Notas do Autor

Yume decide...

Todos ficam...

Capítulo 34 - O passado de Yume

Após suspirar, Yume decide contar sobre o seu passado:

- No passado, eu tive uma jovem mestra que após conseguir a sua licença pokémon e de ter escolhido o seu inicial, partiu em uma jornada para conseguir pokémons para participar nos Contest´s. Ela sempre desejou participar deles, sendo que o seu sonho era ser uma Top Coordenadora. Eu fui dada de presente por sua avó para ajuda-la em sua jornada. Após vários meses, ela conseguiu um bom time e após treinar muito, adquiriu um Passe Contest e se inscreveu em seu primeiro Contest, conseguindo uma boa classificação, sendo este o seu primeiro passo para conseguir realizar o seu sonho. Ela participou de outros Contest´s e conforme adquiria a devida experiência começou a ganhar. Ela estava tão feliz – a Persian fala sorrindo com carinho, conforme mergulhava em suas lembranças - Aquele número com o Swift e o Thunderbolt era para ser usado em uma batalha. Após treinar arduamente, consegui realizar o golpe ao conseguir um controle preciso do Swift e estávamos animadas para mostrar isso aos jurados e ao público, sendo que havia outros golpes em treinamento com os demais pokémons. Porém, nunca pudermos mostrar o golpe que eu tanto treinei e nem os outros.

- O que aconteceu?

Hanako pergunta tristemente ao ver que a Persian ficou cabisbaixa com o seu sorriso terno sumindo para dar lugar a uma face pesarosa, enquanto olhava para um ponto qualquer com um olhar imerso em dor.

- Nós íamos nos apresentar em um Contest, sendo que este era próximo de uma montanha nevada e era muito importante, pois se ela vencesse, conseguiria a sua quinta Ribbon e assim, poderia participar do Grand Festival para conseguir a Ribbon Cup, para se tornar uma Top Coordenadora. Nós estávamos do lado de fora, olhando com admiração as esculturas de gelo, assim como os outros que também estavam fora das pokéballs para apreciarem as belas esculturas de gelo que adornavam o local. Estávamos tão felizes e empolgados... Então, tudo mudou, de repente.

- Não me diga que... – Hayashi murmura estarrecido, já imaginando o que ocorreu, pois tinha uma vaga ideia de uma notícia que ouviu há algum tempo atrás.

A sua esposa tinha a mesma reação, pois acreditava que já sabia o que aconteceu.

- Ouvimos um som ensurdecedor e as pessoas, assim como os pokémons começaram a correr. Uma parede massiva de neve desceu a montanha. Quando me virei para trás, a peguei pela roupa, a colocando em meu lombo e corri dali com os outros nos seguindo. Mesmo correndo não conseguirmos fugir e fomos engolfados pela neve. Com muito custo eu consegui manter a minha consciência, assim como os outros, até porque erámos pokémon e nós pokémons temos corpos resistentes. O problema era que um de nós tinha fraqueza ao gelo e este sofreu os maiores danos, sendo que nós precisávamos salvá-lo, também, enquanto que eu e alguns outros conseguimos encontrar a nossa mestra inconsciente e unindo forças, pudemos tirá-la debaixo da neve, mantendo a cabeça dela no alto, enquanto usávamos os nossos corpos como escudos com exceção do que estava muito debilitado pela neve que também era protegido, assim como ela. Nós sentíamos o choque de várias coisas e esses impactos nos enfraqueciam. Mesmo assim, não cedemos. Afinal, o corpo humano é frágil e nós precisávamos mantê-la a salvo.

As crianças e os outros pokémons estavam agoniados. O Spearow ouvia o relato, apesar de fingir que não estava interessado, compreendendo que ela era uma guerreira, também.

- Então, após o barulho ensurdecedor que parecia durar uma eternidade, restou o silêncio absoluto e igualmente aterrador. Um silêncio mortal que perdurou por algum tempo, para depois começar a ser cortado pelos gritos de angústia e de dor, muitos desses lacerantes, enquanto nevava. Havia apenas o desespero e o terror no ar. Nós víamos pokémons lutando para salvar os seus mestres soterrados na neve. Mesmo que estivéssemos fracos pelos danos dos impactos em nossos corpos, nós lutamos, unindo forças para tirar ela da neve, a levando até uma pedra escapada, deitando-a nela. Como a pedra era imensa e precisávamos aquecê-la, todos nós nos juntamos e mesmo o que estava debilitado pela neve se juntou a nós, se arrastando até onde estávamos. – ela fala com a voz embargada.

- Ela não tinha um tipo Fire? – Yukiko pergunta emotiva, sendo o mesmo para os outros.

- Sim. Ele concentrou os seus poderes e a estava aquecendo. Mesmo assim, ficamos preocupados, pois vimos ela golfar sangue, sendo que ela recobrava a consciência algumas vezes, para depois ficar inconsciente e seu corpo tremia. Estávamos desesperados, pois sentíamos um forte cheiro de sangue nela, apesar de não vermos muito sangue visível e podíamos ouvir o seu coração acelerado.

