Notas do Autor
Yume tem a confirmação que...
Ela decide...
Capítulo 29 - A gata e o roedor elétrico
- Nos queríamos atacar o Pikachu, pois eu estava para abater a minha presa, um ratata, quando sofri um ataque elétrico, sendo que eu estava atrás de uma moita. Por causa do ataque, a minha presa escapou, enquanto eu sofria danos pelo golpe, já que esse tipo de ataque é efetivo contra mim. Tomado pela ira, eu desejei me vingar dele e substituí-lo como refeição. Como ele tinha ataques efetivos contra nós, decidi usar a força do bando para abatê-lo. Veja, não temos nada contra o garoto.
Ela aproxima o seu focinho dele, observando-o atentamente, percebendo que a história dele era verdadeira, sendo que começava a sentir uma grande raiva do Pikachu, pois o Spearow acabou de comprovar a culpa do roedor elétrico. Foi ele que atiçou os Spearows e que acabou custando os ferimentos na criança, pois conhecendo o coração de Satoshi, ele era um herói por natureza e como herói, sendo que adorava os quadrinhos de super heróis, agiria como um e por isso, se arriscou tanto para tentar salvar um pokémon que o atacou duas vezes e que preferiu ignorar os avisos dele, para se embrenhar em uma floresta perigosa.
Conforme ela analisava, de fato, eles não tinham nada contra Satoshi. O alvo era e sempre foi o Pikachu. Satoshi foi um "efeito colateral". Mesmo sabendo disso, nada diminuía a sua ira para o Spearow rendido sobre as suas patas.
Percebendo que ela parecia ponderar as suas palavras, refletindo em sua proposta para barganhar por sua vida, ele fala:
- Portanto, veja que não tenho motivo para odiar o garoto. A mim ele não fez nada. Eu queria me vingar do Pikachu e abatê-lo, isso sim. O garoto foi apenas um efeito colateral do nosso ataque em bando. Inclusive, se ele largasse aquele roedor elétrico conosco, ele poderia sair da floresta sem qualquer consequência. Nenhum de nós iria atrás dele. Bastava parar de intervir em nossa caçada, impedindo que nós abatêssemos o Pikachu.
Ela olha novamente para ele, ponderando o que ele falou, percebendo que ele havia falado a verdade, pois era implícita em seu olhar a veracidade de suas palavras.
De fato, Satoshi poderia ter saído da floresta, sem ser perseguido, se deixasse a presa dos Spearows com eles. Ou seja, o Pikachu.
Porém, ele nunca faria algo assim por possuir um coração típico de um herói, ela concluiu amargamente, pois tinha receio que esse coração poderia lhe trazer muitos problemas e por isso, temia por ele. Quanto a Yukiko, ela sabia que a criança era uma heroína também, apesar dela ser mais uma anti-heroína, conforme explicaram uma vez a ela sobre os quadrinhos que eles compravam, explicando sobre vilões, heróis e anti-heróis.
Inclusive, no ditado popular dos humanos, um dos que ela aprendeu conforme convivia com eles, para fazer uma omelete, ela quebraria os ovos sem hesitar e a conhecendo, faria sem se arrepender, pois o heroísmo dela estava mais para o de uma anti-heroína por não se prender as regras que norteavam os heróis.
Portanto, isso não trazia tanta preocupação para a Persian, juntamente com as habilidades sobre-humanas dela.
Claro, se preocupava com ela, que não ficaria parada frente a uma injustiça. O problema era que Satoshi era um autêntico herói e não um anti-herói e a seu ver, ali residia o maior perigo. Muito maior do que seria com Yukiko, além do fato dela ter força, velocidade, resistência, olfato e audição sobre-humanos ao contrário do irmão.
Ela olha para ele, vendo o terror em seus olhos, para depois refletir, sendo que estes minutos são demasiadamente expectantes ao pokémon, que orava a Arceus para que ela aceitasse a sua barganha, até que ela fala:
- Você parece ser forte. Seria bom ele ter um pokémon forte. Qualquer outro Spearow não teria recuperado a consciência tão rapidamente como foi com você. Mas fique avisado de que se eu souber que o desobedeceu ou algo sim, vou esfola-lo vivo e acredite quando falo que não será uma pokéball que vai me impedir, pois basta quebrar a sua pokéball para você sair e eu poder destroça-lo!
