. Ter invocado o Susanoo consumiu muito do que ele tinha e repor era imprescindível e ao começar a curar seu ferimento, Tobi apareceu em seu mapeamento sensorial no corredor e por isso sussurrou:

— Tobi está aqui.

Itachi assentiu e se afastou um pouco, tratando de impor uma distância impessoal entre eles e ela, com as duas mãos na altura do abdômen dele, se forçou a expressar indiferença.

As três batidas curtas quebraram o silêncio e ela autorizou a entrada sem olhar na direção da porta.

— Oh, Haru-chan está com chakra de novo! — se aproximando e se sentando ao lado do Itachi na cama, parecendo analisá-la — E até curou seu braço! Está se sentindo melhor?

— Sim. — respondeu, concentrada em não permitir que o chakra volte a intensidade e natureza agressiva que adquiriu com a fusão.

Durante o processo de cura, percebeu que era muito mais difícil manter o controle do que quando precisava apenas bater, quebrar coisas ou se defender.

— E o seu pé? Por que não o curou?

— Itachi apareceu antes que eu terminasse meu tratamento e-… — olhou-o de esguelha com um forçado sorriso sarcástico — não o quero aqui mais do que o necessário, então comecei a tratá-lo.

Mirou o parceiro com falso desafio através de uma sobrancelha erguida e recebeu uma expressão estoica e um estreitar de olhos.

Era nostálgico trocar farpas com ele, de um jeito desagradável, claro, mas nostálgico.

Tobi forçou um riso que pareceu bastante desconcertado e coçou a cabeça com a aura infantil.

O sorriso dela desapareceu quando, por milésimos de segundos, viu Naruto ali, coçando a cabeça e rindo constrangido de algo.

Itachi grunhiu e rapidamente voltou a se concentrar no chakra, que com seu breve descontrole, acabou o machucando e se manteve firme até terminar o mais rápido possível. Depois ele se retirou e se concentrou em curar a própria perna para se livrar daquela tala e o mascarado manteve-se ali falando pelos cotovelos como no começo daquela convivência, quando ela tinha acabado de chegar na Akatsuki.

— O que acha de irmos caçar, Haru-chan? Vai ser divertido!

Foram, mais porque ela precisava se distrair da culpa de ter machucado Itachi mesmo sem querer, do que por estar de acordo. Naruto não saía de sua mente também e controlar a rédeas curtas o emocional ficou cada vez mais difícil.

Almoçaram e Tobi a deixou para ajudar Zetsu na busca pelo Rokubi e, sem nada para fazer, se pôs em frente a janela falsa de seu quarto, imaginando que, em vez de madeira escura, tinha uma paisagem fenomenal arborizada com direito a lago cristalino e brisa refrescante, entregando-se a uma meditação tão imersiva que se desconectou de tudo e todos até um chamado tímido no timbre infantil a puxá-la para a realidade.

— Haru-chan? — abriu os olhos e virou-se para trás, vendo-o parado no meio do quarto com uma mão paralisada no ar na direção dela, como se estivesse hesitando ao se aproximar e tocá-la, provavelmente por medo de surpreendê-la e ser atacado como já ocorreu — Está tudo bem?

— Sim, desculpe. Estava meditando.

— Oh, por isso não me ouviu chamá-la tantas vezes… — ele comentou olhando para a janela falsa e depois para ela — Sabe, eu estava pensando aqui… esse esconderijo tem muitos quartos e esse aqui não parece muito bom. Que tal você trocar de quarto?

Dizer que se surpreendeu foi pouco, por duas razões: ele deixou claro que mandava e desmandava ali como bem quisesse e a falta de cuidado dele a deixou estarrecida por vê-lo desarmado de um jeito inconsequente perto dela.

Ele confiava nela.

Shannaroo… ele finalmente confiava nela!

E isso a levava para a segunda razão: ele confiava nela até para deixá-la em outro quarto!

Era um avanço e tanto no quesito confiança.

— Pain não vai gostar disso. — testou as águas demonstrando preocupação, mas por dentro se sentia tão eufórica que estava quase dando pulos de alegria.

Se o quarto tivesse uma janela de verdade era capaz de abraçá-lo em agradecimento! Oh, seria tão bom acordar com raios solares adentrando o quarto…

Nah! Vem, vamos escolher seu quarto novo!

E, com uma animação que não sentia há muito tempo, andou por aquela caverna deprimente em busca de um quarto que correspondesse as expectativas do Tobi de "quarto perfeito" para ela.

E foi com um sorriso expansivo sincero e lágrimas nos olhos que, depois da transferência de seus pertences com a ajuda do mascarado, encarava seu novo quarto com uma enorme janela que lhe dava o privilégio de uma paisagem natural linda, exatamente como queria.

Não o abraçou, mas precisou se segurar muito para não fazê-lo. Estava tão feliz que o deu uma cotovelada cúmplice e brincalhona na barriga e sorriu como a velha Haruno Sakura da Vila Oculta da Folha sorriria, até ser incomodada pelo bom senso e preocupação em causar uma possível discussão entre os que se achavam líderes da Akatsuki.

Franziu o cenho e desfez o sorriso, olhando para o rosto mascarado.

— Acho melhor eu voltar para onde estava. — sugeriu, olhando com pena para o quarto bem maior e mais confortável e com a janela aberta, depois para ele — Pain não vai aprovar a ideia.

— Por quê? — a pergunta ao mesmo tempo que passava curiosidade, passava também diversão pelo tom risonho. Não era no timbre infantil, mas a voz estava leve, como nunca tinha ouvido antes.

— A janela, Tobi. Pelo amor de Deus, eu sou uma novata e posso-…

— Você seria capaz de fugir mesmo no quarto anterior se quisesse. Seus punhos poderiam colocar essa caverna inteira abaixo sem apresentar nenhuma dificuldade para você. — ele andou até a janela e se sentou no parapeito, convidando-a com um meneio de cabeça para se juntar à ele — E também… você é uma de nós, já provou isso inúmeras vezes de diversas formas.

— Isso é um pouco estranho. — comentou, se sentando e olhando para a paisagem — Bem estranho, na verdade.

