Notas do Autor
Satoshi decide...
Spearow percebe que...
Pikachu decide...
Capítulo 32 - A preocupação do Spearow
- Por mim, tudo bem. Por acaso, esse Spearow é daquele bando?
- Sim. Ele não é somente membro e sim, o Líder, sendo o mesmo Spearow eletrocutado pelo Pikachu.
Ela fala o final olhando com ira para o roedor elétrico que se encolhe atrás do garoto, tremendo, sendo que tal ato não passou despercebido pela criança, com Satoshi acreditando que Yume deu o mesmo tratamento ao Pikachu e seria lógico, considerando o quanto ela era maternal com eles.
Afinal, assim como era a concepção dos seus pais, era a concepção de Yume dos responsáveis pelos ferimentos dele. Spearow e Pikachu detinham a raiva de seus pais e de Yume.
- Vou captura-lo, Yume-san.
Satoshi fala, enquanto pegava uma pokéball vazia, sentindo pena do pokémon, pois era evidente o fato de que ele sentia muita dor e estava demasiadamente ferido, com ele desejando capturá-lo para poder tratar dele o mais rápido possível.
Afinal, apesar de tudo, não tinha nenhum rancor ou raiva para com os Spearows, pois foi o Pikachu que começou a confusão, assim como não detinha qualquer raiva do roedor elétrico.
- Percebi que ele não está lutando para tentar se libertar de sua pata. – Satoshi murmura, vendo o pokémon quieto, sem tentar oferecer qualquer resistência – Ou será que está tão ferido que não consegue lutar direito?
- Não acho que seja a segunda opção. É que ele fez um acordo comigo.
- Acordo? – Satoshi arqueia o cenho.
- Para não enfrentar mais a minha fúria, ele se prontificou a ser capturado por você, jurando que seria o seu pokémon e que iria obedecê-lo, incontestavelmente. Peço, que se ele ousar se comportar indevidamente, o envie para mim para termos uma "conversinha". O mesmo vale para esse Pikachu. – ela fala o final dando um sorriso que não chegava até os olhos para o roedor elétrico que sente o sangue gelar, começando a tremer de medo, desejando manter uma boa distância entre ele e a Persian.
Então, ela olha com um sorriso maligno para o Spearow que começa a suar frio, enquanto tremia pelo pavor que se apoderava dele, desejando assim como o Pikachu, manter uma boa distância dela.
Satoshi não achava que teria coragem de entregar o Spearow ou o Pikachu para a Yume, ainda mais com o sorriso que ela mostrou para os pokémons, pois foi o Pikachu que provocou a ira do Spearow, desencadeando o ataque em massa. O Spearow não atacou, simplesmente, por ter visto o Pikachu. Ele sofreu um Thunder Shock, além de ter perdido a presa inicial e a sua natureza agressiva o fez revidar, juntamente com o fato do Pikachu, ser um pokémon criado por humanos, com o adicional dos Pikachu´s serem presas de outros pokémons. Claro que o Pichu é que sofria a maior perseguição por ser mais fácil de ser abatido.
Portanto, a seu ver, seria um ato injusto jogar toda a culpa no Spearow ou no Pikachu, sendo que não tinha qualquer direito de condená-la pelos seus atos, embora não concordasse em seu íntimo.
Afinal, ela sempre cuidou deles e muitas vezes, agia como mãe. No mínimo, ela ficou furiosa ao ver os ferimentos que ele sofreu e isso desencadeou uma fúria similar a fúria de uma mãe, com aquele Spearow enfrentando essa fúria, sendo que acreditava pela reação do Pikachu, que ele não ficou incólume da raiva dela.
Portanto, como podia condenar a Yume que agiu como uma mãe agiria se visse o seu filho debilitado daquele jeito? Inclusive, acreditava que os pais dele teriam adorado colocar as mãos naquele Spearow e no Pikachu.
Ao ver do jovem, era mais seguro o Spearow ficar com ele e se fosse necessário, no Laboratório do doutor Yukinari, sendo que Satoshi sentia pena do pokémon e nunca conseguiria condenar um ao sofrimento.
Além disso, como ele seria o seu pokémon, ele tinha o dever moral, assim como de treinador, de cuidar dos seus pokémons.
Satoshi dobra os joelhos, esticando a pokéball para o Spearow que ao olhar o sorriso maligno da Persian, fica desesperado e entra na pokéball ao encostar a sua asa no dispositivo, sendo sugado em seguida, com a luz brilhando por alguns segundos, antes de apagar.