Ela exclama rosnando irada, exibindo novamente as suas presas e um olhar maligno que fazia o sangue do pokémon gelar, com o mesmo falando desesperado:
- Eu prometo que vou obedecê-lo!
Então, ela fala:
- Você ficará comigo, até ele receber as suas pokéballs. Mas como preciso passar em um lugar agora, vou deixa-lo com os meus filhotes e companheiro, para impedirem a sua fuga de volta para a floresta.
Ela volta para perto da casa de Hanako e Hayashi, chamando os seus filhos e companheiro, falando:
- Bem, eu preciso ver outro desgraçado. Quero que fiquem o observando e sintam-se a vontade para atacarem ele, caso tente fugir. Conto com você, meu amor. – ela fala o final olhando para o seu companheiro meowth.
- Pode confiar em nós. Não vamos deixa-lo fugir. Certo, crianças? Vai ser tipo uma Operação policial, como nos filmes que vocês assistem na tevê. – o genitor deles fala sorrindo, sabendo o quanto isso iria empolgar os filhotes.
Os filhotes respondem que sim, animados, com o Spearow sendo preso por uma corda que Hakai encontrou, enquanto o olhavam atentamente, se preparando para ataca-lo ao menor movimento do mesmo para se libertar, sendo que o tipo Flying suspira, enquanto gerenciava as dores que sentia pelos golpes que sofreu nas mãos da persian, xingando a pokémon mentalmente, ficando aliviado por ela não poder ler pensamentos.
Então, a Persian se afasta dali, indo até o laboratório, conseguindo avistar o Pikachu que dormia, sendo que o doutor Yukinari estava terminando de administrar os medicamentos, inclusive aquele que preparou com ervas medicinais, já que saber criar medicamentos a partir de ervas era uma das exigências para ser um pesquisador pokémon.
Esgueirando-se com maestria, a Persian espera pacientemente o doutor sair da sala, para pegar o roedor elétrico e antes que a sua presa pudesse usar algum ataque, recebe uma patada violenta que o arremessa para fora, para depois ela lançar alguns ataques consecutivos que o arremessam alguns metros dali e após chegarem em um trecho que ficariam ocultos da vista dos outros, ela o atira contra uma árvore grossa, sendo que quando ele caí, a persian usa uma caudada certeira nele, o atirando contra uma pedra.
Desesperado, o Pikachu concentra os seus poderes, sendo que ele sentia que estava fraco demais para usar o Thunder Punch, decidindo usar o Thunder Shock na Persian que recebe o ataque, com ele ficando horrorizado ao ver que ela não sentiu quase que nenhum dano do seu ataque.
- Chama isso de ataque elétrico? Você acha mesmo que um pokémon inexperiente como você, pode derrotar alguém tão experiente quanto eu, sem ter um treinador com uma excelente estratégia para auxiliá-lo? Se enxergue, bastardo! Você é insignificante! Se bem, que mesmo com uma estratégia excelente, há uma diferença brutal entre nós. Portanto, as chances de você me derrotar como se encontra, atualmente, é praticamente nula.
Após exclamar irada, dá mais uma caudada nele, sendo que o roedor elétrico exibe uma face estarrecida em meio a dor que sentia em seu corpo, sendo que murmura:
- Os seres podem sofrer paralisia ao me tocarem...
- Eu tenho uma habilidade que faz com que eu não sofra paralisia. Legal, né? – ela pergunta com um sorriso que não chegava aos lábios, aterrorizando ainda mais o Pikachu.
Desfazendo o sorriso assustador, exibindo uma face imersa na mais pura fúria, ela o arremessa novamente com violência contra outra árvore, trincando levemente o tronco.
Um dos Ratata que estava na árvore, desceu irado por estarem perturbando o encontro romântico dele com outra Ratata, quando observa a Persian, passando a temê-la, sendo que sobe o mais rápido que consegue na árvore, falando para a fêmea correr.
Inicialmente ela nega, até que avista a Persian, acenando afirmativamente, com ambos saltando para o galho da árvore vizinha, fugindo dali o mais rápido que conseguiam com medo de virarem a próxima refeição da pokémon, enquanto sentiam pena do Pikachu.
