Notas do Autor

Satoshi promete ao Pikachu que...

Hanako consegue coragem para...

Capítulo 31 - Conversa adiada

Algumas horas depois, Satoshi recebe alta, desde que prometesse ficar em repouso até o dia seguinte com ele prometendo ao doutor, sendo que antes de sair, agradece a Chansey pelo Heal Pulse e ao Petili pelo AromaTherapy, sendo que o pokémon havia sido chamado por um dos médicos para usar o Sleep Powder em um paciente.

Então, ele é levado até o laboratório do doutor Ookido pelos seus pais, pois o jovem estava preocupado com o Pikachu.

Conforme o carro de Hayashi e Hanako passava por uma das ruas, Yume havia visto o veículo passando em frente da casa, tomando a direção do laboratório do doutor Yukinari, com a pokémon acreditando que Satoshi iria pegar a sua pokédex e as pokéballs, tornando-se assim apto a capturar o Spearow.

Então, ela se dirige até o jardim onde ele se encontrava preso, o soltando, apenas para prendê-lo em suas mandíbulas, tomando em seguida o caminho para encontra-los.

Após Satoshi, Yukiko e Shigeru entrarem no laboratório, o doutor os conduz até o quarto onde se encontrava o Pikachu que dormia tranquilamente na cama, devidamente medicado, sendo evidente pelo fato dos ferimentos já estarem curados.

O pokémon acorda, conforme eles entravam no quarto e avista o menino que o salvou dos Spearows, ficando aliviado ao ver que ele já estava curado dos ferimentos.

Satoshi se aproxima e pergunta:

- O que acha de seguir viagem comigo quando melhorar? Eu desejo ser um Mestre Pokémon Ocidental no futuro.

- Pikapi! – Pikachu exclama animado.

Satoshi o pega, abraçando-o, com o Hakase Pokémon sorrindo, assim como os seus amigos.

Pikachu volta a ficar na cama e Satoshi pergunta:

- Você fugiu por que não gostava de ficar confinado, certo?

O pokémon fica surpreso pela pergunta e consente, embora tivesse outro motivo para fazer isso e que era o desejo de não servir a um humano, após o que aconteceu com ele.

- Entendo... Se você não gosta de ser confinado, não ficará confinado. Claro, terei que confinar você em alguns momentos, mas prometo que serão breves, tipo quando for equipar um item em você, usando a pokédex ou para recolher você de uma batalha e antes de batalhar, no caso, para o Líder de ginásio não saber que eu tenho você como pokémon ao separar os pokémons para me enfrentar. Isso se for necessário a sua ajuda na batalha. Então, o que me diz, aceita? Prometo que evitarei ao máximo confina-lo e que será o mais breve possível.

Pikachu fica surpreso, para depois sorrir, consentindo, tendo a absoluta certeza que aquele humano era diferente de qualquer um que conheceu, mexendo as orelhas e a cauda pela felicidade que sentia, ainda mais ao ser afagado pelo humano, curtindo o carinho.

- Está prometido. Confinamento em caso de necessidade e o mais breve possível. – ele fala estendendo o dedo mindinho.

Esse gesto faz o Pikachu ter uma recordação amarga com os seus olhos ficando por alguns segundos tristes, pois no passado prometeram algo a ele e não cumpriram.

Então, desfaz o olhar perdido e igualmente triste que olhava para um ponto qualquer a sua frente, forçando um sorriso, assim como animação, dando um dos dedos de suas patas, tentando entrelaçar a do menino que sorri, sendo que Satoshi havia notado o olhar perdido e igualmente triste, mesmo que por alguns segundos ao fazer o gesto de promessa com o dedo.

Em virtude de tal reação frente ao seu gesto, ele acreditava que havia algo no passado do seu novo amigo e que era muito triste. Conforme pensava nisso, tinha plena noção que o seu amigo nasceu Pichu e que a única forma de um Pichu evoluir para Pikachu era por felicidade.

Portanto, o Pikachu, com certeza, teve alguém que ele amou, sendo muito feliz com essa pessoa e que em um momento de necessidade, essa felicidade desencadeou a sua evolução para Pikachu, com ele decidindo perguntar em algum momento sobre o passado dele.

