Notas do Autor
O Spearow luta arduamente contra...
Satoshi e os outros descobrem que...
Satoshi decide...
Capítulo 40 - A desolação do Spearow
Ele concentra o seu poder usando o Tri Attack, conseguindo atingir o roedor elétrico que sofre com o Burn, enquanto era atirado para os pés do seu treinador, sendo que o tipo Flying sofre os danos do ataque do Thunder Punch que o deixa paralisado como efeito colateral, fazendo ele se chocar, novamente, contra a árvore, lutando contra a inconsciência, sentindo dores intensas pelos golpes que levou. Somente o amor dele por sua companheira e crias o fazia ficar de pé e consciente, além de lutar contra a paralisia que o acometia naquele instante.
Irado, mesmo sentindo dor pelo Tri Attack e por sentir os efeitos do Burn queimando os seus pêlos, provocando novas dores, o Pikachu se levanta e concentra eletricidade em seu punho, sendo que quando a fêmea percebe o movimento do roedor elétrico é tarde demais. Ela é atingida em cheio, fazendo a trinca na árvore aumentar quando o seu corpo se choca contra o tronco, caindo inconsciente no chão, sentindo dores intensas.
O Spearow murmura, lutando para ficar de pé, batalhando com afinco para não ficar inconsciente:
- Meu amor...
Pikachu correu até o seu treinador, pegando uma pokéball vazia para depois jogá-la na Spearow fêmea que é sugada pelo dispositivo.
A luz vermelha da pokeball ascende com a fêmea tentando se libertar.
Porém, ela estava fraca demais e não consegue, com a luz apagando e o som de captura surgindo para desespero do Spearow que luta bravamente contra os danos, decidindo usar todas as suas forças para avançar na pokéball, concentrando o seu poder no bico, visando quebra-la para que a sua companheira pudesse fugir para ficar junto dos filhos de ambos, sendo que a maior parte dos Spearows havia sido capturada.
Ao contrário dos outros, Satoshi notou o desespero de seu Spearow e que ele havia defendido o que ele ia capturar com unhas e dentes, literalmente falando, acreditando que aquele Spearow era especial para ele, julgando que, provavelmente, aquela pokémon era a companheira dele que a Pidgeotto havia comentando e até tinha sentido tal hipótese, pois o tamanho dela não era usual, embora fosse um pouco menor que o Líder, além de possuir um golpe de nascença, ao mesmo tempo que demonstrava uma resistência acima de um Spearow comum ao ficar de pé, após receber um Bubble com Thunder Shock.
O Pikachu avança nele com o punho coberto de eletricidade, detendo o seu avanço para a pokéball, o acertando em cheio, fazendo a casca da árvore, trincar um pouco mais, enquanto o tipo Flying caía inconsciente ao ser finalizado.
Porém, antes que ficasse inconsciente, ele olha para a pokéball com a sua companheira confinada e lágrimas de dor vertem de seus orbes, assim como de desolação, se sentindo um péssimo pai e companheiro por não ter salvado a sua família. A sensação de incapacidade era sufocante ao mesmo e igualmente angustiante.
Afinal, com a sua companheira capturada, ele temia o que aconteceria aos filhotes de ambos, enquanto que duvidava, piamente, que ela fosse libertada para cuidar deles.
O Pikachu pega a pokéball e entrega para um Satoshi estarrecido, sendo que o roedor elétrico havia sentido um grande prazer em detonar os dois Spearows, além de ajudar na captura daquela que parecia especial ao Spearow como retaliação, inclusive, pelo ataque surpresa que eles vivenciaram, além do fato de estar sentindo dor pelo golpe que levou e pelo Burn.
Após tratar o Pikachu dando um Super Potion e um Burn Heal, Satoshi vai até o Spearow líder, sendo que havia guardado a pokéball que ele tentou defender em sua cintura. Ele acreditava que aquela era a companheira dele e que isso explicaria o quanto ele lutou para defender a tipo Flying da captura.
Enquanto isso, os outros recolherem as suas respectivas pokéballs, assim como as de Satoshi, percebendo que usaram muitas e que por causa disso, tinham dezenas de Speaows. Shigeru e Yukiko questionavam o que iriam fazer com tantos pokémons.
