Notas do Autor
O Spearow surpreende Satoshi quando...
O Ratata fica...
Satoshi decide...
Em Yamabuki City (Saffron City)…
Capítulo 43 - A revolta de um Ratata
Da pokéball sai o Spearow que concentra o poder tipo Steel nas asas, as tornando metálicas, procurando atingir Ratata em sua coxa direita, sendo que o pokémon selvagem só tem tempo de se virar, vendo o pokémon avançar contra ele, o acertando.
Mesmo ferido, se chocando no chão, ele consegue fugir com Satoshi exclamando:
- Droga! Ele escapou! Ele deve ter a habilidade Run Away!
O Spearow líder era um pokémon que se orgulhava de ser o maior caçador do bando e que nenhuma presa escapou dele antes, decidindo que não seria daquela vez que um mísero Ratata escaparia de suas garras, pois seria vexatório ao mesmo.
Com esse pensamento, ele voa mais alto e passa a esquadrinhar a área, atentamente, até localizar o Ratata fugitivo, sendo que o mesmo mancava levemente em decorrência do ataque em sua coxa direita, tendo sido proposital, visando dificultar a fuga do mesmo.
Então, descendo como um projétil, agindo como qualquer ave de rapina ao avistar a sua presa no solo, ele arrebata bruscamente Ratata entre as suas patas, voltando a voar, com o mesmo se debatendo, enquanto procurava prendê-lo firmemente entre as suas patas com garras afiadas, resistindo ao instinto natural de asfixiar o pokémon, pois uma de suas patas estava em seu pescoço.
O motivo de não tentar asfixiá-lo para fazê-lo perder a consciência era o risco de acabar matando o selvagem rendido em suas garras, sendo que ao contrário das outras vezes, era para ele ser capturado e não abatido, uma vez que ele estava proibido de matar pokémons.
Portanto, ele procurou imobilizar apenas a cabeça do mesmo por causa dos dentes enormes que ele tinha e que faziam a mordida dele ser bem dolorida.
Então, ao se aproximar do seu treinador, atira o Ratata do alto em direção ao solo, acabando por fazê-lo se ferir ainda mais. Mesmo assim, o pokémon fica de pé e tenta saltar em direção a uma grama mais alta, próxima dali, tentando acessar a sua habilidade Run Away.
Rapidamente, Satoshi pega a pokéball e atira nele, quando ele salta, com o mesmo sendo sugado, para depois a luz vermelha brilhar até que cessa, indicando a captura.
O Spearow voa e pega a pokéball com o Ratata capturado, o levando até o seu treinador, depositando-o na mão dele, falando, enquanto exibia orgulho em seu olhar:
- Eu sou o maior caçador do meu bando e já cacei com sucesso pokémons que conseguem fugir facilmente. Quando vou abater um pokémon, eu atinjo as coxas ou as patas dele, dificultando assim a sua fuga. Posso atingir, usualmente, a cabeça da minha presa para fazê-lo ficar desorientado com a pancada. Posso atingir os olhos para cegar, temporariamente, em alguns casos. No caso dos que conseguem voar, eu me foco na articulação das asas, dificultando o seu voo. Quando pego a minha presa, voo no alto com ela, para depois soltar, deixando-o se chocar no chão, quando não o asfixio em minhas patas. No caso desse Ratata, eu atingi uma das coxas dele e ele estava mancando parcialmente, possibilitando assim que eu o encontrasse, além de impedir que ele se afastasse com sucesso. Quando mandou que eu usasse o Steel Wing, procurei me focar na coxa dele. Se pudesse, gostaria de ter atingido a cabeça dele. Porém, pelo ângulo que eu estava somente era possível a coxa, já que as patas são pequenas demais para atingir com sucesso.
Yukiko traduz o que ele fala e Satoshi se refaz da surpresa, falando:
- Obrigado, Spearow. De fato, você é um caçador incrível. Os pokémons com habilidade Run Away são os mais difíceis de capturar.
Ele se aproxima e afaga o Spearow Líder que não queria demonstrar o quanto apreciou o afago, enquanto exibia um olhar altivo pela sua perícia na caçada.
- O que acha de eu deixar você e a sua companheira fora das pokéballs para terem um tempo, sozinhos? Podem aproveitar para namorar ou algo assim.
O tipo Flying fica surpreso, olhando para o seu treinador com a Pidgeotto voando próxima dele e com Pikachu no ombro dele, com o Spearow perguntando surpreso:
- É verdade que deixará nos dois fora das pokéballs?