Tobi riu guturalmente e isso causou algo diferente em si, algo… agradável. Olhou-o de esguelha com um meio sorriso involuntário. Ele mantinha o rosto mascarado virado para a paisagem, mas a linguagem corporal dele deixava claro o quão tranquilo estava.

— Konan disse que você é confiável. E ninguém é confiável para ela há um bom tempo. — o comentário soou longínquo e ele virou o rosto mascarado na direção dela — Isso diz muito sobre como não é estranho dá-la um pouco de espaço. Você merece.

O meio sorriso se desfez e repentinamente sentiu-se com um peso no coração.

Voltou a mirar o horizonte de um dia ensolarado sem nuvens e permaneceu quieta ao lado dele pensando no quão equivocado ele estava.

Porque ela não era confiável, não para ele e nem para a Konan.

A missão prioritária dela era destruí-los, um por um, de dentro para fora e, pelo visto, estava tendo sucesso.

Um sucesso cruel.

Gostaria tanto de encontrar um meio de salvar todos sem precisar causar dor ou sacrificar alguém.

Tobi voltou a aura infantil tagarelando sobre o que havia daquele lado do esconderijo, apontando na paisagem detalhes divertidos e segredos infantis da natureza e se permitiu aproveitar aquele momento bélico emocional afastando os sentimentos ruins, sorrindo fraco e se permitindo ser parte de quem já foi um dia com alguém que estava sendo com ela parte de quem já foi também.

E, depois de uma tarde leve como há muito não tinha e com a última pessoa na face da terra que imaginaria ter um dia, deitou a cabeça no travesseiro pensando no quanto será difícil o dia que tiver que confrontar Tobi como um inimigo declarado.

O dia posterior foi no mesmo clima leve com o mascarado que fez questão de passar o tempo todo com ela. Apesar dos pesares foi agradável e extremamente necessário, pois precisava de um pouco de paz para colocar o emocional no lugar.

Depois dos três dias de luto pelo Deidara, Pain retomou as atividades, enviando-a, junto do Itachi, para uma missão mercenária. Não viu Tobi desde o dia anterior, mas não era como se sentisse falta, apenas… estranhamento. Geralmente ele sempre estava presente quando Pain lhe direcionava para as missões, então sua ausência inevitavelmente foi notada.

Passar alguns dias fora da caverna lhe fez muito bem, fora a presença serena do Itachi que fazia da convivência pacífica quase uma realidade boa demais para ser verdade.

Estavam no quinto dia de viagem, ainda a caminho de uma aldeia Ninja que ficava em Kawa no Kuni – País dos Rios –, próxima a capital Tanigakure – Vila Oculta dos Vales. A missão da vez era dizimar uma facção anarquista a mando do próprio governante da Capital.

Tal informação foi chocante e alarmante. Apesar de Tanigakure ser uma Vila Ninja pequena e independente, o poderio militar deles era de nível médio para baixo, então não podiam se assegurar sozinhos, mas recorrer a Akatsuki, uma Organização mercenária e extremamente perigosa, já era um ato ousado e irresponsável demais.

Por isso passou por todo aquele tempo tentando e falhando miseravelmente em obter contato com Konoha para transmitir, além de tudo o que já ocorreu, aquela informação. Se Vilas Ninjas estavam recorrendo à Akatsuki para benefícios próprios, não demoraria a fechar uma aliança definitiva que viria muito a calhar para os planos do Pain ou mesmo do Tobi.

Aquilo era tão perigoso quanto as movimentações de Iwagakure por baixo dos panos.

— Está quieta e pensativa ultimamente. — Itachi comentou e o olhou com um sorriso fraco.

Estavam sentados na beira de um rio, descalços e com as barras das calças dobradas até os joelhos. Era um típico dia de verão: ensolarado e abafado.

Contudo, estava tão tranquilo que se sentia leve e preguiçosa.

Ultimamente passava mais tempo meditando e calibrando o próprio chakra, reaprendendo a manipulá-lo e controlá-lo, do que interagindo com Itachi, então não estranhou o comentário, porém naquele dia específico sua distância psicológica se dava a outro motivo.

O sorriso aumentou um pouco, embora continuasse fechado.

— Hoje é o aniversário do Sasuke-kun. — ele assentiu, voltando a olhar para o rio e ela o copiou — Em Konoha, em todos os anos nesse mesmo dia, eu costumava reservar algumas horas do meu dia para pensar em tudo o que ele passou conosco e então eu escolhia o melhor bolo da melhor confeitaria e comia como se ele estivesse ali comigo, comemorando mais um ano de vida dele. Quando ia dormir, eu fechava os olhos e orava para que minhas felicitações o alcançasse de algum modo. — olhou para Itachi, sendo prontamente correspondida — Desde que me tornei isso, — deu de ombros — parei de comprar o bolo, mas permaneço lembrando dele e o felicitando em pensamento. Sou tão boba, não?

Riu constrangida e desviou o olhar para o rio, mexendo os pés na água para se distrair da conversa que tomou um tom depressivo.

— Eu não acho. — ele comentou, pousando a mão grande na cabeça dela num cafuné desajeitado, porém carinhoso — Você é uma boa garota, Sakura. Meu irmão tem muita sorte de tê-la em sua vida.

Sorriu para o sorriso gentil que recebeu e decidiu descontrair o momento. Com a mão em forma de concha pegou um pouco de água e jogou na direção do Itachi, fazendo uma careta surpresa com uma exclamação encenada.

— Oh, desculpe! Foi sem querer. — segurou o riso o vendo tirar o excesso de água do rosto com uma careta emburrada impagável.

— Tudo bem. — assim que ele terminou de falar, jogou mais um pouco de água nele.

— Ops… foi sem querer de novo, me atrapalhei aqui. — Itachi ficou ainda mais emburrado e ela explodiu em risadas até ser molhada também — Ei!

Se levantou rapidamente e se jogou no lago ainda perto da margem só para molhá-lo novamente, rindo em seguida quando conseguiu o efeito desejado.

— Sakura…

Riu da repreensão entredentes e nadou para longe da margem quando ele entrou na água também, onde uma guerra infantil começou entre risos e olhares tranquilos. Em certo momento, para surpreendê-lo, fez um Clone, deixando-o em seu lugar quando mergulhou e o puxou pelo pé, levando-o para o fundo.

