Notas do Autor

O Spearow decide…

Satoshi consegue…

A mãe Spearow fica…

Capítulo 41 - O desespero de uma mãe

De volta ao local onde Satoshi e os outros se encontravam, o tipo Flying fica estarrecido com a mão estendida do humano, para depois notar a sinceridade nos olhos do garoto, compreendo que a promessa era sincera e que ele ia honrá-la, sendo que se recordava do tratamento dispensado a ele, desde que o capturou, se preocupando com ele.

Portanto, deixando a hesitação para escanteio, sabendo que aquela era a única "tábua de salvação" que ele tinha, por assim dizer, passando a acreditar na promessa do humano ao ver a sinceridade nos olhos dele, estende uma de suas asas, selando o acordo, ficando estarrecido pela promessa e conduta dele, pensando consigo mesmo que de fato, ele e a sua família foram sortudos em encontrar aquele humano se eram para serem capturados, acreditando que não teriam a mesma sorte nas mãos de outro humano. De fato, o jovem a sua frente era demasiadamente distinto dos outros.

Afinal, dificilmente um treinador teria tanta compreensão pelos seus atos que podiam ser vistos por muitos como uma traição e que, provavelmente, sofreria punição ou retaliação.

Inclusive, não havia somente a compreensão do seu treinador para o seu silêncio sobre a existência de sua família e de seus atos para salvar a sua companheira, chegando a se voltar contra a equipe. Havia também o orgulho nos olhos do treinador com o adicional de uma promessa feita para um pokémon capturado e que pelo olhar do jovem, a promessa seria cumprida, não parecendo ser um engodo para enganá-lo. A sinceridade era visível e estava estampada em seu olhar. O humano era peculiar e igualmente distinto, sendo estes, fatos incontestáveis.

Não muito longe dali, um dos Spearows, responsáveis pela proteção dos ovos, pergunta indignado para o que estava ao seu lado:

- Por acaso, nos somos fêmeas para pajear ovos?

- Foram as ordens da companheira do nosso chefe. Ordens são ordens, por mais que eu concorde com você.

- Bem que eles poderiam ter tido esses filhotes mais cedo. Assim, não precisaríamos ser babás! Isso é trabalho para fêmeas!

- Você sabe que todas as outras fêmeas estão com ovos ou crias, junto dos seus companheiros. A nossa Líder Substituta queria no ataque, apenas os Spearows que não seriam pais ou mães. Os demais deveriam ficar com os seus respectivos companheiros e crias, ovos ou não. Nós somos solteiros e somos os melhores. Ela queria dar a melhor proteção aos seus ovos. Por isso, estamos aqui. Ademais, ela não podia destacar os que não participariam da ofensiva, pois eles tinham as suas respectivas famílias para zelar.

- Eu sei disso! É que eu queria tanto lutar juntos dos outros! Ter alguma ação! Além disso, é algo estranho um macho cuidar de ovos. Normalmente, isso é tarefa das fêmeas. – ele fala bufando, indignado – Ainda bem que não precisamos chocar os ovos, já que eles estão para eclodir. Seria o cúmulo do absurdo um de nós sentar no ninho para aquecê-los.

- Quanto a um macho ficar chocando ovos em um ninho, o nosso Líder fez isso, quando a sua companheira quis caçar algo, pois estava há várias semanas no ninho, sem fazer nada. Ele entrou no ninho, ajeitou os ovos com o bico e ficou aquecendo eles. Você se lembra? E não foi somente uma vez que ele se prontificou a fazer isso, para que ela "esticasse um pouco" as suas asas, por assim dizer.

- Nem me fale! Não quero me lembrar desse evento! Isso foi ridículo! Um macho chocando ovos?! Isso é o fim! Ele não soube o quanto isso foi ridículo e vexatório, ainda mais para um Líder?

- Ele não se importou, quando foi questionado sobre o seu ato. Você sabe que apesar daquela face intimidadora e postura agressiva, o nosso líder, no fundo, é um romântico incorrigível. Ele a cortejou bastante antes de decidirem acasalar e ter filhotes. Se contássemos para os outros que não conhecem esse lado dele, iriam ficar descrentes. Um tipo durão como ele se preocupando com flores e outras coisas tidas como melosas? Seria no mínimo surreal. Além disso, ele demonstrava superproteção e zelo com os ovos.