- Sim. Afinal, quando pararmos, provavelmente, vão ficar cuidando dos filhotes. Ao pensar nisso, me lembrando dos meus pais, julguei que todos os casais precisam de um tempo a sós. Podem aproveitar que eles estão seguros, aquecidos e dormindo para terem um momento só para vocês. O que acha? Além disso, senão fosse por você, não teria capturado o Ratata. Você o caçou por si mesmo. Eu não pedi e mesmo assim, se esforçou para pegá-lo. Eu fico feliz de dar um tempo a sós para vocês. Vocês podem ficar fora das pokéballs até chegarmos na próxima cidade.
O Spearow concorda que de fato, seria bom eles terem um momento para eles, já que ficaram mais de um dia, separados. Além disso, seria bom ele acalmar a sua companheira que ainda estava preocupada pelo destino deles e de seus filhotes, tendo até lógica, pois não conhecia o treinador deles, ficando feliz por ter decidido pegar o Ratata, após o mesmo fugir. Como resultado do seu empenho, ficariam fora das pokéballs.
Ele fala feliz:
- Eu adoraria.
Nisso, sorrindo, Satoshi joga a pokéball para o alto, exclamando:
- Saia, Spearow!
A fêmea sai e olha confusa do seu treinador para o seu companheiro que fala:
- Ele vai deixar nos dois fora das pokéballs para podermos por a conversa em dia e termos um momento nosso, já que nossos filhotes estão aquecidos e dormindo, além de estarem seguros.
Ela se aproxima dele e fala hesitante, olhando ressabiada para o treinador deles:
- Não creio que consiga pensar em segurança, ainda, pelo fato de estarmos capturados, ainda mais após sabermos sobre as trocas que os humanos fazem entre si.
Ele suspira e fala:
- Bem, temos tempo para conversarmos a sós. – ele olha para o seu treinador – Podemos ficar voando mais alto para termos uma conversa privada?
Yukiko estava traduzindo o que eles falavam, com Satoshi falando em seguida, enquanto sorria:
- Não vejo qualquer problema. Eu imaginei que desejariam ter alguma privacidade.
- Obrigado. Vem, vamos conversar.
Nisso, ele sobe mais no ar, assim como ela, com Satoshi exclamando:
- Não nos perca de vista!
Eles consentem e se afastam.
- Tem certeza disso, Satoshi? Não confio neles. – Pikachu murmura, desconfiado.
- Eu não acho que eles vão fazer algo contra o Satoshi-sama. Eles são um casal e apenas, desejam ter alguma privacidade, algo que não teriam se ficassem próximos de nós. Além disso, Yukiko-san pode entender o que nós falamos. – a Pidgeotto fala.
- Bem, eu não tenho essa confiança toda em relação a eles. – o roedor elétrico fala ressabiado.
Satoshi afaga ambos e fala, olhando para o Pikachu:
- Eu confio neles. O Spearow líder é um pokémon honrado. Eu sinto isso. Ele vai cumprir a promessa e o acordo que nós fizemos.
O roedor elétrico suspira e murmura, virando de lado:
- Não sou tão crente assim de que ele vai manter a promessa.
Satoshi sorri, abanando a cabeça para os lados, para depois pegar a pokédex, analisando os dados do Ratata.
De fato, a habilidade dele era Run Away, sendo que ele havia ouvido de treinadores que era uma habilidade inútil, pois somente tinha utilidade para escapar quando o mesmo era selvagem pelo que ouviu sobre essa habilidade, tornando-a inútil em uma batalha, segundo esses mesmos treinadores.
Porém, ao analisar melhor os dados dessa habilidade na pokédex, percebe que apesar do senso comum falar que a única habilidade era para fugir de batalhas quando era selvagem, aqueles que possuíam essa habilidade podiam escapar de Trapping Abilities (Habilidades do tipo armadilha) como Arena Trap, Magnet Pull e Shadow Tag, além de movimentos do tipo Trap (armadilha) como Anchor Shot, Block, Fairy Lock e Mean Look, Shadow Hold, Spider Web, Spirit Shackle e Thousand Waves, adicionando-se também os movimentos tipo Binding, sendo aqueles que prendem parcialmente o inimigo como Fire Spin, Wrap, Whirlpool, Blind, Sand Tomb, Clamp e Infestation. O movimento Ingrain, também era afetado pela habilidade Run Away, com o pokémon conseguindo escapar das raízes que brotavam do solo.
