Notas do Autor
Articuno sente...
Um membro da equipe Rocket, decide...
Capítulo 21 - Articuno
- Nunca! Ele é meu amigo! Além disso, vocês não iriam me libertar, após falar onde ele está. Eu vejo em seus olhos o prazer intenso que sente ao pensar nas torturas reservadas a mim. Logo, você não iria dispensar a sua presa tão facilmente. E mesmo se de fato, cumprisse o que prometeram, eu não venderia um amigo!
- Entendo... Bem, eu agradeço pela sua recusa e acredite quando falo que comigo, você irá "cantar" em algumas horas... – o seu sorriso sádico é ainda mais ampliado em seu rosto - Confesso que prefiro os tipos durões e aqueles que agem como "heróis". É tão divertido ver tipos como você chorando, implorando por clemência.
Longe dali, Articuno estava em sua caverna preferida, relaxando, quando surge a sensação de que Datsura (Noland) estava em perigo, sendo algo intenso e em decorrência dessa sensação inquietante, ela abre as suas belas asas e voa majestosamente no céu, sendo que sentia onde ele estava e conforme pensava nele, seu coração batia rapidamente, enquanto sentia as suas bochechas se aquecerem ao se lembrar do humano, sempre se sentindo estranha ao ficar próxima dele, assim como, ao sentir o afago dele em suas penas.
Enquanto imprimia mais velocidade em suas asas possantes que cortavam o ar, ela podia sentir, plenamente, o medo de Noland. Um medo intenso e que angustiava o seu coração. De alguma forma, sabia que ele estava em perigo.
Portanto, estava determinada a encontra-lo o mais cedo possível, pois temia o que estivesse acontecendo com ele e em virtude do seu desespero, a bela ave lendária bate ainda mais vigorosamente as suas asas, imprimindo a maior velocidade que conseguia, sentindo que precisava chegar onde ele estava o mais rápido possível.
Naquele instante, o torturador fingia estar pensativo, pegando cada uma de suas ferramentas para exibi-las, propositalmente, enquanto as analisava como se fossem algo precioso e inestimável. Noland podia ver um olhar de intensão afeição no torturador para com os seus objetos, como se ele estivesse namorando eles, os tratando como uma amante altamente desejada, fazendo-o acreditar que aquele homem era de fato, insano e demasiadamente perturbado.
O Cérebro da Fronteira confessava que apesar de estar com muito medo, não iria denunciar onde o Articuno se encontrava, pois além de ser o seu amigo, duvidava piamente que eles iriam libertá-lo, após saberem da localização da ave lendária.
Afinal, podia ver nos olhos do torturador profissional que seria torturado da mesma forma, pois ele era o seu "brinquedo" e o torturador cruel e maligno, não abriria mão dele.
Datsura jurou a si mesmo que não daria a localização dele, não importando o que acontecesse, sendo que ele não sabia que Articuno era na verdade uma fêmea e não um macho. Inclusive, as aves lendárias e a criadora delas, Lugia, eram todas fêmeas.
Quando lhe veem a mente, Articuno, ele se recorda dos sentimentos incompreensíveis que o tomava quando estava junto da ave lendária e da sensação que era estar com ela, não sendo a mesma sensação e sentimentos que ele sentia com os outros pokémons. Era algo especial e intenso. A companhia da lendária lhe fazia feliz.
Portanto, sempre procurava estar com ela. Era uma sensação desconhecida, assim como o sentimento que sentia por Articuno, não compreendendo que esse sentimento era amor, assim como a lendária sentia por ele.
Inclusive, vê-la machucada lhe angustiava, embora procurasse não demonstrar durante uma batalha pokémon e mesmo que não demonstrasse, totalmente, a sua angústia, ele sentia o seu coração se restringir ao vê-la se machucando nas lutas. Claro, sentia isso pelos seus pokémons, mas em relação à Articuno era diferente. O sentimento de angústia era mais intenso e igualmente desconcertante.
Então, ele murmura em pensamento com um sorriso triste no rosto, enquanto a imagem da lendária surgia em sua mente.
"Gostaria de tê-lo visto uma última vez"
Então, quando o torturador ia se aproximar de Datsura que se preparava para a dor que sentiria, a parede de madeira é destruída por garras afiadas, revelando um pássaro grande e azul, exibindo em seus olhos a mais pura fúria e antes que os Rockets pegassem as suas pokeballs, Articuno abre o bico e os congela, sumariamente, até a morte, usando Blizzard.
Com o congelamento massivo, as pokéballs trincam e os pokémons saem delas, com a libertação deles rachando o gelo e como os seus mestres morreram, eles comemoram, para depois fugirem do local, atropelando outros Rockets, com muitos sendo mortos ao serem pisoteados, perfurados por garras ou bicos, enquanto que outros ficavam feridos, com mais pokéballs quebrando, libertando mais pokémons que se juntam a debandada com muitos deles atacando para matar, qualquer Rocket em seu caminho.