- Isso é um despautério! Ele é um Líder. Tem que ser imponente e impor respeito pelo medo. Isso de ser romântico é no mínimo um absurdo!

- Os que tentaram tomar a liderança dele, julgando que ele era fraco ao vê-lo fazer coisas românticas, tiveram o desprazer de perderem a sua vida. Sabe, tirando isso, ele é bem implacável e não aceita questionamentos.

- Pelo menos isso! Já que de resto... – ele fala o final em um alento.

Eles estavam tão entretidos conversando que não notaram um Ekans próximo de onde eles estavam e que rastejava de forma furtiva dentre os arbustos no chão, sendo que o tipo Poison estava demasiadamente faminto, tendo sido guiado até o local graças ao cheiro de ovos, sua comida favorita.

Afinal, por estar demasiadamente faminto, as suas forças haviam caído vertiginosamente e consequentemente, ele não tinha a mesma mobilidade de antes, acabando por perder várias presas. A cada caçada perdida, a sua situação se agravava ainda mais, obrigando-o a se deslocar do seu lugar de origem em busca de alimento.

Ao ver os Spearows tão convenientemente distraídos, ele sorri, imaginado a refeição que teria, sendo que podia sentir o cheiro de ovos e pensa consigo mesmo:

"Carne e ovos... O cheiro desses ovos é tão tentador. Eles são a minha sobremesa favorita. Hoje será um dia excelente."

Afinal, os Spearows podiam se juntar para abater um ekans que podia ser visto como presa deles. Mas naquele momento, ele era o predador e eles a presa, já que serpentes e cobras comiam os pássaros. Os Spearows só o atacavam e se alimentavam de sua espécie, pois eles seriam o equivalente as aves de rapina.

Porém, naquele momento, o Ekans não era a presa e sim, o predador e os Spearows não eram predadores e sim, as suas presas com o pokémon tipo Poison se aproximando lentamente, decidindo ser paciente para não ter perder a oportunidade perfeita de dar o bote, pois estava tão fraco, que não acreditava que teria forças para uma batalha contra dois Spearows, sabendo que se falhasse, acabaria virando refeição deles. O seu ataque precisava ser rápido e silencioso, sem dar qualquer chance de defesa ou reação. Havia somente uma oportunidade e ele iria aproveitá-la.

Até porque, sentia que as suas forças estavam em seu limiar. Se falhasse no seu ataque, estaria vulnerável ao ataque dos Spearows, acreditando que não teria forças para batalhar contra eles e muito menos, fugir adequadamente. Aquele era o momento decisivo e o sucesso ou falha, significaria a sua vida ou a morte, sendo esta nas mãos daqueles que pretendia se alimentar.

Enquanto se aproximava, pensava consigo mesmo:

"Quem diria? Um dia do predador, um dia da presa"

Então, antes que os Spearows percebessem o ataque, eles são acertados pela cauda dele e não obstante, ele usa Poison Sting contra eles.

Desnorteados pelo ataque surpresa, um deles sofre o Warp ao ter o corpo envolvido e espremido pelo corpo robusto do Ekans que usa Bite no outro Spearow que tentou debilmente se levantar, fazendo-o se chocar contra um galho, caindo inconsciente no chão, exibindo várias penas amassadas e danos pelo golpe.

O que estava preso lutava desesperadamente para se libertar, enquanto lidava com a pressão que esmagava o seu corpo com ele sentindo muita dor, não somente por estar sendo esmagado e sim, também, pelo veneno em seu corpo. Era possível ouvir o som esporádico de ossos sendo quebrados com o Spearow gritando abafado, em agonia, pois como estava fraco pelos danos, o seu corpo perdeu muita resistência e o deixou vulnerável a maiores danos.

O Ekans se volta para a sua presa e o expõe ao Glare, fazendo surgir dois olhos vermelhos que se propagam na frente dele, causando paralisia instantânea no Spearow desesperado que chorava copiosamente, não conseguindo emitir mais nenhum som.