- Só preciso tratar dele, agora. – Satoshi fala – Ele está muito ferido.
- Em casa nós temos vários tipos de Potions. Basta retirar ele da pokéball e tratá-lo.
Satoshi consente e se despedindo de Yume, eles voltam a andar, com Pikachu ficando mal humorado por ter que dividir viagem com o Spearow, sendo justamente o mesmo que o atacou e que liderou o bando, preferindo ignorar o fato inconveniente a si mesmo, de que foi ele que começou a confusão com o bando dele.
Ao chegarem na casa de Shigeru, eles soltam os seus pokémons, sendo que após pegar um Potion, o jovem pega a pokéball e faz o Spearow sair, sendo que mesmo ferido, mal se aguentando em pé, olhava de forma irada e igualmente desafiadora para o garoto que suava frio, pois era um olhar que dizia claramente o quanto o odiava.
Após alguns segundos, o tipo Flying tomba para o lado, incapaz de ficar de pé, ficando mais irado ainda com a sua debilidade, assim como sentia fortes dores, sendo que somente não chorava por orgulho, apesar das dores lacerantes que ele sentia, até que ele fica inconsciente por causa da dor.
Gentilmente, Satoshi começa a trata-lo, com o pokémon abrindo os olhos lentamente, para depois se erguer, não sentindo mais dor ou cansaço, testando ao abrir as suas asas majestosamente, vendo que a criança havia olhado preocupado para ele, até exibir uma face de alívio, o surpreendendo, para depois ele virar o bico, enquanto fechava as asas.
Então, Satoshi fala:
- Pikachu me contou o que aconteceu. Ele estava assustado e viu a moita se mexendo violentamente. Ele acabou liberando um Thunder Shock em você, fazendo você levar dano pelo golpe, além de permitir a fuga do Ratata. Irado pelo ataque e desejando repor a presa, você resolveu revidar, além daquele local ser o seu território. Até aí, estava em seu direito ataca-lo. Você não decidiu atacar o Pikachu do nada. Mas o seu direito acabou no momento que, covardemente, você invocou o seu bando. Se você tinha problemas com o Pikachu, o enfrentasse pessoalmente. Você foi covarde ao chamar o seu bando para abater um pokémon inexperiente. Pikachu tem grande culpa no que aconteceu, pois não deveria ter fugido para a floresta, acabando por atacar você por acidente, que por sua vez é culpado por chamar o seu bando para atacar. Só um covarde faria isso.
Spearow ia se rebelar, quando Ash fala seriamente:
- Não condeno Yume pelo que fez a você, apesar de não concordar. Afinal, você ficou gravemente ferido e teve que negociar com ela. O motivo de não condená-la é porque ela agiu como qualquer mãe agiria frente a alguém que machuca o seu filho. Eu também tenho plena noção de que o alvo não era eu e sim, o Pikachu. Eu fui apenas um efeito colateral por defendê-lo, algo que nunca vou me arrepender e acredito que se deixasse o Pikachu para trás, vocês não iriam me perseguir mais. Claro que nunca faria algo assim. Analisando tudo isso, não sinto raiva ou ódio por você. Posso desaprovar o seu ato por ter usado o bando, mas tudo começou com o Pikachu fugindo, acabando por topar com você.
O Spearow fica surpreso e o garoto continua falando:
- Agora, você é o meu pokémon e quem sabe, no futuro, podemos ser amigos? – o pokémon vira o focinho com clara indignação de tal suposição – Saiba que não o odeio. Compreendo os seus motivos, embora não concorde com a sua decisão de usar o bando em vez de resolver a sua pendência pessoalmente. Não se preocupe que eu vou cuidar de você e não somente treiná-lo.
Yukiko fala, sendo que estava com os braços cruzados ao lado do seu irmão:
- Você tem sorte que foi o onii-chan que o capturou. Ele possuí um coração nobre, gentil e bom, além de justo. Qualquer outro treinador teria prazer em punir você. Ou por acaso, não passou isso na sua cabeça?
O Spearow fica estarrecido, pois de fato, não havia passado aquilo na cabeça dele, sendo que o normal seria o humano querer se vingar dele, ainda mais, após ficar ferido gravemente, aproveitando o fato de que estava subjugado a ele em decorrência da influência da pokéball. Seria a oportunidade perfeita para se vingar.
Satoshi e os outros ofertam ração aos seus pokémons, com ele colocando ração na frente do Spearow que sentia o seu estômago se rebelar com o cheiro delicioso da ração, já que estava faminto, passando a comer avidamente ao mergulhar o seu bico no pote de comida, praticamente engolindo sem mastigar, devido a fome intensa que sentia.