Ao se aproximar do seu Spearow, Satoshi observa estarrecido que ele havia despertado e era visível o desespero do pokémon para se erguer.
Porém, por mais que tentasse, não conseguia ficar de pé, embora lutasse com todas as suas forças contra as dores, fraqueza e paralisia, enquanto Satoshi ficava comovido ao ver o olhar de dor dele, principalmente ao olhar para a sua cintura.
Além disso, havia lágrimas em seus olhos. Era um olhar repleto de desolação e acreditava que a dor que ele demonstrava não era tanto em decorrência dos golpes que sofreu, assim como a paralisia que o acometia e sim, algo mais intenso e profundo. Era um olhar de pura desolação que tocava o seu coração, pois era uma dor palpável.
Ele administra um Super Potion e um Paralyze Heal com o mesmo se recuperando, vendo a cabeça dele caída, sendo visíveis as lágrimas de dor que brotavam de seus olhos. O olhar de profunda dor dele, assim como de desolação, além de derrota tocava a todos, com as Pidgeottos fêmeas olhando tristemente para o pokémon. O macho Pidgeotto olhava com pena. Já, o roedor elétrico não sentia qualquer pena dele, após se lembrar de tudo o que ele fez.
Yukiko, Shigeru e os pokémons se aproximam de Satoshi entregando as pokéballs dele que continham os Spearows, com ele agradecendo, para depois colocar todas que estavam em seu tamanho diminuto, em um compartimento separado na sua mochila, para depois, Satoshi se ajoelhar, perguntando, enquanto afagava de forma confortadora as costas do pokémon:
- Por que esse Spearow é tão importante para você? Notei que estava tentando defendê-lo – o jovem pergunta agora em tom de confirmação - Por acaso, era a sua companheira? E quando você disse a ela, naquele momento, conforme tradução da minha imouto "O problema é que eles não vão sobreviver sem ter ao menos um de nós", você estava se referindo a filhotes? Vocês têm filhos?
Satoshi olhava preocupado para o Spearow que fica sem saber o que fazer olhando deprimido para a pokéball de sua companheira, enquanto imaginava os seus filhotes nascendo sem ninguém para cuidar deles, sentindo o seu coração se restringir ao imaginar os seus filhos, sozinhos no mundo, passando fome ou sendo devorados. Era um pensamento demasiadamente desolador e igualmente aterrorizante.
Afinal, a maior parte do bando havia sido capturado. Além da fome, havia grandes chances deles virarem comida de outros pokémons ou animais.
Naquele instante, em meio à dor e culpa que fustigavam o seu coração ao sentir que falhou como companheiro e pai, percebeu que a única chance que tinha era com o garoto que o capturou, decidindo acreditar no que o Pikachu disse dele ser distinto, se lembrando dos atos do garoto para com ele desde que o capturou. Não havia mais alternativa para o tipo Flying, pois as que ele tinha se esgotaram, frente ao resultado desastroso do ataque do bando.
Afinal, com a sua companheira capturada e a maior parte do bando capturado, as suas alternativas haviam se esgotado e os seus esforços para aprender a sair da pokéball se mostraram infrutíferos, pois havia se esquecido do fato de haver um pokémon elétrico, cujos golpes eram efetivos contra ele, embora tenha tentando resistir ao máximo, lutando até o fim para tentar salvá-la. Mesmo assim, a culpa fustigava o seu coração. Ele se sentia um inepto e um fracasso total como pai e companheiro.
Após tomar a única decisão que restou a ele, o Spearow suspira e fala:
- Sim. Você acertou. Ela é a minha companheira e temos filhotes. Alguns ovos em um ninho. Acredito que estão para eclodir. Eles vão morrer pela fome ou pelas presas de algum pokémon ou animal, já que são incapazes de se defenderem por si mesmos. Eu queria evitar a captura dela e por isso, tentei salvá-la. Eu implorei para ela fugir, mas ela é muito teimosa, reticente e geniosa, embora que ela estava estarrecida com os acontecimentos e por isso, não fugiu. Eu orei tanto a Arceus-sama para que ela não liderasse o bando. Ela os liderou, apenas porque queria me libertar, para que os nossos filhotes me conhecessem, já que o pai dela foi capturado por um humano quando ela era filhote, deixando ela, seus irmãos e mãe, sozinhas. Ela não queria o mesmo para as nossas crias. O meu pior pesadelo se tornou realidade. Vocês não tem noção do quanto eu orei para que ela não lidasse o bando. No final, as minhas preces não foram ouvidas e o pior aconteceu. A minha amada foi capturada e os nossos filhos vão ficar expostos aos perigos sem ninguém para protegê-los. Também quero falar uma coisa. Ela não ia usar o Quick Attack em você e sim, ia usar a velocidade do golpe para arrebatar a minha pokéball da sua cintura. O ataque não ia atingi-lo. Ela nunca matou um humano e não ia começar agora.