Então, tudo o que esse pokémon vê é as mandíbulas do tipo Poison se alargando, avançando nele que se debatia, enquanto era envolvido pelas mandíbulas escancaradas, passando a dar os últimos espasmos, sendo engolido rapidamente em decorrência da forte fome que tomava o pokémon que lembrava uma cobra, o deglutindo com apenas uma bocada, para depois se voltar para o próximo que havia acabado de recobrar a consciência, ficando de pé, exibindo desespero em seus olhos, enquanto tentava fugir dali.

Ao levantar voo, o Ekans o atinge com a cauda ao sentir que estava recuperando as forças, conforme digeria o primeiro Spearow.

O tipo Flying se choca contra a árvore e mesmo com dor, frente ao desespero de virar refeição, tenta fugir, com o tipo Poison usando Glare, novamente, paralisando a sua presa que lutava para voar, para depois o mesmo sofrer o Warp do Ekans que começava a esmaga-lo com mais força do que foi com o outro, já que as suas forças estavam voltando gradativamente e como o Spearow havia sofrido muitos danos, a sua resistência caiu, o deixando vulnerável.

O pokémon luta desesperadamente para se libertar, apesar da paralisia tomar os seus músculos, recebendo em seguida, um novo Poison Sting do Ekans que o envenena, enquanto o comprimia fortemente, sendo possível ouvir o som dos ossos sendo quebrados, com o mesmo sentindo uma dor ainda mais lacerante, lutando contra a inconsciência, pois queria lutar até o fim, ficando agoniado ao ver as mandíbulas escancaradas, o engolindo.

Se ele estivesse em um estado melhor, os seus ossos não teriam sido quebrados pelo Warp do Ekans.

Conforme era engolido pelo tipo Poison, apesar de lutar até o fim, se debatendo contra as mandíbulas dele, os seus movimentos cessam, com o seu corpo dando os últimos espasmos.

Após engolir os dois Spearows, ele se sentia saciado e lambe os beiços com a língua, se sentindo cheio.

Porém, o cheiro dos ovos era tentador demais para ele ignorar e habilmente, escala a arvore com o seu corpo robusto e musculoso, lambendo os beiços ao ver os ovos desprotegidos, se sentindo sortudo por ter encontrado uma sobremesa que adorava, pensando consigo mesmo:

"Creio que ainda tenho um lugar para acomodar os ovos dentro de mim. Afinal, eu não posso desperdiçar a sobremesa que tanto aprecio."

O Spearow havia acabado de chegar ao local com o seu treinador, amigos do seu mestre e pokémons, sendo que todos ficam apavorados ao verem o Ekans selvagem escancarando as mandíbulas, avançando em direção aos ovos.

- Use Quick Attack! – Satoshi exclama rapidamente, sendo que não precisava falar o nome do pokémon, pois somente um dos que estavam fora da pokéball, tinha esse movimento.

A Pidgeotto avança velozmente, sendo um ataque praticamente invisível em virtude da velocidade extrema, atingindo o tipo Poison, o atirando violentamente contra o chão.

O pokémon se levanta, exclamando entre silvos furiosos:

- Bastarda!

Então, irado, avança na Pidgeotto com as suas mandíbulas abertas, com a mesma desviando ao voar para o alto com Satoshi exclamando:

- Use Steel Wing!

Concentrando os seus poderes, as suas asas se tornam metálicas e ela atinge o Ekans com as asas, o arremessando contra uma rocha, trincando-a, afastando ele da árvore com o ninho, com o mesmo se refazendo, demonstrando uma ira imensa, com todos notando que no corpo dele havia dois contornos quase que imperceptíveis, os fazendo compreender que ele havia acabado de se alimentar.

Satoshi exclama:

- Use Quick Attack!

O Ekans concentrava os seus poderes e se prepara para usar Glare.

Porém, já tendo concentrado o seu poder, brilhando, Pidgeotto avança velozmente, interrompendo o Glare, com o mesmo não conseguindo executar por completo, sendo arremessado violentamente contra outra árvore.