Surpreso, ele levou alguns segundos para se recuperar, mas logo tentou se livrar do agarre em seu pé para persegui-la.

Nadou para a superfície e usou chakra nos pés para se manter em pé sobre a água, vendo-o emergir em seguida.

Ninjutsu? Sério?! — ele perguntou emburrado, tirando o cabelo longo do rosto ao jogá-lo para trás.

Estava muito engraçado Itachi desarmado da postura sempre imponente com aquele cabelo molhado.

— Oh, o prodígio Uchiha está amarelando? — debochou, cruzando os braços. Itachi ficou em pé sobre a água também com uma expressão assustadora e ela descruzou os braços dando um passo para trás quando ele ativou o Sharingan — Ei, era só uma brincadeira, não leve tão a sério.

— Um Uchiha nunca amarela. Você vai aprender isso, garota insolente.

O sorriso de canto maléfico que ele deu causou um calafrio nela e ela se pôs a correr quando o viu começar selos de mão Suiton – Liberação da Água.

— Itachi! — reclamou quando foi pega por um enorme dragão de água.

No entanto, havia apelado para o Kawarimi no Jutsu – Técnica Substituição de Corpo – no último segundo e seu corpo verdadeiro mergulhou para baixo dele, o puxando e o pegando desprevenido.

E o que era uma guerra de água pueril, se tornou uma divertida guerra despretensiosa de Ninjas de Alto Nível.

Depois de algum tempo que rendeu no cenário um pouco destruído, já que no meio da luta saíram da água e ela acabou usando os punhos acertando algumas árvores e paredes de rochas, sentou cansada e rindo no chão, deitando-se de barriga para cima em seguida.

Itachi andou até ela ofegante e se deitou ao lado como ela.

Ficaram observando as nuvens por um bom tempo aguardando as roupas secarem, até o estômago dela roncar alto, causando uma crise de riso tanto nela quanto nele.

— Você é inacreditável. — ele sentou e se levantou, estendendo a mão para ajudá-la a fazer o mesmo — Vamos atrás de algo para calar esse monstro aí dentro.

O sorriso que ele deu foi tão espontâneo e bonito que ela admirou um pouco antes de aceitar a ajuda.

— Você não podia achar uma definição melhor para o meu estômago. — comentou brincalhona, trombando no ombro dele propositalmente e sorrindo ao olhá-lo por sobre o ombro — Se eu caçar algo primeiro, vai ser assado e não ensopado!

Itachi franziu o cenho aborrecido e estalou a língua, acompanhando-a na corrida Ninja.

Ele preferia ensopados nas refeições noturnas e ela assados, já que ensopados a deixavam com a bexiga cheia a noite. E mais aquela simples tarefa se tornou uma disputa divertida.

Os próximos dias passaram sob aquele mesmo clima descontraído e, mesmo sabendo que era uma viagem para uma missão, sentia como se fosse um período de férias.

Itachi parecia sentir o mesmo, já que estava mais leve e sorridente, exatamente como ficou depois que contou coisas sobre Sasuke e o Time 7 em Iwa.

Às vezes era até possível esquecer a preocupação de Katsuyu não conseguir contato com Tsunade e olha que ela tentou todos os dias.

Andavam pelas ruas movimentadas de uma aldeia civil próxima de onde o alvo da missão estava. Um festival ocorria e os cidadãos estavam todos vestidos com lindas Yukata – Vestimenta casual de quimono –, dançando, comendo e bebendo dos quitutes regionais.

Itachi e ela andavam lado a lado sem os mantos e os chapéus de palha da Akatsuki para não assustá-los. Estavam investigando um homem suspeito por servir de ponte entre o comércio ilegal de armas e um dos membros da facção anarquista.

— É um Hanabi Taikai – Festival de Fogos de Artifício? — perguntou ao parceiro quando avistou um grupo de crianças correndo com velas faísca-estrela acesas.

— Parece que sim. — Itachi sorriu de canto com o olhar divertido — Podemos aproveitar um pouco depois que descobrirmos a localização atual da facção se quiser.

Sorriu assentindo e, depois de olhar ao redor com curiosidade para as barraquinhas de comida, mirou-o:

— O que você mais gosta de comer nos festivais? — ele deu de ombros com o sorriso um pouco mais fraco — Ah, vamos lá, tem que ter algo!

Mesmo que tivesse desertado aos 14 ou 15 anos, ele certamente já participou dos festivais, principalmente por ser de Konoha, onde haviam festivais anuais de verão.

— Acho que Dango. — pretendia questionar o "acho", mas ele se virou para ela com o sorriso um pouco mais forte — E você?

Um sorriso expansivo e animado domou os próprios lábios.

— Com certeza Anmitsu!

Não demorou para verem quem procuravam e a descobrir o que queriam. Três horas depois ela estava amarrando o interrogado para entregar a polícia, pois Itachi concordou em deixá-lo vivo, afinal não tinham recebido nenhuma ordem de matar terceiros, apenas a facção.

— Meu corvo vai entregar as coordenadas dele. Vamos para o festival?

Olhou-o animada, mas negou com a cabeça. Enquanto investigavam, ouviu que na virada da noite haveria a queima de fogos de artifício acima do rio principal da região e pensou que seria mais legal aproveitá-lo de lá, pois estaria vazio e lhes dariam a calma que apreciavam.

Eram parecidos até mesmo nisso. Itachi claramente ficava desconfortável com multidões, provavelmente pelo mesmo motivo pelo qual ela passou a ter a mesma sensação: quando se era um Nukenin – Ninja Fugitivo – e sua cabeça estava a prêmio no Bing Book – Livro Bingo, multidões geralmente representavam vulnerabilidade.

— Preciso fazer uma coisa antes, então me encontre no Rio Ishikari em alguns minutos, fica a leste daqui. — orientou-o, terminando de amarrar o interrogado desmaiado.

— O que vai fazer?

Sorriu de canto ante a curiosidade dele. Era divertido vê-lo se portar tão… normal.

— Você vai ver. — prometeu, saindo dali através do Shunshin no Jutsu – Técnica de Cintilação Corporal – deixando para trás simbólicas pétalas de Cerejeira.

