NOTAS DO AUTOR:
Yoooo! Será que podemos fingir que hoje é dia 01/10? T_T
Tô a cara da derrota, gente! Na sexta da semana em que soltei a prévia até levantei da cama na vibe de atualizar Pétalas, mas no meio do caminho comecei a passar mal e tive que desistir, aí no sábado de manhã peguei estrada e depois meu sábado acabou comigo com alergia de gato sem poder tomar anti-alérgico! Achei que ia morrer, domingo foi na mesma vibe, mas tomei o anti-alérgico depois de muito resistir! Aí segunda começou minha correria em médico com meu pai e minha mãe, que já são idosinhos que parecem sincronizados na missão de me matar do coração e as coisas só acalmaram no feriado. Até postei o cap em uma das plataformas, mas depois passei mal horrores, fiquei de cama no quarto escuro por todos esses dias, mas por sorte melhorei um pouco hoje!
Me perdoem, tá? Prometo não me comprometer mais agora que sei que é impossível cumprir.
Enfim… Aaaaa que saudade eu estava de vocês e dessa fanfic!
Como estão? Se cuidando direitinho?!
Apesar dos pesares estou bem! Para quem ainda não viu meu jornal explicativo (deixei o link nos recados do meu mural no perfil, se algum quiser o link, é só pedir que mando por mensagem privada), estou grávida. Pois é, pelo menos minha enxaqueca de 50 dias não era um tumor cerebral Kkkkk
Mas ainda continua sendo uma luta a cada dia, o que eu passo mal não pode ser descrito, principalmente quando esquenta. O calor deixa tudo tão pior que se não fosse a falta de água no mundo eu passaria o dia todo no banho para aliviar os sintomas kkkkkkkk
Estou sobrevivendo e o bebê também! Vou fazer o ultrassom amanhã e estou tão ansiosa! Mal posso esperar para ter certeza de que está tudo bem mesmo.
Sobre Pétalas, bom, venho com novidades! Criei um grupo de whatsapp pra vocês surtarem via áudio se quiserem e também para interagirmos mais de perto! Para quem quiser entrar, nas notas finais deixarei o link do grupo! Ainda só tem eu e a Feh, minha leitora e amiga do coração, mas é que, apesar do grupo ter sido criado há um bom tempo, só criei coragem para divulgar agora kkkkk
Outra novidade é que a fanfic agora tem playlist! Então se quiserem embarcar numa leitura mais imersiva, passem lá nas notas finais para acessá-la antes de iniciar a leitura! São músicas que me fazem entrar na vibe que essa fanfic precisa e me dá uma baita inspiração!
E a última novidade: eu criei um formulário, tipo uma pesquisa de satisfação de Pétalas de Cerejeira e para quem responder vai ganhar um presentinho… quem tiver interesse em colaborar para a melhora e desenvolvimento da fic e ainda ganhar um presente, a hora é agora! Link nas notas finais também, na observação 5. Passem lá, sim? Conto com vocês!
AGORA SOBRE ESSE CAPÍTULO, não preciso nem dizer que será tenso, né? Prestem bastante atenção aos detalhes porque vai preparar vocês para as mudanças que estão ocorrendo com a Sakura e que será bastante relevante para os próximos capítulos.
Acho que é isso! Repito minhas orientações do capítulo passado porque o clima será o mesmo: bebam água, mantenham a respiração e pressão controladas e tentem não desmaiar de tanta emoção!
Boa leitura!*~
Obs.: Fanart desse banner de Isra Draws! Perfeição pura, não acham?!
Obs.²: E BORA CONTINUAR O TRATAMENTO DE CHOQUE! Quero só ver os surtos de vocês, hein! KKKKKKKKKK
[…]
CAPÍTULO 20
ESCOLHAS CRUCIAIS
A mente humana tinha um mecanismo funcional realmente fascinante e desgraçada, por assim dizer.
Fazia quase uma semana desde o encontro com Kakashi e, mesmo que não tenha vivido absolutamente nada do que ele narrou sobre a situação de Konoha, todas as vezes que se permitia mergulhar no inconsciente em busca de descanso tinha pesadelos detalhados, vívidos e reais, como se fossem lembranças e não uma loucura criada por sua mente perturbada.
Sentou-se bruscamente puxando o ar com força e desespero, levando a mão ao peito que doía absurdamente considerando que se tratava apenas de uma dor psicológica. No pesadelo, uma quantidade insana de ANBU Ne – ANBU Raiz – lhe perseguiam quando estava prestes a tirar Tsunade da Vila, pois ela seria destituída e presa em resposta a acusação de matar Jiraya, acusação plantada por Danzō e que o conselho foi condescendente, e também o Naruto, pois o desgraçado pretendia entregá-lo de mão beijada para a Akatsuki no intuito de proteger a Vila que logo ficaria sob sua liderança. E no meio daquela perseguição foi emboscada, capturada – já que o desgraçado ameaçou matar sua família bem embaixo do seu nariz se não cooperasse – e torturada pelo que parecia ser até a morte por puro capricho do suposto novo Hokage que sorria algoz diante do sofrimento dela.
A respiração pesada e dificultosa levou muito tempo para recuperar, embora a mente já estivesse desperta o suficiente para entender que acordou daquele inferno. O corpo trêmulo e suado estava dolorido da última semana em que ao realizar uma missão de alta periculosidade lutou com mais de trezentos Ninjas numa única madrugada. Fez tanto esforço físico que seu corpo sofreu múltiplas rupturas musculares e, mesmo que tenha se curado, a dor fantasma se mantinha firmemente ativa.
— Está consciente?
Ouviu a voz de Itachi e o olhou de esguelha em pé, há uma distância segura de si.
Suspirou assentindo e enxugando a testa com o dorso da mão trêmula.
A cautela dele se dava porque quase o matou algumas vezes por estar semiconsciente quando se aproximou para acudi-la dos pesadelos e o corpo dela reagiu defensivamente o atacando. Por sorte estava craque em ativar o Susanoo repentinamente, se não o teria remendado mais do que o ideal.
— Isso tem que parar. — ele ralhou, se sentando ao seu lado e lhe entregando um cantil com água que pegou mais do que necessitada para esvaziar o recipiente num único gole — Você não pode continuar remoendo tudo o que não dá certo como se fosse a culpada. — sorriu fraco quando ele começou a afagar suas costas, mesmo que estivesse a repreendendo — A morte do Jiraya-sama não podia ser evitada, você sequer estava ciente de que ele estava em risco. — o sorriso de outrora automaticamente se desfez e ele suspirou alto — E o que está acontecendo em Konoha… com ou sem você lá, Danzō certamente teria sucesso no golpe de estado, ou seja, não era algo que você podia evitar, então pare de se culpar. Isso está acabando com você.
Entregou-lhe o cantil vazio e suspirou também.