Enquanto isso, após se certificar de que os ovos estavam bem, o Spearow pai, irado, avança velozmente contra o Ekans, usando um dos seus golpes de nascença, o Tri Attack, concentrando o poder em seu bico, enquanto a cobra pokémon tinha a atenção voltada para a Pidgeotto, não vendo o outro tipo Flying que avançava contra ele.

Tudo o que eles vem é o pokémon ser atingido por três ataques consecutivos, acabando por exibir algumas chamas que feriam o seu corpo, com eles compreendendo que ele sofria com o Burn, sendo que Pidgeotto apenas observava surpresa o ataque, olhando para o seu treinador, vendo que o mesmo dava de ombros e exibia um olhar que dizia claramente "Deixe-o. Ele precisa disso, após os seus filhotes quase terem sido devorados."

A pokémon consente e volta a ficar ao lado do seu treinador, observando a fúria do Spearow pai contra o Ekans, com Satoshi acreditando que seria melhor deixa-lo extravasar a sua ira, um pouco, já que ele não podia permitir que o tipo Flying matasse o seu oponente.

O Spearow ataca novamente, não dando tempo de seu oponente reagir, sendo que ele concentra o seu poder nas asas e usa Steel Wing, atingindo novamente o pokémon que é atirado contra uma pedra, a quebrando, enquanto que todos notaram que a defesa do pokémon que lembrava uma cobra, havia caído em decorrência do efeito secundário do golpe ao verem uma espécie de brilho leve e rápido no sentido decrescente, indicando a queda de algum dos status do mesmo.

Todos notam que ele avançava para um terceiro ataque, concentrando o seu poder no bico, usando o Tri Attack, conseguindo atingir novamente o tipo Poison, o arremessando violentamente contra uma pedra com o mesmo inconsciente em virtude da dor extrema dos golpes e do burn, com o Spearow não ficando satisfeito ao ver o estado deplorável do seu inimigo, pois queria matar aquele que ousou ferir as suas amadas crias. Somente a morte do tipo Poison iria lhe confortar, com ele percebendo que o próximo golpe poderia ser fatal ao pokémon, fazendo ele sorrir ao imaginá-lo morto.

Portanto, concentrando o seu poder novamente, ele avança contra o seu oponente, sendo que Satoshi percebe que o Ekans estava demasiadamente fraco e que poderia acabar morrendo no próximo ataque, uma vez que já estava inconsciente, demonstrando grandes danos.

Portanto, rapidamente, pega uma pokéball e lança, exclamando:

- Vá, pokéball!

O Ekans é sugado pela mesma, com essa se mexendo algumas vezes, até indicar a captura dele, com o Spearow ficando revoltado, sendo que Satoshi fala ao se aproximar do mesmo que bufava indignado:

- Eu entendo a sua raiva e por isso, deixei que o atacasse. Mas não pode matar outros pokémons e quanto aos animais, depende. Os ovos estão bem.

O Spearow vira o bico, visivelmente indignado, pois o ponto não era aquele e sim, o fato de que os seus amados filhos quase foram mortos, sendo que em seguida suspira resignado, tentando lidar com a frustação de não poder eliminar aquele que ameaçou a sua família, ainda mais ao se lembrar do acordo que tinha feito com o seu treinador.

Ele voa até o ninho e o leva delicadamente do galho até uma pedra mais baixa, com eles notando que os ovos eram apenas um pouco maiores, se comparados aos ovos de uma galinha, mas menores em relação aos ovos de muitos pokémons e os mesmos estavam brilhando levemente.

Satoshi pega uma das pokéballs e fala a segurando:

- Saia, Spearow.

A companheira dele sai, ficando chocada ao compreender que havia sido capturada e que para agravar a situação, eles estavam próximos dos seus filhos.

Lutando contra a submissão da pokéball, assim como, gerenciando a dor e a paralisia que a acometia naquele instante, tomada pelo sentimento materno de proteção, ela tenta ataca-los, após conseguir resistir um pouco a influência do objeto que a confinava, graças ao amor que sentia por seus filhos.