- Vamos para casa. Prometi ao médico que ficaria em repouso.

Quando ele ia se virar para sair com o Pikachu subindo em seu ombro, o doutor Ookido fala:

- Pegue a sua pokedex, as pokéballs e a pokéball do Pikachu. Ela acabou de voltar do conserto. O profissional que repara pokéballs é muito bom no que faz.

Satoshi prende a pokéball do Pikachu na sua cintura, sendo esta distinta das outras por ter um símbolo de relâmpago, junto das outras pokéballs vazias, totalizando seis pokéballs, guardando a extra em um bolso, com o doutor comentando:

- Este Pikachu nasceu com o golpe Thunder Punch.

- Incrível!

- Há alguns anos atrás, na reunião anual de fim de ano que fazemos, nós decidimos com a anuência da Liga Pokémon, de que todos os iniciais, não importando a região, iriam nascer com um movimento consideravelmente poderoso para ajudar na jornada dos jovens treinadores e tais golpes seriam escolhidos pelo doutor de cada região de acordo com o inicial, sendo em seguida encomendado aos criadores. Essa decisão foi tomada em virtude da Liga Pokémon ter aumentado a dificuldade na busca dos títulos. A Bulbassaur também nasceu com um golpe muito bom.

Enquanto isso, julgando erroneamente que os seus pais foram para casa, Satoshi e os outros não perceberam que Hanako adentrou no laboratório, acompanhada de Hayashi, após as crianças entrarem, tomando outro caminho, pois havia ligado algumas horas antes, para que o doutor separasse as suas pokéballs, sendo que alguns dos seus pokémons se encontravam fora dos dispositivos, uma vez que o doutor alternava os que ficariam fora das pokeballs, para permitir que todos tivessem uma oportunidade para "esticar" as asas ou as patas, por assim dizer ao correr, nadar, voar, cochilar em volta de um dos vários lagos que existiam ou descansar embaixo de uma frondosa árvore.

Inclusive, todas as árvores eram frutíferas, garantindo assim um suprimento de frutas e sombras, assim como havia várias berrys plantadas e em grande quantidade, além de ter uma mata dentro da área do laboratório. Havia também uma grande campina para aqueles que amavam correr, sendo possível ver os pokémon tipo Water relaxando dentro dos vários lagos que existiam na propriedade, enquanto que os tipos Flying voavam pelo céu, se divertindo. Isso sem contar uma área considerável que tinha terra e algumas pedras.

Portanto, havia espaço de sobra e ambientes diferenciados para os pokémons escolherem onde desejavam relaxar, aproveitando o dia que não estavam confinados.

Afinal, os diferentes ambientes na área davam ao pokémon a escolha de ambiente que eles desejavam ficar, de acordo com a sua afinidade. Os tipos Ground e Rock, por exemplo, apreciavam locais que tinham apenas terra e assim por diante. O pokémon escolhia o local que ele mais apreciava, tendo várias opções.

O doutor somente deixava alguns fora das pokéballs, constantemente, quando formavam casais, para que pudessem namorar a beira do lago ou em uma campina com flores, que era muito apreciado pelos tipos Grass.

Hanako estava junto do seu marido que dava forças e apoio a sua esposa naquele momento delicado.

Afinal, era uma conversa adiada por quase onze anos.

Ela entra em uma sala, pegando as suas pokéballs que se encontravam separadas, enquanto inspirava profundamente, para depois se dirigir para os fundos do laboratório.

Assim que ela se afasta da construção, um Charizard maior que o usual pousa na frente dela, pois tinha mais de doze anos de vida, um Jolteon surge detrás de uma árvore, um Pidgeot desce dos céus, pousando na frente dela, um Ônix sai do chão, uma Clefable aparece, sendo que um Gengar surge, de repente, na sua frente, olhando-a atentamente.

Inspirando profundamente, ela joga todas as suas pokéballs para o alto, exclamando:

- Saiam todos, por favor.

Os demais pokémon saem, sendo que a maioria olha com feições sérias para ela, enquanto que outros exibiam olhares cheios de censura, isso quando não tinha aqueles que mostravam dor no olhar pelo desaparecimento repentino e sem qualquer explicação.