Portanto, aquele Ratata podia escapar de qualquer uma dessas habilidades e movimentos, sendo impossível prendê-lo nessas "armadilhas", por assim dizer, pois ele conseguia escapar de todas elas, deixando Satoshi satisfeito, assim como, ficava surpreso com o potencial dessa habilidade e que com o moveset correto, a seu ver, assim como equipando o item Muscle Band, ele poderia lidar com vários tipos de pokémon, ao mesmo tempo em que não podia ser pego em habilidades e movimentos do tipo armadilha, assim como, o movimento Ingrain.
Ele passa a olhar os status, assim como os movimentos, ficando surpreso ao ver dois movimentos de nascença nele, o Counter e Flame Wheel, assim como os golpes Tail Whip, Quick Attack, Focus Energy e Bite.
Ele pega a pokéball do Ratata e fala:
- Ratata, saia.
O pokémon sai e de fato, ele nota que o tipo Normal não conseguia apoiar uma das patas traseiras totalmente no chão, além de demonstrar dor em seu semblante, sendo possível ver um olhar de raiva para o garoto por ter sido capturado, sendo que dentro do objeto, ele não estava sentindo qualquer dor por estar plasmado em forma de energia. O rato pokémon só voltou a sentir as fortes dores que o tomavam, quando o mestre dele o mandou sair. Ele estava irado tanto pela dor, quanto pela captura dele.
Então, Satoshi pega um Potion da mochila e trata do Ratata que fica maravilhado ao ver que não sentia mais dor, conseguindo apoiar a pata no chão, para depois demonstrar o seu mau humor, enquanto suspirava, olhando para a grama, sentindo falta de correr livre.
Quando o treinador dele tenta afagá-lo, ele se esquiva da mão do humano, levantando levemente o beiço, fazendo o seu treinador recuar a mão, para depois o pokémon virar o focinho, demonstrando o quanto estava irritado por ter sido capturado, para depois voltar a suspirar, olhando tristemente para o campo, se lembrando de quando era livre, correndo na direção que ele desejava.
Agora, como foi capturado, ele não podia mais ter a vida que ele tanto amava, a seu ver e que era ser livre, tal como o vento, podendo correr para onde desejava sem estar preso a algo como estava naquele instante, sentindo a subjugação do estranho compartimento que o fazia ficar com o humano, sentindo plenamente a influência do objeto redondo nele, impedindo que ele se afastasse por si mesmo, o fazendo ficar ainda mais revoltado ao ser privado de sua liberdade, juntamente com essa força invisível que agia nele, o obrigando a ficar com o humano que o capturou, assim como sentia que seria obrigado a obedecê-lo, mesmo que não desejasse.
Satoshi pega um objeto para cortar as duas maçãs, sendo as que ele havia colhido antes, cortando-as em pedaços, para depois guardar o objeto que usou para cortá-las, entregando para Pikachu um pedaço, assim como para a Pideotto que pega com uma de suas patas, para depois ele esticar dois pedaços para o alto, exclamando:
- O que acha de comerem um pouco de fruta?
O casal que conversava, desce e agradece, pegando um pedaço cada um, voltando a voar para o alto, passando a comer o pedaço, segurando-o com as patas.
Então, ele coloca a mochila nas costas, com o Pikachu sentando em cima da alça de mão da mesma, apoiando as costas na nuca do jovem para comer o seu pedaço, com Satoshi falando, enquanto olhava para o Ratata que ainda demonstrava irritação em sua face.
- O que acha de comer um pedaço de maçã? Pode subir em mim.
O pokémon fica surpreso, para depois ficar ressabiado, até que Satoshi insiste, sorrindo.
Inicialmente, ele sobe de forma hesitante, demorando um pouco para subir, indo até o ombro dele, já que o pedaço estava sendo segurado próximo do ombro.
Então, ao chegar, senta sobre as duas patas traseiras e pega o pedaço, ainda ressabiado.
Somente após alguns segundos, ele se põe a comer, hesitante, até que passa a comer animadamente, pois estava muito gostoso.
Yukiko e Shigeru fazem o mesmo, com os seus pokémons apreciando os pedaços de fruta que estavam suculentos.
O Ratata fica surpreso quando o seu mestre fala:
- Pode me chamar de Satoshi. O que acha de ficar fora da pokéball, um pouco?
O jovem nota que o pokémon não parecia acreditar muito na oferta até que ele fala:
- Pode acreditar em mim. Não vejo porque não pode ficar um pouco fora da pokéball. Além disso, quando acamparmos, vou deixa-los soltos para relaxarem. Claro, vamos separar alguns dias para treinamento e para batalhas simuladas, sendo que após o treinamento, podem relaxar, também. Inclusive, nós treinaremos com vocês. Quanto ao treinamento, nós não faremos treinamentos cruéis e muito menos, praticaremos maus tratos. Pode ficar tranquilo. Somos contra atos cruéis e inclusive, maus tratos para com os pokémons. Nunca faremos algo assim com um pokémon e odiamos qualquer um que faça tais atos. O que acha de aprender a linguagem humana? Eles vão fazer as aulas, também.