Satoshi fica comovido pela fala angustiante do Spearow, além de ficar aliviado ao saber que o Quick Attack não era para atingi-lo, perguntando em tom de confirmação:
- Então, foi por isso que você mentiu para o Pikachu quando ele perguntou o que era aquele olhar e você disse que era por sentir saudades de voar livre pelo céu.
- Sim. Eles são ovos, ainda. Eu acho. Eu temi que houvesse retaliação contra a minha família. Capturado ou não, eu sou pai e devo zelar pela minha família. Eu amo a minha companheira e amo os meus filhotes que ainda não nasceram – ele percebe o olhar sentido de seu treinador e fala – Nem tanto por você, mas por aquela Persian. Ela mostrou ter poder suficiente para lidar com o bando todo.
- Eu não acho que a Yume-san faria algo contra os seus filhos e a sua companheira. Entendo o seu receio para com ela, ou melhor, medo, ao imaginar o que ela fez com você. Mas não acho que ela iria envolver inocentes. Além disso, ela é mãe também e provavelmente, iria compreender a sua conduta.
O Spearow suspira e fala:
- Eu não sei o que pensar dela. Mesmo que fale isso, eu...
Satoshi sorri e fala:
- Sabe, você é um pai e companheiro incrível. Chegou a dominar a forma de sair da pokéball por amor a sua família e esteve disposto a enfrentar o Pikachu e os outros para salvá-la, além de ocultar sobre a existência deles, temendo uma retaliação e mesmo caído, lutou para se erguer, sendo preciso nada menos do que três Thunder Punch para neutralizá-lo. Somente um amor profundo e um desejo igualmente intenso de salvar a sua família o faria aguentar três Thunder Punch, sendo que o Pikachu está usando o item Lightball. De fato, o amor é um sentimento muito poderoso.
O Spearow olha surpreso para ele e pergunta visivelmente desconcertado pela compreensão de seu treinador, pois o normal seria sentir raiva pelos atos dele:
- Não está com raiva por eu ter ocultado a existência da minha família e a capacidade da minha companheira de liderar o bando?
Satoshi nega com a cabeça e fala sorrindo:
- Não posso condená-lo e nem sentir raiva de você. Afinal, você fez tudo isso por amor. Você é apenas um pai tentando salvar a sua família, chegando a extremos para salvá-los de serem capturados ou de sofrerem alguma retaliação, a seu ver. Como posso condenar uma atitude como a sua? Eu não possuo qualquer direito. Sabe, você é distinto de muitos humanos por aí. Têm humanos que não estão nem aí para os seus filhos e família. Já você, chegaria a qualquer extremo por eles, pois os ama. Inclusive, você dá um "tapa na cara com luva de pelica", por assim dizer, em muitos pais humanos por aí, que não se importam com a sua família. Portanto, não sinto nenhuma raiva por você ter feito tudo isso. Inclusive, eu fico orgulhoso de ter um pokémon como você, disposto a fazer qualquer coisa por amor. Por sua família, você é capaz de encarar qualquer coisa. Apenas sinto orgulho e sou grato por conhecer um pokémon como você.
Satoshi sorri, enquanto falava, fazendo o Spearow ficar boquiaberto com a opinião e conduta do seu treinador, assim como pelo fato dele sentir orgulho dele, o deixando estarrecido, pois era algo praticamente surreal, considerando as consequências do ato dele para qualquer outro humano.
Ele olha para os outros humanos que sorriam e que concordavam com Satoshi. As Pidgeottos choravam comovidas, enquanto que o Pidgeotto macho que era o pokémon do Shigeru revirava os olhos, murmurando: "Fêmeas se emocionam por tão pouco".