Aquele discurso foi usado todos os dias desde que souberam de tudo e não parou de ter pesadelos, mas não era como se não quisesse colaborar. Quando estava consciente conseguia se distrair, até porque os problemas não paravam de aparecer:
Ultimamente Pain os tem direcionado para missões cada vez mais perigosas e que demandavam certo esforço, já que na maioria das vezes completava-as sozinha para poupar Itachi, pois a doença encontrou uma maneira de avançar sobre o tratamento e qualquer uso de chakra um pouco mais intenso já piorava o estado de saúde dele consideravelmente.
Já Tobi não via desde que se mudou de quarto, o que era bastante estranho, pois ele sempre se fazia presente quando era designada para alguma missão. De qualquer maneira, não sentia falta dele. Andava tão estressada e instável emocionalmente que era melhor ele ficar longe por ora. Entretanto era impossível não se preocupar. Inimigos por perto podiam ser controlados, já longe não e tinha quase certeza de que o mascarado estava aprontando algo grande, algo que decerto se tornaria mais um problema para ela resolver.
— Pelo menos diga que vai tentar.
Assentiu.
Era sempre do mesmo jeito: ele pedia para ela tentar, ela concordava e, quando não aguentava mais se manter acordada, mergulhava em pesadelos.
Um ciclo vicioso e penoso.
Afastou o cabelo do rosto jogando-o para trás e respirou fundo, fechando os olhos por breves segundos. Ao abri-los, deparou-se com a escuridão de uma noite sem estrelas.
Nem sequer tinha amanhecido ainda. Parecia que os pesadelos estavam piorando cada vez mais, despertando-a em poucas horas de sono.
Mordeu o lábio inferior e encarou Itachi.
— O que foi? — ao estranhar ser encarado, ele parou os movimentos nas costas e perguntou com olhos estreitos — Conheço esse olhar. O que decidiu dessa vez?
Abriu e fechou a mão direita algumas vezes, observando os movimentos. Por causa das rupturas musculares seus movimentos saíam trêmulos e um pouco débeis, mas seu Chakra e Chikara Jūyō – Energia vital, com um pouco de concentração e controle, davam pro gasto. Tinha que servir.
— Vou ressuscitar o Jiraya-sama. — sentenciou, firme.
Passou a última semana fazendo pesquisas, lendo anotações antigas e colhendo informações relevantes sobre todas as técnicas de ressuscitação que conseguiu ter acesso naquele curto período de tempo e em estado precário, tendo sucesso em ter acesso a poucos templos medicinais ao longo do caminho que continham o que precisava.
— Já conversamos sobre isso. Você disse que não sabe quais são os riscos de trazer alguém de volta depois de tanto tempo no estado morto.
Era um risco que valia à pena. Com Jiraya vivo, a acusação de maior peso sobre Tsunade será retirada e outros benefícios viriam como consequência: salvaria alguém importante para Konoha e que será de grande valia para acabar com Pain e, consequentemente, com a Akatsuki, assim como também poupará Naruto e Tsunade da dor da perda, de mais uma.
— Na situação em que estamos, não há outra opção.
— Há sim: deixá-lo em paz. — preparou-se para rebater, mas ele acenou para se calar — Você não está sendo racional.
— Aí é que está, a única coisa que me faz concluir que ressuscitá-lo é nossa melhor opção é a racionalidade. Trazê-lo de volta libertará Konoha das mãos do Danzō e nos dará um aliado imprescindível para acabar com o Pain, já que lutou contra ele e teve acesso à informações que ninguém mais teve.
Itachi ficou em silêncio porque, pela primeira vez desde que cogitaram aquela opção, ela usou argumentos certeiros.
Por mais que tenha descoberto que Pain e os outros 5 eram apenas invocações, não fazia ideia de quem eram aquelas pessoas e como derrotá-las e, sobretudo, quem era o Ninja por trás deles, onde encontrá-lo e como derrotá-lo e ainda estavam correndo contra o tempo. Logo o Rokubi – Seis Caudas – será capturado e então só faltará dois Jinchūriki até ela receber a missão de capturar o Naruto.
Aquilo não podia acontecer de jeito nenhum.
Quanto mais aliados, mais rápido obteriam resultados.
Equação simples e certa.
— Com o que vamos nos deparar se você trazê-lo depois de, no mínimo, duas semanas e meia morto?
Respirou fundo, passando a mão no rosto.
Ao menos não tremia mais por conta do pesadelo.
Naquele momento tremia de nervoso mesmo, mesmo que Itachi parecesse aberto a negociação.
— Em minhas pesquisas tudo o que encontrei foi muito subjetivo ou abstrato, mas… — desviou o olhar, mordendo o canto do lábio inferior — acredito que perda da integridade mental ou de sua essência como pessoa é uma possibilidade. Tive acesso a cinco técnicas de ressuscitação humana. Consegui poucas informações sobre elas, mas… em quatro delas há uma coisa em comum: a necessidade de manipular ou substituir a consciência do ressuscitado porque ele se torna incapaz de voltar como era antes.
— Me fala que a única técnica que não se enquadra nisso é a sua.
— Sim, é a minha, baseada no Kishō Tensei – Reencarnação da própria vida – de Chiyo-baa-sama. — Itachi suspirou e ela até chegou a expressar uma careta por vê-lo ficar aliviado prematuramente, pois o "porém" estava a caminho — Só que a técnica foi rotulada como um Kinjutsu – Técnica Proibida – pelo Kugutsu Butai – Brigada de Marionetes – logo no início da pesquisa e só foi utilizada uma única vez pela própria Chiyo-baa-sama ao ressuscitar o Kazekage-sama, depois de apenas algumas horas morto, o que resultou em sua morte como sacrifício. — Itachi suspirou e ela foi quem acenou para que se calasse dessa vez — Eu sei. Eu sei o que isso significa, está bem? Mas já superei uma barreira que a própria Chiyo-baa-sama não conseguiu, então será que podemos ser um pouco otimistas aqui?
— Acha que é um bom momento para sermos otimistas?
— Acho que é necessário. — rebateu, firme — Você sabe que fazer isso dar certo é nossa única chance de acelerar as coisas e garantir sucesso em proteger Konoha, o Naruto de ser capturado e o Mundo Shinobi de uma possível Quarta Guerra Ninja.
Itachi a encarou por algum tempo, provavelmente a aguardando desistir como das outras vezes, mas não o faria, não dessa vez. Estava certa de que era o melhor a ser feito.
— E o que faremos se ele perder a integridade mental ou a essência?
— Tentaremos reverter a situação e se não conseguirmos, eu mesma vou matá-lo.
Itachi desviou o olhar e só o que fez foi engatar a respiração, sentindo um rebuliço interior começar.
Suspirando, ele voltou a encará-la — Está bem. — soltou a respiração numa lufada única, aliviada — Como faremos?
— Assim que voltarmos…
Então contou o que tinha em mente e ouviu as sugestões de melhorias em seu plano criado no último segundo. Não tinham mais tempo a perder, pois a cada dia que se passava as chances de terem sucesso ficava menor.