Nunca tinha ferido um humano, antes, mas para salvar os seus filhos, faria o que fosse necessário, sendo que o seu ataque foi bloqueado pelo seu companheiro que voa rapidamente, ficando na frente dela, com ela exclamando em um misto de desespero e de revolta:

- Você?! Eu pensei que conseguiria resistir à submissão desse objeto. Não acredito que foi subjugado por esse objeto e que se tornou tão submisso ao ponto de me impedir. Eu... Eu... Olhe, são os nossos filhos e você os trouxe para cá! Justo eles que nós atacamos? O que acha que eles vão fazer com as nossas crias?!

Ela começa a ficar desesperada e ele suspira, falando:

- O humano que nos capturou fez uma promessa, selando um acordo e sim, eu serei que eles são capturados. Mas faz parte desse acordo com uma promessa.

- "Acordo com uma promessa"? – ela pergunta com visível consternação.

- Ele deixará a família junta, sendo que vou precisar batalhar, algumas vezes, além de ter que me ausentar para fazer alguns treinamentos. Ele garantiu que sempre estaríamos juntos. Somente vou ter que treinar e batalhar, após eles ficarem maiores, pois ele vai deixar nós todos juntos com um humano chamado Yukinari ou algo assim. Afinal, para treinar e para batalhar, terei que ficar ausente. Por isso, que só terei que fazer isso, quando eles forem maiores. Ele permitiu que eu estivesse presente durante o crescimento das nossas crias.

- Mas eles são humanos! Com certeza, ele sente ódio de nós. Acha mesmo que ele vai manter uma promessa feita a um pokémon que capturou, após tudo o que fizemos contra ele? E se ele desejar nos trocar, algum dia, por outros pokémons? Nós ouvimos alguns humanos combinando a troca de alguns pokémons por outros! E se ele separar a nossa família?!

Ela pergunta desesperada, chorando agoniada, sendo que voa e abraça apavorada os seus ovos, dando um olhar aterrorizado para Satoshi que se sentia mal, frente ao olhar de medo e as lágrimas de desespero da mãe Spearow, pois se sentia naquele instante como se fosse um monstro ameaçando inocentes.

O Spearow pai suspira cansado e fala:

- Se ele não capturar nossos filhotes, visando nos manter unidos, eles não vão sobreviver sozinhos. Você sabe disso melhor do que eu.

- Por que ele não liberta um de nós para cuidar deles?

- Por que somos agressivos e eles temem uma retaliação. Você demonstrou tanta capacidade de liderança quanto eu. Provavelmente, não querem arriscar. Eu devo lembrar que a culpa foi sua por não pensar em nossos filhos? Estava tão obcecada em tentar me resgatar, justamente por se prender ao passado quando foi privada da companhia do seu pai que foi capturado por um humano, juntamente com a dor da minha captura, que não percebeu que o melhor era garantir que as nossas crias tivessem uma mãe. Senão tivesse liderado o bando, eu não precisaria ter revelado que tinha filhotes e nunca os levaria até as nossas crias, pois eles nunca saberiam disso. Eu nunca contaria a eles que era pai, pois assim os pokémons fazem para protegerem a sua família ou entes queridos. É tipo um código de conduta natural entre nós, como você deve saber. Por isso, o que capturou o seu pai, nunca descobriu onde vocês estavam. Mesmo capturado, ele ainda era o seu pai e queria proteger ambas. Com o seu ato egoísta não temos outra escolha, além de permitir a captura deles, acreditando nesse humano. Não foi me dado qualquer alternativa que garantisse a sobrevivência das nossas crias. Se eu tomei essa decisão é porque não havia outra disponível.

- Mas...

Ela tenta argumentar, não desejando encarar a verdade inconveniente que consistia no fato dela ter provocado essa situação, levando o seu companheiro a não ter outra opção, além de revelar que era pai e onde estavam os seus filhotes.

- Ele podia ter se vingado de mim, mas não se vingou. Inclusive, mesmo após todos os ferimentos que fizermos nele, ele não sentiu ódio por mim e me tratou bem. Nós precisamos confiar nele. Não temos outra escolha. Por acaso, você acha que eu entregaria os nossos filhotes para captura se eu tivesse outra opção? Claro que não! Se os conduzi até o nosso ninho foi por não ter escolha e considerando o que ocorreu agora a pouco, foi à decisão mais sábia.