Andou pelo festival a procura de algo específico: Dangos.

Se era o que "achava" ser seu preferido, então o faria comprovar. Mesmo que, naquele desabafo logo após a luta encenada deles que resultou nele a beira da morte por causa da técnica dela, tenha concordado em respeitar o desejo dele, prometeu para si mesma fazê-lo o mais feliz que pudesse em seus últimos dias, mostrando-o como a vida podia oferecer boas surpresas e era exatamente isso que estava fazendo e pretendia continuar até a hora chegar.

Não tinha esperança de revertê-lo, porque realmente o entendia, mas tinha esperança de fazê-lo se sentir vivo o bastante para ter coisas boas no coração quando partir.

Enxugou as lágrimas que escorreram por sua bochecha pela dor do conformismo e sorriu triste ao encontrar o que queria. Comprou cinco espetos do bolinho açucarado para garantir que fossem comidos até se tornarem os prediletos.

Um tempo depois, sentiu pelo mapeamento sensorial de chakra e energia vital Itachi na margem do rio, do outro lado onde estava escuro e vazio, já que o festival e as pessoas se concentravam onde ela estava. Seguiu para lá com um sorriso fraco e o coração letárgico.

— Você adivinhou o lugar ideal que pensei. — comentou, sentando-se ao lado dele na grama. Itachi estava sentado relaxado na grama, uma perna estava esticada e a outra dobrada, onde tinha o cotovelo apoiado. Ele sorriu olhando na direção dela — Soube que daqui a pouco os fogos começam.

— Eu trouxe-… — os dois começaram e riram cúmplices.

Ela tomou a frente quando ele sinalizou com a cabeça para prosseguir.

— Eu trouxe algo. — estendeu a embalagem e o entregou, vendo-o sorrir ao pegar e lhe estender outra embalagem.

— Eu também trouxe.

Abriram juntos e sorriram cúmplices, afinal ele a entendia, assim como ela o entendia e a convivência os fez desenvolver um laço especial de sincronia.

Olhou para o Anmitsu que parecia muito apetitoso e sorriu ao vê-lo feliz pelo que recebeu.

Os fogos começaram e ela apontou com a cabeça para a explosão de cores iluminadas no breu do céu noturno, começando a comer e vendo-o de esguelha fazer o mesmo.

Era incrível o quanto ele exalava serenidade e tranquilidade o tempo inteiro, mesmo diante das piores situações. Não conseguia imaginar o quão difícil devia ser se manter intacto depois de tudo que passou.

Suspirou e apreciou os fogos de artifício, no fundo de seu coração desejando que aquele não fosse o último momento agradável que pudesse oferecer à ele.

Depois que os fogos acabaram, Itachi suspirou e a olhou e ela o retribuiu, recebendo o mesmo sorriso de mais cedo.

— Obrigado, por tudo. — oferecendo-lhe um sorriso bonito fechado, prosseguiu, virando o rosto para o céu estrelado — Sou realmente grato por você ser como é. — voltou a encará-la sereno — Tê-la por perto me faz acreditar em suas palavras, pois a dor se torna irrelevante com tudo o que você faz por mim.

Sorriu também, se concentrando em não deixar as lágrimas acumuladas virem à tona com o peso daquelas palavras.

— Ter razão faz qualquer esforço valer à pena. — debochou propositalmente, tirando um sorriso de canto e um menear negativo com a cabeça dele.

— Você é mesmo insolente, garota.

Riu, olhando para as estrelas.

— O que posso fazer? Desafiá-lo se tornou meu passatempo favorito.

Ele riu guturalmente e a acompanhou ao observar as estrelas e, pela primeira vez desde que deixou Konoha, teve uma boa noite de sono quando foi dormir.

Os seis dias posteriores foram uma mistura de plenitude e tensão ao completar a missão onde executou mais de cem homens ao lado de Itachi, que atingiu o mesmo número final. A vida da maioria estava armazenada em seu reservatório extra de energia vital e prometeu, assim como da primeira vez que fez aquilo, que usaria de suas energias para fazer o bem que não puderam fazer em vida.

E, após cinco dias de viagem de retorno, descobriu que o período tranquilo que passou com Itachi era apenas um prenúncio de dias difíceis, tensos e tão conturbados quanto os que vinha vivenciando, como se não ter conseguido contato com Konoha por todo aquele tempo já não fosse suficiente para enlouquecê-la.

Assim que chegaram, foram convocados por Pain no grande salão de reuniões e se juntaram a Konan, Tobi e Zetsu.

Primeiro foi feito um anúncio: Tobi havia se enganado e Uchiha Sasuke estava vivo.

Nesse momento, não ousou esconder sua reação: deixou-se ficar surpresa e expressá-la em olhos arregalados. Só que a surpresa dela se dava que a Akatsuki descobriu a verdade antes do esperado.

Depois, informou que Sasuke estava rondando alguns esconderijos da Akatsuki atrás do Itachi e que não demoraria a chegar no esconderijo principal se a busca continuasse, por isso o encarregou e também a ela que era sua dupla, de despistá-lo.

Tobi até tentou interferir se oferecendo para ir em seu lugar, em timbre sério e voz grave, mas Pain estava irredutível.

Ficou tão horrorizada com a possibilidade de ver Sasuke mais uma vez que não conseguiu evitar levar as mãos na cabeça e olhar para o chão, totalmente desnorteada.

— Vocês partem agora. — Pain finalizou, depois de entregar as coordenadas para o Itachi.

Saiu de lá com as pernas bambas e corpo trêmulo e não demorou a ser abordada por Tobi, que segurou com gentileza seu braço para virá-la para ele.

Sakura. — ela levantou o olhar para encará-lo, mas a mente estava longe e o coração apertado — Eu sinto muito por ter descoberto isso dessa forma.

Engolindo a seco, abaixou a cabeça, fechando os olhos com força.

— Eu queria te dizer, mas-…

Respirou fundo e ele se interrompeu.

Ordenou-se a se acalmar.

Não era hora de perder o controle.

— Você não precisa fazer isso se não quiser. Posso-…

— É uma missão, Tobi. — sussurrou, levantando a cabeça com a mente mais organizada — É uma missão e vou cumpri-la.