Os humanos estavam com o coração na mão e os pokémons estavam chocados. Mesmo o Spearow que odiava a Persian, ficou imaginando ter que lutar contra a neve e ao desespero. Claro que o que ela passou no passado não diminuía a sua raiva, mas o estava fazendo compreender toda a extensão de sua personalidade e seu forte instinto de proteção, acreditando que em breve teria a confirmação da sua hipótese.

- Após algum tempo, os gritos começaram a cessar um a um, com o silêncio sepulcral retornando gradativamente como uma mortalha gélida, sendo que todos nós começamos a cair inconscientes. Sentíamos dores pungentes pelos impactos dos objetos e pelo frio que drenava nossas forças. Um frio que gelava nossos ossos, pois por causa dos golpes consecutivos dos objetos, estávamos debilitados demais. Os segundos se tornaram minutos e os minutos, horas. Mesmo enfraquecidos, lutávamos para nos manter conscientes. Pude ver que mesmo o tipo Fire não conseguia manter as suas chamas, pois estava enfraquecido. Era visível a batalha que travava contra si mesmo para continuar gerando calor, apesar de estar debilitado, enquanto notávamos que mesmo com o calor gerado inicialmente por ele, a pele de nossa mestra continuava fria e ela transpirava. Um a um, caímos, até que eu caí. Não tinha mais forças e fui engolida pela escuridão, após lutar arduamente contra a mesma.

- O que aconteceu, kaa-chan? – um dos filhotes dela pergunta com lágrimas nos olhos.

- Eu acordei em uma maca e identifiquei como sendo um Centro Pokémon. A médica ficou radiante ao ver que eu recobrei a consciência. Eu me levantei e olhei para os lados, ficando agoniada ao não ver a minha mestra e nenhum dos meus amigos. Como se compreendesse o meu desespero, embora não entendesse o que eu falava, ela fez uma face pesarosa e saiu. Depois, entrou a avó da minha mestra que mostrou alívio ao ver que eu estava bem. Ela se aproximou de mim e mostrou um vídeo, falando que uma das câmeras havia sobrevivido a avalanche e estava ligada, filmando tudo. Inclusive, a gravação dela ajudou os investigadores a descobrir o que ocorreu nesse dia fatídico, há quase dez anos, atrás.

- Você fala do incidente no Monte Yajin? – Hayashi perguntou, estarrecido.

- Sim. Era esse o local em que estávamos.

- Fala daquele caso que um funcionário insatisfeito por ter sido demitido, provocou explosões em uma fábrica e essa por sua vez, acabou provocando uma avalanche mortal e igualmente destrutiva, sendo que naquele ano, infelizmente, teve uma precipitação de neve anormal? A avalanche destruiu algumas vilas e agora que você falou, acho que também pegou um local que tinha um Contest. – Hanako murmura chocada.

- Essa gravação também mostrou como eu consegui sobreviver, enquanto que os outros morreram inclusive a minha mestra. Em um dos momentos de consciência dela, ela conseguiu reunir forças para me recolher na pokéball e voltando a deixar a pokéball pequena, a colocou em um dos seus bolsos. Ela tentou fazer o mesmo com os outros, mas ela ficou inconsciente. Eu fui a única que conseguiu ser guardada. Conforme a explicação que me deram, foi graças a esse ato dela que eu sobrevivi. A avalanche causou tanta destruição e em uma área absurdamente extensa, que mesmo com uma força tarefa imensa e ajuda de centenas de treinadores, eles demoraram várias horas para conseguirem preencher o local do desastre. Inúmeros humanos e pokémons morreram, além de animais. Muitos pokémons morreram ao tentar salvar seus mestres, outros morreram, tentando aquecê-los e teve aqueles que morreram pela avalanche, principalmente os que eram fracos perante o tipo Ice e consequente, a neve. Eu fiquei desesperada e me culpei, passando a chorar copiosamente, sendo que fui abraçada e consolada pela senhora que também estava triste e como se soubesse que eu sentia culpa, ela fala que a sua neta não podia ser salva sem ajuda médica no momento certo e que, portanto, mesmo que nós tivéssemos conseguido aquecê-la, ela morreria, pois a autopsia revelou que ela teve danos internos graves, sendo acometida pelo que eles chamavam de hemorragia severa ou algo assim, pelo que eu compreendi da explicação que me deram, sendo que tem algo a ver com perda interna de sangue, provocada pela ruptura de alguns órgãos e vasos sanguíneos. Parece que antes que nós conseguíssemos protegê-la com os nossos corpos ao acha-la na avalanche, ela já havia sofrido graves danos pela violência do choque da avalanche contra o seu corpo. De fato, a neve estava forte demais. Foi uma batalha nos aproximamos dela. Mesmo que tivéssemos conseguido aquecê-la, ela teria morrido da mesma forma, pois a perda de sangue era severa demais. Ela não iria sobreviver. A gravação mostrou uma frase que ela falou fracamente, enquanto começava a tentar recolher todos "Que pelo menos, vocês sobrevivam". Pelo visto, ela sabia que ia morrer e queria salvar os seus pokémons. A médica acredita que o tipo Fire foi o último a falecer e o que tinha fraqueza a neve foi o primeiro a morrer.