O pokémon fica boquiaberto por alguns minutos, até que fecha as mandíbulas e após meditar por alguns segundos, acena afirmativamente com a cabeça, ficando surpreso com o sorriso genuíno do seu mestre.
Então, conforme comia lentamente, ficava pensativo, pois sempre via os pokémons ficando confinados desde que eram capturados, sendo que ele viu várias capturas, escondido na relva, além de ver treinadores andando sem nenhum dos seus pokémon fora daqueles dispositivos redondos, sendo que ele sentia o cheiro dos pokémons impregnados nas esferas.
Ele olha para o humano que o capturou por alguns minutos, vendo no olhar dele que de fato, ele falou sério quando disse que poderia ficar um pouco fora da pokéball e que quando eles parassem, ele ficaria fora dela, relaxando, quando não estivessem treinando, assim como a promessa que não praticariam nenhuma crueldade ou maus tratos com ele e os demais, além de poder aprender a linguagem humana.
Inclusive, por mais estranho que fosse esse pensamento, ele confessava que seria interessante aprender a falar como eles.
Naquele momento, viu que aquele humano era diferente dos outros que ele avistou, sendo evidente em seu olhar, decidindo que iria deixar para emitir uma opinião sobre aquele humano, aparentemente peculiar, para mais tarde, decidindo não se esquivar da mão de Satoshi, novamente, além de não mostrar os beiços, enquanto que não queria demonstrar o quanto curtia o afago suave em seus pelos com o seu treinador falando:
- Além disso, agora eu vou cuidar de você. Você não terá mais que lutar diariamente para sobreviver, fugindo de predadores, tendo que sempre prestar atenção a sua volta para não virar refeição de algum pokémon selvagem. Além disso, não precisa mais ficar buscando comida, para que assim possa sobreviver. Eu sou responsável por dar comida para você, assim como, de cuidar de você, sendo que se quiser pegar uma fruta, pode ficar a vontade. Você só não pode caçar outros pokémons e quanto aos animais, vai depender de autorização.
Ratata fica surpreso, para depois consentir, enquanto terminava de comer seu pedaço, lambendo os beiços, pois estava saboroso.
Há centenas de quilômetros dali, mais precisamente na região de Johto, Nanaka (Casey), que havia saído a alguns dias do laboratório do PhD em Pokémons na sua região, o doutor Utsugi (Elm), com uma Chicorita que usava uma faixa amarela com listas pretas na testa, começou a comemorar ao melhor estilo de torcedora do Electabuzz, junto de sua pokémon, a captura de um Ratata, sendo que a tipo Grass girava a folha na sua cabeça, comemorando junto com a sua mestra.
Há centenas de quilômetros dali, em Kantou, mais precisamente em Yamabuki City (Saffron City), um homem usando, sobretudo, se aproximava de um edifício com um dos seus pokémons, um Gengar, oculto em sua sombra, sendo que estreitava o cenho ao olhar para o edifício, para depois suspirar, sendo que o seu pokémon fala, ficando parcialmente visível por alguns minutos:
- Está preparado?
- Sim. Fomos selecionados a dedo para essa missão. O nosso timing é essencial. Você está comigo, amigo?
O Gengar sorri e fala:
- Sim. Assim como os outros. Nós sempre estaremos com você.
O jovem sorri e fala, ajeitando o chapéu em sua cabeça com os dedos, inspirando profundamente, enquanto se preparava para entrar no edifício, com Gengar voltando a se ocultar na sua sombra.
Mais atrás dele, havia outro vulto que parecia aguardá-lo, sendo que era uma mulher que pergunta:
- Deseja mesmo fazer isso? Não seria melhor eu fazer isso?
- Eu agradeço a oferta. Porém, devo cumprir a minha missão.
- Verdade. Mas saiba que se você tiver problemas...
O jovem sorri, para depois falar, olhando para trás:
- Eu sei e agradeço. Fico aliviado em saber que está aqui... Bem, chegou o momento de eu agir. Por favor, aguarde aqui fora.
- Sim. Mas tome cuidado. Lembrem-se com quem irá lidar.
- Eu sei. Quanto mais rápido eu resolver esse problema, melhor. Serei o mais breve possível. Assim, terei boas notícias para o meu superior.