Poderia se sentir orgulhosa da determinação em suas próprias palavras, mesmo que por dentro estivesse surtando, mas só o que sentia era o desespero crescendo rapidamente.

— Quer que eu vá com você? Lidar com o Itachi e o Sasuke ao mesmo tempo vai exigir muito de você.

Encarou aquela máscara laranja com espiral e absorveu as palavras zelosas que entregava sua genuína proteção para com ela, no entanto só o que fez foi negar com a cabeça.

Lidar com Itachi e Sasuke na presença dele exigiria ainda mais dela, pois além de tudo teria que encenar indiferença quando provavelmente estará se deprimindo por Itachi ter ganhado a chance de fazer seu último desejo se tornar realidade.

— Eu consigo.

— Tem certeza?

— Tenho. — desviou o olhar para a parede por um segundo apenas — Obrigada pela preocupação, mas eu consigo.

Ele assentiu e ela se retirou para o quarto só para se munir de mais soluções medicinais e armas, depois saiu com Itachi.

O caminho foi silencioso, mesmo quando estavam bem longe da caverna. Itachi, ao seu lado e em corrida – e não caminhada como sempre, dado as circunstâncias e urgência –, estava perdido em pensamentos e ela não sabia o que dizer ou fazer, pois estava pilhada e inevitavelmente triste.

A hora tinha chegado.

Muito antes do que previa.

Tudo bem que fazia algum tempo que ele deu seus serviços com Konoha encerrados e até explicou o motivo, mas, em seu coração, depois de se acertarem, desejou com tanto fervor que aquele momento nunca chegasse, que simplesmente se desligou da realidade e obrigou a mente a ignorar a passagem de tempo.

A viagem levou cerca de 3 dias e meio pelo esconderijo ficar em Kawa no Kuni – País dos Rios, dessa vez na capital. Eles fizeram apenas as pausas obrigatórias e pouco interagiram, mas o peso maior era que seria os últimos momentos dela com ele e não conseguia nem mesmo trocar meras palavras sem querer chorar.

E ainda estava desesperada por mesmo depois de tantos dias não conseguir contato com Tsunade. Só conseguia concluir coisas ruins e o conjunto de tudo o que estava acontecendo simultaneamente estava a deixando instável emocionalmente.

— Pela trajetória que o Sasuke está fazendo, esse é o próximo esconderijo que vai conferir.

Itachi comentou e ela desviou o olhar da entrada escancarada da caverna com um portal na frente. Estava se lembrando de quando esteve naquele mesmo local lutando contra Akasuna no Sasori ao lado de Chiyo.

Era inacreditável ter estado ali nos dois lados da moeda: como inimiga da Akatsuki e naquele momento como aliada.

— Você pode me esperar aqui fora. Prometo não demorar.

Franziu o cenho e ergueu um pouco o chapéu de palha ao olhá-lo.

— O quê? — meneou a cabeça confusa, o encarando.

Como assim "… me esperar aqui fora. Prometo não demorar."?

Itachi sorriu de canto com o olhar suavizado.

— Eu disse a você, não? — a retórica só solidificou ainda mais sua confusão e ele riu guturalmente se aproximando — Vou adiar meu fim o quanto der para ficar ao seu lado e ajudá-la o máximo possível.

O coração dela quase parou, sentiu. E depois voltou a bater com tanta violência contra o peito que ela levou uma mão lá.

— Você-… — balbuciou e ele sorriu aberto, bonito, com a plenitude e serenidade de sempre.

Fazendo um toque com os dedos indicador e médio em sua testa, bem onde ficava o orgulhoso losango roxo, ele disse:

— Minha morte pode esperar. Ficará para a próxima vez.

E deixando-a para trás com a própria mão no local em que ele tocou, adentrou a caverna com passos tranquilos.

Ela soltou todo o ar acumulado em seus pulmões descrente e suas duas mãos caíram.

Será que aquela decisão…

Havia esperança então?

Algum tempo depois sentiu em seu mapeamento sensorial cobrindo cinquenta quilômetros dali em trezentos e sessenta graus o chakra de três pessoas além do Sasuke e por isso se apressou a se esconder.

Quem eram aquelas pessoas?

Não demorou a vê-los entrar na caverna e se surpreendeu por ver uma garota entre eles.

Por incrível que pudesse parecer, o problema não era a garota, o problema era o todo: três caras e uma garota andando juntos como se fossem um time.

Como se fossem o Time 7.

O coração, traído, doía por encontrar aquela similaridade e seus pés a guiaram para onde estavam muito antes de raciocinar e se impedir.

O próprio chakra estava reagindo ao descontrole emocional e ela não quis controlá-lo, não naquele momento, porque naquele momento estava concentrada em desejar com veemência sair para o mais longe dali, o mais longe dele.

Seus passos eram friamente calculados quando passou pelo grupo, sua mente blindada para ignorar Sasuke e sua voz quando perguntou quem ela era e seu corpo displicente a qualquer coisa no ambiente que não fosse Itachi, que a observava em silêncio.

Se aproximou o suficiente para sussurrar no ouvido dele:

— Preciso sair desse lugar. Vou esperá-lo na fronteira de Sunagakure – Vila Oculta da Areia.

Dito isso, se retirou através do Shunshin no Jutsu – Técnica de Cintilação Corporal – deixando pétalas de Cerejeira para trás.

Sua corrida era quase indetectável, de tão desesperada que estava para se afastar, mas cessou os passos bruscamente ao ouvir seu nome ser chamado com tanta preocupação.

— O que houve, Sakura? — Itachi perguntou assim que a alcançou e a virou para si. Abaixou a cabeça controlando as lágrimas e mordeu o lábio inferior trêmulo para não gritar o quanto doía ser substituída ao tirar o chapéu de palha — Vem cá.

Ele a abraçou e foi inevitável correspondê-lo. Apertou-o como se ele pudesse fazer o buraco negro em seu coração parar de crescer e chorou o quanto foi preciso para se acalmar.

Mais tarde, o explicou com a voz triste como seu coração.

— Sasuke-kun nos substituiu… nos substituiu como se não fôssemos nada.

— Eu sinto muito. — Itachi disse, pesaroso.