Ela conta chorando, sendo confortada por seu companheiro com todos chorando, menos o Spearow, embora confessasse que era uma história demasiadamente triste.

Após a pokémon suspirar, ela fala tristemente:

- Inicialmente, eu soube que em meio a dor e procurando alguém para culpar, os pais da minha mestra me culparam, já que sobrevivi e mesmo após dias, somente a senhora foi me ver e inclusive, foi ela quem me levou para a sua casa, enquanto lidávamos com a dor da perda imensurável. Ela me levou até o túmulo de sua neta e ao túmulo dos outros pokémons, meus colegas. Somente eu sobrevivi e sobrevivi apenas para lidar com a dor da perda, enquanto me culpava por ter falhado com todos.

- Mas não há motivo para você se culpar. Você fez de tudo para salvá-la. O culpado é quem provocou a avalanche colossal e igualmente destrutiva que varreu um vale inteiro, ceifando inúmeras vidas, tanto de pokémons, quanto de humanos e de animais. – Hanako fala seriamente com as crianças e o marido concordando com ela, assim como Hakai e os filhotes, além de Kibaryuu.

- Eu sei. Mas era inevitável não se culpar, pelos menos nos primeiros dias. Após algumas semanas os pais dela vieram me ver e demonstraram que não me culpavam mais. Mas mesmo assim, não queriam ficar comigo, porque eu fazia eles se lembrarem da perda da filha deles, assim como do fato que ela somente estava naquele local por causa do Contest, sendo que eu era uma pokémon de Contest. Logo, eles não conseguiriam ficar comigo, pois já bastava gerenciar a dor da perda avassaladora para eles. A avô da minha mestra se prontificou a ficar comigo, pois eu lembrava a sua neta querida. Desde então, fiquei com ela por um ano e nunca mais quis ver qualquer Contest. Nem ela queria ver, sendo que ela gostava, antes, de assistir aos Contest´s, enquanto que nós duas sempre íamos visitar os túmulos. Após um ano, ela faleceu e assisti ao funeral e enterro dela, decidindo prestar as minhas últimas homenagens para gentil senhora que cuidou de mim. Após o enterro, fui chamada para dentro da pokéball pelo pai da minha falecida mestra. Quando saí da pokéball, vi vocês.

Hayashi fala tristemente:

- Não sabia disso. O pai dela foi esse colega que trabalhou comigo e que ao saber que eu era pai e que tinha duas crianças pequenas, disse que queria dar uma pokémon para mim, pois não achava certo deixa-la confinada. Ele nunca explicou direito o motivo. Apenas disse que eu era uma boa pessoa e que ela estaria em boas mãos, sendo que merecia uma nova vida e que seria comigo, falando também que ela era uma boa pokémon e que por isso, ele e a sua esposa, se sentiam mal em deixando-a confinada por vários meses consecutivos. Ele me pediu para manter o seu nome, Yume, pois foi o nome que a falecida filha dele deu a você e eu concordei. Nunca soube dessa história, pois ele nunca contou sobre o seu passado ou como a sua filha morreu. Talvez isso explicasse porque ele ficava tantas horas debruçadas no projeto e parecia não ter vida própria, assim como não se importava de ficar a madrugada inteira no laboratório. Ele decidiu se afogar no trabalho para lidar com a dor da perda e soube que a esposa dele fez o mesmo. Dificilmente, ele ia para casa. Quando ele deu a sua pokéball para mim, ele parecia genuinamente preocupado com você e mostrava que desejava de forma sincera que você tivesse uma nova vida e por isso, estava procurando alguém que fosse bom para entregar você. Quando ele falou isso no dia que entregou você para mim, eu compreendi o motivo dele ter ficado me observando tanto, inclusive as interações que eu tinha com Hanako e as crianças, assim como a forma que eu tratava os pokémons que as pessoas tinham e inclusive os que eram selvagens. Ele fazia isso, pois queria ter a absoluta certeza que estava entregando você para a pessoa certa.

Yume fica surpresa e fala, sendo que a sua face ainda estava úmida pelas lágrimas, embora sorrisse ao saber da preocupação do pai de sua falecida mestra pelo seu destino:

- Entendo... Pelo menos, eles não me culparam mais.

Eles não sabiam que o causador dessa avalanche deveria ter morrido no naufrágio de quase dez anos atrás e por causa da vinda de Yukiko, ele foi salvo, acabando por provocar essa catástrofe, sendo a mesma catástrofe que mudou a vida de Musashi (Jessie), levando-a a não entrar na Equipe Rocket, como foi na linha do tempo original.

Uma hora mais tarde, com todos na sala assistindo televisão, no caso, o canal de notícias local, eles recebem uma ligação e colocam no vídeo fone, passando a exibir a imagem da pessoa do outro lado da linha.