Quando o sol estava dando as caras no horizonte pediu para o Itachi descansar, já que tinha ficado de vigia enquanto ela tentava descansar e deixou um clone para assegurá-lo enquanto ia se banhar e pegar algo para o café da manhã. Ainda que tenha voltado, permitiu que o parceiro continuasse o descanso e aproveitou a oportunidade para tentar mais uma vez aplicar aquelas malditas técnicas Doton – Liberação da Terra – que roubou em Iwagakure – Vila Oculta da Pedra.
Embora tivesse um perfeito controle de chakra e fosse extremamente inteligente, não conseguiu tirar da teoria nenhuma das técnicas. Como eram elementais, tinham uma mecânica diferente das demais técnicas e não fazia ideia de como funcionavam, por nunca ter tido nenhum tipo de treinamento elemental.
Seus pais eram civis, assim como o Clã Haruno;
Na academia doutrinavam e ensinavam apenas o básico que acabava se resumindo em utilização de Chakra;
Kakashi, infelizmente, precisou priorizar o treinamento do Sharingan com o Sasuke, então não teve tempo para treiná-la;
E sua mentora se dedicou por anos a treiná-la com as liberações Yin e Yang, por serem sua maior especialidade e abrir inúmeras portas para ela.
Suspirou frustrada dando um pisão contra o chão tão descontrolado que seu pé afundou criando uma pequena cratera em volta.
Mais uma tentativa fracassada de fazer uma simples parede de terra.
Tirou o pé dali e depois respirou fundo exigindo de si mesma calma ao sentir a agitação do próprio chakra obscuro. Sentou-se e resolveu reler aquela porcaria. Estava deixando passar alguma coisa. Não era possível que fosse tão difícil assim lidar com uma técnica Rank B.
— Eu sabia que era teimosa, — ouviu Itachi dizer e virou para trás, observando-o se aproximar calmamente — mas não tanto assim.
Bufou irritada e revirou os olhos.
— Obrigada? — ironizou, voltando a encarar o pergaminho copiado.
Estava fazendo os selos corretamente e em boa velocidade, transferindo a quantidade de chakra necessária, exatamente como orientado no pergaminho e como viu outros Ninjas de Iwagakure fazerem. Então o que estava faltando?!
Itachi se sentou ao seu lado e pegou o pergaminho de suas mãos, lendo-o por algum tempo.
— Parece que está fazendo corretamente o que está aqui.
Revirou os olhos de novo, estalando a língua impaciente.
— Não diga.
Itachi sorriu de canto a encarando, parecendo se divertir com a situação.
— Mas não está mantendo a técnica corretamente.
"… mantendo", repetiu mentalmente.
Franzindo o cenho, pegou afobada o pergaminho da mão dele e releu aquela porcaria com pressa ao som do riso gutural dele. Em nenhum lugar dizia que tinha que "manter" a técnica.
Que droga de pergaminho instrutivo era aquele que não ensinava de modo completo a técnica?!
— Essa sua indignação… — ele comentou rindo guturalmente mais uma vez, fazendo-a fechar os olhos com força e respirar fundo para se acalmar. Estava mesmo se divertindo e já estava irritada o suficiente para querer tirar a diversão dele a base da porrada. — sinto informar, mas é divertido assisti-la.
Forçou um sorriso de canto, abrindo os olhos e o encarando.
— É mesmo?
— Oh, é sim. — assentindo e rindo, ele continuou — Você fica até vermelha de irritação.
Estreitou os olhos, sentindo uma veia pulsar em sua têmpora esquerda.
— Vermelho quem vai ficar vai ser você se não parar de se divertir com a minha desgraça.
A ameaça surtiu o efeito contrário. Em vez de Itachi parar de rir e levá-la a sério, simplesmente caiu na gargalhada desenfreada por bons minutos, em que ficou petrificada e incrédula da ousadia dele.
Estava falando muito sério. O que foi engraçado no que disse?!
Ele afagou a barriga enxugando o canto dos olhos com a outra mão, tentando inutilmente parar de rir e ela ficou assistindo com a melhor expressão irritada e tediosa que tinha.
— Certo, certo… então vamos dar um jeito nessa sua "desgraça". — ele se levantou e ofereceu a mão para ajudá-la a fazer o mesmo.
Aceitou por educação que sua mãe lhe deu, mas queria mesmo era socá-lo até cansar. Emburrada, cruzou os braços.
— E como pretende me ajudar? — desdenhou e segundos depois arregalou os olhos, franzindo o cenho e estreitando-os em seguida — Não me diga que além de tudo ainda tem afinidade com Doton – Liberação de Terra!
Seria muita injustiça do universo. O homem era um prodígio em tudo o que se propunha a fazer. Também era inteligente, analítico e estratégico como poucos. Tinha uma objetividade e clareza invejáveis e uma plenitude surreal. Não era possível que dominasse os cinco elementos também!
Ele não perdeu o sorriso, mas negou com a cabeça.
— Não tenho, mas todas as técnicas elementais se administram do mesmo jeito. — ele sorriu vendo-a revirar os olhos e depois adotou o semblante sério que a situação demandava — Há duas maneiras de executar uma técnica elemental: aproveitar o elemento externo, apenas o manipulando, ou transformar o chakra no elemento, sendo necessário nesse caso se dedicar a transformação e posteriormente a manipulação. Os selos se encarregam de fazer a transformação do seu chakra para o elemento, mas você precisa mantê-lo no decorrer da prática, obrigando o corpo a continuar a transformação que os selos começaram até o fim da técnica ou até conseguir o que quer.
Assentiu, perguntando-se o motivo de não ter pensado naquela necessidade tão óbvia.
— Você tem um perfeito controle de chakra, vai conseguir fazer isso agora que sabe o essencial.
Assentiu de novo e tomou espaço, repetindo os selos.
— Doton: Doryūheki – Liberação da Terra: Parede do Estilo Terra.
Tomou o fôlego necessário e expirou a terra que seu próprio corpo transformou do chakra instável e até teria sucesso se não tivesse se interrompido no meio do processo por perceber que o chakra potencializou a técnica mais do que deveria.
— Por que parou? Estava conseguindo-…
— Esqueci que meu chakra está mais forte e a barreira ia acabar avançando para cima de você. — justificou, respirando fundo e virando para o outro lado.
— Vai mesmo começar pelo jeito mais difícil? — ouviu-o e olhou-o por sobre o ombro com um sorriso de canto.
— Qual a graça de começar pelo jeito mais fácil? — piscou com um olho, vendo-o sorrir negando com a cabeça. Olhou para frente e se concentrou — Vou tentar agora.
Repetiu os selos e fechou os olhos para melhorar a concentração, abrindo-os apenas quando fluiu uma quantidade mais baixa.