Ela também sentia e sentia muito, mas muito mesmo. Foi horrível vê-lo junto daquelas pessoas.

Itachi a esperou pacientemente se acalmar e parar de chorar e depois saíram dali de volta para a caverna, só que dessa vez andando. Parecia que ele sabia que não queria voltar tão cedo, pois fizeram mais pausas do que o necessário durante o percurso.

Pouco conversaram, porque dessa vez era ela quem estava pensativa.

— Está melhor? — ele perguntou, estendendo-lhe um assado que providenciaram para o jantar.

Pegou o graveto e deu uma mordida sem muito ânimo no peixe. Por mais que Itachi tivesse feito assado só para agradá-la, ainda se sentia deprimida pelo que presenciou.

— Estou sim. — mentiu, forçando um sorriso.

Mesmo não acreditando, o olhar dele deixou bem evidente isso, ele assentiu e começou a se alimentar também.

Todas as noites que vieram seguidamente lhe renderam fortes pesadelos e seu coração, além de machucado e pesado, estava pressentindo algo ruim. Não sabia dizer o que era, mas orou para que os Deuses tivessem piedade dela, só que, aparentemente, sua oração não chegou a eles.

Itachi e ela mal adentraram a caverna e foi convocada por Pain, por aquele tipo de telepatia, para uma missão solo com saída imediata para Amegakure – Vila oculta da Chuva.

— Ele disse o motivo?

— Não. — respondeu Itachi, sentindo-se inevitavelmente tensa.

Pain era extremamente apático diante de qualquer situação e dificilmente deixava qualquer coisa explícita por suas palavras, mas a conexão mental e o tom rude e imperativo transbordou a urgência escondida nas estrelinhas.

Urgência e gravidade.

O que diabos tinha acontecido?

— Toma, fique com isso. — ele a entregou um pergaminho — Você tem um frasco vazio?

Assentiu e o tirou do coldre traseiro, entregando-o em seguida, observando Itachi fazer um corte profundo com uma Kunai na palma da mão e deixar o sangue pingar dentro do frasco até enchê-lo.

— Me dê notícias assim que conseguir. Use meu sangue para invocar meu corvo, ele trará sua mensagem para mim.

— Está bem. — guardou o frasco e o olhou — Você vai ficar bem?

Ele sorriu de canto — Você é quem vai sair em missão e está preocupada comigo? — deu de ombros, recebendo uma negativa desacreditada com a cabeça — Se cuida e não seja imprudente.

Retribuiu o sorriso dando de ombros.

— Imprudência é meu nome do meio, se não sabe. — colocou o chapéu de palha, ouvindo um estalo com a língua dele — Até mais.

— Boa viagem.

— Obrigada, vou precisar. — sorriu com escárnio, pensando no quanto aquilo era verdade.

A viagem até Amegakure foi curta, cerca de um dia em corrida Ninja.

Já tinha descoberto que o esconderijo ficava onde pensou inicialmente: entre as fronteiras de Sunagakure – Vila Oculta da Areia – e Iwagakure – Vila Oculta da Pedra –, mas não que estavam no extremo oeste, mais especificamente afastado da capital de Ishigakure – Vila Oculta das Rochas. Ficou surpresa por Pain não tê-la incluído em seu plano de tomar o poder, já que também fazia parte das fronteiras, entretanto descobriu o motivo: ele já o tinha.

Antes mesmo de chegar no ponto de encontro, foi abordada por Pain.

— Venha comigo.

Estremeceu pelo tom sombrio e o seguiu sem dizer absolutamente nada. A tensão dele transbordava por sua postura, olhar e voz e presenciar aquilo a deixou mais tensa do que quando deixou a caverna. Algo muito sério tinha acontecido, embora nem imaginasse o motivo. Ele estava impecável e intocado como sempre, então não conseguia pensar em nada.

Mas, conforme avançavam Amegakure adentro, percebeu que o que sentia não era apenas tensão e sim um pressentimento.

Ficou chocada ao chegar num campo de batalha legítimo: haviam corpos e feridos para todos os lados, assim como sangue, armas Ninjas, destruição de estrutura física e no meio de tudo aquilo Konan no chão.

Aproximou-se rapidamente, abrindo o manto negro dela com cautela por causa dos ferimentos que eram possíveis ver pelos rasgos de seu corpo com inúmeras armas Ninjas de diferentes modelos e tamanhos fincados em sua carne. Havia muito sangue e uma expressão dolorosa em seu rosto.

— O que houve aqui?

A mulher franziu o cenho soltando um gemido e abriu os olhos com dificuldade.

— Salve… salve-os. — balbuciou e ela olhou para trás, encontrando Pain.

— Salve-a. — exigiu, desdenhando do pedido da mulher — Salve-a. É sua única missão aqui.

Konan tossiu sangue e isso a fez olhá-la horrorizada, mesmo que tivesse tido o reflexo de se preparar para avaliar o estado dela colocando a palma da mão aberta na altura do peito.

A mulher a impediu segurando seu pulso com força.

— Não. — tossiu mais um pouco — Salve-os, todos eles, por favor.

— Eles são fracos e perda de tempo. — Pain se intrometeu e ela ficou estática, não sabendo para quem olhar ou obedecer.

— Sakura. — o chamado a fez olhar para a mulher — Salve-os.

Olhou em volta, todas aquelas pessoas sofrendo e depois para Konan, vendo-a com os olhos cheios de lágrimas. A dúvida sobre o que fazer a deixou estarrecida.

Obedecer o pedido de uma pessoa no leito de morte ou o do seu "suposto superior"?

Engoliu a seco, olhando ao redor novamente e depois para a mulher, se levantando. Fez alguns selos e criou um Kage Bunshin no Jutsu – Técnica Clone das Sombras –, invocando Katsuyu subsequentemente.

— Ninguém vai morrer enquanto eu estiver aqui. Nem eles e nem você. — afirmou convicta encarando primeiro Pain e depois Konan. Depois se virou para a invocação de lesma — Sabe o que fazer, Katsuyu-sama, vamos curar todos os civis. Por favor, conto com você.

— Pode deixar, Sakura-chan.