Então, com o roedor elétrico debilitado, sentindo dores lacerantes em seu corpo, ela o retém embaixo de suas patas e fala cada palavra imersa na mais pura ira:
- O Satoshi-kun podia ter morrido em virtude dos ferimentos e para quê? Para salvar um pokémon ordinário e irresponsável que o atacou não somente uma vez, mas sim, duas vezes, enquanto teimava de entrar na floresta, por mais que essa criança implorasse para não fazer isso, o alertando que era uma floresta perigosa e de quebra, atiçar um bando de Spearows ao eletrocutar o líder deles, o ferindo, além de possibilitar com isso a fuga da presa dele? Se bobear, a sua culpa é maior do que a do Spearow. Por causa de seu ato inconsequentemente, o pobre do Satoshi-kun estava ferido daquela forma! O Spearow é culpado por ataca-lo, mas quem provocou o pior pokémon que podia provocar e que para piorar ainda mais a situação, ataca em bando? Você!
- Eu peço desculpas...
- Desculpas? Você se acha digno de ser perdoado?! Após o Satoshi-kun quase morrer defendendo um desgraçado como você?! Se eu não tivesse encontrado ele a tempo, o Satoshi-kun acabaria ainda mais ferido, isso senão morresse apenas para tentar defender um bastardo como você que o expôs ao perigo, gratuitamente, sendo avisado do perigo de entrar naquela floresta, mais de uma vez com ele, praticamente, implorando para que não se embrenhasse na mata!
- Mas eu não pedi para ele me salvar... – Pikachu murmura fracamente.
- Ele tem um coração nobre, gentil e amável. Ou seja, um coração de ouro e adora super heróis. Ele tem esse heroísmo dentro dele. Não importa se é pokémon ou humano, ele irá salvar esse ser, mesmo que signifique arriscar a sua vida. Ele nunca ficaria incólume vendo um ser correr risco de vida, sem tentar salvá-lo. Ele não é uma pessoa que observa uma injustiça e fica calado. Ele é esse tipo de humano, sendo que mesmo entre nós, pokémon, conseguimos observar aqueles que salvam humanos e pokémon, mesmo não tendo qualquer vínculo, pois querem salvar a vida dos outros. Você nunca foi digno de ser salvo por ele, pois ficou surdo aos avisos de perigo, cismando de entrar em uma floresta perigosa.
Usando as suas garras em conjunto com a pata, o acerta violentamente, o arremessando longe dali, fazendo se chocar contra uma árvore.
- O spearow líder fez um acordo em troca de sua vida. Ou seja, uma barganha. Claro que se ele não cumprir esse acordo, provavelmente irei ter um pássaro para devorar e quem sabe, não adicione um rato amarelo? Acredite, não será uma pokéball que vai me impedir e devido a sua fama de fujão, eles podem pensar que você fugiu. Sabe, pokémon podem desaparecer, "misteriosamente", por assim dizer.
Ela fala indo até ele com um sorriso maligno e as presas a mostra, sendo que salivava, caminhando lentamente em sua direção e como o Pikachu estava fraco, sentindo dores pungentes, tenta usar debilmente mais um Thunder shock contra a Persian que recebe o golpe sem se importar, demonstrando que sequer sentiu o ataque, fazendo o roedor elétrico ficar mais apavorado ainda, sendo plenamente ciente de que, como estava fraco, não conseguia usar totalmente o seu poder. Aliais, sequer conseguia se mexer em decorrência dos ferimentos e danos que sofreu.
Então, rosnando pelo atrevimento dele em tentar usar um golpe patético contra ela, sendo que por estar enfraquecido, não conseguiria dar a potência normal do golpe, ela o arremessa violentamente ao usar a cauda, estalando-a como um chicote, fazendo o corpo dele se chocar contra uma árvore, trincando a mesma, enquanto fazia ela se inclinar com o impacto, surgindo uma revoada de Pidgey´s que estavam nessa árvore e nas outras adjacentes a esta.
Afinal, ao verem a Persian, eles decidiram voar pelas suas vidas, temendo virarem refeição da pokémon.
Então, com o Pikachu caído no chão, incapaz de se mover pela dor lacerante que sentia, ela salta, o prendendo sobre as suas patas, exibindo as suas presas afiadas, com Pikachu tremendo aterrorizado conforme olhava as fileiras de caninos alvos e promitentes.