— Doton: Doryūheki – Liberação de Terra: Parede do Estilo Terra.
Mesmo que tenha utilizado uma quantidade mínima de chakra comparado ao que dizia ser necessária no pergaminho, uma enorme, maciça e imponente parede de terra se ergueu e materializou a frente. Quando finalizou a técnica, ficou assombrada pelo que realizou.
Itachi se aproximou sem esconder seu assombro também, observando e tocando a estrutura rochosa com cautela até alcançar o outro lado e arregalar os olhos pelo que quer que estivesse vendo.
Foi para lá com receio do que encontraria.
Era tão alta, cumprida e grossa que parecia que tinha utilizado metade do chakra que possuía e o chakra instável e obscuro acabou refletindo na textura da parede, deixando-a desuniforme e com perigosas estacas pontiagudas apontando para fora do outro lado, fazendo parecer ainda mais assustadora do que realmente era para ser para quem visse de frente.
Ele a olhou e naquele olhar carmesim do Sharingan encontrou preocupação.
Sabia exatamente qual era a preocupação dele, porque era a dela também: se com um mínimo de chakra conseguiu aquilo, do que será capaz de fazer se utilizar todo o potencial que tinha?
Assentiu, sabendo que não era preciso dizer nenhuma palavra para mostrar seu entendimento. Socou a estrutura para desfazê-la e foi preciso repetir o golpe algumas vezes com uma quantidade de chakra formidável para colocá-la abaixo, depois seguiu com Itachi em seu encalço para onde descansavam, onde cada um pegou seus pertences para retomar a viagem de retorno ao esconderijo principal da Akatsuki.
No caminho foram surpreendidos por alguns caçadores de recompensas, não só por eles, como também por três equipes ANBU de Iwagakure.
E as surpresas não acabavam em suas emboscadas: o alvo prioritário era ela e não o Itachi.
Pelo visto o Tsuchikage não lidou bem com as capturas de seus dois Jinchūriki.
Por mais que tenha resolvido tudo sozinha, pois se sentia na obrigação por ser a responsável pelo atraso e também para poupar o Itachi, só executou os mercenários e somente por serem Nukenin de Alto Nível que com toda certeza espalhava o caos por onde passava. Com os ANBU, apenas os paralisou com seus venenos e os deixou para trás.
Mesmo que fosse considerada oficialmente uma Nukenin, ia contra sua índole simplesmente matá-los, principalmente sabendo que se tratava de Ninjas de uma das Cinco Grandes Nações que apenas cumpriam ordens.
— Não devia poupá-los. — Itachi resmungou, ainda passando em seu braço queimado uma solução de ervas que geralmente ela utilizava nas queimaduras dele — Eles vão voltar e em maior número.
Suspirou, sabendo que aquilo era verdade, porém de que adiantava ter tanto poder se não era capaz nem mesmo de se proteger escolhendo poupar seus inimigos?
— Vou pensar em algo para facilitar as coisas daqui para frente.
— Não tem o que pensar, Sakura. — ralhou ele, encarando-a com o cenho franzido — Se não quer matá-los, eu faço isso. Olha como ficou só porque queria poupá-los.
Pousou a mão sobre a dele com carinho. A grande mão ainda estava suja com a solução e contra o braço dela, mas parada porque ele estava concentrado em convencê-la a algo que jamais aceitaria.
— Não se preocupe, vou dar um jeito nisso. Eu sempre dou um jeito, você sabe. — ele suspirou e antes que a rebatesse, tirou a mão dele de si — Agora deixa que me viro com isso. Você já fez muito por mim. — ele suspirou novamente, mais alto, apenas para demonstrar contrariedade, supôs — Por que não descansa um pouco? Estou bem descansada, fico de vigia.
Ele forçou um sorriso de canto amargurado e se deitou de costas para ela. Não o julgou. A mentira sobre estar "bem descansada" foi mesmo patética. A última coisa que poderia se considerar era descansada, já que mal conseguiu dormir por conta dos pesadelos e quando conseguiu pelo cansaço elevado, foi despertada com ataques surpresas.
Quando percebeu que o sono do parceiro estava pesado, se levantou e se afastou, deixando um Clone para assegurá-lo. Há três dias estava treinando incessantemente as Técnicas Doton que roubou, cada uma delas. Infelizmente qualquer coisa que tentasse fazer parecia assustador devido à instabilidade do chakra sombrio. Não importava o quanto se concentrasse e refinasse o controle, o resultado era o mesmo, no entanto, depois de muito pensar, chegou a conclusão de que aquilo não era de todo ruim. Parecer ser pior do que realmente era seria uma grande vantagem, por isso parou de lutar contra a natureza agressiva do próprio chakra e o permitiu se mostrar a cada técnica concluída, surpreendendo-se por esse pequeno passo ter facilitado muito a prática no decorrer dos treinamentos.
Naquela noite tinha algo específico em mente: encontrar uma maneira de imobilizar vários inimigos simultaneamente sem precisar utilizar o Shunshin no Jutsu – Técnica de Cintilação Corporal – e o chakra moldado em bisturi para cortar os ligamentos de cada um, pois era um processo cansativo e, quando havia mais de sessenta inimigos, acabava perdendo consideravelmente a velocidade devido aos desgastes musculares e cansaço. Até pensou em usar uma técnica Doton, mas somente a terra poderia ser neutralizada com uma técnica Suiton – Liberação da Água – se fosse mais poderosa do que a dela ou Raiton – Liberação do Relâmpago – e a última coisa que precisava era ser surpreendida por uma falha tão óbvia durante um combate.
Ajoelhou-se sem encostar os joelhos no chão e colocou a mente brilhante que tinha para funcionar. Tinha que haver um jeito.
Foi quando uma ideia um tanto surreal lhe cruzou a mente. E se pudesse utilizar a terra e a flora, para que assim haja resistência e sobreposição em qualquer interferência externa de técnicas Suiton ou Raiton? A flora será capaz de conter qualquer ataque dessas liberações e, se o oponente for um usuário de Katon – Liberação do Fogo –, poderá refazer o Doton para reestruturar a técnica, anulando assim o poder de quatro elementos, considerando o Fuuton – Liberação do Vento – que jamais teria vantagem sobre a técnica dela.
Passou boas horas elaborando a nova técnica, criando uma combinação de selos, assim como um novo nome e só naquele instante percebeu que não criou apenas uma técnica; com a união de dois elementos – Doton e Chikara Jūyō – Energia Vital – criou uma nova alteração de natureza, uma Kekkei Genkai que não se resumia apenas a Dōjutsu, como também a união de dois elementos, assim como o Mokuton – Liberação Madeira – do Shodaime Hokage, Senju Hashirama, que criou a união entre o Doton e o Suiton.
Criou uma Kekkei Genkai exclusiva, que somente ela seria capaz de manipular.
Aquilo era incrível!
Finalmente os anos de absorção teórica de todo o conteúdo Ninja e a mente brilhante incansável lhe renderam frutos sólidos.