- Articuno! – Datsura exclama aliviado.
A ave lendária vai até ele e corta as suas cordas com as garras afiadas, para depois o Cérebro da Fronteira se dirigir até a mesa para pegar as suas pokeballs, subindo em seguida nas costas da bela ave lendária que levanta voo dali, sendo que as suas asas liberavam um pó alvo que brilhava e que era neve quando as abria e por ser uma lendária, conseguia erguer pesos absurdos.
Portanto, conseguia voar, tranquilamente, com o humano em suas costas.
Porém, no ar, eles percebem que estavam encurralados, pois nas encostas havia vários Rockets e armas apontadas para a lendária, com as mesmas revelando serem armas de energia para restringir seus movimentos, com os mesmos sendo disparados contra a ave lendária, com Datsura passando a orientar a esquiva de Articuno.
Então, após eles se esquivarem de mais um raio, ele ordena:
- Articuno, use Blizzard para matar!
A ave começa a congelá-los ao fazer surgir uma nevasca intensa e congelante, envolvendo os membros da Equipe Rocket, os congelando até a morte.
Próximo dali, um Rocket fica irado por um pokémon derrota-los sumariamente, mesmo sendo um lendário e esquecendo-se da ordem que consistia em capturar Articuno vivo, pegou uma arma pesada que possuía um armamento capaz de furar aço como se fosse manteiga e mirou na ave lendária, pois balas desse calibre podiam perfurar a pele dos pokémons, enquanto que as balas comuns, no máximo, provocavam cortes ou perfurações, demasiadamente superficiais.
Afinal, em virtude da pele dos pokémons serem muito resistentes, eles podiam aguentar golpes e impactos que podiam facilmente matar um humano.
Portanto, somente balas de armamentos pesados, capazes de perfurar aço, podiam ter êxito em perfurar a pele deles.
Então, após tê-la na mira, ele procurou alvejá-la, com a bela ave sendo perfurada brutalmente pelas balas.
Datsura exclama desesperado, ignorando o fato de que algumas balas o atingiram, mais precisamente as suas pernas e que tivera muita sorte delas não terem atingido nenhuma artéria de grosso calibre, impedindo assim uma hemorragia severa que seria fatal a um humano, sendo que Articuno não teve a mesma sorte com os tiros que haviam deixado ela com a vida por um fio:
- Articuno! Não! Seus bastardos!
Datsura sentia que o seu coração falhava ao ver as asas da lendária fechar e a sua cabeça pender do corpo, enquanto começavam a cair.
Naquele momento, o fato de estar em uma altura considerável e que agora caía em queda livre não lhe afetava. Ou melhor, a sua mente não registrava esse fato. Registrava apenas o fato de que a pokémon que fazia seu coração se aquecer e que tinha sentimentos intensos e igualmente incompreensíveis por ela, estava desfalecida em seus braços com ele se sentindo impotente, passando a sentir raiva de si mesmo por não poder fazer nada por ela e tal sentimento, além de fazer ele sentir ódio de si mesmo pela sua incapacidade, somente ampliava a dor em seu coração.
A dor lacerante e intensa rasgava o seu coração, enquanto as lágrimas escorriam de seu rosto, umedecendo a pelagem azul da bela ave. As lágrimas dele era um pranto de dor e desespero, sendo que murmurava em súplica:
- Por favor, não morra. Por favor... Não me deixe. Por favor...
Datsura sentia que a sua vida sem Articuno, seria uma vida vazia e desoladora, com ele apenas vivendo, precariamente. Cada dia seria uma luta, enquanto que sentia que haveria apenas o vazio em seu coração.
- Tome isso, ave idiota! – o Rocket fala com um olhar de vitória e um sorriso cruel em seus olhos ao ver a lendária despencar do céu com o Cérebro da Fronteira em suas costas.
Os demais Rocket´s no local estão estarrecidos com o que aconteceu e lutam para acreditar que um imbecil havia matado a ave lendária que o líder deles tanto almejava ter para si. Tal ato fora tão surreal, que eles ficaram estupefatos, olhando com incredulidade a cena que se desenrolava na frente deles em câmera lenta.
Então, um deles desperta do estupor em que se encontrava e pergunta a si mesmo:
- Quem foi o retardado que atirou em um lendário?
Então, os outros saem da estupefação e o superior deles olha para os lados, conseguindo avistar o responsável pelos disparos, pois ainda comemorava o seu feito inconsequente.