Hanako inspira profundamente e fala, se curvando levemente para eles:

- Eu peço desculpas. Sei que não sou digna do perdão de vocês. Eu decidi largar tudo, deixando de ser treinadora e de auxiliar o doutor, passando a me dedicar a casa e depois aos meus filhos. Sei que devia ter me despedido de vocês. Sei que deveria ter explicado a vocês a minha ausência e não, simplesmente, desaparecer como se vocês não fossem importantes – ela chorava copiosamente, para depois erguer os olhos lacrimosos, olhando para cada um deles, falando com a voz embargada – Vocês sempre foram muito importantes para mim e por amá-los demais, não conseguiria me despedir apropriadamente. Foi uma decisão que me consumiu. Eu chorei e muito, conforme me afastava de vocês. Foi doloroso demais e a culpa por não ter me despedido adequadamente de vocês, me martirizou por anos, pois sempre tive o forte sentimento de culpa em meu peito. Eu imagino o quanto vocês sofreram quando eu desapareci, de repente, sem nem me despedir ou explicar o motivo de ter feito isso e que por anos, nunca tive coragem de vê-los por sentir vergonha do meu ato. Eu peço perdão, novamente, sabendo que não sou digna do perdão de vocês.

Ela fala o final se curvando, enquanto chorava, com o seu marido procurando confortar a sua esposa ao colocar a mão em um dos ombros dela, enquanto que os seus pokémon se entreolhavam, para depois, Hanako ver o focinho do Charizard, já que o mesmo baixou o pescoço para que ela o visse, notando em seus olhos as lágrimas e o sorriso em suas mandíbulas.

Surpresa, com a sua face umedecida, ela ergue lentamente a cabeça e vê que os pokémon dela choravam de felicidade, exibindo em seus olhos a emoção em revê-la, após tantos anos.

Ela é abraçada pelo Charizard, sendo que os outros pokémon correm para se juntar a ela, buscando abraça-la, com Hanako chorando copiosamente, procurando abraçar quem ela conseguisse, enquanto murmurava feliz:

- Obrigado por me perdoarem. A partir de agora, nunca mais ficaremos separados.

Enquanto isso, Hayashi sorria emocionado ao ver a cena, falando para a sua esposa:

- Eu disse que se falasse com o seu coração, eles iam ouvi-la.

- Sim.

Então, após alguns minutos, com todos se acalmando, ela fala sorrindo:

- Vou partir em uma jornada para participar na nova Liga Pokémon. O que acham? Será bom treinarmos com outros treinadores, além de conseguirmos as insígnias. Aceitam seguirem em uma jornada comigo?

Os pokémon ficam surpresos, para depois sorrirem, concordando, sendo que os que eram mais guerreiros, principalmente o Charizard, demonstrava toda a intensidade que sentia em suas chamas, enquanto que alguns outros, também exibiam um exacerbado entusiasmo ao ponto de sofrerem censura dos demais, pois se expressavam de forma demasiadamente intensa ao ponto de ser vexatório para estes pokémons que sentiam vergonha ao verem a atenção exagerada que eles atraiam dos outros pokémons que passavam pelo local.

Tinha aqueles que exibiam sorrisos comprazentes ao verem o entusiasmo da maioria, enquanto que alguns ficavam com gotas na cabeça, sorrindo sem graça, assim como havia outros que abanavam a cabeça, para depois suspirar por aqueles que não conseguiam controlar o seu entusiasmo exacerbado que chamava demasiada atenção para o grupo.

Um pouco distante dali, sem saber que a sua mãe foi uma treinadora no passado e não somente uma auxiliar do doutor Yukinari, Satoshi, com Pikachu em seu ombro, junto de Yukiko e Shigeru saem do laboratório, com o jovem Ookido perguntando se eles queriam assistir as batalhas pokémons na tevê na casa dele, com eles concordando.

Após alguns minutos, enquanto o trio se se aproximava do portão de entrada da casa de Shigeru, eles se viram, com Satoshi vendo um Spearow maior que o usual na boca de Yume, sendo arremessado no chão, gemendo de dor, para depois ser preso firmemente por uma das patas da Persian, com a mesma perguntando:

- O que acha de capturar esse Spearow, Satoshi-kun?