No fim, depois de quase três dias ininterruptos trabalhando arduamente, o resultado foi satisfatório: nomeou a nova Kekkei Genkai de Soshiton – Liberação Elemental.
O primeiro passo foi fazer uma adaptação no Doton Kekkai: Dorō Dōmu – Barreira de Liberação da Terra: Cúpula de Terra – que roubou, já que a ideia de fazer uma cúpula parecia exagerada demais e um grande desperdício de chakra. Assim criou o Doton: Dorō Tōgoku – Liberação da Terra: Aprisionamento de Terra – que a permitia manipular terra, pedras e rochedos de forma que encurralava o corpo inteiro do alvo em trezentos e sessenta graus do chão até a altura da cabeça – detalhe proposital para que a vítima assistisse tudo – até cercá-lo e imobilizá-lo completamente. Aquela técnica poderia tanto ser usada contra um oponente, como vários simultaneamente, principalmente com o controle de chakra minucioso que tinha.
Depois acrescentou à técnica final a interferência da flora. Não podia criar madeira como o Hashirama, mas podia incitar o crescimento desenfreado com o Chikara Jūyō – Energia vital – e manipulá-lo a crescer na direção que quisesse com o Doton.
Isso resultou na criação de sua mais nova técnica: Soshiton: Meirei Tōgoku – Liberação Elemental: Aprisionamento Imperioso, que necessitava do controle duplo da estruturação do cerco de terra pela mão esquerda e do crescimento da flora para agarrar o oponente através da cerca viva camuflada na terra pela mão direita.
Uma técnica muito útil que a levou ao encontro da solução que precisava para a imobilização das múltiplas vítimas que a permitirá aplicar o Fuyu no Ki: Tamashī no Shūkaku – Árvore de Inverno: Colheita das Almas.
A união das técnicas resultou no Soshiton: Shi no Mori no Jutsu – Liberação Elemental: Técnica da Floresta da Morte.
Um nome forte, imponente, poderoso e assustador, exatamente como a Sakura Rank S, Akatsuki e o Pilar Sul precisava.
O primeiro teste foi em um coelho que estava a espreita. Funcionou perfeitamente. O segundo foi num cervo que estava há poucos quilômetros dali, ainda no mesmo dia. Mais uma vez a nova técnica funcionou e rendeu nas próximas refeições e o terceiro foi num grupo de Nukenin caçadores de recompensas que os atacou quando estavam há um dia de chegar ao esconderijo da Akatsuki, dois dias após criar a técnica.
— Soshiton: Shi no Mori no Jutsu – Liberação Elemental: Técnica da Floresta da Morte. — disse alto e claro, propositalmente fazendo-se ser ouvida, embora tenha ativado a drenagem de vital em apenas trinta e nove dos presentes, deixando o quadragésimo integrante daquele grupo vivo enquanto seus companheiros eram abraçados pela morte ao terem sua vivacidade drenada lentamente.
Com as duas mãos enraizadas no chão, tinha os olhos firme nos quarenta Ninjas imobilizados pelo monte de terra, pedras e rochedos com estacas pontiagudas agressivamente apontadas para fora, ouvindo a voz do único que não entendia o motivo dos companheiros não reagirem ou resistirem assim como ele que debatia a cabeça para os lados como se fosse possível sair daquela pequena prisão.
Itachi estava ao seu lado com uma mão pousada na abertura do manto negro com nuvens vermelhas, aguardando aquilo acabar pacientemente como sempre.
Depois que drenou e armazenou tudo o que podia, executando seus alvos, incitou o crescimento das ramificações sob a terra e, juntamente a terra que manipulou em forma de estacas pontiagudas, atravessou os corpos para reafirmar suas mortes – apenas porque não queria que chegassem a forma silenciosa que utilizava para matar seus inimigos – além de que deixar tudo o mais obscuro e assustador possível facilitaria sua vida consideravelmente.
O único inimigo vivo desmaiou após gritar de desespero diante do sangue de seus companheiros pingando das estacas e ela suspirou, se levantando e batendo uma mão contra a outra para limpar os resquícios de terra.
Foi mais fácil daquela forma. Sequer se sentia cansada, mesmo que tivesse lidado com quarenta Ninjas.
— Vamos. — passou por Itachi que não se moveu e iniciou uma caminhada lenta até perceber que não foi seguida, cessando os passos e se virando para trás o vendo parado encarando aquela floresta sangrenta da morte que restou do combate um tanto covarde — Itachi?
— Ele ainda está vivo, embora desmaiado, mas você sabe disso. — o Uchiha se virou com o semblante estoico, nenhuma emoção foi expressada sendo pelo rosto ou pelo olhar e ela suspirou discretamente — Por que mesmo assim está indo embora?
— Ele será mais útil vivo do que morto.
— Sequelado? — a amargura dele só ficou evidente pelo tom duro — Por que está fazendo isso? Resolvendo as coisas assim… não se parece em nada com como você lidaria-…
Cortou-o firme, inevitavelmente na defensiva — Você já tem uma reputação, eu não. Infelizmente ainda sou vista como a piedosa Haruno Sakura de Konohagakure e isso está nos causando problemas, te colocando em risco e me esgotando.
— Então quer mudar. — concluiu ele, o olhar se tornando mais brando, mais complacente.
Itachi pareceu finalmente ter compreendido sua luta, sua contrariedade ao fazer aquelas coisas daquele jeito cruel e insano, mas que era extremamente necessário na situação atual.
— Não quero, mas é preciso. A Sakura da Akatsuki deve representar perigo, ser impiedosa e fatal, assim esses ataques vão reduzir. Será uma consequência mais do que bem-vinda.
Ele assentiu e se aproximou, olhando-a com preocupação.
— Não se obrigue a fazer esse tipo de coisa se achar que não vai dar conta.
— Eu dou conta. — afirmou, ainda mais confiante — Eu dou conta disso, sério. — insistiu diante do olhar descrente dele.
— Certo, mas se não der-…
— … pensarei em outra forma de resolver isso. — assegurou, dando uma cotovelada amistosa que falhou em dissipar a tensão do momento, mesmo que tenha forçado um bom sorriso — Vamos, senão ele vai acordar e ver o que não deve.
Forçou os passos mesmo sabendo que era analisada e respirou fundo discretamente sentindo o estômago embrulhado. Ainda era capaz de ouvir os gritos daquele único sobrevivente e sentir o desespero dele sob a pele como se fosse o próprio.
Tinha certeza de que jamais se esqueceria dos rostos sofridos, dos olhares pedindo clemência, dos suspiros entregues diante do abraço da morte, da morte que ela causou.
Depois de tantas interrupções, foi inevitável suspirar aliviada ao pisar na caverna, olhando a estrutura rochosa do esconderijo principal da Akatsuki que tanto detestou com estranheza ao perceber que se sentiu quase conformada, como se sua mente já tivesse se entregado ao fato de que aquela seria sua nova casa.