Quando elas se aproximam do seu rosto, ele fala em súplica, chorando desesperado:
- Eu prometo que vou obedecê-lo. Nunca vou trai-lo. Eu prometo! Poupe-me! Eu peço perdão pelo meu ato tê-lo machucado, indiretamente. Eu entrego a minha lealdade a ele. Eu o ajudarei em sua jornada!
Ela detém o avanço das mandíbulas e fala, fazendo questão dele ver os seus orbes que demonstravam o desejo implícito dela de destroça-lo:
- É bom mesmo. Se eu souber que o traiu, acredite, a sua pokéball não vai protegê-lo de mim, bastardo. Até posso não mata-lo, mas acredite que não mata-lo não será um ato de piedade e sim, o contrário em minhas patas, pois você estará implorando pela morte.
O Pikachu fica ainda mais aterrorizado, se era possível, tentando imaginar os tormentos que ela reservaria a ele, achando desnecessário.
Afinal, desde que presenciou o sacrifício de Satoshi para salvá-lo, mesmo após tudo o que ele fez, pois havia sido ele que desencadeou a fúria dos Spearows, decidiu que seguiria o garoto em sua jornada como o seu pokémon se ele pedisse por isso, por mais que odiasse ficar confinado em uma pokéball em decorrência do seu passado.
- Desde que ele me salvou, eu decidi que seria o pokémon dele se ele me pedisse. Eu já havia decidido segui-lo, após tudo o que ele fez por mim. Portanto, estou apenas reforçando uma decisão anterior que eu tomei.
Ela o observa atentamente, analisando as palavras dele e fala, o soltando:
- É bom mesmo... Se bem que servir é uma coisa. Ser leal é outra coisa. Se eu souber de qualquer ato de deslealdade, sendo que o Spearow foi avisado disso também, você vai se arrepender do dia em que nasceu. O que eu fiz com você agora, não será um décimo do que irei fazer contigo, se souber que o traiu, conscientemente.
- Eu entendi... – ele murmura aterrorizado.
Então, ela o pega pela cauda e o leva até a janela do laboratório, o colocando na espécie de maca, para depois se afastar dali, com Pikachu suspirando aliviado ao ver que ela se afastou.
O doutor entra e fica confuso ao ver que o Pikachu não havia melhorado e que parecia ter piorado com ele julgando tal pensamento um absurdo, já que o pokémon se encontrava em repouso, passando a examinar o Potion que administrou nele, julgando que talvez estivesse vencido e que também errou na concentração de algumas ervas medicinais que utilizou ao julgar que havia errado na dosagem de algum ingrediente, para depois perguntar ao ver que o rato elétrico olhava assustado para fora:
- O que houve, Pikachu?
Ele fica quieto, sendo que o doutor coloca a cabeça para fora, olhando em volta, para depois falar:
- Não se preocupe. Os Spearows da floresta não chegam até aqui e se você ver algum Spearow ou até Fearow voando do lado de fora, é porque foi capturado por algum treinador que os enviou para o meu laboratório. Logo, não representa perigo para você. De vez em quando, você vai ver alguns voando.
Então, ele cheira o medicamento e fala ao fazer uma careta:
- Vou preparar outro medicamente e pegarei outro Potion. Ele deve estar comprometido. Volto em alguns minutos e aí, você irá se recuperar. Eu garanto.
Então, ele sai, deixando um Pikachu reflexivo, sendo que em seu interior, concordava que a sua surra havia sido merecida, assim como as palavras contundentes da Persian para com ele, que ainda revibravam implacavelmente em sua mente.
Afinal, a criança podia ter morrido, sendo que o menino o alertou duas vezes, gritando desesperado para ele não entrar na mata. O medo era nítido na voz da criança e mesmo assim, preferiu ignorar e não obstante, o atacou duas vezes, o acertando na primeira vez.
Ele suspira, sendo que na sua mente vem uma cena de algo que aconteceu há muitos meses atrás e enquanto adormecia deitado na espécie de maca, a imagem de uma menina tomava a sua mente, o fazendo ser tragado por uma dor que julgou erroneamente que não o afligiria mais.
Com uma lágrima fugaz escorrendo de um de seus olhos fechados, ele adormece.