Rapidamente, ele corre até o seu subordinado, seguido dos demais e exclama ao se aproximar dele:
- Seu idiota! Era para capturar o Articuno e não mata-lo! O que você tem na cabeça?! – o chefe dele se aproxima irado – Seu imbecil! É um pokémon lendário! Ele é único no mundo! Não é um simples pokémon ordinário que encontramos em qualquer lugar!
O Rocket vira lentamente para seu superior.
Após a fúria pelo orgulho ferido se esvair, ele percebe o grave erro que cometeu e frente a tal constatação, começa a suar frio, orando para que a ave não tenha morrido.
Todos observam a ave lendária despencando do céu em direção ao vale abaixo deles, enquanto que em uma encosta, um dos Rockets, após verificar os sinais vitais de Articuno através de um aparelho, assim como a energia dela, se aproxima do colega que atirou e dos outros, comentando pesarosamente ao imaginar a ira sem precedentes de Sakaki pela perda de mais um lendário:
- Não detectamos vida em Articuno. Ele está morto.
O Rocket fala em tom fúnebre para o que atirou, com este sentindo o sangue gelar ao perceber por completo as consequências do seu ato impensado feito em um momento que estava dominado pela fúria do orgulho ferido, por estarem sendo subjugados por um pokémon e antes que pudesse fugir, ele é rendido pelos demais.
Afinal, o chefe deles ficaria furioso e queriam dar o responsável em uma "bandeja de ouro" para aplacar a fúria do líder deles. Ou pelo menos, tentar aplacar. Todos os Rocket´s sentiam de que seria um dia negro no Quartel General em virtude do erro de um único Rocket e que inclusive, poderia repercutir nos demais.
Enquanto isso, Datsura chorava desesperado por Articuno, até que consegue sentir que ela ainda estava viva, embora fosse por um fio e conforme eles caiam, percebe que caiam em um riacho e começa a orar para que fosse profundo, pois sabia que naquele riacho que conseguiu identificar onde era, havia trechos em que ele era raso e se tivessem o azar de cair em algum desses trechos, eles iriam morrer, inclusive o pássaro lendário que se encontrava extremamente debilitado.
Além disso, ele sabia que precisava diminuir a velocidade da queda deles, pois se continuassem caindo naquela velocidade, mesmo que o riacho naquele trecho fosse profundo, ele morreria pelo choque do seu corpo contra a superfície da água, assim como a bela ave lendária, desfalecida em seus braços.
Ao ter uma ideia para impedir a queda violenta na água, Datsura girou o seu corpo, escudando Articuno de qualquer impacto, conseguindo assim com que as suas costas se chocasse em galhos finos de pequenas árvores dentre as frestas da parede rochosa, visando amortecer a queda até a água, sentindo o baque de seu corpo contra a água e consequente ardência, além da dor anterior, quando as suas costas se chocaram contra os galhos, sendo que a dor e ardência não importavam a ele. O importante era evitar que Articuno sofresse qualquer dano pela queda.
Segurando a ave lendária com uma mão, ele usa a outra para nadar, quer dizer, tentar nadar, lutando arduamente para chegar até uma margem, enquanto eram carregados pela forte correnteza que os afastava cada vez mais do local.
Então, de repente, ele sente algo quente se aproximar dele e ao olhar para cima, avista Moltres, que voava um pouco acima dele, estendendo a sua pata para ele e ao lado dela, um pouco mais afastado, ele vê Zapdos, com a sua usual face de poucos amigos exibindo seu costumeiro mau humor ao vê-lo junto de uma de suas irmãs, por ele ser um humano.
O Cérebro da Fronteira murmura, emocionado:
- Muito obrigado.
Ele pega a pata que era estendida a ele e a bela ave flamejante começa a puxar Noland e consequentemente Articuno, para uma margem próxima dali, com Zapdos seguindo ambos.
Ao chegar à margem, ele carrega Articuno em seus braços e se ajoelha, chorando, enquanto tremia por estar desesperado ao ver melhor o estado precário da bela ave desfalecida em seus braços, respirando com dificuldade, enquanto que o seu corpo tremia pela dor.
Enquanto isso, Moltres e Zados pousavam em galhos próximos dali, olhando tristemente para a sua irmã que estava com a vida por um fio.
Então, todos ficam alarmados, quando ouvem sons de passos.
Rapidamente, as aves lendárias restantes colocam-se em guarda, preparadas para atacar brutalmente qualquer um que se aproximasse, enquanto concentravam os seus poderes, preparando a técnica mais poderosa e devastadora que possuíam.
Já, o Cérebro da Fronteira, estava com uma mão em cima de suas pokeballs, pronto para atacar com os seus pokémons, qualquer um que ousasse se aproximar deles, embora não acreditasse que mesmo tendo duas aves lendárias ao seu lado, eles conseguiriam deter a Equipe Rocket.