Se separou do Itachi sob um olhar significativo e assentiu discretamente seguindo para o próprio quarto novo que quase não pôde aproveitar. Não havia ninguém além deles na caverna, mas tão logo o pensamento de fazer o que era preciso quanto a Jiraya lhe cruzou a mente, captou a presença repentina do Zetsu no salão principal de reuniões e logo depois a do Tobi junto de alguém que a fez trincar o maxilar de raiva.
Kabuto.
Jamais se esqueceria da assinatura de chakra daquele homem ardiloso e detestável, tanto quanto seu falecido mestre.
O que Kabuto fazia ali? E, mais importante, que tipo de relação mantinha com a Akatsuki?
Curiosa, entrou no quarto concentrada nas movimentações de seus Chakra através do mapeamento sensorial. Eles seguiram para a sala restrita e permaneceram lá por um bom tempo.
Sentiu um frio na barriga diante da preocupação com o corpo do Jiraya, mas engoliu o desespero e tentou manter a calma, o que foi impossível já que se lembrou de todas as clonagens que fez e deixou no lugar dos corpos que roubou e enviou para Konoha. Kabuto era um Médico-Nin e, apesar de confiar que fez um bom trabalho, não podia descartar a possibilidade de ele descobrir as clonagens e alertar os outros.
O medo a fez correr para o banheiro e expurgar violenta e involuntariamente o que comeu mais cedo e que tanto tentou manter no estômago mesmo depois de tudo, e a única coisa que a fez respirar com alívio, depois de horas de tanta tensão, foi Kabuto ir embora e nada relevante ter acontecido, o que só podia significar uma coisa: suas clonagens não foram descobertas e sua técnica era tão boa que enganou olhos cirúrgicos de um médico que, por mais cruel que fosse, não podia negar ser formidável pelos feitos e pesquisas que soube, através de Tsunade, que fez ao longo dos anos.
Tinha decidido que naquela noite, quando todos estivessem dormindo, iniciaria o plano de resgate do corpo do Jiraya, mas, mais uma vez, teve o plano frustrado quando Pain a convocou para uma reunião logo que a noite caiu.
Duas horas depois estava saindo em missão solo e ao completá-las recebeu mais quatro missões mercenárias e uma de retomada de poder em Kōtetsugakure – Vila Oculta do Aço, onde não teve direito a pausa devido à urgência. Nem sequer pôde encontrar o Kakashi. Foi obrigada a enviar um Soshiton: Kage Bunshin no Jutsu – Liberação Elemental: Técnica Clone das Sombras, uma nova técnica que era mais resistente e também mais independente do que um Kage Bunshin comum, em seu lugar apenas para entregar um pergaminho com o relatório.
Um mês, três semanas e seis dias depois voltou para o esconderijo mais aborrecida do que podia controlar. O Chakra obscuro estava perigosamente agitado, deixando seus passos duros ainda mais amedrontadores. Sentia uma carranca irreversível dominando a expressão facial, mas não o desfez, não o controlou, não o neutralizou. Quis deixar evidente, porque já estava cheia de lidar com as coisas de maneira pacífica, além de que o peso das mortes que ceifou naquele período estava a enlouquecendo. Mais de quinhentos Ninjas tiveram suas vidas ceifadas por ela, ceifadas não, drenadas impiedosamente, isso porque continuou com a estratégia de solidificar uma reputação sanguinária deixando mais de cem homens vivos para, literalmente, contarem a história dos seus feitos.
Banhada em sangue dos pés à cabeça devido aos últimos confrontos em que exagerou na crueldade por perder o controle para a obscuridade e malignidade do Chakra obscuro, passou reto por Tobi que não via há um pouco mais de três meses, pois estava com os nervos à flor da pele. Tinha um objetivo em mente e a última coisa que precisava era ouvir alguma gracinha que a distraísse.
Marchou caverna adentro, tendo como foco uma única pessoa: Zetsu.
Que Deus o proteja de sua fúria, porque queria esganá-lo com as próprias mãos.
Empurrou com violência a grande porta maciça de madeira como se fosse feita de papel e acelerou a chegada ao alvo com o Shunshin no Jutsu, surpreendendo-o de maneira tão eficaz que o Ninja só percebeu o que ocorreu quando já tinha ultrapassado a defesa da estranha carapaça e grudado a mão esquerda no pescoço nu bicolor.
— O que pensa que está fazendo? — rosnou entredentes, estreitando os olhos diante do meio sorriso despontando no lado negro do rosto.
Como se cada lado do rosto pertencesse a uma pessoa, o lado negro demonstrou diversão pelo olhar ardiloso e o lado branco confusão pelo olhar meramente arregalado.
— O que está fazendo, Sakura? — Pain, que estava presente também em uma aparente reunião, perguntou, mas não desviou a atenção do estranho com dupla personalidade.
O sorriso que outrora despontou no lado negro do rosto, tornou-se confiante ao se alargar mais, só que não durou muito tempo, logo os lábios assumiram uma linha rígida, moldando desgosto e assim fazendo um sorriso despontar no canto dos próprios lábios.
— Não consegue fugir, não é? — zombou, ácida, observando os traços negros de ramificações de Cerejeira em seu antebraço envolvendo a vítima conforme drenava lentamente a energia vital dele através do Tamashī no Aki no Jutsu – Técnica do Outono da Alma para mantê-lo preso. Deu de ombros, divertindo-se com o desespero substituindo rapidamente o desgosto. — Dizem que minha técnica anula qualquer outra. Acho que tinham razão.
— Você não fez selos, sequer conjurou uma técnica.
Entornou a cabeça para o lado, permitindo-se alargar o sorriso.
— Eu não preciso de nada disso para completar e ativar uma técnica, embora os faça vez ou outra por puro capricho, afinal, como poderá se defender de algo que nem mesmo tem conhecimento? Infelizmente ajudar o adversário torna as coisas mais interessantes para alguém como eu. — deu de ombros, divertindo-se com a careta amarga no rosto bicolor — Mas não vamos perder o foco aqui, responda: — exigiu entredentes, voltando a seriedade — o que pensa que está fazendo?
— Sakura-… — Tobi a chamou na voz grave e em tom sério, mas sequer desviou os olhos de Zetsu.
— Não, Tobi. Não se intrometa.
— Solte-o.
Ignorou-o e ao primeiro passo dele em sua direção, olhou-o por sobre o ombro, posicionando seu pé direito na direção dele e simultaneamente enviando Chikara Jūyō – Energia vital – para levantar, ágil e em tempo real, uma parede de raízes através do Soshiton: Sōsu no Kabe no Jutsu – Liberação Elemental: Técnica Parede de Raízes, mais uma das técnicas que criou naquele meio tempo e que era possível ser feito através do pé por ter selado suas duas pernas no intuito de garantir o legado caso perdesse um dos membros superiores; o que era altamente possível ocorrer, já que logo a drenagem massiva de quarenta por cento do Chakra demoníaco do próximo Jinchūriki alvo poderá não ser suficiente para ter sucesso na captura.