Assim que a respondeu, a lesma de tamanho mediano se dividiu em inúmeras minúsculas lesmas e se espalhou por aquele campo de batalha deixando uma maior ao lado de seu Clone.

Virou para o Pain.

— São muitas pessoas e estão espalhadas, por favor, me ajude concentrando-as por perto para não perdemos tempo.

Ele hesitou inicialmente, porém ao encarar Konan e receber dela um olhar suplicante assentiu e ela se virou se ajoelhando conforme seu Clone se concentrava unicamente na Mōryōjika – Imensa Rede de Cura.

Kuchiyose no Jutsu – Técnica de Invocação.

Ouviu Pain dizer, mas não o olhou, apenas se posicionou para avaliar e curar Konan, porém algo estranho aconteceu: ela sentiu, pelo mapeamento sensorial, não só de chakra como também de energia vital, as energias replicadas em cinco corpos que vieram da invocação. Veja bem, era explicável um Clone ter as mesmas energias de seu portador mesmo que em quantidades menores, porém uma invocação não.

Isso a fez olhar para trás e arregalá-los ao se deparar com cinco pessoas que, apesar das diferenças entre elas, possuía certo padrão: inúmeros piercings em seus rostos, os mesmos olhos atípicos lilases com espirais e cabelos alaranjados – exceto por um que era careca.

Ofegou diante da surpresa, mas, assim que ouviu Konan tossir de novo, se obrigou a voltar ao tratamento dela.

Duas das invocações passaram por si na velocidade Ninja, mesmo que nenhuma ordem tenha sido dada em voz alta. Depois outro se posicionou entre ela e o clone dela, restando os outros três atrás de si.

Manteve discretamente a atenção dividida entre as invocações e a Konan e, não muito tempo depois de começar a curá-la, sentiu em seu mapeamento sensorial um enorme grupo de Ninjas se aproximarem.

— Tem muitos Ninjas a caminho à sudoeste. — avisou Pain que no meio do processo se colocou ao seu lado, observando-a tratar Konan.

Ele assentiu e, menos de meio segundo depois, as outras duas invocações se afastaram para aquele lado.

Queria ver o que faziam e descobrir mais, mas era impossível na situação em que estava. Achou curioso que, depois de sentir seis pessoas diferentes com a mesma energia vital e chakra, refinou seu controle e percebeu uma coisa muito interessante: apesar de aparentemente serem humanos, a intensidade e densidade da energia vital dos seis eram diferentes das de outros humanos. Era como se não estivessem vivos de fato, mas, ao vê-los ativamente, encontrava discrepância diante da teoria. A diferença era muito sutil, quase imperceptível, porém existente.

Aquilo a deixou confusa num tanto que seu cérebro simplesmente deu pane.

Isso até se dar conta, ao ver as duas invocações que traziam para perto da concentração de lesmas as pessoas feridas para elas, através do seu mapeamento sensorial refinado de chakra que havia chakra externo manipulando-as à distância da direção norte.

O que estava acontecendo?

O que Pain e aquelas invocações eram?

Olhou discretamente de esguelha Pain ao seu lado.

Ele tinha o chakra e a energia vital da mesma consistência que as outras cinco invocações e, depois de prestar bem a atenção nele, percebeu que era movido por chakra externo também.

Era uma invocação também?

Como não reparou nisso antes?!

Então se lembrou que não tinha nada para estranhar desde a primeira vez que o viu e a diferença sutil não a permitiu perceber antes. Foi preciso refinar seu controle que já era minucioso para chegar àquela conclusão.

Fez o que era preciso, conseguindo depois de muito esforço salvar a vida de Konan e também dos civis feridos e por todo aquele tempo se manteve atenta as movimentações dos seis, analisando-os e o modo como eram impressionantemente sincronizados.

Pareciam trabalhar em conjunto ou algo do gênero.

Após a situação ter sido neutralizada, Pain a ordenou levar Konan para uma hospedaria onde as duas deveriam ficar durante a recuperação da mulher que, mesmo tendo sido curada, estava com exaustão de chakra e a única maneira de se recuperar daquilo era descansando naturalmente.

Então quatro dias depois, em que não houve nenhum diálogo entre elas, apenas troca de informações relevantes – e que explicou a situação para o Itachi pela invocação de seu corvo –, foi dispensada para retornar para a caverna até segunda ordem.

Descobriu que Pain estava em batalha quando Konan foi surpreendida por rebeldes que era contra a liderança do Pain e, sozinha, tentou contê-los e proteger os aldeões e isso reafirmava o quão protetora ela era com aquele povo. Amegakure certamente tinha peso e importância para ela, ao ponto de se sacrificar sem pensar duas vezes, como fez quando a mandou curar o povo em vez dela.

Mal chegou no raio em que seu mapeamento sensorial de chakra e energia vital cobria e sentiu, dentro da caverna, a assinatura de chakra e energia vital de alguém conhecido e que definitivamente não deveria estar lá, por isso apressou a corrida sentindo o coração acelerar e pesar.

As energias estavam fracas, quase inexistentes.

Chegou agitada e parou em frente a área restrita onde a Akatsuki guardava os corpos que clonou e enviou para Konoha há um tempo. Ficou encarando aquela enorme porta, mesmo sentindo em seu mapeamento sensorial a aproximação cautelosa de Itachi, o único presente na caverna.

— Sakura? — engoliu a seco e desviou o olhar da porta para o dono da voz — Por que está chorando?

Ofegou ao ouvir a última palavra e piscou derramando mais lágrimas, sentindo um tremor começar em seu corpo. Voltou a encarar a porta, fechando fortemente os punhos.

— Ji-Jiraya-… — soluçou, sentindo a garganta tão apertada que se forçou a engolir a pouca saliva acumulada na boca junto de um amargor horrível — Jiraya-sama está lá.

Itachi se moveu, mas não o olhou. Provavelmente começou a encarar a porta também.

— Tem certeza? — assentiu e ele a virou para ele pelos ombros — Como sabe?

— O mapeamento sensorial. — sussurrou, olhando para a porta e depois para ele — Está bem fraco, mas a assinatura…

— Então temos que tirá-lo de lá. — Itachi a soltou e ativou o Sharingan — Não há nenhuma barreira e estamos sozinhos aqui, então podemos-…

— Itachi… — o sussurro fez o homem encará-la e ela virou o rosto em sua direção, encarando os olhos da cor vermelho sangue — Ele está morto.