- Nossa... Você estava mesmo com fome. – Satoshi murmura com uma gota na cabeça, para depois falar preocupado – Coma mais devagar, vai acabar engasgando.
Por comer de forma ávida, praticamente engolindo a ração em decorrência da intensa fome que sentia, acabou engasgando, não conseguindo respirar, começando a ficar agoniado, enquanto se debatia desesperado, começando a arfar.
Satoshi fica preocupadíssimo, dando pancadinhas nas costas do pokémon para ajuda-lo a desengasgar, sendo que após ele conseguir respirar normalmente, o jovem pega o seu corpo de água que estava mais próximo e oferta ao pokémon que sorve todo o conteúdo do copo quando ele inclina o recipiente para ele poder beber, vendo o Spearow respirar aliviado, após sorver todo o conteúdo do mesmo.
- Você já está melhor? – o garoto pergunta preocupado.
O pokémon processa o que ele fez quando se engasgou e virando o bico, de mau grado, murmura em seu idioma um "obrigado", se recusando a chamá-lo de mestre.
Yukiko traduz o que ele disse e Satoshi fala sorrindo:
- Por nada. É melhor comer devagar e não se preocupe que tem mais comida de onde essa ração veio.
Pikachu havia acabado de comer um pouco de comida, quando fala friamente, sendo que o Squirtle e a Charmander, comiam animadamente as suas rações, junto de seus mestres, indiferentes ao clima tenso entre Pikachu e o Spearow:
- Você teve muita sorte. Uma sorte que não merecia. Qualquer outro humano, com certeza, faria o que ela disse. Já ele... Nosso mestre é um humano especial. Muito especial e distinto. Se bem, que se formos considerar o fato que eu tenho grande parte da culpa por ele ter se ferido, eu também tive sorte de tê-lo como mestre, assim como você. Devemos agradecer a Arceus-sama a sorte que nós tivemos. Eu acredito que muitos pokémon podem não ter tido a sorte que nós dois tivemos.
O Spearow podia sentir o gosto amargo como fel na sua boca a simples menção da palavra mestre, já que agora o garoto era o seu dono e que seria aquele que o treinaria, com o Spearow sentindo falta de voar livremente pelo céu.
Então, ele passa a pensar em sua companheira e nos filhotes de ambos que em breve iriam nascer, enquanto se lastimava por não poder estar presente, quando eles eclodissem dos ovos e ao pensar em sua companheira, torcia fervorosamente para que ela não resolvesse se vingar, embora soubesse que era mais fácil ela se vingar do que ficar incólume.
Afinal, a sua fêmea era tão pavio curto quanto ele, sendo algo comum aos Spearows e o seu bando, sem a liderança dele, deve ter buscado em sua companheira a liderança que precisavam, pois ela possuía um perfil de líder também, sendo que inclusive, já havia liderado eficazmente o bando em sua ausência, impondo ordem e organização, sendo prontamente atendida.
Portanto, ele fica aterrorizado com a ideia do bando ataca-los, pois havia grandes dela ser capturada e se ela fosse capturada, os filhotes de ambos não teriam ninguém para protegê-los.
Afinal, se nenhum dos pais estiver junto deles, os filhotes não irão sobreviver ao período mais critico de suas tenras vidas, após eclodirem dos ovos, sendo que as suas crias costumam ser presas de animais, assim como de ekans e outros pokémons que não perderiam tempo em atacar pokémons incapazes de se defenderem por serem presas fáceis, como os filhotes.
Então, ele súplica em pensamento, conforme olhava pela janela:
"Por favor, minha amada, fique com os nossos filhos. Não lidere o bando. Eu imploro."
Pikachu nota o olhar angustiado do Spearow ao olhar pela janela e mesmo detestando o pokémon, decide relevar, já que agora faziam parte do mesmo time, decidindo que seria melhor ele tomar a iniciativa de criarem um relacionamento amigável. Claro que o Spearow nunca seria o seu amigo. No máximo, seriam companheiros de equipe, já que ambos tinham o mesmo mestre.
Ele se aproxima do mesmo e pergunta, vendo pelo canto dos olhos que o mestre deles e os outros estavam sentados no sofá, na frente da tevê para assistir ao canal de batalhas Pokémon, que somente exibia batalhas pelo que ele compreendeu da explicação que deram:
- O que houve? Por que está com esse olhar?