O mascarado deu um passo para trás e sua expressão corporal demonstrava cautela, já que paralisou e o mais interessante era que Pain, sempre tão inexpressivo e neutro a qualquer situação que não o envolvia, parecia tão cauteloso quanto o outro; via-se pelo cenho franzido e a mão direita ligeriamente levantada, como se estivesse prestes a interferir, ainda que não tenha feito nada além.
— Isso é entre mim e ele. — rosnou, encarando o mascarado por alguns segundos antes de voltar ao foco virando-se para frente com um sorriso distorcido — Você não pode fugir e minha paciência está escassa desde que eu tive que resolver os problemas que você me causou, então sugiro que coopere e seja objetivo.
— Do que está falando?
Pain se intrometeu e só por ele ser, aparentemente, o líder, tirou um retrato falado de si mesma que obteve com os últimos inimigos que se deparou e jogou na direção do homem, mas antes que o papel tocasse o chão, Konan, que tinha entrado no salão nos últimos segundos, utilizou seu Ninjutsu para guiar o papel até ela, fazendo-a franzir o cenho e direcionar o papel para o líder.
— Uma cópia disso foi espalhada entre os ANBU de três das cinco Grandes Nações Shinobi e também entre os mercenários de Alto Nível. — respondeu entredentes, observando com uma pontada de irritação o sorriso voltar a despontar no canto do lado negro do rosto.
— E o que isso tem a ver com o Zetsu?
Então foi ela quem sorriu, desviando o olhar do dissimulado para o líder.
— Ele espalhou essa merda.
— Você deve estar enganada. Por que Zetsu-…?
Konan foi interrompida pelo próprio que riu maldoso, fazendo-a encará-lo.
— Espalhei mesmo. — ele assumiu arrogante — E teve sorte de eu não ter tido oportunidade de visitar o Kaze no Kuni – País do Vento – e o Hi no Kuni – País do Fogo –, ou certamente teria tido problemas maiores para se preocupar do que vir atrás de mim.
— Por que fez isso? — claramente surpresa, Konan proferiu a pergunta que ficou engasgada, pois não esperava que ele fosse admitir tão rápido.
Zetsu, pela primeira vez, desviou o olhar dela, fitando a mulher.
— Porque soube que, apesar de executar a sangue frio mercenários, ela está poupando qualquer autoridade. Se é uma de nós, deve se portar como uma de nós e nós não poupamos ninguém.
— Eu já disse isso e será a última vez que vou repetir: — disse calmamente, obtendo o olhar dele — eu não sou como vocês. Não mato civis e não tenho nenhum problema com as autoridades. Desertei minha Vila por liberdade, mas isso não significa que me ponho em posição de ver qualquer Ninja em serviço como um inimigo. Desde que não fiquem no meu caminho, não vejo motivo para executá-los.
— Então arque com as consequências da sua escolha.
— Digo o mesmo para você. — rebateu, firme — Continue com esse seu joguinho e como consequência da sua escolha morrerá antes mesmo de perceber.
— Já chega, Sakura. — interferiu Pain — E você, Zetsu, pare com sua interferência. Sakura já provou seu valor e lealdade, seu julgamento é desnecessário e pode colocá-la em risco.
— Ela não é… como é que a chamam mesmo? — dissimulado, ele riu — Ah, sim, a Deusa da vida e da morte? Deuses não morrem, a menos que se trate de um impostor.
Ela sorriu ainda mais.
— Quer fazer um teste? — o desafiou — Posso te ajudar a descobrir se sou uma impostora.
— Sakura, solte-o. — Pain ordenou.
— Não pode me matar.
— Posso. Posso o que eu quiser. Graças à você três países estão atrás de mim e até então não conseguiram me matar ou capturar. Acha que não consigo lidar com a Akatsuki se for preciso?
— Ouviu o Pain, Sakura. Pare agora. — Tobi materializou-se repentinamente atrás de si e só por considerá-lo o correspondeu, virando o rosto na direção dele.
Entretando o que a fez soltar o pescoço do Ninja com dupla personalidade e interromper a drenagem de sua energia vital foi receber a informação de seu Soshiton: Kage Bunshin no Jutsu – Liberação Elemental: Técnica Clone das Sombras – recém-desfeito de que o resgate do corpo do Sannin Jiraya foi feito e de que ele está em segurança em Shikkotsurin – Floresta Shikkotsu – já em processo de ressuscitação com outro Soshiton: Kage Bunshin trabalhando em conjunto a Katsuyu, afinal tudo não passava de uma distração para garantir sucesso em sua prioridade, embora Zetsu realmente tivesse se tornado um estorvo já que lhe causou inúmeros problemas.
Sorriu atroz, dando um passo para trás e erguendo ambas as mãos em rendição com cinismo.
— Está bem. Eu paro, mas fica o aviso: — virou para o mascarado e para o Pain — deem um jeito nele. Se eu continuar tendo problemas por culpa dele, vocês terão problemas porque vou matá-lo custe o que custar.
Saiu de lá sem aguardar uma resposta e passou por Konan observando-a com o cenho franzido encarando Zetsu.
Sua missão prioritária foi concluída com sucesso e não podia se sentir mais orgulhosa de si mesma por resolver dois problemas com uma ação só, pois tinha certeza de que Zetsu não lhe causaria mais nenhum transtorno dali para frente, não depois de olhá-la com tanto assombro por perceber que a ameaça era sólida.
Ao passar pela porta, já do lado de fora do salão, encontrou Itachi com o cenho franzido, demonstrando sua confusão pela atitude dela, por isso sussurrou ao passar por ele:
— Temos o corpo do Jiraya-sama e o processo de ressuscitação já está em andamento.
O homem assentiu lentamente, aparentemente embasbacado, mas não o julgou. Por todo aquele período não conversaram nem mesmo por cartas e podia apostar que ele acreditava que ela tinha desistido, mas era uma Haruno e nunca desistiu ou irá desistir de qualquer decisão que fosse.
Continuou os passos na direção do próprio quarto para encenar meditação enquanto concentrará toda sua atenção no direcionamento de seu Chakra e Chikara Jūyō – Energia vital – através da conexão com Katsuyu no processo de reversão do estado morto de Jiraya e em segundo plano ao presente.
Finalmente os ventos estavam a seu favor e faria tudo para mantê-los.
Então será só questão de tempo até ter tudo sob controle mais uma vez.
[…]
NOTAS FINAIS:
Curiosidades e esclarecimentos:
No começo do capítulo, quando Sakura tem aquela conversa com o Itachi sobre ressuscitar o Jiraya, as técnicas citadas vieram inteiramente das minhas pesquisas no Wiki Naruto, então se houver alguma divergência de informação peço desculpa. Por ora, essas técnicas estão presentes em acontecimentos do próprio mangá/anime e apenas o contexto e desenrolar da situação foi de minha autoria.