Morto.

Morto.

[…]

NOTAS FINAIS:

AAAAAAAAAAA! CHEGOU MINHA GENTE! CHEGOU UM DOS ACONTECIMENTOS QUE VOCÊS NÃO QUERIAM QUE ACONTECESSE!

Estão surtando?! Eu espero que sim e bastante, porque estou e não é pouco!

E lá vamos nós!

Curiosidades e esclarecimentos:

Dango – uma sobremesa japonesa de espeto, aquelas de três bolas de massa de cores diferentes, geralmente rosa, verde e amarelo.

Anmitsu – uma sobremesa refrescante japonesa e a favorita da Sakura.

Essa missão sobre a facção anarquista foi meio que um Filler criado por mim (nada a ver com filler do anime ou com o mangá) kkkkkk

Tipo, era importante para dar um tempo para a Sakura e o Itachi, assim como também para vocês aproveitarem as interações dele, porque… bom, você sabem o porquê.

Além disso, eu precisava encaixar com o encontro lá com o Sasuke em um dos esconderijos da Akatsuki. No capítulo dele muitos de vocês especularam que tinha sido no Esconderijo Uchiha, mas não, gente… não chegamos nessa parte ainda, calma lá kkkkkkk

E, caso não tenha ficado claro, o esconderijo do reencontro entre o Itachi com a Sakura e o Sasuke aqui nesse capítulo foi o mesmo em que houve a batalha da Sakura contra o Sasori (batalha épica, sou obrigada a pontuar kkkkk).

Tamashī no Aki no Jutsu – Técnica do Outono da Alma é uma técnica criada por mim. Eu sei que vocês sabem, mas é sempre bom lembrar rsrsrs

Gente, eu sei que muitas coisas aconteceram nesse capítulo, mas lembrem-se que expliquei o motivo: estamos chegando no auge da fanfic e preciso amarrar as pontas soltas para entrarmos numa nova fase. Não sei se já comentei aqui ou se viram no cronograma mensal, mas tenho pretensão de finalizar a fanfic em 30 capítulos e já estamos no 18, logo… é, pois é, daqui a pouco acaba essa belezinha, então não fiquem bravos comigo está bem? E também não desistam da leitura! Prometo que valerá a pena para quem for obstinado rsrsrs

Eu amo comentários e teorias (isso não é nenhum segredo, né? Kkkkk), então não economizem, certo?

Sobre o começo, o que acharam dos esclarecimentos sobre o que ocorreu no fim do capítulo do Tobi envolvendo a Sakura sendo atacada pela estátua demoníaca? Não só isso, como também sobre a conversa que ela teve com o Tobi lá no capítulo dele, onde foi revelado o Plano da Lua.

Vocês acertaram em suas teorias se ela tinha surtado real ou estava apenas encenando?

Gostaram de como foi de verdade? De como ela se sentiu e como agiu? Acharam coerente?

Se não ficou claro, a Sakura não foi confundida com um Jinchūriki, porque ela tem parte de não só um como três Jinchūriki em si e a Estátua Demoníaca reconheceu isso. Então sim, a cor azul do chakra comum e vermelho DOS Bijū, fundindo-se como Sakura explicou, tornou o chakra dela roxo ametista! Mah, Oi! Nossa Rainha evoluiu!

PARABÉNS PARA QUEM ACERTOU! E eu lembro que tiveram umas pessoas que acertaram ou bateram na trave hein xD

Sobre os selos nas costas dela, eu fiz uma ediçãozinha só para vocês verem o que o Itachi viu. Na imagem tem todos os selos que ela ganhará até o fim da fanfic, mas atualmente ela só tem três losangos roxo a partir da nuca e uma pétala da flor de Cerejeira, está bem?

Tenho o link, mas a plataforma não me permite colocar aqui, então para quem quiser, me avisa que envio por whatsapp ou e-mail.

Já nas interações com o Tobi e o Itachi, foi legal vê-los proporcionar para a Sakura momentos mais leves e plenos?

Como se sentiram diante dos diálogos mais profundos? E da proximidade emocional com ambos?

E sobre o encontro com o Sasuke? Gostaram de ver pelo ponto de vista dela?

Coitadinha, né? Ela acha que o Sasuke a substituiu assim como o Time 7. Ela está certa em concluir isso? Qual o ponto de vista de vocês?

E, MAIS UMA VEZ PERGUNTO ISSO, AINDA HÁ ESPERANÇA PARA O ITACHI?! O que acham? Ele vai desistir de morrer ou vai se manter firme apesar de ter cedido para adiar seu fim?

E então esse final… Konan dando a vida para proteger o povo de Amegakure, Pain disposto a sacrificar todos por ela e Sakura MOSTRANDO A QUE VEIO E SALVANDO TODOS!

Estão orgulhosos? Eu espero que sim, porque nossa rainha é A RAINHA e merece reconhecimento, concordam? *-*

E por último: é, minha gente, Jiraya já era.

Sabem o que vem por aí? Me contem tudo e não escondam nada!

PRÓXIMO CAPÍTULO: A oitava pétala de Cerejeira – Por olhos bicolores (Imaginam de quem se trata esse capítulo? *-*)

DATA DE LANÇAMENTO DA PRÉVIA: 03/08/2021 – Terça-feira.

DATA DE POSTAGEM: 06/08/2021 – Sexta-feira.

Até a próxima!*~

Obs.: Caso queiram ter prévias de capítulo, spoiler e interagir comigo além daqui, me sigam no Twitter por SenpaiNani, Instagram por NaniSenpaiNK e Facebook por Haruno Sah ou Nani Senpai!

Obs.²: Nas notas iniciais disse que ia deixar os contatos da Bia, a artista que desenhou o banner, e aqui estão:

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Obs.³: Assistam o TrailerBook de Pétalas de Cerejeira no youtube! Passem lá e me digam se gostaram ^^

Obs.⁴: Cronograma de Julho!

Deem uma olhada no meu perfil, a plataforma não me deixa colocar o link T_T