Pikachu esfregava as patas umas na outras, pois havia se sentido mal com os seus atos.
Afinal, o Spearow estava apenas defendendo a sua família, não se importando com as consequências do seu ato. Era um pai desesperado para salvar aqueles que ele amava, sendo algo distinto e igualmente íntegro. Ele testemunhou o quanto ele lutou para salvá-los, inclusive tentando se erguer, mesmo após levar um golpe efetivo duas vezes, sendo que antes, havia levado outro golpe, também efetivo.
Satoshi suspira e fala chateado:
- Imagino que você deve saber que eu não posso soltá-la. A sua companheira revelou tanta capacidade de liderança quanto você. Além disso, a fama da sua raça de guardar mágoa, mesmo após anos, não ajuda muito. Me leve até o ninho, por favor.
O Spearow fica hesitante, sendo que ele já sabia que o garoto não iria libertar a companheira dele e por isso, não estava surpreso.
Afinal, a fama deles era notória e seria o esperado ter essa cautela nos humanos.
Naquele instante, surgiu um intenso conflito interno no Spearow pai, pois mostrar o ninho significaria a captura de seus filhos, algo que ele detestaria ao mesmo tempo em que sabia que eles não teriam qualquer chance de sobrevivência ficando sozinhos. Ambos os pensamentos se digladiavam ferozmente dentro dele, pois temia que fossem separados, talvez para serem trocados ou algo assim, já que ficariam a mercê do humano e muitos pokémons selvagens já ouviram treinadores conversando entre si, enquanto caminhavam na mata, combinando trocas por outros pokémons. Ele temia ser separado de sua família ou que um dos seus entes queridos fosse enviado a outro humano via troca. Porém, era um fato imutável de que as suas crias iriam morrer por não terem, ao menos, um dos pais cuidando deles.
Satoshi sorri de forma gentil e fala, vendo a hesitação do tipo Flying, sendo possível notar o confronto interno intenso que se apossava do pokémon, acreditando saber que a causa do conflito devia ser o receio dele ser separado ou da sua família ser fragmentada em trocas, algo que ele nunca faria, ainda mais sabendo que eram uma família:
- A única forma de eu deixar vocês juntos é capturando eles. Prometo que deixarei vocês unidos para sempre, vivendo no laboratório do doutor Yukinari. Acho que os filhos devem crescer com ambos os pais. Assim, vocês vão ficar juntos para sempre. Vou pedir para que ele deixe vocês dois fora das pokéballs para poderem tratar dos filhotes. Eu apenas vou pedir para você batalhar em alguns momentos, sendo que vou treiná-lo, antes. Mas o treino e posteriores batalhas serão por alguns momentos e quando os seus filhotes forem grandes, pois quero que esteja presente durante o desenvolvimento deles. Infelizmente, só vou poder enviá-los ao doutor Yukinari quando chegarmos à próxima cidade. Até poder enviá-los, vocês somente vão poder cuidar deles quando pararmos para acampar. O motivo disso é que enquanto buscamos pokemons selvagens, pode acontecer algo e não quero que eles se machuquem. A pokéball é o lugar mais seguro para os filhotes e somente será seguro tirar eles, quando nós estivermos parados, acampando, por exemplo, pois eles vão ser pokémons domésticos e pokémons selvagens tendem a atacar pokémons criados por humanos. Além disso, pense no fato de que vocês iriam correr perigo, caso continuassem selvagens, pois você podia ser capturado e depois, outro treinador poderia acabar capturando a sua companheira quando ela fosse buscar comida para os seus filhotes, acabando por eles ficarem expostos aos perigos. Comigo, vocês estarão seguros e sempre unidos. Eu nunca irei separar uma família. O que acha? Temos um acordo?
Não muito longe dali, no ninho dos filhotes do Spearow líder e companheira dele, dois Spearows haviam sido destacados para cuidarem dos ovos, sendo que eles conversavam entre si mal humorados, bufando, com os ovos próximos deles, sendo que até aquele momento, não perceberam a aproximação furtiva de um pokémon extremamente faminto há alguns metros deles e que avançava lentamente e furtivamente em direção a eles, tendo sido guiado pelo cheiro aprazível dos ovos, ao ver dele.