Doton: Doryūheki – Liberação da Terra: Parede do Estilo Terra e Doton Kekkai: Dorō Dōmu – Barreira de Liberação da Terra: Cúpula de Terra: são técnicas já existentes na obra original, embora não sejam utilizados pela Sakura lá, mas como já disse: essa fanfic é escrita por mim e eu faço o que eu quiser kkkkkkkk (Cof cof, brincadeira, gente... vocês também mandam se quiserem kkkkkkk)
Chikara Jūyō – Energia vital: sei que é a primeira vez que vocês que acompanham a bastante tempo a fanfic estão vendo esse nome aqui "Chikara Jūyō", mas estou inserindo aos poucos nas revisões que estou fazendo e gostaria que assimilassem o nome, pois aparecerá frequentemente assim como Chakra, tudo bem?
Soshiton – Liberação Elemental: a nova Kekkei Genkai da Sakura é de minha autoria.
Doton: Dorō Tōgoku – Liberação da Terra: Aprisionamento de Terra, Soshiton: Meirei Tōgoku – Liberação Elemental: Aprisionamento Imperioso, Soshiton: Shi no Mori no Jutsu – Liberação Elemental: Técnica da Floresta da Morte e Soshiton: Sōsu no Kabe no Jutsu – Liberação Elemental: Técnica Parede de Raízes: são técnicas de minha autoria também!
Tô poderosa, né? Criando coisa a rodo Kkkkkk
Estavam sentindo falta de novos Jutsus? Eu estava demais! xD
Outro detalhe importante: sabem as ramificações de Cerejeira em traços negros nos antebraços da Sakura? (caso não saibam sobre o que estou falando, é só passarem lá na capa da fanfic, pois a fanart desenhada exclusivamente para essa fanfic mostra direitinho). Pois bem, agora ela possui os mesmos selos dos tornozelos até os joelhos dela. Isso é explicado quando ela quer repelir o Tobi do embate dela contra o Zetsu no fim do capítulo. Beleza? Se ficar alguma dúvida, me sinalizem pelos comentários que explico melhor.
Esclarecimentos feitos, gostaram do capítulo?!
Vocês acharam que a Sakura tinha surtado de vez ou perceberam que tinha algo por trás da cena que ela fez ao pegar o Zetsu de jeito?!
Sei que teve bastante conteúdo e que demos um salto grande no tempo aqui, mas é por uma boa razão (embora eu torça para não ter ficado corrido): as coisas que vocês tanto estão esperando está a caminho!
Sobre o Kabutinho, bom, seguindo a ordem cronológica da obra original, sabemos que Kabuto, em certo ponto, se alia a Akatsuki depois da "morte" do Orochimaru. Aqui não poderia ser diferente, embora as motivações dele sejam diferentes. Sabem o que ele está aprontando? Quero teorias, hein!
No mais, espero que tenham percebido certos detalhes que passei aqui com sutileza, mas que gostaria que dar destaque: na evolução da relação de irmandade entre Itachi e Sakura, no desenvolvimento da Sakura como Kunoichi ao se aprimorar sozinha e também como pessoa, tornando-se mais madura ao fazer escolhas realmente difíceis, além de como ela está lidando com as sabotagens externas (vulgo Pain com as inúmeras missões solo que a direcionou (isso é muito significante quanto a posição dela na Akatsuki e o quanto já é digna de confiança), assim como o Zetsu que praticamente colocou a cabeça dela a prêmio com as nações – adendo um: isso vai trazer consequências que vai deixá-la na corda bamba; adendo dois: e também vai acelerar a descoberta de sua morte forjada, inclusive para o Sasuke e o pessoal de Konoha.
Imaginam o que vem aí para os próximos capítulos? *-*
Eu sei que sim! E eu estou me corroendo aqui pra saber o que estão achando disso tudo! kkkkkkkk
PRÓXIMO CAPÍTULO: NÃO VOU ADIANTAR O NOME por causa da observação 5. Passem lá para descobrir o motivo =P
DATA DE LANÇAMENTO DA PRÉVIA: 02/11/2021 – Terça-feira.
DATA DE POSTAGEM: 05/11/2021 – Sexta-feira. (não é certeza, tá? É só se tudo der certo, porque, como sabem, estou grávida e tenho mais dias ruins do que bons por enquanto. Além de que tenho que atualizar minhas outras fanfics também kkkk)
É isso, galera! Surtem comigo! Comentem muitooo, me mandem mensagemmmm e, se puderem, recomendem a fanfic! Quero que vocês se animem junto comigo nessa nova fase da fanfic!
Até a próxima!*~
Obs.: Caso queiram ter prévias de capítulo, spoiler e interagir comigo além daqui, me sigam no Twitter por SenpaiNani, Instagram por NaniSenpaiNK e Facebook por Haruno Sah ou Nani Senpai!
Obs.²: Por causa dessa instabilidade em meu estado físico, vou suspender por enquanto o Cronograma, tudo bem? Me perdoem por isso, mas assim que der retomo a rotina de escrita.
Obs.³: Link do TrailerBook de Pétalas de Cerejeira e também da Playlist de Pétalas de Cerejeira! Simmmmm, eu criei uma, mas no Youtube apenas, se alguém preferir pelo Spotify, me avisa que crio lá também!
(A plataforma não me permite colocar o link aqui, mas caso tenham interesse, me avisem que mando por mensagem privada).
Obs.⁴: Como disse nas notas, criei também um grupo de Whatsapp Fanfics Nani Senpai. Quem quiser interagir com mais facilidade (e surtar por áudios sobre os capítulos), além de ter acesso a conteúdos privilegiados de todas as minhas fanfics, entra lá! Será muito bem-vindo(a).
(A plataforma não me permite colocar o link aqui, mas caso tenham interesse, me avisem que mando por mensagem privada).
Obs.⁵: Estamos a caminho da reta final e eu gostaria muito de realizar não só meu espírito fanfiqueira como o de vocês também, então criei tipo uma pesquisa de satisfação dessa fanfic, com múltipla escolha e algumas dissertativas, mas bem levinha e rápida de responder. Então cooperem comigo, por favor! Kkkkkkk
Em troca, porque sei que nada nessa vida é de graça, vou dar spoiler de um título de capítulo e vocês poderão escolher do capítulo 21 ao 25.
(Dica da senpai: nada impede vocês de trocar figurinha depois, sim? =P)
Posso contar com vocês? Sejam sinceros, respondam com o máximo de detalhes possíveis e quem sabe vocês terminem de ler essa fanfic completamente realizados, não é? Afinal, será uma forma de colaborar com a fanfic!
(A plataforma não me permite colocar o link aqui, mas caso tenham interesse, me avisem que mando por mensagem privada).
